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sábado, 19 de setembro de 2026

🧭 MARCO POLO E A ROTA DA SEDA DIGITAL — QUANDO O COBOL DESCOBRIU O IBM CONFLUENT

 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🧭 MARCO POLO E A ROTA DA SEDA DIGITAL — QUANDO O COBOL DESCOBRIU O IBM CONFLUENT

COBOL, CICS, Db2, IBM MQ, Apache Kafka, IBM Confluent, CDC, IBM Data Gate, Kafka Connect, Topics, Partitions, Offsets, Schema Registry, Flink, APIs, Cloud, IA — e o dia em que Marco Polo descobriu que o mainframe não precisava viajar para que seus dados atravessassem o mundo.

Sob a tutela de Marco Polo, mercador, explorador e contador de histórias de mundos que pareciam impossivelmente distantes — até alguém construir uma rota entre eles.


🎬 PRÓLOGO — NÃO PRECISAMOS MOVER O IMPÉRIO

Imagine um jovem programador COBOL diante de um terminal.

Na tela:

EXEC SQL
   UPDATE CONTA
      SET SALDO = SALDO - :WS-VALOR
    WHERE NUM_CONTA = :WS-CONTA
END-EXEC.

EXEC SQL
   COMMIT
END-EXEC.

Ele olha para aquilo e pensa:

— Pronto. Transferência concluída.

Marco Polo, sentado ao lado do terminal com um mapa enorme aberto sobre a mesa, pergunta:

— E quem ficou sabendo?

O programador responde:

— O Db2.

Marco continua:

— E o sistema antifraude?

Silêncio.

— O aplicativo mobile?

Mais silêncio.

— O Data Lake?

Silêncio novamente.

— O sistema de analytics?

O programador começa a desconfiar daquela conversa.

— E a inteligência artificial?

Finalmente ele responde:

— Marco... o que você quer exatamente?

Marco Polo aponta para o COMMIT.

— Quero construir uma rota daqui até lá.

E assim começa nossa viagem.

Porque IBM Confluent não é simplesmente "mais uma ferramenta de integração".

Para compreender sua importância dentro do universo mainframe precisamos entender uma mudança conceitual muito maior:

transformar dados armazenados em dados em movimento.


🗺️ CAPÍTULO 1 — O MAINFRAME NÃO É UMA ILHA

Durante décadas, empresas construíram seus sistemas centrais sobre tecnologias como:

COBOL
CICS
IMS
Db2
VSAM
JCL
IBM MQ

E esses sistemas continuam processando quantidades gigantescas de transações.

Banco.

Cartão.

Seguro.

Companhia aérea.

Varejo.

Governo.

Logística.

Imagine nosso IBM Z como uma grande cidade comercial.

Dentro dela existem mercados:

CICS

Armazéns:

Db2
VSAM
IMS DB

Mensageiros:

IBM MQ

Funcionários:

COBOL
PL/I
Java

Guardas:

RACF

E registros das atividades da cidade:

SMF

Tudo funciona.

O problema aparece quando outras cidades precisam saber rapidamente o que aconteceu.

Cloud.

Aplicações mobile.

Analytics.

Data Lakes.

Sistemas antifraude.

Machine Learning.

IA generativa.

Agentes de IA.

Marco Polo olha para o mapa e percebe:

O problema não é necessariamente reconstruir a cidade. Precisamos construir rotas comerciais.

Essa distinção é fundamental.

Modernização não significa obrigatoriamente:

MAINFRAME
    |
    v
MIGRAR TUDO
    |
    v
CLOUD

Pode significar:

             IBM Z
               |
        SYSTEM OF RECORD
               |
               v
          EVENT STREAM
               |
      +--------+--------+
      |        |        |
    Cloud      IA    Analytics

O COBOL continua processando a transação.

O dado viaja.


🐫 CAPÍTULO 2 — A ROTA DA SEDA DOS DADOS

A antiga Rota da Seda não transportava apenas seda.

Transportava:

  • mercadorias;

  • informações;

  • tecnologias;

  • culturas;

  • ideias;

  • conhecimento.

Confluent faz algo conceitualmente parecido com dados.

Imagine que uma transação ocorreu:

TRANSFERÊNCIA
Conta: 123456
Valor: R$ 850

No mundo tradicional podemos pensar:

COBOL
   |
   v
CICS
   |
   v
Db2
   |
   v
COMMIT

O banco de dados agora sabe que o saldo mudou.

Mas o restante da empresa talvez também precise saber.

