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quarta-feira, 8 de julho de 2026

DevOps no Mainframe: O Guia Definitivo para Quem Programa em COBOL e Quer Entrar no Mundo da Entrega Contínua

 

Bellacosa Mainframe e o guia do devops para mainframe

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

DevOps no Mainframe: O Guia Definitivo para Quem Programa em COBOL e Quer Entrar no Mundo da Entrega Contínua

"DevOps não é instalar uma ferramenta. É mudar a forma como pensamos sobre desenvolvimento, testes, implantação e operação. E sim... isso também vale para COBOL."

Se você trabalha com IBM Mainframe há alguns anos, provavelmente já ouviu alguém dizer:

"Mainframe não precisa de DevOps."

Ou então:

"DevOps é coisa de Java, Kubernetes e Cloud."

Nada poderia estar mais distante da realidade.

Hoje, os maiores bancos, seguradoras, empresas de cartão de crédito, telecomunicações e governos do mundo utilizam práticas de DevOps justamente nos ambientes mais críticos: os sistemas IBM Z.

A verdade é simples:

O código COBOL continua excelente. O processo de desenvolvimento é que evoluiu.

Neste café vamos entender, de maneira prática, o que é DevOps, como funciona, quais ferramentas existem, como começar do zero e como implantar esse modelo em uma fábrica de software Mainframe.

Pegue seu café.

Vamos conversar.


Antes de tudo: o que é DevOps?

A palavra DevOps vem da união de duas áreas:

  • Development (Desenvolvimento)

  • Operations (Operação)

Durante décadas essas equipes trabalharam separadas.

O desenvolvedor escrevia código.

O operador implantava.

O suporte resolvia problemas.

Quando dava errado...

Todo mundo culpava o outro.

DevOps nasceu justamente para eliminar esse conflito.

O objetivo é fazer todos trabalharem juntos durante todo o ciclo de vida do software.


O ciclo tradicional

Durante muitos anos o fluxo era parecido com isto:

Analista
      ↓
Programador COBOL
      ↓
Testes
      ↓
Homologação
      ↓
Mudança
      ↓
Produção

Tudo manual.

Muito e-mail.

Planilhas.

Checklist.

JCL executado manualmente.

Libraries copiadas.

Muitas chances de erro humano.


O ciclo DevOps

Agora imagine outro cenário.

Programador
      ↓
Git
      ↓
Build automático
      ↓
Testes automáticos
      ↓
Deploy automático
      ↓
Homologação
      ↓
Produção
      ↓
Monitoramento

Tudo rastreado.

Tudo versionado.

Tudo auditável.

Esse é o objetivo do DevOps.


DevOps não é uma ferramenta

Este talvez seja o maior erro dos iniciantes.

DevOps não é:

  • Jenkins

  • Git

  • GitHub

  • Azure DevOps

  • GitLab

Essas são ferramentas.

DevOps é uma cultura.

As ferramentas apenas ajudam.


Bellacosa Mainframe e o devops para iniciante mainframe

Os pilares do DevOps

Podemos resumir DevOps em seis grandes pilares.

1. Planejamento

Toda mudança começa aqui.

Exemplo:

  • Nova funcionalidade

  • Correção de bug

  • Mudança legal

  • Novo produto

Ferramentas:

  • Jira

  • Azure Boards

  • Trello

  • ServiceNow


2. Desenvolvimento

Aqui entra o programador COBOL.

Ele escreve código.

Exemplo:

Programa COBOL

+
JCL

+
PROC

+
Copybooks

+
DB2

+
CICS

Tudo precisa ficar versionado.


3. Integração Contínua (CI)

Sempre que alguém altera o código...

O sistema automaticamente:

  • compila

  • executa testes

  • verifica qualidade

  • gera relatórios

Sem intervenção humana.


4. Testes

Não basta compilar.

É necessário testar.

Tipos comuns:

  • teste unitário

  • teste funcional

  • teste integração

  • teste regressão

  • teste performance

No Mainframe isso pode envolver:

  • ZUnit

  • IBM Debug

  • File Manager

  • stubs

  • dados mascarados


5. Deploy

Depois da aprovação:

o sistema promove automaticamente os artefatos entre ambientes.

DEV

↓

QA

↓

HML

↓

PRD

Sem copiar datasets manualmente.


6. Monitoramento

Depois da implantação...

O trabalho continua.

Monitoramos:

  • CPU

  • tempo de resposta

  • erros

  • logs

  • abends

  • consumo

  • throughput


Bellacosa Mainframe e ferramentas para implementar o devops

O famoso CI/CD

Você verá muito essa sigla.

CI

Continuous Integration

CD

Continuous Delivery

ou

Continuous Deployment.

A diferença é simples.

Continuous Delivery

O deploy fica pronto.

Mas alguém aprova.

Continuous Deployment

O deploy acontece automaticamente.


Como isso funciona no Mainframe?

Imagine um programa COBOL.

Você altera uma linha.

Ao salvar:

Git

↓

Pipeline

↓

Compilação

↓

Link-edit

↓

Testes

↓

Deploy

↓

Homologação

Tudo automático.


Ferramentas mais usadas

Vamos conhecer as principais.

Git

O coração do DevOps.

Ele controla versões.

Permite:

  • histórico

  • branches

  • merge

  • rollback

Hoje praticamente todo projeto moderno usa Git.

Inclusive Mainframe.


GitHub

Hospeda repositórios Git.

Possui:

  • Pull Request

  • Code Review

  • Actions

  • Issues

Muito usado em projetos open source.


GitLab

Além do Git...

Possui pipeline integrada.

Muito utilizado em empresas.


Azure DevOps

Muito comum em bancos.

Possui:

  • Boards

  • Repos

  • Pipelines

  • Artifacts

  • Test Plans

Integra muito bem com ambientes corporativos.


Jenkins

Uma das ferramentas de automação mais famosas.

Ele executa:

  • compilação

  • testes

  • deploy

  • scripts

Tudo automaticamente.


IBM Dependency Based Build (DBB)

Ferramenta criada pela IBM para Mainframe.

Ela entende:

  • COBOL

  • PL/I

  • Assembler

  • JCL

  • Copybooks

Excelente para pipelines IBM Z.


IBM Developer for z/OS (IDz)

Substitui boa parte do ISPF.

Integra:

  • Git

  • Debug

  • Build

  • Pipeline


Zowe

Talvez a maior revolução dos últimos anos.

Permite acessar o Mainframe usando:

  • VS Code

  • APIs

  • CLI

  • Explorer

É praticamente uma ponte entre o mundo distribuído e o IBM Z.


VS Code

Hoje muitos programadores COBOL utilizam VS Code.

Com extensões adequadas é possível:

  • editar COBOL

  • enviar código

  • acessar datasets

  • executar comandos


Ansible

Automação de infraestrutura.

Pode automatizar:

  • configuração

  • deploy

  • instalação

  • tarefas repetitivas


SonarQube

Analisa qualidade do código.

Detecta:

  • duplicação

  • complexidade

  • bugs

  • vulnerabilidades

Inclusive existem plugins para COBOL.


JFrog Artifactory

Gerencia artefatos.

Armazena:

  • builds

  • binários

  • versões


Um pipeline simples

Imagine este fluxo.

Programador

↓

Git Commit

↓

Pipeline

↓

Compilar COBOL

↓

Executar testes

↓

Quality Gate

↓

Deploy DEV

↓

Deploy QA

↓

Deploy HML

↓

Produção

Sem copiar datasets manualmente.

Sem FTP.

Sem e-mail.


Como implantar DevOps em um sistema Mainframe?

Aqui está um roteiro simples.

Etapa 1

Mapeie o processo atual.

Pergunte:

Como o programa chega em produção?

Quem aprova?

Quem compila?

Quem faz bind?

Quem copia load modules?

Quem altera CICS?

Quem agenda o Job?


Etapa 2

Versione tudo.

Não apenas programas COBOL.

Também:

  • JCL

  • PROC

  • Copybooks

  • SQL

  • DDL

  • Scripts

  • Documentação


Etapa 3

Padronize.

Todos devem usar:

Mesmo padrão.

Mesmo fluxo.

Mesmo processo.


Etapa 4

Automatize a compilação.

Em vez de:

Editar

Compilar

Link

Testar

Faça:

Commit

↓

Pipeline

↓

Compilação automática

Etapa 5

Automatize testes.

Quanto mais testes...

Maior a confiança.


Etapa 6

Automatize deploy.

Reduza:

  • intervenção humana

  • erros

  • esquecimentos


Etapa 7

Monitore.

Depois do deploy acompanhe:

  • SMF

  • RMF

  • JES

  • SDSF

  • logs

  • CICS

  • DB2


Roadmap para quem está começando

Nível 1

Aprenda:

  • Git

  • GitHub

  • Branch

  • Merge

  • Pull Request


Nível 2

Aprenda:

  • Jenkins

  • Azure DevOps

  • GitLab CI


Nível 3

Aprenda:

  • Pipeline

  • YAML

  • Build


Nível 4

Aprenda:

  • Zowe CLI

  • VS Code

  • REST APIs


Nível 5

Aprenda:

  • DBB

  • IDz

  • SonarQube


Nível 6

Aprenda:

  • Docker (conceitos)

  • Kubernetes (conceitos)

  • OpenShift

Mesmo trabalhando apenas com Mainframe.


Nível 7

Aprenda observabilidade.

Conheça:

  • Grafana

  • Prometheus

  • Elastic

  • OpenTelemetry

Mesmo que parte do monitoramento do IBM Z utilize soluções específicas da IBM.


Quanto custa implantar?

A resposta depende do ambiente.

Há soluções gratuitas e corporativas.

Gratuitas

  • Git

  • GitHub (planos gratuitos)

  • VS Code

  • Jenkins

  • Zowe

  • SonarQube Community

O investimento principal será tempo de implantação, treinamento e adaptação dos processos.

Corporativas

Dependendo da empresa podem existir licenças para:

  • IBM Dependency Based Build

  • IBM Developer for z/OS

  • Azure DevOps

  • GitHub Enterprise

  • GitLab Enterprise

  • JFrog Artifactory

  • UrbanCode Deploy (ou soluções equivalentes)

  • ferramentas de testes automatizados

Além das licenças, considere:

  • infraestrutura

  • treinamento

  • consultoria

  • integração com RACF, CICS, DB2 e sistemas legados

  • manutenção contínua

Apesar do investimento inicial, a redução de retrabalho e de falhas costuma compensar em projetos de médio e grande porte.


Quais são os riscos?

Toda mudança traz desafios.

Os principais são:

Resistência cultural

O maior obstáculo raramente é técnico.

É comum ouvir:

"Sempre fizemos assim."

Sem apoio da liderança, a adoção perde força.

