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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Mainframe, conheça um pouco sobre Sistemas Centrais

Mainframe Grande computadores predominantemente oriundos da IBM com grande poder computacional, que esta por traz de todos os processos governamentais, grandes bancos, seguradoras e complexos militares. Trabalha através de processo online via transações assíncronas CICS, síncronas CICS, chamadas JAVA ao DB2 e processamento Batch em janelas de horário.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

🔥 IBM 3592 JF – O cartucho que carrega impérios de dados

 


🔥 IBM 3592 JF – O cartucho que carrega impérios de dados




🧠 Introdução – quando o dado dorme em fita, mas sonha em petabytes

Se você acha que fita magnética é coisa de museu, é porque nunca encarou um IBM 3592 JF rodando em um TS1140/TS1150 dentro de um data center que parece mais uma nave espacial do que uma sala fria.
O 3592 JF não é “backup”. Ele é arquivo corporativo, retenção legal, seguro contra ransomware e, em muitos bancos, a última linha de defesa da civilização digital.

Bem-vindo ao mundo onde dados não são deletados — são arquivados com honra.


📜 História – da fita de rolo ao JF

A linhagem do IBM 3592 nasce no início dos anos 2000 como sucessor espiritual das 3490/3480.
O sufixo JF marca uma geração madura, refinada, feita para:

  • Ambientes z/OS heavy-duty

  • Integração com DFSMS/HSM

  • Coexistência com VTS, TS7700 e GDPS

📼 O JF é o tipo de mídia que sobrevive a mudanças de diretoria, ERPs, fusões e três modas de cloud.


🧱 Arquitetura do cartucho IBM 3592 JF

Características físicas e lógicas:

  • 📏 Formato proprietário IBM (não confundir com LTO)

  • 💾 Capacidade nativa: ~700 GB

  • 🗜️ Capacidade com compressão: até ~2–3 TB (dependendo do workload)

  • 🔐 Suporte a criptografia por hardware

  • 🧬 Servo tracking de altíssima precisão

💡 Easter egg: a densidade da fita é tão alta que um cartucho mal acondicionado “grita” no log do drive antes mesmo de falhar.


🏗️ Onde ele vive no mundo real

Normalmente você encontra o 3592 JF em:

  • 🗄️ IBM TS3500 / TS4500 Tape Library

  • 🧠 TS7700 (Virtual Tape Server) como mídia física de backend

  • 🧾 Ambientes regulados: bancos, seguradoras, governos

Ele conversa intimamente com:

  • z/OS DFSMS

  • HSM (Hierarchical Storage Manager)

  • DFSMShsm Migration / Recall


🔄 Workflow clássico no mainframe

📌 Passo a passo “vida de fita”

  1. Dataset criado (PS ou GDG)

  2. Política de SMS decide: disk hoje, fita amanhã

  3. HSM migra o dataset para fita

  4. Catalog aponta para volume JF

  5. Recall on-demand traz o dado de volta

  6. Dataset volta ao disco como se nada tivesse acontecido

🧙‍♂️ Magia negra mainframe: a aplicação nunca sabe que o dado dormiu em fita.


📊 Logs, SMF e rastros

O 3592 JF deixa pegadas elegantes:

  • SMF 14/15 – uso de fita

  • SMF 42 – atividades de DFSMS

  • SMF 94 – criptografia

  • Logs do TS7700 (se virtualizado)

📎 Dica Bellacosa: fita não mente. Se algo sumiu, o SMF sabe onde foi parar.


🧩 Curiosidades que só quem viveu sabe

  • ☕ Drives 3592 “acordam” antes do operador terminar o café

  • 🔁 Uma fita JF pode sobreviver 30 anos se bem armazenada

  • 🧯 Ransomware odeia fita — ela não monta sozinha

  • 🎩 Cartucho com label mal escrito vira lenda urbana no CPD


🛠️ Dicas práticas de sobrevivência

✔️ Padronize nomenclatura de volumes
✔️ Nunca misture JF com JE/JB sem planejamento
✔️ Use criptografia nativa, não “caseira”
✔️ Monitore recalls excessivos (sinal de má política de HSM)
✔️ Tape não é lenta — lento é acesso mal desenhado


📚 Guia de estudo para mainframers

📖 Leia e domine:

  • DFSMS Storage Administration

  • DFSMShsm Implementation

  • IBM TS11xx Drive Redbooks

  • SMF 14/15 deep dive

🧠 Exercício clássico:

Simule migração, expiração, recall e auditoria de um dataset crítico sem que a aplicação perceba.


