terça-feira, 30 de dezembro de 2025

🧨 ABEND em Mainframe não é azar

 


🧨 ABEND em Mainframe não é azar

Como usar PARMs de compilação COBOL para caçar bugs no IBM Mainframe

Se você trabalha com COBOL em mainframe há mais de cinco minutos, já entendeu uma verdade universal:

❝ Programa não “cai”. Ele denuncia. ❞

E essa denúncia atende pelo nome de ABEND.

Neste artigo, vamos juntar tudo o que falamos até agora sobre bugs, ABENDs e parâmetros de compilação, para transformar você — humilde padawan — em alguém que olha um S0C7 e sorri, porque já sabe onde mexer.


🧠 A mentalidade correta: detectar → diagnosticar → eliminar

Antes de falar de PARM, ajuste o mindset.

No mundo IBM mainframe:

  • Detectar → perceber que algo deu errado
  • Diagnosticar → entender onde e por quê
  • Eliminar → corrigir sem criar outro monstro

Os parâmetros de compilação COBOL existem exatamente para acelerar o diagnóstico. Sem eles, você está debugando no escuro.



🧰 O arsenal do compilador COBOL

Quando você compila um programa COBOL no JCL, você pode pedir ajuda ao compilador usando PARMs.

Exemplo clássico:

//COBOL   EXEC IGYCRCTL,
 // PARM='LIST,MAP,OFFSET,SSRANGE,ARITH(EXTEND)' 

Isso não é excesso. Isso é sobrevivência profissional.


🗺️ MAP — o raio-X da memória COBOL

Vamos falar do MAP, porque ele é campeão de prova e de vida real.

O que o MAP faz?

  • Mostra o layout real da WORKING-STORAGE
  • Exibe offsets, tamanhos e alinhamento
  • Revela quem está sobrescrevendo quem

Quando usar MAP?

  • S0C7 (campo não numérico)
  • S0C4 (acesso indevido à memória)
  • Valores “malucos” após MOVE
  • Campos COMP / COMP-3 se comportando estranho

🧙♂️ Regra Jedi:

Se o valor não faz sentido, MAP revela o crime.

🧨 SSRANGE — o salva-vidas das tabelas

Se o seu programa usa:

  • OCCURS
  • Índices
  • Subscritos
  • Arrays

👉 SSRANGE não é opcional.

O que o SSRANGE faz?

  • Interrompe o programa no exato momento
  • Detecta acesso fora dos limites da tabela
  • Evita corrupção silenciosa de memória

Sem SSRANGE:

  • O erro acontece
  • O programa continua
  • O ABEND aparece 300 linhas depois
  • Você sofre


🧮 ARITH(EXTEND) — contra o overflow silencioso

O COBOL antigo adorava truncar valores sem avisar.

Com ARITH(EXTEND):

  • O compilador respeita precisão
  • Evita S0CB (overflow)
  • Resultados financeiros ficam corretos

📌 Essencial para:

  • COMPUTE
  • Cálculos financeiros
  • COMP e COMP-3


📜 LIST e OFFSET — o mapa do tesouro

LIST

  • Gera o listing completo
  • Mostra warnings, erros, mensagens
  • Fundamental para erros de arquivo (U4038, U4094)

OFFSET

  • Mostra deslocamento de cada instrução
  • Permite cruzar:

🧠 Dica de veterano:

Dump sem OFFSET é igual mapa sem legenda.

🐞 TEST — o modo “cirurgia aberta”

O parâmetro TEST habilita:

  • IBM z/OS Debugger
  • Breakpoints
  • Step by step
  • Inspeção de variáveis em tempo real

⚠️ Regra sagrada:

TEST nunca vai para produção.

Mas em desenvolvimento? 👉 É simplesmente o melhor amigo do padawan.


