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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Tenho 52 Anos, mas o Twitter Quer que Eu Pague para Provar que Sou Adulto

 

Bellacosa Mainframe alem de provar q eu sou eu mesmo tenho q provar q sou velho +18

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Tenho 52 Anos, mas o Twitter Quer que Eu Pague para Provar que Sou Adulto

Ou: como a proteção dos menores criou uma internet com pedágio de identidade, censura indireta e um novo código regional para cinquentões perigosamente alfabetizados

Prólogo — O algoritmo examinou meus documentos imaginários e concluiu que talvez eu tivesse doze anos

Tenho 52 anos.



Trabalho com computadores desde quando eles ocupavam salas inteiras, exigiam ar-condicionado próprio e eram tratados com mais respeito do que muitos diretores. Conheci a internet quando ela ainda chegava acompanhada pelo ruído cerimonial de um modem, uma espécie de grilo eletrônico anunciando que, depois de vinte tentativas, talvez fosse possível abrir uma página.

Atravessei a era do disquete, do CD-ROM, do DVD dividido em regiões, das senhas com oito caracteres, do monitor de fósforo verde e dos sistemas que perguntavam se eu realmente desejava sair antes de me abandonarem para sempre.

Depois de tudo isso, o Twitter — ou X, como prefere ser chamado desde que recebeu nome de projeto secreto recusado por uma empresa de ficção científica — decidiu que talvez eu ainda não tenha idade suficiente para acessar determinados conteúdos e conversas.

Felizmente existe uma solução muito adulta: pagar uma assinatura.

Na minha experiência com a plataforma, o caminho apresentado para recuperar determinadas áreas e provar que sou maior de idade passa pelo serviço pago. A assinatura surge, na prática, como uma espécie de certidão digital de maturidade.

Não importa que eu tenha atravessado mais de meio século, trabalhado em CPDs, pago impostos, criado um filho, participado da vida pública, acumulado cabelos brancos e sobrevivido a incontáveis reuniões corporativas.

Para o algoritmo, continuo sendo um adolescente suspeito até que o cartão de crédito declare:

“Confirmo que este cavalheiro já pode ler.”

O Visconde de Valmont, personagem imortalizado por John Malkovich em Ligações Perigosas, certamente apreciaria a elegância do mecanismo. Não é necessário proibir diretamente. Basta transformar a liberdade em um benefício premium e deixar que a vítima assine voluntariamente o recibo da própria submissão.

É uma sedução muito bem executada.



1. Não provaram que sou menor — presumiram que não paguei

Existe uma diferença fundamental entre proteger menores e tratar todo adulto não pagante como menor presumido.

No primeiro modelo, a plataforma identifica razoavelmente um risco e oferece formas proporcionais de confirmação de idade.

No segundo, temos esta lógica:

não assinou = identidade insuficiente  
identidade insuficiente = idade desconhecida  
idade desconhecida = possível menor  
possível menor = acesso reduzido

Pronto. Uma sequência impecável, quase tão elegante quanto um programa COBOL que move espaços para o campo de data e depois culpa o usuário pelo S0C7.

A assinatura paga não comprova perfeitamente a maioridade. Um adolescente pode usar o cartão dos pais. Um adulto pode não possuir cartão, não desejar fornecê-lo, não querer pagar ou simplesmente considerar absurdo comprar acesso a algo que anteriormente já podia consultar.

Portanto, não estamos diante de um método científico para determinar idade. Estamos diante de uma classificação econômica:

Adulto confiável é o adulto monetizado.

O jovem com cartão familiar atravessa a porta. O cinquentão desconfiado permanece do lado de fora, contemplando o porteiro digital.



2. Aos 52 anos, recebi uma versão infantil da internet

O problema não se limita ao conteúdo pornográfico.

Quando uma plataforma classifica perfis, imagens ou conversas como sensíveis, o bloqueio pode alcançar:

  • notícias sobre guerras;

  • fotografias históricas;

  • debates políticos;

  • relatos de violência;

  • educação sexual;

  • quadrinhos;

  • mangás;

  • animes;

  • obras de arte;

  • campanhas de saúde;

  • denúncias de abuso;

  • conversas entre adultos;

  • perfis inteiros que publicaram algum material considerado sensível.