Podemos representar esse acontecimento como um evento:

{
  "eventType": "TRANSFER_COMPLETED",
  "account": "123456",
  "amount": 850.00,
  "currency": "BRL"
}

Agora começa a viagem:

IBM Z
  |
  v
EVENTO
  |
  v
CONFLUENT / KAFKA
  |
  +------> Antifraude
  |
  +------> Mobile
  |
  +------> Analytics
  |
  +------> Data Lake
  |
  +------> IA

Uma transação ocorreu uma vez.

Mas vários sistemas podem ter interesse nela.

Essa é uma das ideias centrais do event streaming.


📜 CAPÍTULO 3 — ESTADO E ACONTECIMENTO NÃO SÃO A MESMA COISA

Considere:

CONTA: 123456
SALDO: R$ 4.150

Isso representa estado.

Agora observe:

09:00 PIX recebido       +1000
10:14 Compra             -200
12:07 Saque              -300
14:32 Depósito           +500
18:44 Transferência      -850

Isso representa uma sequência de acontecimentos.

Essa diferença parece pequena.

Mas arquiteturalmente é enorme.

O banco de dados responde muito bem:

Qual é o estado atual?

Um stream de eventos ajuda a responder:

O que aconteceu?

E principalmente:

O que está acontecendo?


📻 CAPÍTULO 4 — APACHE KAFKA: A ESTAÇÃO COMERCIAL DA ROTA

No coração do ecossistema Confluent encontramos o Apache Kafka.

Kafka é uma plataforma distribuída de event streaming.

Para começar, nosso jovem COBOLero precisa conhecer quatro palavras:

Producer
Topic
Consumer
Event

Imagine:

PRODUCER
   |
   | publica evento
   v
TOPIC
   |
   +------> CONSUMER A
   |
   +------> CONSUMER B
   |
   +------> CONSUMER C

Um producer produz eventos.

Um topic organiza eventos.

Consumers consomem eventos.

Parece simples.

E conceitualmente é.

O poder aparece quando colocamos milhões ou bilhões de acontecimentos nessa estrada.


🏷️ CAPÍTULO 5 — TOPIC: A PLACA DA ESTRADA

Imagine uma cidade com diferentes rotas:

payments
customers
accounts
card-transactions
fraud-alerts

No Kafka podemos ter topics semelhantes:

bank.payments
bank.accounts
bank.transactions
bank.fraud

Cada topic representa determinado fluxo de eventos.

Por exemplo:

bank.transactions

poderia receber:

Compra
Compra
PIX
Saque
Transferência
Compra
Depósito

Pense no topic como uma estrada especializada.

Marco Polo não coloca:

seda
cavalos
pimenta
ouro
documentos secretos

sem nenhuma organização na mesma carroça.

Boa arquitetura exige organização.


🧩 CAPÍTULO 6 — PARTITIONS: QUANDO UMA ESTRADA NÃO É SUFICIENTE

Agora imagine:

100 eventos por segundo

Tudo bem.

Mas o banco cresce.

Temos:

100.000 eventos por segundo

Uma única rota pode tornar-se insuficiente.

Kafka permite dividir um topic em partitions:

                 PAYMENTS
                    |
       +------------+------------+
       |            |            |
       v            v            v
 Partition 0    Partition 1    Partition 2

Isso possibilita paralelismo.

Diferentes consumers podem processar diferentes partitions simultaneamente.

O mainframeiro já conhece a ideia geral:

Dividir trabalho mantendo controle.

Nada de particularmente alienígena.

Só trocaram as placas da estrada.


🔑 CAPÍTULO 7 — KEY: NÃO MANDE A CARROÇA ERRADA

Existe um problema.

Imagine eventos da conta:

123456

Chegam:

DEPÓSITO
SAQUE
TRANSFERÊNCIA
COMPRA

A ordem pode ser importante.

Muito importante.

Em Kafka podemos utilizar uma key.

Por exemplo:

KEY = ACCOUNT_NUMBER

Eventos com determinada chave podem ser encaminhados consistentemente para a mesma partition.

Assim conseguimos preservar ordenação dentro daquela partition.

Para sistemas financeiros isso é crucial.

Porque:

CREDITAR 100
DEBITAR 100

pode representar uma história diferente de:

DEBITAR 100
CREDITAR 100

Ordem não é detalhe.

Ordem pode ser negócio.


🔢 CAPÍTULO 8 — OFFSET: O MARCO QUILOMÉTRICO DA ROTA

Cada evento dentro de uma partition possui uma posição.

