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Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens.
Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê.
Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão.
Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
Bellacosa Mainframe e comandos ms-dos no windows parte 3
Os 100 Comandos Mais Importantes do CMD.EXE e da Herança MS-DOS no Windows
Parte 3 – Comandos 51 a 75
Administração Avançada, Segurança, Registro do Windows e Gerenciamento do Sistema
Introdução
Após explorar os comandos fundamentais de navegação, gerenciamento de arquivos, rede e diagnóstico nas partes anteriores, chegamos a uma das áreas mais poderosas do CMD.EXE: a administração avançada do sistema operacional Windows.
Os comandos desta seção são amplamente utilizados por administradores de sistemas, analistas de suporte N2 e N3, profissionais de infraestrutura, especialistas em segurança da informação e equipes de Data Center. Eles permitem controlar serviços, agendamentos, permissões NTFS, criptografia, compartilhamentos, usuários conectados, Registro do Windows e diversos componentes internos do sistema operacional.
Muitos desses comandos exigem privilégios administrativos e devem ser utilizados com cautela, pois alterações incorretas podem impactar diretamente a estabilidade do ambiente.
51. SCHTASKS
Nome Completo
Scheduled Tasks
Função
Criar, gerenciar e remover tarefas agendadas no Windows.
Alterações incorretas podem comprometer o sistema.
64. REG DELETE
Função
Excluir chaves ou valores.
Sintaxe
reg delete
Exemplo
reg delete HKCU\Teste
Aplicação
Limpeza e automação.
65. TAKEOWN
Nome Completo
Take Ownership
Função
Assumir posse de arquivos e diretórios.
Sintaxe
takeown
Exemplo
takeown /f arquivo.txt
Utilidade
Recuperação de permissões.
66. ICACLS
Nome
Integrity Control Access Control Lists
Função
Gerenciar permissões NTFS.
Sintaxe
icacls
Exemplo
icacls arquivo.txt /grant Administrators:F
Aplicações
Segurança.
Controle de acesso.
Auditoria.
67. CIPHER
Função
Gerenciar criptografia EFS.
Sintaxe
cipher
Exemplo
cipher /e Dados
Recursos
Criptografia.
Descriptografia.
Limpeza segura.
68. COMPACT
Função
Compactar arquivos NTFS.
Sintaxe
compact
Exemplo
compact /c relatorio.txt
Benefícios
Economia de espaço em disco.
69. OPENFILES
Função
Listar arquivos abertos remotamente.
Sintaxe
openfiles
Exemplo
openfiles /query
Aplicações
Administração de servidores.
Auditoria.
70. QUERY USER
Função
Exibir usuários conectados.
Sintaxe
query user
Exemplo
query user
Utilidade
Monitoramento de sessões.
71. QUERY SESSION
Função
Mostrar sessões ativas.
Sintaxe
query session
Exemplo
query session
Aplicações
Terminal Services.
Remote Desktop.
72. LOGOFF
Função
Encerrar sessões de usuário.
Sintaxe
logoff
Exemplo
logoff 2
Aplicação
Administração remota.
73. SHUTDOWN
Função
Desligar ou reiniciar computadores.
Sintaxe
shutdown
Exemplos
Desligar:
shutdown /s /t 0
Reiniciar:
shutdown /r /t 0
Modo avançado:
shutdown /r /o
Aplicações
Manutenção.
Atualizações.
Administração remota.
74. RECOVER
Função
Recuperar dados legíveis de discos danificados.
Sintaxe
recover
Exemplo
recover arquivo.txt
Utilidade
Tentativa de recuperação de dados.
75. LABEL
Função
Exibir ou alterar o rótulo de volumes.
Sintaxe
label
Exemplo
label D: BACKUP_2025
Aplicações
Organização de discos.
Inventário.
Administração de armazenamento.
Conclusão da Parte 3
Os comandos de 51 a 75 representam um salto importante em relação aos comandos básicos do CMD.EXE. Eles permitem administrar serviços, gerenciar políticas corporativas, manipular o Registro do Windows, controlar permissões NTFS, criptografar arquivos, monitorar sessões de usuários e executar tarefas avançadas de manutenção.
