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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Dark Fantasy : Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Reino Fantástico Foi Compilado com Sucesso... Alguns Executam em Produção com ABEND Permanente

 

Bellacosa Mainframe aprensenta anime dark fantasy

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Dark Fantasy sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Reino Fantástico Foi Compilado com Sucesso... Alguns Executam em Produção com ABEND Permanente




Introdução

Existe um momento na vida de praticamente todo fã de anime.

Ele começa assistindo histórias coloridas.

Reinos mágicos.

Espadas brilhantes.

Dragões simpáticos.

O herói derrota o Rei Demônio.

Todo mundo sorri.

Os créditos sobem.

Fim.

Até que um belo dia...

...ele abre Berserk.

Ou Claymore.

Ou Made in Abyss.

E percebe que alguém resolveu substituir o compilador por um ritual proibido escrito em sangue de dragão.

Bem-vindo ao Dark Fantasy.

No Bellacosa Mainframe costumamos dizer que existem dois tipos de fantasia.

A primeira é aquela em que o cavaleiro salva a princesa.

A segunda é aquela em que a princesa já morreu, o cavaleiro perdeu um braço, o dragão foi corrompido por magia ancestral, a igreja faz experimentos secretos e alguém acabou de abrir um portal para uma dimensão onde até o compilador COBOL pediria demissão.

Esse é o universo da fantasia sombria.

Um gênero que, curiosamente, fala muito menos sobre monstros...

...e muito mais sobre pessoas.

Pegue seu café.

Hoje nosso submarino vai mergulhar nas regiões mais profundas da fantasia japonesa.

Apertem os cintos.

Porque aqui até o mapa possui dentes.


O que realmente é Dark Fantasy?

Muita gente acredita que Dark Fantasy significa apenas violência.

Está errado.

Violência por si só nunca definiu um gênero.

Se fosse assim, qualquer filme de ação seria Dark Fantasy.

O verdadeiro segredo está na atmosfera.

No Dark Fantasy o mundo inteiro parece quebrado.

Existe decadência.

Corrupção.

Religiões em conflito.

Reinos falidos.

Magias proibidas.

Criaturas incompreensíveis.

E principalmente...

a sensação constante de que ninguém está realmente seguro.

Em outras palavras...

é como administrar um sistema legado sem backup desde 1987.


A origem da Fantasia Sombria

Muito antes dos animes...

Já existia literatura explorando esse conceito.

Podemos encontrar influências em:

  • Edgar Allan Poe

  • Bram Stoker

  • H. P. Lovecraft

  • Robert E. Howard

  • Michael Moorcock

Esses autores começaram a misturar fantasia medieval com horror.

Não existiam apenas monstros.

Existia medo.

Loucura.

Corrupção.

Maldições.

A própria magia passou a ser vista como algo perigoso.

Não como um presente.

Mas como um contrato.

E contratos...

...programadores COBOL sabem muito bem...

sempre possuem letras miúdas.


A chegada ao Japão

Nos anos 70 e 80...

Mangakás começaram a absorver essas influências.

Misturaram:

fantasia europeia

mitologia japonesa

terror psicológico

budismo

xintoísmo

Lovecraft.

Nascia algo completamente diferente.

Não era Tolkien.

Também não era Conan.

Era outra criatura.

Muito mais estranha.

Muito mais cruel.

Muito mais filosófica.


O nascimento do Dark Fantasy moderno

Poucas obras mudaram tanto um gênero quanto:

Berserk (ベルセルク)

Lançamento do mangá:

1989

Autor:

Kentaro Miura

Ali praticamente nasceu o padrão moderno.

Depois dele...

quase todo Dark Fantasy passou a beber da mesma fonte.

Espadas gigantes.

Demônios grotescos.

Religiões decadentes.

Traumas.

Guerra.

Corrupção.

E personagens extremamente humanos.

Miura não criou apenas um mangá.

Criou um novo dialeto dentro da fantasia.


As características obrigatórias

Se faltar metade desta lista...

provavelmente não é Dark Fantasy.

✔ Mundo decadente

✔ Monstros perturbadores

✔ Magia perigosa

✔ Consequências permanentes

✔ Mortes importantes

✔ Trauma psicológico

✔ Moral cinzenta

✔ Religião ambígua

✔ Horror

✔ Esperança limitada

No Bellacosa Mainframe chamamos isso de:

ABEND Atmosférico Permanente.


Por que gostamos tanto?

Porque o Dark Fantasy respeita o espectador.

Ele não entrega respostas fáceis.

Não explica tudo.

Não transforma personagens em super-heróis invencíveis.

Aqui...

errar dói.

Confiar dói.

Sobreviver dói.

Até vencer dói.


Os 10 maiores Dark Fantasy dos Animes

1 — Berserk (ベルセルク)

Mangá: 1989

Anime: 1997

Autor:

Kentaro Miura

O pai do Dark Fantasy moderno.

Sem Berserk dificilmente existiriam dezenas de obras atuais.


2 — Claymore (クレイモア)

Mangá: 2001

Anime: 2007

Autor:

Norihiro Yagi

Mistura horror corporal, monstros e heroínas extremamente bem construídas.


