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segunda-feira, 24 de março de 2025

CASE Tools : CASE Tools no IBM Mainframe – Parte III

 

Bellacosa Mainframe apresenta case tools parte III

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

CASE Tools – Parte 3

CASE Tools no IBM Mainframe

Como Bancos, Seguradoras e Governos Construíram Sistemas que Duram Décadas

"Quem olha apenas para milhões de linhas de COBOL imagina um oceano de código. Quem conhece as CASE Tools enxerga algo muito maior: um enorme mapa de conhecimento que permitiu manter esses sistemas vivos por décadas."


Introdução

Até agora vimos como nasceram as CASE Tools e como elas transformaram a Engenharia de Software.

Mas existe uma pergunta que muitos programadores COBOL fazem:

O que isso tem a ver com Mainframe?

A resposta é:

Tudo.

Na verdade, poucos ambientes aproveitaram tanto as CASE Tools quanto o IBM Mainframe.

Enquanto aplicações desktop normalmente possuíam dezenas de programas, um banco podia possuir:

  • 200.000 programas COBOL

  • milhares de transações CICS

  • milhares de Jobs

  • centenas de bancos DB2

  • milhares de arquivos VSAM

  • milhões de regras de negócio

Gerenciar tudo isso manualmente seria impossível.

Foi justamente aí que as CASE Tools encontraram seu ambiente ideal.


O Mainframe sempre foi uma plataforma de engenharia

Existe um mito curioso.

Muitas pessoas imaginam que o Mainframe nasceu para executar COBOL.

Na realidade, ele nasceu para executar negócios.

O COBOL é apenas um dos componentes.

Um sistema bancário normalmente envolve:

Usuários

↓

Canais Digitais

↓

APIs

↓

CICS

↓

Programas COBOL

↓

DB2

↓

VSAM

↓

IMS

↓

MQ

↓

Batch

↓

Relatórios

↓

Auditoria

Agora imagine documentar isso manualmente.

Quase impossível.


A explosão dos sistemas corporativos

Durante os anos 80 surgiram projetos gigantescos.

Bancos nacionais.

Seguradoras.

Previdência.

Telecomunicações.

Receita Federal.

INSS.

Grandes varejistas.

Cada organização possuía milhares de programas.

Um simples cadastro de cliente podia depender de centenas de componentes.


O problema da documentação

Imagine um programa COBOL chamado

CB0010

O que ele faz?

Ninguém sabe.

Agora imagine milhares deles.

CB0011

CB0012

CB0013

CB0014

...

CB8945

Sem documentação isso vira um pesadelo.

Foi exatamente esse cenário que impulsionou as CASE Tools.


O repositório virou o coração da empresa

As CASE Tools introduziram uma ideia revolucionária.

O conhecimento do sistema não deveria estar apenas no código.

Ele deveria existir em um repositório corporativo.

Nesse repositório eram registrados:

  • programas

  • tabelas

  • arquivos

  • transações

  • telas

  • menus

  • relacionamentos

  • processos

  • regras

  • usuários

  • departamentos

  • dependências

Hoje chamaríamos isso de metadados.

Na época era algo extremamente inovador.


Um programa nunca trabalha sozinho

Considere um simples saque em caixa eletrônico.

O cliente vê apenas uma tela.

Por trás dela, entretanto, ocorre uma verdadeira orquestra.

ATM

↓

API

↓

CICS

↓

COBOL

↓

DB2

↓

VSAM

↓

MQ

↓

Auditoria

↓

SMF

↓

Logs

Cada componente depende do outro.

Modificar apenas um pode afetar dezenas de sistemas.


É aqui que nasce a Análise de Impacto

Imagine alterar um campo.

CPF

↓

11 posições

↓

14 posições

O desenvolvedor pensa:

"É apenas um campo."

A CASE Tool responde:

Não.

Ela afeta:

  • 1.842 programas COBOL

  • 216 transações CICS

  • 437 Jobs

  • 52 Stored Procedures

  • 31 APIs

  • 418 telas

  • 97 relatórios

Esse tipo de informação vale milhões de reais em grandes instituições.


COBOL e CASE

Ao contrário do que muitos imaginam, CASE não substituía COBOL.

Ela produzia COBOL.

Por exemplo.

O analista modelava:

Cliente

Conta

Saldo

Extrato

A ferramenta podia gerar automaticamente:

  • Data Division

  • File Section

  • Working-Storage

  • SQL

  • CICS Commands

  • Skeleton do programa

O desenvolvedor implementava apenas as regras específicas.


