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sábado, 5 de setembro de 2026

O Barão de Münchhausen Entra no CPD — Da Estatística à GenAI, sem precisar cavalgar uma bala de canhão

 

Bellacosa Mainframe apresenta Data Analytics

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Barão de Münchhausen Entra no CPD — Da Estatística à GenAI, sem precisar cavalgar uma bala de canhão

Ou: como Estatística, Pesquisa Operacional, Tukey, Codd, Data Warehousing, Analytics, Big Data, Data Science, Machine Learning e IA Generativa acabaram encontrando COBOL dentro do IBM Z — e por que o programador que entende os dados tem uma vantagem que nenhum dashboard consegue inventar


Prólogo — O Barão chegou ao CPD montado numa distribuição normal

Conta o Barão de Münchhausen que certa manhã atravessou uma distribuição normal montado numa média aritmética, saltou sobre três outliers, amarrou seu cavalo numa mediana e chegou ao CPD exatamente no momento em que um batch COBOL terminava de processar alguns milhões de transações.

Naturalmente, não devemos acreditar em tudo.

A parte da distribuição normal é discutível.

A parte dos milhões de transações, nem tanto.

Quem trabalha com mainframe convive diariamente com quantidades gigantescas de dados: pagamentos, cartões, seguros, contas bancárias, pedidos, estoques, reservas, faturamento, logística, transações governamentais e inúmeras outras atividades.

Durante décadas aprendemos a fazer esses sistemas funcionarem.

Agora existe uma pergunta adicional:

O que podemos aprender com os dados que esses sistemas produzem?

É aí que começa nossa viagem pelo Data Analytics.

E nosso guia será justamente o homem conhecido por contar algumas das histórias mais improváveis da literatura.

Isso será conveniente porque existe uma regra importante em análise de dados:

Se uma história parece extraordinária, procure os dados antes de acreditar nela.



1. Afinal, o que é Data Analytics?

Podemos traduzir Data Analytics como Análise de Dados.

Mas simplesmente dizer isso esconde boa parte da história.

Data Analytics é um conjunto de processos, técnicas e ferramentas utilizados para transformar dados em informações capazes de ajudar pessoas e organizações a compreender acontecimentos e tomar decisões.

Podemos representar isso assim:

DADOS
  ↓
PREPARAÇÃO
  ↓
ANÁLISE
  ↓
PADRÕES
  ↓
INSIGHTS
  ↓
COMUNICAÇÃO
  ↓
DECISÃO

Observe algo importante.

O objetivo final não é criar um gráfico.

Também não é executar Python.

Muito menos instalar alguma ferramenta milagrosa com IA.

O objetivo é tomar decisões melhores com base em evidências.

Imagine um banco processando milhões de transações.

O sistema pode saber que:

CLIENTE = 837291
VALOR   = 9800
HORA    = 03:17
CANAL   = WEB

Esses são dados.

Mas Data Analytics começa quando perguntamos:

Esse valor é normal para esse cliente?

Ele costuma comprar às três da manhã?

Esse canal é habitual?

Houve outras compras semelhantes?

O endereço IP está relacionado à localização normalmente utilizada?

Agora os dados começaram a contar uma história.



2. “Mas quem inventou Data Analytics?”

O Barão imediatamente levanta a mão:

— Fui eu! Em 1783, durante uma viagem à Lua...

Não, Barão.

Pode abaixar a mão.

Não existe uma única pessoa reconhecida como inventora do Data Analytics.

Também não encontramos um inventor específico para a expressão Introduction to Data Analytics.

Esse é simplesmente um título descritivo usado para cursos introdutórios sobre análise de dados.

A história intelectual do Data Analytics é muito mais interessante porque várias disciplinas contribuíram para sua formação.

Uma árvore bastante simplificada seria:

ESTATÍSTICA
   │
   ├── Pesquisa Operacional
   │
   ├── Análise de Dados
   │      └── John Tukey — 1962
   │
   ├── Bancos de Dados
   │      └── Edgar F. Codd — década de 1970
   │
   ├── Decision Support Systems
   │
   ├── Data Warehousing / BI
   │
   ├── Analytics
   │      └── Thomas Davenport — 2006
   │
   ├── Big Data
   │
   ├── Data Science
   │
   └── Machine Learning / GenAI

Essa árvore não deve ser interpretada como uma genealogia rígida na qual uma tecnologia simplesmente substitui a anterior.