📊 Tabela definitiva — ABEND → PARM ideal

(sim, isso cai em prova)

Article content

ABEND / SintomaUse este PARMS0C7MAPS0C4SSRANGE + MAPOverflowARITH(EXTEND)Problema de arquivoLISTTabela / OCCURSSSRANGEDebug interativoTEST


🧪 Combo campeão (decora isso)

LIST, MAP, OFFSET, SSRANGE, ARITH(EXTEND)

Esse combo:

  • Resolve 80% dos ABENDs comuns
  • É aceito em ambientes de desenvolvimento
  • Te transforma em alguém respeitado na squad


🎓 Estilo prova IBM — frase mágica

❝ Qual parâmetro ajuda a identificar campos sobrepostos na memória? ❞

Resposta automática: 👉 MAP


🧠 Combo campeão de PROVA (decorar)

S0C7  → MAP
S0C4  → SSRANGE
Overflow → ARITH(EXTEND)
Arquivo → LIST
Tabela → SSRANGE + MAP

📊 Tabela “ABEND → PARM ideal”

Guia de sobrevivência COBOL Mainframe (estilo prova IBM)

Regra de ouro de prova: 👉 ABEND ≠ erro aleatório 👉 Sempre existe um PARM que entrega o criminoso

🧨 ABENDs de DADOS (os mais comuns)

ABENDO que aconteceuPARM IDEALPor quêS0C7Campo não numérico em operação aritméticaMAP, NUMPROC(MIG), LISTMAP mostra o campo corrompidoS0CBOverflow aritméticoARITH(EXTEND), LISTEvita truncamento silenciosoS0C1Instrução inválidaOFFSET, LISTOFFSET cruza dump × código


🧠 ABENDs de MEMÓRIA / ENDEREÇO

ABENDO que aconteceuPARM IDEALPor quêS0C4Acesso fora de área válidaSSRANGE, MAP, OFFSETSSRANGE pega o erro na horaS0C2Endereço inválidoOFFSET, MAPOffset aponta instrução culpada

🧠 Dica de prova:

Se envolver tabela, OCCURS ou índice, pense primeiro em SSRANGE.

📂 ABENDs de ARQUIVO / I-O

ABENDO que aconteceuPARM IDEALPor quêU4038OPEN/CLOSE erradoLISTMensagens aparecem no listingU4094READ inválidoLIST, MAPErro lógico, não de memóriaS013 / S213DCB / espaçoLISTDiagnóstico está no compile/list


🔄 ABENDs de LOOP / LÓGICA

SintomaCausaPARM IDEALPor quêLoop infinitoContador corrompidoTRUNC(BIN), MAPCOMP mal definidoValor estranho em COMPTruncamentoTRUNC(BIN)Controle binário correto


🧪 ABENDs “NÃO REPRODUZÍVEIS” (os traiçoeiros)

SintomaSuspeitoPARM IDEALPor quêErro intermitenteDados sobrepostosSSRANGE, MAPDetecta overwriteFunciona às vezesMOVE erradoMAP, FLAG(I)FLAG denuncia práticas ruins


🐞 ABENDs para DEBUG INTERATIVO

SituaçãoPARM IDEALUsoAnálise passo a passoTESTIBM z/OS DebuggerBreakpointsTESTDebug onlineCódigo grandeXREFLocalizar variáveis

⚠️ Prova e vida real:

TEST nunca entra em produção.

🧠 Checklist Bellacosa antes de debugar

✅ Compilou com LIST?

✅ MAP está ativo?

✅ SSRANGE ligado?

✅ Sabes qual ABEND estás caçando?

✅ Não levou TEST para PROD?

☠️ ABENDs clássicos e o parâmetro certo

Article content

ABENDCausa comumParâmetro salvadorS0C7Campo não numéricoMAP, NUMPROCS0C4Acesso inválidoSSRANGES0CBOverflowARITHU4038OPEN/CLOSELISTU4094Arquivo erradoLIST, MAP

🧙♂️ Conclusão El Jefe

ABEND não é castigo. É feedback brutalmente honesto.