Dominar esse conjunto de ferramentas é essencial para profissionais que trabalham com infraestrutura Microsoft, Active Directory, servidores Windows, virtualização e segurança da informação.
Na Parte 4 serão apresentados os comandos 76 a 100, abordando automação, scripts Batch, produtividade, inicialização do sistema, gerenciamento de discos, configuração de boot e ferramentas avançadas para administradores experientes.
💻 Bellacosa Mainframe Blog — IBM System z15: O Mainframe da Era da Confiança, Privacidade e Nuvem Híbrida
🕰️ Ano de lançamento
2019 — O IBM System z15 foi anunciado em 12 de setembro de 2019, sucedendo o z14 como o novo pilar da estratégia “Enterprise Hybrid Cloud” da IBM.
Com ele, a Big Blue reforçou sua visão de dados protegidos, mobilidade controlada e resiliência operacional — pilares fundamentais da economia digital moderna.
🧩 Modelos disponíveis
IBM z15 Model T01 (2019) — Modelo de alta capacidade, voltado a grandes corporações, com múltiplos drawers e interconexões de alta velocidade.
IBM z15 Model T02 (2020) — Versão “compacta”, pensada para ambientes híbridos e datacenters modernos, compatível com racks padrão de 19”.
Ambos os modelos permitem workloads mistos (z/OS, Linux on Z, z/VM, z/VSE, z/TPF) e são totalmente integráveis a soluções Red Hat OpenShift e IBM Cloud Pak.
⚙️ CPU e arquitetura
Processador: IBM z15 Core Chip, tecnologia de 7 nanômetros
Clock: até 5.2 GHz
Cores por sistema: até 190 processadores físicos
Memória máxima:40 TB de RAM
Criptografia:Pervasive Encryption com IBM Secure Execution e aceleração por hardware nativo
Arquitetura: nova geração da z/Architecture com suporte aprimorado a SMT-2, instruções vetoriais e compressão acelerada
O z15 trouxe uma revisão de design no cache L2/L3 e no pipeline de execução, entregando até 25% mais performance por core em cargas mistas de CICS, DB2 e WebSphere.
🧠 Versão do z/OS compatível
z/OS 2.4 (lançada junto com o z15)
Compatibilidade retroativa: z/OS 2.3, z/VM 7.1, z/VSE 6.2 e Linux on Z (RHEL, SUSE, Ubuntu)
🧬 Introdução técnica
O z15 representou um salto para o mundo da privacidade de dados e integração em nuvem.
Ele foi o primeiro mainframe com suporte nativo a Data Privacy Passports, um sistema de controle de dados que acompanha a informação mesmo fora do mainframe.
Além disso, trouxe o conceito de:
Instant Recovery: reinicializações até 2x mais rápidas após manutenções planejadas.
Data Privacy Passports: controle e auditoria de dados em múltiplas plataformas.
IBM Secure Execution for Linux: isolamento criptográfico de VMs Linux diretamente no hardware.
z/OS Container Extensions (zCX): execução de contêineres Docker sob o z/OS, sem precisar migrar workloads.
🔁 O que muda em relação ao System z14
Recurso
System z14
System z15
Evolução
Litografia
14 nm
7 nm
Duplicação da densidade e eficiência
Cores Máximos
170
190
+12% de capacidade de processamento
Memória Máx.
32 TB
40 TB
Aumento de 25%
Criptografia
On-chip
Secure Execution e Privacy Passports
Criptografia com controle global
Recuperação
IPL padrão
Instant Recovery
Redução do downtime em até 50%
Cloud
zCX básico
Red Hat OpenShift e IBM Cloud Pak
Cloud híbrida corporativa
🧾 Curiosidades
O codinome interno do projeto foi “Poughkeepsie Eagle”, em homenagem à cidade que abriga o centro histórico de desenvolvimento dos mainframes da IBM.
