| Bellacosa Mainframe e o Formiga na cama elastica |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
🤸 Cama Elástica na Festa do Gui — Quando as Crianças Mandavam na Festa
Era aniversário do Guilherme, o Gui. Estávamos no Jardim Arizona, em Itatiba, na casa dos nossos velhos amigos Levi e Maria. Para os adultos havia conversa, cervejinha e salgadinhos. Mas ninguém deveria se enganar: naquela festa, quem realmente mandava eram as crianças.
Estamos em Itatiba, no Jardim Arizona, na casa de velhos amigos da família, Levi e Maria.
O motivo daquela reunião era daqueles que conseguem juntar diferentes gerações em torno de uma mesma mesa: o aniversário do neto deles, Guilherme — para os próximos, simplesmente Gui.
Era uma típica festa infantil.
Os adultos ocupavam seu território estratégico, conversando sobre a vida, colocando os assuntos em dia, tomando uma cervejinha entre um salgado e outro e, de tempos em tempos, procurando com os olhos onde estavam os pequenos.
Porque havia crianças por todos os lados.
E festa infantil tem uma regra não escrita:
os adultos podem até organizar a festa, mas quem manda mesmo são as crianças.
🎈 O território era deles
Para animar aquele pequeno exército, alguém teve uma excelente — ou perigosíssima — ideia:
instalar uma cama elástica.
Pronto.
A partir daquele momento, bolo, salgadinho, refrigerante e provavelmente até o aniversariante passaram a disputar atenção com aquela maravilhosa máquina de transformar crianças em pequenos projéteis humanos.
E, meu amigo...
a fila não tinha fim.
Entrava uma turma.
Pulava.
Saltava.
Caía.
Levantava.
Pulava novamente.
Saía.
Entrava outra.
E todo mundo queria permanecer ali o máximo possível.
Naturalmente, havia um pequeno integrante daquela festa que não pretendia abrir mão de sua participação tão facilmente.
🐜 Formiga entra em órbita
O Formiga não era exceção, bravo que a fila não andava, que criança A ficou tempo demais, sempre atento sempre observando se o tempo esta cronologicamente correto para todos.
Se havia uma cama elástica disponível, então havia uma missão a cumprir.
Pular.
E pular novamente.
E mais uma vez.
Para nós, adultos, aquilo era simplesmente uma cama elástica instalada numa festa de aniversário.
Para uma criança, porém, a interpretação era completamente diferente.
Durante alguns segundos ela podia desafiar aquilo que passaria anos aprendendo na escola:
a gravidade.
O chão desaparecia.
O corpo subia.
Por alguns instantes havia aquela maravilhosa sensação infantil de estar voando.
Depois vinha a queda sobre a lona...
BOING!
...e tudo começava novamente.
Talvez seja por isso que convencer uma criança a abandonar voluntariamente uma cama elástica seja uma das grandes missões diplomáticas da humanidade.
🤸 "Só mais uma vez!"
Existe uma unidade de tempo infantil que os relógios dos adultos não conseguem medir.
Ela se chama:
"Só mais uma vez."
— Vamos sair?
Só mais uma vez.
— Já pulou bastante.
Só mais uma vez.
— Tem outras crianças esperando.
Só mais uma vez.
O problema é que cada "última vez" imediatamente cria uma nova última vez.
É praticamente um loop infinito.
PERFORM PULAR
UNTIL FESTA-ACABAR.
O programador COBOL experiente imediatamente percebe o problema:
faltou uma condição de saída confiável.
E naquele dia ela finalmente apareceu.
🎂 O único comando capaz de encerrar o loop
De repente chegou uma notícia capaz de interromper até mesmo a operação da cama elástica:
era hora do parabéns.
A festa mudou de estado.
As crianças começaram a ser chamadas.
Os adultos se aproximaram.
O bolo aguardava.
As velinhas estavam prontas.
Gui precisava assumir oficialmente seu posto de aniversariante.
E nós tínhamos um pequeno problema operacional:
tirar o Formiga da cama elástica.
A brincadeira precisava terminar.
