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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

“86-13-37: Quando a casa ganhou voz”. Um conto do Pequeno Trabalhador, Parte 4

 


📞 El Jefe Midnight Lunch —  Um conto do Pequeno Trabalhador, Parte 4
“86-13-37: Quando a casa ganhou voz”
Por Bellacosa Mainframe

Estamos de volta ao Cecap no Quiririm em 1984.


O cheiro de tijolo novo, tinta fresca e esperança misturado a caótica mudança de Sampa a Taubaté. A família Bellacosa em modo multitarefa, estilo “z/OS em IPL pós-pânico”: todo mundo executando job, subtarefa, batch noturno, tarefa oculta… tudo ao mesmo tempo. Era reconstrução física, emocional e financeira — tudo junto, tudo misturado — depois do incêndio de 1983.

Foram meses puxados.
Arregaçamos as mangas, suamos, improvisamos, reciclamos e substituímos cacarecos velhos para devolver dignidade ao lar, meu pai com sua experiência em fazer funiliaria em seus automóveis velhos, usou massa plástica para reconstruir o gabinete da fiel TV CRT Preto e Branco Phico Ford. A geladeira parcialmente destruída, foi reformada tanto na lataria como no motor, e colocada em estado de novo, servindo nosso lar, por mais de uma década, sendo aposentada, quando eu ja trabalhava e comprei uma zero bala nas lojas Arapuam. Cada martelada era um checkpoint. Cada móvel novo (ou semi-novo) era uma vitória. E foi no meio desse caos organizado que surgiu a grande novidade.

Algo que, para muita gente hoje, não faz nem cócegas.
Mas pra nós… era a chegada do futuro.



O telefone. Nosso primeiro telefone. O lendário número 86-13-37.

Meus pais, sempre visionários, resolveram alugar um aparelho — porque na época telefone era quase um carro: caro, raro e valioso. A justificativa era prática: “pra divulgar trabalho, ligar pra clientes, fazer panfletagem…” — sim, panfletagem real, analógica, raiz, sem algoritmo, sem impulsionamento.

E adivinha quem ficou encarregado de distribuir spam manual, caixa postal por caixa postal, por todo o CECAP?

Sim, eu mesmo.
E o Celo, meu companheiro de aventuras.
Formávamos uma dupla dinâmica que hoje renderia um spin-off só nosso: dois moleques pedalando, colando panfletos, enfiando papel nos correios, correndo de cachorro, conversando com vizinhos… éramos quase um cluster de entrega distribuída, versão 1.0.

Mas nada — absolutamente nada — superava a sensação de ter um telefone em casa.

Parecia magia.
Era como se tivéssemos instalado um gateway para o mundo.



Com o 86-13-37, tudo mudou:

📞 falar com parentes distantes;
🏖 ligar para meus avôs Anna e Pedro na Praia Grande;
👋 ouvir histórias, novidades… e broncas;
🤣 ouvir as “historinhas” no 200-1234 (quem viveu, sabe!);
😂 aplicar e receber os primeiros trotes telefônicos — o proto-meme da década.

Era um universo novo.
Era CICS aberto, sessão iniciada, TSO READY.




E aí, abro um parênteses do século XXI, porque é impossível não comparar:

O telefone fixo virou fóssil.
Tenho um até hoje… não uso há séculos. Veio grudado no pacote da fibra ótica e ficou ali como quem guarda uma peça de museu — funcional, mas ignorado.

O celular então… virou mico.
Nos primórdios custava uma fortuna, cada impulso parecia preço de mainframe por MIPS. Depois virou SMS, depois WhatsApp, Telegram… e hoje quase ninguém usa pra ligar.
A ironia: as operadoras mataram o próprio produto com ganância e tarifas absurdas. Empurraram todos nós para alternativas mais baratas, eficientes e… livres.

O triste fim do telefone.
O outrora símbolo de status, comunicação e progresso… hoje é quase um ornamento.




Mas sem chatices, porque aqui é Midnight Lunch e nostalgia merece brilho:

Ainda lembro a emoção real, quase palpável, de ver aquele aparelho instalado na sala.
A liberdade que ele trouxe.
A sensação de que o mundo estava, literalmente, a um toque de distância.

O velho 86.13.37.
A primeira voz da casa renascida.