Foi o primeiro mainframe a integrar Red Hat OpenShift oficialmente, após a aquisição da Red Hat pela IBM.
A IBM focou o lançamento no conceito de “Freedom of Choice” — a liberdade de mover workloads entre on-premises e cloud sem perder segurança nem governança.
O z15 é capaz de criptografar até 1 trilhão de transações por dia sem perda perceptível de performance.
🧠 Dica técnica Bellacosa
👉 Habilite o Instant Recovery no IPL do sistema.
Durante janelas de manutenção, o z15 usa “Capacity Boost” automático — um recurso que aloca temporariamente mais poder de CPU e I/O durante a recuperação, sem custo adicional de licenciamento.
Isso é ouro para workloads críticos CICS e DB2 que exigem retomada imediata.
👉 Explore o Data Privacy Passport Manager (DPPM) — um serviço que acompanha os dados criptografados até fora do mainframe, protegendo a conformidade com normas como GDPR e LGPD.
🔍 Nota técnica
Cada drawer do z15 possui até 12 processadores e 4 TB de memória, interconectados via A-Bus de altíssima largura de banda.
A compressão de dados (zEDC) foi incorporada diretamente ao hardware do core, reduzindo custos de CPU em até 30% em workloads de storage.
O z15 entrega até 14% de melhoria no throughput de criptografia comparado ao z14, especialmente em ambientes com TLS e APIs REST via z/OS Connect EE.
O System z15 consolidou o papel do mainframe como plataforma de nuvem corporativa segura.
Ele foi o elo entre o mundo tradicional do z/OS e o ecossistema Red Hat OpenShift, abrindo as portas para containers, microserviços e aplicações cognitivas — sem sacrificar a robustez de 60 anos de confiabilidade IBM Z.
O z15 preparou o terreno para o z16, que em 2022 trouxe IA on-chip e computação quântica assistida — um salto digno da próxima geração.
Bellacosa Mainframe apresenta o ibm mainframe parte IV
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Capítulo IV — A Sala dos Cofres Cósmicos
Segurança no IBM Z: Por Que os Guardiões Dormem Tranquilos
PRIMEIRA REGRA DA SEGURANÇA INTERGALÁCTICA
Se alguém disser:
"Nossa nave nunca será invadida."
...desconfie imediatamente.
Porque o Universo possui uma característica curiosa.
Ele é povoado por três tipos de seres.
Os inteligentes.
Os curiosos.
E os curiosamente inteligentes.
Infelizmente, o terceiro grupo costuma dedicar boa parte da vida tentando descobrir como entrar onde não foi convidado.
Foi pensando nesses exploradores inconvenientes que nasceu uma das arquiteturas de segurança mais sofisticadas da história da computação.
Bem-vindo ao setor mais protegido da nave IBM Z.
A Fortaleza Invisível
Imagine uma gigantesca cidade espacial.
Nela existem:
Hospitais.
Bancos.
Laboratórios.
Centrais de energia.
Hangar militar.
Sala do comandante.
Agora imagine que todas essas instalações estão abertas.
Sem portas.
Sem crachás.
Sem vigilância.
Quanto tempo levaria até surgir o primeiro desastre?
Provavelmente menos tempo do que um operador leva para digitar:
TSO LOGON
Segurança Não Começa na Senha
Esse talvez seja o maior erro cometido por iniciantes.
Pensam que segurança significa:
senha.
Na verdade...
senha é apenas a campainha da porta.
O verdadeiro sistema de segurança está muito além.
Ele envolve:
identidade.
autorização.
criptografia.
hardware.
isolamento.
auditoria.
integridade.
No IBM Z, segurança nunca foi um programa instalado depois.
Ela faz parte da própria arquitetura.
O Bairro Proibido
Imagine nossa nave dividida em milhares de compartimentos.
Cada porta possui uma cor diferente.
Você recebeu uma chave azul.
Isso significa que pode abrir:
portas azuis.
Nada mais.
Mesmo que descubra onde está a sala do capitão...