É melhor enxergá-la como uma acumulação de conhecimentos.

Estatística continua existindo.

SQL continua existindo.

Data Warehouse continua existindo.

Machine Learning não tornou regressão inútil.

IA generativa não tornou bancos de dados obsoletos.

E, para surpresa de algumas apresentações corporativas...

COBOL também continua aqui.



3. A raiz: Estatística

Antes de existir computador, já existia a necessidade de analisar números.

Populações, comércio, agricultura, astronomia, seguros, economia e administração pública produziram problemas que exigiam métodos quantitativos.

Daí se desenvolveram conceitos fundamentais como:

  • média;

  • mediana;

  • moda;

  • variância;

  • desvio padrão;

  • distribuição;

  • probabilidade;

  • correlação;

  • regressão.

Para o programador COBOL, alguns desses conceitos parecem muito mais familiares quando saem do livro de estatística.

Imagine tempos de resposta:

0,31
0,29
0,30
0,32
0,31
0,30
2,87

Existe alguma coisa estranha ali.

O 2,87 merece investigação.

Chamamos valores muito afastados do comportamento esperado de outliers.

O Barão naturalmente garante que o tempo de resposta de 2,87 segundos ocorreu porque um cavalo ficou preso no canal ESCON.

A equipe de produção prefere consultar os logs.


4. Média não conta toda a história

Imagine cinco transações:

100
105
110
115
10.000

A média é:

(100 + 105 + 110 + 115 + 10000) / 5
= 2086

Mas quatro das cinco transações estão perto de 100.

Por isso precisamos conhecer também mediana e dispersão.

A mediana seria:

110

Muito mais representativa do comportamento central daquele pequeno conjunto.

A dispersão, por sua vez, ajuda a entender quanto os valores se afastam uns dos outros.

Essa é uma lição fundamental para analytics:

Um único número raramente explica um sistema complexo.

É igualmente verdadeira para performance de mainframe.

Dizer:

“O response time médio é 300 ms.”

pode esconder períodos de 50 ms e outros de 5 segundos.

Por isso média, percentis, distribuição e dispersão importam.


5. Pesquisa Operacional entra no CPD

Outra contribuição importante veio da Pesquisa Operacional.

Ela utiliza modelos matemáticos para encontrar melhores decisões diante de restrições.

Imagine:

recursos limitados
+
múltiplas alternativas
+
objetivos
+
restrições

Isso aparece em logística, produção, transporte, escalonamento e planejamento.

Para quem conhece mainframe, a ideia não deveria parecer alienígena.

Um ambiente computacional também possui:

CPU
Memória
I/O
Prioridades
Workloads
SLAs
Janelas batch

E precisamos decidir como utilizar recursos limitados da melhor maneira possível.

O WLM provavelmente cumprimentaria a Pesquisa Operacional com bastante respeito.


6. John Tukey e a Análise de Dados

Em 1962, o estatístico John Tukey publicou o influente trabalho The Future of Data Analysis.

Tukey ajudou a fortalecer a ideia de que analisar dados era uma atividade intelectual própria, não simplesmente uma aplicação mecânica da estatística.

Posteriormente, seu trabalho sobre Exploratory Data Analysis — EDA tornou-se particularmente importante.

A ideia é poderosa:

Antes de tentar provar alguma coisa, explore os dados.

Observe.

Visualize.

Procure padrões.

Procure inconsistências.

Faça perguntas.

Para um programador COBOL, podemos traduzir:

Antes de alterar o programa porque alguém disse que “o sistema está lento”, investigue.


7. Edgar F. Codd aparece carregando tabelas

Chegamos aos anos 1970.

Entra em nossa história Edgar F. Codd, pesquisador da IBM.

Codd apresentou o modelo relacional para bancos de dados.

Essa contribuição transformaria profundamente a maneira como sistemas armazenam e consultam informações.

