✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024
Metodologia Waterfall, o que é, para que serve, virtudes e defeitos
domingo, 18 de fevereiro de 2024
Pontos de Função: um pouco sobre métricas. Parte I
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024
O que é J.A.D. - Joint Application Design?
domingo, 11 de fevereiro de 2024
Usando VARCHAR em COBOL
sábado, 10 de fevereiro de 2024
🌃 O Salaryman como Símbolo da Solidão Moderna
🌃 O Salaryman como Símbolo da Solidão Moderna
No Japão, o homem médio veste terno preto e alma cinza.
O salaryman é o retrato da solidão que se aprendeu a disfarçar com rotina.
Ele acorda com o despertador, embarca em silêncio no trem lotado e atravessa a cidade com o olhar fixo no chão.
No meio da multidão, é invisível — e talvez seja esse o ponto.
💼 A máscara do dever
A vida do salaryman é uma performance social.
Sorrisos no horário comercial, submissão educada, lealdade ao grupo, gaman — a palavra japonesa para suportar sem reclamar.
Ele não pertence a si mesmo: pertence à empresa, ao cronograma, ao sistema.
A solidão surge não por falta de gente ao redor, mas por falta de espaço para existir como indivíduo.
Nos animes e mangás, essa solidão aparece em olhares cansados e jantares solitários.
Em “Shinya Shokudō”, o restaurante abre só à meia-noite — porque é quando o salaryman finalmente tem um momento para si.
Em “Aggretsuko”, a protagonista grita no karaokê o que jamais diria no escritório: o ódio, o tédio, o desespero de quem finge estar tudo bem.
🕯️ Solidão em massa
É um paradoxo moderno: nunca estivemos tão conectados, mas o salaryman vive isolado em meio à multidão.
O trem é uma metáfora perfeita — corpos próximos, almas distantes.
A cidade vibra em energia, mas o indivíduo se apaga.
A cultura japonesa chama isso de “kodoku” (孤独) — solidão profunda, a sensação de estar desconectado mesmo cercado de gente.
Nos anos 90, isso se tornou tema recorrente na arte e nos animes, reflexo de uma geração que viu o colapso da estabilidade econômica e o surgimento de uma nova forma de vazio.
🏙️ O silêncio da cidade grande
Os salarymen povoam os izakayas depois do expediente, copos de saquê entre mãos trêmulas.
Conversam sobre o tempo, riem forçado, voltam para casa tarde demais.
Muitos dormem nos bancos da estação. Alguns não voltam — e tornam-se jōhatsu, os evaporados, pessoas que desaparecem da própria vida.
A solidão urbana japonesa é uma epidemia silenciosa, e o salaryman é o seu rosto mais comum.
Ele não é vilão nem vítima — é o produto de uma sociedade que trocou intimidade por eficiência.
📺 O reflexo nos animes
Nos animes, o salaryman moderno carrega o peso simbólico do homem que perdeu o propósito, mas continua andando.
Ele não sonha em ser herói. Só quer suportar mais um dia.
A sua história raramente tem clímax — mas há uma beleza nisso: a resistência silenciosa, o cotidiano transformado em poesia mínima.
Obras como “Tokyo Godfathers”, “NHK ni Youkoso!” e “Paranoia Agent” exploram esse vazio com sutileza brutal — personagens quebrados tentando achar sentido em meio ao concreto e às luzes artificiais.
💔 O homem que ainda está lá
O salaryman é o homem comum de um mundo extraordinariamente cansado.
Ele carrega o Japão nas costas e o vazio no peito.
Sua solidão é a solidão de todos nós — o medo de parar e perceber que talvez não saibamos mais quem somos sem o trabalho, sem a rotina, sem o uniforme social.
Entre o som dos trilhos e o brilho dos néons, ele segue.
Calado, invisível, mas estranhamente poético.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024
Uma breve visão sobre Portugol para IBM Mainframe
domingo, 4 de fevereiro de 2024
☕🚀 PADAWAN, O QUE É VENDOR LOCK-IN?
| Bellacosa Mainframe e o problema do vendor lock-in |
☕🚀 PADAWAN, O QUE É VENDOR LOCK-IN?
Imagine que você comprou uma cafeteira que só aceita cápsulas de uma única marca.
Enquanto tudo funciona, parece ótimo. Mas quando você descobre que as cápsulas são caras, difíceis de encontrar ou a empresa muda as regras, trocar de sistema vira um pesadelo.
Isso é Vendor Lock-In.
