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quarta-feira, 15 de junho de 2016

COBOL no Apple II : Quando um Programador COBOL Descobre que DevOps Já Existia em 1982... Só Ainda Não Tinha Recebido um Nome Bonito para Colocar no LinkedIn

 

Bellacosa Mainframe e o Cobol no Apple II

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

COBOL no Apple II sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que DevOps Já Existia em 1982... Só Ainda Não Tinha Recebido um Nome Bonito para Colocar no LinkedIn

"And now for something completely different..."

Imagine a cena.

Ano de 1982.

Você é um jovem programador COBOL.

Usa gravata.

A manga da camisa está dobrada.

Existe um cinzeiro ao lado do terminal.

O café parece petróleo refinado.

O computador custa o equivalente ao PIB de um pequeno reino medieval.

Para compilar um programa...

...você praticamente precisa pedir autorização ao sacerdote do CPD.

Então aparece uma propaganda dizendo:

NO MORE WAITING.

("Chega de esperar.")

Nesse momento um engenheiro da IBM provavelmente derrubou o café.

Outro da Burroughs fingiu que não viu.

Um gerente da Honeywell começou a suar.

E um executivo da Micro Focus abriu uma garrafa de champanhe.

Porque aquela propaganda anunciava algo que mudaria completamente a forma de desenvolver sistemas comerciais.

Não.

Não era a chegada da Inteligência Artificial.

Nem do Cloud.

Nem do Kubernetes.

Era algo muito mais revolucionário.

Você podia compilar COBOL sentado na própria mesa.

Hoje isso parece ridiculamente normal.

Naquela época parecia magia negra.

Ou pior...

parecia concorrência.


Bellacosa Mainframe e o anuncio do Cobol para o Apple II

Antes de existir DevOps...

Existia EsperOps

O jovem programador de hoje reclama quando uma pipeline demora cinco minutos.

Cinco.

Minutos.

Em 1982...

cinco minutos era o tempo necessário apenas para encontrar o operador responsável pela fila de compilação.

Depois vinha:

  • esperar liberar a CPU

  • esperar o compilador

  • esperar o Link Edit

  • esperar gerar o Load Module

  • esperar alguém descobrir que você esqueceu um ponto final.

Imagine atravessar um oceano inteiro para descobrir que escreveu:

MOVE TOTAL TO VALOR

em vez de

MOVE TOTAL TO VALOR.

Volte amanhã.

Obrigado.

Próximo.


Hoje reclamamos porque o Jenkins ficou amarelo.

Naquela época...

o próprio programador ficava amarelo.


O verdadeiro significado de "No More Waiting"

O título da propaganda é brilhante.

Não vende COBOL.

Não vende Apple.

Não vende Micro Focus.

Vende...

tempo.

Toda tecnologia que realmente muda o mundo faz exatamente isso.

Ela devolve tempo ao ser humano.

A locomotiva devolveu tempo.

O avião devolveu tempo.

A Internet devolveu tempo.

O compilador local devolveu tempo.

Parece pouca coisa.

Mas não era.


O Apple II

Vamos falar desse pequeno herói improvável.

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Hoje olhamos para ele e pensamos:

"Que gracinha."

Mas em 1982...

era praticamente uma estação espacial.

Possuía incríveis...

48 KB.

Ou 64 KB.

Repita comigo.

Kilo.

Não Mega.

Muito menos Giga.

Nem Tera.

Kilo.

Hoje um emoji animado ocupa mais memória.


Mesmo assim...

ele conseguia desenvolver software bancário.

Pense nisso.


O preconceito contra micros

O anúncio diz:

"Agora você pode criar aplicações comerciais sérias."

Traduzindo para o português corporativo:

"Não, seu diretor... isso não é um videogame."

Naquela época existia uma ideia quase religiosa.

Mainframe era sério.

Microcomputador era brinquedo.

Era como dizer hoje:

"Vamos colocar o PIX para rodar num Raspberry Pi."