...a porta simplesmente não abrirá.
Essa é exatamente a filosofia do Hardware Storage Key Protection.
As Chaves da Memória
Aqui encontramos um recurso extraordinário.
Cada bloco de memória de 4 KB recebe uma chave de proteção.
Quando um programa tenta acessar esse bloco...
o hardware pergunta:
— Sua chave corresponde à chave desta área?
Se sim...
entrada permitida.
Caso contrário...
acesso negado.
Tudo isso acontece diretamente no hardware.
Sem depender do sistema operacional.
Segundo Spruth, essa proteção praticamente impede que um programa comum sobrescreva áreas privilegiadas da memória, reduzindo drasticamente riscos como buffer overflows em regiões críticas do sistema.
O Guarda Nem Precisa Pensar
Observe algo interessante.
O processador não pergunta:
"Será que esse programa é confiável?"
Ele apenas compara chaves.
É rápido.
Determinístico.
Matemático.
Não existe interpretação.
Isso torna a segurança extremamente eficiente.
O Labirinto dos Buffer Overflows
Imagine uma biblioteca.
Cada sala possui paredes extremamente resistentes.
Você pode encher uma estante de livros.
Mas ela nunca atravessará a parede para invadir a sala vizinha.
Foi exatamente essa ideia que inspirou a proteção por Storage Keys.
Em muitas plataformas, erros de programação permitiram durante décadas que um processo escapasse de sua área de memória.
No IBM Z isso sempre foi muito mais difícil.
O Cofre Dentro do Cofre
Agora imagine que existe uma sala secreta.
Dentro dela há outro cofre.
Dentro desse cofre existe uma pequena caixa.
Dentro da caixa está a chave do banco da galáxia.
Parece exagero?
Não para quem administra bilhões de dólares diariamente.
É aqui que entra a criptografia do IBM Z.
Dois Magos da Criptografia
O relatório apresenta dois personagens extremamente importantes.
O primeiro é:
CPACF
(CP Assist for Cryptographic Functions)
Ele vive dentro da própria CPU.
Sua missão é acelerar algoritmos criptográficos.
O segundo é:
Crypto Express
Uma placa especializada.
Muito mais poderosa.
Muito mais protegida.
Cada uma possui responsabilidades diferentes.
Enquanto o CPACF acelera operações criptográficas diretamente no processador, o Crypto Express executa funções avançadas envolvendo gerenciamento seguro de chaves, assinaturas digitais, geração de números aleatórios e criptografia assimétrica.
A Chave Que Nunca Sai do Cofre
Este talvez seja o conceito mais elegante de todo o capítulo.
O nome é:
Master Key.
Imagine um rei.
Ele nunca sai do castelo.
Nunca participa das batalhas.
Nunca atravessa fronteiras.
Todas as outras chaves viajam.
Mas o rei permanece protegido.
No IBM Z acontece exatamente isso.
A Master Key permanece armazenada dentro do hardware criptográfico.
Ela nunca aparece em memória.
Nunca vai para disco.
Nunca é enviada pela rede.
Segundo o relatório, apenas cópias criptografadas das chaves de aplicação circulam pelo sistema; sua descriptografia ocorre exclusivamente dentro do coprocesso seguro.
O Cofre Autodestrutivo
Agora imagine que alguém tente abrir esse cofre usando uma furadeira.
Ou calor.
Ou eletricidade.
Ou qualquer outro ataque físico.
O que acontece?
O cofre destrói imediatamente seu segredo.
Parece filme.
Mas é engenharia.
As placas Crypto Express utilizam módulos resistentes à violação física (Tamper Resistant Security Module).
Caso detectem tentativa de invasão, podem apagar automaticamente as chaves armazenadas.
A Grande Biblioteca das Permissões
Até agora falamos sobre hardware.
Mas alguém precisa decidir:
Quem pode fazer o quê?
É aqui que encontramos dois dos personagens mais famosos do z/OS.
SAF — O Porteiro da Nave
Imagine um enorme edifício.