O algoritmo não lê como um adulto. Ele administra riscos como um departamento jurídico depois do terceiro café e antes da reunião com a diretoria.

Uma pintura renascentista, uma página de Milo Manara, uma cena de anime, uma reportagem policial e pornografia propriamente dita podem terminar na mesma gaveta: “sensível”.

E eu, aos 52 anos, recebo a edição da internet preparada para alguém que talvez ainda precise da autorização dos pais para assistir ao filme das dez.

A infantilização do usuário adulto é vendida como segurança.

Valmont provavelmente diria que a melhor prisão não é aquela que impede a saída. É aquela que convence o prisioneiro de que a chave somente está disponível no plano anual.


3. A censura moderna não precisa usar tesoura

A censura clássica era grosseira.

Havia um funcionário, um carimbo, uma tesoura e uma decisão clara: esta cena pode; aquela não pode; este livro está proibido; aquele filme será cortado.

A censura moderna possui melhor design.

Ela utiliza:

  • termos de serviço;

  • classificação automatizada;

  • redução de alcance;

  • bloqueio geográfico;

  • verificação de idade;

  • suspensão preventiva;

  • remoção silenciosa;

  • desmonetização;

  • assinatura premium;

  • resposta automática sem direito efetivo de contestação.

Ninguém precisa declarar oficialmente que você foi censurado. A plataforma apenas informa que determinado conteúdo “não está disponível”, “pode ser sensível” ou “exige confirmação”.

Não há praça pública, censor visível nem lista de livros proibidos. Existe apenas uma tela vazia e um botão para assinar.

Juridicamente, convém fazer a distinção: uma restrição imposta por empresa privada não é automaticamente censura estatal. Contudo, para o usuário que perdeu acesso a conversas, autores e conteúdos, o efeito material pode ser censório.

A conversa desapareceu.

O perfil ficou invisível.

O acervo deixou de ser acessível.

A memória digital foi reduzida.

Podemos chamar isso de “experiência personalizada”, caso a palavra censura cause desconforto ao departamento de marketing.


4. A proteção de menores tornou-se a chave-mestra

Proteger crianças e adolescentes é obrigação legítima. Existem aliciamento, abuso, exploração sexual, violência transmitida pela internet e redes organizadas que precisam ser combatidas.

O problema começa quando a frase “proteger as crianças” se torna uma chave capaz de abrir qualquer porta jurídica e fechar qualquer porta cultural.

Quem tenta discutir precisão, proporcionalidade ou liberdade artística corre o risco de receber a pergunta fatal:

“Então você é contra a proteção das crianças?”

É uma armadilha retórica perfeita.

A pessoa razoável responde que evidentemente deseja proteger crianças. Nesse momento, já aceitou discutir somente a intensidade do bloqueio, e não se o mecanismo escolhido é adequado.

A Lei nº 15.487/2026 ampliou o alcance do Estatuto da Criança e do Adolescente para incluir representações de crianças ou adolescentes reais ou fictícios em conteúdos definidos como sexualizados ou libidinosos. A norma também alcança determinadas situações produzidas por tecnologias digitais e inteligência artificial.

O objetivo declarado é combater violência sexual e fechar lacunas criadas por deepfakes e materiais inteiramente artificiais. O problema está na amplitude de expressões como “contexto”, “pose”, “enquadramento”, “conotação sexual” e “demais elementos relevantes”.

Um personagem fictício possui idade determinada pela narrativa? Pela aparência? Pelo corpo? Pela opinião do perito? Pela imaginação do promotor? Pela indignação da associação que surgiu na terça-feira e na quarta já representava todas as crianças desenhadas do hemisfério sul?

O texto oficial pode ser consultado na Lei nº 15.487/2026.

A proteção é necessária. A falta de fronteiras claras é perigosa.


