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domingo, 16 de agosto de 2020

43 anos sem o rei do Rock. Tributo a Elvis Presley

Incrível Elvis Presley em uma noite bem diferentona na Casa de Portugal




Dia 16 de Agosto o mundo perdia o Rei do Rock, deixava esse mundo terreno, para ir além e surgir no imaginário popular aparecendo em diversos lugares para a loucura dos fans.



Imagine a cena bizarra, mas bem divertida.
Estamos na tradicional festa junina da Casa de Portugal de Campinas, famosa por promover e manter a cultura lusitana junto a família de imigrantes que para cá vieram.
Normalmente promovem animados jantares com atrações ligadas a cultura portugueses, regados ao bom vinho lusitano, bacalhau e sardinha grelhada.
É isso aí galera, a noite foi muito animada com clássicos do rei do Rock, espero que gostem, deixem seu joinha e se inscreva em nosso canal.

Mas para surpresa de todos, a atração musical foi rock in roll com uma banda bem animada e shows especiais de covers da Rita Lee e Elvis Presley.

sábado, 8 de julho de 2017

Quadrilha em círculos e paralelas

Bellacosa Mainframe e a quadrilha do colegio São José em Campinas

🌽🎶 Quadrilha em Círculos e Paralelas

Danças na Festa Junina do São José

Festa Junina sem quadrilha não é Festa Junina!

Naquele dia, o São José estava tomado pelas cores, pela música e pela agitação típica de uma boa festa. No meio de tudo isso, as crianças entraram em cena para apresentar uma quadrilha cheia de movimento.

Lenços nas mãos, passos marcados e muita atenção para não perder o momento certo de mudar de posição.

A dança começava a ganhar forma.

Primeiro, os participantes se organizavam em círculos. Depois, surgiam linhas paralelas, com os grupos avançando, recuando e circulando uns entre os outros.

Palmas.

Pés marcando o ritmo.

Gente entrando.

Gente saindo.

E, por alguns minutos, aquilo parecia uma pequena coreografia geométrica acontecendo diante dos nossos olhos.

A quadrilha junina é justamente interessante por isso. Não é apenas uma sequência de passos: ela transforma o espaço em parte da dança.

Os participantes criam corredores, rodas, filas e diferentes desenhos enquanto a música continua.

E existe ainda aquela maravilhosa dose de confusão organizada que toda boa quadrilha precisa ter. 😄

Quem assiste vê diversão.

Quem está dançando precisa lembrar do próximo passo, acompanhar os colegas e tentar descobrir rapidamente para que lado deveria estar indo!

Talvez seja justamente isso que torne essas apresentações tão especiais.

Anos depois, o vídeo deixa de ser apenas o registro de uma dança.

Transforma-se em uma pequena cápsula do tempo.

Um pedaço de uma Festa Junina, preservando a música, os movimentos e a alegria daquele dia.

🎥 Quadrilha em círculos e paralelas — Festa Junina do São José, 2017.



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Danças na Festa Junina do São José


Agora as crianças com lencinhos estão dançando uma quadrilha, com lenços ao alto e em círculos,  paralelas todas muito animadas batendo palmas e batendo o pé...

Correndo e dançando, acenando com os lenços, fazendo rodas e circulando entre elas, participe você também, curta o vidro, comente e partilhe.




sexta-feira, 7 de julho de 2017

Quadrilha e o forro do São João

Bellacosa Mainframe e lembranças da Festa Junina no Colégio São José

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌽 Quadrilha e o Forró do São João — Uma Festa Perdida no Tempo

Voltamos ao Colégio São José, naquela animada Festa Junina em que os verdadeiros protagonistas eram o pequeno Formiga e seus colegas.

Era uma daquelas quermesses escolares feitas para reunir todo mundo. Crianças, professores, papais, mamães, irmãos, avós e convidados dividiam o mesmo espaço entre bandeirinhas coloridas, música, barracas e os inevitáveis comes e bebes de uma boa festa junina.

Mas a grande atração eram mesmo as crianças.

Ao longo da festa, cada turma, cada classe e cada série tinha preparado sua própria apresentação. A cada hora, aproximadamente, um novo grupo ocupava o espaço da dança para mostrar a coreografia ensaiada durante os dias anteriores.

E começava novamente aquele pequeno ritual.

Os pais procuravam um bom lugar.

Celulares e câmeras apareciam.

Alguém chamava:

— Olha aqui!

Outro tentava descobrir onde estava o próprio filho no meio daquele pequeno exército de chapéus de palha, vestidos coloridos e rostos pintados.

E então começava a música.



🎶 Cada turma contava sua própria história

Não era simplesmente colocar todas as crianças para repetir a mesma quadrilha.

Cada grupo havia preparado sua apresentação, criando coreografias diferentes e enriquecendo ainda mais aquela tarde de festa.

Em uma delas, as crianças formavam círculos. Em outro momento, os meninos ficavam agachados enquanto as meninas circulavam ao redor deles. Depois os papéis se invertiam.

Tudo acompanhado pelo ritmo alegre do forró e pela atenção absoluta dos familiares.

Para as crianças provavelmente era principalmente uma grande brincadeira.

Para os pais havia outra coisa acontecendo.

Era orgulho.

Aquele instante em que você procura seu filho no meio de dezenas de crianças e, quando finalmente o encontra, praticamente esquece todo o restante da apresentação.

Ali está ele.

E pronto.

Durante alguns minutos, aquele pequeno dançarino torna-se a pessoa mais importante de toda a festa.

Naquele dia, para mim, esse pequeno protagonista era o Formiga.



📹 Na época era apenas um vídeo

Talvez esta seja uma das coisas mais interessantes de manter um blog durante tantos anos.

Em 2017 eu estava simplesmente registrando o presente.

Peguei a câmera, filmei alguns minutos, publiquei o vídeo e escrevi sobre aquilo que estava acontecendo diante dos meus olhos.

Não parecia História.

Era apenas sábado.

Era apenas uma Festa Junina.

Era apenas uma apresentação das crianças.

Era apenas mais um daqueles pequenos acontecimentos do cotidiano que imaginamos que estarão disponíveis para sempre.