Em cada porta existe um segurança.
Mas esse segurança não toma decisões.
Ele apenas pergunta:
— Posso deixar esta pessoa entrar?
Quem responde?
Outro departamento.
Esse segurança chama-se:
SAF.
Security Authorization Facility.
Ele identifica eventos de segurança e encaminha a decisão ao mecanismo responsável pela autorização.
RACF — O Conselho Galáctico
O verdadeiro juiz chama-se:
RACF
(Resource Access Control Facility).
Imagine um gigantesco livro de regras.
Ele contém milhões de decisões.
Quem pode acessar:
arquivos.
programas.
transações.
impressoras.
bancos.
datasets.
comandos.
Cada tentativa de acesso consulta esse conjunto de perfis e regras.
Spruth observa que o RACF utiliza perfis e mecanismos de autorização extremamente granulares, tornando-se um dos pilares da segurança no z/OS.
APF — O Conselho dos Mestres
Existe um erro muito comum.
Pensar que todo programa privilegiado deveria ter acesso total.
No IBM Z isso seria considerado um péssimo projeto.
Surge então o:
Authorized Program Facility
APF.
Imagine uma nave.
Alguns oficiais podem abrir a sala de máquinas.
Outros podem acessar o hangar.
Pouquíssimos chegam ao núcleo do reator.
Cada um recebe apenas os privilégios necessários.
Nada além disso.
Segundo Spruth, o APF funciona como um guardião da integridade do sistema, permitindo que apenas programas autorizados utilizem determinados serviços privilegiados do z/OS.
O Pecado Mortal: Dar Poder Demais
Em muitos sistemas operacionais existe apenas:
Administrador.
Usuário.
Fim.
No IBM Z a filosofia é diferente.
Autorizações são extremamente específicas.
Esse princípio ficou conhecido muitos anos depois como:
Princípio do Menor Privilégio.
Curiosamente...
o Mainframe já vivia isso muito antes do termo virar moda.
A Cidade Que Nunca Dorme
Imagine bilhões de habitantes.
Todos entrando.
Saindo.
Movimentando dinheiro.
Consultando informações.
Transferindo recursos.
Como saber quem fez cada ação?
Resposta:
auditoria.
Embora o relatório foque principalmente em SAF, RACF e APF, toda essa arquitetura trabalha em conjunto com mecanismos de registro e rastreabilidade do z/OS, permitindo acompanhar eventos relevantes de segurança.
Porque segurança sem auditoria é apenas esperança.
Um Curioso Comentário de Spruth
Há uma frase no relatório que chama atenção.
O autor comenta que não conhecia casos de infecção por vírus ou ataques bem-sucedidos comprometendo sistemas z/OS na época em que escreveu o documento.
Hoje sabemos que nenhum sistema deve ser considerado absolutamente imune.
As ameaças evoluem constantemente.
Ainda assim, o histórico do IBM Z continua sendo um dos mais sólidos da indústria, justamente porque sua arquitetura foi concebida com isolamento, controle de acesso e defesa em profundidade.
O Que Mudou Desde 2010?
Desde a publicação do relatório, o ecossistema IBM Z ganhou novos recursos importantes:
algoritmos criptográficos mais modernos;
suporte ampliado para curvas elípticas e TLS atualizado;
integração com autenticação multifator;
criptografia preparada para desafios futuros;
Secure Execution para cargas Linux;
gerenciamento avançado de certificados;
proteção de APIs;
integração com ambientes híbridos e Zero Trust.
Mas observe algo curioso.
Os princípios fundamentais permanecem exatamente os mesmos.
A Filosofia dos Antigos Engenheiros
Os engenheiros do System/360 pareciam seguir uma máxima curiosa.
Não confie em ninguém.
Nem no usuário.
Nem no operador.
Nem no programa.
Nem no hardware.
Nem no futuro.
Cada camada protege a próxima.
Cada componente verifica o anterior.
Cada privilégio precisa ser justificado.
