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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mary Hawes: a mulher que chamou a reunião que mudou a informática - Codasyl

 


💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
“Mary Hawes: a mulher que chamou a reunião que mudou a informática”


Existem pessoas que escrevem código.
Existem pessoas que escrevem especificações.
E existem pessoas raríssimas que criam o contexto onde o futuro acontece.

Mary Hawes não ficou famosa como “a programadora do algoritmo X”.
Ela ficou eterna porque fez algo muito mais difícil:
👉 percebeu o problema antes de todo mundo
👉 juntou as pessoas certas
👉 e forçou a indústria a conversar

Se hoje existe COBOL, mainframe corporativo, sistemas que duram 40 anos, é porque Mary Hawes levantou a mão e disse: “isso não está funcionando”.

Vamos contar essa história como ela merece — com café forte, bastidor, fofoquice técnica e respeito histórico.



👩‍💼 Quem foi Mary Hawes (biografia rápida)

  • Nome completo: Mary Kenneth Hawes

  • Formação: Matemática

  • Atuação: Analista de sistemas, líder técnica, articuladora

  • Empresas-chave: Burroughs Corporation

  • Período crítico: final dos anos 1950 e início dos anos 1960

Mary Hawes não era “apenas” programadora.
Ela era o que hoje chamaríamos de arquiteta de sistemas, product owner e líder técnica — tudo ao mesmo tempo, décadas antes desses termos existirem.


🕰️ O problema que ela enxergou (e quase ninguém queria ver)

Final dos anos 50.
Cada fabricante tinha:

  • Seu próprio hardware

  • Sua própria linguagem

  • Seu próprio compilador

  • Seu próprio inferno de manutenção

Trocar de máquina significava:

  • Reescrever tudo

  • Treinar pessoas do zero

  • Jogar investimentos no lixo

🧠 Comentário Bellacosa:
Mary Hawes enxergou algo simples e assustador: isso não escala.

Enquanto a indústria brigava por market share, ela pensava em interoperabilidade — uma palavra que nem existia ainda.


📣 O ato revolucionário: convocar a reunião

Aqui entra o momento histórico.

Mary Hawes, trabalhando na Burroughs, escreve, liga, insiste e articula uma reunião entre:

  • Governo dos EUA

  • Forças Armadas

  • Grandes fabricantes (IBM, RCA, Univac, Burroughs, Honeywell…)

Ela basicamente disse:

“Precisamos de uma linguagem comum para sistemas de negócio.
Agora.
Juntos.”

Essa reunião virou o Short-Range Committee (1959).
E dessa mesa nasceu o COBOL.

🧠 Tradução livre:
Mary Hawes não “programou” o COBOL.
Ela tornou o COBOL inevitável.


💻 Contributo direto ao COBOL

Mary Hawes foi fundamental em vários aspectos:

🔹 Visão de linguagem de negócios

  • Linguagem legível

  • Próxima do inglês

  • Voltada a dados e processos empresariais

🔹 Defesa da independência de fornecedor

  • COBOL não seria da IBM

  • Nem da Burroughs

  • Nem da Univac

🥚 Easter egg histórico:
Convencer a IBM a aceitar isso foi quase um milagre diplomático.


🔹 Organização e liderança

Mary não era apenas “a ideia”.
Ela coordenava discussões, mediava egos gigantes e mantinha o foco no objetivo.

🧠 Fofoquice técnica:
Dizem que sem ela as reuniões viravam disputas acadêmicas intermináveis.
Com ela, viravam decisões.


🖥️ Mary Hawes e o nascimento do Mainframe corporativo

O mainframe como conhecemos hoje — plataforma estável, durável, corporativa — nasce da filosofia COBOL:

  • Separação entre dados e lógica

  • Programas legíveis e auditáveis

  • Longevidade acima de modismo

Tudo isso está diretamente ligado à visão de Mary Hawes.

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
O mainframe não foi feito para ser bonito.
Foi feito para durar.
Mary Hawes pensava exatamente assim.


🧬 Principais trabalhos e contribuições

  • Idealizadora e articuladora do movimento que levou ao COBOL

  • Representante da Burroughs no comitê COBOL

  • Influência direta na definição de linguagens orientadas a negócio

  • Defensora precoce de padrões abertos

  • Uma das primeiras líderes femininas reais da computação corporativa

Ela não escreveu milhares de linhas de código.
Ela escreveu o manual invisível do software corporativo.


🧩 Curiosidades pouco faladas

  • Mary Hawes raramente aparece nos livros populares de história da computação

  • Seu papel foi por muito tempo “diluído” em comitês

  • Hoje, historiadores concordam: sem ela, COBOL provavelmente não existiria

  • Ela era conhecida por ser direta, objetiva e impaciente com vaidade técnica

🥚 Easter egg:
Ela defendia que código deveria ser lido por pessoas de negócio.
Décadas depois, isso ainda é um diferencial do COBOL.


👶 Conteúdo para Padawans do Mainframe

Se você está começando agora, aprenda isso com Mary Hawes:

  • Tecnologia sem visão vira sucata

  • Linguagem sem propósito vira brinquedo

  • Sistema que não dura não é sistema — é experimento

COBOL e mainframe sobreviveram porque foram pensados para o mundo real.


☕ O legado de Mary Hawes

Mary Hawes deixou algo raro:

  • Não um produto

  • Não uma patente

  • Não uma startup

Ela deixou um ecossistema inteiro funcionando por mais de 60 anos.

Cada batch que fecha banco.
Cada transação CICS que autoriza pagamento.
Cada salário que cai certo no fim do mês.

