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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Principais Variáveis EIB no CICS (Execute Interface Block)

 

Bellacosa Mainframe e as principais variaveis EIB no CICS 

Principais Variáveis EIB no CICS (Execute Interface Block)

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Salve jovem padawan, em minhas aulas de CICS, é costume apresentar as variáveis EIB no decorrer do curso, elas auxiliam um programa online, recebendo valores importantes para o processamento das transações, abaixo apresento uma breve definição. Listo as mais usadas, seu significado e valor.

📘 Definição

O EIB (Execute Interface Block) é uma área de memória automática criada pelo CICS em tempo de execução de uma transação. Ela contém informações contextuais e de controle sobre a execução da task CICS — como horário de início, terminal, ID da transação, teclas pressionadas, retorno de comandos, etc.

Ou seja: é o ambiente operacional da transação, disponível para o seu programa COBOL, PL/I, C, etc., automaticamente.

🔍 Quando e como o EIB é usado

Ao executar um programa em CICS, o sistema insere essa estrutura chamada DFHEIBLK no início do programa. Assim, não é necessário declarar explicitamente, apenas referenciar:

Variável

EIBTRNID

ID da transação em execução (ex: M001, INQ1)

EIBTASKN

Número da task do CICS. É único enquanto a task estiver ativa.

EIBDATE

Data de início da task no formato Julian (AAMMDD)

EIBTIME

Hora de início da task (em centésimos de segundo após meia-noite)

EIBCPOSN

Byte offset do erro de comunicação

EIBCALEN

Tamanho da COMMAREA recebida

EIBAID

Tecla de atenção pressionada (como ENTER, PF3, etc.)

EIBRCODE

Código de retorno da última chamada EXEC CICS (usado em tratamento de erro)

EIBRESP

Código de resposta padrão do comando EXEC CICS (usado com RESP)

EIBRESP2

Código de resposta adicional (mais detalhado que EIBRESP)

EIBRSRCE

Recurso responsável por falha em um comando (ex: nome do recurso)

EIBFN

Código da última função CICS executada (interno)

EIBDS

Nome do arquivo (VSAM, TDQ etc.) acessado mais recentemente

EIBREQID

ID de requisição mais recente (ex: para START ou LINK)

EIBRECV

Indica se houve RECEIVE bem-sucedido

EIBSEND

Indica se houve SEND

EIBATT

Tipo de atenção (PA, PF, ENTER, etc.)

EIBCID

Conversation ID em transações de comunicação interativa

EIBRLDAL

Indica se a tarefa foi reiniciada após falha (Backout recovery)

EIBCONF

Status de confirmação de transação (usado em syncpoints)

Espero ter ajudado, até o proximo artigo.


#ibm #mainframe #cobol #cics #eib #code #tips


quarta-feira, 1 de julho de 2020

CICS Conversacional e Pseudo-Conversacional - Parte I

 

Bellacosa Mainframe e as tecnicas de conversação em programas CICS parte I

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

CICS Conversacional e Pseudo-Conversacional

Parte 1 — Das Conversas Eternas ao Modelo que Move o Mundo

"Salve, jovem Padawan Mainframe! Pegue seu café, abra uma sessão do SDSF, deixe o IPCS de prontidão e venha comigo entender uma das maiores sacadas de engenharia já criadas pela IBM. Hoje vamos falar sobre dois conceitos que sustentam boa parte das aplicações bancárias do planeta: CICS Conversacional e Pseudo-Conversacional."


O que é uma aplicação Conversacional?

Imagine que você está conversando com alguém pelo telefone.

Você liga.

A pessoa atende.

A ligação permanece aberta.

Vocês conversam.

Você pensa.

Procura um documento.

Vai tomar café.

Volta.

Continua falando.

Finalmente desliga.

Foi exatamente esta filosofia que inspirou o primeiro modelo de aplicações CICS.

Modelo Conversacional

O programa permanece residente na memória durante toda a interação com o usuário.

Visualmente:

Usuário
   │
EXEC CICS RECEIVE
   │
Programa permanece ativo
   │
Processa
   │
EXEC CICS SEND
   │
Espera usuário
   │
EXEC CICS RECEIVE
   │
Processa
   │
EXEC CICS SEND
   │
...
   │
EXEC CICS RETURN

O programa nunca sai da memória.

A task permanece viva.

A TCA continua alocada.

O TCB continua associado.

A área de trabalho permanece disponível.

Tudo fica esperando.

Inclusive o usuário.


O problema

Vamos imaginar um banco em 1982.

Existem:

5.000 terminais.

3.000 usuários.

2.000 consultas simultâneas.

Cada usuário fica parado.

Lendo a tela.

Pensando.

Conferindo CPF.

Procurando documentos.

Tomando café.

Atendendo telefone.

Conversando.

Enquanto isso...

O programa continua residente.

A task continua viva.

O CICS continua consumindo recursos.

A memória continua ocupada.


