☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta Facebook. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Facebook. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de março de 2026

🧠 E se Você Nunca Tivesse Escolhido Nada?

 

Bellacosa Mainframe lembra o perigo do algoritmo

🧠 E se Você Nunca Tivesse Escolhido Nada?

O dia em que descobriram que a democracia podia ser programada

Houve um momento silencioso — sem explosões, sem tanques nas ruas, sem discursos inflamados em praça pública — em que o poder mudou de mãos.

Não para governos.
Não para exércitos.
Não para corporações tradicionais.

Mas para algoritmos invisíveis rodando em data centers climatizados.

O escândalo da Cambridge Analytica não foi apenas um vazamento de dados. Foi um vislumbre de algo muito mais perturbador: a possibilidade de que nossas opiniões, votos e indignações possam ser engenheiradas como um sistema operacional social.

E talvez o mais assustador não seja o que aconteceu.
É o quanto aconteceu sem que percebêssemos.


🗳️ Cambridge Analytica: o laboratório da manipulação em massa

Quando veio à tona, parecia roteiro de ficção:

  • Dados de dezenas de milhões de perfis do Facebook coletados sem consentimento

  • Perfis psicológicos detalhados de eleitores

  • Microtargeting político personalizado

  • Mensagens diferentes para cada tipo de personalidade

  • Exploração de medos, inseguranças e preconceitos

Não era propaganda tradicional.
Era engenharia comportamental baseada em Big Data.

Se a propaganda antiga era um outdoor dizendo “Vote em mim”,
essa nova propaganda dizia:

“Sabemos exatamente do que você tem medo — e vamos amplificar isso.”

Não se tratava de convencer multidões.
Tratava-se de ativar gatilhos individuais em escala industrial.


Pessoas manipuladas por grupos

🇬🇧 Brexit: quando o impossível aconteceu

Antes do referendo, muitos analistas consideravam a saída do Reino Unido da União Europeia improvável.

Mas algo curioso aconteceu nas redes:

  • Grupos isolados passaram a receber mensagens altamente emocionais

  • Narrativas sobre imigração, soberania e medo foram intensificadas

  • Informações falsas e distorcidas circularam com velocidade viral

  • Pessoas começaram a viver em realidades informacionais paralelas

O resultado foi um choque global.

Não porque as pessoas votaram.
Mas porque ninguém entendia como a percepção coletiva havia mudado tão rapidamente.


📱 O problema não é o Facebook. É o modelo.

Redes sociais não são empresas de tecnologia.
São empresas de atenção humana.

O produto não é a plataforma.
O produto é você.

Quanto mais tempo você fica:

  • mais anúncios são exibidos

  • mais dados são coletados

  • mais previsível você se torna

  • mais fácil fica influenciar suas decisões

E algoritmos não são neutros.
Eles otimizam para engajamento.

E o que gera mais engajamento?

Não é informação equilibrada.
Não é nuance.
Não é reflexão.

É emoção forte.

Especialmente:

  • medo

  • raiva

  • indignação

  • tribalismo

  • sensação de ameaça


⚠️ O advento da extrema direita (e esquerda) cibernética

Importante: o fenômeno não pertence a um lado político específico.

Grupos radicais de qualquer espectro descobriram algo poderoso:

Redes sociais permitem mobilização emocional instantânea sem mediação institucional.

Sem imprensa.
Sem academia.
Sem debate estruturado.
Sem filtros.

A consequência é a ascensão de movimentos:

  • altamente organizados online

  • descentralizados

  • movidos por narrativas simples e polarizadoras

  • imunes a fatos contraditórios

Uma espécie de guerrilha informacional permanente.


🫧 Bolhas informacionais: a prisão invisível

Os algoritmos aprendem com você.

Se você clica em um tipo de conteúdo, eles mostram mais do mesmo.
Até que, gradualmente, você passa a viver em um universo coerente… porém incompleto.

Isso cria a chamada percepção seletiva reforçada:

  • Você só vê opiniões semelhantes às suas

  • A discordância parece rara ou absurda

  • O outro lado parece irracional ou mal-intencionado

  • A polarização aumenta

Não porque o mundo mudou.
Mas porque o seu feed mudou.


🤖 O perigo do algoritmo não é o controle direto

Ninguém precisa mandar você pensar algo.

Basta:

  • mostrar certas coisas

  • ocultar outras

  • priorizar conteúdos específicos

  • amplificar emoções

  • modular o ritmo da exposição

É como ajustar parâmetros de um sistema:

INPUT: humano
PROCESSAMENTO: viés + emoção + repetição
OUTPUT: opinião aparentemente espontânea

Você sente que escolheu.

Mas será que escolheu mesmo?


🧩 A manipulação perfeita é invisível

Ditaduras antigas usavam censura explícita.

O modelo moderno é mais elegante:

Não proibir informações.
Mas afogar a verdade em ruído.

Não controlar o que você pensa.
Mas influenciar o que você sente primeiro.

Porque decisões humanas raramente são racionais.
São emocionais, depois justificadas pela lógica.


🧠 E se o problema não for político, mas cognitivo?

Talvez estejamos vendo uma falha estrutural:

O cérebro humano evoluiu para tribos pequenas,
não para fluxos infinitos de informação personalizada.

Somos vulneráveis a:

  • histórias simples

  • inimigos claros

  • soluções fáceis

  • sensação de pertencimento

  • confirmação de crenças

Algoritmos apenas exploram isso com eficiência sobre-humana.


🔐 O paralelo que poucos fazem

Mainframes foram construídos com princípios fundamentais:

  • controle rigoroso de acesso

  • auditoria

  • rastreabilidade

  • governança

  • confiabilidade

  • responsabilidade clara

Já o ecossistema das redes sociais cresceu com a lógica oposta:

  • “mova rápido e quebre coisas”

  • crescimento acima de segurança

  • engajamento acima de qualidade

  • opacidade algorítmica

Imagine um sistema bancário operando com as regras do Twitter.

Assustador, não?


🕳️ O verdadeiro risco: a erosão silenciosa da realidade compartilhada

Democracias dependem de um elemento invisível:

um mínimo de consenso sobre o que é real.

Quando cada grupo vive em sua própria narrativa,
o diálogo vira conflito,
o debate vira guerra cultural,
e a política vira um jogo de soma zero.


❓ Pergunta final (e incômoda)

E se a maior ameaça não for uma conspiração centralizada…

Mas um sistema automático que amplifica tudo o que nos divide porque isso é lucrativo?


