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Lovable — O Dia em que Patrick Jane Investigou o Aplicativo Criado por Inteligência Artificial
Quando o prompt entrou no CPD, examinou o código e pediu acesso à produção
O relógio digital do CPD marcava 23h47.
As luzes verdes dos terminais piscavam em silêncio, os discos continuavam girando e uma cafeteira antiga mantinha aquecido o último lote de café da noite. Diante de um terminal 3270, um jovem Padawan COBOL observava uma tela completamente diferente de tudo o que havia aprendido.
Não havia JCL.
Não havia IDENTIFICATION DIVISION.
Não havia compilação.
Também não havia uma longa sequência de comandos para instalar bibliotecas, configurar servidores, criar tabelas ou montar uma interface.
Havia apenas uma caixa de texto.
Patrick Jane aproximou-se tranquilamente, segurando uma xícara de chá, examinou a tela e perguntou:
— O que você escreveu?
O Padawan respondeu:
— “Crie um sistema para controlar alunos de um curso de COBOL, com login, cadastro, dashboard, certificados e acompanhamento de progresso.”
Jane sorriu.
— Então você não escreveu apenas uma frase. Você entregou uma especificação funcional.
Teresa Lisbon, parada ao lado da porta, cruzou os braços.
— E você acredita que essa ferramenta realmente construiu o sistema?
— Eu não acredito — respondeu Jane. — Eu observo.
Na tela estava aberto o Lovable, uma plataforma de desenvolvimento baseada em inteligência artificial que transforma descrições em linguagem natural em aplicações web funcionais. O usuário explica o que deseja construir, e a plataforma gera telas, componentes, navegação, lógica e integrações necessárias para colocar a ideia em funcionamento. A própria documentação define o Lovable como uma plataforma de desenvolvimento full stack com IA. (Lovable Documentation)
Mas, como Patrick Jane ensinaria a qualquer investigador — e como todo veterano do mainframe ensinaria a um iniciante — a primeira impressão nunca é suficiente.
Era hora de investigar.
1. Afinal, o que é o Lovable?
O Lovable é uma plataforma online que permite criar sites, sistemas e aplicações por meio de uma conversa com inteligência artificial.
Em vez de começar abrindo um editor vazio e escrevendo manualmente toda a estrutura do projeto, você descreve:
o objetivo do sistema;
quem utilizará a aplicação;
quais telas deverão existir;
quais dados serão armazenados;
quais regras deverão ser respeitadas;
como a interface deverá se comportar.
A IA interpreta essas instruções e gera uma primeira versão do produto.
Você pode escrever, por exemplo:
Crie um portal de treinamento para programadores COBOL iniciantes. O portal deve possuir cadastro de alunos, trilhas de aprendizagem, exercícios, pontuação, certificados fictícios e um painel administrativo.
A plataforma então começa a montar a aplicação.
Isso inclui, conforme a necessidade do projeto:
página inicial;
formulários;
menus;
tabelas;
dashboards;
componentes visuais;
autenticação;
persistência de dados;
funções de backend;
integração com serviços externos;
publicação na web.
O Lovable não é apenas um gerador de imagens de telas. Sua proposta é produzir uma aplicação funcional e código que possa ser sincronizado, revisado e continuado fora da própria plataforma. Os projetos podem ser conectados ao GitHub, clonados e implantados em outra infraestrutura. A documentação também afirma que o usuário mantém a propriedade de seu código e pode exportar ou migrar seus dados. (Lovable Documentation)
Na linguagem do mainframe, não estamos falando apenas de um gerador de BMS MAP.
Estamos falando de algo que tenta montar o mapa, a transação, o armazenamento e parte da infraestrutura operacional.
2. A origem do suspeito: quando surgiu o Lovable?
O Lovable foi lançado publicamente em novembro de 2024. Uma publicação oficial posterior da própria empresa confirma essa data ao apresentar uma linha do tempo de sua operação. (Lovable)
Sua origem está associada ao movimento de ferramentas capazes de gerar software com inteligência artificial e à experiência acumulada com o projeto GPT Engineer.