Mas não estão.

O tempo passou.

E aquele pequeno vídeo começou silenciosamente a mudar de significado.



⏳ As crianças cresceram

Hoje, ao rever essas imagens tantos anos depois, existe uma sensação completamente diferente.

Aquelas crianças cresceram.

Muitas são hoje adolescentes. Outras já estão entrando na vida adulta.

Possivelmente algumas delas nem se lembram mais espontaneamente daquela Festa Junina do Colégio São José.

Vieram outras escolas, outros professores, provas, amizades, namoros, vestibulares, empregos e milhares de acontecimentos que foram sendo empilhados sobre aquela memória.

Talvez alguém que aparece durante poucos segundos naquele vídeo jamais tenha pensado novamente naquele dia.

Até apertar PLAY.

Então acontece uma coisa maravilhosa.

A música começa.

A imagem se movimenta.

Aparecem os colegas.

Surge um rosto conhecido.

— Nossa! Fulano!

Depois outro.

— Olha eu ali!

E, subitamente, uma tarde aparentemente perdida de 2017 reaparece.

Não apenas intelectualmente.

A memória começa a reconstruir detalhes que a pessoa nem sabia que ainda guardava.

Talvez se lembre da roupa.

Do professor.

Do amigo que estava ao lado.

Do ensaio.

Da vergonha de dançar.

Da mãe filmando.

Do pai assistindo.

Do cheiro da comida.

Da música.

De alguma pequena confusão ocorrida minutos antes da apresentação.

É o poder curioso de uma fotografia ou de alguns segundos de vídeo: eles funcionam como índices para arquivos que o nosso cérebro acreditava ter apagado.

🏮 Uma festa perdida no tempo

É justamente por isso que hoje gosto ainda mais deste pequeno registro.

Ele deixou de ser apenas o vídeo de uma quadrilha.

Transformou-se numa espécie de cápsula do tempo do Colégio São José.

Ali estão roupas, músicas, brincadeiras, professores, famílias e principalmente crianças congeladas em determinado ponto de suas vidas.

Durante alguns minutos ninguém precisava pensar no que aconteceria dez anos depois.

Não existiam vestibulares.

Não existiam currículos.

Não existiam boletos.

Não existiam chefes.

Não existia a pergunta sobre qual profissão seguir.

Existia apenas:

— Agora é a nossa turma!

E lá iam eles.

Dançar.

Errar um passo.

Olhar para o colega.

Tentar lembrar a coreografia.

Procurar os pais no meio da multidão.

E continuar dançando.

❤️ O verdadeiro valor aparece depois

Talvez ninguém naquela tarde tivesse consciência de que estava construindo uma memória.

É justamente isso que torna esses registros cotidianos tão preciosos.

As grandes ocasiões nós sabemos que devemos fotografar.

Casamentos, formaturas, aniversários importantes e viagens recebem centenas de fotografias.

Mas são esses pequenos momentos aparentemente banais que frequentemente adquirem um valor gigantesco décadas depois.

Uma Festa Junina escolar.

Uma quadrilha.

Um prato de alguma coisa comprado numa barraca.

Uma criança usando chapéu de palha.

Uma música tocando.

Um pai segurando uma câmera.

Nada disso parecia extraordinário naquele momento.

Hoje é impossível repetir exatamente aquela tarde.

Podemos fazer outra festa.

Podemos montar as mesmas barracas.

Podemos tocar as mesmas músicas.

Podemos até reunir algumas das mesmas pessoas.

Mas jamais conseguiremos reunir novamente aquelas crianças, com aquelas idades, naquele Colégio São José, naquele instante de suas vidas.

Essa festa existe agora somente nas lembranças de quem esteve lá — e nos pequenos fragmentos que tivemos a sorte de guardar.

Por isso este vídeo continua aqui.

Para o Formiga.

Para seus antigos colegas.

Para os papais e mamães que estavam orgulhosos assistindo às apresentações.

E talvez para algum daqueles pequenos dançarinos que, muitos anos depois, encontre esta página por acaso, aperte PLAY e reconheça a si mesmo correndo ou dançando no fundo da imagem.

Nesse momento talvez venha um sorriso involuntário.

E aquela sensação tão estranha e gostosa:

— Meu Deus... eu lembro disso.

Então, durante alguns minutos, aquela Festa Junina perdida no tempo estará acontecendo novamente.

As bandeirinhas voltarão a balançar.

O forró voltará a tocar.

As crianças voltarão para suas posições.

E o pequeno Formiga e seus colegas serão crianças outra vez.

Nem que seja apenas enquanto durar o vídeo.

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Forro do São João no São José


Chapéu de palha, vestidinho de chita e sardinhas nos rostos rosados estas caipirinhas estão todas paramentadas prontas para a festa.

As crianças da Quadrilha não param de aprontar, agora estão dançando um forro de São João todas as crianças estão em círculos: os meninos agachados e as meninas em rodando os círculos, depois os meninos circulando as rodinhas e aproveitando para fazer a maior farra... você já dançou a quadrilha?




quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma pescaria dos miúdos na quermesse

Bellacosa Mainframe e a pescaria na quermesse


Um Café no Bellacosa Mainframe

🎣 Uma Pescaria dos Miúdos na Quermesse — Quando o Formiga Recarregou a Bateria

No Colégio São José de Campinas havia quadrilha, sanfona, comes e bebes — mas nenhuma boa festa junina estaria completa sem aquele pequeno universo de pescarias, argolas, latas, bingo, cadeia e brincadeiras onde o prêmio importava muito menos que a aventura.

Há pequenos vídeos que parecem registrar quase nada.

Algumas crianças brincando.

Uma barraca.

Uma vara de pescaria.

Adultos observando.

Barulho de festa ao fundo.

Talvez alguns segundos.

Mas quase dez anos depois, quando voltamos a assistir, descobrimos que a câmera estava gravando muito mais.

Ela estava fazendo backup de uma tarde inteira.

E voltamos novamente àquele nosso dia mágico no Colégio São José, em Campinas.