Automação mal planejada

Automatizar um processo ruim apenas faz o erro acontecer mais rápido.

Primeiro simplifique.

Depois automatize.

Falta de testes

Um pipeline sem testes é apenas um "copiador automático" de problemas.

Invista em testes desde o início.

Controle de acesso

Automações precisam respeitar políticas de segurança.

Integração com RACF, auditoria e segregação de funções são indispensáveis.

Dependência de poucas pessoas

Evite que apenas um especialista conheça o pipeline. Documente, treine a equipe e compartilhe conhecimento.


As grandes vantagens

Os benefícios aparecem rapidamente.

  • Menos erros manuais.

  • Entregas mais rápidas.

  • Maior rastreabilidade.

  • Rollback simplificado.

  • Melhor colaboração entre desenvolvimento e operações.

  • Qualidade de código mais alta.

  • Testes executados com frequência.

  • Auditoria facilitada.

  • Processos padronizados.

  • Redução do tempo de implantação.

  • Mais confiança para liberar novas versões.

  • Maior integração entre Mainframe e plataformas distribuídas.

Para ambientes regulados, como bancos e seguradoras, isso também significa maior conformidade e facilidade em auditorias.


E as desvantagens?

Nem tudo são flores.

  • Curva de aprendizado inicial.

  • Mudança cultural pode gerar resistência.

  • Necessidade de treinamento.

  • Tempo para configurar pipelines.

  • Investimento em ferramentas corporativas, quando necessário.

  • Ajustes em processos antigos.

  • Necessidade de governança para evitar pipelines desorganizados.

A boa notícia é que esses desafios diminuem à medida que a equipe ganha experiência.


Um exemplo prático

Imagine que uma alteração fiscal exige mudanças em um programa COBOL.

Sem DevOps:

  1. Desenvolvedor altera o código.

  2. Envia por e-mail.

  3. Outro profissional compila.

  4. Um terceiro faz o BIND.

  5. Alguém copia o módulo para homologação.

  6. Os testes são executados manualmente.

  7. A documentação é atualizada depois (ou esquecida).

  8. A implantação depende de uma janela operacional.

Com DevOps:

  1. O desenvolvedor cria uma branch.

  2. Implementa a alteração.

  3. Abre um Pull Request.

  4. O código passa por revisão.

  5. O pipeline compila automaticamente.

  6. Testes unitários e de integração são executados.

  7. A qualidade é validada pelo SonarQube.

  8. Após aprovação, o deploy é promovido para homologação.

  9. Com a autorização final, a mesma pipeline promove a versão para produção.

  10. Todo o processo fica registrado para auditoria.

Perceba que o COBOL continua sendo COBOL. O que mudou foi a forma de entregar software.


Conclusão

Durante muito tempo, DevOps foi visto como algo exclusivo do mundo Linux, Java e Cloud. Hoje sabemos que essa visão ficou no passado.

O IBM Z evoluiu. Ferramentas como Git, Zowe, IBM Dependency Based Build, Azure DevOps, Jenkins e pipelines de CI/CD permitem que aplicações COBOL participem do mesmo ciclo moderno de desenvolvimento utilizado nas demais plataformas da empresa.

Se você é um Padawan COBOL, não tente aprender tudo de uma vez. Comece pelo essencial: Git, versionamento, revisão de código e conceitos de integração contínua. Em seguida, avance para pipelines, automação de testes e deploy. Com essa base, ferramentas específicas do Mainframe farão muito mais sentido.

Lembre-se: DevOps não substitui o conhecimento de COBOL, JCL, CICS ou DB2. Ele potencializa esse conhecimento, reduzindo erros, aumentando a qualidade e permitindo que sistemas críticos evoluam com segurança.

No fim das contas, o maior legado do DevOps não é uma ferramenta nem um pipeline. É uma mudança de mentalidade: desenvolver, testar, implantar e operar como um único time, entregando valor continuamente para o negócio.

E esse, meu amigo Padawan, é um princípio que nunca ficará obsoleto.


domingo, 5 de julho de 2026

IA Generativa Muito Além do ChatGPT

 

Bellacosa Mainframe e a ia generativa muito alem do chatgpt

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

IA Generativa Muito Além do ChatGPT

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre RAG, MCP, watsonx, IBM Z, CICS, Db2, APIs e Como a Inteligência Artificial Está Transformando os Sistemas Mais Críticos do Mundo (Parte 1)

"A Inteligência Artificial não substituirá o Mainframe. Ela tornará o Mainframe ainda mais indispensável."


Introdução

Se você acompanha as notícias sobre tecnologia, provavelmente já ouviu centenas de vezes que a Inteligência Artificial mudará tudo.

Empresas anunciam novos modelos quase diariamente. LLMs (Large Language Models), Agentes Inteligentes, Copilots, IA Generativa, RAG, MCP, Engenharia de Prompt... os nomes surgem em um ritmo tão acelerado que muitos profissionais começam a acreditar que tudo o que aprenderam nos últimos anos ficou obsoleto.

Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas manchetes:

Onde estão os dados que realmente importam?

A resposta continua sendo a mesma há décadas.

Nos grandes bancos.

Nas seguradoras.

Nas bolsas de valores.

Nas empresas aéreas.

Nos governos.

Nas operadoras de cartão.

E, principalmente, dentro do IBM Z.

É justamente por isso que a próxima revolução da IA não será construída apenas na nuvem. Ela acontecerá onde os dados mais valiosos já vivem.

Bem-vindo ao futuro do Mainframe.


A Grande Mudança de Paradigma

Durante muito tempo acreditou-se que toda inovação exigia substituir sistemas antigos.

Era comum ouvir frases como:

"Vamos migrar tudo para a nuvem."

"COBOL morreu."

"Mainframe é legado."

Entretanto, o mercado mostrou uma realidade completamente diferente.

Os sistemas considerados "legados" continuam processando bilhões de transações diariamente.

Enquanto isso, empresas descobriram algo importante:

Mover petabytes de dados custa muito dinheiro.

Mais do que isso.

Pode aumentar riscos de segurança, criar problemas regulatórios e reduzir a performance.

Assim nasceu uma nova filosofia.

Não levar os dados para a IA.

Levar a IA até os dados.


O Mainframe Nunca Foi Apenas um Computador

Quando pensamos em IBM Z, muita gente imagina apenas enormes racks pretos.

Na prática, ele é muito mais do que isso.

Ele representa décadas de conhecimento empresarial.

Imagine um banco.

O saldo da sua conta não existe "na internet".

Existe dentro de regras cuidadosamente escritas ao longo de décadas.

Essas regras determinam:

  • como calcular juros;

  • como validar empréstimos;

  • como impedir fraudes;

  • como processar PIX;

  • como liquidar operações financeiras;

  • como calcular tarifas;

  • como registrar auditorias.

Grande parte desse conhecimento está codificado em programas COBOL, PL/I, CICS e Db2.

Isso significa que a IA não pode simplesmente "inventar" respostas.

Ela precisa consultar essas regras.


IA Generativa Não É um Banco de Dados

Esse é um dos maiores equívocos atuais.

Um LLM não "sabe" quanto dinheiro existe em sua conta.

Ele também não sabe:

  • limite do cartão;

  • última transação;

  • saldo do FGTS;

  • número da apólice;

  • posição dos investimentos.

Essas informações vivem em sistemas transacionais.

O papel da IA é diferente.

Ela interpreta.

Resume.

Explica.

Conversa.

Traduz.

Mas quem fornece a verdade continua sendo o sistema corporativo.

É exatamente por isso que IBM Z e IA trabalham tão bem juntos.


O Papel do RAG

Uma das tecnologias mais importantes da IA moderna chama-se Retrieval-Augmented Generation (RAG).

Em vez de confiar apenas no conhecimento aprendido durante o treinamento do modelo, o RAG consulta informações atualizadas antes de responder.

Imagine este fluxo.

Usuário
    │
    ▼
Pergunta
    │
    ▼
Modelo de IA
    │
    ▼
Consulta Base Corporativa
    │
    ▼
Db2
VSAM
Documentos
COBOL
CICS
APIs
    │
    ▼
Contexto Recuperado
    │
    ▼
Resposta Inteligente

Agora imagine um cliente perguntando:

"Por que meu financiamento foi recusado?"

Sem RAG, o modelo poderia apenas explicar genericamente como funcionam financiamentos.

Com RAG:

  • consulta o cadastro;

  • verifica políticas;

  • identifica pendências;

  • acessa documentação;

  • monta uma resposta personalizada.

A diferença é enorme.


O Que é MCP?

Nos últimos meses surgiu um termo que promete mudar completamente a forma como agentes inteligentes trabalham.

MCP.

Model Context Protocol.

Pense nele como um padrão para conectar modelos de IA a ferramentas externas.

Sem MCP:

IA

↓

Resposta baseada apenas
no treinamento

Com MCP:

IA

↓

Ferramentas

↓

Banco de Dados

↓

Mainframe

↓

APIs

↓

Documentos

↓

Resposta muito mais precisa

Isso permite que um agente converse naturalmente enquanto consulta sistemas reais.

Não é mais apenas um chatbot.

É um assistente corporativo.


IBM watsonx e o IBM Z

Quando se fala em IA na IBM, um nome aparece constantemente.

watsonx.

Diferentemente de plataformas voltadas apenas para geração de texto, o watsonx foi concebido pensando no ambiente corporativo.

Seu foco inclui:

  • governança;

  • segurança;

  • compliance;

  • modelos customizados;

  • dados privados;

  • integração empresarial.

Isso faz enorme diferença.

Imagine um banco.

Ele dificilmente enviará informações sigilosas para um serviço público de IA.

Em vez disso, utilizará modelos privados, treinados dentro de sua própria infraestrutura.

É exatamente aí que soluções como o watsonx ganham destaque.


IA e COBOL Não Competem

Essa talvez seja a maior surpresa para quem está começando.

A IA não veio substituir COBOL.

Na verdade, ela depende dele.

Imagine um sistema bancário.

Cliente

↓

Chatbot

↓

Modelo Generativo

↓

API REST

↓

CICS

↓

Programa COBOL

↓

Db2

↓

Resposta Oficial

Perceba algo importante.

Quem decide se o cliente possui saldo suficiente?

COBOL.

Quem verifica regras de negócio?

COBOL.

Quem calcula juros?

COBOL.

Quem registra a transação?

COBOL.

A IA apenas transforma tudo isso em uma conversa mais natural.


APIs: A Ponte Entre Dois Mundos

Nos anos 80, aplicações conversavam usando protocolos proprietários.

Hoje, o cenário é outro.

REST.

JSON.

GraphQL.

gRPC.

OpenAPI.

Essas tecnologias tornaram possível integrar sistemas modernos com aplicações escritas décadas atrás.

Exemplo simplificado.