3 — Made in Abyss (メイドインアビス)

Mangá: 2012

Anime: 2017

Autor:

Akihito Tsukushi

O maior golpe de marketing da história dos animes.

Parece infantil.

Não é.

Nem um pouco.


4 — Goblin Slayer (ゴブリンスレイヤー)

Light Novel: 2016

Anime: 2018

Autor:

Kumo Kagyu

Transformou o goblin...

no pesadelo definitivo.


5 — Dorohedoro (ドロヘドロ)

Mangá: 2000

Anime: 2020

Autora:

Q Hayashida

Uma mistura insana de horror, humor negro e fantasia urbana.


6 — Dororo (どろろ)

Mangá: 1967

Anime clássico: 1969

Remake: 2019

Autor:

Osamu Tezuka

Uma jornada sobre humanidade.

E o preço da ambição.


7 — Devilman Crybaby (デビルマン Crybaby)

Anime: 2018

Baseado na obra de Go Nagai

Fantasia demoníaca.

Horror psicológico.

Uma das obras mais impactantes da Netflix.


8 — Re:Zero kara Hajimeru Isekai Seikatsu

(Re:ゼロから始める異世界生活)

Light Novel: 2014

Anime: 2016

Autor:

Tappei Nagatsuki

Embora seja um isekai...

sua estrutura emocional é puro Dark Fantasy.


9 — The Ancient Magus' Bride

(魔法使いの嫁)

Mangá: 2013

Anime: 2017

Autora:

Kore Yamazaki

Fantasia celta.

Folclore europeu.

Melancolia.

Horror elegante.


10 — Castlevania

Anime: 2017

Inspirado na série da Konami.

Embora seja uma produção ocidental, conquistou enorme público entre fãs de anime por reunir vampiros, magia, tragédia e um clima típico do Dark Fantasy.


O grande segredo do gênero

Monstros nunca foram os protagonistas.

Os monstros...

são metáforas.

O verdadeiro vilão quase sempre é:

ganância.

fanatismo.

ambição.

ódio.

vingança.

medo.

Os demônios apenas tornam essas ideias visíveis.


O mais censurado de todos

Aqui chegamos ao chefe final.

Berserk.

Não apenas pelo sangue.

Mas pelas ideias.

Kentaro Miura abordou temas como:

  • fanatismo religioso;

  • abuso de poder;

  • guerras;

  • escravidão;

  • violência;

  • trauma;

  • manipulação psicológica;

  • corrupção;

  • sacrifício.

Diversas adaptações alteraram, suavizaram ou omitiram partes da história devido à intensidade de certas cenas e à dificuldade de adaptar toda a complexidade da obra. Em vários países, volumes do mangá e versões animadas receberam classificação indicativa elevada ou tiveram distribuição limitada por causa do conteúdo violento e de temas adultos.

A famosa Eclipse (蝕, Shoku) tornou-se um marco da cultura pop justamente porque mudou para sempre a percepção de muitos leitores sobre o que um mangá de fantasia poderia contar. Ela é frequentemente citada entre os momentos mais impactantes da história dos quadrinhos japoneses.

Curiosamente...

o verdadeiro horror daquela sequência não está apenas na violência.

Está na quebra completa da esperança.

Miura mostra que o mundo pode mudar para sempre em poucos minutos.

É um "rollback" impossível.

Não existe backup.

Não existe restauração.

O sistema entrou em produção...

...e o desastre ficou gravado para sempre.


Curiosidades que poucos conhecem

O legado de Berserk

Os jogos Dark Souls, Demon's Souls, Bloodborne e Elden Ring possuem inúmeras referências visuais e conceituais a Berserk: espadas colossais, armaduras, monstros e até poses de personagens remetem à obra de Kentaro Miura.

Tolkien não domina tudo

Embora O Senhor dos Anéis tenha moldado a fantasia moderna, muitos mangakás beberam também em lendas nórdicas, mitologia celta, contos dos irmãos Grimm e no folclore japonês, criando um Dark Fantasy com identidade própria.

O "horror bonito"

Obras como Made in Abyss usam personagens de aparência inocente para aumentar o impacto emocional. O contraste entre o visual delicado e a brutalidade da narrativa é um recurso consciente.

A magia sempre cobra um preço

No Dark Fantasy, lançar um feitiço raramente é gratuito. Perder memórias, envelhecer, adoecer ou sacrificar algo precioso é uma forma de reforçar que poder e responsabilidade caminham juntos.


Easter Eggs para o Padawan

Easter Egg 01: o espadão Dragon Slayer de Guts é tão exagerado que virou inspiração para armas gigantes em inúmeros games japoneses.

Easter Egg 02: se um reino parece perfeito demais em um Dark Fantasy, desconfie. Provavelmente há uma conspiração, uma maldição ou um culto secreto escondido atrás das muralhas.

Easter Egg 03: igrejas, castelos e bibliotecas costumam guardar mais segredos do que tesouros. Muitas vezes, o conhecimento proibido é mais perigoso que qualquer dragão.

Easter Egg 04: monstros gigantes quase nunca representam apenas monstros. Eles costumam simbolizar medos coletivos, guerras, culpa ou a corrupção da própria humanidade.