Chamamos essa posição de:

OFFSET

Imagine:

Partition 0

offset 1001
offset 1002
offset 1003
offset 1004
offset 1005

Um consumidor pode registrar até onde chegou.

Algo como:

— Marco, já percorremos a rota até o marco 1004.

Então continuamos:

1005
1006
1007

Essa característica abre uma possibilidade extremamente poderosa:

REPLAY

Podemos voltar.

Dependendo da retenção disponível, um consumidor pode reler acontecimentos anteriores.

Imagine que criamos hoje um novo sistema analítico.

Ele não necessariamente precisa começar apenas nos eventos novos.

Podemos querer:

REPROCESSAR

eventos históricos disponíveis.

Para um mainframeiro acostumado com restart, checkpoint, logs e reprocessamento, isso começa a soar estranhamente familiar.


📬 CAPÍTULO 9 — "ENTÃO KAFKA É IBM MQ?"

Não.

Essa pergunta precisa aparecer cedo porque a confusão é natural.

IBM MQ

Uma boa simplificação mental:

Entregue esta mensagem.

PRODUTOR
   |
   v
QUEUE
   |
   v
CONSUMIDOR

Exemplo:

PROCESSAR PAGAMENTO 12345

Parece uma ordem.

Faça isso.


Kafka

Uma aproximação melhor:

Isto aconteceu.

PAGAMENTO 12345 FOI PROCESSADO

Então:

                    EVENTO
                       |
       +---------------+---------------+
       |               |               |
       v               v               v
     Fraud           Mobile         Analytics

Não significa que MQ não possa trabalhar com eventos nem que Kafka não possa participar de workflows.

A distinção é um modelo mental inicial, não uma fronteira absoluta.


🧙 CAPÍTULO 10 — CONFLUENT NÃO É APENAS KAFKA COM GRAVATA

Se Apache Kafka é o motor fundamental, Confluent constrói uma plataforma empresarial ao redor desse universo.

Podemos pensar pedagogicamente:

Apache Kafka
     |
     v
motor de event streaming

Enquanto:

Confluent
     |
     +--> Kafka
     +--> Connectors
     +--> Schema Registry
     +--> Governança
     +--> Segurança
     +--> Stream Processing
     +--> Flink
     +--> Operação

Isso importa em grandes empresas.

Porque instalar Kafka é uma coisa.

Operar streaming empresarial envolvendo milhares de aplicações, segurança, schemas, governança e consumidores é outra aventura completamente diferente.

Marco Polo poderia comprar um cavalo.

Mas organizar uma rota comercial entre continentes exigia muito mais que possuir cavalos.


🗄️ CAPÍTULO 11 — Db2 ENCONTRA A ROTA DA SEDA

Agora chegamos ao ponto especialmente interessante para IBM Z.

Imagine:

COBOL
  |
  v
CICS
  |
  v
Db2

O programa executa:

UPDATE ACCOUNT
SET BALANCE = BALANCE - 500
WHERE ACCOUNT_ID = 123;

Depois:

COMMIT

Db2 precisa registrar alterações para garantir propriedades transacionais e recuperação.

Existem logs.

E aqui surge uma ideia poderosa:

Em vez de consultar constantemente as tabelas procurando alterações, podemos capturar mudanças a partir dos logs.

Isso nos leva a:

CDC — CHANGE DATA CAPTURE


🔍 CAPÍTULO 12 — O VIGIA QUE NÃO FICA PERGUNTANDO

Imagine um sistema fazendo:

Mudou?

Mudou?

Mudou?

Mudou?

Mudou?

Mudou?

Ou pior:

SELECT *
FROM TRANSACTIONS
WHERE LAST_UPDATE > ...

continuamente.

Isso é polling.

Agora imagine outra estratégia:

INSERT aconteceu
UPDATE aconteceu
DELETE aconteceu

Capturamos essas mudanças.

Isso é a essência do Change Data Capture.


🚪 CAPÍTULO 13 — IBM DATA GATE FOR CONFLUENT

Aqui nossa rota chega diretamente ao IBM Z.

O IBM Data Gate for Confluent permite transformar alterações provenientes do Db2 for z/OS em streams consumíveis pelo ecossistema Confluent.

Conceitualmente:

COBOL
   |
   v
CICS
   |
   v
Db2 for z/OS
   |
 INSERT
 UPDATE
 DELETE
   |
 COMMIT
   |
   v
Db2 LOG
   |
   v
IBM Data Gate for Confluent
   |
   v
Kafka Connect
   |
   v
Confluent
   |
   v
Topics

Isso é interessantíssimo.