E um dia, prometo, conto a história da central móvel de telefonia, dos filamentos de cobre coloridos, das pulseirinhas estilosas feitas com restos de cabo multicolorido… um verdadeiro ASSEMBLER de memórias.

Porque cada fio daqueles carregava uma história.
E muitas delas ainda estão aqui, vivas, prontas pra ganhar outro capítulo.

Até a próxima chamada. 📞💾✨


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

🌸 Mottainai x Wabi-Sabi x Kintsugi 🌸

 

Bellacosa Mainframe mottainai wabi-sabi kintsugi

🌸Mottainai x Wabi-Sabi x Kintsugi 🌸

O comparativo definitivo da filosofia japonesa (versão mainframeira)

Se o Japão fosse um sistema legado — e é, no melhor sentido — esses três conceitos seriam módulos diferentes, cada um cuidando de um aspecto da vida. Eles não competem. Eles se complementam.


🧩 VISÃO GERAL (para quem quer o resumo executivo)

ConceitoFoco principalPergunta-chave
MottainaiValor e não desperdícioPor que jogar fora algo que ainda tem valor?
Wabi-SabiImperfeição e transitoriedadePor que exigir perfeição do que é humano?
KintsugiReparação e históriaPor que esconder cicatrizes em vez de valorizá-las?

Agora vamos abrir o código fonte de cada um.


🔥 MOTTAINAI — O controle de desperdício do sistema

Mottainai é o conceito mais direto, quase operacional. Ele diz:

“Isso ainda serve. Isso ainda tem valor. Jogar fora é desrespeito.”

No dia a dia:

  • Não desperdiçar comida

  • Consertar antes de substituir

  • Reaproveitar objetos

  • Valorizar tempo e esforço

No mundo mainframe:

  • Não descartar sistemas estáveis

  • Não ignorar conhecimento antigo

  • Não jogar fora documentação

  • Não desprezar profissionais experientes

📌 Mottainai é o RACF moral: controla acesso ao desperdício.


🌿 WABI-SABI — A estética da imperfeição

Wabi-Sabi é mais silencioso, mais poético. Ele aceita que:

  • Tudo envelhece

  • Tudo muda

  • Tudo é imperfeito

E está tudo bem.

Onde o mundo moderno busca brilho, simetria e novidade, o wabi-sabi busca:

  • Simplicidade

  • Marcas do tempo

  • Beleza discreta

Exemplos:

  • Uma xícara lascada

  • Madeira envelhecida

  • Um jardim irregular

  • Um silêncio confortável

No mainframe:

  • Código feio que funciona

  • Sistema antigo, mas confiável

  • Interfaces sem glamour, mas estáveis

📌 Wabi-Sabi é o VTAM da alma: não aparece, mas sustenta tudo.


✨ KINTSUGI — Reparar sem apagar a história

Kintsugi é a arte de reparar cerâmicas quebradas com ouro.
Não esconde a falha. Destaca.

A mensagem é clara:

“O que quebrou faz parte da história.”

Filosofia:

  • Cicatrizes são aprendizado

  • Quebras não diminuem valor

  • Reparar é um ato de respeito

No mundo real:

  • Traumas superados

  • Erros assumidos

  • Recomeços conscientes

No mundo mainframe:

  • Sistema que já caiu, mas voltou mais forte

  • Código refatorado sem apagar o passado

  • Profissional experiente que já viu de tudo

📌 Kintsugi é o SMF da vida: registra falhas, mas mostra crescimento.


🧠 COMO OS TRÊS SE COMPLETAM

Imagine um objeto quebrado:

1️⃣ Mottainai diz:

“Não jogue fora.”

2️⃣ Wabi-Sabi diz:

“Aceite que ele não será perfeito.”

3️⃣ Kintsugi diz:

“Repare e valorize a cicatriz.”

Separados, são conceitos bonitos.
Juntos, são um sistema filosófico completo.


🎎 Easter eggs & curiosidades

  • Muitos japoneses praticam os três sem saber os nomes

  • Avós são verdadeiros “mestres” desses conceitos

  • Empresas japonesas aplicam isso em engenharia, educação e gestão

  • Esses conceitos influenciam anime, mangá e cinema japonês o tempo todo

Você vê mottainai quando um personagem guarda algo velho,
wabi-sabi nos cenários simples,
e kintsugi nos protagonistas quebrados que seguem em frente.