Como assistir Dark Fantasy sem perder detalhes

Como bom Padawan do Bellacosa Mainframe, vale seguir uma pequena metodologia:

  1. Observe o cenário tanto quanto os personagens. As ruínas contam histórias.

  2. Preste atenção aos símbolos religiosos e mitológicos.

  3. Não espere respostas imediatas; muitos mistérios são construídos ao longo da obra.

  4. Analise as consequências das escolhas. Em Dark Fantasy, cada decisão deixa cicatrizes.

  5. Repare como a trilha sonora e o silêncio são usados para criar tensão.

É um gênero que recompensa quem observa os detalhes, assim como um analista de sistemas encontra a causa de um ABEND examinando cuidadosamente o dump, e não apenas a última linha do log.


Conclusão

O Dark Fantasy nunca foi apenas um desfile de espadas, monstros e sangue.

Ele nasceu da união entre fantasia, horror, filosofia e tragédia para responder a uma pergunta que atravessa séculos:

Como permanecer humano quando o mundo inteiro parece ter desistido da humanidade?

Talvez seja por isso que esse gênero continue conquistando gerações. Ele não promete finais perfeitos nem heróis infalíveis. Em vez disso, mostra personagens quebrados que continuam avançando, mesmo quando todas as probabilidades são contrárias. Para um programador COBOL, isso soa estranhamente familiar: sistemas antigos, documentação incompleta, problemas herdados e, ainda assim, a missão de manter tudo funcionando.

No Bellacosa Mainframe, gostamos de dizer que um bom Padawan começa sua jornada assistindo fantasia clássica. Mas chega um momento em que ele precisa descer alguns níveis na masmorra, enfrentar seus próprios "demônios de produção" e compreender por que tantas obras inesquecíveis escolheram a escuridão como cenário para falar de esperança.

Porque, no fim das contas, a maior lição do Dark Fantasy não é que o mundo seja sombrio.

É que a luz só revela todo o seu valor quando alguém decide carregá-la através da escuridão.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Sword and Sorcery : Descobre que Antes dos Isekais Existia um Mundo Onde a Espada Enferrujava, a Magia Custava Caro e Monstros Não Eram NPCs Esperando Sua Vez

 

Bellacosa Mainframe introduz o genero sword and sorcery 


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Sword and Sorcery sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que Antes dos Isekais Existia um Mundo Onde a Espada Enferrujava, a Magia Custava Caro e Monstros Não Eram NPCs Esperando Sua Vez

"Um aventureiro inteligente não pergunta quantos pontos de vida possui. Pergunta quantos dias faz desde a última refeição."


Introdução — Muito Antes do Herói Overpower

Existe um momento curioso na vida de quase todo fã de fantasia.

Depois de assistir dezenas de isekais, surge uma pergunta inevitável.

"Espera aí... por que esse mundo parece tão confortável?"

A comida nunca falta.

A água nunca causa doença.

As roupas permanecem limpas.

Os cavalos nunca morrem.

As espadas nunca quebram.

As mochilas parecem ter espaço infinito.

Os protagonistas nunca sofrem disenteria, hipotermia ou infecção.

E, curiosamente, os monstros aguardam pacientemente sua vez de apanhar.

Foi exatamente por isso que Goblin Slayer conquistou tantos fãs.

Não porque seja perfeito.

Mas porque recupera uma sensação que dominava a fantasia clássica:

o mundo não gosta de você.

Você não é especial.

Você apenas ainda não morreu.

E essa filosofia nasceu muito antes dos isekais modernos.

Ela pertence a um gênero chamado Sword and Sorcery.

Prepare seu lampião.

Hoje vamos abrir um baú muito antigo.

E ele não contém espadas mágicas.

Contém ferrugem.


O que é Sword and Sorcery?

Traduzindo literalmente:

Espada e Feitiçaria.

Mas isso não explica absolutamente nada.

Sword and Sorcery não é simplesmente fantasia com espadas.

É uma maneira completamente diferente de contar aventuras.

Enquanto a High Fantasy (como O Senhor dos Anéis) fala sobre salvar o mundo...

Sword and Sorcery normalmente fala sobre...

...tentar sobreviver até amanhã.

A escala muda completamente.

Não existe um destino cósmico.

Existe fome.

Existe frio.

Existe dívida.

Existe um mercenário tentando ganhar dinheiro suficiente para comer.

É uma fantasia muito mais humana.

Muito mais brutal.


Robert E. Howard — O Pai de Conan

Se existe um nome obrigatório, é este.

Robert Ervin Howard (1906–1936).

Criador de:

  • Conan

  • Kull

  • Solomon Kane

  • Bran Mak Morn

Howard escreveu numa época em que aventura significava violência, exploração e sobrevivência.

Conan não era um príncipe.

Não era escolhido.

Não era reencarnado.

Era um bárbaro.

E isso fazia toda diferença.

Ele aprendia observando.

Errando.

Apanhando.

Sobrevivendo.

Conan vence porque luta melhor.

Não porque o roteiro resolveu premiá-lo.


O Conan dos livros é diferente do cinema

Muita gente conhece apenas Arnold Schwarzenegger.

Mas os contos originais são ainda mais interessantes.

Conan é inteligente.

Observador.

Excelente estrategista.

Lê pessoas.

Entende política.

Percebe armadilhas.

É muito mais do que músculos.

Aliás...