Em vez de pensar somente em estruturas físicas, passamos a trabalhar conceitualmente com:

TABELAS
LINHAS
COLUNAS
CHAVES
RELACIONAMENTOS

E desse universo emergiria SQL.

Para o programador COBOL:

EXEC SQL
   SELECT SALDO
     INTO :WS-SALDO
     FROM CONTA
    WHERE CONTA_ID = :WS-CONTA-ID
END-EXEC.

Parece cotidiano.

Mas existe uma enorme história da computação escondida atrás desse SELECT.


8. Decision Support Systems

À medida que empresas armazenavam mais informações, surgiu outra necessidade:

usar computadores não apenas para executar operações, mas também para ajudar pessoas a decidir.

Daí crescem os Decision Support Systems — DSS.

O sistema transacional responde:

“A venda aconteceu?”

O sistema de apoio à decisão pode perguntar:

“Por que as vendas caíram?”

Perceba a mudança.

OLTP → executar o negócio

Analytics → compreender o negócio

Naturalmente os dois mundos podem se alimentar.


9. Data Warehouse e Business Intelligence

Empresas possuíam dados espalhados em diversos sistemas.

Então apareceu outro problema:

Como juntar tudo isso para análise?

Entram Data Warehouses, Data Marts, processos ETL e ferramentas de Business Intelligence.

ETL significa:

Extract
Transform
Load

Ou:

Extrair
Transformar
Carregar

Quem trabalha com mainframe talvez esteja pensando:

“Nós fazemos coisas parecidas há décadas.”

E não está totalmente errado.

Arquivos são extraídos, classificados, combinados, transformados e carregados desde muito antes de o termo data pipeline virar moda.

DFSORT poderia escrever memórias bastante interessantes sobre isso.


10. Data Wrangling — o faxineiro que salva o projeto

Dados reais são bagunçados.

Encontramos:

campos vazios
duplicidades
datas incompatíveis
valores inválidos
espaços
códigos antigos
unidades diferentes
registros incompletos

Data Wrangling é o processo de transformar esse material em algo apropriado para análise.

Um fluxo típico inclui:

Discovery
   ↓
Transformation
   ↓
Validation
   ↓
Publishing

Isso pode envolver:

  • joins;

  • unions;

  • normalização;

  • limpeza;

  • enriquecimento;

  • validação.

Aqui existe uma regra que merece ser escrita na parede do CPD:

IA aplicada sobre dado ruim produz erro tecnologicamente sofisticado.

Ou, na versão tradicional:

Garbage In, Garbage Out.

O Barão prefere:

Garbage In, história extraordinária Out.


11. Analytics chega à sala da diretoria

Em 2006, Thomas H. Davenport publicou na Harvard Business Review o artigo Competing on Analytics.

Ele ajudou a popularizar a utilização de analytics como instrumento de vantagem competitiva.

A pergunta empresarial deixa de ser apenas:

“Quanto vendemos?”

e passa a incluir:

Quem compra?

Quando compra?

Por que compra?

Quem provavelmente deixará de comprar?

Onde existe fraude?

O que provavelmente acontecerá depois?

Os dados começam a participar diretamente da estratégia empresarial.


12. Big Data — quando o dataset comeu demais

Depois veio a explosão de dados.

Web.

Smartphones.

Sensores.

Logs.

Redes sociais.

Streaming.

IoT.

Transações digitais.

Passamos a falar dos famosos Vs do Big Data.

Entre eles:

Volume — quantidade.

Velocity — velocidade.

Variety — variedade.

Veracity — confiabilidade.

Tecnologias distribuídas como Hadoop e Spark ganharam destaque nesse cenário.

Mas existe uma curiosidade importante para nós.

Enquanto o mundo descobria que havia dados demais...

o mainframe provavelmente respondeu:

“Interessante. Conte-me mais.”


13. Data Science

Data Science combina conhecimentos de várias áreas:

Estatística
+
Computação
+
Conhecimento do domínio
+
Métodos analíticos

Isso explica uma coisa importantíssima.

O melhor profissional não é necessariamente aquele que conhece mais bibliotecas Python.

