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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

📜 Linha do Tempo – BUNCH, Sete Anões e a IBM (1950–1980)

 



📜 Linha do Tempo – BUNCH, Sete Anões e a IBM (1950–1980)

🧠 Anos 1950 – Os “deuses antigos”

Antes mesmo do termo BUNCH existir:

  • UNIVAC reina absoluta
    ✔ Primeiro computador comercial
    ✔ Fama de “computador que prevê eleições”
    ❌ Péssima estratégia comercial
    💬 Engenheiros brilhantes, vendedores fracos

  • IBM ainda era vista como “empresa de máquinas de escrever caras”.

👉 Plot twist histórico: a IBM aprende rápido… rápido demais.


🚀 1960–1963 – A guerra começa

  • IBM 1401 explode em vendas

  • Burroughs conquista bancos

  • CDC, com Seymour Cray, começa a assustar a IBM em performance científica

💬 Bastidor:

A IBM tinha medo real da CDC. Cray era visto como “o gênio imprevisível”.


💣 1964 – O Big Bang: IBM System/360

📅 Abril de 1964

  • IBM lança o System/360

  • Uma arquitetura, vários modelos

  • Compatibilidade inédita

💰 Investimento colossal (bilhões, em valores atuais)

🔥 Reação do mercado:

  • O BUNCH entra em pânico

  • Clientes congelam compras esperando o 360

💬 Fofoquinha:

“A IBM apostou a empresa inteira. Se desse errado, teria acabado ali.”


😬 1965–1968 – O BUNCH tenta reagir

🏦 Burroughs

  • Arquitetura orientada a pilha

  • Segurança forte

  • Bancos AMAVAM

💬 Problema:

Incompatível demais com o resto do mercado.


🧪 Control Data Corporation (CDC)

  • CDC 6600 = computador mais rápido do mundo

  • Seymour Cray vira lenda viva

💬 Easter egg:

A IBM tentou atrasar clientes da CDC com anúncios de máquinas que nem existiam ainda.

(Sim, isso gerou processos antitruste.)


🧾 Honeywell

  • Forte em governo e defesa

  • Compra a divisão da GE depois

💬 Bastidor:

Honeywell herdou mais problemas do que clientes.


🧹 1969–1971 – Os anões começam a cair

❌ GE sai do mercado (1970)

  • Perdas gigantes

  • Vende tudo para a Honeywell

❌ RCA abandona mainframes

  • Arquiteturas caras

  • Poucos clientes

  • Estratégia confusa

💬 Frase clássica atribuída a executivos:

“Entramos tarde demais e caros demais.”


⚖️ Anos 1970 – A IBM quase cai pelo próprio peso

  • Governo dos EUA abre processo antitruste contra a IBM

  • Acusação: monopólio, vendas casadas, pressão sobre clientes

💬 Curiosidade:

O processo durou mais de 10 anos e moldou a forma como software passou a ser vendido separadamente.

📌 Resultado indireto:

  • Nascimento da indústria moderna de software independente


🧊 Final dos anos 70 – O mundo encolhe

  • BUNCH perde força

  • CDC se fragmenta

  • Burroughs se funde com a Sperry (vira Unisys)

  • IBM continua dominante, mas mais vigiada

💬 Moral da história:

A IBM venceu… mas teve que aprender a jogar “menos sujo”.


🧠 Easter Eggs Bellacosa Edition

  • Muitos conceitos de segurança bancária, transações ACID e processamento em lote nasceram fora da IBM

  • A fama de “mainframe = IBM” é mais marketing do que realidade histórica

  • Sem o BUNCH, a IBM talvez nunca tivesse inovado tão agressivamente


🏁 Conclusão ácida (e honesta)

O BUNCH não perdeu por incompetência técnica, perdeu por:

  • Fragmentação

  • Falta de padrão

  • Incapacidade de criar ecossistema

A IBM venceu porque entendeu cedo algo que o Vale do Silício só aprendeu décadas depois:

quem controla o padrão, controla o mercado

 

Para saber mais

Bunch e os 7 anões

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2024/09/bunch-e-os-sete-anoes.html



terça-feira, 27 de agosto de 2024

☕ O Holocron do Projeto Altamira: Quando as Caixas Espanholas Migraram do Unisys para IBM Z Sem IA, Sem Assessment Infinito e Sem Arqueologia COBOL

 

Bellacosa Mainframe relembra o projeto Altamira no mundo mainframe

☕ O Holocron do Projeto Altamira: Quando as Caixas Espanholas Migraram do Unisys para IBM Z Sem IA, Sem Assessment Infinito e Sem Arqueologia COBOL



O que era o Altamira?