🧪 Aplicações reais do IBM 3592 JF

  • 📜 Retenção legal (7–30 anos)

  • 🏦 Histórico financeiro imutável

  • 🧬 Dados médicos arquivados

  • 🛰️ DR offline (air gap real)

  • 📦 Data lake pré-cloud que ainda funciona


🧨 Comentário final – El Jefe Style

Enquanto o mundo discute se “cloud é o futuro”, o IBM 3592 JF continua fazendo o que sempre fez:
guardar o passado para proteger o futuro.

No mainframe, fita não é legado.
É estratégia.

🔥 Midnight Lunch aprovado. A fita gira, o dado dorme, o mainframer sorri.


segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

🕴️ O Homem Médio: o “Salaryman” dos Animes



🕴️ O Homem Médio: o “Salaryman” dos Animes

💼 Quem é o Salaryman?

O salaryman (サラリーマン) é o trabalhador assalariado urbano japonês — terno escuro, gravata, pastinha na mão, metrô lotado às 7 da manhã. Ele é o homem médio, aquele que vive para o emprego, fiel à empresa quase como a um clã.
O termo nasceu no pós-guerra, quando o Japão reconstruía sua economia. As grandes corporações ofereciam emprego vitalício e esperavam, em troca, lealdade total. O resultado? Uma geração de homens moldados pela rotina e pelo sacrifício pessoal.


☕ O arquétipo nos animes

Nos animes, o salaryman aparece tanto como figura trágica quanto cômica. Ele é o homem invisível da metrópole, cercado de néon e solidão. Alguns exemplos emblemáticos:

  • “Aggretsuko” (2018) – Um retrato hilário e melancólico: Retsuko, uma panda-vermelha contadora, sofre com o chefe abusivo e desabafa cantando death metal no karaokê.

  • “Shinya Shokudō” (Midnight Diner) – Mostra o lado humano do salaryman noturno: gente exausta que encontra um pouco de calor em uma tigela de sopa quente às 2 da manhã.

  • “Salaryman Kintarō” (1999) – Um ex-gângster tenta se adaptar à vida corporativa — uma crítica direta ao conformismo e à hierarquia do escritório japonês.

  • “Tokyo Godfathers” (2003) e “Perfect Blue” (1997) também mostram figuras masculinas presas à rotina, sufocadas pela cidade e pelo peso das aparências.


🔁 O ciclo da rotina

O dia do salaryman é quase ritualístico:

  • Acordar cedo, metrô lotado.

  • Trabalho até tarde.

  • Bebedeira com os colegas (por obrigação).

  • Dormir poucas horas, e repetir tudo amanhã.

É uma vida sem clímax narrativo, o oposto da jornada do herói — e justamente por isso, fascinante. O salaryman é o anti-herói moderno: alguém que vive para manter o sistema em funcionamento, sem jamais ser notado.


💔 O custo da conformidade

Essa cultura gera o fenômeno do karōshi (過労死) — morte por excesso de trabalho. Também alimenta temas como solidão, escapismo, jōhatsu (desaparecimento voluntário) e hikikomori.
Nos animes mais sérios, o salaryman é usado para discutir a perda da identidade e o vazio existencial na sociedade japonesa contemporânea.


🌃 Curiosidades e detalhes culturais

  • Muitos salarymen dormem no trem e decoram o tempo exato da viagem para acordar na estação certa.

  • As empresas incentivam o nomikai (bebedeira corporativa) como forma de “harmonizar o grupo”, o que mistura hierarquia e alcoolismo leve.

  • mangás slice of life só sobre o cotidiano desses homens, como “Hataraki Man” e “Shima Kōsaku” — ambos exploram as pressões e pequenas vitórias do mundo corporativo.


💡 Porque o “salaryman” importa

Ele é o espelho do cidadão comum — aquele que trabalha, sofre e sonha pequeno. No Japão, onde o coletivo vale mais que o indivíduo, o salaryman é o herói trágico que sustenta a engrenagem.
Nos animes, ele é lembrado como o homem que não salvou o mundo, mas o manteve girando.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Artigos para ler, Um Roteiro teórico para trabalhar com Mainframe

Roteiro para aprender Mainframe Antes de começarmos, vamos falar sobre computadores, vamos ver as origens, saber sobre computadores e computação.
Leia na Integra

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

🔮 Um Ano Depois — A Memória e a Ferida

 



🔮 Um Ano Depois — A Memória e a Ferida
Por Bellacosa Mainframe | Crônicas do Brasil Inacabado


Um ano.
Doze voltas completas do sol desde o dia em que Brasília foi tomada pela própria sombra.
As vidraças já foram trocadas, os tapetes lavados, os salões voltaram ao brilho cerimonial —
mas as feridas que importam não sangram por fora.

