💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
“Mary Hawes: a mulher que chamou a reunião que mudou a informática”
Existem pessoas que escrevem código.
Existem pessoas que escrevem especificações.
E existem pessoas raríssimas que criam o contexto onde o futuro acontece.
Mary Hawes não ficou famosa como “a programadora do algoritmo X”.
Ela ficou eterna porque fez algo muito mais difícil:
👉 percebeu o problema antes de todo mundo
👉 juntou as pessoas certas
👉 e forçou a indústria a conversar
Se hoje existe COBOL, mainframe corporativo, sistemas que duram 40 anos, é porque Mary Hawes levantou a mão e disse: “isso não está funcionando”.
Vamos contar essa história como ela merece — com café forte, bastidor, fofoquice técnica e respeito histórico.
👩💼 Quem foi Mary Hawes (biografia rápida)
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Nome completo: Mary Kenneth Hawes
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Formação: Matemática
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Atuação: Analista de sistemas, líder técnica, articuladora
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Empresas-chave: Burroughs Corporation
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Período crítico: final dos anos 1950 e início dos anos 1960
Mary Hawes não era “apenas” programadora.
Ela era o que hoje chamaríamos de arquiteta de sistemas, product owner e líder técnica — tudo ao mesmo tempo, décadas antes desses termos existirem.
🕰️ O problema que ela enxergou (e quase ninguém queria ver)
Final dos anos 50.
Cada fabricante tinha:
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Seu próprio hardware
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Sua própria linguagem
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Seu próprio compilador
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Seu próprio inferno de manutenção
Trocar de máquina significava:
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Reescrever tudo
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Treinar pessoas do zero
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Jogar investimentos no lixo
🧠 Comentário Bellacosa:
Mary Hawes enxergou algo simples e assustador: isso não escala.
Enquanto a indústria brigava por market share, ela pensava em interoperabilidade — uma palavra que nem existia ainda.
📣 O ato revolucionário: convocar a reunião
Aqui entra o momento histórico.
Mary Hawes, trabalhando na Burroughs, escreve, liga, insiste e articula uma reunião entre:
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Governo dos EUA
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Forças Armadas
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Grandes fabricantes (IBM, RCA, Univac, Burroughs, Honeywell…)
Ela basicamente disse:
“Precisamos de uma linguagem comum para sistemas de negócio.
Agora.
Juntos.”
Essa reunião virou o Short-Range Committee (1959).
E dessa mesa nasceu o COBOL.
🧠 Tradução livre:
Mary Hawes não “programou” o COBOL.
Ela tornou o COBOL inevitável.
💻 Contributo direto ao COBOL
Mary Hawes foi fundamental em vários aspectos:
🔹 Visão de linguagem de negócios
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Linguagem legível
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Próxima do inglês
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Voltada a dados e processos empresariais
🔹 Defesa da independência de fornecedor
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COBOL não seria da IBM
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Nem da Burroughs
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Nem da Univac
🥚 Easter egg histórico:
Convencer a IBM a aceitar isso foi quase um milagre diplomático.
🔹 Organização e liderança
Mary não era apenas “a ideia”.
Ela coordenava discussões, mediava egos gigantes e mantinha o foco no objetivo.
🧠 Fofoquice técnica:
Dizem que sem ela as reuniões viravam disputas acadêmicas intermináveis.
Com ela, viravam decisões.
🖥️ Mary Hawes e o nascimento do Mainframe corporativo
O mainframe como conhecemos hoje — plataforma estável, durável, corporativa — nasce da filosofia COBOL:
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Separação entre dados e lógica
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Programas legíveis e auditáveis
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Longevidade acima de modismo
Tudo isso está diretamente ligado à visão de Mary Hawes.
🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
O mainframe não foi feito para ser bonito.
Foi feito para durar.
Mary Hawes pensava exatamente assim.
🧬 Principais trabalhos e contribuições
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Idealizadora e articuladora do movimento que levou ao COBOL
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Representante da Burroughs no comitê COBOL
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Influência direta na definição de linguagens orientadas a negócio
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Defensora precoce de padrões abertos
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Uma das primeiras líderes femininas reais da computação corporativa
Ela não escreveu milhares de linhas de código.
Ela escreveu o manual invisível do software corporativo.
🧩 Curiosidades pouco faladas
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Mary Hawes raramente aparece nos livros populares de história da computação
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Seu papel foi por muito tempo “diluído” em comitês
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Hoje, historiadores concordam: sem ela, COBOL provavelmente não existiria
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Ela era conhecida por ser direta, objetiva e impaciente com vaidade técnica
🥚 Easter egg:
Ela defendia que código deveria ser lido por pessoas de negócio.
Décadas depois, isso ainda é um diferencial do COBOL.
👶 Conteúdo para Padawans do Mainframe
Se você está começando agora, aprenda isso com Mary Hawes:
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Tecnologia sem visão vira sucata
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Linguagem sem propósito vira brinquedo
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Sistema que não dura não é sistema — é experimento
COBOL e mainframe sobreviveram porque foram pensados para o mundo real.
☕ O legado de Mary Hawes
Mary Hawes deixou algo raro:
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Não um produto
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Não uma patente
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Não uma startup
Ela deixou um ecossistema inteiro funcionando por mais de 60 anos.
Cada batch que fecha banco.
Cada transação CICS que autoriza pagamento.
Cada salário que cai certo no fim do mês.
Tudo isso carrega um pouco da decisão que ela tomou em 1959.
🧠 Reflexão final do El Jefe
“Algumas pessoas escrevem código.
Outras escrevem o futuro.
Mary Hawes fez os dois — sem pedir crédito.”
Se hoje o COBOL ainda vive,
se o mainframe ainda reina silencioso,
é porque alguém, lá atrás, teve coragem de parar a indústria e dizer:
“Precisamos fazer isso direito.”