A primeira reação seria:

"...você está brincando?"


ANSI...

O Esperanto do COBOL

Uma das frases mais inteligentes da propaganda é:

COBOL é uma linguagem padrão.

Isso parece simples.

Não era.

Imagine o caos da época.

Cada fabricante tinha seu hardware.

Seu sistema operacional.

Seu compilador.

Seu dialeto.

Seu ego.

COBOL veio com uma proposta ousada.

"Vamos todos falar praticamente a mesma língua."

Foi uma espécie de latim da informática corporativa.

Por isso tantos sistemas sobreviveram décadas.


Micro Focus percebeu algo antes de todo mundo

A IBM vendia hardware.

A Burroughs vendia hardware.

A NCR vendia hardware.

Todo mundo brigava pelo computador.

A Micro Focus fez outra pergunta.

"E se o importante não for a máquina... mas o software?"

Essa pergunta vale bilhões de dólares.

Até hoje.


FORMS-2

O Low-Code que nasceu antes do termo existir

O anúncio fala bastante do FORMS-2.

Muita gente pensa:

"Ah...

um desenhador de telas."

Não.

Muito mais.

Era praticamente um ancestral dos ambientes RAD.

Você desenhava.

Ele gerava código.

Hoje chamamos isso de:

  • Low-Code

  • No-Code

  • Model Driven Development

  • Screen Builder

  • UI Designer

Na época chamava-se apenas...

FORMS-2.

Às vezes basta mudar o marketing.


O DevOps de 1982

Agora vem a parte divertida.

Sem perceber...

essa propaganda descreve praticamente um pipeline DevOps.

Observe.

Antes:

Escreve.

Entrega.

Espera.

Compila.

Espera.

Executa.

Espera.

Corrige.

Espera.

Hoje:

Git.

Commit.

Pipeline.

Teste.

Deploy.

Pronto.

Mudou a tecnologia.

A ideia continua exatamente igual.

Eliminar espera.


Um dia na vida de um programador COBOL em 1982

Imagine.

08h00.

Você chega.

Liga o Apple II.

Ele faz "BEEP".

Você sorri.

Seu colega olha com desprezo.

— "Isso nunca vai substituir um mainframe."

09h15.

Seu programa compila.

Primeira tentativa.

Sem fila.

Sem operador.

Sem JES2.

Sem pedir autorização.

Você sorri novamente.

Seu colega começa a ficar nervoso.

11h00.

Você já corrigiu quinze bugs.

Seu amigo do CPD ainda espera a compilação.

À tarde ele finalmente recebe:

IGYPS2123-S

Descobre que esqueceu um ponto.

Volta para a fila.


Curiosidade

Muitos programadores jovens acreditam que sempre existiram IDEs.

Não.

Durante muito tempo...

o editor era praticamente um bloco de notas glorificado.

Coloração de sintaxe?

Não.

Autocomplete?

Não.

Refactoring?

Nem em sonho.

Git?

Quem?


ISAM

O avô do VSAM

Outro detalhe maravilhoso da propaganda.

Ela fala de ISAM.

Hoje pouca gente comenta isso.

Mas praticamente todo banco de dados moderno herdou alguma ideia daqueles arquivos indexados.

O conceito era simples.

Guardar informação.

Criar índices.

Buscar rapidamente.

Hoje chamamos isso de índice B-Tree.

Na época...

era simplesmente ISAM.


A caixa do software

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Observe o tamanho da embalagem.

Ela parece conter um pequeno motor V8.

Na verdade continha:

  • manuais

  • referência ANSI

  • exemplos

  • formulários

  • disquetes

  • licença

Hoje baixamos tudo em dois minutos.

Naquela época...

comprava-se software quase como quem compra uma enciclopédia.

Aliás...

era praticamente uma.