Existe um enorme erro moderno.

Confundir força física com ausência de inteligência.

Howard nunca fez isso.


Fritz Leiber — Os Ladrões Mais Carismáticos da Fantasia

Outro gigante.

Criador da dupla:

Fafhrd e Gray Mouser.

Aqui nasce praticamente o modelo das aventuras urbanas.

Tavernas.

Guildas.

Assassinos.

Mercenários.

Magos corruptos.

Ladrões.

Cidade suja.

Becos.

Mercados.

Tudo aquilo que hoje vemos em RPGs nasceu aqui.

Se você gosta de Baldur's Gate...

The Witcher...

Dragon Age...

Dungeons & Dragons...

Existe uma enorme dívida com Fritz Leiber.


Michael Moorcock — O Anti-Herói

Então chega Michael Moorcock.

E apresenta...

Elric de Melniboné.

Elric é o oposto de Conan.

Fraco.

Doente.

Intelectual.

Dependente de magia.

Sua espada, Stormbringer, alimenta-se de almas.

Ela salva.

Mas cobra.

Toda magia possui preço.

Esse conceito influenciou praticamente toda a Dark Fantasy posterior.


Clark Ashton Smith

Pouco lembrado.

Mas gigantesco.

Criou mundos decadentes.

Civilizações morrendo.

Magia antiga.

Horror cósmico.

Ruínas.

Bibliotecas proibidas.

Boa parte do clima sombrio moderno passa por ele.


Karl Edward Wagner

Criador de Kane.

Talvez um dos personagens mais cruéis da Sword and Sorcery.

Nem herói.

Nem vilão.

Um sobrevivente.

Ambicioso.

Violento.

Inteligente.

Perigosíssimo.


Ursula K. Le Guin

Embora caminhe mais para a fantasia filosófica, Earthsea (Terramar) mostrou algo revolucionário.

Magia possui equilíbrio.

Nome verdadeiro importa.

Conhecimento custa caro.

Não existe poder gratuito.


J.R.R. Tolkien

Aqui surge uma confusão comum.

Muita gente coloca Tolkien dentro de Sword and Sorcery.

Não está.

Ele representa a High Fantasy.

Grandes guerras.

Nações.

Destino do mundo.

Profecias.

Enquanto Conan tenta sobreviver...

Frodo tenta salvar toda a Terra-média.

São propostas completamente diferentes.


Então chega Berserk...

Kentaro Miura faz algo extraordinário.

Mistura:

Sword and Sorcery.

Horror.

Psicologia.

Religião.

Trauma.

Violência.

Resultado?

Uma das maiores obras da história dos mangás.

Sem Berserk provavelmente não existiriam, da forma como conhecemos:

  • Goblin Slayer

  • Dark Souls

  • Elden Ring

  • Dragon's Dogma

A influência é gigantesca.


Goblin Slayer — O Filho Espiritual

Goblin Slayer lembra Conan.

Lembra Berserk.

Lembra campanhas antigas de RPG.

O protagonista não possui magia infinita.

Sua maior arma é planejamento.

Veja como ele pensa.

Entrar na caverna.

Contar inimigos.

Analisar saída.

Verificar ventilação.

Levar óleo.

Preparar cordas.

Calcular retirada.

Isso parece menos um anime...

E mais uma operação militar.


O Verdadeiro Mundo Medieval Era Muito Pior

Agora vem a parte que muitos isekais ignoram.

Imagine acordar em outro mundo.

Você não conhece:

A língua.

A moeda.

As leis.

A religião.

Os costumes.

As doenças.

As plantas.

Os animais.

Você bebe água.

Talvez morra.

Come um cogumelo.

Talvez morra.

Aceita trabalho.

Talvez seja escravizado.

Dorme numa floresta.

Talvez acorde cercado por lobos.

Ou pior.


Monstros Sendo Monstros

Aqui Goblin Slayer acerta novamente.

Os goblins não são malvados porque sim.

São predadores.

Fazem emboscadas.

Roubam comida.

Atacam aldeias pequenas.

Exploram fraquezas.

Fogem quando perdem vantagem.

É exatamente o comportamento esperado de um animal inteligente.

Agora imagine outros monstros.

Um dragão.

Quanto ele precisa comer?

Um grifo.

Qual território defende?

Um troll.

Onde consegue alimento?

Uma hidra.

Como afeta o comércio local?

Monstros alteram toda economia.

Não são chefes de fase.

São parte do ecossistema.


O Grande Problema dos Isekais Modernos

Aqui entra uma crítica divertida.

Você morre atropelado.

Acorda em outro mundo.

Cinco minutos depois:

✔ Já fala o idioma.

✔ Ganha casa.

✔ Recebe espada lendária.

✔ Uma elfa apaixonou-se.

✔ Uma princesa quer casar.

✔ Um dragão virou mascote.

✔ O rei oferece emprego.

Parabéns.

Nem a Receita Federal trabalha tão rápido.

Enquanto isso...

Conan continua tentando pagar a próxima refeição.


O Drama Verdadeiro da Aventura

Sword and Sorcery fala sobre problemas concretos.

A espada quebrou.

O cavalo morreu.

Acabou comida.

Está chovendo há três dias.

A armadura pesa vinte quilos.