5. O velho CD número 17 agora precisa de parecer jurídico

Imagine uma coleção particular com centenas de horas de animes gravados em CDs e DVDs ao longo de vinte ou trinta anos.

O proprietário não se recorda de cada episódio, cada cena de banho, cada piada de duplo sentido nem da idade declarada de cada elfa que frequentava uma escola mágica em 2003.

Quando o material foi adquirido ou gravado, não existia proibição específica envolvendo determinados personagens fictícios. Décadas depois, a legislação muda.

O passado não é punido retroativamente pela lei nova. Entretanto, armazenar material pode ser considerado uma conduta permanente enquanto o arquivo continua sob controle do proprietário.

Surge então o paradoxo: algo adquirido legalmente pode transformar-se em risco jurídico sem que o colecionador tenha produzido, divulgado ou sequer assistido novamente ao conteúdo.

O CD não mudou.

O arquivo não mudou.

O desenho não mudou.

Mudou o olhar do Estado sobre ele.

A partir desse momento, o colecionador precisa imaginar se algum jurista particularmente criativo poderá descobrir uma adolescente onde ele sempre enxergou uma mulher adulta estilizada.

Druuna, de Paolo Eleuteri Serpieri, é representada claramente como mulher adulta. Muitas personagens de Milo Manara também aparecem em narrativas adultas, embora tenham rostos jovens e corpos idealizados.

Mas o desenho não traz certidão de nascimento anexada ao quadrinho.

A acusação poderá chamar uma personagem de “teen”. A defesa poderá chamá-la de jovem adulta. Um perito poderá medir proporções. Outro falará sobre ingenuidade facial. O juiz decidirá se os quadris possuem idade penalmente relevante.

O Direito terá inventado a antropometria da ninfeta fictícia.

Cesare Lombroso talvez retornasse apenas para pedir participação nos direitos autorais.


6. Los Três Amigos e a defensora pública dos Miguelitos

Pensemos em Los Três Amigos, de Angeli, Laerte e Glauco.

A obra nasceu no universo underground da Chiclete com Banana, povoada por Angel Villa, Laerton, Glauquito, violência, sexo, drogas, perversões, mulas e hordas de Miguelitos infernizando a vida de todos no Viejo México.

Era uma sátira adulta, suja, exagerada e moralmente instável — exatamente como deve ser um bom quadrinho underground.

Se surgisse hoje, provavelmente seria acompanhado por:

  • classificação para maiores de 18 anos;

  • embalagem lacrada;

  • aviso sobre conteúdo sensível;

  • parecer jurídico;

  • consultoria de representação;

  • campanha de boicote;

  • denúncia por estereótipos;

  • pedido de proteção integral aos Miguelitos;

  • associação defensora das mulas exploradas;

  • especialista explicando que a obra normaliza ambientes laborais tóxicos no deserto.

A sátira seria obrigada a comprovar que sabe ser sátira.

Uma página seria retirada do álbum e publicada isoladamente. Um influenciador perguntaria se você deixaria seu filho ler aquilo, embora a revista nunca tivesse sido destinada a crianças. Um parlamentar gravaria um vídeo indignado segurando o quadrinho com uma luva, como se tivesse localizado plutônio enriquecido num sebo.

No fim, talvez a obra fosse considerada constitucionalmente protegida.

Cinco anos depois.

Após processos, despesas, apreensões, cancelamentos e o desaparecimento da editora.

A absolvição tardia é uma forma muito elegante de censura. A obra vence, mas já não existe ninguém para reimprimi-la.


7. Ligações Perigosas talvez também precise apresentar documentos

E aqui chegamos ao anfitrião ácido desta conversa.

Ligações Perigosas trata de manipulação, sedução, poder, moralidade, desejo e destruição. Seus personagens não oferecem modelos seguros para uma campanha educativa. Valmont não pede consentimento ao departamento de compliance antes de iniciar seus jogos psicológicos. A Marquesa de Merteuil dificilmente seria aprovada por uma consultoria de relacionamento saudável.

A obra não nos manda imitá-los.

Ela os apresenta.