🌽 Muito além da quadrilha

Já contei em outros pequenos fragmentos dessa festa sobre as apresentações, as quadrilhas, o forró, o sanfoneiro, as crianças fantasiadas e aquele pequeno personagem que naquele dia parecia possuir energia suficiente para alimentar metade de Campinas:

o Formiga.

Mas uma festa junina brasileira não vive apenas de dança.

Também não vive apenas de comida — embora seja bastante difícil explicar isso diante de uma mesa contendo pastel, cachorro-quente, pipoca, bolo, paçoca, milho, doces e outras maravilhas capazes de transformar qualquer tentativa de dieta em ficção científica.

Existe outro elemento fundamental da velha quermesse:

as barracas de jogos.

E talvez seja justamente nelas que sobreviva uma das partes mais antigas e bonitas dessas festas.

Não precisamos de videogame.

Não precisamos de realidade virtual.

Não precisamos de uma GPU monstruosa.

Precisamos apenas de algumas latas, uma bola feita de meia, argolas, garrafas, varinhas improvisadas, papel, barbante e...

imaginação.

O resto as crianças fazem.



🎣 A pescaria que não precisa de rio

Uma das barracas mais tradicionais é a pescaria.

Pequenos peixes ficam escondidos ou espalhados em uma área decorada, normalmente com números que correspondem aos prêmios.

A criança recebe uma pequena vara.

Na ponta, algum mecanismo simples permite “pescar” o peixe.

E começa a operação.

Olhos atentos.

Mão tentando ficar firme.

A vara balançando.

— Aquele!

Não.

— O outro!

Quase.

— Vai, Formiga!

Até que finalmente...

PESCAMOS!

Para um adulto é apenas uma brincadeira.

Para uma criança, naquele instante, provavelmente estamos diante de uma operação de pesca comercial no Atlântico Norte.

O peixinho é levantado como se tivesse quinze quilos.

Descobre-se o número.

Procura-se o prêmio correspondente.

E nasce aquele sorriso.

O objeto recebido pode ser simples.

Mas existe uma diferença gigantesca entre ganhar alguma coisa e conquistar alguma coisa.

O brinquedinho agora possui uma história.

Eu pesquei.

E isso muda tudo.



🔋 Formiga.exe voltou com CPU em 100%

Antes dessa etapa da festa, naturalmente existiu uma operação extremamente importante:

abastecimento.

O Formiga havia passado pelos comes e bebes.

Comeu.

Bebeu.

Recuperou energia.

E retornou para a festa aparentemente com a bateria novamente em:

100%.

Se existisse SDSF para crianças, provavelmente veríamos algo semelhante:

JOBNAME   CPU%   STATUS
FORMIGA   99.9   RUNNING
VAGUINHO  47.2   FOLLOWING
JULIANA   63.8   FOLLOWING

E lá fomos nós.

Eu e Juliana acompanhando o pequeno em sua peregrinação pelas barracas.

Para ele, cada uma representava uma aventura diferente.

Para nós, existia outro espetáculo acontecendo simultaneamente:

ver a alegria dele.




🎯 O parque de diversões construído pela comunidade

Essas barracas possuem algo que sempre achei fascinante.

Elas são simples.

Muito simples.

A famosa brincadeira de derrubar latas, por exemplo, pode utilizar literalmente:

latas vazias + bola de meia.

Hardware praticamente gratuito.

Mas o software?

Esse está instalado na imaginação.

De repente aquelas latas tornam-se um grande desafio de precisão.

O jogo de argolas transforma algumas garrafas em alvos disputadíssimos.

A pescaria transforma papelão e plástico em um lago cheio de tesouros.

O bingo transforma números sorteados em suspense coletivo.

E cada escola, igreja, bairro ou comunidade acaba inventando suas próprias variações.

Essa talvez seja uma das grandes características da quermesse:

ela é hackeável.

Cada geração modifica alguma coisa.

Alguém inventa uma brincadeira.

Outro professor acrescenta uma regra.

Um grupo de pais constrói uma barraca.

Os alunos ajudam.

E no ano seguinte alguém copia a ideia.

É quase um software open source cultural.


💌 Correio elegante

Existe ainda aquele clássico absolutamente maravilhoso:

o correio elegante.

Alguém escreve um bilhetinho.

Um mensageiro atravessa a festa.

Procura o destinatário.

Entrega.

Às vezes existe assinatura.

Às vezes não.

Às vezes é declaração.

Às vezes brincadeira.

Às vezes alguém passa os próximos vinte minutos tentando descobrir:

QUEM MANDOU ISSO?!

Muito antes de WhatsApp, Instagram, mensagens instantâneas e notificações, a quermesse já possuía sua própria rede social.

Só que o protocolo de transporte era um aluno correndo pelo pátio.


🚔 Você está preso!

Outra brincadeira clássica, hoje menos comum em algumas festas, era a famosa cadeia.

A lógica era maravilhosamente absurda.

Você pagava ao “delegado” para prender alguém.

Dois voluntários apareciam.

A vítima era conduzida para a cadeia da festa.

E precisava cumprir alguma condição da brincadeira para sair.

Era inevitável.

Amigos prendiam amigos.

Namorados prendiam namoradas.

Crianças queriam prender os pais.

Pais conspiravam contra outros pais.

Durante algumas horas surgia no meio da quermesse um sistema jurídico paralelo administrado provavelmente por alguém usando um chapéu de xerife comprado numa loja de fantasias.

E funcionava perfeitamente.

Ou quase.



🎁 De onde vinham os prêmios?

Existe ainda uma história escondida atrás das barracas.

Os prêmios não apareciam magicamente.

Durante os preparativos da festa, alunos e famílias ajudavam a arrecadar brindes.

Havia doações.

Pequenos presentes.

Objetos oferecidos por comerciantes.

Colaborações de pais.

Doações de verdadeiros mecenas da quermesse.

Depois tudo aquilo era organizado e distribuído pelas diferentes brincadeiras.

Um pequeno ecossistema comunitário começava a funcionar semanas antes de a primeira música tocar.

É fácil chegar à festa pronta e enxergar somente bandeirinhas.