A ideia central era ambiciosa:
Permitir que uma pessoa descrevesse um produto digital e recebesse uma aplicação utilizável, sem precisar dominar previamente todo o ecossistema de desenvolvimento web.
Em poucos meses, a plataforma ganhou destaque no movimento conhecido como vibe coding, expressão usada para descrever uma forma de programar na qual o desenvolvedor orienta uma IA por linguagem natural, revisando e ajustando o código produzido.
Em julho de 2025, a empresa anunciou uma rodada de investimento de US$ 200 milhões, com avaliação de US$ 1,8 bilhão, oito meses depois do lançamento. Esse crescimento ajuda a explicar por que o Lovable passou rapidamente de curiosidade experimental para ferramenta observada por startups, desenvolvedores, equipes de produto e empresas. (Lovable)
Patrick Jane olharia para esses números e diria:
— Crescimento rápido chama atenção. Mas não prova que o produto resolve todos os casos.
E ele estaria correto.
O Lovable é poderoso, mas não é magia. É uma ferramenta de aceleração.
3. Para que serve?
O Lovable pode ser usado para criar diversos tipos de aplicações web, como:
landing pages;
portfólios;
blogs;
catálogos;
sistemas de cadastro;
painéis administrativos;
agendas;
sistemas de cursos;
protótipos de SaaS;
ferramentas internas;
sistemas de atendimento;
controles financeiros;
aplicações com login;
dashboards;
front-ends para APIs;
provas de conceito.
Para um programador COBOL, isso abre uma possibilidade especialmente interessante: criar interfaces modernas para processos que antes existiam apenas em terminais, relatórios ou rotinas batch.
Imagine um programa COBOL que consulta dados de clientes em Db2.
Tradicionalmente, o fluxo poderia ser:
Usuário
↓
Terminal 3270
↓
Transação CICS
↓
Programa COBOL
↓
Db2
Com uma arquitetura modernizada, você poderia ter:
Usuário no navegador
↓
Interface criada no Lovable
↓
API REST
↓
z/OS Connect ou camada de integração
↓
CICS ou serviço
↓
Programa COBOL
↓
Db2
O Lovable não substitui automaticamente o CICS, o COBOL, o Db2 ou a segurança do ambiente corporativo.
Ele pode ajudar a construir a camada que o usuário vê.
Esse detalhe é essencial.
O mainframe continua processando as regras críticas. O Lovable pode ajudar a criar a experiência moderna ao redor delas.
4. O Lovable precisa ser instalado?
Aqui está uma boa notícia para o Padawan:
Para começar, não é necessário instalar o Lovable localmente.
A plataforma funciona pelo navegador. O processo inicial indicado pela documentação é:
acessar o Lovable;
criar uma conta;
iniciar um projeto;
escrever o primeiro prompt;
acompanhar a geração da aplicação. (Lovable Documentation)
Isso significa que você não precisa começar instalando:
servidor web;
banco de dados local;
framework de front-end;
gerenciador de pacotes;
compilador;
ambiente Docker.
Entretanto, caso deseje trabalhar profissionalmente com o código, vale instalar ferramentas complementares em seu computador:
Git;
Visual Studio Code;
Node.js, conforme a necessidade do projeto;
cliente GitHub;
Docker, caso você queira executar ou hospedar determinados componentes localmente.
A instalação local não é obrigatória para experimentar, mas torna-se útil quando você deseja sair do modo puramente visual e assumir o controle técnico.
5. Passo a passo: a primeira investigação do Padawan
Passo 1 — Defina o caso antes de interrogar a IA
O erro mais comum é entrar na plataforma e escrever:
Faça um sistema de cursos.
Isso é equivalente a entregar para um programador COBOL uma especificação dizendo:
Faça um programa de clientes.