🧩 Talvez o futuro dependa de algo surpreendentemente simples

Alfabetização digital profunda.
Pensamento crítico.
Consciência sobre como somos influenciados.
Diversificação de fontes.
Desconforto intelectual deliberado.

Ou, em termos de engenharia:

Precisamos aprender a auditar o sistema operacional da nossa própria mente.


☕ Porque no fim…

A pergunta não é se os algoritmos podem influenciar eleições.
Isso já foi demonstrado.

A pergunta é muito mais perturbadora:

Quantas das suas opiniões são realmente suas…
e quantas foram apenas cuidadosamente cultivadas?

 

quinta-feira, 27 de março de 2025

O Metaverso Não Morreu. Apenas Saiu do Holofote.

 

Bellacosa Mainframe e a Morte do Metaverso

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Metaverso Não Morreu. Apenas Saiu do Holofote.

O que Todo Programador COBOL Padawan Pode Aprender com um dos Maiores Hypes da História da Tecnologia

Durante décadas trabalhando com IBM Z, existe uma habilidade que os veteranos desenvolvem quase sem perceber: aprender a distinguir tecnologia de marketing.

Para um programador COBOL padawan, isso pode parecer estranho. Afinal, quando abrimos o LinkedIn, acompanhamos conferências ou assistimos às grandes apresentações das gigantes da tecnologia, parece que uma nova revolução acontece a cada seis meses.

Ontem era Blockchain.

Depois vieram NFTs.

Logo em seguida o Metaverso.

Hoje quase tudo gira em torno da Inteligência Artificial Generativa.

A pergunta inevitável é:

O que aconteceu com o Metaverso?

Como algo que parecia ser o futuro inevitável da humanidade simplesmente desapareceu das manchetes?

A resposta é muito mais interessante do que parece.

E, curiosamente, essa história tem muito a ensinar para quem trabalha com COBOL, Db2, CICS, IMS e IBM Z.

Pegue sua caneca de café.

Hoje vamos viajar por uma das maiores montanhas-russas tecnológicas do século XXI.


O Ciclo que Todo Veterano Conhece

Quem entrou recentemente no mundo da tecnologia acredita que os modismos atuais são inéditos.

Não são.

Os veteranos já assistiram exatamente ao mesmo filme inúmeras vezes.

Na década de 1980 era a Inteligência Artificial baseada em sistemas especialistas.

Nos anos 1990, Client/Server prometia substituir completamente os mainframes.

Depois vieram Java Applets, XML, SOA, Grid Computing, Web 2.0, Big Data, Cloud Computing, Blockchain, IoT, NFTs...

Cada geração ganha seu próprio "fim da computação como conhecemos".

O curioso é que quase nenhuma dessas tecnologias desapareceu completamente.

O que desapareceu foi o exagero.

Esse fenômeno possui até nome.

Gartner Hype Cycle

O Gartner popularizou um gráfico chamado Hype Cycle, que descreve o comportamento psicológico do mercado diante de novas tecnologias.

As etapas normalmente seguem este padrão:

  • Gatilho tecnológico

  • Pico das expectativas infladas

  • Vale da desilusão

  • Rampa da iluminação

  • Platô de produtividade

O Metaverso percorreu praticamente esse roteiro completo em poucos anos.


Quando Tudo Começou

Embora mundos virtuais existam há décadas, o termo "Metaverso" nasceu muito antes.

Em 1992, Neal Stephenson publicou o romance Snow Crash.

Ali apareceu um universo virtual persistente onde pessoas utilizavam avatares para trabalhar, estudar, negociar e socializar.

Décadas depois surgiram iniciativas como:

  • Active Worlds

  • Habbo Hotel

  • There.com

  • Second Life

Aliás...

Easter Egg Bellacosa

Muita gente acredita que o Metaverso começou com Zuckerberg.

Não.

Quem viveu os anos 2000 lembra perfeitamente do Second Life.

Naquela época empresas abriram escritórios virtuais.

Universidades criaram campi digitais.

Governos experimentaram atendimento virtual.

Até bancos brasileiros montaram agências dentro do Second Life.

A história simplesmente voltou vinte anos depois... com hardware melhor.


O Grande Boom de 2021

Tudo mudou em outubro de 2021.

Mark Zuckerberg anunciou que o Facebook passaria a se chamar Meta.

A mensagem era clara:

O smartphone deixará de ser o principal computador.

O futuro seriam óculos de realidade virtual.

O vídeo de apresentação mostrava pessoas:

  • trabalhando

  • jogando

  • estudando

  • comprando

  • participando de shows

  • visitando escritórios

Tudo dentro do Metaverso.

Parecia inevitável.


O Efeito Manada

A partir desse momento aconteceu algo conhecido na economia como FOMO (Fear Of Missing Out).

Ninguém queria ficar para trás.

Empresas que nunca haviam trabalhado com realidade virtual passaram a anunciar:

  • Estratégia para Metaverso

  • Loja no Metaverso

  • Banco no Metaverso

  • Universidade no Metaverso

  • Shopping Virtual

  • Eventos Imersivos

  • Escritório Virtual

Em muitos casos, nem mesmo os executivos conseguiam explicar exatamente qual problema aquilo resolveria.


Quando o Marketing Corre Mais Rápido que a Engenharia

Existe uma diferença enorme entre:

Resolver um problema.

e

Procurar um problema para justificar uma tecnologia.

Infelizmente, boa parte do Metaverso caiu na segunda categoria.

Criavam mundos tridimensionais para executar tarefas que já funcionavam muito bem em uma tela comum.

Imagine responder um e-mail.

Hoje:

  • abrir notebook

  • escrever

  • enviar

No Metaverso:

  • colocar headset

  • calibrar sensores

  • criar avatar

  • entrar em um prédio virtual

  • caminhar até uma mesa

  • abrir um notebook virtual

  • digitar usando controles

Era muito mais complexo.


O Hardware Ainda Não Estava Pronto

Outro problema era físico.

Os primeiros headsets apresentavam limitações importantes.

  • pesados

  • caros

  • pouca autonomia

  • aquecimento

  • desconforto após algumas horas

Jogar durante quarenta minutos era divertido.

Trabalhar oito horas...

Nem tanto.


O Mundo Voltou ao Escritório

Durante a pandemia, tudo parecia fazer sentido.

Todos estavam em casa.

Videoconferências explodiram.

Parecia natural imaginar uma evolução para ambientes totalmente virtuais.

Mas a pandemia terminou.