Mas existe muito trabalho escondido ali.

Professores.

Funcionários.

Pais.

Alunos.

Voluntários.

Gente carregando mesa.

Gente montando barraca.

Gente separando prêmio.

Gente preparando comida.

Gente testando brincadeira.

Quando finalmente os portões abrem, toda aquela infraestrutura desaparece atrás da festa.

Como deve acontecer com uma boa infraestrutura.



🇧🇷🇯🇵 Espera... eu já vi isso em algum anime

Anos depois comecei a perceber uma coisa curiosa assistindo aos meus animes.

Especialmente os slice of life.

Chega determinado episódio e os personagens vão para algum festival.

Barracas.

Comida.

Jogos.

Prêmios.

Amigos caminhando juntos.

Crianças tentando ganhar alguma coisa.

Casais tímidos.

Luzes.

Música.

Gente circulando.

E inevitavelmente pensei:

peraí... isso é uma quermesse!

Naturalmente existem diferenças culturais enormes entre uma festa junina brasileira e os diversos festivais tradicionais japoneses.

Mas a lógica social por trás de muitos desses momentos é surpreendentemente familiar.

A comunidade se reúne.

Existem comidas características.

Existem brincadeiras.

Existem barracas.

Existem pequenos prêmios.

Existe o prazer de caminhar sem muita pressa.

E existe principalmente aquela sensação de que, durante algumas horas, aquele lugar pertence às pessoas que estão ali juntas.

Talvez seja por isso que essas cenas de anime pareçam tão familiares mesmo acontecendo do outro lado do planeta.

Troque algumas lanternas por bandeirinhas.

Troque determinadas comidas por pastel, milho e paçoca.

Coloque uma sanfona tocando ao fundo.

E talvez algum brasileiro olhe para aquilo e pense:

— Rapaz... conheço esse ambiente.


🧠 A brincadeira é maior que o prêmio

Talvez esteja aí uma coisa que os adultos frequentemente esquecem.

Nós avaliamos o prêmio pelo valor.

Uma criança avalia pela história.

Um brinquedinho barato comprado numa loja pode ser apenas um brinquedinho.

Mas aquele mesmo objeto conquistado depois de três tentativas para derrubar uma pilha de latas torna-se:

O PRÊMIO QUE EU GANHEI.

Existe esforço.

Existe expectativa.

Existe ritual.

Existe testemunha.

— Olha, Juju!

— Olha, Vaguinho!

E então o pequeno prêmio entra no inventário afetivo daquela criança.

Alguns desaparecem dias depois.

Outros quebram.

Outros ficam esquecidos numa gaveta.

Mas curiosamente a lembrança pode sobreviver ao próprio objeto.


🐜 E o Formiga?

O Formiga estava exatamente onde uma criança deveria estar naquela tarde.

Correndo.

Brincando.

Experimentando.

Gastando toda a energia recém-adquirida nos comes e bebes.

Descobrindo cada barraca.

Provavelmente pensando muito pouco sobre memória, tradição, cultura brasileira ou antropologia das festas populares.

Ainda bem.

Essa parte ficou conosco.

Ele tinha uma tarefa muito mais importante:

divertir-se.

Eu e Juliana simplesmente acompanhávamos a farra.

Naquele momento talvez não percebêssemos que estávamos armazenando algo.

Hoje percebo.


🥚 Easter egg — o prêmio verdadeiro estava fora da barraca

Existe um pequeno easter egg escondido nesse vídeo.

Durante toda a pescaria, naturalmente olhamos para a criança tentando pegar o peixe.

Depois olhamos para o prêmio.

Qual número saiu?

O que ele ganhou?

Mas quase uma década depois o objeto já não importa muito.

Talvez nem consigamos lembrar qual foi.

O verdadeiro prêmio estava fora da barraca.

Era aquela tarde.

Era Juliana.

Era o Formiga.

Era eu.

Era a música ao fundo.

Eram dezenas de famílias circulando.

Era aquele pequeno mundo do Colégio São José funcionando durante algumas horas como se nada mais existisse.

A pescaria era apenas a interface.

O prêmio era estar lá.


💾 Um backup chamado vídeo

Talvez seja por isso que gosto tanto desses pequenos vídeos aparentemente banais.

Não são grandes acontecimentos.

Não existe monumento.

Não existe viagem internacional.

Não existe acontecimento histórico.

Existe uma criança brincando numa quermesse.

Mas são justamente essas coisas que o tempo destrói primeiro.

O jeito de falar.

A altura da criança.

A voz.

A roupa.

O movimento.

As pessoas passando ao fundo.

Uma decoração que nunca mais será montada exatamente daquela maneira.

Até aquele pequeno brinquedo desaparecido.

Então apertamos REC sem imaginar muito.

Anos depois apertamos PLAY.

E acontece uma coisa extraordinária.

Por alguns segundos...

o Formiga volta a estar com a bateria em 100%.

Juliana está ali.

Eu estou acompanhando.

A pescaria continua funcionando.

A quadrilha ainda não terminou.

O sanfoneiro continua tocando em algum outro fragmento daquele dia.

As barracas continuam cheias.

E a festa junina do Colégio São José ainda não acabou.

Talvez essa seja uma das funções mais bonitas desses velhos vídeos.

Eles não registram simplesmente o passado.

São pequenos RESTORE POINTS da nossa vida.

E enquanto conseguirmos apertar PLAY...

aquele JOB ainda pode rodar novamente.

//FORMIGA JOB (SAOJOSE),'FESTA JUNINA'
//STEP01 EXEC PGM=MEMORIA
//SYSIN DD *
PESCAR
BRINCAR
RIR
GUARDAR
/*

MAXCC = 0000

Bellacosa Mainframe — porque algumas das rotinas mais importantes da nossa vida nunca foram documentadas. Apenas vividas.

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Aspectos lúdicos da Festa Junina


Uma festa junina digna desse nome não pode deixar de ter as famosas barraquinhas que fazem a alegria da criançada, jogos sociais típicos das Festas Populares tais como pescaria, roleta, tiro ao alvo com bolas, bingo e outras barracas.