Easter Egg nº 1

A frase

"No More Waiting"

poderia perfeitamente aparecer hoje em propaganda de:

  • GitHub Actions

  • GitLab CI

  • Jenkins

  • Azure DevOps

  • OpenShift Pipelines

Apenas trocariam o Apple II por Kubernetes.

O marketing continua igual.


Easter Egg nº 2

FORMS-2 provavelmente faria enorme sucesso hoje se fosse relançado com outro nome.

Algo como:

HyperAI Quantum Cloud Enterprise Low-Code Experience Platform™

Acrescentando IA em três lugares.

Naturalmente.


Easter Egg nº 3

O Apple II possuía menos memória que uma fotografia comum enviada pelo WhatsApp.

Mesmo assim...

desenvolvia sistemas comerciais.

Isso nos obriga a fazer uma pergunta desconfortável.

Será que realmente precisamos de 32 GB de RAM para abrir um editor de texto moderno?

Ou apenas aprendemos a desperdiçar memória com mais eficiência?


O verdadeiro legado

Muita gente olha para esse anúncio e vê nostalgia.

Eu vejo outra coisa.

Vejo o nascimento de uma filosofia.

Desenvolver perto do programador.

Não perto do computador.

Hoje usamos:

VS Code.

Git.

Docker.

OpenShift.

GitHub.

Jenkins.

Zowe.

IDz.

Tudo isso segue exatamente a mesma ideia.

O computador central continua existindo.

Mas o desenvolvimento acontece localmente.

Isso começou muito antes do DevOps ganhar nome.


O humor involuntário da propaganda

Existe algo deliciosamente britânico nisso tudo.

Imagine um sketch dos Monty Python.

Um cavaleiro entra correndo no castelo gritando:

— "Tenho uma novidade extraordinária!"

Todos param.

O rei pergunta:

— "Descobriram vida em Marte?"

— "Não."

— "Construíram um computador quântico?"

— "Também não."

— "Então o que houve?"

— "Agora conseguimos compilar COBOL sem esperar três horas!"

Silêncio absoluto.

O arauto desmaia de emoção.

Um camponês começa a aplaudir.

Um monge toca sinos.

E alguém ao fundo pergunta:

— "Mas continua precisando colocar ponto final nas frases?"

Resposta:

— "Infelizmente... sim."

Fade out.


O Padawan COBOL e a Lição do Mestre

Se você está começando agora no universo COBOL, talvez olhe para essa propaganda apenas como uma peça de museu. Não caia nessa armadilha. Ela ensina algo profundamente atual: as melhores ferramentas não são, necessariamente, as que possuem mais recursos, mas as que removem atritos do trabalho diário.

A Micro Focus não prometia inteligência artificial, computação em nuvem ou interfaces holográficas. Ela prometia algo muito mais valioso: permitir que o programador escrevesse, compilasse, testasse, corrigisse e aprendesse rapidamente. Esse ciclo curto de feedback continua sendo um dos pilares da engenharia de software moderna.

Quando você abrir hoje um editor como IBM Developer for z/OS, Visual Studio Code com IBM Z Open Editor ou qualquer ambiente moderno conectado a um mainframe IBM Z, lembre-se de que essa filosofia nasceu décadas atrás, quando um pequeno Apple II ousou desafiar a ideia de que apenas computadores gigantes podiam desenvolver sistemas gigantes.

No fim das contas, o verdadeiro protagonista dessa propaganda nunca foi o Apple II, nem o COBOL, nem o FORMS-2. Foi o tempo. A maior inovação sempre foi devolver horas preciosas ao programador para que ele pudesse pensar, criar e resolver problemas, em vez de simplesmente esperar uma compilação terminar.

E talvez essa seja a maior piada de todas: quarenta anos depois, ainda perseguimos exatamente o mesmo sonho. Apenas trocamos a fila do compilador pela fila da pipeline de CI/CD. Os nomes mudaram, os computadores ficaram milhões de vezes mais rápidos, mas a eterna luta contra o tempo continua sendo o bug mais persistente da história da computação.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988