Aplicativo Mobile

↓

REST API

↓

IBM z/OS Connect

↓

CICS

↓

COBOL

↓

Db2

O usuário acredita estar falando com um aplicativo moderno.

Na realidade, o coração da operação continua sendo o Mainframe.


Exemplo Prático: Consulta de Saldo com IA

Imagine o seguinte diálogo.

Cliente:

Quanto tenho disponível para investir?

Fluxo interno:

Usuário

↓

LLM

↓

API

↓

COBOL

↓

Db2

↓

Saldo

↓

Perfil Financeiro

↓

IA gera resposta

Resposta:

"Você possui R$ 18.450 disponíveis. Considerando seu perfil conservador e seus investimentos atuais, existem alternativas de baixo risco compatíveis com seu histórico."

Quem calculou o saldo?

Db2.

Quem aplicou regras financeiras?

COBOL.

Quem transformou isso em linguagem natural?

A IA.


CICS Continua Sendo o Maestro

Durante décadas, o CICS foi responsável por coordenar milhões de transações.

Hoje ele ganha uma nova função.

Ser o elo entre aplicações modernas e sistemas críticos.

Imagine uma transferência PIX.

Aplicativo

↓

API

↓

CICS

↓

COBOL

↓

Db2

↓

Confirmação

↓

IA explica resultado

Em vez de substituir o CICS, a IA torna sua utilização ainda mais relevante.


Por Que Bancos Não Trocam Tudo?

Essa pergunta aparece constantemente.

A resposta é simples.

Porque funciona.

Mas existe outro motivo.

Imagine reescrever milhões de linhas de COBOL.

Quanto tempo levaria?

Quantos erros seriam introduzidos?

Quanto custaria?

Quanto risco financeiro seria criado?

Agora compare com outra abordagem.

Adicionar APIs

+

Adicionar IA

+

Adicionar Observabilidade

+

Adicionar Automação

=

Modernização gradual

Essa estratégia preserva décadas de conhecimento acumulado enquanto incorpora recursos modernos.

É muito mais segura e economicamente viável.


Primeira Arquitetura Completa

A seguir, uma visão simplificada de como uma arquitetura moderna pode integrar IA Generativa ao IBM Z:

                           ┌─────────────────────────────┐
                           │       Cliente Web/App       │
                           └─────────────┬───────────────┘
                                         │ HTTPS
                                         ▼
                           ┌─────────────────────────────┐
                           │   Chatbot / Assistente IA   │
                           └─────────────┬───────────────┘
                                         │
                              Prompt + Contexto
                                         │
                                         ▼
                      ┌─────────────────────────────────────┐
                      │      Modelo Generativo (LLM)        │
                      └─────────────┬───────────────────────┘
                                    │
                    RAG             │             MCP
                                    │
                                    ▼
          ┌───────────────────────────────────────────────────────┐
          │           Camada de Integração Inteligente            │
          │ APIs │ Ferramentas │ Documentos │ Catálogo │ Vetores  │
          └─────────────┬─────────────────────────────────────────┘
                        │
                REST / JSON / MQ
                        │
                        ▼
              ┌─────────────────────────┐
              │    IBM z/OS Connect     │
              └──────────┬──────────────┘
                         │
        ┌────────────────┼─────────────────┐
        ▼                ▼                 ▼
   CICS Online       Batch COBOL       MQ / Eventos
        │                │                 │
        └────────────┬───┴─────────────────┘
                     ▼
              ┌───────────────┐
              │ Programas COBOL│
              └──────┬────────┘
                     ▼
          ┌─────────────────────┐
          │ Db2 │ VSAM │ IMS DB │
          └─────────────────────┘

Essa arquitetura demonstra que a IA não elimina os sistemas existentes. Ela adiciona uma camada inteligente de interação, recuperação de contexto e geração de respostas, preservando o Mainframe como sistema de registro e fonte oficial da verdade.


Conclusão da Parte 1

Nos últimos anos, o debate sobre Inteligência Artificial concentrou-se em modelos cada vez maiores e mais sofisticados. No entanto, o verdadeiro diferencial competitivo das empresas não está apenas no modelo utilizado, mas na capacidade de conectar esses modelos aos dados corretos, com segurança, governança e desempenho.

É justamente nesse ponto que o IBM Z se destaca. Em vez de representar um obstáculo à inovação, ele se torna o alicerce sobre o qual soluções modernas de IA podem ser construídas. Tecnologias como RAG, MCP, APIs e o ecossistema watsonx mostram que a evolução dos sistemas corporativos não depende de substituir décadas de conhecimento, mas de integrá-las de forma inteligente.

Na Parte 2, vamos aprofundar essa jornada explorando casos reais do setor financeiro, arquiteturas de agentes de IA, observabilidade, DevOps para IBM Z, segurança, exemplos práticos de integração com COBOL, CICS e Db2, além de discutir como a Inteligência Artificial está transformando o papel do desenvolvedor Mainframe na próxima década.




   FAQ

  •  O Mainframe pode utilizar IA Generativa?
 Sim. 

  • A IA pode ser integrada ao IBM Z por meio de APIs, z/OS Connect, IBM MQ, RAG e plataformas como watsonx, permitindo que modelos consultem dados corporativos com segurança. O COBOL será substituído pela IA?
Não. 

A IA complementa aplicações COBOL, automatizando documentação, testes e atendimento, enquanto o COBOL continua executando as regras críticas de negócio. 

  •  O que é RAG? 

 Retrieval-Augmented Generation é uma técnica que permite ao modelo consultar bases de dados e documentos antes de responder, reduzindo alucinações e aumentando a precisão.

  • O que é MCP? 

Model Context Protocol é um protocolo aberto que padroniza a comunicação entre modelos de IA e ferramentas externas, como APIs, bancos de dados e sistemas corporativos. 

  •  O IBM watsonx funciona com Mainframe?
 Sim.

 O ecossistema watsonx foi desenvolvido para integração corporativa, oferecendo governança, segurança e suporte a modelos privados, podendo trabalhar em conjunto com aplicações IBM Z. 

  •  IA pode acessar Db2 e CICS? 
 Sim. 

Normalmente essa integração ocorre por meio de APIs REST, IBM z/OS Connect, IBM MQ ou serviços específicos que expõem funcionalidades do Mainframe de forma segura.

.



Vagner Bellacosa

terça-feira, 30 de junho de 2026

Agentic Data Intelligence no IBM watsonx.data intelligence: Quando a Inteligência Artificial Descobre que Dados Sem Contexto São Apenas Bits Perdidos

 

Bellacosa Mainframe introduz o agentic data intelligence no ibm watsonx

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Agentic Data Intelligence no IBM watsonx.data intelligence: Quando a Inteligência Artificial Descobre que Dados Sem Contexto São Apenas Bits Perdidos

Como um Programador COBOL Padawan Pode Entender a Próxima Grande Revolução da Inteligência Artificial Corporativa

Durante muito tempo, ouvimos que a Inteligência Artificial iria substituir programadores.

Depois disseram que bastava conectar um LLM (Large Language Model) ao banco de dados da empresa e todos os problemas estariam resolvidos.

Hoje sabemos que nenhuma dessas ideias estava completamente correta.

O verdadeiro desafio nunca foi fazer a IA "ler" dados.

O desafio sempre foi fazer a IA entender o significado daqueles dados.

Essa diferença parece pequena.

Na prática, ela separa uma IA que apenas gera respostas bonitas de uma IA capaz de trabalhar como um verdadeiro analista de negócios.

É exatamente esse o objetivo do novo Agentic Data Intelligence, incorporado ao IBM watsonx.data intelligence.

Para quem trabalha com IBM Z, COBOL, CICS, DB2, VSAM ou IMS, esse assunto é muito mais importante do que parece. Na realidade, ele conversa diretamente com um problema que todo programador experiente já enfrentou: como descobrir o impacto de uma mudança em um sistema gigantesco criado ao longo de décadas?

Pegue sua caneca de café.

Hoje vamos conversar sobre uma das tecnologias que provavelmente fará parte do futuro do desenvolvimento em Mainframe.


O maior problema da IA nunca foi inteligência

Imagine que amanhã você seja contratado por um grande banco.

No primeiro dia, entregam seu usuário RACF.

Você recebe acesso ao:

  • TSO/ISPF

  • SDSF

  • DB2

  • CICS

  • JCL

  • dezenas de bibliotecas PDS

  • milhares de programas COBOL

Você consegue abrir qualquer programa.

Consegue consultar tabelas.

Consegue executar jobs.

Mas consegue entender o sistema?

Claro que não.

Você não sabe:

  • qual tabela é oficial;

  • qual copybook está obsoleto;

  • qual campo representa uma regra de negócio;

  • quem é o responsável por determinado cadastro;

  • quais programas utilizam aquele arquivo VSAM;

  • quais APIs dependem daquele campo.

Agora imagine uma Inteligência Artificial.

Ela sofre exatamente do mesmo problema.

Ela consegue acessar dados.

Mas não conhece a empresa.


Dados não são conhecimento

Essa talvez seja a primeira grande lição deste artigo.

Existe uma enorme diferença entre:

Dados

e

Conhecimento Corporativo.

Por exemplo:

CLIENTE.STATUS = "A"

Para você isso significa o quê?

Nada.

Agora imagine que o glossário da empresa define:

"A = Cliente Ativo"

Já faz sentido.

Mas e se outra empresa definir:

"A = Cliente Aposentado"

Ou ainda:

"A = Cliente de Alto Valor"

Percebe?

O dado é exatamente igual.

O significado muda completamente.

É isso que chamamos de contexto.


O que é o IBM watsonx.data intelligence?

Pense nele como um enorme cérebro corporativo.

Ele não guarda apenas tabelas.

Ele guarda conhecimento sobre essas tabelas.

Ele sabe:

  • quem criou;

  • quem mantém;

  • quem utiliza;

  • quais sistemas dependem;

  • de onde vieram os dados;

  • quais regras foram aplicadas;

  • qual o nível de qualidade;

  • quais políticas de segurança existem.

Em outras palavras...

Ele transforma metadados em conhecimento utilizável.


Fazendo uma analogia com o Mainframe

Todo ambiente z/OS possui diversos "cérebros invisíveis".

Por exemplo:

  • ICF Catalog

  • RACF

  • SYS1.PARMLIB

  • PROCLIB

  • SMS

  • JES2

Nenhum deles processa transações bancárias.

Mesmo assim...

sem eles o banco simplesmente para.

O watsonx.data intelligence exerce um papel semelhante.

Ele não substitui o DB2.

Nem o VSAM.

Nem o IMS.

Ele explica para a IA como interpretar tudo isso.


Como funciona o Agentic Data Intelligence?

Vamos imaginar um fluxo simples.

Um usuário pergunta:

"Quais clientes Premium tiveram queda no faturamento este mês?"