Definição Simples
Vendor Lock-In (aprisionamento ao fornecedor) é a situação em que uma empresa se torna tão dependente de uma tecnologia, produto ou fornecedor específico que mudar para outro se torna caro, complexo ou praticamente impossível.
Em outras palavras:
"Entrar foi fácil. Sair virou uma missão impossível."
Exemplo do Mundo Mainframe
Imagine um sistema COBOL rodando há 30 anos:
Milhões de linhas de código
JCLs personalizados
CICS
DB2
RACF
Ferramentas de monitoramento específicas
Tudo foi construído para funcionar perfeitamente naquele ambiente.
Migrar para outra plataforma exigiria:
Reescrever aplicações
Treinar equipes
Alterar integrações
Testar tudo novamente
O custo pode chegar a dezenas ou centenas de milhões de dólares.
Resultado?
A empresa fica "presa" ao fornecedor.
Exemplos Modernos
Cloud Computing
Uma empresa usa:
AWS Lambda
DynamoDB
SQS
Step Functions
Quanto mais utiliza serviços exclusivos da AWS, mais difícil fica migrar para:
Azure
Google Cloud
Oracle Cloud
Banco de Dados
Aplicação criada usando recursos específicos do Oracle:
PL/SQL
Packages
Procedures proprietárias
Migrar para PostgreSQL pode exigir anos de trabalho.
ERP
Uma empresa adota um ERP gigantesco.
Após anos:
Processos foram customizados
Integrações foram criadas
Equipe foi treinada
Trocar de ERP pode ser mais caro que continuar usando o atual.
Como o Lock-In Acontece?
1. Tecnologia Proprietária
Somente aquele fornecedor possui a solução.
Exemplo:
Linguagem exclusiva
Banco de dados proprietário
APIs fechadas
2. Dados Difíceis de Exportar
Os dados ficam presos.
Você até consegue sair...
Mas não consegue levar tudo junto.
3. Alto Custo de Migração
O sistema funciona tão bem que reescrevê-lo custa uma fortuna.
4. Falta de Conhecimento
A equipe só conhece aquela tecnologia.
Treinar todos em outra plataforma custa tempo e dinheiro.
Vendor Lock-In é Sempre Ruim?
Não.
Muitas vezes ele é uma consequência natural do sucesso.
Se um banco investiu bilhões em uma plataforma que funciona perfeitamente:
Alta disponibilidade
Segurança
Performance
Talvez não faça sentido trocar.
Nesse caso, o lock-in é um risco controlado.
Como Reduzir o Vendor Lock-In?
Use Padrões Abertos
REST
JSON
XML
SQL padrão
Evite Recursos Exclusivos
Quanto mais código específico do fornecedor:
Mais difícil será sair depois.
Utilize Containers
Docker
Kubernetes
Facilitam mover aplicações entre ambientes.
Mantenha Documentação
Muitas empresas descobrem que não conseguem migrar porque ninguém sabe mais como o sistema funciona.
Curiosidade Histórica
O termo ganhou força nos anos 1980 e 1990, quando empresas começaram a depender fortemente de:
IBM
Oracle
Microsoft
SAP
Muitas organizações perceberam que o custo para trocar de fornecedor era maior do que o custo inicial da implementação.
☕ A Moral para o Padawan COBOL
Vendor Lock-In não significa que uma tecnologia é ruim.
Significa apenas que:
Quanto mais valor você constrói sobre uma plataforma, mais caro fica abandoná-la.
Isso vale para:
Mainframe
Cloud
ERP
Banco de Dados
IA
Ferramentas DevOps
Até mesmo linguagens modernas podem gerar lock-in.
A verdadeira arquitetura corporativa não busca eliminar completamente o Vendor Lock-In — isso é quase impossível. Ela busca entender, medir e controlar o nível de dependência do fornecedor, para que a empresa tenha opções quando precisar mudar de rumo. 🚀☕
Eastereggs
Sim. Embora o vendor lock-in nem sempre seja ruim, existem casos famosos em que a dependência excessiva de um fornecedor gerou enormes prejuízos, atrasos ou até fracassos de projetos.
☕🚀 1. O Caso Oracle e os Sistemas Legados Governamentais
Diversos governos ao redor do mundo construíram aplicações usando:
Oracle Database
Oracle Forms
Oracle Reports
PL/SQL
Após 15 ou 20 anos, descobriram que:
Licenças ficaram muito caras
Profissionais especializados eram raros
Migração era extremamente complexa
Em alguns casos, o custo da migração ultrapassava o custo de continuar pagando as licenças.
Resultado:
Milhões gastos apenas para manter sistemas antigos funcionando.