Quem domina PARMs de compilação COBOL:

  • Debuga mais rápido
  • Sofre menos
  • Aprende mais
  • E vira referência no time

E lembre-se, padawan:

❝ O compilador sempre tentou te avisar. Você é que não pediu ajuda. ❞

🗾 Guia do Iniciante: Como Entrar no Mundo dos Animes (sem se perder entre mil títulos)

 


🗾 Guia do Iniciante: Como Entrar no Mundo dos Animes (sem se perder entre mil títulos)

Se você está começando a assistir animes e se pergunta por onde começar, bem-vindo a um universo vasto, criativo e fascinante.
Anime não é só “desenho japonês” — é uma forma de arte que mistura cinema, filosofia, cultura pop e emoção como poucas mídias conseguem fazer.


🎬 O que é Anime, afinal?

“Anime” vem da abreviação japonesa de animation (アニメーション), mas no Japão significa qualquer animação.
No Ocidente, porém, usamos o termo “anime” para falar de animações produzidas no Japão — conhecidas por seu estilo marcante, temas complexos e histórias que vão do mais leve ao mais profundo.

Cada anime é uma janela para o modo como os japoneses veem o mundo, a amizade, o esforço (ganbaru), o amor e até a morte.


📜 Um pouco de história

Os animes nasceram ainda nos anos 1910, mas ganharam fama mundial nos anos 1960 com o trabalho do mestre Osamu Tezuka, criador de Astro Boy (Tetsuwan Atom).
Ele trouxe o visual com olhos grandes e expressivos, inspirado na Disney, mas deu ao Japão algo único: animações que tratam o espectador com inteligência, incluindo temas filosóficos e sociais.

Desde então, o anime evoluiu de produções artesanais em película para gigantes da cultura global — de Dragon Ball a Attack on Titan, de Naruto a Your Name.


💡 Por que começar a assistir anime?

Porque anime é diversidade.
Há histórias para todos os gostos — ação, comédia, drama, terror, ficção científica, romance, fantasia, e até filosofia existencial.
Diferente de muitos desenhos ocidentais, o anime não trata o público como infantil: há camadas, simbolismos, e lições de vida.

E o melhor: cada série é um reflexo cultural — assistir anime é também entender o Japão moderno.


🧭 Por onde começar: 7 passos para o novo otaku

1. Descubra o tipo de história que você gosta

Se você curte ação, vá de Attack on Titan ou Fullmetal Alchemist.
Se prefere drama e emoção, experimente Your Lie in April ou Clannad.
Quer rir? One Punch Man e Konosuba são perfeitos.
Gosta de fantasia? Sword Art Online e Re:Zero abrem bem as portas.

2. Não se assuste com o estilo visual

Os traços podem parecer exagerados no começo — olhos grandes, cabelos coloridos, expressões dramáticas — mas tudo tem propósito.
Esses elementos são linguagem visual, usados para transmitir emoções que o live-action muitas vezes não alcança.

3. Escolha um anime curto

Comece com algo de 12 ou 24 episódios.
Assim, você entende o ritmo, aprende os padrões narrativos e descobre se curte o estilo.
Exemplo: Death Parade, Erased, Made in Abyss.

4. Use legendas (pelo menos no início)

Assistir legendado ajuda a sentir o idioma japonês e entender suas expressões culturais — como senpai, baka, itadakimasu, yare yare daze.
É uma experiência linguística também!

5. Explore os gêneros com calma

Anime tem subgêneros únicos:

  • Shōnen – ação e aventura (ex: Naruto, My Hero Academia)

  • Shōjo – romance e cotidiano (ex: Fruits Basket)

  • Seinen – temas adultos e complexos (ex: Psycho-Pass, Berserk)

  • Isekai – reencarnação em outro mundo (ex: Re:Zero, That Time I Got Reincarnated as a Slime)

  • Slice of Life – cotidiano realista e emocional (ex: March Comes in Like a Lion)

6. Não julgue um anime pelo primeiro episódio

Algumas histórias demoram um pouco para “pegar”.
Séries como Steins;Gate ou Attack on Titan só mostram seu potencial após alguns capítulos.
Dê uma chance.