Essa diferença elementar — representar não é recomendar — parece cada vez mais difícil de preservar.

Um dia alguém poderá dizer que o filme romantiza manipulação, abuso emocional, relações desequilibradas ou exploração de jovens. Outra pessoa pedirá aviso de conteúdo. Uma plataforma poderá restringi-lo. Um algoritmo talvez conclua que determinados diálogos são impróprios.

Não acredito que Ligações Perigosas esteja prestes a ser proibido no Brasil. Mas já não parece absurdo imaginar uma versão cortada, escondida, reclassificada ou indisponível em determinado catálogo nacional.

Valmont não seria derrotado pela virtude.

Seria derrotado pelo geoblocking.


8. A volta do DVD regional

Quem comprava DVDs lembra-se do pequeno globo acompanhado por um número.

  • Região 1: Estados Unidos e Canadá.

  • Região 2: Europa e Japão.

  • Região 4: América Latina e Austrália.

Você adquiria um filme no exterior, chegava em casa e descobria que o aparelho brasileiro se recusava a executá-lo. O disco estava perfeito. O aparelho funcionava. O problema era geopolítico: o cinema havia recebido fronteiras invisíveis.

A internet prometeu eliminar isso.

Agora estamos construindo um sistema ainda mais sofisticado:

DVD antigoInternet atual
Região gravada no discoPaís identificado pelo IP
Bloqueio no aparelhoBloqueio na conta
Catálogo físico diferenteCatálogo digital diferente
Compra permanenteLicença revogável
Disco continuava com vocêObra pode desaparecer da nuvem
Um número no globoRegra invisível
Região geográficaPaís, idade, assinatura e perfil

O novo código regional será formado por uma equação:

localização + idade presumida + identidade + assinatura + lei nacional
= conteúdo permitido

Um japonês poderá acessar determinado mangá.

Um europeu verá uma edição diferente.

O brasileiro encontrará uma página vazia.

O adulto brasileiro não assinante receberá uma página ainda mais vazia, cuidadosamente preparada para sua segurança.


9. A biografia também poderá atravessar a alfândega moral

Imagine uma autobiografia em que uma pessoa relata aventuras da juventude:

  • a primeira relação sexual;

  • namoros entre adolescentes;

  • diferenças de idade toleradas na época;

  • festas;

  • drogas;

  • viagens;

  • prostituição;

  • ambientes clandestinos;

  • comportamentos que hoje seriam julgados de outra maneira.

Contar não é necessariamente promover.

Registrar não é repetir.

Descrever um erro não é convidar o leitor a cometê-lo.

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal decidiu na ADI 4815 que biografias não dependem de autorização prévia. O STF considerou que exigir autorização constitui censura prévia, sem eliminar eventual responsabilização posterior por abusos. A decisão pode ser consultada no portal do STF.

Mas a censura contemporânea não precisa impedir formalmente a publicação.

Pode fazer algo mais delicado:

  • a editora rejeita o original;

  • a livraria digital restringe a obra;

  • o processador de pagamento recusa o produto;

  • a plataforma limita sua divulgação;

  • o algoritmo marca a capa;

  • o marketplace remove o anúncio;

  • o autor passa anos explicando uma passagem isolada.

O livro continua teoricamente permitido.

Apenas não pode ser vendido, localizado, divulgado nem monetizado.

Uma liberdade muito bem-comportada: existe no papel, desde que ninguém tente exercê-la.


10. O paradoxo da privacidade

Para provar que sou adulto, posso ser obrigado a fornecer mais informações:

  • documento;

  • fotografia;

  • cartão;

  • dado biométrico;

  • número telefônico;

  • conta associada;

  • histórico de pagamento.

Quanto mais desejo preservar minha privacidade, menor se torna minha internet.

A mensagem é simples:

Entregue seus dados para provar que merece privacidade adulta.

É uma construção digna da Marquesa de Merteuil.

A proteção da intimidade exige a exposição da identidade. A segurança obriga o usuário a compartilhar aquilo que deseja proteger. Quem recusa não é tratado como cidadão cuidadoso, mas como perfil incompleto e, portanto, suspeito.