Existe febre.

Existe medo.

Existe frio.

Existe culpa.

Não há tutorial.


Dungeons & Dragons Também Mudou

As primeiras edições de D&D eram extremamente mortais.

Uma armadilha podia acabar com um personagem.

Uma porta errada significava morte.

Uma flecha perdida encerrava meses de campanha.

Hoje muitos jogos são mais heroicos.

Mas a raiz continua lá.


Dark Fantasy Herdou Tudo Isso

Dark Fantasy não nasceu do nada.

Ela bebeu diretamente da fonte de:

Howard.

Leiber.

Moorcock.

Smith.

Lovecraft.

Berserk.

A diferença?

Acrescentou desespero.

O mal não pode ser totalmente derrotado.

A vitória sempre cobra um preço.

Às vezes salvar alguém significa perder outra pessoa.

Às vezes vencer deixa cicatrizes maiores do que perder.


O Maior Vilão Não É o Monstro

Conforme você lê mais Sword and Sorcery, percebe algo curioso.

O verdadeiro inimigo raramente é um dragão.

São pessoas.

Reis corruptos.

Sacerdotes fanáticos.

Mercadores gananciosos.

Magos enlouquecidos.

Traidores.

A criatura fantástica apenas torna o mundo mais perigoso.

Quem normalmente destrói civilizações...

...é o próprio ser humano.


Easter Egg do Bellacosa Mainframe

Imagine um programador COBOL entrando em um típico isekai moderno.

No primeiro dia recebe:

LEVEL 999

SUPER MAGIC

INFINITE STORAGE

IMMORTALITY

Ele olha para a tela.

Respira fundo.

E pergunta:

"Cadê o ambiente de homologação?"

Silêncio absoluto.

No horizonte aparece Conan.

Olha para ele.

Entrega uma espada enferrujada.

E responde:

"Produção."


A Grande Lição

Talvez seja por isso que tantas pessoas continuam voltando para Conan, Berserk, Goblin Slayer e outras obras do gênero.

Elas não tratam o espectador como alguém que precisa de uma explicação para cada passo.

Confiam que você observará.

Interpretará.

Ligará os pontos.

Quando Goblin Slayer leva óleo para uma caverna, ninguém interrompe a narrativa para explicar por quê. Quando Conan examina um terreno antes de um combate, o filme não coloca um narrador dizendo "agora ele está montando uma estratégia". A história simplesmente mostra.

É a velha máxima do cinema e da literatura: "mostre, não conte".

No fim, Sword and Sorcery não fala sobre heróis perfeitos. Fala sobre pessoas imperfeitas tentando permanecer vivas em um mundo que não foi feito para elas. É uma fantasia onde a lama suja as botas, o aço perde o fio, a magia cobra juros e cada refeição pode ser a última antes da próxima batalha.

Talvez essa seja a maior diferença em relação a boa parte da fantasia contemporânea. Em vez de perguntar "como o protagonista vai desbloquear seu próximo poder?", Sword and Sorcery nos faz perguntar algo muito mais humano e muito mais antigo:

"Será que ele conseguirá voltar para casa antes do anoitecer?"

E, curiosamente, essa pergunta continua tão poderosa hoje quanto era quando Robert E. Howard começou a escrevê-la quase um século atrás. Algumas arquiteturas nunca envelhecem. Apenas continuam compilando, geração após geração.

P.S. Para Quem Achou Goblin Slayer "Pesado"... Ainda Existe um Andar Abaixo do Calabouço

Se Goblin Slayer foi a porta de entrada para a Dark Fantasy, saiba que ele está longe de representar o limite do gênero. Existem obras que mergulham ainda mais fundo na violência, na desesperança, na corrupção humana e nos dilemas morais. A seguir estão cinco excelentes exemplos para quem deseja explorar esse lado mais sombrio da fantasia.


1. Berserk (ベルセルク)

Título original: ベルセルク (Beruseruku)

Lançamento:

  • Mangá: 1989

  • Anime clássico: 1997 (25 episódios)

Autor
Kentaro Miura

Estúdio
OLM Team Iguchi

Classificação
+18

Resumo

Guts é um mercenário criado em um campo de batalha. Sua vida muda ao encontrar Griffith e a Tropa do Falcão. O sonho de construir um reino transforma-se em uma das maiores tragédias da história dos mangás.

Personagens

  • Guts

  • Griffith

  • Casca

  • Judeau

  • Pippin

  • Corkus

Por que é mais pesado?

Berserk aborda:

  • guerra

  • tortura

  • religião

  • insanidade

  • abuso psicológico

  • violência extrema

  • horror cósmico

O famoso Eclipse tornou-se uma das sequências mais impactantes da história dos animes.


2. Claymore (クレイモア)

Título original
クレイモア

Lançamento

  • Mangá: 2001

  • Anime: 2007

Autor

Norihiro Yagi

Estúdio

Madhouse

Classificação

+16

Resumo

Monstros chamados Yoma devoram seres humanos e assumem suas identidades. Apenas guerreiras híbridas entre humanas e Yoma conseguem enfrentá-los.

Personagens

  • Clare

  • Teresa

  • Raki

  • Miria

  • Helen

Temas

  • perda da humanidade

  • vingança

  • sacrifício

  • corrupção do poder

A atmosfera lembra Goblin Slayer, porém com monstros ainda mais assustadores.