As empresas descobriram que Zoom, Teams e Meet resolviam 95% das necessidades.

Com apenas um clique.


Os Avatares Viraram Meme

Outro fator inesperado foi o impacto visual.

Os primeiros ambientes da Horizon Worlds possuíam gráficos bastante simples.

Os avatares sem pernas tornaram-se alvo constante de piadas.

Bilhões de dólares haviam produzido personagens que muita gente comparava a videogames de quinze anos antes.

Na Internet, memes espalham-se mais rápido que campanhas publicitárias.


NFTs Entraram na Mesma Onda

O azar do Metaverso foi crescer junto com outro fenômeno extremamente especulativo.

Os NFTs.

Logo apareceram manchetes sobre:

  • terrenos virtuais vendidos por milhões

  • bolsas digitais

  • roupas digitais

  • mansões digitais

Quando a bolha especulativa estourou, o Metaverso acabou sendo arrastado junto na percepção pública.


Então Chegou um Pequeno Chat

Novembro de 2022.

OpenAI lança o ChatGPT.

Em poucas semanas, aconteceu algo impressionante.

A conversa mundial mudou completamente.

Antes:

  • Web3

  • NFTs

  • Metaverso

Depois:

  • LLM

  • Prompt Engineering

  • Agentes

  • RAG

  • Copilots

  • IA Generativa

A diferença era simples.

A IA produzia resultados imediatamente.

Qualquer pessoa conseguia experimentar.

Em poucos minutos já economizava horas de trabalho.

O valor era evidente.


O Metaverso Fracassou?

Depende.

Como plataforma universal?

Ainda não aconteceu.

Como tecnologia?

Muito pelo contrário.

Ele continua evoluindo silenciosamente.

Hoje encontramos realidade virtual em:

  • treinamento industrial

  • medicina

  • engenharia

  • arquitetura

  • petróleo

  • mineração

  • defesa

  • educação

Em vez de substituir toda a Internet, tornou-se excelente para casos específicos.


Os Digital Twins

Talvez o maior vencedor dessa história.

Imagine possuir uma cópia virtual completa de uma refinaria.

Antes de alterar um equipamento real, testa-se tudo na versão digital.

Economiza milhões.

Evita acidentes.

Reduz riscos.

Isso é um Digital Twin.

E funciona extremamente bem.


O Que Isso Tem a Ver com IBM Z?

Muito mais do que parece.

Enquanto muitos anunciavam o fim do Mainframe, o IBM Z seguia processando:

  • cartões de crédito

  • PIX

  • bolsas de valores

  • companhias aéreas

  • seguros

  • previdência

  • bancos

O curioso é que o Mainframe nunca precisou de hype.

Ele sempre viveu daquilo que realmente importa.

Resultados.


O Hype Nunca Pagou um Salário

Existe uma frase famosa entre veteranos:

Buzzwords não processam folha de pagamento.

Quem processa é o sistema.

O mesmo vale para:

  • Db2

  • IMS

  • CICS

  • MQ

  • JES2

  • RACF

  • WLM

Nenhum deles costuma virar manchete.

Mas continuam sustentando parte significativa da economia mundial.


Uma Lição para o Padawan COBOL

Quando surgir a próxima tecnologia revolucionária, faça quatro perguntas.

1. Que problema ela resolve?

Se ninguém consegue responder...

Desconfie.


2. Quanto dinheiro ela economiza?

Tecnologia corporativa existe para gerar valor.

Não apenas para impressionar.


3. Quem já utiliza em produção?

Protótipos são interessantes.

Produção é outra história.


4. Ela complementa ou substitui?

A maioria das revoluções tecnológicas acaba coexistindo com sistemas anteriores.

Cloud não eliminou Mainframe.

Linux não eliminou UNIX.

IA não eliminou programadores.

O Metaverso também não eliminou notebooks.


Curiosidades

Pouca gente sabe que:

  • O conceito de Metaverso nasceu em um romance de ficção científica.

  • O Second Life já possuía economia própria muitos anos antes da Meta.

  • Diversas universidades brasileiras experimentaram salas virtuais ainda nos anos 2000.

  • Empresas automobilísticas utilizam realidade virtual para projetar veículos completos.

  • Cirurgiões treinam procedimentos complexos utilizando ambientes imersivos.

  • A NASA utiliza realidade virtual em diversos treinamentos.

  • O setor militar investe em simulações imersivas há décadas.

Ou seja...

A tecnologia nunca deixou de existir.

Apenas deixou de ser manchete.


Easter Egg Mainframe

Imagine explicar para um operador de 1985:

"Um dia existirão bilhões de pessoas usando celulares mais poderosos que supercomputadores da época para entrar em um escritório virtual onde conversarão sobre como substituir o Mainframe..."

Provavelmente ele responderia:

"Enquanto isso, quem vai processar o fechamento bancário?"

Quarenta anos depois...

A resposta continua sendo, em muitos casos:

O IBM Z.


A História Sempre se Repete

A computação possui memória curta.

A cada poucos anos surge uma tecnologia apresentada como inevitável.

Depois surgem artigos dizendo que tudo mudou.

Alguns anos mais tarde, a tecnologia encontra seu verdadeiro lugar.

Foi assim com:

  • Internet

  • Java

  • XML

  • SOA

  • Cloud

  • Containers

  • Kubernetes

  • Blockchain

  • Metaverso

Muito provavelmente acontecerá o mesmo com várias tendências atuais da IA.

Não porque sejam ruins.

Mas porque o mercado separa, com o tempo, aquilo que gera valor daquilo que era apenas expectativa.


A Verdadeira Moral da História

Existe uma enorme diferença entre inovação e moda.

A moda vende manchetes.

A inovação resolve problemas.

O Metaverso ensinou que nenhuma campanha de marketing consegue substituir um caso de uso convincente.

Também mostrou que o entusiasmo coletivo pode acelerar investimentos, mas não altera as leis da engenharia, da ergonomia ou da economia.

Para o programador COBOL padawan, fica uma lição valiosa: não se deixe levar apenas pelas buzzwords. Estude as novidades, experimente novas ferramentas, acompanhe IA, realidade virtual e computação espacial, mas desenvolva o olhar crítico de quem pergunta primeiro "qual problema isso resolve?". Essa mentalidade é justamente a que permitiu ao IBM Z permanecer relevante por mais de seis décadas.