Quais clientes?
Qual arquivo?
Qual layout?
Quais campos?
Qual regra?
Qual saída?
Patrick Jane provavelmente observaria o autor da especificação por alguns segundos e concluiria:
— Você não sabe ainda o que deseja.
Antes de abrir o Lovable, responda:
O que o sistema fará?
Quem utilizará?
Qual é o problema resolvido?
Quais são as telas mínimas?
Quais dados serão cadastrados?
Qual será a primeira versão?
A documentação do Lovable recomenda definir antecipadamente o produto, o público e o conjunto mínimo de funcionalidades. Para iniciantes, também recomenda começar pelo front-end com dados fictícios antes de conectar um banco real. (Lovable Documentation)
Passo 2 — Escreva o primeiro prompt
Um bom prompt inicial para um projeto COBOL poderia ser:
Crie uma aplicação web chamada Academia COBOL Padawan. Ela deve ajudar iniciantes a acompanhar uma trilha de estudos. Crie uma página inicial, uma lista de módulos, uma página de exercícios, um painel de progresso e uma área de certificados. Use inicialmente dados fictícios. O visual deve misturar terminal mainframe, ficção científica e uma cafeteria noturna. A aplicação deve funcionar bem em computadores e celulares.
Observe a estrutura:
nome;
objetivo;
usuários;
páginas;
dados;
estilo;
comportamento responsivo.
O prompt funciona como uma combinação de:
especificação funcional;
briefing visual;
requisito técnico;
ordem de serviço.
Passo 3 — Analise a primeira versão
Não aceite tudo imediatamente.
Verifique:
os menus funcionam?
os botões levam ao lugar correto?
o texto faz sentido?
o layout fica legível no celular?
os campos necessários estão presentes?
existe alguma funcionalidade inventada?
há inconsistências entre as telas?
No mainframe, você não promove um módulo apenas porque compilou com MAXCC=0000.
No Lovable, você não publica uma aplicação apenas porque ela ficou bonita.
Passo 4 — Peça mudanças pequenas
Evite escrever:
Corrija tudo e deixe profissional.
Prefira:
Na página de trilhas, adicione um indicador de progresso em porcentagem.
Depois:
Na página de exercícios, inclua os níveis Iniciante, Intermediário e Avançado.
Depois:
No painel, crie um gráfico com módulos concluídos por mês.
Solicitações pequenas tornam mais fácil verificar o impacto de cada mudança.
Passo 5 — Use o modo de planejamento
Para alterações maiores, peça primeiro um plano.
Exemplo:
Antes de alterar o sistema, explique como você implementaria autenticação, perfis de aluno e administrador, proteção de rotas e recuperação de senha. Não modifique o código ainda.
Essa abordagem separa o raciocínio da execução.
É a diferença entre:
Planejar → revisar → executar
e:
Executar → descobrir o erro → tentar reparar
A própria documentação recomenda o uso de planejamento, conhecimento persistente, edições visuais e controle de versões como práticas para reduzir erros. (Lovable Documentation)
6. Conectando um banco de dados
Uma aplicação com apenas dados fictícios é um protótipo.
Para cadastrar alunos de verdade, registrar progresso ou armazenar certificados, é necessário um backend.
Uma das integrações documentadas pelo Lovable é com o Supabase, plataforma que oferece banco PostgreSQL, autenticação, armazenamento e funções executadas no servidor.
O fluxo básico é:
criar uma conta no Supabase;
criar um projeto;
abrir as integrações do projeto no Lovable;
selecionar a integração com Supabase;
autorizar a conexão;
escolher o projeto;
solicitar a criação das tabelas e funcionalidades.
Depois da conexão, o Lovable pode utilizar o backend para armazenar dados, cadastrar usuários, controlar autenticação e executar funções. (Lovable Documentation)
Um prompt prático seria:
Conecte o sistema ao Supabase. Crie tabelas para usuários, cursos, módulos, exercícios, conclusões e certificados. Cada aluno deve visualizar apenas seu próprio progresso. Administradores podem visualizar todos os alunos.
