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domingo, 20 de outubro de 2019

🔥 Ready Player One: quando o mainframe virou fliperama e a nostalgia ganhou CPU dedicada 🔥



 🔥 Ready Player One: quando o mainframe virou fliperama e a nostalgia ganhou CPU dedicada 🔥


Se um IBM zSeries, um Cray vetorial e um Atari 2600 entrassem num bar… Ready Player One seria a trilha sonora tocando no jukebox digital. Livro de Ernest Cline (2011) e filme de Steven Spielberg (2018), a obra é menos sobre realidade virtual e mais sobre memória, legado e o vício humano em sistemas que já entendemos.


📜 A história (ou: batch jobs rodando no OASIS)

Num futuro distópico em que o mundo real virou um dump corrompido, as pessoas vivem plugadas no OASIS, um metaverso global — pense num TSO/E com gráficos 3D, avatars e billing em créditos virtuais. O criador do sistema, James Halliday, morre e deixa um testamento digno de sysprog psicodélico: quem vencer um caça-ao-tesouro baseado em referências da cultura pop dos anos 70, 80 e 90 herda o controle total do OASIS.

O protagonista Wade Watts é o típico operador de turno da madrugada: pobre, invisível, mas que conhece cada manual não oficial do sistema. O vilão? Uma corporação que trata o OASIS como ambiente produtivo sem alma, onde tudo vira KPI, monetização e DRM.



🧠 Filosofia oculta (ou: por que Halliday odiava gente)

Halliday não era apenas um geek nostálgico — ele era um arquiteto de sistemas traumatizado por interações humanas. O OASIS é um mainframe emocional: estável, previsível, controlável. Pessoas falham; sistemas obedecem.

💡 Mensagem escondida:

Quem controla o legado cultural controla o futuro.

O desafio não é técnico, é interpretativo. Não vence quem tem mais poder computacional, mas quem entende o contexto histórico. Exatamente como manter um mainframe legado sem documentação atualizada.

🕹️ Livro vs Filme (trade-offs arquiteturais)

  • 📘 Livro: mais profundo, mais obscuro, referências mais densas. É o JCL comentado, cheio de easter eggs que só quem viveu a era entende.

  • 🎬 Filme: mais visual, mais acessível, menos purista. É o front-end moderno rodando sobre um backend legado.

Spielberg trocou puzzles intelectuais por cenas de ação — não é traição, é otimização para throughput de audiência.

🥚 Easter eggs (prepare o debugger!)

  • O DeLorean de De Volta para o Futuro com luz de Knight Rider e som de Mach 5 — um cluster híbrido de ícones.

  • O desafio em Adventure (Atari 2600) é uma aula de arqueologia digital.

  • Referências a Akira, Gundam, The Shining, Dungeons & Dragons… é um dump de memória cultural sem garbage collection.

🧠 Dica Bellacosa: pause o filme. Volte. Pause de novo. Cada frame é um IPL cultural.

🤫 Fofoquices de bastidor

  • Ernest Cline escreveu o livro quase como um testamento emocional à própria juventude.

  • Spielberg evitou usar muitas referências aos próprios filmes — humildade rara num ambiente cheio de ego, quase um sysprog que documenta o próprio código.

  • Muitos críticos chamaram a obra de “pornografia nostálgica”. Talvez. Mas nostalgia é apenas backup emocional.

🧩 Ideias que ficam

  • O futuro não é criado apenas com inovação, mas com curadoria do passado.

  • Quem ignora sistemas legados repete erros antigos.

  • Realidade virtual não substitui humanidade — só mascara latência emocional.

☕ Comentário final do operador

Ready Player One não é sobre VR, é sobre quem tem a chave do cofre onde guardamos nossas memórias. É um alerta para mainframers, devs, gamers e sonhadores:

não deixe seu mundo virar apenas um sistema bonito rodando em modo automático.