Uma IA tradicional faria algo parecido com isto:

Pergunta

↓

Procura tabelas

↓

Executa SQL

↓

Entrega resposta

Parece bom.

Mas há vários riscos.

Ela pode consultar:

  • tabela errada;

  • coluna desatualizada;

  • dados duplicados;

  • informações sem governança.

Agora veja o novo fluxo.

Pergunta

↓

Consulta o catálogo corporativo

↓

Verifica definições de negócio

↓

Consulta Data Lineage

↓

Verifica políticas

↓

Avalia qualidade

↓

Gera resposta

É um processo muito mais inteligente.


O que significa "Trusted Context"?

Esse é provavelmente o conceito mais importante do watsonx.data intelligence.

Traduzindo livremente:

Contexto Confiável.

A IA deixa de confiar apenas nos dados.

Ela passa a confiar também nas regras que explicam aqueles dados.

Isso muda completamente a qualidade das respostas.


O papel do Business Glossary

Imagine um banco.

A palavra "Saldo" pode significar:

Saldo Contábil

Saldo Disponível

Saldo Projetado

Saldo Bloqueado

Saldo Médio

Todos são "Saldo".

Mas representam conceitos diferentes.

O Business Glossary resolve exatamente esse problema.

Ele funciona como um dicionário oficial da empresa.

Quando a IA encontra um termo, ela consulta o glossário antes de responder.

É como perguntar ao analista de negócios:

"Quando vocês dizem saldo, qual saldo exatamente?"


Data Lineage: seguindo o caminho dos dados

Agora imagine um campo chamado:

LIMITE_DISPONIVEL

De onde ele veio?

A IA consegue descobrir algo como:

PIX

↓

Movimentações

↓

Conta Corrente

↓

Motor Financeiro

↓

Tabela DB2

↓

Dashboard

Ela enxerga toda a cadeia de transformação.

Isso é chamado de Lineage.


Pensando como um Programador COBOL

Imagine alterar um copybook.

01 CLIENTE.
   05 LIMITE        PIC S9(9)V99 COMP-3.

Antes de alterar esse campo, você gostaria de saber:

  • Quantos programas usam esse copybook?

  • Quais transações CICS dependem dele?

  • Existe algum Job Batch?

  • Alguma API REST utiliza esse campo?

  • Existe integração com sistemas externos?

Hoje isso normalmente exige:

SDSF.

Pesquisa no Endevor.

Ferramentas de Impact Analysis.

Consulta a analistas.

Reuniões.

Com Agentic Data Intelligence, boa parte dessa investigação pode ser automatizada.


O poder do Data Quality

Imagine perguntar:

"Qual o faturamento do último trimestre?"

Uma IA comum responde.

Uma IA inteligente responde:

"O conjunto de dados possui 97,8% de qualidade, porém existem registros duplicados na origem."

Essa pequena diferença aumenta enormemente a confiança na resposta.


Governança não é burocracia

Muitos iniciantes acham que Governança serve apenas para gerar documentação.

Na verdade...

Governança protege a empresa.

Por exemplo:

CPF.

A IA sabe que:

  • deve mascarar;

  • exige autorização;

  • está protegido pela LGPD;

  • possui classificação confidencial.

Ela aprende regras.

Não apenas dados.


Ownership: quem é o dono da informação?

Imagine encontrar uma tabela chamada:

CLIENT_MASTER

Quem responde por ela?

Financeiro?

CRM?

Marketing?

TI?

A IA consulta o catálogo.

Descobre o proprietário.

E informa.

Isso reduz muito o tempo gasto procurando especialistas.


O que é o MCP?

MCP significa:

Model Context Protocol.

Você pode imaginar o MCP como um "idioma universal" entre agentes de IA e sistemas corporativos.

Assim como:

ODBC

JDBC

ODBC permitiu acessar bancos de dados diferentes.

O MCP pretende permitir que qualquer IA consulte conhecimento corporativo da mesma maneira.

Isso significa integração com:

  • IBM Bob

  • Claude

  • GitHub Copilot

  • watsonx Orchestrate

  • aplicações internas


Agent Skills: ensinando experiência para a IA

Aqui está uma das partes mais interessantes.

Imagine ensinar um estagiário.

Você não diz apenas:

"Cadastre um novo Data Product."

Você entrega um procedimento.

Receber dados

↓

Classificar

↓

Enriquecer metadados

↓

Aplicar LGPD

↓

Publicar

↓

Validar

Esse fluxo recebe o nome de Agent Skill.

São habilidades reutilizáveis.

É como um PROC em JCL.

Você encapsula conhecimento.

Depois reutiliza quantas vezes quiser.


Um exemplo para quem conhece JCL

Veja este comando:

//STEP01 EXEC PROC=BACKUP

Você não precisa lembrar:

  • IDCAMS

  • SORT

  • DELETE

  • DEFINE

  • REPRO

Tudo já está preparado.

Agent Skills funcionam exatamente assim.


Um exemplo de uso no mundo real

Imagine um auditor perguntando:

"De onde veio o valor mostrado neste Dashboard?"

A IA pode responder:

Dashboard

↓

Data Product

↓

Tabela Curada

↓

Pipeline ETL

↓

DB2

↓

Programa COBOL

↓

Arquivo VSAM

↓

Sistema de Origem

Tudo automaticamente.

Sem abrir dez ferramentas diferentes.


Outro exemplo para o Padawan

Você altera um Copybook.

Antes do Deploy, pergunta:

"Qual será o impacto?"

O agente responde:

  • 218 programas COBOL afetados;

  • 12 aplicações Java;

  • 31 APIs REST;

  • 4 sistemas parceiros;

  • 6 dashboards;

  • 2 modelos de IA.

Isso é muito mais poderoso do que uma simples pesquisa textual.


Como isso muda a vida do Programador COBOL?

Muito.

Hoje gastamos boa parte do tempo tentando descobrir:

"Quem usa isso?"

No futuro a pergunta será:

"IA, mostre todo o impacto desta alteração."

A IA não apenas responderá.

Ela mostrará:

  • dependências;

  • riscos;

  • qualidade;

  • governança;

  • responsáveis.


Como começar a estudar?

Se você é um COBOL Padawan, siga esta ordem.

Etapa 1 — Domine o Mainframe

Antes de IA, conheça bem:

  • JCL

  • TSO

  • SDSF

  • VSAM

  • DB2

  • CICS

  • IMS

Sem isso, você não entenderá de onde vêm os dados.


Etapa 2 — Aprenda Modelagem de Dados

Estude:

  • Chaves primárias

  • Chaves estrangeiras

  • Normalização

  • Data Warehouse

  • Data Lake

  • Data Products


Etapa 3 — Aprenda Governança

Entenda conceitos como:

  • Metadata

  • Business Glossary

  • Data Steward

  • Lineage

  • Data Quality

  • Data Catalog

  • Ownership

Esses termos aparecerão cada vez mais no mercado.


Etapa 4 — Estude IA Corporativa

Depois avance para:

  • LLM

  • RAG (Retrieval-Augmented Generation)

  • Agentes de IA

  • MCP (Model Context Protocol)

  • IBM watsonx

  • IBM Bob

  • watsonx Orchestrate

Você perceberá que IA corporativa é muito diferente de simplesmente conversar com um chatbot.


Dicas práticas para evoluir

✔ Aprenda SQL profundamente. A IA depende de dados bem estruturados.

✔ Leia documentação de arquitetura dos sistemas onde trabalha. O contexto de negócio é tão importante quanto o código.

✔ Familiarize-se com ferramentas de análise de impacto, catálogos de dados e governança. Muitas das capacidades do Agentic Data Intelligence automatizam tarefas que hoje são feitas manualmente.

✔ Estude conceitos de segurança, LGPD e classificação de dados. Um bom profissional de Mainframe entende que proteger a informação é tão importante quanto processá-la.

✔ Experimente copilotos e agentes de IA, mas sempre valide as respostas. A confiança em IA corporativa nasce da combinação entre automação e governança.


Curiosidades

  • A maior parte do conhecimento de uma empresa não está no código COBOL, mas nas regras de negócio documentadas — ou, muitas vezes, apenas na cabeça dos especialistas.

  • Grandes bancos mantêm aplicações com mais de 40 anos de evolução contínua. Compreender suas dependências é um desafio monumental.

  • O conceito de lineage existe há anos em ferramentas de integração de dados, mas agora passa a fazer parte das respostas produzidas por agentes de IA.

  • O Model Context Protocol (MCP) está se consolidando como um padrão importante para conectar modelos de IA a ferramentas e fontes de conhecimento corporativo.

  • O futuro da IA empresarial dependerá menos de modelos gigantes e mais da capacidade de utilizar dados confiáveis, governados e contextualizados.


Conclusão: o futuro pertence a quem entende contexto

Durante décadas, o diferencial de um excelente programador COBOL nunca foi decorar comandos do compilador ou conhecer todas as instruções da linguagem. O que realmente fazia diferença era compreender profundamente as regras de negócio, as dependências entre sistemas e a história por trás de cada aplicação.

O Agentic Data Intelligence leva essa mesma filosofia para a Inteligência Artificial.

Em vez de responder apenas com base em dados brutos, os agentes passam a consultar glossários de negócio, políticas de governança, linhagem dos dados, métricas de qualidade e informações sobre responsabilidade dos ativos. Em outras palavras, eles começam a agir como faria um analista experiente que conhece o ambiente da empresa.

Para o COBOL Padawan, isso representa uma oportunidade extraordinária. Dominar apenas a linguagem COBOL continuará sendo importante, mas já não será suficiente. O profissional que se destacar será aquele capaz de unir programação, arquitetura de dados, governança, inteligência artificial e conhecimento do negócio.

Assim como o Mainframe evoluiu de cartões perfurados para APIs REST, microsserviços e integração com nuvem, a próxima evolução será impulsionada por agentes inteligentes capazes de compreender o contexto completo da organização.

E talvez essa seja a maior lição deste café no Bellacosa Mainframe:

O código continua sendo essencial, mas o verdadeiro poder está em compreender o significado dos dados. Quem dominar esse conhecimento ajudará a construir a próxima geração de sistemas inteligentes sobre a plataforma mais confiável do mundo: o IBM Z.

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Hybrid Search no Db2: Quando SQL Encontra Inteligência Artificial (e o Banco de Dados Aprende a Entender Pessoas)

 

Bellacosa Mainframe e o hybrid search no db2

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Hybrid Search no Db2: Quando SQL Encontra Inteligência Artificial (e o Banco de Dados Aprende a Entender Pessoas)

Como o Db2 12.1.5 transformou o banco relacional em uma plataforma de IA para busca semântica, RAG e aplicações inteligentes.