O Brasil chegou a 8 de janeiro de 2024 com o mesmo espelho rachado na alma.
O concreto foi restaurado.
A confiança, não.


🌫️ O Tempo Cura — Mas Não Apaga
O país tenta seguir.
As manchetes mudaram de tema, os discursos migraram para novas polêmicas,
mas basta uma imagem — a bandeira caída, a cúpula quebrada —
para que tudo volte como um eco.

Aquela tarde virou símbolo e cicatriz.
Não mais o susto, mas o sintoma de uma doença longa:
a incapacidade nacional de escutar antes de gritar.


⚙️ O Ano Seguinte em Cinco Movimentos

  1. Os Julgamentos: o STF, agora símbolo de reconstrução, virou palco de justiça e debate moral. As sentenças se tornaram espelhos — uns viram punição, outros viram vingança.

  2. O Esquecimento: o noticiário se cansou. As redes seguiram o ciclo do novo escândalo. Mas há quem ainda acorde com a lembrança de sirenes ecoando no coração da Praça dos Três Poderes.

  3. A Política dos Cacos: os discursos ficaram mais afiados, o país mais cético. Brasília aprendeu a temer o próprio povo — e o povo a desconfiar de tudo.

  4. Os Documentários: o cinema e a TV começaram a narrar o episódio com a frieza do tempo — como quem tenta compreender um trauma coletivo.

  5. O Turismo da Memória: hoje há visitas guiadas que mostram onde o caos entrou. Brasília transformou o horror em aula de história.


💀 Curiosidades do Esquecimento
🔸 As cadeiras do plenário do STF foram restauradas por artesãos de Minas — cada entalhe feito à mão, como quem reza.
🔸 Uma pintura destruída naquele dia, “A Justiça”, foi restaurada e hoje carrega uma marca discreta da invasão, deixada propositalmente — uma cicatriz exposta como lembrança.
🔸 Professores de História chamam o episódio de “Domingo de Cinzas da República”.
🔸 E há quem colecione souvenirs digitais: prints, vídeos, memes — fragmentos de um pesadelo transmitido ao vivo.


🕯️ A Ferida e o Aprendizado
Um país não amadurece sem olhar seus fantasmas.
O 8 de janeiro ensinou que a democracia não morre em golpes súbitos —
ela morre aos poucos, na banalização da mentira,
na paixão cega, na desistência de pensar.

O Brasil vive a ressaca de um delírio coletivo.
E, no meio da confusão, descobre que reconstruir não é punir —
é educar, é lembrar, é repetir até que doa menos.


💭 Para o Padawan, aprendiz do caos e da calma:

“O poder é frágil quando o povo esquece o porquê das leis.
A liberdade não se sustenta no grito, mas no entendimento silencioso.”

Um ano depois, Brasília segue de pé,
mas cada vidro reflete mais do que o horizonte —
reflete a dúvida que paira sobre todos nós:
seremos capazes de aprender com o erro?


🌌 Epílogo: A Cidade Que Sobreviveu ao Seu Povo
Brasília, com suas linhas perfeitas e vazios geométricos,
segue sendo o coração de um país emocionalmente caótico.
O concreto resistiu.
O mito da estabilidade, não.

Mas talvez, como toda ferida, essa também traga um antídoto escondido:
a lembrança de que a democracia é obra diária, não monumento.


🕯️ Um ano depois, o Brasil não é o mesmo —
e talvez isso seja o primeiro sinal de que ainda há salvação.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

☕💣 TESTOU 100% DOS CASOS... E MESMO ASSIM QUEBROU EM PRODUÇÃO? O MAIOR MITO DOS TESTES EM MAINFRAME QUE AINDA ENGANA MUITA GENTE

 

Bellacosa Mainframe e a cobertura de testes em mainframe

☕💣 TESTOU 100% DOS CASOS... E MESMO ASSIM QUEBROU EM PRODUÇÃO? O MAIOR MITO DOS TESTES EM MAINFRAME QUE AINDA ENGANA MUITA GENTE

Se existe uma frase que todo profissional de Mainframe já ouviu alguma vez, ela é:

"O programa foi totalmente testado."