☕🚀 2. O Drama do VMware após a Broadcom
Em 2023 a Broadcom adquiriu a VMware.
Muitas empresas possuíam:
milhares de VMs
automações
processos
treinamento
inteiramente dependentes do ecossistema VMware.
Após mudanças de licenciamento, diversas organizações relataram aumentos expressivos nos custos de renovação. Muitas iniciaram projetos emergenciais para migrar para:
Hyper-V
Proxmox
Nutanix
OpenShift Virtualization
O problema?
Anos de dependência tornaram a saída lenta e cara.
☕🚀 3. O Windows Phone
A Microsoft criou um ecossistema próprio.
Desenvolvedores precisavam:
ferramentas específicas
APIs específicas
marketplace próprio
Quando a plataforma fracassou comercialmente:
milhares de aplicativos perderam valor
empresas tiveram que reescrever aplicações para Android e iOS
Foi um lock-in que terminou em um beco sem saída.
☕🚀 4. Salesforce Excessivamente Customizado
Muitas empresas adotaram Salesforce.
Depois de anos:
workflows complexos
Apex
integrações proprietárias
ficaram profundamente acoplados.
Em alguns casos a organização descobriu que:
Trocar de CRM custaria mais do que continuar pagando o Salesforce.
O fornecedor virou praticamente parte da arquitetura da empresa.
☕🚀 5. SAP e os Projetos Bilionários
Existem empresas que investiram centenas de milhões de dólares em customizações SAP.
Anos depois:
a versão ficou obsoleta
o fabricante mudou a estratégia
surgiu a necessidade de migrar para S/4HANA
Muitas organizações enfrentaram projetos enormes de conversão.
Algumas gastaram mais na migração do que no projeto original.
☕🚀 6. AWS e o "Cloud Shock"
Na década de 2010 muitas empresas migraram rapidamente para a AWS.
Utilizaram serviços exclusivos como:
Lambda
DynamoDB
Aurora
Step Functions
Anos depois perceberam que:
custos cresceram
negociar preços ficou difícil
migrar para Azure ou GCP exigiria reescrever aplicações inteiras
Nasceu o movimento chamado:
Cloud Repatriation
Ou seja:
trazer sistemas de volta para datacenters próprios.
☕🚀 7. O Fracasso do Google App Engine Original
Nos primeiros anos, o Google App Engine exigia uma arquitetura bastante específica.
Muitas aplicações foram escritas para aquele modelo.
Quando as necessidades cresceram:
migrar para outras clouds era complicado
várias empresas reescreveram aplicações inteiras
Foi uma das razões para a popularização dos containers e Kubernetes.
☕🚀 8. Lotus Notes
Quem viveu os anos 90 e 2000 conhece.
Muitas empresas criaram:
workflows
aplicações
bases documentais
inteiramente dentro do Lotus Notes.
Quando surgiu a necessidade de migrar:
milhares de aplicações precisaram ser convertidas
regras de negócio estavam escondidas nos bancos Notes
Alguns projetos levaram anos.
☕🚀 9. Mainframe: O Lock-In Mais Famoso (e Talvez o Mais Justificado)
Muitos executivos enxergam o Mainframe como exemplo clássico de lock-in.
Mas existe um detalhe interessante:
Os bancos normalmente permanecem porque:
funciona
é seguro
é rápido
processa bilhões de transações
Muitas tentativas de migração fracassaram porque o custo era gigantesco.
Um exemplo famoso foi o esforço de alguns bancos europeus e seguradoras que investiram centenas de milhões de euros em projetos de "saída do mainframe" e acabaram cancelando ou reduzindo o escopo após anos de trabalho.
O lock-in existia.
Mas o valor entregue pelo sistema também.
☕🚀 O Caso Mais Trágico: Quando o Fornecedor Morre
Existe algo ainda pior.
Imagine:
software proprietário
banco de dados proprietário
fabricante pequeno
A empresa fecha as portas.
Agora você possui:
sistema crítico
sem suporte
sem código-fonte
sem atualização
Isso aconteceu inúmeras vezes com ERPs regionais, softwares hospitalares e sistemas industriais.
Nesse momento o vendor lock-in vira um risco existencial.
☕ A Grande Lição
O maior prejuízo não ocorre quando você compra uma tecnologia proprietária.
O maior prejuízo ocorre quando você constrói toda a sua estratégia acreditando que nunca precisará sair dela.
Os maiores desastres de TI costumam acontecer quando a organização descobre, tarde demais, que:
"Entrar levou seis meses. Sair levará seis anos e custará dez vezes mais." 🚀☕