3. Devilman Crybaby (デビルマン Crybaby)

Título original

デビルマン Crybaby

Lançamento

2018

Autor original

Go Nagai

Estúdio

Science SARU

Classificação

+18

Resumo

Akira torna-se um híbrido entre humano e demônio para enfrentar uma invasão demoníaca que coloca em dúvida a própria natureza da humanidade.

Personagens

  • Akira Fudo

  • Ryo Asuka

  • Miki Makimura

Por que é tão pesado?

Possui:

  • violência gráfica

  • nudez

  • sexo

  • massacres

  • colapso social

  • questionamentos filosóficos

É um dos poucos animes que realmente transmite uma sensação de apocalipse inevitável.


4. Shigurui (シグルイ)

Título original

シグルイ

Lançamento

2007

Autor

Takayuki Yamaguchi

Estúdio

Madhouse

Classificação

+18

Resumo

Durante o período Edo, dois samurais mutilados enfrentam-se em um duelo cuja origem revela décadas de obsessão, rivalidade e brutalidade.

Personagens

  • Fujiki Gennosuke

  • Irako Seigen

  • Kogan Iwamoto

Temática

Embora não tenha monstros, apresenta um dos retratos mais cruéis do Japão feudal.

Tudo dói.

Tudo custa caro.

Ninguém é herói.


5. Dororo (どろろ) — Versão 2019

Título original

どろろ

Lançamento original do mangá

1967

Anime moderno

2019

Autor

Osamu Tezuka

Estúdio

MAPPA / Tezuka Productions

Classificação

+16

Resumo

Um senhor feudal entrega partes do corpo de seu filho a demônios em troca de poder. O menino sobrevive e parte em uma jornada para recuperar cada parte perdida derrotando os próprios demônios.

Personagens

  • Hyakkimaru

  • Dororo

  • Daigo Kagemitsu

  • Tahomaru

Temas

  • guerra

  • fome

  • abandono

  • sacrifício

  • humanidade

É menos gráfico que Berserk, mas emocionalmente devastador.


Para quem deseja continuar descendo às profundezas...

Uma boa sequência de exploração seria:

  1. Goblin Slayer (+16) — sobrevivência e estratégia contra monstros "realistas".

  2. Claymore (+16) — horror medieval com guerreiras e criaturas grotescas.

  3. Dororo (+16) — fantasia trágica sobre identidade, perda e redenção.

  4. Shigurui (+18) — brutalidade humana sem elementos sobrenaturais, onde a violência nasce da obsessão.

  5. Berserk (+18) — a obra que redefiniu a Dark Fantasy moderna, influenciando mangás, animes e jogos por décadas.

  6. Devilman Crybaby (+18) — um mergulho no horror apocalíptico e na fragilidade da natureza humana.

Como curiosidade, Goblin Slayer costuma ser lembrado pelo impacto do primeiro episódio. Já Berserk e Devilman seguem um caminho diferente: eles aumentam gradualmente a tensão até atingirem momentos que marcaram a história dos animes. São obras que influenciaram desde Dark Souls e Elden Ring até inúmeros mangás e animes de fantasia sombria lançados nas últimas décadas.

 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Conan, o Bárbaro e a Arquitetura da Coragem

 

Bellacosa Mainframe apresenta Conan o Barbaro e suas lições para um programador cobol

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Conan, o Bárbaro e a Arquitetura da Coragem

Quando um Programador COBOL Descobre que as Melhores Lições de Engenharia de Sistemas Também Estavam Escondidas nas Frases do Cimério

"A diferença entre um aventureiro e um analista de sistemas experiente é simples: ambos entram em lugares onde ninguém gostaria de entrar. Apenas um deles leva documentação."


Introdução – O Código Também Tem sua Era Hiboriana

Existe um motivo pelo qual Conan continua sendo um dos personagens mais influentes da literatura fantástica, mesmo quase um século após sua criação por Robert E. Howard, em 1932.

Não é apenas pela espada.

Não é pelos músculos.

Muito menos pelas batalhas.

O verdadeiro legado de Conan está em sua filosofia prática de sobrevivência.

Enquanto outros heróis fazem longos discursos sobre honra, justiça ou destino, Conan observa o ambiente, mede o inimigo, identifica a fraqueza e resolve o problema.

Curiosamente, essa forma de pensar lembra muito o cotidiano de um programador COBOL trabalhando em um grande banco.

Imagine um sistema com 45 milhões de linhas de código.

Um ABEND em produção.

CICS congestionado.

DB2 apresentando lock escalation.

MQ acumulando filas.

Um incidente iniciado às 02h37 da manhã.

Naquele momento ninguém quer ouvir discursos.

Todos querem alguém que pense como Conan.


Robert E. Howard Criou Muito Mais que um Bárbaro

Quando Howard escreveu Conan para a revista Weird Tales, pretendia criar um personagem diferente dos cavaleiros medievais tradicionais.

Conan não era perfeito.

Não era um escolhido.

Não era um príncipe escondido.

Não possuía poderes mágicos.

Era simplesmente alguém extremamente competente.

Essa competência vinha da observação.

Da experiência.