Altamira era um Core Banking System.

Em termos simples:

Um grande conjunto integrado de aplicações capaz de suportar praticamente toda a operação bancária.

Incluindo:

  • Contas correntes

  • Poupança

  • Empréstimos

  • Hipotecas

  • Transferências

  • Compensação bancária

  • Cartões

  • Tesouraria

  • Clientes

  • Agências

  • Contabilidade

  • Batch noturno

  • Produtos financeiros

Podemos compará-lo a soluções atuais como:

  • Temenos Transact

  • Finacle

  • Mambu

  • TCS BaNCS

  • Hogan

  • SAP Banking

Mas com uma característica importante:

Era concebido para rodar nativamente em Mainframe IBM.


O contexto tecnológico espanhol dos anos 90

Na década de 90 existia uma grande diversidade tecnológica.

Unisys

Muitas Caixas utilizavam sistemas Unisys.

Equipamentos A-Series.

MCP.

COBOL Unisys.

DMSII.

IBM

Outras utilizavam:

IBM 9672

S/390

DB2

CICS

COBOL IBM

Bull

GCOS

NCR

Sistemas proprietários

Era comum cada instituição possuir décadas de customizações.


O desafio de uma Caixa de Poupança

Uma Caixa típica possuía:

Pessoas

Cadastro de clientes

KYC

Relacionamentos


Empréstimos

Hipotecários

Pessoais

Consignados

Leasing


Passivo

Contas

Depósitos

Fundos


Meios de pagamento

Transferências

SEPA

SICA

SWIFT


Contabilidade

Plano contábil

Fechamentos

Provisões


O que significava migrar para Altamira?

Basicamente:

Substituir tudo.

Sistema antigo

Altamira IBM

Mas sem alterar o comportamento do banco.

O cliente não podia perceber.

A agência não podia parar.

Os extratos deveriam continuar corretos.

As prestações deveriam continuar corretas.


A filosofia adotada

Aqui está talvez o aspecto mais interessante.

Não se estudava milhões de linhas COBOL.

Perguntava-se:

O que este produto faz?

Exemplo.

Hipoteca.

Capital:

100.000 euros

Prazo:

20 anos

Taxa:

4%

Sistema francês.

Prestação:

530 euros

(Exemplo simplificado)

O sistema antigo produz:

530

Altamira produz:

530

Está correto.

Próximo item.


Gap Analysis

Ferramenta essencial.

Situação atual

Sistema Unisys

Campo X

Formato 12 bytes


Altamira

Campo X

15 bytes


Decisão:

Adaptar

Expandir

Converter


Exemplo.

Produto antigo

Código 031

Altamira

HIP001

Tabela de conversão.


Pessoas valiam mais que documentação

Algo extremamente comum nos anos 90.

Pergunta:

Como funciona SICA?

Resposta:

Pergunta para o Juan.

Juan trabalhou 15 anos nisso.

Fim do problema.


Hoje muitas empresas perderam esse conhecimento.

Juan aposentou-se.

Pedro foi para fintech.

Maria mudou de área.

Sobra:

500 milhões de linhas COBOL.


Batch era o verdadeiro monstro

O texto menciona algo importante.

Batch.

Batch bancário é frequentemente mais complexo que online.

Exemplo.

22h00

Fechamento

23h00

Juros

00h00

Hipotecas

01h00

Transferências

02h00

Contabilidade

03h00

Backup

04h00

Extratos

05h00

Abertura


Migrar Batch significava:

Reescrever JCL

Reorganizar dependências

Alterar calendários

Ajustar tempos


Transferências e SICA

SICA é um dos componentes menos conhecidos fora da Espanha.