Curiosamente, essa mesma frase costuma aparecer poucas horas antes de um incidente em produção.

E aqui está uma verdade que muitos profissionais descobrem apenas depois de alguns anos de guerra:

Não existe programa totalmente testado.

O que existe é um programa com um nível de cobertura suficientemente alto para reduzir o risco a um patamar aceitável.

A pergunta correta nunca deveria ser:

"O programa foi testado?"

Mas sim:

"Qual foi a cobertura real do teste?"

E mais importante ainda:

"O que ficou sem ser testado?"

Hoje vamos conversar sobre um dos assuntos mais importantes para analistas, desenvolvedores COBOL, testadores, líderes técnicos e gestores de aplicações Mainframe:

Como medir cobertura de testes, construir um plano realmente abrangente e aumentar drasticamente a qualidade das entregas.

Pegue seu café.

Porque cobertura de teste não é quantidade de cenários.

É ciência.


O grande erro: confundir quantidade com cobertura

Muitos profissionais acreditam que executar muitos casos de teste significa possuir alta cobertura.

Não significa.

Imagine um programa COBOL com:

  • 20 IFs

  • 5 EVALUATEs

  • 3 loops

  • 15 regras de negócio

Você executa 500 casos.

Mas todos seguem o mesmo caminho lógico.

Resultado:

  • 500 execuções

  • cobertura baixíssima

Você apenas percorreu a mesma estrada centenas de vezes.

É como testar um elevador indo somente para o segundo andar.

Você pode apertar o botão mil vezes.

Ainda não sabe o que acontece no décimo quinto andar.


O que é cobertura de teste?

Cobertura é uma métrica que mede quanto do comportamento do software foi exercitado durante os testes.

Ela responde perguntas como:

  • Quantas instruções foram executadas?

  • Quantos IFs foram percorridos?

  • Quantas decisões foram avaliadas?

  • Quantos caminhos lógicos foram explorados?

  • Quantas regras de negócio foram validadas?

Quanto maior a cobertura, maior a confiança.

Mas atenção:

100% de cobertura não significa ausência de defeitos.

Significa apenas que tudo foi visitado.

Não necessariamente validado corretamente.


As camadas de cobertura

Um plano robusto costuma analisar múltiplas camadas.


1. Cobertura de instruções (Statement Coverage)

A mais básica.

Pergunta:

Cada linha executável foi executada ao menos uma vez?

Exemplo:

IF SALDO > 0
   MOVE 'A' TO STATUS
ELSE
   MOVE 'B' TO STATUS
END-IF

Se apenas SALDO > 0 foi testado:

MOVE 'A'

executou.

Mas:

MOVE 'B'

não.

Cobertura parcial.

Para atingir 100%, ambos os caminhos precisam ser executados.


2. Cobertura de decisões (Branch Coverage)

Mais importante.

Pergunta:

Cada decisão assumiu todos os resultados possíveis?

Exemplo:

IF CLIENTE-ATIVO

Devemos testar:

  • TRUE

  • FALSE

Muitos projetos param na cobertura de instruções.

Os melhores projetos vão além e medem cobertura de decisões.


3. Cobertura de condições

Exemplo:

IF IDADE > 18
AND RENDA > 5000

Precisamos validar:

IDADERENDA
TT
TF
FT
FF

Caso contrário, parte da lógica pode nunca ter sido exercitada.


4. Cobertura de caminhos (Path Coverage)

Aqui a brincadeira fica séria.

Imagine:

IF A
   IF B
      ...
   END-IF
END-IF

Agora existem vários caminhos:

  • A=T B=T

  • A=T B=F

  • A=F

Quanto mais IFs surgem, mais caminhos aparecem.

O crescimento é explosivo.

Por isso ninguém tenta cobrir absolutamente todos os caminhos em sistemas grandes.

O objetivo é cobrir os caminhos críticos.


O conceito mais importante do Mainframe

Cobertura de negócio

Esta é a cobertura que realmente paga as contas.

Perguntas:

  • Emissão de apólice funcionou?

  • Pagamento foi processado?

  • Cálculo de juros foi validado?

  • Baixa financeira foi testada?

  • Cancelamento foi exercitado?