Tudo isso carrega um pouco da decisão que ela tomou em 1959.


🧠 Reflexão final do El Jefe

“Algumas pessoas escrevem código.
Outras escrevem o futuro.
Mary Hawes fez os dois — sem pedir crédito.”

Se hoje o COBOL ainda vive,
se o mainframe ainda reina silencioso,
é porque alguém, lá atrás, teve coragem de parar a indústria e dizer:

“Precisamos fazer isso direito.”


sábado, 13 de setembro de 2014

1959: a mesa onde o COBOL nasceu (e ninguém imaginava que ele ainda estaria vivo no século XXI)

 


☕ EL JEFE MIDNIGHT LUNCH

1959: a mesa onde o COBOL nasceu (e ninguém imaginava que ele ainda estaria vivo no século XXI)

Existem fotos que são apenas fotos.
E existem fotos que são documentos fundacionais da história da computação.

Essa imagem de 1959, com homens e mulheres sentados em volta de uma mesa simples, não é apenas um registro de época.
É o Big Bang do software corporativo moderno.

Ali estava o Short-Range Committee, o grupo responsável por definir as bases do que viria a ser o COBOL — a linguagem que atravessou governos, bancos, crises, modas tecnológicas e continua firme no coração do mainframe.

Vamos conhecer quem eram essas pessoas, o que representavam e por que essa mesa mudou o mundo.



🧠 O que era o Short-Range Committee?

Em 1959, o governo dos EUA, a indústria e as forças armadas tinham um problema sério:

Cada computador tinha sua própria linguagem.
Cada fornecedor falava um dialeto diferente.
E sistemas de negócio não eram portáveis.

A missão do comitê era clara e ousada:

  • Criar uma linguagem comum

  • Voltada para negócios

  • Independente de fabricante

  • Legível por humanos (não só por engenheiros)

Nascia ali o embrião do COBOL — Common Business-Oriented Language.




A história de uma foto.

👩‍💻👨‍💻 Quem estava sentado à mesa (literalmente)

🔹 Sentados (da esquerda para a direita)

Gertrude Tierney (IBM)

Representando a IBM — já naquela época a potência dominante.
Trouxe pragmatismo corporativo e visão de escala.

🧠 Curiosidade: A IBM entrou no COBOL mesmo sabendo que isso reduziria seu lock-in proprietário.


William Logan (Burroughs)

A Burroughs sempre teve uma visão mais “human-friendly” de computação.
Logan ajudou a defender uma linguagem mais próxima do inglês.


Frances “Betty” Holberton

Sim, uma das mães do COBOL.
Programadora do ENIAC, visionária, brilhante.

🥚 Easter egg:
Ela também influenciou conceitos que hoje associamos a compiladores modernos e boas práticas de software.


Daniel Goldstein (Univac)

A Univac era sinônimo de computação comercial nos anos 50.
Goldstein trouxe experiência prática de sistemas reais em produção.


Joseph Wegstein (National Bureau of Standards)

O homem da padronização.
Sem ele, COBOL talvez fosse só mais uma linguagem bonita… e inútil.


Howard Bromberg (RCA)

Representava o lado industrial pesado, preocupado com viabilidade técnica.


Mary Hawes (Burroughs)

🔥 Figura-chave e frequentemente subestimada.
Foi uma das maiores articuladoras da ideia de uma linguagem comum.

🧠 Comentário Bellacosa:
Sem Mary Hawes, talvez não existisse COBOL — ponto.


Benjamin Cheydleur (RCA)

A ponte entre teoria e implementação.


Jean Sammet (Sylvania)

Outra gigante da computação.
Mais tarde escreveria um dos primeiros livros de história das linguagens de programação.

🥚 Easter egg:
Jean Sammet foi uma das maiores defensoras da clareza sintática — algo que o COBOL carrega até hoje.


🧍‍♂️ Em pé (os bastidores da história)

Alfred Asch (U.S. Air Force)

O governo pressionava: precisava de sistemas portáveis, confiáveis e duradouros.

🧠 Spoiler: Conseguiram.


[Nome não identificado]

Sim, até a história tem registros perdidos.
Mainframe também tem isso: datasets sem catálogo 😄


William Selden (IBM)

Outro peso pesado da IBM, garantindo que o COBOL fosse implementável em escala industrial.


Charles Gaudette (Minneapolis-Honeywell)

A visão de automação industrial aplicada ao negócio.


Norman Discount (RCA)

Trabalhou fortemente na definição de estruturas e regras.


Vernon Reeves (Sylvania)

Contribuições fundamentais para a forma como dados seriam descritos.


💾 O que nasceu dessa mesa?

Dessa reunião vieram ideias que hoje parecem óbvias, mas não eram:

  • DATA DIVISION

  • Campos descritivos e autoexplicativos

  • Separação clara entre dados e lógica

  • Foco absoluto em processamento de negócios

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
Enquanto outras linguagens queriam provar inteligência, o COBOL queria pagar salário no fim do mês.


🧑‍ Padawans do Mainframe, prestem atenção

Se você está começando agora e acha COBOL “velho”, lembre-se:

  • Ele foi criado por pessoas que pensavam em longevidade

  • Ele nasceu para sobreviver a mudanças de hardware

  • Ele foi feito para ser lido, auditado e mantido

Por isso ele ainda está aqui.
Não por acidente — por projeto.


☕ Reflexão final do El Jefe

“Essas pessoas não escreveram apenas uma linguagem.
Elas escreveram um pacto:
o software de negócio precisava durar mais do que modas.”

Essa foto não é nostalgia.
É arquitetura de longo prazo.