Na quermesse do São José teve barraca de pescaria, da cadeia, de acertar o alvo, chutar bolo no gol....

O formiga adorou a pescaria e ficou ali um bom tempo lutando para conseguir apanhar seus peixinhos.


Formiga e o Sanfoneiro na Quadrilha

Bellacosa Mainframe e o sanfoneiro da festa junina do colégio são Jose

Um Café no Bellacosa Mainframe

🪗 Formiga e o Sanfoneiro na Quadrilha — Quando o Vaguinho Saiu das Histórias

Uma festa junina no Colégio São José, um sanfoneiro tocando, dezenas de pequenos caipiras correndo pelo pátio e um analista de sistemas descobrindo que, para os amigos do Formiga, ele não era exatamente um adulto: era um personagem das histórias.

Existem vídeos que registram acontecimentos importantes.

Casamentos.

Formaturas.

Viagens.

Aniversários.

E existem aqueles pequenos vídeos que aparentemente não registram absolutamente nada de extraordinário.

São justamente esses que, anos depois, tornam-se extraordinários.

Este é um deles.

Estamos novamente na Festa Junina do Colégio São José, em Campinas.

O pátio está tomado por crianças vestidas de caipirinhas, famílias observando as apresentações, professores tentando manter alguma organização no meio daquela maravilhosa confusão e, nos bastidores de tudo isso, a festa continua acontecendo.

Barracas.

Comes e bebes.

Conversas.

Risadas.

Crianças correndo.

Pais fotografando.

E música.

Muita música.

No meio daquele pequeno universo junino havia um personagem fundamental:

o sanfoneiro.

🪗

Sentado com seu instrumento, ele fazia aquilo que gerações de músicos fizeram antes dele nas festas populares brasileiras.

Abriu a sanfona.

Fechou a sanfona.

E deixou o ar atravessar os foles transformando movimento em música.

Ao redor dele, a festa acontecia.

Mas havia outro personagem naquela história.



🐜 O Formiga estava impossível

Nosso pequeno Formiga encontrava-se em estado de absoluta euforia.

E quem conhece criança em festa escolar sabe exatamente o que isso significa.

Ele queria correr.

Brincar.

Conversar.

Encontrar os amigos.

Mostrar alguma coisa.

Sumir durante alguns segundos.

Aparecer do outro lado.

Voltar correndo.

Contar uma história começando pelo final.

E imediatamente desaparecer novamente porque alguma coisa muito mais importante acabara de acontecer a cinco metros dali.

Era o processamento paralelo infantil funcionando em sua capacidade máxima.

Se colocássemos aquilo num monitor de performance, provavelmente encontraríamos:

CPU: 100%

Threads: incontáveis

Prioridade: todas

Tempo de resposta: imediato

Controle de mudanças: inexistente

😂

Mas naquele dia aconteceu uma coisa particularmente divertida.

O Formiga resolveu apresentar o Vaguinho aos amigos.


👨‍💻 "Esse é o Vaguinho!"

E aqui a história fica interessante.

Porque existe o Vagner que eu conheço.

Analista de sistemas.

Programador.

Homem dos bits.

Um sujeito que já havia atravessado aeroportos, cidades, países e continentes.

Um sujeito que trabalhou com computadores enormes, sistemas corporativos e aquelas maravilhosas geringonças tecnológicas que fazem bancos, empresas e governos continuarem funcionando enquanto praticamente ninguém percebe.

Um brasileiro que já havia percorrido uma boa parte deste planeta.

Mas nada disso tinha muita importância naquele pátio.

Para aquelas crianças eu possuía uma credencial muito mais importante:

eu era o Vaguinho.

😂

O personagem das histórias do Formiga.

De repente aqueles pequenos seres humanos vestidos de caipirinhas estavam conhecendo em carne e osso aquele adulto meio amalucado que aparecia nas histórias contadas por ele.

Provavelmente alguma coisa como:

— Esse é o Vaguinho!

E pronto.

Currículo apresentado.

Não precisava de LinkedIn.

Não precisava de crachá.

Não precisava explicar profissão.

Muito menos mostrar certificados.

Para aquela turma, minha reputação profissional era construída sobre qualificações muito mais importantes.

🎮 Um adulto suspeitamente incompatível com o cargo

Eu era o adulto que jogava videogame.

Montava LEGO.

Assistia desenhos animados.

Inventava brincadeiras.

Fazia zoeira.

Contava histórias.

E, principalmente, não parecia considerar que brincar fosse uma atividade exclusiva das crianças.

Isso provavelmente causava certa incompatibilidade lógica.

Adultos deveriam fazer coisas de adultos.

Conversar sobre assuntos incompreensíveis.

Mandar crianças não correrem.

Perguntar sobre notas.

Dizer:

— Cuidado para não sujar a roupa!

O Vaguinho aparentemente tinha recebido outro manual de operação.

Se havia LEGO:

vamos montar.

Se havia videogame:

liga isso aí.

Se havia desenho animado:

qual episódio?

E entre os desenhos que faziam parte daquele nosso pequeno universo estava uma criatura que se tornaria praticamente patrimônio cultural da casa:



🐑 Shaun the Sheep

Ou, como ficou eternamente registrada em nosso vocabulário:

a famosa Ovelha Xone.

😂

A maravilhosa Shaun the Sheep.

Aquela ovelha extremamente inteligente, cercada por outras ovelhas nem sempre tão inteligentes, vivendo aventuras absurdas enquanto o pobre cachorro Bitzer tenta desesperadamente impedir que a fazenda entre em colapso.

Pensando bem...

Talvez fosse um treinamento precoce para trabalhar com sistemas corporativos.

Shaun cria o incidente.

As outras ovelhas ampliam o incidente.

Bitzer tenta administrar o incidente.

O fazendeiro não sabe que existe um incidente.

E no final todos trabalham desesperadamente para que o ambiente volte ao normal antes que o responsável descubra.

Isso é praticamente um War Room rural.

🐑💻

Talvez por isso eu gostasse tanto.



🪗 Enquanto isso, a sanfona continuava tocando

No fundo daquele pequeno caos perfeitamente organizado, estava o sanfoneiro.