O usuário não se importa se:

PERFORM 1000-PROCESSA

executou.

Ele se importa se o dinheiro caiu na conta correta.

Por isso:

Cobertura técnica sem cobertura funcional é uma ilusão perigosa.


Como construir um plano de teste abrangente

A técnica que uso para ensinar equipes é simples.

Divida os cenários em grupos.


Grupo 1 – Casos normais

Fluxo feliz.

O famoso Happy Path.

Exemplo:

Cliente válido.

Conta válida.

Saldo suficiente.

Arquivo disponível.

Tudo funcionando.

Esses testes validam o comportamento esperado.


Grupo 2 – Casos de fronteira

Aqui vivem os defeitos.

Exemplo:

Campo aceita:

0 a 999999

Testar:

0
1
999998
999999

Mas também:

-1
1000000

A maioria dos bugs aparece nos limites.


Grupo 3 – Casos inválidos

Todo sistema recebe lixo.

Você precisa descobrir como ele reage.

Exemplos:

CPF inválido.

Data inválida.

Arquivo vazio.

Campo nulo.

Código inexistente.

Registro duplicado.

Produção faz isso diariamente.

Seu teste também deve fazer.


Grupo 4 – Casos excepcionais

Os mais esquecidos.

Exemplo:

VSAM indisponível.

DB2 retornando erro.

Dataset cheio.

Timeout de CICS.

Lock de registro.

Fila MQ parada.

É justamente aqui que nascem os incidentes mais caros.


O método Bellacosa para testar COBOL

Quando olho um programa, sigo sempre esta sequência.


Entrada

O que entra?

Analise:

LINKAGE
COMMAREA
ARQUIVOS
DB2
MQ
VSAM

Liste tudo.


Processamento

O que acontece?

Mapeie:

  • IF

  • EVALUATE

  • PERFORM

  • GO TO

  • loops

Tudo que altera comportamento.


Saída

O que sai?

Arquivos.

Relatórios.

Tabelas.

Mensagens.

Retornos.

Abends.

Tudo deve ser validado.


A matriz de cobertura

Uma técnica extremamente poderosa.

Monte uma tabela.

RegraTestada
Regra 1Sim
Regra 2Sim
Regra 3Não
Regra 4Sim

Agora faça o mesmo para:

  • programas

  • módulos

  • telas

  • transações

  • jobs

A matriz revela instantaneamente os buracos.


Cobertura para Batch

Em batch devemos validar:

Arquivo vazio

0 registros

Arquivo pequeno

10 registros

Arquivo médio

100.000 registros

Arquivo grande

10 milhões de registros

Registro inválido

Registro duplicado

Chave fora de sequência

Dataset inexistente

Espaço insuficiente

Return codes

Tudo isso precisa aparecer no plano.


Cobertura para CICS

Valide:

  • Entrada válida

  • Entrada inválida

  • PF Keys

  • Timeout

  • Commarea vazia

  • Commarea truncada

  • Falha de comunicação

  • Reentrada da transação

Muitos defeitos aparecem apenas em ambiente online.


Cobertura para DB2

Nunca teste apenas o SQLCODE 0.

Teste:

0
+100
-803
-811
-904
-911
-913

Grande parte dos problemas de produção surge justamente nos códigos de erro.


Cobertura para VSAM

Valide:

READ OK
NOT FOUND
DUPLICATE KEY
END OF FILE
OPEN ERROR

Muitos testes ignoram completamente os File Status.

Erro clássico.


Testes de performance também fazem parte da cobertura

Um programa pode estar funcionalmente correto.

Mas:

  • consumir CPU demais

  • gerar EXCP excessivo

  • aumentar elapsed time

E então falhar operacionalmente.

Portanto inclua:

  • volume realista

  • pico de carga

  • concorrência

  • consumo de recursos


Como medir cobertura no Mainframe

Hoje existem ferramentas especializadas.

Entre elas:

  • IBM Debug Tool

  • IBM Application Delivery Foundation

  • IBM Fault Analyzer

  • IBM Application Performance Analyzer

  • Compuware Topaz

  • Compuware Xpediter

  • Micro Focus Enterprise Analyzer

  • SonarQube para COBOL

Essas soluções conseguem mostrar:

  • linhas executadas

  • branches percorridos

  • percentuais de cobertura

  • áreas não testadas

Transformando percepção em números.

E números vencem opiniões.


A armadilha do 100%

Imagine:

IF VALOR > 1000

Você executa:

1001

e

999

Cobertura:

100%.

