| Bellacosa Mainframe Storage e DASD 3390 |
💽 Tracks, Cilindros e DASD no IBM Mainframe
Arquitetura, não nostalgia
“O mainframe não mede storage em tracks e cilindros porque é antigo.
Ele faz isso porque sabe exatamente o que está fazendo.”
1️⃣ A origem da filosofia: quando hardware importava (e ainda importa)
Desde os primórdios do IBM System/360 (1964), o mainframe foi projetado com um princípio inegociável:
👉 Controle total do I/O
Naquela época:
Disco era caro
CPU era valiosa
I/O era o gargalo
💡 Conclusão da IBM:
“Se o gargalo é I/O, precisamos dominar o disco até o último detalhe físico.”
Assim nascem os conceitos de:
Track
Cilindro
Bloco
Extent
Nada disso é acaso. É engenharia.
2️⃣ O que é um TRACK (pista) – o átomo do DASD
📀 Track é:
Uma circunferência física no platter do disco
Unidade mínima de alocação real
Otimizada para leitura e escrita sequencial
Características importantes:
Contém um ou mais blocos
O tamanho em bytes não é fixo
Depende de:
Dataset (PS, PO, VSAM)
BLKSIZE
Tipo de acesso
📏 Referência clássica (3390):
≈ 56 KB por track (didático, não absoluto)
🧪 Easter egg técnico:
Mesmo quando você pede espaço em MB,
o DFSMS converte tudo para tracks internamente 😎
3️⃣ O que é um CILINDRO – o segredo da performance
🛢️ Cilindro =
Conjunto de tracks alinhados verticalmente em todos os pratos do disco.
Por que isso é genial?
O braço do disco não precisa se mover
Menos seek
Mais throughput
Menos latência
📌 Em mainframe:
Performance não é pico, é constância.
| IBM HD 3390 |
4️⃣ Modelos clássicos de DASD IBM (história viva)
📦 IBM 2311 / 2314
Anos 60 / 70
Discos removíveis
Origem dos conceitos de cilindro
📦 IBM 3330 – “Merlin”
Gigante físico
Primeiro “big storage”
📦 IBM 3380
Alta densidade
Base para sistemas bancários dos anos 80
📦 IBM 3390 (o eterno)
Padrão até hoje (logicamente)
Modelos:
3390-3 (~2,8 GB)
3390-9 (~8,4 GB)
Referência de cálculo de tracks/cilindros
📦 DS8000 (atual)
Storage virtualizado
Cache massivo
Flash
Mas… emula 3390
😏
O mainframe moderniza sem quebrar o passado.
5️⃣ Evolução: do ferro ao virtual (sem perder o controle)
Hoje:
Não existe mais “disco girando” como antes
Temos:
Cache
Flash
Virtualização
Striping interno
Mas o z/OS continua falando em:
Track
Cilindro
Extent
💡 Por quê?
Porque:
SMF mede I/O em tracks
WLM calcula impacto por volume
SMS aloca espaço físico previsível
Batch depende disso
6️⃣ Alocação no dia a dia (JCL raiz)
Exemplo clássico:
//ARQ1 DD DSN=MEU.ARQUIVO,
// DISP=(NEW,CATLG,DELETE),
// SPACE=(CYL,(10,5),RLSE),
// DCB=(RECFM=FB,LRECL=80,BLKSIZE=0)
📌 Tradução para o padawan:
10 cilindros primários
5 cilindros secundários
Espaço real
Custo previsível
Impacto conhecido
7️⃣ Performance: onde o mainframe humilha
Linux / Unix:
Você pede “10 GB”
O filesystem decide tudo
Fragmentação invisível
Latência variável
Mainframe:
Você define:
Onde
Quanto
Como cresce
O sistema sabe:
Quantos seeks
Quantos tracks
Quanto I/O será gerado
📊 Resultado:
SLA calculável
Batch que termina no horário
Sistema que envelhece bem
8️⃣ Uso prático: quem realmente se beneficia disso?
🏦 Bancos
✈️ Companhias aéreas
🏛️ Governos
💳 Clearing e pagamentos
📊 BI batch massivo
Onde:
Erro não é opção
Retry não existe
Previsibilidade é rei
9️⃣ Curiosidades e Easter Eggs de mainframer
🧠 Você sabia?
SPACE=(TRK,…)ainda é usado em sistemas críticosVSAM define espaço em CI/CA, mas mapeia para tracks
SMF Type 42 mede EXCP por dataset
EAV permite volumes gigantes, mas o cálculo continua físico
O termo DASD é mais velho que “storage” 😄
🔚 Conclusão Bellacosa Mainframe ☕
Falar de tracks e cilindros não é nostalgia.
É respeito à física, engenharia de verdade e responsabilidade operacional.
“Mainframe não abstrai o problema.
Ele encara o problema de frente.”
E é por isso que, décadas depois,
ele ainda roda o mundo.
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