"Durante décadas perguntávamos ao banco de dados 'onde está este registro?'. Agora começamos a perguntar 'o que você sabe sobre este assunto?'. Essa pequena mudança muda absolutamente tudo."


Introdução

Se você programa em COBOL, trabalha com Db2, escreve SQL diariamente ou administra ambientes IBM, talvez tenha ouvido alguém dizer recentemente:

"O Db2 agora suporta Hybrid Search."

E a primeira reação costuma ser:

"Legal... mas o que exatamente isso significa?"

Se você pensou isso, prepare seu café.

Porque essa novidade representa uma das maiores mudanças conceituais do Db2 desde a chegada do suporte nativo a JSON, XML e às tecnologias modernas de integração.

Não estamos falando de mais um índice.

Nem de um novo tipo de tabela.

Estamos falando de ensinar um banco de dados a procurar significados, e não apenas palavras.


Uma pequena viagem no tempo

Durante praticamente cinquenta anos, bancos de dados responderam perguntas muito simples.

Você perguntava:

SELECT *
FROM CLIENTES
WHERE CPF='12345678900';

O banco respondia imediatamente.

Perfeito.

Depois surgiram buscas textuais.

Por exemplo:

SQLCODE -904

ou

CICS RESP 16

O banco localizava exatamente aquelas palavras.

Ainda perfeito.

Mas então chegou a IA.

E os usuários começaram a perguntar coisas como:

"Por que meu batch fica preso durante a madrugada?"

Ou:

"Existe algum programa parecido com este COBOL?"

Ou ainda:

"Onde existe documentação sobre autenticação?"

Nenhuma dessas perguntas possui uma resposta baseada apenas em igualdade de caracteres.

É aí que nasce a busca vetorial.


O problema da busca tradicional

Imagine uma documentação contendo:

Resource unavailable

Deadlock

Timeout

IRLM contention

Agora imagine que alguém pesquisa:

Meu programa trava esperando recursos.

Nenhuma palavra coincide.

Resultado?

0 documentos encontrados

Mas qualquer analista experiente sabe que provavelmente o problema é exatamente um deadlock ou contenção.

O computador não sabia.

A IA sabe.


Keyword Search

Na figura apresentada pelo autor vemos dois blocos.

O primeiro é:

Keyword Search

Essa é a busca clássica.

Ela utiliza motores especializados como:

  • OpenSearch

  • Elasticsearch

Esses motores trabalham com índices invertidos.

Em vez de procurar documento por documento, eles mantêm enormes catálogos de palavras.

Por exemplo:

SQLCODE

↓

Documento 14

Documento 39

Documento 122

ou

COBOL

↓

Documento 2

Documento 98

Documento 430

É extremamente rápido.

E extremamente preciso.


Onde ela é excelente?

Quando você procura:

  • CPF

  • CNPJ

  • Número de pedido

  • Código do produto

  • SQLCODE

  • Nome de programa

  • VSAM KSDS

  • DSNUTILB

  • IKJEFT01

Ela é praticamente imbatível.


Mas existe um limite...

Ela não entende contexto.

Para ela,

erro de conexão

é completamente diferente de

falha de comunicação

Mesmo que um ser humano saiba que são praticamente a mesma coisa.


A revolução dos Embeddings

Agora chegamos ao conceito mais importante.

Quando falamos em IA Generativa existe uma palavra que aparece o tempo inteiro:

Embedding.


Imagine duas frases.

Cliente perdeu acesso.

e

Usuário não consegue entrar.

São palavras diferentes.

Mas possuem praticamente o mesmo significado.

Como um computador entende isso?

Transformando texto em matemática.

Cada documento vira um enorme vetor.

Algo parecido com:

[0.27,
0.81,
-0.19,
...
768 números]

Ou até

1536 dimensões

dependendo do modelo utilizado.

Esses números representam o significado do texto.


Curiosidade

Quando falamos "vetor", muita gente imagina apenas três dimensões.

Como:

X

Y

Z

Na IA isso não existe.

Os vetores normalmente possuem:

  • 384 dimensões

  • 768 dimensões

  • 1024 dimensões

  • 1536 dimensões

  • 3072 dimensões

Cada dimensão captura alguma característica semântica aprendida pelo modelo.

Nenhum ser humano consegue visualizar isso.

Mas algoritmos conseguem calcular a distância entre dois vetores em microssegundos.


Db2 12.1.2: o primeiro passo

A IBM deu um passo importante com o Db2 12.1.2, quando introduziu armazenamento nativo de vetores (Vector Data Type) e busca por similaridade.

Isso permitiu guardar embeddings diretamente nas tabelas do Db2 e realizar consultas de vizinhos mais próximos (Nearest Neighbor Search), sem depender obrigatoriamente de um banco vetorial dedicado.

Na prática, o Db2 passou a ser capaz de responder perguntas como:

"Quais documentos possuem significado semelhante a este?"

Era metade do caminho para aplicações de IA.


Db2 12.1.5: nasce o Hybrid Search

A verdadeira virada acontece com o Db2 12.1.5, disponibilizado pela IBM em 2025, quando foi anunciada a integração entre o mecanismo vetorial do Db2 e motores de busca como OpenSearch e Elasticsearch.

Agora temos duas pesquisas acontecendo simultaneamente:

Keyword Search
Vector Search

E ambas convergem para um único ranking.

Esse conceito recebe o nome de:

Hybrid Search.


Unified Ranking

Talvez este seja o recurso mais inteligente de toda a arquitetura.

Imagine uma pergunta:

Como resolver SQLCODE -904?

A busca por palavras encontra:

SQLCODE -904

Já a busca vetorial localiza documentos que mencionam:

  • Resource unavailable

  • Tablespace offline

  • Dataset indisponível

  • Problemas de I/O

  • Lock de recurso

Mesmo sem citar literalmente o código.

Agora imagine que os resultados sejam combinados.

Em vez de duas listas diferentes, temos apenas uma:

1 Documento A

2 Documento B

3 Documento C

4 Documento D

Todos classificados pela relevância.

É isso que o Unified Ranking faz.


Como essa arquitetura funciona?

                 Pergunta

                     │

                     ▼

      "Como resolver timeout?"

                     │

      ┌──────────────┴──────────────┐

      ▼                             ▼

Keyword Search               Vector Search

(OpenSearch)                 (Db2 Native)

      ▼                             ▼

         Unified Ranking

                 ▼

      Documentos Relevantes

                 ▼

         Large Language Model

                 ▼

          Resposta Final

Perceba algo interessante.

O LLM não pesquisa diretamente.

Quem faz a pesquisa continua sendo o banco.

A IA apenas utiliza os documentos encontrados.

Esse é exatamente o princípio do RAG (Retrieval-Augmented Generation).


E onde entra o SQL?

A primeira coisa que muitos desenvolvedores COBOL perguntam é:

"Vou parar de usar SQL?"

A resposta é:

Não.

Na verdade, você usará ainda mais SQL.

O que muda é que agora existirão novas funções relacionadas a vetores, similaridade e integração com índices textuais.

O SQL continua sendo o coração da solução.


Exemplo prático para quem trabalha com COBOL

Imagine um repositório com:

  • 18.000 programas COBOL

  • 12.000 Copybooks

  • 4.000 Jobs JCL

  • 8.000 documentos técnicos

  • 30 anos de documentação

Um programador novo pergunta:

"Existe alguma rotina semelhante ao cálculo de juros compostos?"

Nenhum programa chama exatamente:

JUROS_COMPOSTOS

Mas diversos possuem comentários como:

Interest calculation

Financial accrual

Capitalization

A busca vetorial encontra todos eles.

A busca lexical encontra aqueles que realmente possuem a palavra "juros".

O Hybrid Search combina tudo.


Outro exemplo

Imagine pesquisar:

Problemas de autenticação RACF

Keyword encontra:

RACF

Vector encontra:

Security

Authorization

Login

Access denied

SAF

ACEE

Muito mais inteligente.


Por que OpenSearch?

Muita gente pergunta:

"Se o Db2 já possui vetor, por que usar OpenSearch?"

Porque são especialidades diferentes.

O OpenSearch continua sendo excelente para:

  • Full Text Search

  • BM25

  • Índices invertidos

  • Autocomplete

  • Facetas

  • Ranking lexical

Enquanto o Db2 faz muito bem:

  • SQL

  • Dados relacionais

  • Vetores

  • Similaridade

Cada um faz aquilo em que é especialista.


Curiosidade

O OpenSearch nasceu quando a Amazon criou um fork aberto do Elasticsearch após mudanças no licenciamento da Elastic.

Hoje ambos continuam extremamente populares.

O Db2 consegue integrar com os dois.


Easter Egg nº 1

Se você já assistiu Star Wars, pense assim.

Keyword Search é como procurar um Jedi pelo nome.

Luke Skywalker

Vector Search é usar a Força.

Você sente que alguém está ali mesmo sem saber exatamente quem é.

Hybrid Search?

É usar os dois ao mesmo tempo.


Easter Egg nº 2

Quem cresceu usando Google provavelmente nunca percebeu.

Quando você pesquisa:

carro vermelho

O Google não procura apenas essas duas palavras.

Ele tenta entender intenção.

Hybrid Search leva essa mesma filosofia para dentro do banco de dados corporativo.


Easter Egg nº 3

O famoso comando do TSO:

FIND

procura caracteres.

O Hybrid Search procura conhecimento.

É uma evolução conceitual parecida com sair de um índice telefônico para um assistente inteligente.


Onde veremos isso nos próximos anos?

Praticamente em todos os sistemas corporativos.

Imagine:

✔ Assistente para COBOL.

✔ Pesquisa inteligente em JCL.

✔ Busca em documentação CICS.

✔ Pesquisa em milhares de Stored Procedures.

✔ Localização automática de código semelhante.

✔ Descoberta de APIs relacionadas.

✔ Pesquisa em incidentes históricos.

✔ Chatbots internos.

✔ Copilotos para desenvolvedores.


O impacto para quem trabalha com Mainframe

Durante muito tempo existiu o mito de que IA e Mainframe eram mundos separados.

Hoje isso não faz mais sentido.

O Mainframe continua sendo responsável pelas informações mais críticas das empresas.

A IA precisa exatamente dessas informações.

E o Db2 está se tornando uma ponte entre esses dois universos.

Em vez de exportar tudo para outra plataforma, é possível realizar boa parte da recuperação inteligente diretamente onde os dados já estão, mantendo segurança, governança e consistência.


Dicas para o programador júnior

  • Continue estudando SQL. Ele continua sendo indispensável.

  • Aprenda conceitos de IA, mas não abandone fundamentos de banco de dados.

  • Entenda o que são embeddings, similaridade e RAG.

  • Familiarize-se com OpenSearch e Elasticsearch.

  • Estude como modelos de linguagem utilizam bases corporativas.