Mas você não testou:

1000

Exatamente o limite.

Portanto:

100% de cobertura não significa qualidade máxima.

Significa apenas que todos os pontos foram visitados.


O indicador que realmente importa

Depois de décadas observando projetos, cheguei a uma conclusão.

A melhor pergunta não é:

"Qual a cobertura?"

Mas:

"Qual o risco residual?"

Se uma rotina financeira movimenta bilhões:

  • 95% pode ser insuficiente.

Se uma rotina gera relatório interno:

  • 80% pode ser aceitável.

Cobertura deve ser analisada junto com criticidade.


A filosofia dos grandes times

Equipes maduras fazem quatro perguntas:

O que testamos?

O que não testamos?

Por que não testamos?

Qual o risco disso?

Quando essas respostas existem, o plano de teste deixa de ser um documento burocrático.

Ele vira uma ferramenta de gestão de risco.


Conclusão

O profissional júnior acredita que testar é executar casos.

O profissional experiente entende que testar é procurar defeitos.

E o veterano de Mainframe sabe algo ainda mais importante:

Cobertura não é uma porcentagem. É a medida da sua confiança antes de colocar um programa em produção.

Porque no mundo real ninguém é acordado às 3 da manhã por causa dos cenários que foram testados.

Somos acordados pelos cenários que esquecemos de testar.

E quase sempre eles estavam escondidos exatamente naquele IF, naquele SQLCODE, naquele File Status ou naquele registro de fronteira que alguém julgou improvável.

No Mainframe, assim como na aviação, o problema raramente está no voo que você simulou.

O problema está naquele que você acreditou que jamais aconteceria. ☕💣🚀


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

☕💣🔥 LABORATÓRIO PRÁTICO — TESTES DE PERFORMANCE PARA O PADAWAN COBOL MAINFRAME

 

Bellacosa Mainframe e laboratorio pratico de performance

☕💣🔥 LABORATÓRIO PRÁTICO — TESTES DE PERFORMANCE PARA O PADAWAN COBOL MAINFRAME

Este laboratório foi criado para transformar conceitos em prática.

A ideia é que o aluno pense como um Analista de Performance, um Desenvolvedor COBOL e um Sysprog ao mesmo tempo.

Cada exercício possui:

  • Cenário

  • Desafio

  • Solução Comentada

  • Conceitos Envolvidos


EXERCÍCIO 1

Identificando o Tipo de Teste

Cenário

O banco deseja validar se o Internet Banking suporta 5.000 usuários simultâneos.

Pergunta

Qual tipo de teste deve ser realizado?

A) Estresse

B) Resistência

C) Carga

D) Pico


Solução

Resposta:

C) Carga

O objetivo é validar a capacidade prevista do ambiente.

Não estamos ultrapassando limites.

Não estamos testando durante horas.

Não estamos simulando explosões repentinas.

Estamos simulando o uso normal esperado.


EXERCÍCIO 2

Descobrindo o Gargalo

Cenário

Uma consulta de saldo apresenta:

ComponenteTempo
Front-End50 ms
API80 ms
CICS1200 ms
DB2950 ms

Pergunta

Onde está o principal gargalo?


Solução

CICS e DB2.

O tempo de resposta total está concentrado nessas camadas.

O Front-End e API representam parcela muito pequena do processamento.

O próximo passo seria analisar:

  • SQL

  • Índices

  • Plano de acesso

  • Locks


EXERCÍCIO 3

Avaliando Throughput

Cenário

Durante um teste foram processadas:

120.000 transações

em

60 segundos

Pergunta

Qual o Throughput?


Solução

Fórmula:

TPS = Transações ÷ Tempo

120.000 ÷ 60

TPS = 2.000

Resposta:

2.000 TPS


EXERCÍCIO 4

Encontrando Problema de Código COBOL

Programa

PERFORM UNTIL WS-FIM = 'S'

   READ ARQ-CLIENTES
      AT END
         MOVE 'S' TO WS-FIM
   END-READ

   PERFORM PROCESSA-CLIENTE

END-PERFORM

Pergunta

Qual risco de performance existe?


Solução

Se o arquivo possuir milhões de registros:

  • CPU elevada

  • I/O elevado

  • Tempo excessivo

O código não está errado.

Mas pode não escalar.

Performance depende do volume.