Aqui surge uma palavra importante:
RLS — Row-Level Security.
Ela controla quais linhas de uma tabela cada usuário pode acessar.
Sem regras adequadas, um aluno poderia, em determinadas situações, consultar dados de outro aluno.
No mundo mainframe, seria como deixar um usuário acessar registros para os quais não possui autorização RACF.
A tecnologia muda.
O princípio permanece.
7. GitHub: o cofre de evidências
Todo investigador preserva as evidências.
Todo desenvolvedor deveria preservar as versões.
Conectar o projeto ao GitHub permite:
armazenar o código;
acompanhar alterações;
criar histórico;
trabalhar em equipe;
clonar o projeto;
editar fora do Lovable;
executar testes adicionais;
implantar em outra infraestrutura.
O Lovable não exige GitHub para funcionar, mas sua documentação oferece sincronização com repositórios e a possibilidade de continuar o desenvolvimento externamente. (Lovable Documentation)
Para um programador COBOL, pense no Git como uma combinação moderna de:
biblioteca de fontes;
controle de versões;
histórico de mudanças;
base para pipeline;
ponto de integração com revisão técnica.
Não espere a aplicação crescer para pensar em versionamento.
Conecte o repositório cedo.
8. Aplicação prática: portal moderno para um programa COBOL
Vamos imaginar um caso real.
Uma empresa possui um programa COBOL chamado CLIENTE1, responsável por consultar dados cadastrais.
A regra de negócio principal já funciona:
IDENTIFICATION DIVISION.
PROGRAM-ID. CLIENTE1.
DATA DIVISION.
WORKING-STORAGE SECTION.
01 WS-CLIENTE.
05 WS-ID PIC 9(09).
05 WS-NOME PIC X(40).
05 WS-STATUS PIC X(10).
PROCEDURE DIVISION.
PERFORM CONSULTAR-CLIENTE
GOBACK.
O objetivo não é reescrever tudo em JavaScript.
O objetivo é disponibilizar uma tela moderna.
Arquitetura possível
Lovable
↓
Tela de consulta
↓
Chamada HTTPS
↓
API corporativa
↓
z/OS Connect
↓
CICS
↓
CLIENTE1
↓
Db2
No Lovable, você poderia solicitar:
Crie uma tela de consulta de clientes com campos para número do cliente e CPF. Ao pesquisar, consuma uma API REST e mostre nome, status, limite e última atualização. Inclua tratamento para cliente não encontrado, indisponibilidade do serviço e falta de autorização.
A plataforma pode criar o front-end e preparar a chamada à API.
Mas existem responsabilidades que continuam com a equipe:
definir o contrato da API;
proteger as credenciais;
configurar autenticação;
validar autorização;
tratar indisponibilidade;
impedir exposição indevida;
registrar logs;
testar carga;
respeitar políticas corporativas.
Esse é o ponto no qual o Padawan deixa de ser apenas operador da IA e começa a agir como engenheiro.
9. Uso cotidiano para um desenvolvedor COBOL
O Lovable pode ser útil mesmo que você nunca publique uma aplicação comercial completa.
Protótipos para reuniões
Antes de alterar um sistema antigo, crie um protótipo visual para validar a ideia com usuários.
Em vez de explicar:
Teremos um menu lateral com pesquisa e acompanhamento de solicitações.
Mostre o protótipo funcionando.
Simuladores de telas
Crie interfaces fictícias para demonstrar como uma transação CICS poderia ser modernizada.
Ferramentas de apoio
Você pode criar:
calculadora de PIC;
conversor EBCDIC e ASCII;
gerador de exemplos de JCL;
catálogo de abends;
glossário de comandos;
painel de execução batch;
simulador de SDSF;
organizador de copybooks;
sistema de exercícios COBOL.