Conhecimento do domínio importa enormemente.

E é aí que um desenvolvedor COBOL experiente possui uma vantagem.

Ele talvez conheça:

cliente
conta
apólice
pedido
pagamento
fatura
liquidação
compensação
estoque

Não apenas como colunas.

Mas como processos reais do negócio.


14. Machine Learning

Machine Learning leva a análise adiante permitindo que modelos aprendam padrões a partir dos dados.

Algumas tarefas clássicas incluem:

Classificação

Determinar uma categoria.

TRANSAÇÃO
   ↓
LEGÍTIMA
ou
SUSPEITA

Clustering

Agrupar elementos semelhantes sem necessariamente possuir classes previamente definidas.

clientes
   ↓
grupo A
grupo B
grupo C

Regressão

Investigar relações entre variáveis e produzir estimativas.

Detecção de anomalias

Encontrar comportamentos incomuns.

E essa última nos leva diretamente ao exemplo do curso.


15. O ladrão roubou o cartão — ou talvez apenas as credenciais

Imagine um cliente que normalmente:

faz 3 compras por semana
gasta aproximadamente R$ 150
compra em São Paulo
utiliza dispositivos conhecidos

De repente:

12 compras
4 minutos
valores elevados
IP incomum
localização diferente
nova preferência de entrega

Nenhum desses elementos isoladamente prova fraude.

Mas juntos formam um comportamento digno de investigação.

Esse é um excelente exemplo de detecção de anomalias.

O processo seria aproximadamente:

1. Definir o problema
        ↓
2. Identificar os dados necessários
        ↓
3. Coletar
        ↓
4. Limpar
        ↓
5. Transformar
        ↓
6. Analisar
        ↓
7. Detectar padrões/anomalias
        ↓
8. Visualizar
        ↓
9. Comunicar
        ↓
10. Decidir

Esse é o coração do Data Analytics.



16. Visualização — porque ninguém quer interpretar 800 mil linhas

Imagine entrar numa reunião executiva e dizer:

— Descobri o problema. Aqui estão 4,7 milhões de registros CSV.

Você provavelmente não será convidado novamente.

Visualização transforma dados em representações compreensíveis.

Podemos utilizar:

  • gráficos de barras;

  • linhas;

  • histogramas;

  • scatter plots;

  • mapas;

  • dashboards.

Um gráfico pode revelar em segundos algo escondido em milhões de registros.

Mas cuidado:

visualização não substitui análise.

Um gráfico bonito com dados incorretos continua incorreto.

Só ficou mais convincente.


17. Storytelling — o momento Münchhausen

Finalmente chegamos ao território favorito do Barão.

Contar histórias.

Mas agora precisamos fazer exatamente o contrário do nosso guia.

Nada de exageros.

Nada de inventar.

Nada de cavalgar balas de canhão.

Data Storytelling significa comunicar uma conclusão apoiada por evidências.

Uma boa narrativa pode seguir:

CONTEXTO
   ↓
PROBLEMA
   ↓
EVIDÊNCIA
   ↓
DESCOBERTA
   ↓
IMPACTO
   ↓
RECOMENDAÇÃO

Em vez de dizer:

“CPU aumentou.”

Podemos dizer:

“Após o crescimento de 38% do volume transacional entre 10h e 11h, observamos aumento consistente no consumo de CPU acompanhado por crescimento do response time. A análise indica concentração no workload X e recomenda investigação das transações Y.”

Agora existe história.

Existe contexto.

Existe decisão possível.


18. E então apareceu a IA Generativa

Chegamos ao capítulo mais recente.

LLMs e IA generativa conseguem:

  • resumir informações;

  • gerar consultas;

  • auxiliar análise;

  • explicar padrões;

  • produzir código;

  • ajudar na documentação;

  • apoiar visualizações;

  • conversar com bases de conhecimento.

Mas existe um detalhe delicioso.

IA precisa de dados.

Dados precisam de:

qualidade
contexto
governança
segurança
interpretação

Portanto nossa árvore não desapareceu.

Ela ficou maior.