Relaciona-se historicamente com compensação interbancária.

Transferências nacionais.

Liquidação.

Validação.

Regras regulatórias.


Aprender isso dentro do projeto era comum.

Ninguém chegava especialista.

Aprendia.

Fazia.

Testava.

Implantava.


Por que hoje demora tanto?

1) Regulação

Basileia.

DORA.

GDPR.

Auditoria.

SOX.

PCI.

PSD2.


2) Ecossistema

Mobile.

Internet Banking.

PIX equivalente.

Open Banking.

APIs.

Kafka.

IA.


3) Consultorias industrializaram processos

Assessment.

Discovery.

Knowledge Mining.

Digital Twins.

Dependency Graphs.


4) Falta de especialistas bancários

Hoje há muitos especialistas em tecnologia.

Poucos especialistas em negócio bancário.

E isso muda tudo.


O que a IA realmente pode ajudar?

A IA atual ajuda muito.

Ela consegue:

Explicar COBOL.

Documentar COPYBOOK.

Mapear DB2.

Gerar fluxogramas.

Encontrar dependências.

Explicar JCL.

Comparar layouts.

Mas ainda possui dificuldade em responder:

Por que este produto foi criado em 1987?

Qual acordo comercial originou esta exceção?

Por que uma determinada Caixa cobrava a prestação em data aniversário?

Essas respostas normalmente estão em outro lugar.

Na memória das pessoas.

Nas atas esquecidas.

Nas normas internas.

Nos analistas veteranos.

Nos gerentes aposentados.


Considerações Finais

O relato sobre o Projeto Altamira desmonta uma narrativa bastante difundida atualmente: a de que não é possível modernizar um Core Banking sem primeiro compreender perfeitamente cada linha do sistema legado.

A experiência dos anos 90 mostra outra abordagem:

Não migrávamos programas.

Migrávamos regras de negócio.

Migrávamos produtos financeiros.

Migrávamos a capacidade operacional do banco.

O código COBOL, o CICS, o DB2, o Unisys ou o IBM eram apenas os veículos tecnológicos.

O verdadeiro ativo sempre foi o conhecimento bancário.

Talvez a maior lição deixada por projetos como Altamira seja justamente esta:

Um banco não é um conjunto de milhões de linhas COBOL.

Um banco é um conjunto de decisões de negócio acumuladas durante décadas, e o sucesso de qualquer transformação depende muito mais de compreender essas decisões do que de realizar arqueologia em código-fonte.

E, curiosamente, essa continua sendo uma das maiores limitações da IA generativa em 2026: ela pode ler o código legado em segundos, mas ainda precisa de um veterano do negócio para explicar por que aquela regra aparentemente absurda continua existindo após trinta anos de produção.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

☕ IBM × Burroughs: a treta que pariu o COBOL (e moldou o mainframe para sempre)

 



💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
☕ IBM × Burroughs: a treta que pariu o COBOL (e moldou o mainframe para sempre)


Toda grande tecnologia nasce de um conflito.
O COBOL não foi diferente.

Enquanto hoje falamos de open source, cloud e API-first, lá em 1959 a treta era outra — IBM × Burroughs — duas visões opostas sobre como o mundo dos negócios deveria rodar em computadores do tamanho de geladeiras.

E sim: teve ego, teve disputa de mercado, teve reunião tensa…
Mas no meio do caos nasceu a linguagem que ainda paga salário no fim do mês.

Senta, pega o café ☕, porque essa história é boa.



🧠 O cenário: fim dos anos 50

O mundo corporativo estava entrando na computação, mas havia um problema sério:

  • Cada fabricante tinha seu hardware

  • Cada fabricante tinha sua linguagem

  • Cada fabricante queria prender o cliente

Trocar de máquina = reescrever tudo.
Vendor lock-in era estratégia, não defeito.

E aí surgem duas potências com visões bem diferentes:



🟦 IBM: o império do controle

A IBM dominava o mercado.
Tinha mais clientes, mais máquinas, mais dinheiro — e mais influência.