  • Explore as novidades do Db2 12.1.x e acompanhe os anúncios da IBM sobre recursos de IA.


Conclusão

Durante décadas, a missão do Db2 foi responder perguntas objetivas sobre dados estruturados. Com a chegada do suporte a vetores no Db2 12.1.2 e da integração com OpenSearch e Elasticsearch no Db2 12.1.5, o banco passa a participar de uma nova geração de aplicações capazes de compreender contexto e significado.

Essa evolução não substitui SQL nem elimina a importância dos índices tradicionais. Pelo contrário: combina o melhor dos dois mundos. A busca lexical continua sendo excelente para códigos, identificadores e termos exatos, enquanto a busca vetorial amplia a capacidade de encontrar conceitos relacionados, mesmo quando as palavras utilizadas pelo usuário são diferentes daquelas presentes nos documentos.

Para quem desenvolve em COBOL, administra ambientes IBM ou trabalha com arquitetura de sistemas, entender Hybrid Search significa compreender como serão construídos os copilotos, os assistentes técnicos e as soluções RAG que deverão fazer parte do ecossistema corporativo nos próximos anos.

A tecnologia muda. Os princípios permanecem. E talvez a maior lição seja esta: o Db2 continua sendo um banco de dados extraordinário, mas agora ele também começa a compreender o significado das perguntas que fazemos. Isso representa uma mudança de paradigma tão importante quanto a adoção do SQL décadas atrás e coloca o ecossistema IBM em uma posição estratégica para a era da Inteligência Artificial.


terça-feira, 23 de junho de 2026

☕🚀 IBM Garage para Padawans do COBOL

 

Bellacosa Mainframe apresenta o IBM Garage

☕🚀 IBM Garage para Padawans do COBOL

Como a IBM descobriu que colocar arquitetos, desenvolvedores e usuários numa sala com Post-it era mais barato do que deixar um Comitê decidir durante 18 meses

Por Vagner Bellacosa – Bellacosa Mainframe


Introdução

Existe uma cena que provavelmente aconteceu em algum lugar do planeta Terra.

Uma grande empresa possui:

  • 40 milhões de linhas COBOL;

  • 8 regiões CICS;

  • 12 subsistemas DB2;

  • IMS desde a época em que Darth Vader ainda era funcionário da Estrela da Morte;

  • dezenas de integrações misteriosas que ninguém sabe exatamente quem fez.

Então alguém da diretoria aparece numa reunião e pergunta:

"Por que nosso aplicativo não é igual ao Nubank?"

Silêncio.

O programador COBOL olha para o sysprog.

O sysprog olha para o DBA.

O DBA olha para o arquiteto.

O arquiteto olha para o teto.

O teto continua sendo o profissional mais experiente da sala.

E foi justamente para lidar com este tipo de situação que surgiu uma metodologia chamada:

IBM Garage

E não...

Não é uma oficina mecânica da IBM.

Você não troca óleo do z16.

Não calibra pneus do CICS.

Não faz alinhamento de DB2.

Apesar de alguns ambientes precisarem desesperadamente de uma revisão completa.


A origem do IBM Garage

A IBM percebeu uma coisa importante.

Muitas empresas estavam gastando fortunas em projetos de transformação digital.

E a sequência era sempre parecida.

Fase 1

Consultoria.

Fase 2

PowerPoint.

Fase 3

Mais PowerPoint.

Fase 4

Comitê.

Fase 5

Outro comitê.

Fase 6

Projeto cancelado.

Fase 7

Novo projeto para descobrir porque o primeiro falhou.

Não parecia eficiente.

A IBM decidiu buscar inspiração em outro lugar.

Nas startups.

No Vale do Silício.

No Design Thinking.

No Agile.

No Lean Startup.

E criou algo chamado:

IBM Garage.

O objetivo era simples.

Parar de discutir ideias infinitamente.

E começar a construir.

Rapidamente.


O que significa Garage?

A inspiração vem literalmente das garagens onde várias empresas começaram.

Apple.

HP.

Google.

Amazon.

Muitas delas nasceram em espaços pequenos.

Com poucas pessoas.

Testando ideias.

Errando.

Aprendendo.

E evoluindo rapidamente.

A IBM tentou trazer esta mentalidade para empresas gigantes.

Inclusive bancos.

Seguradoras.

Governos.

Telecom.

Empresas aéreas.

Hospitais.


O problema das empresas tradicionais

Imagine um banco.

Ele possui.

COBOL

CICS

IMS

DB2

VSAM

MQ

Batch

JCL

Tudo funcionando.

Há décadas.

Milhões de transações.

99,999% disponibilidade.

Mas surge uma nova necessidade.

Aplicativo mobile.

Pix.

Open Finance.

IA.

Chatbots.

APIs.

Machine Learning.

Analytics.

A pergunta aparece.

Como modernizar?

Reescrever tudo?

Jamais.

Isso seria equivalente a desmontar um Boeing 787 em pleno voo.

E pedir para os passageiros aguardarem tranquilamente.


O IBM Garage resolve isso

A ideia é:

Não jogar fora.

Não substituir.

Não destruir.

Mas aproveitar.

Modernizar.

Expor.

Integrar.

Evoluir.


Os pilares do IBM Garage

Design Thinking

Descobrir o problema.

Não assumir soluções.

Perguntas.

Quem usa?

Como usa?

Por que usa?

O que incomoda?


Agile

Pequenas entregas.

Feedback rápido.

Melhoria contínua.

Não esperar dois anos.

Não esperar aprovação do Conselho Jedi.


DevOps

Automação.

Pipeline.

Testes.

Deploy.

Integração contínua.


Hybrid Cloud

Executar aplicações onde faz sentido.

Cloud.

OpenShift.

IBM Z.

Linux.

Containers.


Inteligência Artificial

Watsonx.

LLMs.

Assistentes.

Análise de dados.


O IBM Garage para quem trabalha com Mainframe

Aqui fica interessante.

Porque o COBOL deixa de ser visto como problema.

E passa a ser ativo estratégico.

Imagine.

Programa COBOL

CICS

z/OS Connect

API REST

Aplicativo Android

Fim.

Sem reescrever.

Sem migrar.

Sem trauma psicológico.


Exemplo real

Sistema bancário.

Programa COBOL:

CONSCLIE

Recebe:

CPF

Retorna:

Nome

Saldo

Conta

Antes.

Somente terminal 3270.

Agora.

API.

JSON.

Cliente consulta pelo celular.

COBOL continua executando.

Feliz.

Seguro.

Confortável.

Como um senhor aposentado tomando café observando jovens discutirem Kubernetes.


As quatro fases do IBM Garage

1 Descobrir

Workshop.

Usuários.

TI.

Negócio.

Arquitetos.

Desenvolvedores.

Perguntas.

O que dói?

O que demora?

O que pode melhorar?


2 Definir

Escolher MVP.

Escopo.

Backlog.

Priorização.


3 Construir

Sprint.

Desenvolvimento.

Testes.

Protótipos.


4 Escalar

Produção.

DevSecOps.

Observabilidade.

Governança.


Exemplo para um desenvolvedor COBOL Júnior

Vamos imaginar.

Seu gerente diz.

Precisamos criar uma API.

Consultar cliente.

Passo 1

Identificar programa COBOL.

CONSCLIE

Passo 2

Verificar COMMAREA.

01 DFHCOMMAREA.

   05 CPF         PIC X(11).

   05 NOME        PIC X(40).

   05 SALDO       PIC S9(9)V99.

Passo 3

Criar serviço z/OS Connect.

Mapear campos.

Passo 4

Gerar Swagger.

Passo 5

Publicar.

Passo 6

Testar.

curl http://api.banco.com/clientes/12345678901

Resposta.

{
"name":"JOAO SILVA",
"saldo":1500.50
}

Pronto.

Você participou de uma iniciativa IBM Garage.

Sem perceber.


Ferramentas utilizadas

OpenShift

Git

Jenkins

UrbanCode

Ansible

Instana

Turbonomic

watsonx

Zowe

z/OS Connect

API Connect


O papel do desenvolvedor COBOL

Muita gente acredita.

Garage é somente para arquitetos.

Errado.

COBOL Developers são fundamentais.

Porque conhecem.

Regras de negócio.

Batch.

CICS.

DB2.

Processos críticos.

Sem eles.

Modernização vira arqueologia.


Dicas para um Programador COBOL Júnior

Estude APIs

REST.

JSON.

Swagger.

OpenAPI.


Aprenda Git

Git é obrigatório.


Conheça Docker

Mesmo sem usar.

Entenda conceitos.


Aprenda OpenShift

É o Kubernetes corporativo da IBM.


Estude z/OS Connect

Talvez seja a ferramenta mais importante atualmente para integração Mainframe.


Aprenda Agile

Scrum.

Kanban.

Sprint.


Não tenha medo de IA

A IA provavelmente escreverá códigos.

Mas dificilmente entenderá cinquenta anos de regras bancárias escondidas em programas COBOL com 80 mil linhas.

Você entenderá.

E isso possui enorme valor.


Minha opinião sobre IBM Garage

Eu gosto da proposta.

Porque ela reconhece algo importante.

Mainframe não é problema.

Mainframe é patrimônio.

COBOL não está morrendo.

Está sendo conectado.

API por API.

Container por container.

Sprint por sprint.

Workshop por workshop.

Até que um sistema criado em 1989 converse naturalmente com uma aplicação React, um chatbot baseado em LLM, um aplicativo Android e um painel analítico em nuvem.

E talvez esta seja a maior lição do IBM Garage.

Transformação digital não significa jogar fora décadas de conhecimento.

Significa pegar tudo aquilo que funciona incrivelmente bem.

Colocar uma interface moderna.

Adicionar automação.

Criar APIs.

Aplicar inteligência artificial.

E permitir que a próxima geração de desenvolvedores COBOL continue escrevendo história.

Porque, no fim das contas, o COBOL continua sendo aquele veterano experiente do escritório.

Ele não usa tênis colorido.

Não fala em Web3.

Não posta frases motivacionais no LinkedIn.

Mas é ele que paga os boletos do banco.

Processa salários.

Liquida cartões.

Movimenta bolsas de valores.

Autoriza pagamentos.

E mantém o mundo funcionando enquanto a internet discute qual será o próximo framework JavaScript da semana.

E talvez seja exatamente por isso que o IBM Garage exista.

Para mostrar que inovação não é destruir o passado.

É construir uma ponte elegante entre 1960 e 2030.

E fazer isso tomando um bom café, de preferência acompanhado de um desenvolvedor COBOL, um arquiteto IBM Z, um especialista em APIs e algumas dezenas de Post-its espalhadas pela mesa.

Apenas tome cuidado.

Se alguém aparecer dizendo que vai reescrever 40 milhões de linhas COBOL em um final de semana usando Inteligência Artificial, esconda o café.