7. Converse com a comunidade

Parte da diversão é compartilhar.
Siga páginas, grupos ou fóruns — como Reddit, MyAnimeList ou até perfis brasileiros no Instagram e YouTube.
Anime é cultura para ser vivida em grupo.



🏮 Dicas rápidas de animes ideais para iniciantes

EstiloAnimeDescrição breve
Ação & EmoçãoFullmetal Alchemist: BrotherhoodAlquimia, aventura e laços familiares fortes.
Fantasia & HumorKonosubaUm isekai leve e cheio de comédia.
Drama & RomanceYour Lie in AprilMúsica, amor e superação.
Terror & MistérioParasyte: The MaximReflexão sobre o que nos torna humanos.
Sci-fi & PsicologiaSteins;GateViagem no tempo e dilemas morais.
Cotidiano & EmoçãoBarakamonUm artista isolado encontra alegria no simples.
Filosofia & ViolênciaAttack on TitanLuta pela liberdade em um mundo opressor.

🧠 Curiosidades para impressionar

  • O Japão produz mais de 200 novos animes por ano.

  • O primeiro anime colorido da história foi Hakujaden (1958).

  • O estúdio Ghibli tem status de patrimônio cultural, com obras como A Viagem de Chihiro e Princesa Mononoke.

  • Alguns animes influenciam a moda, a música e até a arquitetura japonesa.


❤️ Conclusão: anime é mais do que entretenimento

Assistir anime é abrir uma janela para outra forma de ver o mundo — cheia de emoção, ética, estética e significado.
Cada episódio traz algo que mistura arte, filosofia e humanidade, mesmo quando há robôs, monstros ou mundos mágicos.

Então, escolha seu primeiro título, prepare o ramen, e mergulhe sem medo.
Porque como diz um velho ditado otaku:

“Quem vê um anime pela primeira vez, nunca mais assiste o mundo do mesmo jeito.”

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Brasil 2025: o ano do pre-flight check

 


Brasil 2025: o ano do pre-flight check

ao estilo bellacosa mainframe, para o El Jefe Midnight Lunch

2025 não foi ano de grandes anúncios. Foi ano de preparativos. Em linguagem de mainframe, o Brasil entrou em modo pre-flight check: luzes acesas, sistemas testados, operadores atentos, porque 2026 já aparecia no horizonte como aquele batch pesado que roda uma vez a cada ciclo e decide o destino da máquina inteira.

Depois de doze anos vivendo na Europa e mais de uma década de retorno ao Brasil, aprendi a identificar esse tipo de ano: não é o crash, não é o reboot, não é a virada histórica. É o ano em que todo mundo sabe que algo grande vem aí — e começa a se posicionar.

Brasil: aquecimento político, memória recente ainda viva

Em 2025, o Brasil começou a aquecer o motor eleitoral. As eleições de 2026 passaram a pautar discursos, alianças e ressentimentos. Nada ainda explodiu, mas o cheiro de combustível político já estava no ar.

A diferença em relação a ciclos anteriores é a memória coletiva recente. O trauma do bolsonarismo, da radicalização e da ruptura institucional ainda estava fresco demais para ser ignorado. Mesmo quem flertava com discursos extremos precisava modular o tom. O sistema aprendeu — ainda que à força — que instabilidade custa caro.

Não significa maturidade plena. Significa aprendizado por dor.

Economia brasileira: prudência como estratégia

Economicamente, 2025 seguiu o manual da cautela. Nada de apostas ousadas. Nada de populismo fiscal escancarado. A prioridade foi não quebrar o que começou a funcionar em 2023 e 2024.