EXERCÍCIO 5

Escolhendo a Ferramenta

Cenário

Você precisa gerar:

10.000 usuários simultâneos

realizando chamadas HTTP.

Pergunta

Qual ferramenta apresentada seria mais indicada?


Solução

Apache JMeter.

Porque:

  • Open Source

  • Escalável

  • HTTP

  • HTTPS

  • REST

  • SOAP

Foi justamente a ferramenta mostrada na apresentação.


EXERCÍCIO 6

Teste de Resistência

Cenário

Uma aplicação funciona perfeitamente por:

30 minutos

Após:

8 horas

o consumo de memória cresce continuamente.

Pergunta

Qual tipo de teste identificou o problema?


Solução

Teste de Resistência.

Também chamado:

Soak Test

ou

Endurance Test.

Esse tipo de problema dificilmente aparece em testes rápidos.


EXERCÍCIO 7

Simulando Black Friday

Cenário

Usuários simultâneos:

09:00 → 1.000

09:01 → 10.000

09:02 → 15.000

09:03 → 1.000

Pergunta

Qual tipo de teste está sendo realizado?


Solução

Teste de Pico.

Objetivo:

Validar explosões repentinas de acesso.

Muito comum em:

  • Black Friday

  • PIX

  • Campanhas

  • Venda de ingressos


EXERCÍCIO 8

Análise de Mainframe

Cenário

Durante o teste:

CPU = 35%

Tempo de Resposta = 8 segundos

Pergunta

A CPU é o problema?


Solução

Não necessariamente.

Esse é um erro clássico.

Mesmo com CPU baixa podem existir:

  • Locks DB2

  • Espera de I/O

  • MQ congestionado

  • SQL ruim

  • Contenção CICS

CPU baixa não significa ambiente saudável.


EXERCÍCIO 9

Virtualização de Serviços

Cenário

O microsserviço precisa chamar:

  • Serviço A

  • Serviço B

  • Mainframe

Mas o Mainframe está indisponível.

Pergunta

Como continuar os testes?


Solução

Utilizando Virtualização.

Criamos respostas simuladas.

Exemplo:

{
  "conta":"12345",
  "saldo":"1500.00"
}

Assim os testes continuam sem depender do ambiente real.


EXERCÍCIO 10

Diagnóstico Completo

Cenário

O Grafana mostra:

CPU = 40%

Memória = 45%

Tempo Médio = 5 segundos

Dynatrace mostra:

API = 100 ms

CICS = 250 ms

DB2 = 4200 ms

Pergunta

Onde você investigaria primeiro?


Solução

DB2.

O banco responde por mais de 80% do tempo total.

Possíveis causas:

  • Full Scan

  • Índice ausente

  • Estatísticas desatualizadas

  • Lock

  • SQL mal otimizado


DESAFIO FINAL DO PADAWAN ☕💣

Imagine a seguinte arquitetura:

Mobile
   ↓
Apache
   ↓
WebSphere
   ↓
API
   ↓
MQ
   ↓
CICS
   ↓
COBOL
   ↓
DB2

Você recebe a reclamação:

"Consultar saldo está demorando 12 segundos."

Descreva:

  1. Quais ferramentas utilizaria?

  2. Quais métricas analisaria?

  3. Quais componentes investigaria primeiro?

  4. Como executaria um teste de carga?

  5. Como validaria a correção?


GABARITO ESPERADO

Ferramentas:

  • JMeter

  • Dynatrace

  • Grafana

  • OMEGAMON

  • RMF

  • SMF

Métricas:

  • CPU

  • TPS

  • Tempo Médio

  • P95

  • P99

  • I/O

  • MQ Depth

  • Tempo DB2

Investigação:

  1. Dynatrace

  2. DB2

  3. CICS

  4. MQ

  5. API

Teste:

  • 5.000 usuários

  • Ramp-up gradual

  • Monitoramento simultâneo

Validação:

Comparar:

Antes = 12 segundos

Depois = meta inferior a 2 segundos


Missão Extra Bellacosa Mainframe

Pegue um programa COBOL real do seu ambiente e responda:

  • Quantos READs ele executa?

  • Quantos WRITEs?

  • Quantos SELECTs DB2?

  • Qual o maior loop?

  • Qual o volume esperado?

  • Como ele se comportaria com 10 milhões de registros?

Se você conseguir responder essas perguntas, já começou a pensar como um profissional de Performance Mainframe e não apenas como um programador COBOL. ☕💣🚀