No fim das contas, o Metaverso não desapareceu. Ele apenas deixou de ser um espetáculo de marketing para se tornar aquilo que toda tecnologia madura deveria ser: uma ferramenta útil quando faz sentido, invisível quando está cumprindo bem o seu papel.

E talvez essa seja a maior vitória que uma tecnologia possa alcançar.


sexta-feira, 19 de julho de 2024

O Fator Brasil — ou como o brasileiro entra numa plataforma estrangeira, muda os móveis de lugar, abre a geladeira e pergunta se pode ficar

 


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Fator Brasil — ou como o brasileiro entra numa plataforma estrangeira, muda os móveis de lugar, abre a geladeira e pergunta se pode ficar

Orkut, Facebook, WhatsApp, ChatGPT e a extraordinária capacidade nacional de olhar para uma tecnologia cuidadosamente projetada e dizer: “legal… mas dá para usar de outro jeito?”

Existe uma velha lenda da internet brasileira segundo a qual o Brasil matou o Orkut.

Não apenas usou.

Não apenas gostou.

Não apenas criou conta.

Matou.

A versão folclórica da história conta que os americanos construíram uma bela rede social, entraram nela de sapatos limpos, começaram a conversar educadamente e, de repente, ouviram um barulho vindo do corredor.

Era o Brasil.

Entramos carregando cadeira de plástico, caixa de cerveja, foto do cachorro, corrente de amizade, comunidade chamada “EU ODEIO ACORDAR CEDO”, depoimento escrito “NÃO ACEITA!!!”, quinze scraps e um sujeito perguntando:

— Alguém sabe quem visitou meu perfil?

O americano teria olhado aquilo tudo, colocado lentamente o chapéu e ido embora.

É uma ótima história.

Também não é exatamente verdadeira.

Mas as melhores lendas possuem justamente essa característica: mentem nos detalhes para contar uma verdade maior.

E a verdade maior é que o Brasil possui uma relação curiosíssima com tecnologia social.

Recebemos uma ferramenta.

Lemos aproximadamente 17% das instruções.

Testamos 31% das funcionalidades.

Ignoramos o resto.

E imediatamente começamos a procurar:

“Tá, mas o que MAIS dá para fazer com isso?”

E assim começa nossa pequena história.

Com direito a Orkut, Facebook, WhatsApp, inteligência artificial, diarista fazendo prompt, geladeira conversando com ChatGPT e, naturalmente, os irmãos Marx imaginários tentando administrar o datacenter.



🎬 ATO I — Entra Orkut pela porta. Brasil entra pela janela.

O Orkut nasceu em janeiro de 2004 como um projeto experimental dentro do Google, criado pelo engenheiro Orkut Büyükkökten.

Não era “a rede social brasileira”.

Não foi concebido em Campinas.

Não nasceu numa lan house de Osasco.

Não havia no documento de arquitetura uma seção chamada:

3.7 — REQUIREMENTS FOR BRAZIL

- permitir ciúme retroativo
- suportar depoimento com "NÃO ACEITA"
- criar comunidades desnecessariamente específicas
- permitir stalking sem nomenclatura oficial
- causar término de namoro

Nada disso.

E mesmo assim os brasileiros chegaram.

Chegaram muito.

O próprio Google reconheceria depois que, ainda em 2004, brasileiros representavam aproximadamente dois terços dos usuários do Orkut. Anos mais tarde, a dimensão local se tornou tão grande que, em 2008, a administração da rede foi transferida para o Google Brasil.

Pare um instante para apreciar o absurdo.

Uma empresa americana cria uma rede.

Brasileiros entram em massa.

Quatro anos depois:

“Muito bem. Agora vocês cuidam disso.”

É quase como convidar um grupo para uma festa, perceber às três da manhã que eles reorganizaram a casa inteira e finalmente entregar-lhes a escritura.


🇧🇷 O Orkut não foi usado. Foi apropriado.

Essa é a palavra importante.

Apropriação.

O brasileiro não apenas utilizou as funções oferecidas.

Criou novos significados sociais para elas.

Comunidade deveria reunir pessoas interessadas num assunto.

Brasileiro:

“Excelente. Então vou entrar em 482 comunidades para explicar quem eu sou.”

De repente, o perfil psicológico de uma pessoa era:

Eu amo chocolate.

Eu odeio falsidade.

Eu abro a geladeira para pensar.

Eu nunca terminei uma borracha.

Eu finjo que entendi.

Isso não era participação comunitária.

Era praticamente um JSON emocional humano.

{
  "personalidade": [
    "odeia segunda-feira",
    "ama pizza",
    "tem preguiça",
    "odeia gente falsa"
  ]
}

E havia os scraps.

Originalmente, um mural de mensagens.

No Brasil?

Chat.

Recado.

Paquera.

Investigação conjugal.

Prova criminal informal.

Briga.

Reconciliação.

E espionagem romântica de baixa tecnologia.



💌 E então o brasileiro inventou o protocolo NÃO ACEITA

O recurso depoimento tinha uma função razoavelmente clara: alguém escrevia uma mensagem sobre você e você aprovava antes que ela aparecesse publicamente.

Brasileiros observaram o fluxo e tiveram uma epifania.

— Peraí.

— O quê?

— Antes de publicar, a pessoa recebe a mensagem?

— Sim.

— E pode ler?

— Pode.

— Então isso é mensagem privada.

— Não exatamente.

Agora é.

😂

Nasceu assim uma das mais belas gambiarras sociais da história digital brasileira:

“NÃO ACEITA ESSE DEPOIMENTO!!!”

A pessoa recebia.

Lia.

Não aceitava.

Pronto.

Tínhamos inventado um uso clandestino de uma funcionalidade perfeitamente legítima.

Nenhum hacker precisou explorar buffer overflow.

Bastou explorar o brasileiro.


🧠 Isso é hacking de affordance

Em design existe a ideia de affordance: aquilo que a forma de uma ferramenta sugere ou permite fazer.

Uma cadeira serve para sentar.

Mas também segura uma porta.

Serve como escada improvisada.

Pode apoiar roupa.

Em circunstâncias específicas, pode virar arma num boteco.

Brasileiros fizeram isso com software.

O Orkut dizia:

“Esta funcionalidade serve para X.”

O usuário respondia:

“Interessante. Mas descobri que também serve para Y.”

O Google talvez pensasse:

Comunidade = fórum.

Brasil:

Comunidade = identidade pessoal.

Google:

Scrapbook = mural.

Brasil:

Scrapbook = WhatsApp pré-histórico.

Google:

Depoimento = recomendação pública.