Porque talvez não seja necessário alterar centenas de programas COBOL apenas para fazer:

PUBLICAR NO KAFKA

A mudança do banco pode ser capturada.

O velho programa continua trabalhando.

A rota moderna aparece ao redor dele.


⚠️ CAPÍTULO 14 — CDC NÃO É EVENTO DE NEGÓCIO

Agora Marco Polo levanta o dedo.

— Cuidado.

Essa talvez seja uma das lições mais importantes de todo este artigo.

Considere:

CUSTOMER.STATUS

A -> B

CDC pode dizer:

Uma coluna mudou.

Mas o negócio talvez queira dizer:

CUSTOMER_ACCOUNT_SUSPENDED

com:

reason = FRAUD_INVESTIGATION

Isso é muito mais rico.

Portanto:

mudança de dado não é automaticamente evento de negócio.

Temos dois conceitos:

CDC
"algo mudou no dado"

e:

BUSINESS EVENT
"algo significativo aconteceu no negócio"

Confundir os dois pode transformar sua arquitetura Kafka num gigantesco banco de dados desmontado em JSON.


📖 CAPÍTULO 15 — SCHEMA REGISTRY: O COPYBOOK DO VIAJANTE

Agora chegamos a algo que fará qualquer COBOLero sorrir.

Temos:

01 PAYMENT-RECORD.
   05 ACCOUNT-NUMBER PIC X(10).
   05 AMOUNT         PIC S9(9)V99 COMP-3.
   05 CURRENCY       PIC X(03).

COPYBOOK define estrutura.

Agora imagine eventos.

Versão 1:

{
  "account": "123",
  "amount": 500
}

Um desenvolvedor decide melhorar:

{
  "accountNumber": "123",
  "amount": 500,
  "currency": "BRL"
}

Pronto.

Talvez quinze consumidores tenham quebrado.

Bem-vindo ao problema de evolução de schemas.

Confluent possui Schema Registry, permitindo administrar schemas e compatibilidade.

Pedagogicamente:

COPYBOOK
   |
estrutura compartilhada
   |
COBOL

versus:

Schema Registry
   |
estrutura dos eventos
   |
Producers / Consumers

Não são tecnologicamente equivalentes.

Mas o velho programador COBOL entende imediatamente por que aquilo existe.


🌊 CAPÍTULO 16 — FLINK: PROCESSANDO A ÁGUA ENQUANTO O RIO PASSA

Transportar eventos é apenas parte da aventura.

Talvez precisemos analisá-los enquanto passam.

Entre em cena:

Apache Flink.

Imagine:

CARD TRANSACTIONS
        |
        v
      FLINK
        |
        v
FRAUD ALERTS

Uma regra conceitual:

SE

5 compras
+
3 países
+
30 segundos

ENTÃO

GERAR ALERTA

Antigamente poderíamos imaginar:

23:00

//FRAUD JOB

O batch analisa o dia.

Streaming permite:

evento
evento
evento
evento
       |
       v
 análise imediata

Batch continua tendo seu lugar.

Mas agora temos outra ferramenta.


🔌 CAPÍTULO 17 — E O z/OS CONNECT?

Outra confusão comum.

API e streaming não são necessariamente concorrentes.

Imagine um cliente solicitando:

POST /transfer

Temos:

Mobile
   |
   v
API
   |
   v
z/OS Connect
   |
   v
CICS
   |
   v
COBOL

A pergunta é:

Faça uma transferência.

Depois a transação ocorre.

Agora:

COBOL
   |
   v
Db2
   |
   v
COMMIT
   |
   v
EVENTO
   |
   v
Confluent

A API entra.

O evento sai.

Nossa arquitetura fica:

                MOBILE
                   |
                   | POST /transfer
                   v
             z/OS Connect
                   |
                   v
                CICS
                   |
                   v
                COBOL
                   |
                   v
                  Db2
                   |
                 COMMIT
                   |
                   v
                EVENTO
                   |
                   v
              CONFLUENT
                   |
       +-----------+-----------+
       |           |           |
       v           v           v
     Fraud        CRM          IA

Agora temos uma arquitetura realmente interessante.


🏰 CAPÍTULO 18 — RACF NÃO PROTEGE O MUNDO INTEIRO

O jovem COBOLero pergunta:

— Mas temos RACF.

Marco Polo responde:

— Dentro das muralhas.