E chame imediatamente um sysprog.


segunda-feira, 15 de junho de 2026

☕🚀 Azure + IBM MQ + CICS + COBOL: Quando a Nuvem Descobre Que Ainda Precisa do Mainframe

Bellacosa Mainframe e uma visão da integração mainframe + nuvem


☕🚀 Azure + IBM MQ + CICS + COBOL: Quando a Nuvem Descobre Que Ainda Precisa do Mainframe

A arquitetura híbrida que responde em milissegundos e movimenta bilhões sem que ninguém perceba

Existe uma frase que escuto há mais de trinta e cinco anos:

"O Mainframe está morrendo."

A primeira vez que ouvi isso foi quando ainda existiam fitas magnéticas por todos os lados, terminais 3270 ocupavam salas inteiras e a internet comercial engatinhava.

Depois ouvi novamente quando surgiram os ERPs.

Depois quando surgiram os Data Centers distribuídos.

Depois quando vieram os smartphones.

Depois quando chegaram os containers.

Depois quando Kubernetes virou moda.

Depois quando a nuvem se tornou o assunto do momento.

E agora escuto novamente com a Inteligência Artificial.

Curiosamente, enquanto todos anunciavam o funeral do Mainframe, ele continuava processando cartões de crédito, transações bancárias, reservas aéreas, operações de seguradoras, sistemas governamentais e bilhões de dólares diariamente.

Talvez o erro nunca tenha sido tecnológico.

Talvez o erro tenha sido imaginar que inovação significa substituir tudo o que existe.

Na prática, a verdadeira inovação costuma acontecer quando conseguimos conectar mundos aparentemente incompatíveis.

E poucas arquiteturas representam isso melhor do que a integração entre Microsoft Azure e IBM Mainframe utilizando IBM MQ, CICS e COBOL.

Estamos falando de uma arquitetura capaz de unir o melhor dos dois universos:

  • Agilidade da nuvem

  • Robustez do Mainframe

  • Escalabilidade dos microsserviços

  • Consistência transacional do CICS

  • Segurança do IBM MQ

  • Décadas de regras de negócio escritas em COBOL

Tudo funcionando como uma única plataforma.


O Grande Equívoco Sobre Modernização

Quando alguém fala em modernização, muitas pessoas imaginam algo parecido com isto:

Sistema Antigo
      ↓
Apagar Tudo
      ↓
Reescrever Tudo
      ↓
Sistema Novo

Na teoria parece simples.

Na prática costuma ser um desastre.

Imagine um banco que possui:

  • 40 milhões de clientes

  • 30 anos de regras de negócio

  • milhares de programas COBOL

  • dezenas de sistemas satélites

  • integrações desconhecidas

Reescrever tudo pode levar anos.

Custar centenas de milhões.

E ainda introduzir novos erros.

Por isso os grandes bancos do mundo adotaram outro caminho.

Em vez de substituir o Mainframe, passaram a conectá-lo ao ecossistema digital.

É exatamente isso que esta arquitetura faz.


O Cliente Nem Imagina o Que Está Acontecendo

Imagine um cliente consultando saldo pelo aplicativo.

Ele toca um botão.

Em menos de um segundo recebe a resposta.

Para ele parece algo simples.

Mas nos bastidores ocorre uma verdadeira orquestra tecnológica.

O aplicativo chama uma API hospedada no Azure.

A API gera uma mensagem JSON.

Essa mensagem atravessa a rede.

Chega ao IBM MQ.

O MQ desperta uma transação CICS.

O CICS chama um programa COBOL.

O COBOL consulta DB2.

A resposta retorna pelo mesmo caminho.

Tudo isso em poucos milissegundos.

O usuário jamais perceberá.

E essa é justamente a beleza da arquitetura.


IBM MQ: O Carteiro Mais Confiável do Mundo Corporativo

Muitos profissionais mais jovens cresceram utilizando APIs REST.

Naturalmente surge a pergunta:

Por que usar MQ?

Porque sistemas críticos exigem garantias que HTTP sozinho não consegue fornecer.

Quando uma mensagem entra em uma fila MQ, ela não desaparece.

Ela permanece armazenada até ser processada.

Mesmo que:

  • um servidor caia

  • a rede falhe

  • uma aplicação seja reiniciada

a mensagem continua lá.

Imagine uma transferência financeira de cem mil reais.

Você gostaria que ela dependesse exclusivamente de uma conexão HTTP momentânea?

Provavelmente não.

É por isso que bancos continuam apaixonados pelo MQ.

Ele foi criado para ambientes onde perder uma única mensagem pode significar prejuízo milionário.


Request-Reply: O Casamento Entre Dois Mundos

Existe um detalhe fascinante nessa arquitetura.

O mundo web é síncrono.

O mundo MQ é assíncrono.

São filosofias diferentes.

Quando um navegador faz uma requisição HTTP, ele espera uma resposta.

Quando uma aplicação grava uma mensagem em uma fila MQ, ela normalmente segue seu caminho.

Mas o usuário quer uma resposta imediata.

Surge então o padrão Request-Reply.

Funciona assim:

A aplicação envia uma mensagem para a fila REQUEST.

O Mainframe processa.

Depois envia uma resposta para uma fila REPLY.

A aplicação recupera a resposta e devolve ao usuário.

Parece simples.

Mas essa simplicidade esconde décadas de evolução arquitetural.


O Poder dos Identificadores

Aqui encontramos um dos elementos mais importantes de toda a solução.

O MsgId.

Cada mensagem recebe um identificador único.

Por exemplo:

A1B2C3D4E5

Quando a resposta é gerada, esse valor reaparece como CorrelId.

Dessa forma:

Request
MsgId = A1B2C3D4E5

Reply
CorrelId = A1B2C3D4E5

A aplicação consegue saber exatamente qual resposta pertence a qual requisição.

Sem isso seria impossível processar milhares de mensagens simultaneamente.

É como o número de protocolo de uma ligação para suporte.

Sem ele tudo viraria uma enorme confusão.


MQ Trigger: O Despertador do Mainframe

Uma das partes mais elegantes dessa arquitetura é o Trigger.

Imagine um operador sentado observando uma fila.

Sempre que chegasse uma mensagem ele iniciaria um programa.

Seria absurdo.

O MQ faz isso automaticamente.

Quando uma mensagem chega:

QUEUE DEPTH = 1

o Trigger entra em ação.

Instantaneamente ele inicia uma transação CICS.

Sem polling.

Sem scripts.

Sem agendadores.

Sem desperdício de CPU.

É uma solução extremamente elegante criada décadas antes do conceito moderno de eventos ganhar popularidade.

Na verdade, muitos sistemas chamados hoje de Event-Driven Architecture fazem algo conceitualmente muito parecido com o que MQ e CICS realizam há anos.


O Router Program: O Maestro da Orquestra

Após a ativação do Trigger entra em cena o Router Program.

Se eu tivesse que apontar o cérebro da arquitetura, seria ele.

Sua função é simples:

Receber.

Analisar.

Decidir.

Encaminhar.

Ele lê o payload.

Consulta tabelas de roteamento.

Avalia parâmetros.

E escolhe qual backend deverá executar o processamento.

Por exemplo:

CONSULTA_CLIENTE → CUST0001
PIX → PIX0001
CARTAO → CARD0001

Isso oferece enorme flexibilidade.

Novos serviços podem ser adicionados sem alterar toda a arquitetura.

Basta cadastrar uma nova regra.

É o equivalente corporativo de um controlador de tráfego aéreo.


Quando COBOL Encontra JSON

Muitos profissionais ainda acreditam que COBOL vive preso a arquivos sequenciais e layouts de 80 colunas.

A realidade atual é muito diferente.

O CICS moderno possui recursos nativos para trabalhar com JSON.

Isso significa que uma estrutura como:

{
  "cliente":"VAGNER",
  "saldo":1500
}

pode ser transformada diretamente em estruturas COBOL.

Sem parsers complexos.

Sem centenas de linhas de manipulação de texto.

Sem gambiarras.

Durante décadas, integrar COBOL com formatos modernos exigia muito esforço.

Hoje o próprio CICS faz grande parte desse trabalho.

Essa é uma das transformações menos conhecidas fora do universo Mainframe.


O Segredo da Performance

Quando alguém vê Azure, JSON e microsserviços, normalmente imagina dezenas de chamadas distribuídas.

Mas o processamento principal acontece dentro do CICS.

E isso muda tudo.

Após chegar ao Mainframe, a execução ocorre dentro de um ambiente extremamente otimizado.

Não existe:

  • startup de container

  • inicialização de JVM

  • criação de novos processos

  • overhead desnecessário

O programa já está carregado.

O ambiente já está pronto.

A transação apenas executa.

É por isso que muitas operações conseguem responder em poucos milissegundos.

Uma característica frequentemente subestimada por quem nunca trabalhou em ambientes de missão crítica.


DB2: O Guardião da Consistência

Toda essa velocidade seria inútil sem consistência.

É aqui que entra o DB2.

Quando o COBOL consulta ou atualiza dados, o DB2 garante:

  • integridade

  • atomicidade

  • isolamento

  • durabilidade

Os famosos princípios ACID.

Em outras palavras:

ou tudo acontece corretamente

ou nada acontece.

Em sistemas financeiros isso não é luxo.

É obrigação.

Ninguém quer descobrir que o débito ocorreu mas o crédito não.


O Valor das Transações

Um aspecto frequentemente ignorado é o gerenciamento transacional.

Quando MQ, CICS e DB2 trabalham juntos, formam um ecossistema extremamente robusto.

Imagine:

  • mensagem recebida

  • atualização realizada

  • resposta enviada

Tudo dentro de uma única unidade lógica de trabalho.

Se qualquer etapa falhar:

rollback.

Como se nada tivesse acontecido.

Esse é um dos motivos pelos quais Mainframes continuam dominando ambientes financeiros.

Confiabilidade não é um recurso opcional.

É parte fundamental do negócio.


Dead Letter Queue: A Sala de Quarentena

Nem toda mensagem nasce perfeita.

Erros acontecem.

Layouts incorretos.

Dados inválidos.

Problemas de roteamento.

Mensagens corrompidas.

Se elas bloqueassem a fila principal, toda a operação sofreria.

A solução é a Dead Letter Queue.

A famosa DLQ.

Ela funciona como uma área de isolamento.

Mensagens problemáticas são removidas do fluxo principal e armazenadas separadamente.

O processamento continua.

Os usuários continuam trabalhando.

A equipe técnica pode investigar posteriormente.

É um conceito simples.

Mas extremamente poderoso.


O Que os Jovens Arquitetos Podem Aprender Com Isso

Existe uma tendência atual de acreditar que tudo começou com APIs, Kubernetes e microsserviços.