Estatística
     ↓
Data Analysis
     ↓
Databases
     ↓
BI
     ↓
Analytics
     ↓
Big Data
     ↓
Data Science
     ↓
Machine Learning
     ↓
GenAI

Cada camada carrega ideias das anteriores.



19. O IBM Z estava no porão o tempo inteiro

Agora olhamos para o mainframe.

Ali encontramos:

COBOL
CICS
IMS
Db2
VSAM
JES2
SMF
RMF
MQ
APIs

E atrás dessas tecnologias existem dados.

Muitos dados.

Transacionais.

Operacionais.

Financeiros.

Históricos.

De performance.

De segurança.

O mainframe não é apenas uma máquina executando programas COBOL.

É também uma das maiores fontes de informação empresarial de alto valor.


20. Por que um desenvolvedor COBOL deveria aprender tudo isso?

Porque o trabalho está mudando.

Não significa abandonar:

COBOL
JCL
CICS
Db2
VSAM

Significa acrescentar:

SQL avançado
Estatística
Data Analytics
Visualização
Python
IA

Um desenvolvedor tradicional pode perguntar:

“Onde esse campo é atualizado?”

Um profissional com mentalidade analítica também pergunta:

“O que podemos descobrir analisando dez anos desse campo?”

Essa segunda pergunta abre um universo novo.



21. Um laboratório Bellacosa

Quer começar sem instalar um cluster Hadoop no quintal?

Pegue um conjunto de dados simples.

Pode ser:

DATA
HORÁRIO
TRANSAÇÃO
VALOR
CPU
RESPONSE_TIME
STATUS

Passo 1 — explore

Quantos registros existem?

Quais campos?

Há valores faltantes?

Passo 2 — limpe

Remova duplicidades.

Padronize datas.

Verifique valores inválidos.

Passo 3 — calcule

Descubra:

média
mediana
mínimo
máximo
desvio

Passo 4 — procure outliers

Quais transações fogem do comportamento esperado?

Passo 5 — relacione variáveis

Por exemplo:

volume × CPU
volume × response time
CPU × response time

Passo 6 — visualize

Crie um gráfico temporal.

Passo 7 — conte a história

Não diga apenas:

“Existe um pico.”

Explique:

quando ocorreu;

qual foi sua magnitude;

quais variáveis mudaram;

quais workloads foram afetados;

qual hipótese merece investigação.

Parabéns.

Você acabou de sair de:

“olhar relatório”

para:

“fazer análise de dados”.


22. Easter egg — o Barão encontra um outlier

No final da visita, Münchhausen olha para nosso dataset.

TEMPO_RESPOSTA

0.28
0.31
0.30
0.29
0.32
47.81
0.30

Ele aponta imediatamente para 47.81.

— Conheço esse número! Foi exatamente o tempo que levei para escapar de um pântano puxando a mim mesmo pelos cabelos!

O analista consulta SMF.

O DBA consulta Db2.

O sysprog consulta RMF.

O desenvolvedor abre os logs.

Descobrem uma contenção.

O Barão parece decepcionado.

Mas acabamos de aprender uma última lição:

Um outlier começa uma investigação. Ele não termina uma investigação.


Epílogo — Não abandone o canhão; aprenda balística

Existe uma tentação recorrente na tecnologia de anunciar que cada novidade matou tudo o que existia antes.

Cloud matou mainframe.

Java matou COBOL.

NoSQL matou SQL.

Big Data matou Data Warehouse.

Machine Learning matou estatística.

IA matou programação.

Enquanto isso, no mundo real, todas essas tecnologias continuam convivendo.

O profissional valioso não é necessariamente aquele que corre atrás de cada buzzword.

É aquele que consegue entender como as peças se conectam.

Para o desenvolvedor COBOL, Data Analytics oferece justamente essa oportunidade.

Você já conhece sistemas que produzem dados críticos.

Conhece transações.

Conhece regras de negócio.

Conhece exceções.

Conhece processamento batch.

Conhece online.

Conhece bancos de dados.

Conhece o estranho campo WS-FLAG-X9 que ninguém documentou desde 1997.

Agora acrescente:

estatística.

análise.

visualização.

storytelling.