Para quem voltou da Europa acostumado a Estados que operam na base da previsibilidade, isso soou como um pequeno avanço civilizatório. O Brasil ainda não planeja como um alemão — mas já evita improvisar como nos piores anos.

E no Brasil, evitar improviso já é progresso.

A guerra da Ucrânia: o conflito que virou ruído constante

Enquanto isso, no tabuleiro global, 2025 confirmou algo amargo: a guerra da Ucrânia virou ruído permanente. Não acabou. Não avançou decisivamente. Não trouxe a paz prometida em cada nova rodada diplomática.

Virou um conflito de fundo, sempre presente, sempre sangrando, sempre alimentando indústrias, discursos e medos. A paz que “nunca sai” virou parte do cenário, como um servidor legado que ninguém consegue desligar porque o impacto seria imprevisível.

Para quem viveu na Europa, isso pesa mais. O conflito não é distante — ele ecoa nos preços, na política, na sensação de vulnerabilidade.

Europa: acuada, envelhecida, perdendo protagonismo

Em 2025, a Europa parecia cansada. Não derrotada, mas acuada. Presa entre dependências energéticas, pressões geopolíticas, envelhecimento populacional e uma perda lenta — porém contínua — de protagonismo global.

A União Europeia já não dita o ritmo do mundo. Reage. Ajusta. Mitiga danos. É a administração de crise permanente, não a condução do futuro.

Para quem passou doze anos ali, a sensação é clara: a Europa virou um grande mainframe estável, confiável, mas rodando aplicações cada vez menos centrais no ecossistema global.

Inglaterra: o post-Brexit como falha de projeto

E a Inglaterra… ah, a Inglaterra.

Em 2025, o Brexit mostrou sua fatura completa. Não em colapso imediato, mas em erosão contínua. Menos influência, menos fluidez econômica, mais isolamento, mais tensão social. Um país que acreditou que podia sair do cluster europeu e manter o mesmo throughput.

Erro clássico de arquitetura.

O Reino Unido virou um sistema standalone tentando operar como se ainda estivesse integrado a um grid continental. O custo disso aparece aos poucos — e dói mais exatamente porque não explode de uma vez.

Cultura e sociedade: o mundo mais cínico, menos ingênuo

Culturalmente, 2025 foi um ano menos iludido. No Brasil e fora dele. As pessoas passaram a acreditar menos em narrativas grandiosas e mais em soluções imperfeitas. O cinismo cresceu, mas junto dele veio um tipo estranho de lucidez.

Menos fé em salvadores. Mais atenção a processos.

Para quem já atravessou migração, retorno, crise, pandemia e radicalização política, isso soa quase como maturidade emocional tardia da sociedade.

Epílogo: o operador sabe o que vem aí

2025 foi o ano em que o operador experiente ajusta a cadeira, confere logs antigos e faz backup completo. Porque 2026 está logo ali — e ninguém esqueceu o que acontece quando eleições rodam em ambiente instável.

O Brasil de 2025 não resolveu seus problemas.
O mundo de 2025 não encontrou a paz.
A Europa de 2025 não recuperou seu protagonismo.
A Inglaterra de 2025 ainda paga por um commit mal pensado.

Mas todos parecem ter entendido algo essencial:

sistemas grandes não quebram por falta de discurso,
quebram por excesso de ilusão.

E 2025 foi, acima de tudo, o ano em que a ilusão ficou mais curta —
e a realidade, mais nítida.

Para o bem ou para o mal,
o batch de 2026 já está na fila.

Anime com personagens meio-vivo (undead)

 


Anime com personagens meio-vivo 


Os animes de herói morto-vivo são como aquele sistema que todo mundo jurou que estava morto… até ele voltar rodando em produção, firme, resiliente e meio assustador. Aqui, o protagonista já começa a história depois do “game over”. Ele morreu, foi executado, descartado ou apagado do mundo — mas continua existindo, entre a vida e a morte, carregando memória, trauma e propósito.