E isso hoje chama minha atenção muito mais do que provavelmente chamou naquele momento.

Porque ele não era simplesmente alguém fornecendo música ambiente.

Era parte essencial daquela experiência.

A festa poderia ter caixas de som.

Poderia ter músicas gravadas.

Poderia simplesmente apertar PLAY.

Mas havia ali um músico.

Uma pessoa.

Um instrumento.

Um fole respirando.

Dedos percorrendo teclas e botões.

A música sendo criada naquele instante.

Cada execução era ligeiramente diferente da anterior.

Nenhum algoritmo.

Nenhum MP3.

Nenhum streaming.

Nenhum buffer.

Apenas músico e instrumento.

Uma tecnologia maravilhosamente analógica.

E ao som daquela sanfona, as crianças realizavam suas coreografias.

🌽 Os pequenos caipiras entram em produção

Cada turma havia preparado sua apresentação.

Durante semanas professores provavelmente organizaram passos, músicas, posições e entradas.

Crianças ensaiaram.

Erraram.

Riram.

Esqueceram.

Tentaram novamente.

Até chegar o grande momento.

Os pequenos entravam vestidos de caipirinhas.

Camisas xadrez.

Vestidos coloridos.

Chapéus de palha.

Pintinhas no rosto.

Bigodes desenhados.

Trancinhas.

Remendos propositalmente costurados nas roupas.

Então começava a música.

E do outro lado estava uma plateia completamente parcial.

Os genitores maravilhados.

😂

Não importava se uma criança virasse para o lado errado.

Se outra esquecesse a coreografia.

Se duas começassem a conversar durante a apresentação.

Se alguém simplesmente parasse no meio da dança procurando a mãe na plateia.

Para os pais aquilo era Broadway.

Era o Scala de Milão.

Era uma apresentação histórica.

Celulares e câmeras eram levantados.

Fotografias eram tiradas.

Vídeos eram gravados.

E aplausos surgiam ao final.

📹 E eu também estava fazendo meu pequeno backup

Naquele momento eu apenas registrava cenas.

Um pequeno vídeo aqui.

Outro ali.

Sem qualquer grande pretensão documental.

Era simplesmente:

REC.

Alguns minutos.

STOP.

Próxima cena.

O que eu não percebia era que estava executando um backup.

Não de arquivos.

Não de programas.

Não de bancos de dados.

Estava fazendo backup de uma época.

Da voz das crianças.

Das roupas.

Das brincadeiras.

Do sanfoneiro.

Do pátio.

Daquele Formiga pequeno e eufórico.

E até daquele Vagner que existia naquele momento.

Porque ele também mudou.

💾 O backup contém versões antigas de nós mesmos

Existe uma coisa curiosa nos vídeos antigos.

Quando assistimos novamente, normalmente prestamos atenção nas pessoas que filmamos.

Mas existe alguém invisível dentro de todo vídeo:

a pessoa que segurava a câmera.

Ela também ficou gravada ali.

Não aparece necessariamente na imagem.

Mas está presente.

Na escolha do enquadramento.

Naquilo que chamou sua atenção.

Na risada atrás da câmera.

Na voz.

Na maneira como observava o mundo.

Por isso, quando revejo um fragmento como este, não estou apenas vendo o Formiga criança.

Estou encontrando uma versão anterior de mim mesmo.

O Vagner daquele dia.

O Vaguinho.

🐜 O personagem aparece em carne e osso

Talvez este seja meu detalhe favorito dessa lembrança.

Para mim, eu simplesmente estava acompanhando o Formiga numa festa escolar.

Para ele, entretanto, havia outra coisa acontecendo.

Ele estava apresentando um pedaço do mundo dele aos amigos.

As crianças provavelmente já tinham ouvido histórias.

O Vaguinho que jogava.

O Vaguinho que brincava.

O Vaguinho que montava LEGO.

O Vaguinho das zoeiras.

O adulto que assistia Ovelha Xone.

Então, subitamente:

lá estava o sujeito.

Materializado no pátio.

😂

É quase como encontrar pessoalmente um personagem sobre o qual alguém vive contando histórias.

E existe algo muito bonito nisso.

Porque significa que, naquele pequeno universo infantil, eu havia conquistado uma categoria diferente de adulto.

Não era simplesmente:

"um adulto".

Era:

"o Vaguinho".



🥚 Easter egg — quem estava apresentando quem?

Durante muitos anos pensei naquela cena como:

o Formiga apresentando o Vaguinho aos amigos.

Hoje não tenho tanta certeza.

Talvez estivesse acontecendo exatamente o contrário.

Talvez o Formiga estivesse me apresentando ao mundo dele.

Aqueles eram os amigos dele.

A escola dele.

As brincadeiras dele.

Os códigos sociais dele.

As histórias dele.

Eu era o visitante.

Por alguns minutos recebi uma credencial temporária para entrar naquele universo.

E o responsável pelo meu acesso era um pequeno administrador chamado Formiga.

USERID: VAGUINHO

ACCESS: FRIENDS

RESOURCE: FESTA.JUNINA.SAOJOSE

PERMISSION: READ / PLAY / ZOEIRA

RACF emocional: ACCESS GRANTED

😂

🕰️ E então o tempo executou seu JOB

A festa terminou.

As barracas foram desmontadas.

O sanfoneiro guardou sua sanfona.

As roupas caipiras voltaram para armários e caixas.

Professores foram para casa.

Pais descarregaram centenas de fotografias.

As crianças cresceram.

Aquelas pequenas figuras que aparecem correndo pelo vídeo hoje são adolescentes ou jovens adultos.

Algumas talvez ainda sejam amigas.

Outras provavelmente nunca mais se encontraram.

Talvez algumas nem se lembrem daquele dia.

Mas existe um pequeno arquivo perdido num canto do universo digital.

E quando apertamos PLAY...

a sanfona toca novamente.

As crianças voltam a dançar.

Os pais voltam a olhar maravilhados.

O Formiga volta a ficar eufórico.

E durante alguns minutos aquele pátio do Colégio São José volta a existir exatamente como era.