O nascimento da pseudo-conversação

Os engenheiros da IBM olharam para isso e disseram:

"Por que manter um programa carregado esperando um ser humano pensar?"

E a resposta foi brilhante.

Não vamos esperar.

Vamos embora.

Quando o usuário voltar...

Criamos outra task.

Recuperamos o estado.

Continuamos.

Nascia a pseudo-conversação.


O que é Pseudo-Conversação?

A pseudo-conversação é um modelo onde o programa não fica esperando.

Ele:

Mostra a tela.

Encerra a task.

Libera recursos.

Quando o usuário aperta ENTER...

Uma nova task é criada.

Tudo continua.

Como se nada tivesse acontecido.


Fluxo


Usuário

   │

Executa CLI1

   │

Programa COBOL

   │

SEND MAP

   │

RETURN TRANSID

COMMAREA

   │

Task termina



=====================


Usuário digita


ENTER


=====================


Nova Task


Recebe COMMAREA


RECEIVE MAP


Processa


SEND MAP


RETURN


É quase uma ilusão.

Parece conversacional.

Mas não é.

Por isso o nome:

Pseudo-Conversacional.


Comparando os dois modelos

CaracterísticaConversacionalPseudo
Task ativaSimNão
Programa residenteSimNão
Consome memóriaAltaBaixa
EscalabilidadeRuimExcelente
Usado atualmenteRaroPadrão
Ideal para milhares usuáriosNãoSim

Por que a IBM venceu?

Porque ela resolveu um problema gigantesco.

Imagine.

100 mil usuários.

Cada um esperando.

Em modelo conversacional.

Seria inviável.

No pseudo.

As tasks duram poucos milissegundos.

O usuário pensa.

Mas o mainframe trabalha em outra coisa.


Analogia moderna

Conversacional:

Você deixa o Uber esperando na porta enquanto toma banho.

Pseudo-conversacional:

Você pede outro Uber quando estiver pronto.

O custo muda completamente.


O segredo: COMMAREA

A memória da aplicação.

Entre uma task e outra.

Exemplo:


01 WS-COMM.

   05 WS-CLIENTE.

      10 WS-CODIGO PIC 9(6).

      10 WS-NOME PIC X(30).

      10 WS-PAGINA PIC 99.

      10 WS-MODO PIC X.



Primeira execução

Como descobrir?

Usando:

EIBCALEN



IF EIBCALEN = ZERO

   PERFORM PRIMEIRA-VEZ

END-IF


Primeira vez.

Sem COMMAREA.


Retorno



IF EIBCALEN > ZERO

   PERFORM RETORNO


END-IF


Existe contexto.

Usuário voltou.


Salvando estado



EXEC CICS RETURN

TRANSID('CLI1')

COMMAREA(WS-COMM)

LENGTH(100)

END-EXEC.


CICS guarda.

Task termina.

Memória liberada.


Criando nova task

Usuário aperta ENTER.

CICS cria:

Nova TCA

Nova Task

Novo TCB

Novo EIB

Mas entrega a COMMAREA.

Tudo continua.

Mágica.

Engenharia.

IBM.


O papel do BMS

Sem BMS.

Pseudo-conversação seria muito mais complicada.

Precisaríamos:

Salvar coordenadas.

Salvar cursor.

Salvar atributos.

Salvar campos.

O BMS faz tudo isso.


SEND MAP

Mostra tela.



EXEC CICS SEND MAP

MAP('TELA1')

MAPSET('CLIMAP')

ERASE

FREEKB

END-EXEC.



RECEIVE MAP

Recebe dados.



EXEC CICS RECEIVE MAP

MAP('TELA1')

MAPSET('CLIMAP')

INTO(TELA1I)

END-EXEC.



Curiosidade Bellacosa Mainframe

Muitos sistemas bancários desenvolvidos em 1985 ainda utilizam exatamente este modelo.

Mudou o hardware.

Mudou o storage.

Mudou a CPU.

Mudou a interface.

Mas a arquitetura continua.

E continua funcionando.

Talvez esta seja uma das maiores demonstrações da elegância da engenharia IBM.


Easter Egg Mainframe

Alguns desenvolvedores chamavam aplicações conversacionais de:

Programas preguiçosos.

Porque passavam a maior parte do tempo...

Esperando o usuário pensar.

Enquanto os programas pseudo-conversacionais eram apelidados de:

Programas ninja.

Aparecem.

Executam.

Desaparecem.

Voltam.

Executam.

Somem novamente.

Tudo em poucos milissegundos.


Continua...

Na Parte 2 veremos:

✔ Problemas clássicos do modelo conversacional;

✔ Deadlocks de recursos;

✔ Pseudo-conversação com múltiplas telas;

✔ COMMAREA versus Channels e Containers;

✔ Web Services no CICS;

✔ REST, SOAP e z/OS Connect;

✔ Exemplos COBOL completos;

✔ Boas práticas;

✔ Troubleshooting;

✔ Curiosidades e easter eggs pouco conhecidos do universo CICS.