Esse tipo de herói não luta apenas contra vilões externos, mas contra o próprio estado de existência. Ele não pertence mais ao mundo dos vivos, tampouco ao dos mortos. É um processo em loop infinito, rodando sem checkpoint emocional. Exemplos comuns são personagens que ressuscitam como zumbis conscientes, espíritos, imortais amaldiçoados ou entidades reconstruídas artificialmente.

A grande força desse arquétipo não é só o poder extra que vem com a “segunda execução”, mas a mudança de perspectiva. O herói morto-vivo age com menos medo, mais frieza e um senso brutal de prioridade. Quem já morreu não tem muito a perder. É como rodar um sistema sem rollback: cada decisão importa.

Esses animes falam sobre identidade, culpa e propósito. Se a vida acabou, o que ainda vale a pena proteger? No fim, o herói morto-vivo não busca glória. Busca sentido. E às vezes, apenas um encerramento limpo — algo que nem todo processo consegue.



1. Re:Monster

  • Sinopse: Depois de morrer, Tomokui Kanata reencarna como um goblin num mundo de fantasia. Ele tem uma habilidade que lhe permite ficar mais forte ao consumir (comer) o que derrota, absorvendo habilidades e evoluindo aos poucos. Wikipedia+2Animemiru+2

  • Ano de lançamento: Primeiro anime em abril de 2024. Wikipedia+1

  • Dica: Se gostou da parte de “começar do nada” e ter que sobreviver em condições hostis como esqueleto, vai curtir o processo de evolução em Re:Monster.

  • Curiosidade: A obra original é uma light novel/web novel (“Shōsetsuka ni Narō”), o que é comum nessa linha de histórias de reincarnação ou transformação gradual. Anime Senpai+1




2. So I’m a Spider, So What? (Kumo desu ga, Nani ka?)

  • Sinopse: Uma garota do ensino médio é morta junto com sua turma numa explosão, e reencarna em um outro mundo como uma aranha de nível muito baixo dentro de uma masmorra cheia de monstros. Com o mínimo de ajuda, ela deve usar toda sua sagacidade, conhecimento humano, muito esforço e estratégia para sobreviver e evoluir. Wikipedia+2Anime.com+2

  • Ano de lançamento: 2021. Wikipedia+1

  • Dica: Preste atenção na forma como o mundo é construído — há muitas informações gradualmente reveladas, inclusive comparações entre as trajetórias dos outros personagens (que não viram monstros).

  • Curiosidade: Apesar de o protagónico ser “monstro”, há uma dualidade narrativa entre “mundos/linhas de personagens” — uma parte se passa com a aranha no calabouço, outra acompanha os demais reencarnados. Reddit+1



3. Overlord

  • Sinopse: Um jogador que assume seu avatar no jogo MMORPG favorito como o poderoso lorde Ainz Ooal Gown, continua preso quando o jogo “termina” e descobre que os NPCs ganharam consciência. Agora ele precisa sobreviver num mundo de fantasia com magia e monstros, liderando seu clã e escondendo algumas verdades sobre si mesmo. Wikipedia+2Final Weapon+2

  • Ano de lançamento: A primeira temporada foi em 2015. Wikipedia

  • Dica: Se você gosta do tema “protagonista poderoso que se destaca, mas também que precisa manter certas aparências ou estratégias”, esse encaixa bem. Também há muitos monstros, criaturas sombrias e situações onde o “undead” ou seres sobrenaturais têm papel importante.

