Translate

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Conan, o Bárbaro e a Arquitetura da Coragem

 

Bellacosa Mainframe apresenta Conan o Barbaro e suas lições para um programador cobol

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Conan, o Bárbaro e a Arquitetura da Coragem

Quando um Programador COBOL Descobre que as Melhores Lições de Engenharia de Sistemas Também Estavam Escondidas nas Frases do Cimério

"A diferença entre um aventureiro e um analista de sistemas experiente é simples: ambos entram em lugares onde ninguém gostaria de entrar. Apenas um deles leva documentação."


Introdução – O Código Também Tem sua Era Hiboriana

Existe um motivo pelo qual Conan continua sendo um dos personagens mais influentes da literatura fantástica, mesmo quase um século após sua criação por Robert E. Howard, em 1932.

Não é apenas pela espada.

Não é pelos músculos.

Muito menos pelas batalhas.

O verdadeiro legado de Conan está em sua filosofia prática de sobrevivência.

Enquanto outros heróis fazem longos discursos sobre honra, justiça ou destino, Conan observa o ambiente, mede o inimigo, identifica a fraqueza e resolve o problema.

Curiosamente, essa forma de pensar lembra muito o cotidiano de um programador COBOL trabalhando em um grande banco.

Imagine um sistema com 45 milhões de linhas de código.

Um ABEND em produção.

CICS congestionado.

DB2 apresentando lock escalation.

MQ acumulando filas.

Um incidente iniciado às 02h37 da manhã.

Naquele momento ninguém quer ouvir discursos.

Todos querem alguém que pense como Conan.


Robert E. Howard Criou Muito Mais que um Bárbaro

Quando Howard escreveu Conan para a revista Weird Tales, pretendia criar um personagem diferente dos cavaleiros medievais tradicionais.

Conan não era perfeito.

Não era um escolhido.

Não era um príncipe escondido.

Não possuía poderes mágicos.

Era simplesmente alguém extremamente competente.

Essa competência vinha da observação.

Da experiência.

Dos fracassos.

Das cicatrizes.

No mundo corporativo chamamos isso de...

Senioridade.


Bellacosa Mainframe e a filosofia de Conan o Barbaro

Primeira Lição

"Civilized men are more discourteous than savages."

"Homens civilizados são mais descorteses que os selvagens."

Esta talvez seja uma das frases mais famosas de Robert E. Howard.

Ela aparece em diferentes versões ao longo dos contos.

A ideia é simples.

Os chamados "civilizados" frequentemente escondem traições atrás de títulos, roupas elegantes e cargos importantes.

Já os bárbaros normalmente mostram exatamente quem são.


Bellacosa Mainframe

Quem trabalha em grandes empresas percebe algo semelhante.

O maior risco raramente é o COBOL.

Nem o JCL.

Nem o VSAM.

Muito menos o Db2.

Os maiores problemas costumam nascer de:

  • reuniões mal conduzidas;

  • requisitos ambíguos;

  • documentação inexistente;

  • decisões políticas;

  • mudanças sem comunicação.

Howard provavelmente diria:

"O dragão não mora na caverna.

Mora na sala de reuniões."


Easter Egg

Conan raramente era enganado por aparência.

Da mesma forma, um analista experiente nunca julga um sistema apenas pela interface.

O verdadeiro perigo costuma estar escondido na arquitetura.


Segunda Lição

"Barbarism is the natural state of mankind."

"A barbárie é o estado natural da humanidade."

Esta talvez seja a visão mais pessimista — e ao mesmo tempo mais realista — de Howard.

Civilizações surgem.

Crescem.

Enriquecem.

Depois...

Entram em decadência.

Howard acreditava que a ordem era temporária.

O caos sempre estava esperando.


O Paralelo com Sistemas Corporativos

Todo sistema nasce organizado.

Depois de alguns anos aparecem:

  • patches;

  • gambiarras;

  • soluções temporárias;

  • correções emergenciais;

  • integrações improvisadas.

Dez anos depois...

ninguém entende completamente o sistema.

Vinte anos depois...

ninguém sabe quem escreveu metade do código.

Trinta anos depois...

aquele sistema movimenta bilhões de reais diariamente.