Não quero pagar uma assinatura apenas para demonstrar algo que o calendário prova diariamente desde 1992.

Não quero transformar meu cartão de crédito em certidão de nascimento.

E não aceito a premissa de que o adulto somente adquire autonomia depois de tornar-se cliente premium.


11. A internet não será proibida — será dividida em castas

Talvez não vejamos uma grande muralha digital brasileira. O modelo mais provável é mais discreto.

Teremos diferentes internets:

  • a internet do menor;

  • a internet do adulto não verificado;

  • a internet do adulto identificado;

  • a internet do assinante;

  • a internet do criador monetizado;

  • a internet permitida no Brasil;

  • a internet liberada no Japão;

  • a internet acadêmica;

  • a internet corporativa;

  • a internet que existe, mas não aparece na busca.

Isso não ocorrerá por meio de um único plano central.

Cada lei acrescentará uma pequena restrição.

Cada plataforma adicionará uma margem de segurança.

Cada departamento jurídico recomendará bloquear um pouco mais.

Cada algoritmo cometerá alguns falsos positivos.

Cada usuário perderá um pequeno pedaço.

Quando percebermos, a biblioteca mundial terá sido transformada em um conjunto de salas. Para entrar em cada uma, será necessário apresentar documento, localização, assinatura e uma declaração de bons costumes.

O censor do futuro não perguntará o que você pensa.

Perguntará qual é o seu plano.


12. Proteger crianças não exige infantilizar adultos

É perfeitamente possível defender simultaneamente:

  • combate rigoroso à exploração sexual infantil;

  • remoção rápida de material criminoso;

  • investigação de aliciadores;

  • responsabilização de plataformas negligentes;

  • proteção de dados dos menores;

  • mecanismos de supervisão parental;

  • liberdade artística;

  • preservação histórica;

  • privacidade dos adultos;

  • acesso proporcional;

  • contestação de decisões automatizadas;

  • verificação etária gratuita e minimamente invasiva.

A escolha não precisa ser entre uma internet sem regras e um condomínio digital administrado por um síndico moralista.

O que precisamos é de precisão.

Leis penais devem definir com clareza aquilo que proíbem. Plataformas devem explicar por que restringiram determinada conta. Adultos devem possuir forma gratuita de contestar classificações incorretas. Obras históricas, jornalísticas, artísticas e acadêmicas precisam de salvaguardas claras.

A proteção de crianças não pode funcionar como cheque em branco para vigiar toda a população.

Quando o Estado e as empresas não conseguem distinguir criança de adulto, arte de abuso, arquivo de propaganda e ficção de incentivo, o problema não é falta de tecnologia.

É falta de critério.


Epílogo — O cinquentão perigosamente não assinante

Tenho 52 anos.

Não sou menor de idade, embora o algoritmo mantenha prudente reserva a esse respeito.

Não preciso que uma plataforma escolha quais conversas posso ler. Não preciso que meu cartão de crédito testemunhe em favor da minha maturidade. E certamente não preciso pagar mensalmente para receber a honra de ser reconhecido como adulto.

O Twitter não me proibiu formalmente.

Apenas reduziu meu acesso, ocultou conteúdos e colocou a solução atrás de uma assinatura.

É uma diferença juridicamente importante e humanamente cômica.

O Visconde de Valmont aprovaria. Afinal, as restrições mais elegantes são aquelas em que a vítima precisa pagar para chamá-las de liberdade.

Talvez um dia Ligações Perigosas seja considerado perigoso demais. Talvez Manara precise anexar certidões de nascimento às suas personagens. Talvez Druuna compareça perante um perito para provar que é adulta. Talvez os Miguelitos conquistem representação processual e as mulas recebam medida protetiva.

Até lá, continuarei aqui: cinquentão, brasileiro, colecionador, leitor, usuário da internet desde o tempo dos modems e oficialmente suspeito de juventude excessiva.

Não por parecer jovem.

Mas por não ter assinado.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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