Portfólio profissional
Um desenvolvedor COBOL pode montar um portal demonstrando:
conhecimento legado;
integração com APIs;
capacidade de modernização;
noções de UX;
domínio de Git;
entendimento de arquitetura híbrida.
Documentação interativa
Em vez de entregar apenas um documento estático, crie uma aplicação pesquisável com diagramas, filtros e exemplos.
10. Pontos fortes
Rapidez na prototipação
Uma ideia pode ganhar uma interface inicial em pouco tempo.
Baixa barreira de entrada
O iniciante não precisa dominar todo o ecossistema web antes de experimentar.
Desenvolvimento conversacional
A pessoa descreve alterações em linguagem natural.
Código reutilizável
O projeto pode ser sincronizado com GitHub e continuado por desenvolvimento tradicional.
Integrações
É possível conectar banco, autenticação, APIs e outros serviços.
Boa utilidade para validação
Equipes conseguem testar um fluxo antes de investir na implementação definitiva.
Ponte entre legado e moderno
Para o programador COBOL, esse talvez seja o maior valor: criar rapidamente a camada moderna ao redor de serviços corporativos existentes.
11. Limitações e riscos
Patrick Jane caminhou até o quadro branco e escreveu:
“Uma interface bonita pode esconder uma arquitetura ruim.”
Esse é o principal alerta.
A IA pode interpretar errado
Um prompt ambíguo gera uma solução ambígua.
O código precisa de revisão
A aplicação pode funcionar e ainda conter:
duplicação;
dependências desnecessárias;
tratamento incompleto;
regras frágeis;
problemas de manutenção.
Segurança não é automática
A documentação do Lovable recomenda revisar autenticação, controle de acesso, chaves de API, funções de backend, políticas de banco e dependências. A plataforma oferece verificações de segurança, mas isso não elimina a responsabilidade humana. (Lovable Documentation)
Custos podem crescer
O uso da plataforma, da nuvem, do banco, de APIs externas e de recursos de IA pode gerar custos conforme o projeto cresce. O Lovable utiliza créditos para construção e para determinados recursos de nuvem e IA. (Lovable)
Sistemas críticos exigem engenharia tradicional
Aplicações financeiras, médicas, industriais ou corporativas não devem ser colocadas em produção apenas com testes superficiais.
12. Dicas do Mestre Bellacosa
1. Trate o prompt como uma especificação
Escreva objetivo, contexto, telas, campos, regras e exceções.
2. Comece com o mínimo
Construa primeiro o fluxo principal.
3. Use dados fictícios
Valide a experiência antes de conectar dados reais.
4. Uma mudança por vez
Isso facilita identificar o que causou um erro.
5. Peça explicações
Pergunte:
Quais arquivos serão alterados e por quê?
6. Proteja segredos
Nunca coloque senhas ou chaves diretamente no front-end.
7. Revise permissões
Cada usuário deve acessar somente o necessário.
8. Sincronize com GitHub
Preserve versões desde o início.
9. Teste cenários negativos
Verifique:
entrada vazia;
usuário sem permissão;
API indisponível;
dado inexistente;
operação duplicada;
sessão expirada.
10. Não abandone seus fundamentos
Lógica, modelagem, dados, testes, segurança e arquitetura continuam valendo.
13. Curiosidades do arquivo confidencial
O nome Lovable
Em inglês, “lovable” significa algo como “adorável” ou “fácil de gostar”.
O nome combina com a proposta de reduzir a frustração inicial de criar software.
O prompt virou artefato de engenharia
Em projetos modernos, o histórico de conversas pode revelar decisões, requisitos e mudanças de escopo.