Porque no fim, como diria Halliday — e qualquer operador de plantão às 3h da manhã —
o jogo só começa quando você entende as regras que ninguém escreveu. 🖥️🕹️

El Jefe Midnight Lunch | Bellacosa Mainframe Mode ON 🚀


Eastereggs

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O brilho que guiava os pequenos Onis – e que hoje me faz falta

 


📜 El Jefe Midnight Lunch – Bellacosa Mainframe Chronicles
O brilho que guiava os pequenos Onis – e que hoje me faz falta

Essa memória, ah… essa aqui não tem CEP, não tem JCL fixo, não tem dataset endereçado em um único volume.
Ela é um PDS espalhado pela vida, com membros gravados em Urupês, Ibitinga, São José do Rio Preto, Catanduva, São Carlos, Sorocaba, Pirassununga e Taubaté.

Se procurar bem, acho até que tem alguns registros perdidos no track daquela estrada de terra onde eu caí de bicicleta pela primeira vez.

Mas em todos esses lugares…
em todas essas noites…
existia um personagem que fazia o coração do pequeno Oni acelerar:

o vagalume.



✨ Os pirilampos – os LEDs da natureza, antes da natureza virar shopping center

Anos 1970 e 1980.
Ruas de terra.
Pouquíssima luz pública.
Mato crescendo livre, como se fosse proprietário do terreno (e era mesmo).
O mundo ainda não tinha sido atacado pelo bug do excesso de iluminação, do excesso de concreto, do excesso de tudo.

E ali, no meio daquela escuridão amiga, uma coreografia mágica acontecia:

pontos de luz flutuantes, piscando devagar…
como pequenos mainframes bioluminescentes rodando seus próprios ciclos de IPL noturnos.

Eu amava vagalumes.
De verdade.
De um jeito profundo, puro, quase reverente.

Era como caminhar numa trilha guiada por estrelas que desceram pra brincar com a gente.


🌿 O patch da Dona Mercedes – olhos brilhando e potes com furinhos

Minha mãe, Dona Mercedes, contava histórias da infância dela no norte do Paraná, onde os vagalumes eram tantos que pareciam iluminar o quintal inteiro.
Ela dizia que pegava alguns em potes de vidro com tampas furadinhas.
Só para curtir o brilho por alguns minutos.

E os pequenos Onis da Dona Mercedes, claro… replicaram o script.

A gente fazia o mesmo:
capturava alguns, via aquela luz mágica correndo no potinho…
e depois soltava.

Porque a verdadeira beleza era ver o bichinho livre.
Livre e brilhando.




🕷️🐞 Uma fauna inteira que dividia a paisagem

Naquela época, tinha inseto pra dar e vender.
A biosfera era quase um sysplex completo:

  • besouros gigantes

  • besouros com chifre que pareciam saídos de um RPG

  • joaninhas simpáticas

  • lacraias medonhas

  • aranhas que te julgavam de longe

  • centopeias com cara de “tenta ver pra ver”

Alguns perigosos, outros camaradas.
Alguns pousavam suavemente na mão.
Outros você olhava de longe e dizia:
“passo”.

Mas todos tinham espaço no mundo.
Porque havia muito mato, muito verde, muito silêncio.
E principalmente: pouca luz artificial pra bagunçar o baile da natureza.




💔 Hoje… o sumiço

Hoje… se eu disser que vejo vagalume no quintal, estou mentindo.
Faz anos que não vejo um sequer.
As ruas claras demais mataram a magia.
O verde virou cimento.
Os bichinhos perderam lar, perderam ritmo, perderam espaço.

E eu?
Eu perdi parte daquela infância.
Aquela sensação de trilha iluminada por pequenas almas luminosas.
Aquele silêncio pontuado por piscadas mágicas.


📌 No fundo, o que eu queria mesmo…

…era abrir a janela de casa agora,
ver um único vagalume,
um só, piscando devagar,
e sentir por um instante o mesmo encanto que senti em 1978, 1981, 1984…

Mas, enquanto ele não aparece,
guardo o brilho na memória —
porque algumas luzes não se apagam nunca.

Bellacosa out. ✨🟢🌙