Quando o dado sai:

IBM Z
   |
   v
Confluent
   |
   v
Cloud

a superfície de segurança muda.

Precisamos considerar:

TLS
certificados
autenticação
autorização
ACLs
criptografia
segredos
PII
governança
retenção
auditoria
mascaramento

Uma regra importante:

A política de proteção precisa acompanhar o dado.

Não adianta possuir uma fortaleza maravilhosa se você coloca documentos secretos numa carroça sem escolta assim que eles atravessam o portão.


🤖 CAPÍTULO 19 — IA DESCOBRE O MAINFRAME EM TEMPO REAL

Aqui a história ganha outro nível.

Imagine IA alimentada assim:

23:00 extrair Db2
00:00 ETL
01:00 Data Lake
02:00 processamento

Ela conhece o passado.

Agora:

19:31:01 transação
19:31:02 evento
19:31:02 stream
19:31:03 processamento

Mudamos a pergunta.

Antes:

O que aconteceu ontem?

Agora:

O que está acontecendo agora?

Para antifraude, logística, recomendação, observabilidade e automação, essa diferença pode ser gigantesca.


📜 CAPÍTULO 20 — KAFKA É QUASE UM SMF DO NEGÓCIO?

Aqui temos nosso Easter Egg mainframeiro.

Quem trabalha com z/OS já convive com event streaming conceitualmente há muito tempo.

Pense no SMF:

JOB iniciou
JOB terminou
usuário acessou
CPU consumida
dataset aberto
transação executada

Depois:

SMF
 |
 +--> Segurança
 +--> Auditoria
 +--> Capacity
 +--> Performance
 +--> Billing

Agora observe:

Kafka
 |
 +--> Fraud
 +--> Analytics
 +--> Mobile
 +--> AI
 +--> Data Lake

Marco Polo olha para o velho programador mainframe.

O velho programador olha para Kafka.

Os dois ficam em silêncio.

Finalmente alguém diz:

— Então vocês reinventaram algumas coisas que nós já fazíamos?

😂

Não exatamente.

Mas existem ideias surpreendentemente familiares.

Easter Egg 03:17: se algum incidente acontecer exatamente nesse horário, procure primeiro o consumer lag antes de culpar o COBOL.


🧨 CAPÍTULO 21 — NÃO JOGUE 4.000 TABELAS NO KAFKA

Um arquiteto empolgado entra na sala:

— Temos quatro mil tabelas Db2!

Marco Polo sorri.

— Excelente.

— Vamos colocar todas no Kafka!

Marco fecha o mapa.

Não.

Essa decisão pode produzir:

4.000 tabelas
      |
      v
milhares de topics
      |
      v
schemas
PII
dados inúteis
custos
consumidores desconhecidos
dependências
governança impossível

Antes pergunte:

Qual dado?

Qual evento?

Quem consome?

Por quê?

Qual retenção?

Qual latência?

Qual chave?

Qual schema?

Qual SLA?

Contém PII?

Quem é o owner?

Replay é permitido?

Qual é a classificação de segurança?

Kafka não substitui arquitetura.

Confluent não substitui arquitetura.

Cloud não substitui arquitetura.

IA definitivamente não substitui arquitetura.


🛠️ CAPÍTULO 22 — PASSO A PASSO PARA O PROGRAMADOR COBOL

Se você está começando, estude nessa ordem.

Passo 1 — Entenda a transação

Comece pelo que conhece:

COBOL
CICS
Db2
COMMIT
ROLLBACK

Entenda Unit of Work.

Passo 2 — Entenda evento

Transforme:

UPDATE ACCOUNT

mentalmente em:

ACCOUNT_BALANCE_CHANGED

Depois pergunte se existe um evento de negócio ainda melhor:

PAYMENT_COMPLETED

Passo 3 — Aprenda Kafka básico

Domine:

Producer
Consumer
Topic
Partition
Key
Offset
Consumer Group
Retention
Replay

Passo 4 — Compare MQ

Pergunte:

Estou enviando uma ordem?

ou

Estou anunciando um acontecimento?

Isso já elimina muita confusão.

Passo 5 — Estude CDC

Aprenda:

INSERT
UPDATE
DELETE
LOG
CDC

Passo 6 — Estude Schema Registry

Pense como alguém que já conhece copybook.

Quem é dono do contrato?

Como evolui?

Quem quebra se mudar?

Passo 7 — Estude streaming

Depois avance para:

Flink
windowing
aggregation
filtering
stream processing

Passo 8 — Só então coloque IA

Não comece:

"QUERO IA!"