Brasil:

Depoimento = mensagem privada com confirmação manual.

É maravilhoso.


🐴 A lenda: “O Brasil matou o Orkut”

Agora chegamos ao folclore.

Durante anos circulou a ideia de que o Orkut teria morrido internacionalmente porque os brasileiros o dominaram tanto que os demais usuários foram embora.

É difícil provar essa relação causal.

Não existe comunicado do Google dizendo:

“Estamos encerrando o Orkut porque chegaram brasileiros demais.”

Seria um documento extraordinário.

Não existe.

Quando anunciou o encerramento em 2014, o Google apresentou uma explicação empresarial: YouTube, Blogger e Google+ haviam crescido mais, e a empresa decidiu concentrar recursos nessas plataformas. O Orkut foi oficialmente desligado em 30 de setembro de 2014.

Portanto:

❌ FATO NÃO COMPROVADO

“Brasileiros mataram o Orkut.”

Mas...

✅ FATO DOCUMENTADO

Brasileiros dominaram profundamente a plataforma.

Em 2017, ao encerrar inclusive o arquivo histórico das comunidades, o próprio Google escreveu que o Brasil havia sido, de longe, o país que mais se entusiasmara e mais conteúdo produzira no Orkut.

E quando o serviço terminou, o arquivo público continha algo monstruoso:

51 milhões de comunidades.

120 milhões de tópicos.

mais de 1 bilhão de interações.

Isso não é uma rede social.

Isso é um sítio arqueológico.


🎩 Groucho entra no datacenter

— Quem são todos esses usuários?

— Brasileiros.

— Quantos?

— Milhões.

— O que estão fazendo?

— Não sabemos.

— Desligue.

— Eles criaram uma comunidade chamada “EU ODEIO QUANDO DESLIGAM O ORKUT”.

— Então deixe ligado.


📘 ATO II — Facebook chega dizendo “agora é profissional”

Durante algum tempo, o Facebook olhou para o Brasil de fora.

No resto de boa parte do mundo, avançava furiosamente.

No Brasil havia um problema.

Chamava-se:

Orkut.

Em outubro de 2011, o Brasil ainda estava entre apenas sete mercados analisados pela Comscore onde o Facebook não liderava redes sociais.

Imagino a reunião:

— Zuckerberg, temos um problema.

— Qual?

— Brasil.

— Quantos usuários?

— Muitos.

— Então qual é o problema?

— Eles estão em outro lugar.

— Mande buscá-los.


🚚 2011: a mudança

Aconteceu então uma das migrações digitais mais rápidas da história brasileira.

Em dezembro de 2011, o Facebook alcançou 36,1 milhões de visitantes brasileiros, crescendo 192% em apenas um ano, e finalmente ultrapassou o Orkut, que tinha 34,4 milhões segundo a Comscore.

Mas o mais interessante não foi o brasileiro mudar de endereço.

Foi levar a mobília cultural junto.

O Orkut foi embora.

O comportamento não.

Comunidades viraram grupos.

Scraps viraram mural e comentários.

Indiretas permaneceram indiretas.

Fotografia de festa continuou fotografia de festa.

Discussão continuou discussão.

Corrente continuou corrente.

O brasileiro não migrou simplesmente para o Facebook.

Levou o Orkut dentro da mala.


🇺🇸 “Welcome to Facebook”

🇧🇷:

“Obrigado. Onde fica o grupo da família?”

— Não existe ainda.

“Agora existe.”

— E esse grupo de venda de geladeira?

“Também.”

— E por que estão discutindo política numa fotografia de cachorro?

“Longa história.”


🤡 O algoritmo encontra o brasileiro

Existe também outra lenda persistente: a de que Facebook e outros serviços teriam tentado reduzir ou controlar o chamado “fator Brasil”.

É uma história divertida.

Mas precisa de cuidado.

Não temos documentação séria demonstrando que o algoritmo do Facebook tenha sido explicitamente criado para “diminuir brasileiros” como grupo nacional.

O que existiu, naturalmente, foram mecanismos contra spam, conteúdo repetitivo, comportamento coordenado, abuso e excesso de distribuição.

E brasileiros sempre estiveram extraordinariamente presentes em alguns desses comportamentos.

Daí nasce facilmente a narrativa:

“O algoritmo está tentando nos segurar.”

Talvez.

Ou talvez o algoritmo estivesse apenas tentando impedir que alguém publicasse:

“COLE ISSO EM 20 MURAIS OU VOCÊ TERÁ 7 ANOS DE AZAR.”

quarenta milhões de vezes.


📱 ATO III — Então apareceu algo ainda mais brasileiro que o Facebook

WhatsApp.

E nesse momento ocorreu uma transformação importante.

O Facebook era uma praça pública.

WhatsApp parecia uma mesa de bar.

E brasileiro entende imediatamente a arquitetura de uma mesa de bar.

Você chama quem quiser.

Manda áudio.

Interrompe o assunto.

Cria outro assunto.

Volta ao primeiro.

Mostra fotografia.

Manda piada.

Discute futebol.

Compartilha receita.

Briga por política.

Sai.

Volta.

Diz:

“Não vou mais falar nada.”

E envia 17 mensagens adicionais.


🍺 Finalmente uma interface familiar

O WhatsApp não precisava ensinar brasileiros a criar comunidades sociais.

Nós já possuíamos:

família.

condomínio.

escola.

firma.

futebol.

igreja.

amigos do bar.

parentes que ninguém sabe exatamente de onde vieram.

Foi somente colocar cada estrutura num grupo.

Assim nasceu o patrimônio cultural:

FAMÍLIA ❤️🙏 — SEM POLÍTICA

Aproximadamente 14 minutos depois:

política.


🔊 E apareceu o áudio

Aqui talvez tenha ocorrido a integração definitiva.

Digitar exige planejamento.

Áudio permite pensar enquanto fala.

Ou não pensar.

Frequentemente não pensar.

A mensagem começa:

“Então, eu só queria dizer rapidinho...”

Duração:

8 minutos e 43 segundos.

Esse recurso praticamente eliminou a última barreira de alfabetização tecnológica para muita gente.

Não precisava dominar teclado.

Não precisava escrever bem.

Não precisava aprender linguagem de computador.

Bastava:

apertar e falar.

E quando uma tecnologia chega nesse estágio, ela começa a desaparecer enquanto tecnologia.

Ela vira rotina.


🤖 ATO IV — Entra ChatGPT carregando um piano

Então aconteceu algo diferente.