☕ Comentário final do Bellacosa

O Ocidente ensina:

“Use, descarte, substitua.”

O Japão sussurra:

“Valorize, aceite, repare.”

No fundo, mottainai, wabi-sabi e kintsugi nos ensinam a viver melhor com menos pressa, menos desperdício e mais significado.

Como todo bom sistema legado:

  • Não é bonito

  • Não é rápido

  • Mas é confiável, profundo e humano

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

🧠 Ikigai — O “job” que mantém o japonês ligado desde o IPL da vida

Bellacosa Mainframe em modo ikigai



🧠 Ikigai — O “job” que mantém o japonês ligado desde o IPL da vida

Se você perguntar a um japonês mais velho por que ele acorda todo dia cedo, mesmo aposentado, ele não vai falar em motivação, coaching ou propósito cósmico.

Ele vai responder, com calma:

“É meu ikigai.”


🈶 O que significa Ikigai?

Ikigai (生き甲斐) é formado por:

  • 生き (iki) = viver

  • 甲斐 (gai) = valor, razão, motivo

👉 “Razão de viver”
👉 “Aquilo que faz a vida valer a pena”

Mas atenção, padawan:
❌ Não é “faça o que ama e fique rico”
❌ Não é fórmula de sucesso
❌ Não é só trabalho

Ikigai é continuidade, não explosão.


🏯 Origem histórica (antes do LinkedIn estragar)

O conceito vem do Japão antigo, especialmente:

  • Período Heian (794–1185)

  • Influência do budismo e xintoísmo

  • Cultura agrícola e comunitária

O valor estava no processo, não no resultado.

Cuidar do jardim.
Cozinhar bem.
Ensinar alguém.
Manter tradições.
Cuidar da família.

Tudo isso é ikigai.


🤭 Fofoquice importante (e verdade)

O famoso diagrama:

  • O que você ama

  • O que você faz bem

  • O que o mundo precisa

  • O que te paga

👉 NÃO é japonês.

Foi criado no Ocidente e colado no ikigai como patch mal testado 😅
No Japão, ikigai pode não dar dinheiro nenhum.


🌸 Ikigai na prática japonesa

Exemplos reais:

  • 👵 Senhora que faz bentō há 40 anos

  • 🎣 Pescador que sai todo dia mesmo sem lucro

  • 🧹 Zelador que varre a rua com orgulho

  • 🧓 Idosos de Okinawa cuidando da horta

O Japão associa ikigai a:
✔ longevidade
✔ saúde mental
✔ senso de pertencimento

Não por acaso, Okinawa é uma das regiões com mais centenários.


🎌 Easter eggs culturais

  • Personagens de anime que vivem pelo ofício

    • Jiro em Shokugeki no Soma

    • Mestres em Naruto

    • Artesãos em filmes do Studio Ghibli

  • Mangás sobre rotina e ofício = ikigai puro

  • Doramas sobre trabalho simples e digno


🧠 Como entender o seu ikigai (modo mainframe)

Não pergunte:

“Qual é meu propósito?”

Pergunte:

  • O que eu faria mesmo sem plateia?

  • O que me dá prazer silencioso?

  • O que eu faço bem sem perceber?

  • O que me faz continuar?

Ikigai é processo batch, não job online.


💡 Dicas Bellacosa Mainframe

✔ Comece pequeno
✔ Ignore a versão coach
✔ Não precisa ser grandioso
✔ Pode mudar ao longo da vida
✔ Ikigai ≠ felicidade constante

É estabilidade emocional, não euforia.


🇯🇵 Importância do Ikigai para o Japão

  • Sustenta ética do trabalho

  • Dá sentido ao envelhecimento

  • Valoriza o coletivo

  • Evita o vazio existencial

  • Mantém tradição viva

Ikigai é um sistema legado que nunca saiu de produção.


☕ Conclusão — Shutdown consciente

Ikigai não é sobre vencer.
É sobre continuar.

É aquilo que faz você levantar da cama mesmo quando o mundo não está amigável.

Sem glamour.
Sem palco.
Sem aplauso.

Mas com sentido.

E às vezes…
isso é tudo que a gente precisa para seguir rodando. 🧠✨