O ganho de produtividade

Considere dois cenários.

Desenvolvimento tradicional

Analista

↓

Documento

↓

Programador

↓

COBOL

↓

Testes

↓

Documentação

Agora utilizando CASE.

Modelo

↓

Repository

↓

COBOL

↓

DB2

↓

Documentação

↓

Testes

Observe que várias atividades repetitivas desaparecem.


CASE e CICS

Imagine desenvolver uma nova transação.

Sem CASE.

Era necessário:

  • criar BMS Map;

  • definir transação;

  • programar COBOL;

  • criar documentação;

  • atualizar diagramas;

  • registrar dependências.

Com CASE.

Grande parte disso era produzida automaticamente.


CASE e DB2

Outro grande benefício.

Imagine criar uma nova entidade.

CLIENTE

A ferramenta poderia gerar:

CREATE TABLE CLIENTE

Depois.

Gerar automaticamente:

  • programa COBOL;

  • SQL;

  • cursores;

  • layouts;

  • documentação;

  • dicionário de dados.

Tudo sincronizado.


CASE e VSAM

Mesmo bancos que utilizavam VSAM eram beneficiados.

A ferramenta conhecia:

  • KSDS

  • ESDS

  • RRDS

  • campos

  • chaves

  • índices

  • layouts

Se um campo aumentasse de tamanho.

Todo o ambiente poderia ser atualizado.


CASE e IMS

O mesmo acontecia com IMS.

Imagine modificar um segmento.

A CASE Tool informava imediatamente:

  • DBD

  • PSB

  • Programas COBOL

  • Batchs

  • Transações IMS/DC

Tudo relacionado.


CASE e JCL

Pouca gente lembra.

Mas diversas CASE Tools também geravam JCL.

Por exemplo.

Após criar um novo programa.

Ela podia produzir automaticamente.

  • Compile JCL

  • Link-edit

  • Bind DB2

  • Execução Batch

  • Testes

Hoje pipelines de DevOps fazem exatamente isso.


CASE e documentação

Um dos maiores custos da TI sempre foi manter documentação atualizada.

Imagine alterar um campo.

Sem CASE.

Era necessário atualizar:

  • documento funcional;

  • documento técnico;

  • layout;

  • diagrama;

  • especificação;

  • manual.

Com CASE.

Tudo era atualizado automaticamente.


Engenharia Reversa em Mainframe

Imagine um banco comprado por outro banco.

O novo proprietário encontra.

27 milhões

de linhas COBOL

Sem documentação.

Como entender?

A solução.

Reverse Engineering.

Ferramentas analisam:

  • COBOL

  • JCL

  • CICS

  • DB2

  • VSAM

  • IMS

  • MQ

Depois produzem.

  • diagramas

  • mapas

  • dependências

  • arquitetura

Hoje isso continua acontecendo.


IBM AD — O sucessor moderno

Uma das ferramentas mais conhecidas atualmente é o

IBM Application Discovery and Delivery Intelligence (IBM ADDI).

Ela faz exatamente o que as antigas CASE Tools faziam.

Por exemplo.

Analisa:

  • COBOL

  • PL/I

  • JCL

  • Easytrieve

  • Assembler

  • CICS

  • IMS

  • DB2

Depois constrói um enorme mapa de dependências.

É uma CASE Tool moderna.

Embora o nome tenha mudado.


IBM Developer for z/OS

O IDz também herdou diversos conceitos CASE.

Ele permite:

  • navegação entre programas;

  • referências cruzadas;

  • análise de chamadas;

  • impacto;

  • documentação;

  • integração Git.

Não é apenas uma IDE.

É uma ferramenta de engenharia.


Rational Rose

Durante muitos anos.

Foi praticamente sinônimo de UML.

Diversas empresas modelavam sistemas inteiros.

Depois implementavam COBOL.

Java.

C++.

PL/I.

Tudo a partir desses modelos.


Enterprise Architect

Ainda hoje é uma das ferramentas preferidas para arquitetura corporativa.

Permite modelar:

  • processos;

  • aplicações;

  • infraestrutura;

  • APIs;

  • bancos de dados.

É um descendente direto da filosofia CASE.


CA Gen

Talvez o exemplo mais famoso.

Antigamente chamado

Texas Instruments IEF.

Depois

COOL:Gen.

Mais tarde

CA Gen.

Ele conseguia gerar aplicações corporativas completas.

Milhares de sistemas bancários nasceram dessa ferramenta.

Muitos continuam em produção.


Oracle Designer

Muito utilizado em ambientes Oracle.

