| Bellacosa Mainframe apresenta a IA e o Deep Trought do Guia do Mochileiro das Galaxias |
🤖 A IA do Guia do Mochileiro das Galáxias
Buzzwords, Deep Thought, mainframes e o déjà-vu tecnológico
(ao estilo Bellacosa Mainframe)
Se existe um livro que todo mainframer, mesmo sem saber, já leu em espírito, esse livro é O Guia do Mochileiro das Galáxias. Não é só ficção científica. É documentação técnica disfarçada de humor britânico, escrita por alguém que claramente já sofreu com sistemas, respostas inúteis e gestores fascinados por palavras da moda.
Douglas Adams não escreveu sobre IA como promessa. Ele escreveu sobre IA como espelho da humanidade. E isso, meus caros, é muito mais perigoso.
🧠 Deep Thought: a primeira IA corporativa da história
Vamos começar pelo elefante na sala: Deep Thought.
Deep Thought é apresentado como a maior e mais poderosa IA já criada. Seu propósito? Responder a Pergunta Fundamental sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais.
Soa familiar?
Troque isso por:
“IA estratégica”
“Plataforma cognitiva”
“Modelo fundacional”
“IA generativa corporativa”
…e você tem exatamente o mesmo pitch que vemos hoje.
O problema?
Ninguém sabia qual era a pergunta.
E aqui está o primeiro tapa de luva de pelica de Douglas Adams:
👉 não adianta ter a resposta se você não sabe formular o problema.
Todo mainframer entende isso.
Já viu batch rodando perfeitamente… processando dado errado?
🔢 A resposta é 42: quando a IA entrega o que foi pedido (não o que era necessário)
Depois de 7,5 milhões de anos de processamento (tempo típico de projeto estratégico mal definido), Deep Thought entrega sua resposta:
42
A reação? Frustração, raiva, incredulidade.
Mas Deep Thought não errou. Ele foi preciso. Ele entregou exatamente aquilo que foi solicitado.
Isso é IA raiz.
Paralelo com hoje
Modelos de IA atuais respondem estatisticamente
Eles não entendem contexto humano
Eles não questionam objetivos
Eles não dizem “isso não faz sentido”
Assim como Deep Thought, a IA moderna não pensa. Ela executa.
E aqui entra o olhar mainframe:
IA sem governança é só um batch muito rápido rodando no dataset errado.
🖥️ A Terra como computador: Sysplex biológico mal documentado
Quando Deep Thought percebe a falha, ele propõe algo genial (e aterrador):
Criar um computador ainda maior para descobrir qual é a pergunta.
Esse computador é… a Terra.
A Terra, no universo de Adams, é:
Um sistema distribuído
Com bilhões de “processos” (humanos)
Rodando em paralelo
Sem documentação
Sem versionamento
Sem plano de rollback
Ou seja:
👉 um Sysplex sem manual, sem RACF e com usuários root soltos.
Qualquer mainframer sente o calafrio.
🤯 IA hoje: Deep Thought com GPU e marketing agressivo
Avança para 2020+.
Temos:
LLMs
Transformers
GPUs
Cloud infinita
Dashboards lindos
E apresentações cheias de buzzwords
Mas no fundo?
🔁 O mesmo ciclo:
Não sabemos exatamente o problema
Jogamos IA em cima
Ficamos impressionados com respostas
Descobrimos limitações
Criamos mais buzzwords
Douglas Adams já avisava:
quanto mais poderosa a máquina, maior a ilusão de que ela sabe o que está fazendo.
🧩 Buzzword: o verdadeiro vilão da história
Agora vamos ao ponto que dói.
Buzzword é o Vogon corporativo
No Guia, os Vogons são burocratas que:
Falam difícil
Criam regras sem sentido
Não se importam com impacto
Executam ordens cegamente
Troque Vogon por:
Evangelista de IA
Consultoria PowerPoint
Influencer tech
“Especialista” de LinkedIn
Buzzwords são:
“IA cognitiva”
“Inteligência autônoma”
“Consciência artificial”
“IA que pensa”
Tudo isso é… poesia Vogon.
Mainframers sabem:
Tecnologia boa não precisa de adjetivo. Ela funciona.
🧮 Mainframe x IA: quem realmente pensa?
Aqui entra um ponto impopular.
O mainframe nunca prometeu pensar.
Ele promete:
Consistência
Confiabilidade
Previsibilidade
Segurança
Escala
Já a IA moderna promete:
Criatividade
Inteligência
Autonomia
Decisão
Substituição humana
Quem está sendo honesto?
Deep Thought nunca fingiu ser humano.
Ele apenas executou sua função com perfeição lógica.
🎌 Anime, IA e o mesmo dilema filosófico
Para quem gosta de anime, o paralelo é imediato:
Ghost in the Shell: o que é consciência?
Serial Experiments Lain: onde termina o humano?
Psycho-Pass: quem decide o que é correto?
Evangelion: sistemas gigantes controlados por humanos quebrados
Douglas Adams estava falando da mesma coisa, só que rindo.
🛠️ O papel do humano: operador, não espectador
No mundo do Guia, o problema nunca foi a IA.
Foi:
Expectativa errada
Pergunta mal formulada
Transferência de responsabilidade
Fascínio cego por tecnologia
Isso é assustadoramente atual.
IA não substitui:
Arquitetura
Análise
Ética
Experiência
Contexto
Ela amplifica — para o bem ou para o mal.
☕ Conclusão: sempre leve uma toalha (e um manual técnico)
O Guia do Mochileiro das Galáxias não é contra tecnologia.
Ele é contra fé cega em tecnologia.
Como mainframers, aprendemos cedo:
Leia o manual
Entenda o sistema
Desconfie de promessas mágicas
Teste, valide, audite
E como fãs de anime, sabemos:
Toda IA poderosa revela mais sobre o humano do que sobre si mesma
Deep Thought não falhou.
Nós falhamos ao esperar que ele resolvesse nossa bagunça existencial.
No fim, a maior lição de Adams é simples e cruel:
Não é a IA que precisa evoluir. Somos nós.
E enquanto isso, cuidado com os buzzwords.
Eles costumam chegar antes da demolição do planeta.
🧠🚀☕