Dos fracassos.

Das cicatrizes.

No mundo corporativo chamamos isso de...

Senioridade.


Bellacosa Mainframe e a filosofia de Conan o Barbaro

Primeira Lição

"Civilized men are more discourteous than savages."

"Homens civilizados são mais descorteses que os selvagens."

Esta talvez seja uma das frases mais famosas de Robert E. Howard.

Ela aparece em diferentes versões ao longo dos contos.

A ideia é simples.

Os chamados "civilizados" frequentemente escondem traições atrás de títulos, roupas elegantes e cargos importantes.

Já os bárbaros normalmente mostram exatamente quem são.


Bellacosa Mainframe

Quem trabalha em grandes empresas percebe algo semelhante.

O maior risco raramente é o COBOL.

Nem o JCL.

Nem o VSAM.

Muito menos o Db2.

Os maiores problemas costumam nascer de:

  • reuniões mal conduzidas;

  • requisitos ambíguos;

  • documentação inexistente;

  • decisões políticas;

  • mudanças sem comunicação.

Howard provavelmente diria:

"O dragão não mora na caverna.

Mora na sala de reuniões."


Easter Egg

Conan raramente era enganado por aparência.

Da mesma forma, um analista experiente nunca julga um sistema apenas pela interface.

O verdadeiro perigo costuma estar escondido na arquitetura.


Segunda Lição

"Barbarism is the natural state of mankind."

"A barbárie é o estado natural da humanidade."

Esta talvez seja a visão mais pessimista — e ao mesmo tempo mais realista — de Howard.

Civilizações surgem.

Crescem.

Enriquecem.

Depois...

Entram em decadência.

Howard acreditava que a ordem era temporária.

O caos sempre estava esperando.


O Paralelo com Sistemas Corporativos

Todo sistema nasce organizado.

Depois de alguns anos aparecem:

  • patches;

  • gambiarras;

  • soluções temporárias;

  • correções emergenciais;

  • integrações improvisadas.

Dez anos depois...

ninguém entende completamente o sistema.

Vinte anos depois...

ninguém sabe quem escreveu metade do código.

Trinta anos depois...

aquele sistema movimenta bilhões de reais diariamente.


Conan chamaria isso de:

"O Reino caiu porque esqueceu como suas muralhas foram construídas."

Um arquiteto de software chamaria de:

Dívida Técnica.


Terceira Lição

"O medo mata mais homens do que a espada."

Embora essa frase apareça em versões diferentes ao longo das adaptações de Conan, ela representa perfeitamente sua filosofia.

Conan não era destemido.

Ele sentia medo.

A diferença é que nunca permitia que o medo decidisse.


No Mainframe

Quem nunca viu frases como:

"Não mexe."

"Está funcionando."

"Ninguém sabe o que acontece."

"Melhor deixar."

Esse medo custa milhões.

Howard entenderia imediatamente.

Porque o medo paralisa.

E sistemas paralisados envelhecem.


CSI Mainframe

Todo incidente começa igual.

Ninguém quer tocar.

Até que alguém pergunta:

"Quem conhece esse módulo?"

Silêncio.

Então aparece o velho programador COBOL.

Ele olha.

Sorri.

E responde:

"Esse COPYBOOK eu escrevi em 1998."


Quarta Lição

"Nenhum deus é tão poderoso quanto acredita."

Essa frase resume o espírito das histórias de Conan, embora não seja uma citação textual de Howard.

Conan enfrentava:

  • deuses;

  • sacerdotes;

  • feiticeiros;

  • monstros;

  • reis;

  • imperadores.

Jamais aceitava autoridade apenas porque alguém dizia ser poderoso.

Primeiro observava.

Depois testava.

Finalmente atacava.


Engenharia de Software

Todo sistema possui limitações.

Toda arquitetura possui gargalos.

Todo algoritmo possui casos extremos.

Toda infraestrutura possui ponto único de falha.

Não existe perfeição.

Existe apenas desconhecimento.


Quinta Lição

"Todo monstro tem uma fraqueza."

Conan sobrevivia porque estudava seus inimigos.

Nunca confiava apenas na força.

Antes da batalha ele observava.

Cheiros.

Pegadas.

Armadilhas.

Terreno.

Hábitos.


Sherlock Holmes?

Quase.

CSI?

Também.

Na prática Conan fazia exatamente aquilo que hoje chamamos de:

Análise de causa raiz.


No mainframe fazemos o mesmo.

RMF.

SMF.

SYSLOG.

JES.

SDSF.

Db2 Trace.

CICS Statistics.

MQ Logs.

Tudo isso serve para descobrir...

Onde o monstro realmente mora.


Sexta Lição

"Se pode ser ferido, pode ser derrotado."

Essa não é uma frase literal dos contos de Howard.

Mas resume perfeitamente Conan.

É exatamente a filosofia do personagem.

Não importa quão impossível pareça.

Existe alguma vulnerabilidade.


O Programador COBOL Descobre

Um problema aparentemente impossível normalmente possui origem simples.

Um índice.

Um parâmetro.

Um RECFM.

Um BLKSIZE.

Um COMP-3 mal definido.

Um campo desalinhado.

Uma página Db2 sem RUNSTATS.

Um enqueue esquecido.


