💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
☕ IBM × Burroughs: a treta que pariu o COBOL (e moldou o mainframe para sempre)
Toda grande tecnologia nasce de um conflito.
O COBOL não foi diferente.
Enquanto hoje falamos de open source, cloud e API-first, lá em 1959 a treta era outra — IBM × Burroughs — duas visões opostas sobre como o mundo dos negócios deveria rodar em computadores do tamanho de geladeiras.
E sim: teve ego, teve disputa de mercado, teve reunião tensa…
Mas no meio do caos nasceu a linguagem que ainda paga salário no fim do mês.
Senta, pega o café ☕, porque essa história é boa.
🧠 O cenário: fim dos anos 50
O mundo corporativo estava entrando na computação, mas havia um problema sério:
-
Cada fabricante tinha seu hardware
-
Cada fabricante tinha sua linguagem
-
Cada fabricante queria prender o cliente
Trocar de máquina = reescrever tudo.
Vendor lock-in era estratégia, não defeito.
E aí surgem duas potências com visões bem diferentes:
🟦 IBM: o império do controle
A IBM dominava o mercado.
Tinha mais clientes, mais máquinas, mais dinheiro — e mais influência.
Filosofia IBM:
-
Linguagens poderosas, mas técnicas
-
Forte acoplamento ao hardware
-
“Funciona melhor se for tudo nosso”
🧠 Comentário Bellacosa:
A IBM não queria uma linguagem comum.
Ela queria que o mundo falasse IBM.
🟨 Burroughs: a rebeldia elegante
A Burroughs, menor, porém ousada, pensava diferente.
Filosofia Burroughs:
-
Linguagens legíveis
-
Foco em negócio, não em máquina
-
Menos bit, mais processo
Mary Hawes, da Burroughs, enxergou antes de todo mundo:
“Se cada fornecedor falar sozinho, ninguém escala.”
E decidiu provocar o sistema.
🔥 O estopim da treta: a reunião de 1959
Mary Hawes articula uma reunião com:
-
Governo dos EUA
-
Forças Armadas
-
IBM, Burroughs, RCA, Univac, Honeywell
Objetivo:
Criar uma linguagem comum, portável e orientada a negócios.
A IBM entra… contrariada.
Mas entra.
🥚 Easter egg histórico:
A IBM sabia que, se ficasse fora, perderia influência sobre o padrão.
🧨 Dentro da sala: visões em choque
IBM queria:
-
Linguagem poderosa
-
Próxima da máquina
-
Flexível para hardware IBM
Burroughs queria:
-
Linguagem quase em inglês
-
Foco em dados
-
Leitura humana acima de performance bruta
Resultado?
🔥 Discussões acaloradas
🔥 Reuniões longas
🔥 Egos do tamanho de mainframes
🧠 Fofoquice técnica:
Relatos históricos indicam que, sem Mary Hawes mediando, o comitê teria implodido.
💾 O compromisso que criou o COBOL
O COBOL nasceu como um acordo de paz:
-
Não seria da IBM
-
Não seria da Burroughs
-
Seria de todos
Características finais:
-
Inglês estruturado (vitória Burroughs)
-
Rigor formal e compilável (vitória IBM)
-
Separação clara entre dados e lógica
-
Foco absoluto em negócios
🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
COBOL é diplomacia em forma de linguagem.
🧬 Evolução pós-treta
IBM (anos seguintes):
-
Implementa COBOL em tudo
-
Otimiza, escala, domina
-
Transforma COBOL no motor do mainframe
Burroughs:
-
Mantém visão human-friendly
-
Influencia design de sistemas
-
Mais tarde vira parte da Unisys
🥚 Easter egg:
A Unisys até hoje é referência em sistemas legíveis e estruturados — DNA Burroughs puro.
⚖️ Comparação filosófica
| Tema | IBM | Burroughs |
|---|---|---|
| Visão | Escala industrial | Legibilidade |
| Estratégia | Domínio de mercado | Interoperabilidade |
| Linguagem | Técnica | Orientada a negócios |
| Resultado | Mainframe dominante | Ideias que viraram padrão |
🧠 Resumo Bellacosa:
A IBM venceu o mercado.
A Burroughs venceu o design.
🕰️ Impactos nos dias atuais
Hoje:
-
COBOL roda APIs REST
-
Mainframe conversa com cloud
-
Bancos processam bilhões de transações/dia
Tudo isso porque:
✔️ a IBM garantiu robustez
✔️ a Burroughs garantiu legibilidade
🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
Sem a treta, o COBOL seria fraco.
Sem o acordo, seria inútil.
🧑 Padawans, aprendam com essa treta
-
Conflito técnico pode gerar inovação
-
Padrão nasce de concessão
-
Tecnologia que dura precisa de equilíbrio
COBOL não é bonito.
COBOL é confiável.
☕ Reflexão final do El Jefe
“Quando gigantes brigam, o mundo ganha padrões.”
IBM × Burroughs não foi só disputa comercial.
Foi o choque que criou a espinha dorsal do software corporativo mundial.
Enquanto linguagens modernas vêm e vão,
o COBOL segue ali, quieto, rodando.
Porque ele nasceu de uma treta…
mas foi criado para a paz. 💾☕
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