Filosofia IBM:

  • Linguagens poderosas, mas técnicas

  • Forte acoplamento ao hardware

  • “Funciona melhor se for tudo nosso”

🧠 Comentário Bellacosa:
A IBM não queria uma linguagem comum.
Ela queria que o mundo falasse IBM.



🟨 Burroughs: a rebeldia elegante

A Burroughs, menor, porém ousada, pensava diferente.

Filosofia Burroughs:

  • Linguagens legíveis

  • Foco em negócio, não em máquina

  • Menos bit, mais processo

Mary Hawes, da Burroughs, enxergou antes de todo mundo:

“Se cada fornecedor falar sozinho, ninguém escala.”

E decidiu provocar o sistema.



🔥 O estopim da treta: a reunião de 1959

Mary Hawes articula uma reunião com:

  • Governo dos EUA

  • Forças Armadas

  • IBM, Burroughs, RCA, Univac, Honeywell

Objetivo:

Criar uma linguagem comum, portável e orientada a negócios.

A IBM entra… contrariada.
Mas entra.

🥚 Easter egg histórico:
A IBM sabia que, se ficasse fora, perderia influência sobre o padrão.


🧨 Dentro da sala: visões em choque

IBM queria:

  • Linguagem poderosa

  • Próxima da máquina

  • Flexível para hardware IBM

Burroughs queria:

  • Linguagem quase em inglês

  • Foco em dados

  • Leitura humana acima de performance bruta

Resultado?
🔥 Discussões acaloradas
🔥 Reuniões longas
🔥 Egos do tamanho de mainframes

🧠 Fofoquice técnica:
Relatos históricos indicam que, sem Mary Hawes mediando, o comitê teria implodido.


💾 O compromisso que criou o COBOL

O COBOL nasceu como um acordo de paz:

  • Não seria da IBM

  • Não seria da Burroughs

  • Seria de todos

Características finais:

  • Inglês estruturado (vitória Burroughs)

  • Rigor formal e compilável (vitória IBM)

  • Separação clara entre dados e lógica

  • Foco absoluto em negócios

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
COBOL é diplomacia em forma de linguagem.


🧬 Evolução pós-treta

IBM (anos seguintes):

  • Implementa COBOL em tudo

  • Otimiza, escala, domina

  • Transforma COBOL no motor do mainframe

Burroughs:

  • Mantém visão human-friendly

  • Influencia design de sistemas

  • Mais tarde vira parte da Unisys

🥚 Easter egg:
A Unisys até hoje é referência em sistemas legíveis e estruturados — DNA Burroughs puro.


⚖️ Comparação filosófica

TemaIBMBurroughs
VisãoEscala industrialLegibilidade
EstratégiaDomínio de mercadoInteroperabilidade
LinguagemTécnicaOrientada a negócios
ResultadoMainframe dominanteIdeias que viraram padrão

🧠 Resumo Bellacosa:
A IBM venceu o mercado.
A Burroughs venceu o design.


🕰️ Impactos nos dias atuais

Hoje:

  • COBOL roda APIs REST

  • Mainframe conversa com cloud

  • Bancos processam bilhões de transações/dia

Tudo isso porque:
✔️ a IBM garantiu robustez
✔️ a Burroughs garantiu legibilidade

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
Sem a treta, o COBOL seria fraco.
Sem o acordo, seria inútil.


🧑‍ Padawans, aprendam com essa treta

  • Conflito técnico pode gerar inovação

  • Padrão nasce de concessão

  • Tecnologia que dura precisa de equilíbrio

COBOL não é bonito.
COBOL é confiável.


☕ Reflexão final do El Jefe

“Quando gigantes brigam, o mundo ganha padrões.”

IBM × Burroughs não foi só disputa comercial.
Foi o choque que criou a espinha dorsal do software corporativo mundial.

Enquanto linguagens modernas vêm e vão,
o COBOL segue ali, quieto, rodando.

Porque ele nasceu de uma treta…
mas foi criado para a paz. 💾☕


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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