Conan chamaria isso de:

"O Reino caiu porque esqueceu como suas muralhas foram construídas."

Um arquiteto de software chamaria de:

Dívida Técnica.


Terceira Lição

"O medo mata mais homens do que a espada."

Embora essa frase apareça em versões diferentes ao longo das adaptações de Conan, ela representa perfeitamente sua filosofia.

Conan não era destemido.

Ele sentia medo.

A diferença é que nunca permitia que o medo decidisse.


No Mainframe

Quem nunca viu frases como:

"Não mexe."

"Está funcionando."

"Ninguém sabe o que acontece."

"Melhor deixar."

Esse medo custa milhões.

Howard entenderia imediatamente.

Porque o medo paralisa.

E sistemas paralisados envelhecem.


CSI Mainframe

Todo incidente começa igual.

Ninguém quer tocar.

Até que alguém pergunta:

"Quem conhece esse módulo?"

Silêncio.

Então aparece o velho programador COBOL.

Ele olha.

Sorri.

E responde:

"Esse COPYBOOK eu escrevi em 1998."


Quarta Lição

"Nenhum deus é tão poderoso quanto acredita."

Essa frase resume o espírito das histórias de Conan, embora não seja uma citação textual de Howard.

Conan enfrentava:

  • deuses;

  • sacerdotes;

  • feiticeiros;

  • monstros;

  • reis;

  • imperadores.

Jamais aceitava autoridade apenas porque alguém dizia ser poderoso.

Primeiro observava.

Depois testava.

Finalmente atacava.


Engenharia de Software

Todo sistema possui limitações.

Toda arquitetura possui gargalos.

Todo algoritmo possui casos extremos.

Toda infraestrutura possui ponto único de falha.

Não existe perfeição.

Existe apenas desconhecimento.


Quinta Lição

"Todo monstro tem uma fraqueza."

Conan sobrevivia porque estudava seus inimigos.

Nunca confiava apenas na força.

Antes da batalha ele observava.

Cheiros.

Pegadas.

Armadilhas.

Terreno.

Hábitos.


Sherlock Holmes?

Quase.

CSI?

Também.

Na prática Conan fazia exatamente aquilo que hoje chamamos de:

Análise de causa raiz.


No mainframe fazemos o mesmo.

RMF.

SMF.

SYSLOG.

JES.

SDSF.

Db2 Trace.

CICS Statistics.

MQ Logs.

Tudo isso serve para descobrir...

Onde o monstro realmente mora.


Sexta Lição

"Se pode ser ferido, pode ser derrotado."

Essa não é uma frase literal dos contos de Howard.

Mas resume perfeitamente Conan.

É exatamente a filosofia do personagem.

Não importa quão impossível pareça.

Existe alguma vulnerabilidade.


O Programador COBOL Descobre

Um problema aparentemente impossível normalmente possui origem simples.

Um índice.

Um parâmetro.

Um RECFM.

Um BLKSIZE.

Um COMP-3 mal definido.

Um campo desalinhado.

Uma página Db2 sem RUNSTATS.

Um enqueue esquecido.


Todo gigante possui um calcanhar de Aquiles.


Sétima Lição

"I live, I love, I slay, and am content."

"Eu vivo, amo, luto, mato e estou satisfeito."

Essa frase resume Conan melhor do que qualquer biografia.

Ele não busca riqueza infinita.

Nem fama eterna.

Muito menos poder absoluto.

Conan vive intensamente.

Aceita perdas.

Segue adiante.


No Mundo Corporativo

Há profissionais que vivem esperando:

a próxima promoção.

o próximo cargo.

o próximo reconhecimento.

Enquanto isso esquecem de apreciar o conhecimento adquirido.

Conan provavelmente diria:

"O maior tesouro é sobreviver para a próxima aventura."


A Filosofia Bellacosa Mainframe

Imagine Conan entrando em um Data Center.

Não perguntaria:

"Qual linguagem foi usada?"

Perguntaria:

"Quem realmente conhece esse sistema?"

Depois perguntaria:

"Qual parte dele ninguém tem coragem de alterar?"

Ali encontraria o verdadeiro monstro.