Todo gigante possui um calcanhar de Aquiles.


Sétima Lição

"I live, I love, I slay, and am content."

"Eu vivo, amo, luto, mato e estou satisfeito."

Essa frase resume Conan melhor do que qualquer biografia.

Ele não busca riqueza infinita.

Nem fama eterna.

Muito menos poder absoluto.

Conan vive intensamente.

Aceita perdas.

Segue adiante.


No Mundo Corporativo

Há profissionais que vivem esperando:

a próxima promoção.

o próximo cargo.

o próximo reconhecimento.

Enquanto isso esquecem de apreciar o conhecimento adquirido.

Conan provavelmente diria:

"O maior tesouro é sobreviver para a próxima aventura."


A Filosofia Bellacosa Mainframe

Imagine Conan entrando em um Data Center.

Não perguntaria:

"Qual linguagem foi usada?"

Perguntaria:

"Quem realmente conhece esse sistema?"

Depois perguntaria:

"Qual parte dele ninguém tem coragem de alterar?"

Ali encontraria o verdadeiro monstro.


Curiosidades

Robert E. Howard praticamente inventou o herói moderno de fantasia.

Sem Conan provavelmente não existiriam:

  • Red Sonja

  • Kull

  • Fafhrd

  • Elric

  • Druss

  • Geralt

  • Guts

  • Goblin Slayer

  • Kratos

  • inúmeros protagonistas de RPG.


Conan odeia burocracia

Durante praticamente toda sua vida:

foi ladrão.

mercenário.

pirata.

general.

rei.

Em todas essas fases desconfiava de políticos e sacerdotes.


Howard era obcecado pela História

As civilizações hiborianas foram inspiradas em:

Roma.

Grécia.

Egito.

Pérsia.

Celtas.

Vikings.

Sumérios.

Tudo misturado em uma cronologia fictícia extremamente detalhada.


Easter Egg COBOL

Conan jamais perguntaria:

"Qual framework vocês usam?"

Perguntaria:

"Quantas batalhas esse sistema já sobreviveu?"

Essa é exatamente a pergunta que um arquiteto deveria fazer antes de sugerir reescrever um sistema COBOL que processa milhões de transações por dia.


A Espada e o Debugger

Existe uma curiosa semelhança entre Conan e um bom depurador de software.

Ambos procuram:

  • rastros;

  • evidências;

  • padrões;

  • pontos fracos;

  • erros escondidos.

Conan nunca luta às cegas.

Um bom analista também não.


O Verdadeiro Bárbaro é o Especialista

Howard inverte completamente nossa percepção.

O bárbaro é quem entende como o mundo realmente funciona.

Os civilizados vivem presos às aparências.

No Data Center acontece algo semelhante.

O profissional mais valioso normalmente não é aquele que usa a tecnologia mais nova.

É aquele que entende:

  • por que ela existe;

  • como evoluiu;

  • quais problemas resolveu;

  • e principalmente...

...o que acontece quando ela falha.


Conclusão – Conan Nunca Programou COBOL... Mas Pensava Como um Arquiteto de Mainframe

É curioso perceber como frases escritas há quase cem anos continuam incrivelmente atuais.

Quando Conan afirma que homens civilizados podem ser mais perigosos que selvagens, ele está nos alertando sobre a diferença entre aparência e realidade.

Quando lembra que a barbárie é o estado natural da humanidade, ele nos ensina que ordem, estabilidade e arquitetura precisam ser continuamente preservadas. Em tecnologia, sistemas degradam, processos se deterioram e a dívida técnica cresce silenciosamente se ninguém cuidar deles.

Quando diz que o medo mata mais homens do que a espada, ele descreve exatamente o que acontece quando equipes deixam de evoluir por receio de modificar sistemas críticos. O medo da mudança pode ser mais destrutivo do que a própria mudança.

As ideias sintetizadas em frases como "Nenhum deus é tão poderoso quanto acredita", "Todo monstro tem uma fraqueza" e "Se pode ser ferido, pode ser derrotado" traduzem uma mentalidade indispensável para quem trabalha com missão crítica. Nenhuma arquitetura é perfeita, nenhum problema é insolúvel e nenhum incidente deve ser tratado como magia. Tudo pode ser compreendido quando investigado com método, disciplina e experiência.

E talvez seja essa a maior lição que Robert E. Howard deixou para engenheiros, administradores de sistemas e programadores COBOL.

Conan nunca venceu porque era o mais forte.

Venceu porque observava antes de agir.

Pensava antes de atacar.

Aprendia antes de repetir.

Em um mundo repleto de buzzwords, frameworks da moda e promessas de reescrever tudo do zero, a filosofia do cimério continua surpreendentemente moderna. Ela nos lembra que conhecimento sólido supera modismos, experiência vale mais do que propaganda e que a coragem verdadeira nasce da compreensão do problema.

No fim das contas, um bom profissional de mainframe e Conan compartilham o mesmo princípio: diante de um incidente, de um monstro ou de um sistema com cinquenta anos de história, não importa o tamanho do desafio.

Primeiro investigue.

Depois encontre a fraqueza.

E então resolva o problema com a precisão de quem sabe que toda grande batalha, assim como todo grande programa COBOL, é vencida uma instrução de cada vez.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988