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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

REXX – Introducing My New Friend

 



REXX – Introducing My New Friend

(ou: como eu parei de torcer o nariz e ganhei um aliado no z/OS e z/VM)

“Às vezes o melhor software não é o mais caro, nem o mais novo. É o que já está aí, esperando você parar de ignorar.”

Navegar pelas complexidades do z/OS e do z/VM exige um arsenal respeitável de ferramentas. JCL, COBOL, assembler, CLIST, utilitários do sistema, produtos terceiros… tudo isso faz parte do dia a dia.
Mas em muitos momentos, o tool ideal simplesmente não existe, é caro demais, ou não justifica um processo de aquisição que passa por 37 comitês, 12 reuniões e 2 meses de espera.

Foi exatamente aí que, meio a contragosto, eu resolvi sair da zona de conforto e mergulhar em uma linguagem que sempre esteve ali, silenciosa, quase invisível: REXX.

Confesso: no começo houve resistência.
“Mais uma linguagem?”
“Isso não é coisa de CLIST melhorado?”
“Será que vale o tempo?”

Spoiler: vale. E muito.
Hoje, o REXX não é só uma linguagem — é meu novo amigo no mainframe.




📜 1. Um breve passeio pela história das linguagens

Antes de falar de REXX, precisamos contextualizar.

Da força bruta à legibilidade

  • Anos 40/50: código de máquina e Assembly — poder absoluto, legibilidade zero.

  • Anos 60: COBOL, FORTRAN — produtividade e portabilidade começam a surgir.

  • Anos 70: linguagens estruturadas, foco em legibilidade e manutenção.

  • Anos 80: linguagens de script e automação ganham espaço.

É nesse cenário que, em 1979, na IBM, surge o REXX (Restructured Extended Executor), criado por Mike Cowlishaw.



👉 O objetivo era claro:

Criar uma linguagem simples, legível, poderosa e tolerante a erros humanos.

Nada de pontuação excessiva, nada de sintaxe críptica.
REXX foi pensado para gente, não só para compiladores.

📌 Easter egg histórico:
Mike Cowlishaw também é o criador da notação decimal usada em IEEE 754-2008. Ou seja, o homem sabia exatamente o que estava fazendo.


🧑‍💻 2. O papel real de sysprogs e devs no z/OS e z/VM

Quem vive mainframe sabe:
o trabalho não é só programar.

No mundo real, fazemos:

  • Automação de tarefas repetitivas

  • Análise de datasets e catálogos

  • Interação com TSO/ISPF

  • Chamada de comandos do sistema

  • Tratamento de mensagens (WTO, WTOR, GETMSG)

  • Integração entre ferramentas

  • Prototipação rápida de soluções

  • “Apagar incêndio” às 3h da manhã 🔥

E aqui vem a pergunta fatal:

Você vai fazer tudo isso em COBOL compilado?

REXX entra exatamente nesse espaço:

  • Mais poderoso que CLIST

  • Mais simples que COBOL

  • Mais integrado que scripts externos


🔌 3. Integrando REXX ao seu workflow atual

REXX não substitui COBOL, PL/I ou Assembler.
Ele complementa.

Onde o REXX brilha:

  • Dentro do TSO

  • Em ISPF

  • Em batch

  • No z/VM (CMS, CP, EXECs)

  • Chamando utilitários do sistema

  • Orquestrando JCL

  • Automatizando ambientes

📌 Easter egg prático:
Você pode chamar IDCAMS, IEFBR14, SDSF, comandos MVS e até programas COBOL diretamente do REXX.

REXX é o cola tudo do mainframe.


🧠 4. Fundamentos e base teórica do REXX

Filosofia da linguagem

  • Tudo é string

  • Tipagem dinâmica

  • Sintaxe limpa

  • Código próximo do inglês

  • Pouca pontuação

  • Muito foco em legibilidade

Exemplo simples:

say 'Hello, mainframe world!'

Sem ponto e vírgula.
Sem BEGIN/END obrigatórios.
Sem drama.

Estrutura básica

  • Instruções lineares

  • Controle por IF, DO, SELECT

  • Funções internas riquíssimas

  • Integração nativa com o ambiente

Variáveis

nome = 'Bellacosa' say 'Bem-vindo,' nome

📌 Curiosidade:
Variáveis não inicializadas não quebram o programa.
Elas simplesmente retornam o próprio nome.
Isso é genial para debug… e perigoso se você não souber 😄


🧩 5. Pré-requisitos para aprender REXX

A boa notícia: poucos.

Idealmente você já conhece:

  • Conceitos básicos de mainframe

  • TSO/ISPF

  • JCL (ao menos leitura)

  • Dataset, PDS, PS, membros

  • Comandos básicos do sistema

Se você sabe navegar no ISPF, já está 50% pronto.


🛠️ 6. REXX na prática – exemplos do mundo real

Exemplo 1 – Listar datasets

address tso "listcat level('USER01')"

Exemplo 2 – Automatizar ISPF

address ispexec "control errors return" address ispexec "display panel(MYPANEL)"

Exemplo 3 – Batch REXX

//STEP1 EXEC PGM=IKJEFT01 //SYSTSPRT DD SYSOUT=* //SYSEXEC DD DISP=SHR,DSN=USER.REXX.LIB //SYSTSIN DD * %MEUREXX /*

📌 Easter egg avançado:
REXX pode ler e escrever datasets linha a linha com EXECIO.
Sim, você pode fazer mini-SORTs sem DFSORT.


🤯 7. Curiosidades que poucos contam

  • REXX existe fora do mainframe (OS/2, Windows, Linux)

  • É base de automação em vários produtos IBM

  • Muitos produtos “enterprise” usam REXX internamente

  • CLIST perdeu espaço por causa do REXX

  • É uma das linguagens mais subestimadas do ecossistema IBM Z


☕ Conclusão – Por que REXX virou meu novo amigo

REXX não é moda.
REXX não é hype.
REXX é eficiência silenciosa.

Ele resolve problemas reais:

  • rápido

  • integrado

  • sem burocracia

  • sem custo extra

  • com curva de aprendizado amigável

Se você trabalha com z/OS ou z/VM e ainda ignora o REXX, deixo o conselho de veterano:

Não subestime uma linguagem que a IBM colocou no coração do sistema.

Porque às vezes, o melhor amigo já estava no mainframe…
você só nunca tinha puxado assunto 😉