🕊️ White Day — O ACK do Amor no Mainframe Japonês
Uma crônica ao estilo Bellacosa Mainframe para o blog El Jefe Midnight Lunch
Se você acha que o Japão é apenas o berço do karaokê, dos animes e das máquinas de venda automática que desafiam as leis da física (e do bom senso), prepare-se: existe toda uma arquitetura social por trás da forma como eles lidam com o amor.
E sim — essa arquitetura tem mais camadas que um dump de CICS pós-ABEND.
O que mais gostei desta data festiva é que faço aniversario no dia 14 de Março e saber que nesse, milhares de pessoas estão felizes comemorando o amor, dando o pontapé inicial nos jogos amorosos é categoria LENDARIO.
14 de março — Quando o Japão manda o “ACK” de volta
No Brasil, 14 de março é só uma data perdida no calendário, um checkpoint sem mensagens no JES2.
Mas no Japão… meu amigo… é quase um SVC de sentimentos.
O nome? White Day.
A função? Responder ao Valentine’s Day.
O espírito? Retribuir com classe, açúcar e soft skills milenares.
Pensa assim:
Se o Valentine’s Day japonês é o SEND do pacote emocional, o White Day é o RECEIVE COMPLETE.
Tudo muito bonitinho, tudo muito flowchart perfeito, tudo muito japonês.
🍫 Como começou — Spoiler: não foi um samurai apaixonado
Todo mundo imagina uma lenda milenar:
um samurai devolvendo marshmallows para a princesa,
uma gueixa fazendo chocolates brancos na lua cheia,
um monge inventando doces para equilibrar o yin e yang do afeto…
Nada disso.
Na verdade, o White Day surgiu em 1978, quando a Associação de Confeitaria do Japão percebeu um bug no romance nacional:
-
14/02: mulheres dão chocolates.
-
15/02: homens continuam quietos, tipo processo batch “non interactive”.
A indústria viu a oportunidade e pensou:
“E se criarmos um dia para obrigar essa galera a comprar doces também?”
E pronto.
Nasce o White Day.
Implementação simples, impacto permanente.
É o marketing rodando em produção sem backout plan.
🧁 Marshmallow Day → White Day — A refatoração mais doce da história
O primeiro nome da data era Marshmallow Day, acreditou?
Uma empresa de Fukuoka queria vender marshmallows brancos para homens devolverem os chocolates que receberam.
Aí o Japão fez o que faz melhor:
refatorou o nome, escalou a ideia, adicionou load balancing cultural, e renomeou para White Day.
De marshmallow, passou a valer chocolate branco, biscoito branco, presente branco, sorriso branco, tudo branco.
É quase uma política de:
IF VALENTINE-RECEIVED THEN RETURN-SOMETHING-BETTER.
🧠 Giri, Honmei e o RPG Social Japonês
No Valentine’s Day japonês, a mulher escolhe o “tipo de chocolate”:
-
Giri-choco (obrigação): para colegas, chefes, amigos
-
Honmei-choco (verdadeiro): para o crush ou amado
Sim, é um JCL com parâmetros diferentes.
Símbolos distintos, intenções distintas — e se o homem interpretar errado, dá ABEND U4040 emocional.
No White Day, o homem precisa devolver:
-
Algo igual → amigo
-
Algo melhor → crush
-
Algo muito melhor → casamento em 6 meses
É Java?
É Python?
Não.
É o JavaScript das relações humanas: cheio de regras implícitas que só quem nasceu lá entende.
🧩 Curiosidades que dariam um dump cultural
-
Alguns homens tentam devolver “triplo”, seguindo o termo sanbai gaeshi (retorno triplicado).
A indústria? Aplaude de pé. -
Se o cara devolve só marshmallow, significa “obrigado, mas não vai rolar”.
É tipo um RC=04 educado. -
A Coreia adotou o White Day… e criou o Black Day em abril para quem ficou sozinho nos dois.
Porque na Ásia até a tristeza tem documentação.
🎎 Por que “White”?
Além dos doces brancos, tem a associação com pureza xintoísta, luz, começo…
Mas a verdade?
Porque vende.
A cor é perfeita para empacotar:
-
chocolate
-
fondue
-
biscoito
-
até promessa vazia
🖥️ A lógica japonesa aplicada ao Mainframe
O White Day é o mais próximo que a sociedade humana chegou de um protocol stack emocional:
-
14/02: INPUT da relação
-
14/03: OUTPUT de retorno
-
Se não devolver: timeout + silent drop
-
Se devolver errado: rerun com warnings
-
Se devolver bem: commit da transação
E assim, o Japão transformou o amor em algo cuidadosamente controlado, como se fosse uma alter table partitioning aplicada ao coração.
🌕 Conclusão ao estilo El Jefe Midnight Lunch
O White Day não é só uma data.
É um patch cultural, um hotfix emocional, um SMP/E de sentimentos.
É o Japão fazendo aquilo que sempre fez melhor:
organizando o caos humano em rotinas previsíveis, elegantes e surpreendentemente eficientes.
E como diria qualquer mainframeiro que já mexeu com retorno de processo:
Um presente bem escolhido salva um relacionamento inteiro.
Um presente mal escolhido… vira um ABEND que nem o suporte resolve.