Curiosidades

Robert E. Howard praticamente inventou o herói moderno de fantasia.

Sem Conan provavelmente não existiriam:

  • Red Sonja

  • Kull

  • Fafhrd

  • Elric

  • Druss

  • Geralt

  • Guts

  • Goblin Slayer

  • Kratos

  • inúmeros protagonistas de RPG.


Conan odeia burocracia

Durante praticamente toda sua vida:

foi ladrão.

mercenário.

pirata.

general.

rei.

Em todas essas fases desconfiava de políticos e sacerdotes.


Howard era obcecado pela História

As civilizações hiborianas foram inspiradas em:

Roma.

Grécia.

Egito.

Pérsia.

Celtas.

Vikings.

Sumérios.

Tudo misturado em uma cronologia fictícia extremamente detalhada.


Easter Egg COBOL

Conan jamais perguntaria:

"Qual framework vocês usam?"

Perguntaria:

"Quantas batalhas esse sistema já sobreviveu?"

Essa é exatamente a pergunta que um arquiteto deveria fazer antes de sugerir reescrever um sistema COBOL que processa milhões de transações por dia.


A Espada e o Debugger

Existe uma curiosa semelhança entre Conan e um bom depurador de software.

Ambos procuram:

  • rastros;

  • evidências;

  • padrões;

  • pontos fracos;

  • erros escondidos.

Conan nunca luta às cegas.

Um bom analista também não.


O Verdadeiro Bárbaro é o Especialista

Howard inverte completamente nossa percepção.

O bárbaro é quem entende como o mundo realmente funciona.

Os civilizados vivem presos às aparências.

No Data Center acontece algo semelhante.

O profissional mais valioso normalmente não é aquele que usa a tecnologia mais nova.

É aquele que entende:

  • por que ela existe;

  • como evoluiu;

  • quais problemas resolveu;

  • e principalmente...

...o que acontece quando ela falha.


Conclusão – Conan Nunca Programou COBOL... Mas Pensava Como um Arquiteto de Mainframe

É curioso perceber como frases escritas há quase cem anos continuam incrivelmente atuais.

Quando Conan afirma que homens civilizados podem ser mais perigosos que selvagens, ele está nos alertando sobre a diferença entre aparência e realidade.

Quando lembra que a barbárie é o estado natural da humanidade, ele nos ensina que ordem, estabilidade e arquitetura precisam ser continuamente preservadas. Em tecnologia, sistemas degradam, processos se deterioram e a dívida técnica cresce silenciosamente se ninguém cuidar deles.

Quando diz que o medo mata mais homens do que a espada, ele descreve exatamente o que acontece quando equipes deixam de evoluir por receio de modificar sistemas críticos. O medo da mudança pode ser mais destrutivo do que a própria mudança.

As ideias sintetizadas em frases como "Nenhum deus é tão poderoso quanto acredita", "Todo monstro tem uma fraqueza" e "Se pode ser ferido, pode ser derrotado" traduzem uma mentalidade indispensável para quem trabalha com missão crítica. Nenhuma arquitetura é perfeita, nenhum problema é insolúvel e nenhum incidente deve ser tratado como magia. Tudo pode ser compreendido quando investigado com método, disciplina e experiência.

E talvez seja essa a maior lição que Robert E. Howard deixou para engenheiros, administradores de sistemas e programadores COBOL.

Conan nunca venceu porque era o mais forte.

Venceu porque observava antes de agir.

Pensava antes de atacar.

Aprendia antes de repetir.

Em um mundo repleto de buzzwords, frameworks da moda e promessas de reescrever tudo do zero, a filosofia do cimério continua surpreendentemente moderna. Ela nos lembra que conhecimento sólido supera modismos, experiência vale mais do que propaganda e que a coragem verdadeira nasce da compreensão do problema.

No fim das contas, um bom profissional de mainframe e Conan compartilham o mesmo princípio: diante de um incidente, de um monstro ou de um sistema com cinquenta anos de história, não importa o tamanho do desafio.

Primeiro investigue.

Depois encontre a fraqueza.

E então resolva o problema com a precisão de quem sabe que toda grande batalha, assim como todo grande programa COBOL, é vencida uma instrução de cada vez.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988