Até aqui estávamos falando sobre ferramentas para:

humano ↔ humano

Orkut.

Facebook.

WhatsApp.

ChatGPT introduziu em escala popular:

humano ↔ máquina

Mas não máquina como formulário.

Não máquina como menu.

Não máquina como:

PRESSIONE 1 PARA FINANCEIRO.

Máquina como conversa.

Isso muda tudo.


🔎 Google dizia: aprenda a perguntar como máquina

Durante décadas fomos treinados a escrever:

receita bolo chocolate fácil

Em vez de:

“Tenho dois ovos, farinha, leite e aquele chocolate em pó que está aberto há seis meses. O que faço?”

Por quê?

Porque precisávamos adaptar nossa linguagem ao mecanismo de busca.

Com IA conversacional ocorre uma inversão.

A máquina tenta adaptar-se à nossa linguagem.

E isso, para uma cultura que adora adaptar ferramentas aos próprios hábitos, é dinamite.


🧹 A prova definitiva não está no congresso de inteligência artificial

Está na diarista.

Quando uma profissional sem qualquer obrigação de estudar ciência da computação já sabe dizer:

“Fiz minha foto do WhatsApp no ChatGPT.”

acabou.

A tecnologia atravessou a fronteira.

Ela pode não saber o que significa:

transformer.

token.

inference.

multimodal.

Não interessa.

Ela sabe:

“Manda minha foto e pede para melhorar, mas fala para não mudar meu rosto.”

Isso é conhecimento operacional.

Isso é prompt engineering popular.

Só não possui certificado.

Ainda.


📸 E então o prompt desaparece

A próxima etapa é ainda mais interessante.

Você não precisa escrever uma lista dos alimentos disponíveis.

Basta:

tirar uma fotografia da geladeira.

E perguntar:

“O que dá para fazer com isso?”

Isso é uma revolução silenciosa.

Porque a entrada do sistema deixa de ser uma representação textual cuidadosamente preparada.

A própria realidade vira prompt.

Problema numa planta?

Fotografa.

Parafuso desconhecido?

Fotografa.

Erro na tela?

Fotografa.

Roupa para combinar?

Fotografa.

Geladeira?

Fotografa.

Isso aproxima a IA daquela instituição tecnológica brasileira muito anterior à informática:

“Manda uma foto aí que eu vejo.”

😂


🇧🇷 E o Brasil já está entrando com os dois pés

Em 2026, a OpenAI passou a tratar o Brasil como mercado estratégico de maneira cada vez mais explícita. Dados divulgados pela empresa mostram forte expansão local, e pesquisas recentes indicam crescimento do país no ranking de mensagens por habitante do ChatGPT.

Em agosto de 2026, a OpenAI anunciou formalmente operações de negócios no país; informações divulgadas nessa ocasião apontaram crescimento expressivo do uso brasileiro e destacaram o país em áreas como geração de imagens e desenvolvimento com Codex.

Ou seja:

o fenômeno não é apenas impressão de boteco digital.

Existe escala.


🧠 O mais fascinante: brasileiro não precisa aprender “IA”

Esse talvez seja o ponto fundamental.

Para popularizar computadores, durante décadas ensinamos:

arquivos.

pastas.

menus.

botões.

comandos.

busca.

aplicativos.

Agora aparece uma interface cuja documentação principal pode ser resumida em:

“Fala o que você quer.”

Brasileiro:

“Só isso?”

— Sim.

“Posso mandar foto?”

— Pode.

“Áudio?”

— Também.

“Posso dizer que ficou uma merda e mandar refazer?”

— Sim.

Silêncio.

Então alguém ao fundo:

“CHAMA A TIA.”


👔 ATO V — LinkedIn: o local onde a IA começa a substituir o humano sem expulsá-lo

E chegamos ao episódio mais irônico.

O LinkedIn.

Uma rede construída essencialmente para pessoas exibirem:

experiência.

opinião.

carreira.

conhecimento.

personalidade profissional.

Então aparece IA generativa.

E milhões percebem:

“Posso pedir para ela escrever tudo isso por mim.”

Excelente.

O resultado?

Abra o feed.

Você verá:

I’m thrilled to announce...

I’m humbled to share...

Here are my five key takeaways...

This journey taught me that leadership is not about...

What do you think?

Depois outro.

Depois outro.

Depois outro.

É como entrar numa festa e descobrir que todos contrataram o mesmo ghostwriter.


🤖 O Grande Profissional Corporativo Modelo 7B

Antes:

— João, como foi o evento?

— Uma bagunça. O projetor morreu, o palestrante atrasou, um cara falou uma coisa genial no café e descobri que ninguém entende direito aquela arquitetura.

Depois da IA:

“Today I had the incredible opportunity to participate in an inspiring event alongside amazing professionals.”

CADÊ O JOÃO?

O João estava ali.

Entrou no prompt.

Saiu um release.

😂

Essa talvez seja uma consequência inesperada da massificação da IA:

quanto mais barato fica produzir perfeição, mais valiosa fica a imperfeição humana.

A história específica.

A frase torta.

O erro.

A piada.

A opinião incômoda.

O detalhe absurdo.

A experiência que realmente aconteceu.


🧬 O padrão brasileiro reaparece

Orkut:

“Posso usar isso diferente?”

Facebook:

“Posso trazer minhas práticas para cá?”

WhatsApp:

“Posso transformar isso em infraestrutura social?”

ChatGPT:

“Posso conversar com isso como converso com gente?”

Resposta:

sim.

A consequência é gigantesca.

Porque a IA não exige que brasileiros abandonem sua tendência de improvisar.

Ela recompensa improvisação.

Você começa:

“Faça X.”

Resultado ruim.

“Não gostei. Faz de outro jeito.”

Resultado melhor.

“Agora mantém isso, mas muda aquilo.”

Outro resultado.

“E se...?”

Pronto.

Estamos novamente naquele comportamento que conhecemos desde o Orkut:

testar o caminho não previsto.


🎹 Chico Marx chega ao departamento de Prompt Engineering

— Você sabe escrever prompt?

— Não.

— Então como conseguiu essa imagem?

— Pedi.

— Pediu como?

— Falei o que queria.

— Isso é prompt.

— Então sei.

— Você fez curso?

— Não.

— Certificação?

— Não.

— Badge?

— Também não.

— Quanto pagou?

— Nada.

— Segurança!


🧪 Talvez o verdadeiro “Fator Brasil” seja este

Não é apenas gostar de redes sociais.