Pelo menos temporariamente.
E foi assim que aquele sistema extremamente estável finalmente recebeu seu comando:
IF HORA-DO-PARABENS
MOVE "SAIR" TO ACAO-DO-FORMIGA
STOP RUN.
Fim do processamento.
Ou quase.
Porque em festa infantil ninguém acredita verdadeiramente em STOP RUN.
Depois do bolo sempre existe a possibilidade de um RESTART.
📹 Naquele momento era apenas uma filmagem
Eu estava ali registrando aquela bagunça.
Na época, provavelmente parecia apenas mais um pequeno vídeo entre tantos outros.
Uma criança pulando.
Uma festa de aniversário.
Amigos conversando.
Adultos tomando cerveja.
Salgadinhos circulando.
Crianças disputando alguns minutos numa cama elástica.
Nada extraordinário.
E talvez justamente por isso seja extraordinário hoje.
Porque as grandes memórias nem sempre avisam quando estão acontecendo.
Não aparece uma mensagem dizendo:
ATENÇÃO: este momento será importante daqui a muitos anos.
A vida simplesmente acontece.
E alguém, por sorte, está com uma câmera ligada.
🕰️ O que a câmera realmente estava gravando
Hoje olho para essas imagens de outra maneira.
Não vejo somente o Formiga pulando.
Vejo Itatiba.
Vejo o Jardim Arizona.
Vejo a casa de Levi e Maria.
Vejo o aniversário do Gui.
Vejo uma reunião de amigos.
Vejo uma época.
E vejo aquela infância acontecendo diante da câmera sem que nenhum de nós tivesse condições de perceber o tamanho que aquelas pequenas cenas ganhariam com a passagem dos anos.
Esse talvez seja um dos poderes mais bonitos das fotografias e dos vídeos familiares.
Eles registram justamente aquilo que nossa memória costuma perder primeiro:
os momentos comuns.
Nós nos lembramos dos grandes acontecimentos.
Casamentos.
Viagens.
Formaturas.
Nascimento.
Mudanças.
Mas podemos esquecer uma tarde qualquer em que uma criança ficou completamente enlouquecida porque havia uma cama elástica numa festa.
O vídeo guarda isso para nós.
❤️ Quando a bagunça vira patrimônio
Naquele dia nossa preocupação era muito mais simples.
Precisávamos tirar o Formiga dali porque estava na hora de cantar parabéns para o Gui.
Anos depois, a cena ganha outro significado.
A fila que parecia interminável terminou.
A festa terminou.
As crianças cresceram.
A cama elástica foi desmontada.
Os pratos foram recolhidos.
As garrafas desapareceram das mesas.
A casa voltou ao silêncio.
Mas alguns minutos ficaram presos dentro de uma gravação.
E agora, olhando novamente para eles, percebemos uma coisa curiosa:
aquela bagunça era patrimônio.
Não patrimônio de museu.
Não patrimônio histórico tombado.
Era patrimônio de família.
Daqueles pequenos fragmentos que, quando reunidos, contam quem éramos, onde estávamos e como vivíamos.
E talvez seja exatamente por isso que continuo gostando tanto desses registros.
Naquele momento eu estava apenas filmando o Formiga numa cama elástica.
Sem perceber, estava fazendo algo muito maior:
um backup da infância.
☕ Bellacosa Mainframe
Alguns backups guardam sistemas.
Outros guardam aquilo que nenhum sistema consegue restaurar depois que o tempo passa: um aniversário, uma casa cheia de amigos e uma criança que simplesmente não queria parar de pular.
Bagunçando na cama elastica
A Festa de Aniversario sempre é a alegria da criançada, agora imaginem um monte de garotos fazendo bagunça juntos e que nesta festa tem uma cama elástica.O formiguinha pirou quando viu, nao se via garotos na festa, todos estavam aguardando impacientemente sua vez para saltar e saltar na cama de elástico.
Numa das vezes em que o formiguinha foi, consegui capturar alguns momentos, vocês nem imaginam a briga que foi para ele sair dali para ir cortar o bolo.