É quase como construir uma nave supondo que, em algum momento, alguém inevitavelmente tentará entrar onde não deveria.
Curiosidades do Diário de Bordo
🔐 O IBM Z incorporou mecanismos de proteção em hardware décadas antes de muitos conceitos modernos de segurança se popularizarem.
🛡️ Storage Keys, APF, SAF e RACF formam uma cadeia de proteção em camadas, onde cada elemento tem uma função específica.
🔑 A Master Key jamais precisa sair do hardware criptográfico, reduzindo drasticamente o risco de exposição.
🌌 Segurança, no universo IBM Z, nunca foi tratada como um produto adicional. Ela faz parte da própria fundação da arquitetura.
Diário de Bordo do Padawan COBOL
Antes de deixar o setor de segurança da nave, registre estas coordenadas:
✅ Segurança começa na arquitetura, não na tela de login.
✅ Quanto menos privilégios um programa possuir, menor será o impacto de uma eventual falha.
✅ Criptografia eficiente depende tanto da proteção das chaves quanto dos algoritmos utilizados.
✅ A melhor defesa não é impedir que todos tentem entrar; é construir um sistema onde cada porta saiba exatamente quem pode atravessá-la.
No próximo capítulo seguiremos para um dos compartimentos mais fascinantes de toda a nave: o Subsistema de Entrada e Saída (I/O). Descobriremos por que, enquanto muitos computadores fazem a CPU esperar pelos discos, o IBM Z decidiu entregar essa missão a uma verdadeira frota de especialistas — transformando o I/O em uma operação digna de uma logística interplanetária.
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
O Guia Galáctico do IBM Z
Dezoito capítulos e uma conclusão reunidos em um painel interativo. Escolha uma missão, abra no visor e continue explorando diretamente no artigo original.
Não entre em pânico: se o Blogger impedir a exibição dentro do iframe, use “Abrir artigo”. Os links diretos continuam visíveis para leitores e motores de busca.
Bellacosa Mainframe e outro computador z especial complemento parte viii a
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Muito Antes do IBM Z Existia Outro "Z"
Especial VIII A — Tommy Flowers: O Pai Esquecido da Computação Eletrônica
O Homem que Acendeu 2.500 Válvulas, Encurtou a Segunda Guerra Mundial e Depois Voltou para Casa Como um Anônimo
"A História costuma celebrar quem aparece nos jornais. A Engenharia costuma ser construída por aqueles que permanecem escondidos nos laboratórios."
Se você perguntar a um grupo de profissionais de TI quem foi Konrad Zuse, alguns responderão corretamente.
Se perguntar quem foi John von Neumann, muitos lembrarão da famosa arquitetura que domina praticamente todos os computadores modernos.
Se mencionar Alan Turing, provavelmente ouvirá referências à Enigma, à inteligência artificial e ao famoso Teste de Turing.
Agora faça outra pergunta.
Quem foi Tommy Flowers?
É bem provável que boa parte das pessoas permaneça em silêncio.
E isso é profundamente injusto.
Porque, sem Tommy Flowers, talvez a computação eletrônica tivesse demorado muito mais para conquistar a confiança da comunidade científica e da indústria.
Hoje vamos conhecer um engenheiro que nunca buscou fama.
Nunca escreveu autobiografias.
Nunca apareceu em campanhas publicitárias.
Nunca recebeu o reconhecimento proporcional ao tamanho de sua contribuição.
Mesmo assim, ajudou a mudar o destino da Segunda Guerra Mundial e da própria computação.
Um Engenheiro dos Correios
Thomas Harold Flowers nasceu em Londres, em 1905.
Sua formação não aconteceu em uma universidade famosa de matemática.
Nem em um laboratório de física.
Flowers era engenheiro de telecomunicações.
Trabalhava no General Post Office (GPO), o serviço postal britânico, que também era responsável pela infraestrutura telefônica do país.
Hoje isso pode parecer estranho.
Mas, naquela época, telefonia e telecomunicações estavam entre as áreas mais avançadas da engenharia.