Até o Vaguinho retorna.

Um pouco mais jovem.

Provavelmente fazendo alguma zoeira.

🐜🪗

E talvez seja exatamente para isso que servem esses pequenos vídeos aparentemente sem importância.

Eles não impedem que o tempo passe.

Mas deixam alguns checkpoints pelo caminho.

Lugares onde podemos voltar ocasionalmente e dizer:

"Caramba... nós estivemos aqui."

E estivemos mesmo.

O Formiga.

Seus amigos.

Os pequenos caipirinhas.

Os pais orgulhosos.

O sanfoneiro.

E aquele estranho analista de sistemas que percorreu meio mundo para descobrir que, naquele pequeno pátio de Campinas, sua credencial mais importante era simplesmente:

Vaguinho.

☕🐜🪗

Bellacosa Mainframe

Porque algumas memórias não precisam de milhões de bytes.

Precisam apenas sobreviver ao próximo backup.

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Sanfoneiro começou a festa.

O sanfoneiro iniciou a festa, o acordeão dá suas iniciais, afinando o instrumento e  chamando os dançarinos para o centro da quadra e as crianças obedecem preparando-se para a dança.

As crianças do primeiro ano dançando ao ritmo do sanfoneiro e fazendo a maior festa quando o sanfoneiro da roça só tocava isso.... batendo palmas, batendo o pé e fazendo o balanceeeee.

A diversão  esta correndo solta e dançam para la e dançam para cá...



sábado, 4 de junho de 2016

Os cowboys dançam com os chicotes

Bellacosa Mainframe e a dança com chicote dos pequenitos cowboys da escola infantil catatau

🤠 Os Cowboys Dançam com os Chicotes

🐜 O Catatau e a dança caipira dos pequeninos

Esses pequenos cowboys são fogo.

Aliás, chamar aquilo simplesmente de dança caipira talvez seja uma interpretação generosa dos acontecimentos. 😂

Tem chapéu de cowboy.

Tem roupa caipira.

Tem chicote.

Tem criança correndo.

Tem coreografia tentando sobreviver.

E, para completar a operação, toca “Oh! Susanna” enquanto nossos pequenos pistoleiros transformam o salão numa espécie de encontro entre festa junina, Velho Oeste e motoclube infantil.

São meio caipiras.

Meio cowboys.

Meio harleiros.

E 100% bagunceiros.


🐜 Naturalmente, temos o Formiga

E no meio daquela pequena fauna do faroeste aparece ele:

Formiga.

Também conhecido nestes registros arqueológicos como Catatau.

Como sempre, aprontando mil e uma.

O cidadão não consegue simplesmente participar da dança.

Não.

Ele precisa investigar.

Olhar para os lados.

Observar os colegas.

Inventar alguma coisa fora da especificação original da coreografia.

E, principalmente, conferir se Vaguinho está filmando.

Porque existe uma informação fundamental para compreender o comportamento do nosso pequeno cowboy:

ele sabe que está sendo gravado.

E gosta disso.

Muito.

De vez em quando surge aquele olhar para a câmera que parece perguntar:

— Tá filmando, Vaguinho?

Está.

Pode continuar aprontando.


📹 Porque depois vem a melhor parte

Formiga ficava todo animado quando sabia que eu estava filmando.

Porque para ele a câmera não encerrava a brincadeira.

Criava uma segunda sessão.

Depois vinha a curiosidade:

“Quero ver!”

E então aquela bagunça que havia acabado de acontecer podia ser assistida novamente.

Talvez seja justamente aí que esses vídeos tenham adquirido, tantos anos depois, um valor que ninguém imaginava naquele momento.

Na época, Vaguinho estava simplesmente filmando.

Formiga estava simplesmente dançando.

Os outros pequenos cowboys estavam tentando não acertar o chicote no cidadão ao lado.

E “Oh! Susanna” seguia heroicamente tocando enquanto a coreografia entrava e saía de produção.

Hoje?

Hoje aquilo virou uma pequena cápsula do tempo.


🤠 O Velho Oeste nunca esteve tão caipira

Não procure rigor histórico.

Não pergunte por que cowboys estão numa dança caipira.

Muito menos tente compreender onde entram os harleiros nessa arquitetura.

Apenas aceite.

Porque infância funciona assim.

Um chapéu transforma uma criança em cowboy.

Um chicote transforma o salão em Velho Oeste.

Uma música transforma bagunça em apresentação.

E uma câmera transforma alguns minutos aparentemente banais em algo que podemos rever décadas depois.

No meio de tudo isso está o Formiga.

Pequeno.

Elétrico.

Curioso.

Aprontando alguma.

E ocasionalmente olhando para Vaguinho para verificar se o sistema de gravação continua operacional.

FORMIGA.STATUS = APRONTANDO

CHICOTE = ONLINE

OH_SUSANNA = PLAYING

COREOGRAFIA = MAIS_OU_MENOS

VAGUINHO.CAMERA = REC

FELICIDADE = 100%

🤠🐜📹

E vamos que vamos.

Porque esses pequenos cowboys ainda têm muita bagunça para fazer.

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Os cowboys dançam com os chicotes

O Catatau e a dança caipira dos pequeninos


Esses pequenos cowboys são fogo... meio caipiras, meio harleiros estão com o chicote todo... dançando Oh Susana na maior bagunça.

O Formiga como sempre, aprontando mil e uma, todo animado que o Vaguinho ta filmando ... q ele fica muito curioso para assistir depois.














El Formiga e a dança do Laço

Bellacosa Mainframe e a dança do laço do formiga

El Formiga e a dança do Laço

A turminha do Catatau esta com a corda toda.


Literalmente esta turminha esta dançando com o laço ao som de oh Suzana, bem animados e um pouco desconcertados, correm de um lado a outro fazendo aquela bagunça.






sábado, 14 de junho de 2014

O formiguinha arteiro brincando no Tobogan

Festa Junina da Bosch e o tobogan


Estamos na gesta Junina da Bosch Campinas organizada pelo grémio de funcionários, com muita diversão, barraca de brincadeiras, jogos para adultos e crianças, bingos e vários brinquedos inflaveis.