Arquiteturas como esta mostram que muitos conceitos modernos possuem raízes muito mais antigas.

Observe:

Eventos.

Mensageria.

Roteamento dinâmico.

Processamento assíncrono.

Alta disponibilidade.

Escalabilidade.

Observabilidade.

Resiliência.

Tudo isso já existia em ambientes Mainframe décadas atrás.

A diferença é que hoje utilizamos novos nomes para ideias antigas.


O Futuro Não É Cloud ou Mainframe

A pergunta correta não é:

Cloud ou Mainframe?

A pergunta correta é:

Como combinar Cloud e Mainframe?

A resposta está justamente nesta arquitetura.

O Azure fornece velocidade para inovação.

O Mainframe fornece estabilidade para execução.

O MQ conecta os dois mundos.

O CICS orquestra as transações.

O COBOL preserva o conhecimento acumulado.

O DB2 protege os dados.

Juntos, eles formam uma plataforma capaz de atender milhões de usuários simultaneamente.


Considerações Finais

Ao observar esta arquitetura, não vejo apenas filas MQ, programas COBOL ou serviços Azure.

Vejo algo muito mais interessante.

Vejo a prova de que tecnologia não é uma disputa entre velho e novo.

É uma construção contínua.

Os sistemas que realmente movem o mundo raramente são os mais barulhentos.

São os mais confiáveis.

Enquanto muitos discutem tendências, frameworks e modismos passageiros, arquiteturas híbridas como esta continuam processando pagamentos, movimentando recursos financeiros, autorizando cartões, executando operações críticas e sustentando economias inteiras.

Talvez essa seja a maior lição de todas.

O futuro não pertence exclusivamente à nuvem.

O futuro pertence às arquiteturas capazes de unir inovação e legado sem sacrificar desempenho, segurança ou confiabilidade.

E poucas combinações fazem isso tão bem quanto Azure, IBM MQ, CICS, COBOL e DB2 trabalhando em perfeita harmonia.

Porque, no final das contas, modernizar não significa destruir o passado.

Significa construir pontes entre o que já funciona e aquilo que ainda está por vir.

E essa arquitetura é uma dessas pontes.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

☕🚀 PADAWAN COBOL, O QUE É O GRAVITY DO SANTANDER?

 

Bellacosa Mainframe e o Gravity do Santander

☕🚀 PADAWAN COBOL, O QUE É O GRAVITY DO SANTANDER?

"Imagine que alguém pegasse décadas de COBOL, CICS, DB2 e Mainframe, colocasse tudo dentro de um foguete espacial e o lançasse rumo à nuvem. Esse foguete atende pelo nome de Gravity."


📖 Sinopse

O Gravity é a plataforma tecnológica criada pelo Banco Santander para modernizar seu núcleo bancário (Core Banking).

Não é apenas um software.

Não é apenas uma migração para nuvem.

É uma estratégia completa para permitir que sistemas bancários gigantescos deixem de depender exclusivamente de ambientes tradicionais de mainframe e passem a operar em arquitetura cloud moderna.

O objetivo é simples:

Fazer um banco de 180 milhões de clientes funcionar com a velocidade de uma fintech sem perder a robustez de um mainframe.


🏛 História

Durante décadas o Santander construiu seus sistemas bancários sobre tecnologias tradicionais:

  • COBOL

  • Mainframe IBM

  • Bancos relacionais

  • Sistemas batch

  • Processamento transacional

Essas plataformas eram extremamente confiáveis.

O problema?

O mercado mudou.

Clientes passaram a exigir:

  • PIX instantâneo

  • Aplicativos móveis

  • APIs

  • Open Finance

  • Integração em tempo real

O modelo tradicional começou a limitar a velocidade de inovação.

Por volta da década de 2010 o Santander iniciou um programa de transformação que culminou no Gravity.

Em 2022 o projeto ganhou notoriedade internacional quando o Google anunciou o uso da tecnologia por trás do Gravity no serviço Dual Run.

Em 2025 o Santander informou que mais de 90% de sua infraestrutura tecnológica já estava em nuvem.


Bellacosa Mainframe visuliza o Gravity

🚀 O que é o Gravity?

Pense nele como um:

Tradutor Universal Bancário

Ele permite que aplicações que antes viviam exclusivamente no mainframe possam operar em ambiente cloud.

Sua função principal é:

  • Modernizar o Core Banking

  • Executar processamento distribuído

  • Operar em nuvem

  • Facilitar migrações

  • Reduzir dependência de hardware especializado


Bellacosa Mainframe uma visao geral do gravity

🏦 O que é Core Banking?

Padawan...

Quando você consulta saldo no aplicativo...

Quando faz um PIX...

Quando recebe salário...

Quando solicita empréstimo...

Tudo isso acaba passando pelo Core Banking.

É o coração do banco.

Sem ele:

💀 nada funciona.


⚙ Como funciona?

O segredo do Gravity é o conceito chamado:

Dual Run

Imagine duas locomotivas andando lado a lado.

Locomotiva 1

Mainframe

  • COBOL

  • CICS

  • DB2

Locomotiva 2

Cloud

  • Microservices

  • Containers

  • APIs

Durante um período ambas executam simultaneamente.

Os resultados são comparados.

Se tudo bater:

✅ a aplicação pode ser movida para nuvem.

Isso reduz enormemente o risco da migração.


🖥 Tecnologias Envolvidas

Embora o Santander não revele todos os detalhes internos, sabe-se que o projeto envolve:

Cloud Computing

  • Google Cloud

  • Kubernetes

  • Containers

APIs

  • REST

  • Open Banking

DevOps

  • CI/CD

  • Deploy automatizado

Data

  • Processamento distribuído

  • Streaming

Engenharia Moderna

  • Observabilidade

  • Telemetria

  • Monitoramento


☕ O que acontece com o COBOL?

A pergunta de um milhão de dólares.

Muitos imaginam:

"Migrar para nuvem significa jogar COBOL fora."

Errado.

O próprio Santander declarou que muitos dos profissionais que criaram os sistemas de mainframe há 20 anos participam do Gravity.

Isso revela algo importante:

O conhecimento de negócio continua valendo ouro.

A linguagem muda.

O negócio permanece.


🔥 Pontos Fortes

Escalabilidade

Pode crescer rapidamente conforme a demanda.


Agilidade

Novas funcionalidades podem ser liberadas em horas.

Antes levavam dias ou semanas.


Menor Dependência de Hardware

Não exige expansão física de datacenters.


Automação

Reduz atividades operacionais repetitivas.


Modernização

Facilita integração com:

  • APIs

  • Open Finance

  • IA

  • Aplicativos móveis


💣 Pontos Fracos

Complexidade

Migrar um banco não é igual migrar um site.

É extremamente complexo.


Custos Elevados

Projetos dessa magnitude custam bilhões.


Dependência da Cloud

O banco passa a depender mais dos provedores de nuvem.


Escassez de Talentos

Encontrar profissionais que entendam:

  • Mainframe

  • Cloud

  • DevOps

  • Negócio bancário

não é simples.


🤔 Curiosidades

Curiosidade 1

O Gravity não foi comprado.

Foi desenvolvido pelo próprio Santander.


Curiosidade 2

O Google aproveitou conceitos da tecnologia para construir o Dual Run.


Curiosidade 3

Poucos bancos do tamanho do Santander tentaram uma transformação tão profunda.


Curiosidade 4

O conhecimento dos especialistas de mainframe foi considerado fundamental.


Curiosidade 5

Mais de 1 trilhão de operações técnicas por ano deverão ser executadas através da plataforma.


🌎 Impacto no Mercado

O Gravity é observado por:

  • BBVA

  • HSBC

  • ING

  • Barclays

  • Deutsche Bank

  • Itaú

  • Bradesco

  • Banco do Brasil

Todos enfrentam o mesmo desafio:

Como modernizar décadas de sistemas sem parar o banco?


👨‍💻 O que muda para o Desenvolvedor COBOL?

Antigamente:

COBOL
 ↓
CICS
 ↓
DB2
 ↓
Produção

Agora:

COBOL
 ↓
API
 ↓
Container
 ↓
Cloud
 ↓
Observabilidade
 ↓
Produção

O desenvolvedor moderno precisa entender:

  • APIs

  • JSON

  • Git

  • DevOps

  • Cloud

  • Segurança


⚠ Riscos para a Carreira

Se o profissional pensar:

"Vou aprender apenas COBOL e parar no tempo."

Existe risco.

O mercado quer cada vez mais:

Profissionais Híbridos

  • COBOL + Cloud

  • COBOL + APIs

  • COBOL + Java

  • COBOL + Python

  • COBOL + DevOps

O especialista puro continua existindo.

Mas o híbrido tende a ser mais valorizado.


🎯 Vantagens para o Profissional Mainframe

O Padawan costuma acreditar que:

"Cloud vai matar o Mainframe."

Na prática acontece o contrário.

Quem entende:

  • Batch

  • Integridade transacional

  • Recuperação

  • Consistência

  • Alta disponibilidade

possui conhecimentos raros que muitos profissionais cloud nunca estudaram.

Por isso diversos arquitetos de transformação digital vieram do mundo mainframe.


☕ Resumo Bellacosa Mainframe

Gravity em uma frase

"É a ponte construída pelo Santander para levar décadas de conhecimento em COBOL e Mainframe para a nuvem sem destruir aquilo que fez o banco funcionar durante gerações."

O Padawan precisa aprender?

✅ Sim.

Precisa abandonar COBOL?

❌ Não.

Precisa aprender cloud?

✅ Sim.

O Mainframe vai acabar amanhã?

❌ Não.

O mercado está mudando?

✅ Muito rápido.

Quem será mais valorizado?

🚀 O profissional que souber conversar tanto com o veterano de JCL quanto com o engenheiro de Kubernetes.

Porque o futuro não é COBOL contra Cloud.

O futuro é COBOL + Cloud, e o Gravity talvez seja um dos maiores exemplos dessa convergência já vistos na indústria bancária mundial. ☕🔥🚀🏦💻

Gravity https://www.santander.com/en/press-room/press-releases/2025/06/santander-completes-the-digitalization-of-its-technology-infrastructure-in-spain-with-the-deployment-of-gravity

Gravity Power https://www.jornalintegracao.com/noticia/40336/revista-britanica-the-banker-elege-o-banco-mais-inovador-do-mundo

Inovação https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/santander-escolhido-como-mais-inovador-por-causa-da-plataforma-gravity/

Gravity - https://sapo.pt/artigo/santander-torna-se-o-primeiro-grande-banco-ocidental-a-operar-100-na-cloud-6865c821bf6e672c9d4acb54

Gravity - https://thedigitalbanker.com/santander-passes-key-milestone-in-its-transformation-after-migrating-its-cib-banking-platform-to-the-cloud/