  • Curiosidade: Overlord tem várias temporadas e arcos em light novel, então se gostar, tem bastante conteúdo além do anime. Wikipedia


4. The Unwanted Undead Adventurer (Nozomanu Fushi no Boukensha) – referência

  • Sinopse resumida: Rentt Faina, um aventureiro pouco talentoso, acaba sendo devorado por um dragão num labirinto e reanima como um esqueleto — nem vivo nem morto. Ele busca evoluir (“Evolução Existencial”), recuperar forma humana, sobreviver, esconder sua natureza monstruosa. Anime List+2Anime United+2

  • Ano de lançamento: Anime estreou em janeiro de 2024. NamiComi+1

  • Curiosidade: Já tem confirmação da segunda temporada. Anime United


5. I’m a Behemoth, an S-Ranked Monster, but Mistaken for a Cat... (Beheneko)

  • Sinopse: Um cavaleiro orgulhoso morre em batalha e reencarna como um poderoso monstro S-Rank (um Behemoth), mas no corpo de um pequeno gato, sendo confundido por isso. Ele é adotado por uma elfa, cresce, luta com sua identidade monstruosa/falsa aparência, enquanto protege quem ama. Wikipedia

  • Ano de lançamento: 2025 (anime). Wikipedia

  • Dica: Combina bem o tema de “protagonista com corpo/forma não-humana / mascarado / aparência enganosa”, com a questão de ocultar poder.

  • Curiosidade: Apesar de parecer “fofo” no visual inicial, ele é realmente um monstro muito poderoso; há contraste entre aparência e realidade muito presente. Wikipedia


6. Corpse Princess (Shikabane Hime)

  • Sinopse: Makina Hoshimura é uma “corpse princess” — uma garota morta (meio-undead) que caça cadáveres amaldiçoados para ganhar entrada ao paraíso. Ela é parcialmente um ser morto-vivo lutando contra forças sobrenaturais. Wikipedia

  • Ano de lançamento: 2008–2009 para o anime original. Wikipedia

  • Dica: Se você gosta de temas mais sombrios, luta com entidades sobrenaturais, honra, redenção — esse anime entrega bastante.

  • Curiosidade: A protagonista é meio “arma viva” — há conflitos internos entre sua condição de morta-viva e sua missão/personalidade humana.


7. Kaiju No. 8

  • Sinopse: Kafka Hibino trabalha limpando monstros (kaiju), mas por acidente ele acaba se transformando num kaiju (monstro) ele mesmo, Kaiju No. 8. Agora lida com duas identidades, tentando manter sua vida normal enquanto usa seus poderes monstruosos para lutar por causa justa.

  • Ano de lançamento: O anime estreou (primeira temporada) em 2024. Decider

  • Dica: O conflito interno de manter a humanidade apesar da forma monstruosa é uma parte interessante, parecida com Nozomanu Fushi.

  • Curiosidade: É raro o protagonista virar literalmente o tipo de monstro que ele antes combatia, isso traz dilemas morais fortes.


8. The Death Mage Doesn’t Want a Fourth Time (Yondome wa Iyana Shi Zokusei Majutsushi)

  • Sinopse: Hiroto reencarna várias vezes e acaba renascendo com poderes sombrios, sendo meio vampiro/dark-elf, misturando identidades monstruosas, poderes sobrenaturais, e com uma vida cheia de sacrifícios e busca de justiça ou vingança.

  • Ano de lançamento: A light novel começou em 2018; o anime também estreou em 2024. Fyuu+1

  • Dica: Creio que se você curte protagonistas com passado complexo, poderes “monstruosos” e dilemas éticos fortes, esse pode ser uma boa pedida.

  • Curiosidade: A reincarnação múltipla é usada não como “reset de poder”, mas para construir a motivação do personagem, incluindo aquilo que ele quer mudar ou corrigir.


9. Tensei Shitara Slime Datta Ken (That Time I Got Reincarnated as a Slime)

  • Sinopse: Um homem comum morre e reencarna num mundo de fantasia como um slime — um monstro muito comum, inicialmente fraco. Ele tem uma habilidade que permite absorver outros seres ou habilidades, evoluir, crescer em poder, e influenciar aquele mundo de muitas maneiras.

  • Ano de lançamento: Primeira temporada em 2018.