Comece:

Qual evento?
Qual dado?
Qual qualidade?
Qual latência?
Qual governança?

Depois coloque IA.


☕ CAPÍTULO 23 — A CAFETERIA DE MARCO POLO

Vamos fechar com uma analogia.

Imagine nossa cafeteria.

Db2

É o livro-caixa.

Pergunta:

Qual é o saldo?


API

Cliente pergunta ao balcão:

Quanto custa um espresso?


IBM MQ

Garçom leva uma ordem:

Prepare dois cafés.


Kafka

O sino toca:

DOIS CAFÉS FORAM VENDIDOS.

Então:

estoque escuta
financeiro escuta
fidelidade escuta
analytics escuta
IA escuta

Confluent

É toda a infraestrutura comercial que administra essas rotas.


Data Gate

Observa mudanças relevantes vindas do Db2 e ajuda a colocá-las na rota.


Schema Registry

É o formulário comercial dizendo exatamente como deve ser descrita uma carga.


Flink

É o mercador que analisa as mercadorias enquanto as caravanas ainda estão passando.


🧭 EPÍLOGO — O COBOL NÃO PRECISA FAZER A VIAGEM

Depois de meses viajando pela Rota da Seda Digital, nosso jovem programador retorna ao mesmo terminal.

Na tela ainda existe:

EXEC SQL
   UPDATE CONTA
      SET SALDO = SALDO - :WS-VALOR
    WHERE NUM_CONTA = :WS-CONTA
END-EXEC.

EXEC SQL
   COMMIT
END-EXEC.

Ele olha para Marco Polo.

— Então não precisamos necessariamente reescrever isso?

Marco sorri.

— Finalmente você entendeu a viagem.

O programa COBOL pode continuar fazendo aquilo para o qual foi criado.

Processar uma transação crítica.

Com segurança.

Consistência.

Performance.

Décadas de regras de negócio.

Ao redor dele construímos rotas:

                         IBM Z
                           |
                     CICS / IMS
                           |
                         COBOL
                           |
                          Db2
                           |
                        COMMIT
                           |
                           v
                     Db2 LOG / CDC
                           |
                           v
                     DATA GATE
                           |
                           v
                       CONFLUENT
                           |
                         KAFKA
                           |
          +----------------+----------------+
          |                |                |
          v                v                v
        CLOUD             AI            ANALYTICS
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                    NOVOS SERVIÇOS

E talvez essa seja uma das ideias mais importantes para um programador COBOL iniciante compreender sobre modernização.

Modernizar não significa necessariamente substituir.

Às vezes significa conectar.

Às vezes significa expor.

Às vezes significa desacoplar.

Às vezes significa transformar uma alteração em evento.

O IBM Z continua sendo o System of Record.

O Db2 continua preservando o estado confiável.

CICS continua processando transações.

COBOL continua executando regras de negócio.

MQ continua transportando mensagens onde mensageria confiável é necessária.

z/OS Connect abre a porta das APIs.

Kafka cria rios de eventos.

Confluent organiza essas novas rotas.

Data Gate ajuda dados do Db2 for z/OS a entrar nelas.

Flink processa acontecimentos enquanto eles passam.

Cloud, analytics e IA tornam-se consumidores dessa informação.

E assim descobrimos algo que Marco Polo provavelmente entenderia melhor que muitos arquitetos modernos:

Você não precisa mover uma cidade inteira para estabelecer comércio com o outro lado do mundo.

Você precisa construir uma boa rota.

No século XIII ela atravessava desertos, montanhas, impérios e oceanos.

No século XXI ela pode começar humildemente assim:

EXEC SQL
   COMMIT
END-EXEC

e terminar milhares de quilômetros — ou alguns milissegundos — depois:

COBOL
  ↓
CICS
  ↓
Db2
  ↓
COMMIT
  ↓
CDC
  ↓
IBM Data Gate
  ↓
Kafka Connect
  ↓
IBM Confluent
  ↓
Topic
  ↓
Partition
  ↓
Consumer
  ↓
Flink
  ↓
Cloud
  ↓
IA

Marco Polo fecha o mapa.

O programador COBOL olha novamente para o terminal.

E percebe que aquele programa de quarenta anos não estava necessariamente preso ao passado.

Talvez apenas estivesse esperando alguém construir uma estrada.

Bellacosa Mainframe

Porque algumas das tecnologias mais interessantes do futuro começam com alguém perguntando o que realmente aconteceu depois do COMMIT.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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