🔥 Conhecimento básico sobre aplicações distribuídas – um guia para mainframers que sobreviveram ao monólito
1️⃣ Introdução: quando o monólito saiu da jaula
Mainframer raiz conhece bem o monólito confiável: CICS firme, DB2 consistente, batch noturno pontual como relógio suíço. Durante décadas, aplicação distribuída era vista como “coisa de Unix instável” ou “modinha client-server”.
Mas o mundo girou. A web cresceu, o mobile explodiu, a nuvem virou padrão e, de repente, o monólito começou a ser fatiado em serviços. Nasciam as aplicações distribuídas — e com elas, novos problemas… e velhos conceitos que o mainframe já conhecia muito bem.
💡 Easter egg: se você já lidou com VTAM, MQSeries e sysplex, você já entendeu aplicações distribuídas… só não sabia o nome moderno disso.
2️⃣ O que são aplicações distribuídas (sem buzzword)
Uma aplicação distribuída é aquela em que:
O processamento ocorre em vários nós
Cada parte da aplicação pode rodar em máquinas, containers ou regiões diferentes
A comunicação acontece por rede, não por memória compartilhada
Exemplos modernos:
Microservices em Kubernetes
APIs REST + filas (Kafka, MQ, RabbitMQ)
Frontend web → backend → banco → cache → serviços externos
No fundo, é o velho conceito de desacoplamento, agora amplificado.
3️⃣ Paralelos diretos com o mundo mainframe 🧠
| Mundo Mainframe | Mundo Distribuído |
|---|---|
| CICS Transaction | Microservice |
| MQSeries | Event Streaming |
| Sysplex | Cluster |
| SMF / RMF | Telemetria / Observabilidade |
| Abend | Exception distribuída |
| Batch encadeado | Pipelines assíncronos |
👉 Conclusão Bellacosa: mainframers não estão atrasados — estão adiantados há 30 anos.
4️⃣ Principais desafios (spoiler: não são novos)
🔹 Latência
No mainframe, o gargalo era I/O.
No distribuído, é rede + serialização + hops excessivos.
🔹 Falhas parciais
No mundo distribuído:
“Se algo pode falhar, vai falhar, mas só um pedaço.”
Isso lembra:
Regiões CICS indisponíveis
LPAR isolada
Subsystem down às 03:12 😈
🔹 Consistência
Aqui entra o famoso CAP Theorem — mas mainframer chama isso de:
“Escolher entre disponibilidade e integridade quando o caldo entorna.”
5️⃣ Conceitos essenciais que todo mainframer deve dominar
✔️ Comunicação síncrona vs assíncrona
Síncrona: REST, RPC (espera resposta)
Assíncrona: filas, eventos, fire-and-forget
👉 MQ old school total.
✔️ Escalabilidade horizontal
Escalar mais instâncias, não máquinas maiores
(trauma de quem pedia upgrade de MIPS aprovado em comitê 😅)
✔️ Observabilidade
Logs
Métricas
Traces distribuídos
📌 Curiosidade: SMF foi o avô do tracing moderno.
6️⃣ Passo a passo mental para entender qualquer sistema distribuído
1️⃣ Identifique quais serviços existem
2️⃣ Veja como eles se comunicam
3️⃣ Descubra onde estão os pontos de falha
4️⃣ Analise latência e dependências
5️⃣ Verifique quem é o dono do dado
6️⃣ Observe como o sistema se comporta quando algo cai
🧨 Dica Bellacosa: desligue mentalmente um serviço e pergunte
“O que quebra primeiro?”
7️⃣ Guia de estudo para mainframers curiosos 📚
Conceitos
Microservices vs Monólito
Event-driven architecture
Observabilidade
Resiliência e retries
Ferramentas modernas (com alma antiga)
Instana / Dynatrace → RMF da nuvem
Prometheus → SMF open source
Kafka → MQSeries com esteroides
Kubernetes → Sysplex com YAML
8️⃣ Aplicações práticas no dia a dia
Integrar mainframe com APIs modernas
Expor transações CICS como serviços
Monitorar ambientes híbridos
Diagnosticar falhas ponta a ponta
Atuar como tradutor cultural entre legado e cloud
🎯 Mainframer que entende distribuído vira peça-chave.
9️⃣ Comentário final (meia-noite, café frio ☕)
Aplicações distribuídas não são o fim do mainframe.
São apenas o mesmo problema antigo, rodando em mais lugares, com nomes novos e menos disciplina.
Quem sobreviveu a:
Batch quebrado em fechamento
Deadlock às 02h
Região CICS instável em dia útil
…tem todas as credenciais para dominar o mundo distribuído.
🖤 El Jefe Midnight Lunch aprova:
legado não é atraso — é memória de guerra.
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