Machine Learning.

IA.

E talvez você descubra que não precisa abandonar 30 anos de experiência para entrar no futuro.

Pode fazer algo muito mais inteligente:

colocar o futuro em cima desses 30 anos.

Nossa árvore, afinal, não cresce destruindo suas raízes.

Ela cresce justamente porque possui raízes.

                    GenAI
                      ▲
              Machine Learning
                      ▲
                Data Science
                      ▲
                  Big Data
                      ▲
                 Analytics
                      ▲
             Data Warehouse / BI
                      ▲
                    DSS
                      ▲
                Databases
                      ▲
               Data Analysis
                      ▲
           Pesquisa Operacional
                      ▲
                 Estatística

                     │
                     │
               DADOS REAIS
                     │
              ┌──────┴──────┐
            COBOL          CICS
              │              │
             Db2            IMS
              │              │
            VSAM           MQ/API
              └──────┬───────┘
                     │
                   IBM Z

O Barão de Münchhausen sobe novamente em seu cavalo.

Olha para o IBM Z.

Olha para nosso dashboard.

Olha para a IA.

E antes de cavalgar rumo ao próximo absurdo tecnológico, deixa um conselho surpreendentemente sensato:

“Meu caro programador: eu posso inventar histórias porque sou o Barão. Você, quando trabalhar com dados, precisa provar as suas.”

Bellacosa Mainframe

Do cartão perfurado à Inteligência Artificial, os dados sempre tiveram uma história para contar. Nossa profissão é aprender a ouvi-la.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

🔥 “Pandas: O ‘SORT’ do Python que Vai Fazer Você Repensar Tudo que Sabe sobre Arquivos Sequenciais”

 

Bellacosa Mainframe apresenta Pandas a Biblioteca poderosa do Python

🔥 “Pandas: O ‘SORT’ do Python que Vai Fazer Você Repensar Tudo que Sabe sobre Arquivos Sequenciais”


Se você vem do mundo COBOL, prepare-se: este não é apenas mais um artigo sobre Python.

É um choque de paradigma.

É como sair do SORT FIELDS=(...) no JCL e descobrir que você pode fazer tudo isso… e mais… em uma única linha de código.

Hoje vamos falar da biblioteca pandas — mas no estilo Bellacosa Mainframe: com história, bastidores, comparações práticas com COBOL, exemplos reais e até alguns easter eggs que vão te surpreender.


☕ 1. A Origem do Pandas — Não, Não Tem Nada a Ver com o Animal 🐼

O nome pandas vem de:

PANel DAta Structure

Criada em 2008 por Wes McKinney, a biblioteca nasceu dentro de um problema real:

👉 manipular dados financeiros de forma eficiente (algo que qualquer sistema em COBOL faz há décadas).

Ou seja…

💡 Pandas nasceu resolvendo problemas que você já resolve no mainframe.

A diferença?

👉 Ele fez isso com uma abordagem muito mais dinâmica e interativa.


🧠 2. O “choque cultural” para quem vem do COBOL

Se você trabalha com:

  • Arquivos VSAM
  • Sequential files
  • SORT / ICETOOL
  • DFSORT
  • DB2 queries

Então o pandas vai parecer… estranho no começo.

Mas depois:

🔥 viciante

Veja essa comparação:

COBOL / JCLPandas
SORT FIELDSsort_values()
READ FILEread_csv()
WRITE FILEto_csv()
IF / EVALUATEfiltros (query / loc)
FILE LAYOUTDataFrame

👉 O DataFrame é o seu novo “registro + tabela + dataset + tudo junto”


📊 3. O coração do Pandas: DataFrame

Imagine isso:

01 CLIENTE.
05 ID PIC 9(05).
05 NOME PIC X(30).
05 SALDO PIC 9(10)V99.

Agora pense nisso como uma tabela inteira carregada na memória.