Também não é simplesmente sermos comunicativos.

Muito menos alguma essência genética envolvendo samba, gambiarra e Wi-Fi.

É algo mais simples:

existe uma forte cultura de apropriação funcional.

A ferramenta chega com um manual dizendo:

“Use assim.”

O brasileiro pergunta:

“Mas funciona assado?”

Se funcionar:

acabou.

O comportamento se espalha.

Não necessariamente por curso.

Nem livro.

Nem documentação.

Por transmissão social.

“Minha prima faz assim.”

“O menino lá do trabalho mostrou.”

“Vi uma moça fazendo.”

“Manda desse jeito que funciona.”

Essa transmissão informal foi fundamental no Orkut.

Foi fundamental no WhatsApp.

E provavelmente será gigantesca na IA.


📡 Conhecimento tecnológico como fofoca

Isso merece uma disciplina acadêmica própria.

Imagine:

Engenharia de Software Tradicional

documentação → treinamento → certificação → uso.

Tecnologia Brasileira Informal

alguém descobre → mostra para vizinha → vizinha manda no grupo → sobrinha melhora → alguém grava vídeo → três milhões aprendem.

A documentação oficial chega depois perguntando:

“O que aconteceu aqui?”


🏴 O brasileiro finca a bandeira

Orkut não nasceu brasileiro.

Virou.

Facebook não nasceu brasileiro.

Foi ocupado.

WhatsApp não nasceu brasileiro.

Virou infraestrutura nacional.

ChatGPT não nasceu brasileiro.

Mas agora aparece em situações cada vez mais banais da vida cotidiana.

E esse é o indicador mais importante.

Uma tecnologia não está verdadeiramente popularizada quando aparece na capa de uma revista.

Está popularizada quando alguém diz:

“Pergunta pro ChatGPT.”

da mesma forma que dizia:

“Procura no Google.”

ou:

“Manda no zap.”

Quando chega nesse nível, o nome do produto quase deixa de importar.

Ele virou verbo cultural.


🏁 E quem matou o Orkut afinal?

Talvez ninguém.

Talvez o Orkut simplesmente tenha cumprido sua função histórica.

Foi laboratório.

Um lugar onde milhões de brasileiros descobriram que a internet não precisava ser apenas página para ler.

Podia ser:

identidade.

conversa.

tribo.

piada.

namoro.

briga.

arquivo.

fofoca.

praça.

Depois apareceu uma praça maior.

Facebook.

Depois apareceu uma mesa mais conveniente.

WhatsApp.

Agora apareceu algo completamente diferente:

um interlocutor artificial disponível o tempo todo.

Não substitui necessariamente WhatsApp.

Não precisa.

Ele disputa algo diferente:

tempo cognitivo.

Antes:

“Estou sem fazer nada. Vou abrir o Facebook.”

Depois:

“Vou olhar WhatsApp.”

Agora:

“Estou pensando numa coisa estranha... vou perguntar ao ChatGPT.”

E duas horas depois você está investigando a origem histórica do cocô do cavalo do bandido.

Não pergunte como chegamos ali.

É o Fator Brasil.


☕ Conclusão — O manual era apenas uma sugestão

Talvez o grande erro das empresas de tecnologia seja imaginar que controlam completamente o significado das ferramentas que criam.

Não controlam.

Criador determina arquitetura.

Usuário determina cultura.

Orkut Büyükkökten criou o Orkut.

Mas brasileiros ajudaram a decidir o que significava usar Orkut.

Facebook criou funcionalidades.

Usuários decidiram como transformá-las em vida cotidiana.

WhatsApp criou mensageria.

Brasileiros transformaram-na em central operacional da família, comércio, escola, empresa, namoro, condomínio e boteco.

OpenAI criou ChatGPT.

Agora pessoas comuns estão decidindo o que significa ter uma máquina conversacional no bolso.

E provavelmente estamos apenas no começo.

Porque um engenheiro ainda pensa:

“Que novos recursos devemos construir?”

Enquanto, em algum lugar do Brasil, alguém já abriu a câmera, fotografou uma coisa absolutamente não prevista no documento de requisitos e perguntou:

“Dá para fazer alguma coisa com isso?”

A máquina pensa.

Responde.

A pessoa olha.

E diz:

“Não. Faz diferente.”

Senhoras e senhores...

o Brasil chegou.

🇧🇷

E, se a história servir de referência, é melhor não perguntar para que aquela funcionalidade foi originalmente projetada.

Daqui a pouco ninguém mais lembrará.

O Orkut que o diga.



https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2020/01/a-deep-web-que-nao-era-deep-o-dia-em.html

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Black Friday: Serviço de Divulgação On-line



🔥🔥🔥   Promoção maluca de BLACK FRIDAY   🔥🔥🔥


.Utilizar ferramentas digitais como Google Maps, técnicas de SEO, Blogspot e páginas em redes sociais como LinkedIn, Facebook e Instagram traz inúmeras vantagens para empresas, profissionais e projetos que desejam aumentar sua visibilidade e atrair mais oportunidades. Quando usadas de forma integrada, essas plataformas fortalecem a presença online e ampliam o alcance do público.

O Google Maps é essencial para negócios locais, pois facilita que clientes encontrem a empresa, vejam avaliações, horários de funcionamento e entrem em contato rapidamente. Uma ficha bem otimizada transmite credibilidade e aumenta as chances de conversão, especialmente para quem pesquisa serviços próximos.

As técnicas de SEO permitem que sites e blogs apareçam melhor posicionados nos mecanismos de busca. Isso gera tráfego orgânico qualificado, ou seja, pessoas que já estão interessadas no tema, produto ou serviço. O SEO também melhora a experiência do usuário e fortalece a autoridade digital ao longo do tempo.

O Blogspot é uma plataforma simples e gratuita para criar blogs, ideal para publicar artigos, novidades e conteúdos informativos. Ele contribui para o SEO, ajuda a educar o público e mantém a marca ativa nos resultados de busca.

Já as páginas no LinkedIn são estratégicas para networking, negócios e posicionamento profissional. Elas reforçam a imagem institucional e conectam a marca a parceiros e clientes. O Facebook e o Instagram, por sua vez, ampliam o alcance por meio de conteúdos visuais, interação direta e engajamento constante. Juntas, essas ferramentas criam um ecossistema digital forte, aumentando visibilidade, confiança e resultados.