Ali, Flowers aprendeu algo que mudaria sua vida.
Como construir equipamentos eletrônicos capazes de funcionar continuamente.
O Mundo das Centrais Telefônicas
Imagine uma central telefônica da década de 1930.
Milhares de ligações.
Relés abrindo e fechando contatos.
Operadoras conectando chamadas manualmente.
Depois, sistemas automáticos assumindo essa função.
A confiabilidade era essencial.
Uma falha interrompia centenas de comunicações.
Flowers especializou-se justamente em tornar esses sistemas mais rápidos e mais confiáveis.
Enquanto muitos engenheiros ainda confiavam apenas em mecanismos eletromecânicos, ele acreditava que o futuro estava nas válvulas eletrônicas.
Essa convicção seria colocada à prova poucos anos depois.
☕ Café com Naftalina
Quando hoje falamos em "alta disponibilidade", pensamos em clusters, replicação síncrona, Parallel Sysplex ou GDPS.
Na década de 1930, alta disponibilidade significava manter milhares de chamadas telefônicas funcionando sem interrupção.
Os princípios são os mesmos.
Mudaram apenas as tecnologias.
Um Convite para Bletchley Park
Com o início da Segunda Guerra Mundial, o governo britânico reuniu cientistas, matemáticos e engenheiros em um lugar que permaneceria secreto por décadas.
Seu nome era Bletchley Park.
Ali trabalhavam alguns dos maiores talentos da época.
Entre eles estava Alan Turing.
O objetivo era simples de explicar e extremamente difícil de executar:
Ler mensagens inimigas sem que o inimigo percebesse.
No início, os esforços concentraram-se na famosa máquina Enigma.
Mas havia um desafio ainda maior.
O sistema criptográfico Lorenz SZ40/42, utilizado para comunicações do alto comando alemão.
Era muito mais complexo que a Enigma.
Resolver esse problema manualmente era praticamente impossível.
Era necessário construir uma máquina.
"Isso Nunca Vai Funcionar"
Quando Tommy Flowers apresentou sua proposta, muitos colegas foram céticos.
Sua ideia era utilizar cerca de 2.500 válvulas eletrônicas.
Na época, isso parecia absurdo.
O argumento era sempre o mesmo.
"As válvulas queimam o tempo todo."
"Uma máquina com milhares delas jamais será confiável."
Flowers discordava.
Com base em sua experiência nas centrais telefônicas, sabia que a maior parte das falhas ocorria justamente durante o aquecimento e o resfriamento dos componentes.
Sua solução era surpreendentemente simples.
Nunca desligar a máquina.
As válvulas permaneceriam energizadas continuamente.
Hoje essa estratégia parece familiar.
Datacenters modernos evitam ciclos desnecessários de desligamento justamente para reduzir estresse térmico em diversos componentes.
Mais uma vez, uma boa ideia atravessou décadas.
🔧 Oficina do Engenheiro
Uma válvula termiônica controla o fluxo de elétrons em um ambiente de vácuo. Ela cumpre funções de amplificação e chaveamento semelhantes às que mais tarde seriam desempenhadas pelos transistores.
Embora fossem grandes, consumissem muita energia e gerassem calor, as válvulas permitiam operações muito mais rápidas que os relés eletromecânicos.
O Colossus demonstrou, na prática, que sistemas eletrônicos complexos podiam operar continuamente com alta confiabilidade quando bem projetados.
Nasce o Colossus
Em dezembro de 1943, o primeiro Colossus começou a operar.
Era uma máquina impressionante.
Cerca de 2.400 válvulas eletrônicas (na primeira versão).
Leitura óptica de fita perfurada em alta velocidade.
Processamento eletrônico.
Configuração por chaves e painéis.
Operação praticamente contínua.
Poucos meses depois surgiu o Colossus Mark II, ainda mais rápido e sofisticado.
Ao final da guerra, havia várias unidades em operação.
Enigma? Não.
Existe um dos maiores equívocos da história da computação.
Muita gente acredita que o Colossus foi construído para quebrar a Enigma.