O formiguinha neste dia brincou a pescaria, ao atirar latas, viu a fogueira de São João e fez aquilo que mais adora: andou de trenzinho dentro das instalações da Bosch.




Para terminar o dia em grande fomos para a área de brinquedos inflaveis, lugar onde ele se acabou, virando cambalhota, pulando, escorrendo, virando e fazendo arte.

Foi um dia delicioso para guardar na memoria.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O NOIVINHO DA QUADRILHA

 


O NOIVINHO DA QUADRILHA — UMA CRÔNICA BELLACOSA MAINFRAME
PARA O EL JEFE MIDNIGHT LUNCH

Vasculhar um arquivo de fotos antigas é como abrir um dataset sentimental: cada imagem é um registro, cada rosto um campo, cada memória um load module carregado direto da infância.
E no meio desse inventário do tempo, você encontrou ela:
a foto épica do noivo da quadrilha, um Vaguinho vestido com toda a elegância que só a década de 1970 conseguia produzir.
Terno remendado branco, gravata vermelha, chapéu de palha torto e aquele sorriso de quem não fazia ideia de que um dia se tornaria o cronista oficial do clã Bellacosa.

E como tudo na sua vida vem com história, essa não seria diferente.





1. A QUADRILHA RAIZ – QUANDO JUNHO ERA REALMENTE FRIO

Antes de o clima enlouquecer, junho era junho de verdade:

  • vento gelado cortando o rosto,

  • moletom grosso,

  • fogueira estalando na calçada,

  • e o cheirinho de milho verde misturado com fumaça.

  • neblina, garoa e geada

Era inverno, gente.
Inverno raiz, de fazer a criançada encostar a mão no caneco de quentão (sem álcool, claro) só pra esquentar os dedos.

As festas juninas vinham direto do DNA português, importada dos Santos Populares —
Santo Antônio, São João e São Pedro,
mas aqui ganharam pitadas afro-brasileiras, italianas, indígenas e imigrantes de todas as latitudes.
O resultado?
Uma mistura única que só o Brasil consegue fazer.



2. A ESCOLINHA DA DEPORTAÇÃO — O PRIMEIRO ESCÂNDALO BELLACOSA

A foto pertence àquela mesma escolinha onde eu, segundo registros pseudo-históricos, apócrifos e de testemunhos maternos, foi deportado por:

  • não parar quieto,

  • ser arteiro,

  • ser criativo demais,

  • ser inquieto,

  • e estar levando Dona Mercedes à beira da insanidade.

Mas após a deportação efetiva, os novos amiguinhos na escola, a disciplina da sala de aula, os primeiros contatos com o abcedário, veio o evento dos eventos, a dança Quadrilha.
E nela, você brilhou como o noivinho oficial do arraial.


3. O CASAMENTO CAIPIRA — A NOVELA DE JUNHO

A quadrilha sempre foi um micro teatro do Brasil profundo:

  • Tinha noivo, noiva, padre,

  • O delegado suspeito, para pegar o noivo fujão

  • os pais da noiva, que estavam ali para garantir o final da cerimonia

  • Convidados animados,

  • Emboscadas e fugas,

  • E aquele momento mágico:
    “É mentiraaaa!”

O roteiro era uma novela rural, uma pequena ópera cômica encenada por crianças com dentes faltando, vestidos floridos e bigode pintado com rolhas queimadas, simulando bigodes e barbas.

Eu ali, no meio, sendo levado até o altar improvisado, cercado de bandeirinhas coloridas, fogueira cenográfica e o olhar orgulhoso (e exausto) da Dona Mercedes, da minha madrinha vó Anna e o vô Pedro, tio Pedrinho, tia Mirian e familia.


4. AS BARRAQUINHAS — O PARQUE DE DIVERSÕES DOS ANOS 70

Junho era também o mês das barraquinhas de quermece:

🎣 Pescaria — com peixinhos de madeira e prêmios que iam de pirulito a dominó.
🎯 Tiro ao alvo — onde sempre tinha um primo que jurava ser “bom de mira”.
Arremesso de bolinha — que jamais derrubava as latas, misteriosamente coladas.
📦 Rifas e correio elegante — o Tinder da época.
🫥 Prisão — onde se pagava para prender o amigo e pagava para soltar.
(engenharia financeira brasileira desde sempre).


5. COMIDAS — O BANQUETE SAGRADO DE JUNHO

E como esquecer o cardápio sagrado?

  • Canjica cremosa,

  • Arroz-doce com canela,

  • Pamonha quentinha,

  • Milho assado,

  • Churrasquinho suspeito,

  • Quentão fumegante,

  • Paçoca e pé de moleque.

  • Vinho quente.

  • Sagu com vinho de São Roque

Cada aroma era um portal para a infância.



6. A FOTO — UM PEDAÇO DE TEMPO CONGELADO

Naquela imagem perdida no meu arquivo, o que vemos não é apenas um menininho vestido de noivo.

Vemos:

  • a escolinha que fez Dona Mercedes descansar um pouco,

  • o Brasil dos anos 70, entre o caos financeiro da ditadura militar e as famílias se virando para sobreviver,

  • a alegria simples das festas de bairro,

  • a energia daquele pequeno Vagner arteiro,

  • e um pedaço da alma Bellacosa que resistiu ao tempo.

A foto é prova de que a memória não é só um arquivo:
é um job que roda eternamente no sistema da gente.


7. EPÍLOGO — O NOIVO QUE SOBREVIVEU AO ARRAIAL E À VIDA

Hoje, adulto, olho essa foto e entendo:

Aquele noivinho da quadrilha é um símbolo.
Um lembrete do que sempre fui:

  • sonhador,

  • imaginativo,

  • inquieto,

  • criador de histórias,

  • e dono de uma alma que, mesmo deportada,
    sempre encontra caminho para continuar pulando fogueiras.

Porque  aprendi a dançar a quadrilha da vida…
aprendi também a desviar do delegado, da ponte quebrada, da cobra, do tombo, das armadilhas e dos sustos —
e ainda dar risada no caminho.




Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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