🕵️‍♂️  .. 100 compartilhamentos de conteúdo para até 60.000 pessoas


🔭 .. Google Maps para um endereço


🎩 .. Uma página web gratuita com domínio


☎️☎️   chame no zap 11.95491.3205


#PanfletagemVirtual #VagnerBellacosa #ElJefeMidnightLunch #BellacosaIndexPage




Seja visto no Facebook em 100 fan-pages por até 60.000 pessoas



Assine o serviço e ganhe grátis um Website no Google Blog



Alcance um publico maior.



Apareça no Google Maps




quarta-feira, 24 de abril de 2019

The Hichhicker In Spain : Facebook

Viaje a España



Vivendo por mais de uma decada na Europa, tive a oportunidade de conhecer a Espanha, um país rico em tradição e cultural, esta página é parte do meu testemunho através de fotos, videos no youtube, reportagens e materias de jornal, que venho postar aqui para partilhar um pouco de minhas viagens, espero que goste, deixe seu like, comentario, partilhe com os amigos e contribua. Obrigado: gracias y saludos...
.

link

#TheHichhikersInSpain #BellacosaIndexPage #VagnerBellacosa #ElJefeMidnightLunch #Spain #Madrid #Youtube #turismo #Viagem #Adventure #Game #RealMadrid #BellacosaViajaParaEspanha
.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Boteco Bellacosa Bar - Facebook

Boteco Online




Boteco Bellacosa Bar é uma página cuja missão é divulgar um pouco da cultura etílica, através de apresentação de bebidas, coquetéis, tipos de copos e aperitivos corretos, é uma página sem compromisso sério, apenas destinada a ser lúdica, partilhando o conhecimento e ajudando os amigos bebedores saírem-se bem nas estripulias nos botecos da vida, participe, comente, partilhe e deixe seu like.

OBRIGADO e bem vindos ao nosso boteco.

Visite nossa página no Facebook e deixe seu like


#BotecoBellacosaBar #Bar #boteco #drink #aperitivo#bellacosaindexpage #eljefemidnightlunch #BBB #VamosBeber

terça-feira, 2 de abril de 2019

The Hitchhikers in Portugal - Facebook

Aventuras em Portugal 


Em 2002 fui estudar na Universidade Técnica de Lisboa, gostei tanto daquela terra, que mesmo após a conclusão dos meus estudos, ainda fiquei por lá 11 anos, aproveitei para conhecer uma terra fantástica, cheia de cultura, historia antiga e medieval, muitos castelos e palácios... 

Desde  2002 até nossos dias...


Museus e vilas fantásticas, quintas que parecem saídas de contos de Eça de Queiroz ou Camilo Castelo Branco. Provei dos famosos vinhos, provei da fabulosa culinária e visitei varias dezenas de cidades e fotografei cada minimo detalhe. 


Conheci quase todos os distritos de Portugal continental, subi as montanhas e desci ao litoral, fiz o caminho português de Santiago de Compostela e me emocionei em Fátima.



Espero que goste, curta nossa página, partilhe as fotos e comente. Se tiver tempo assista os videos. Obrigado pela visita.


Visite nossa página no Facebook


#thehitchhikersInPortugal #eljefemidnightlunch #vagnerbellacosa #andarilho #viagens #portugal #turismo #aventura #viagem #lisboa #porto #vinho #bacalhau #sardinha #vinhoverde #alentejo #fotos

https://www.facebook.com/the.hitchhikers.in.Portugal/

sexta-feira, 29 de março de 2019

El Jefe Midnight Lunch - Facebook

Viagens e aventuras do El Jefe



El Jefe Midnight Lunch é uma página que foi criada para divulgar meu trabalho amador em videos no Youtube, fotografia de viagens, falar bobeiras, partilhar conteúdo. Minha pequena vitrine das loucas e emocionantes aventuras em mais de 4 décadas de viagens... foram mais de 25 países e mais de 500 cidades visitadas em 3 continentes. Espero poder ir mais longe, tudo depende das verbas, claro sempre elas... porém espero que curtam este cantinho, explorem com gosto, curta a página, assistam os videos, comentem e partilhem os conteúdos, prometo sempre partilhar com vocês estes momentos. Obrigado pela sua visita.
.
#eljefemidnightlunch #bellacosaindexpage #vagnerbellacosa #viagenseaventuras #andarilho #fotos #filmes #videos #youtubers #youtube #divulgacaodecanal #compartilhamento #adventures #street #walking #building #places #museuns #photo #cine #movie #hollywood #passeio #trilhas #esportes #radicais #free #gratis
.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Psicoterapia Virtual Itatiba - Facebook

Psicoterapia Virtual Itatiba


Conheça a nossa página no Facebook


Psicoterapia Virtual tem como missão partilhar conhecimento, links, imagens, videos sobre a Terapia e suas diversas vertentes, com o intuito de ajudar a todos na busca para um caminho que torne nossas vidas melhor, vivemos dias difíceis em que os transtornos mentais são cada vez piores, mais difíceis e complexos, Participe de nossa página da melhor maneira que quiser. Seja bem-vindo. Deixe seu like, navegue e descubra assuntos do seu interesse.
.
#PsicoterapiaVirtualItatiba #Freud #Jung #id #mente #complexo #tda #toc #suicidio #saudemental #autoajuda #coach #adventures #BellacosaPsicoterapeuta #eljefemidnightlunch #bellacosaindexpage #vagnerbellacosa #mente #mentesacorposao
.
https://www.facebook.com/Psicoterapia.Virtual.Itatiba


quarta-feira, 27 de março de 2019

Pães e panifacação no Facebook

Pães e Panificação 


Visite e veja algumas receitas deliciosas


Venha conhecer nossa página sobre pães caseiros e artesanais, são diversas dicas sobre cursos, receitas, farinhas e fermentos, participe conosco, deixe sua curtida, comentario, partilhe e publique. Ajude-nos a crescer. Obrigado Pão Paãooooo
.
#PaesEPanificacao #paozinho #BellacosaIndexPage #Partilhe #ReceitasCaseiras #Artesanal #MasterchefBR #Pao #Padeiro #Padaria #Crescer #trabalho #riqueza #saude #fitness
.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Grupos Parceiros

Paginas Parceiras - Lote 6


Bellacosa Mainframe e os parças


Paginas Parceiras - Lote 6





















☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Páginas Parceiras — Arquivo Histórico Bellacosa

Coleção histórica de páginas, comunidades, parceiros e referências reunidas pelo El Jefe Midnight Lunch. Navegue pelos seis lotes de páginas parceiras publicados no arquivo do blog.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...