  • Dica: É mais leve do que Nozomanu Fushi em termos de horror e de “ser monstruoso”, mas a progressão de evolução/poder e adaptação do protagonista a uma nova forma é algo que vai agradar.

  • Curiosidade: Diferente de muitos outros, o protagonista não precisa esconder sua forma tanto quanto em Nozomanu Fushi, mas enfrenta consequências políticas/sociais etc.


10. The Faraway Paladin (Saihate no Paladin)

  • Sinopse: Sobre Will, um rapaz criado por mortos-vivos num mundo fantasioso cheio de magia antiga, mistério, ruínas, etc. Ele aprende com essas criaturas, enfrenta seus próprios dilemas de fé, lealdade e moral enquanto cresce para se tornar um paladino.

  • Ano de lançamento: Primeiro anime em 2021.

  • Dica: Menos foco em “evolução física monstruosa” comparado a Nozomanu Fushi, mas sim em crescimento pessoal, identidade, convivência com o sobrenatural, e mistério.

  • Curiosidade: Ele é criado por seres que normalmente seriam tidos como inimigos/sombrios (“mortos-vivos”, necromantes, etc.), o que dá uma perspectiva diferente de bem/mal.

domingo, 28 de dezembro de 2025

💥 Parte 8 – Katsuhiro Otomo

 


💥 Parte 8 – Katsuhiro Otomo

🧠 O Visionário de Akira

Com Akira (1982), Otomo mostrou que o mangá podia ser arte adulta, política e explosiva.
Cyberpunk, distópico e profundamente humano, redefiniu o gênero no Ocidente.

🎬 O filme Akira (1988) influenciou The Matrix, Ghost in the Shell e até Hollywood.

💥 Um mangá que mudou o mundo — literalmente.

Biografia.

Katsuhiro Otomo não surgiu do nada — ele explodiu no cenário cultural japonês como um mainframe ligado direto na tomada errada do futuro.

🧠 O Visionário de Akira
Quando Akira começou a ser publicado em 1982, Otomo quebrou o “modo batch” do mangá tradicional. Até então, quadrinhos eram vistos como entretenimento juvenil. Ele entrou em modo online, trazendo política, colapso urbano, juventude perdida, poder descontrolado e uma Tóquio pós-trauma que cheirava a Hiroshima, Guerra Fria e paranoia tecnológica. Akira provou que mangá podia ser adulto, denso e brutalmente humano.

Otomo desenhava como um engenheiro de sistemas: cada quadro era preciso, cada prédio tinha peso, cada explosão obedecia à física do caos. Seu cyberpunk não era estilizado — era sujo, barulhento e inevitável. Não havia heróis clássicos, apenas adolescentes quebrados tentando sobreviver a um sistema maior do que eles.

🎬 1988: o ano em que o Ocidente acordou
Com o filme Akira (1988), Otomo fez o impossível: dirigiu sua própria obra e reprogramou o imaginário global. Hollywood levou anos para entender o impacto, mas ele estava lá: em The Matrix, Ghost in the Shell, Blade Runner 2049, nos videoclipes, nos jogos, na estética neon-distópica que virou padrão. O anime deixou de ser “desenho japonês” e passou a ser linguagem cinematográfica séria.

💥 Um mangá que mudou o mundo — literalmente
Akira não é só uma história sobre poder. É sobre o que acontece quando a humanidade acessa recursos que não sabe controlar. É um warning log gravado em pedra: tecnologia sem maturidade gera colapso. Otomo nunca precisou gritar essa mensagem — ela explode sozinha na tela.

Hoje, Katsuhiro Otomo é referência silenciosa, o arquiteto que não aparece na fachada, mas sustenta o prédio inteiro. Um mestre que mostrou que quadrinhos podem ser filosofia, e que o futuro, quando mal administrado, sempre cobra juros.

Akira não envelheceu. O mundo é que está chegando nele agora.

#KatsuhiroOtomo #Akira #Cyberpunk #AnimeHistory