Gerava:

  • banco;

  • forms;

  • reports;

  • documentação;

  • SQL.

Outro exemplo clássico de CASE.


PowerDesigner

Muito conhecido entre DBAs.

Excelente para:

  • modelagem;

  • engenharia reversa;

  • documentação;

  • impacto.

Continua extremamente utilizado.


O que mudou com DevOps?

Muitos acreditam que DevOps substituiu CASE.

Na realidade.

DevOps automatiza outra parte do processo.

CASE automatiza engenharia.

DevOps automatiza entrega.

Os dois se complementam.

Veja.

CASE

↓

Modelo

↓

Código

↓

Git

↓

Pipeline

↓

Testes

↓

Deploy

Hoje eles trabalham juntos.


E a Inteligência Artificial?

A IA trouxe uma nova camada.

Antes.

O modelo gerava código.

Hoje.

O engenheiro descreve um requisito.

A IA cria:

  • código;

  • documentação;

  • testes;

  • diagramas.

Mas existe uma diferença importante.

A CASE conhecia toda a arquitetura.

A IA normalmente conhece apenas o contexto fornecido.

Quando ambas trabalham juntas, os resultados são muito mais consistentes.


O impacto na carreira do programador COBOL

Há vinte anos, conhecer apenas COBOL era suficiente para muitos projetos.

Hoje, o profissional mais valorizado entende também:

  • arquitetura corporativa;

  • modelagem;

  • engenharia reversa;

  • análise de impacto;

  • documentação automática;

  • pipelines de DevOps;

  • APIs;

  • governança de software.

Essas competências tornam o desenvolvedor capaz de evoluir sistemas críticos sem comprometer sua estabilidade.


Como um banco moderno trabalha

Imagine a solicitação:

"Adicionar PIX Internacional."

O processo raramente começa pelo código.

Normalmente segue um fluxo semelhante:

Requisito

↓

Modelagem

↓

Impacto

↓

Arquitetura

↓

Análise CASE

↓

COBOL

↓

Testes

↓

Produção

Observe que programar representa apenas uma etapa.

As CASE Tools ensinaram exatamente isso.


O futuro do Mainframe

Muito se fala em modernização.

Mas modernizar não significa reescrever tudo.

Na maioria das vezes significa:

  • compreender;

  • documentar;

  • medir impactos;

  • expor APIs;

  • integrar novas tecnologias;

  • preservar regras de negócio.

E isso sempre foi a essência das CASE Tools.


Lições para o programador COBOL

Se você trabalha com Mainframe, algumas conclusões são inevitáveis:

  • O código é apenas uma parte do sistema.

  • A documentação deve refletir a realidade do ambiente.

  • Toda alteração precisa ser analisada antes da implementação.

  • Modelagem reduz riscos e facilita a manutenção.

  • Ferramentas de engenharia aumentam produtividade sem substituir o desenvolvedor.

  • Sistemas legados bem documentados tornam-se ativos estratégicos para a organização.

  • IA e CASE não competem; juntas, ampliam a capacidade dos engenheiros de software.


Conclusão

O IBM Mainframe foi um dos maiores laboratórios da Engenharia de Software corporativa. Em ambientes onde um erro pode interromper pagamentos, comprometer milhões de clientes ou afetar serviços essenciais, improvisação nunca foi uma opção.

Foi nesse contexto que as CASE Tools encontraram seu maior valor. Elas transformaram conhecimento em modelos, modelos em código, código em documentação e documentação em governança.

Embora muitas ferramentas clássicas tenham desaparecido ou mudado de nome, seus princípios permanecem vivos em soluções como IBM ADDI, IBM Developer for z/OS, Enterprise Architect, PowerDesigner e em plataformas modernas de DevOps e Inteligência Artificial.

Para o programador COBOL, compreender CASE não é estudar uma tecnologia antiga. É entender como grandes organizações conseguem manter aplicações críticas evoluindo por décadas com segurança, rastreabilidade e qualidade.

No próximo artigo encerraremos esta série explorando a evolução das CASE Tools para Low-Code, No-Code, Model Driven Development (MDD), Model Driven Engineering (MDE) e Inteligência Artificial, mostrando por que a automação da engenharia de software continua mais relevante do que nunca.

"As melhores ferramentas nunca tiveram como objetivo substituir engenheiros. Elas existem para que os engenheiros gastem menos tempo repetindo tarefas e mais tempo resolvendo problemas que realmente importam. Essa era a missão das CASE Tools ontem. Continua sendo a missão da Inteligência Artificial hoje."

 

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