Existe uma API do próprio Lovable
A documentação inclui uma API para criação programática de aplicações, permitindo iniciar projetos por prompts e integrações automatizadas. (Lovable Documentation)
Existe integração via MCP
O Lovable documenta um servidor baseado no Model Context Protocol, permitindo que clientes compatíveis gerenciem projetos por linguagem natural. (Lovable Documentation)
O backend não precisa ficar preso
A documentação descreve opções de implantação fora da nuvem da plataforma, inclusive com infraestrutura própria e componentes baseados em Supabase. (Lovable Documentation)
14. Easter eggs encontrados no CPD
Easter egg número 1 — O novo SYSIN
No JCL, o SYSIN entrega instruções para a execução.
No Lovable, o prompt faz algo parecido:
//SYSIN DD *
CRIE UM PORTAL COBOL
COM LOGIN
DASHBOARD
TRILHAS
CERTIFICADOS
/*
A diferença é que o compilador agora responde em linguagem natural.
Easter egg número 2 — Patrick Jane e o prompt vazio
Lisbon perguntou:
— Por que o projeto saiu errado?
Jane respondeu:
— Porque o sistema fez exatamente o que pediram, não o que imaginaram.
Easter egg número 3 — MAXCC=0000
O Lovable mostrou:
BUILD SUCCESSFUL
O veterano do mainframe sorriu e perguntou:
— E os testes?
O Padawan ficou em silêncio.
Easter egg número 4 — O fantasma da produção
Toda aplicação criada às pressas possui um fantasma.
Ele aparece quando alguém diz:
“Funcionou no preview.”
Easter egg número 5 — A caneca
No canto inferior da aplicação Academia COBOL Padawan, o desenvolvedor escondeu um botão em formato de xícara.
Ao clicar cinco vezes, surgia a mensagem:
CAFÉ ACEITO
WORKING-STORAGE RECARREGADA
PROGRAMADOR PRONTO
Conclusão — O mentalista não adivinha; ele observa
Patrick Jane não possuía poderes sobrenaturais.
Ele observava padrões, contradições, detalhes ignorados e comportamentos previsíveis.
O Lovable também não é magia.
Ele combina modelos de inteligência artificial, geração de código, componentes modernos e integrações para transformar descrições em aplicações.
Para um programador COBOL iniciante, a ferramenta representa uma oportunidade extraordinária.
Ela permite enxergar o outro lado da arquitetura.
O Padawan que antes conhecia apenas:
Entrada
↓
Programa
↓
Arquivo
↓
Relatório
passa a compreender:
Usuário
↓
Interface
↓
API
↓
Autenticação
↓
Regra de negócio
↓
Banco
↓
Infraestrutura
O conhecimento COBOL não se torna obsoleto.
Ele ganha uma nova porta de entrada.
Você pode continuar trabalhando com programas críticos, CICS, Db2, arquivos VSAM e rotinas batch, enquanto utiliza o Lovable para construir protótipos, portais, dashboards e experiências modernas.
A vantagem não estará apenas com quem sabe escrever prompts.
Estará com quem sabe distinguir:
requisito de sugestão;
protótipo de produto;
demonstração de produção;
código gerado de código confiável;
interface bonita de sistema seguro.
O Padawan olhou novamente para o aplicativo.
— Então a IA não vai substituir o programador?
Patrick Jane tomou o último gole de chá.
— Ela pode substituir algumas tarefas. Também pode ampliar muitos profissionais. O resultado depende de quem faz as perguntas, de quem revisa as respostas e de quem percebe o detalhe que todos os outros ignoraram.
Lisbon abriu a porta do CPD.
— O caso está encerrado?
Jane sorriu.
— Não. O protótipo está pronto. Agora começa a investigação de verdade.
Na tela, uma mensagem piscava:
LOVABLE BUILD COMPLETED
CODE REVIEW PENDING
SECURITY REVIEW PENDING
COFFEE REQUIRED
E, naquela noite, o Padawan aprendeu a lição mais importante:
A inteligência artificial pode construir rapidamente uma aplicação. Mas transformar essa aplicação em um sistema confiável ainda exige lógica, disciplina, testes, segurança e a experiência de quem sabe que produção nunca perdoa excesso de confiança.
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