Na realidade, sua principal missão era analisar mensagens produzidas pela máquina Lorenz, utilizada pelo alto comando alemão.
A Enigma era extremamente importante.
Mas o Lorenz protegia comunicações estratégicas entre Hitler e seus principais comandantes.
Quebrar esse sistema fornecia informações de enorme valor militar.
O Computador Invisível
O Colossus funcionou.
E funcionou muito bem.
Contribuiu para acelerar significativamente o trabalho dos criptanalistas britânicos.
Entretanto, quando a guerra terminou, aconteceu algo extraordinário.
As máquinas foram desmontadas.
Projetos destruídos.
Documentos classificados.
Os engenheiros assinaram compromissos de confidencialidade.
Durante décadas, praticamente ninguém podia comentar sua existência.
Enquanto isso, livros de história apresentavam o ENIAC como a grande revolução eletrônica.
Não porque o ENIAC não fosse extraordinário.
Mas porque quase ninguém sabia que o Colossus havia existido.
📦 Baú do Sysprog
Imagine participar do desenvolvimento de um sistema revolucionário e passar quase trinta anos proibido de mencionar esse trabalho, até mesmo para amigos ou familiares.
Foi exatamente isso que aconteceu com Tommy Flowers e muitos integrantes da equipe de Bletchley Park.
O Que um Sysprog IBM Z Aprende com Tommy Flowers?
Mais do que velocidade, Tommy Flowers nos ensina sobre confiabilidade.
Ele enfrentou um problema que qualquer Sysprog reconhece imediatamente:
Como manter um sistema complexo funcionando continuamente?
Sua resposta foi engenharia.
Testes.
Redundância.
Conhecimento profundo dos componentes.
Operação disciplinada.
É exatamente essa cultura que encontramos hoje nos ambientes IBM Z.
Não basta processar milhões de transações por segundo.
É preciso fazer isso todos os dias, durante anos, com disponibilidade próxima de 100%.
Um Herói Silencioso
Tommy Flowers não buscou reconhecimento.
Depois da guerra voltou ao trabalho em telecomunicações.
Não ficou rico.
Não fundou uma grande empresa de computadores.
Não se tornou uma celebridade.
Mas deixou uma herança extraordinária.
Demonstrou que computadores eletrônicos podiam ser rápidos, robustos e confiáveis.
Essa certeza influenciou toda a evolução posterior da computação.
O Legado
Konrad Zuse mostrou que computadores programáveis eram possíveis.
Tommy Flowers provou que computadores eletrônicos eram viáveis em larga escala.
Eckert e Mauchly levaram essa tecnologia ao conhecimento do público.
Von Neumann organizou seus princípios arquiteturais.
A IBM transformou tudo isso em plataformas comerciais confiáveis.
Quando um IBM Z processa bilhões de transações por dia, há um pouco de cada um desses pioneiros trabalhando silenciosamente dentro dele.
Inclusive de um engenheiro dos Correios britânicos que acreditou em 2.500 válvulas quando quase ninguém acreditava.
Talvez essa seja a maior lição de Tommy Flowers.
A inovação nem sempre nasce do consenso.
Às vezes, ela nasce da coragem de um engenheiro que insiste em provar que todos os outros estavam errados.
E, de vez em quando...
Ele realmente consegue.
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Histórias com Cheiro de Naftalina
O Guia do Viajante do Tempo
Muito Antes do IBM Z Existia Outro “Z”
Viaje pelas origens da computação, conhecendo Konrad Zuse,
Herman Hollerith, Tommy Flowers, John von Neumann, o Colossus,
o EDVAC, o IBM System/360 e os pioneiros que construíram o
caminho até o IBM Z.
Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe
desde 1988
,
é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2,
z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais,
conhecimento técnico, história da computação e práticas
do universo mainframe para aproximar novas gerações das
tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos
ao redor do mundo.
IBM Champion
IBM Z
COBOL
CICS
Db2
z/OS
Mainframe desde 1988