👉 Isso é um DataFrame

Exemplo em Python:

import pandas as pd

dados = {
"ID": [1, 2, 3],
"NOME": ["ANA", "JOAO", "CARLA"],
"SALDO": [1500.50, 230.00, 9999.99]
}

df = pd.DataFrame(dados)

print(df)

Resultado:

ID NOME SALDO
0 1 ANA 1500.50
1 2 JOAO 230.00
2 3 CARLA 9999.99

💡 Pense assim:

👉 Você carregou um arquivo inteiro na WORKING-STORAGE… mas com superpoderes.


⚡ 4. Filtrando dados — o “IF” mais poderoso que você já viu

COBOL:

IF SALDO > 1000
DISPLAY CLIENTE
END-IF

Pandas:

df[df["SALDO"] > 1000]

Sim.

Só isso.

🔥 Sem loop. Sem READ. Sem controle manual.


🔀 5. Ordenação — adeus SORT JCL?

JCL:

SORT FIELDS=(SALDO, D)

Pandas:

df.sort_values(by="SALDO", ascending=False)

👉 Em memória
👉 Instantâneo
👉 Encadeável com outras operações


🧩 6. JOIN (sim, tipo DB2)

COBOL tradicional sofre aqui…

Mas pandas:

df1.merge(df2, on="ID", how="inner")

💡 É como um:

SELECT *
FROM A, B
WHERE A.ID = B.ID

🧠 7. Agrupamento (o famoso SUM + BREAK logic)

COBOL:

  • Sort
  • Control break
  • Acumuladores
  • Mil linhas de código 😅

Pandas:

df.groupby("NOME")["SALDO"].sum()

🔥 Isso substitui um programa inteiro de batch.


🥚 8. Easter Eggs do Pandas (sim, existem!)

🐼 1. Representação visual amigável

O pandas automaticamente formata tabelas no estilo “relatório bonito”.

👉 Parece um mini-ISPF tabular 😄


🧪 2. Você pode encadear tudo

df[df["SALDO"] > 1000] \
.sort_values(by="SALDO") \
.head(2)

💡 Isso seria:

  • filtro
  • sort
  • limitar registros

👉 tudo em pipeline


🧙 3. Pandas aceita dados de tudo

  • CSV (sequencial)
  • Excel
  • JSON
  • SQL
  • APIs

👉 É como se o COBOL lesse qualquer formato… sem FD.


🏛️ 9. Curiosidade histórica (nível mainframe)

Enquanto o mundo distribuído evoluía…

👉 o mainframe já fazia:

  • processamento massivo
  • batch
  • ETL
  • consistência

O pandas basicamente trouxe essa filosofia para o mundo Python.

💡 Em outras palavras:

Pandas é o “mini-mainframe” do desenvolvedor moderno


🚀 10. Onde isso muda sua carreira

Se você domina COBOL e aprende pandas:

🔥 você vira um profissional híbrido raríssimo

Você passa a atuar em:

  • Engenharia de dados
  • Data analytics
  • Integração legado + moderno
  • Automação de processos batch fora do mainframe

👉 E o melhor:

Você não joga fora seu conhecimento COBOL.

Você expande ele.


🧠 11. Mentalidade nova (o pulo do gato)

COBOL:

👉 Processamento linha a linha

Pandas:

👉 Processamento em conjunto (vetorizado)

Esse é o maior shift.


☕ Conclusão no estilo Bellacosa

Se o COBOL te ensinou disciplina…

Se o JCL te ensinou controle…

Se o SORT te ensinou performance…

Então o pandas vai te ensinar:

🔥 liberdade

Mas cuidado…

Depois que você fizer um groupby().sum() em uma linha…

👉 você nunca mais vai olhar um control-break da mesma forma.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

🔥 NumPy: O “PACKED DECIMAL” do Python que Vai Explodir sua Cabeça COBOL

 

Bellacosa Mainframe apresenta a biblioteca matematica do Python

🔥 NumPy: O “PACKED DECIMAL” do Python que Vai Explodir sua Cabeça COBOL

Se você veio do mundo COBOL, onde cada byte importa, cada campo tem propósito e cada processamento precisa ser eficiente… então prepare-se: você está prestes a conhecer o coração matemático do Python — a biblioteca NumPy.

E sim… ela é MUITO mais próxima do seu mundo do que você imagina.


☕ O choque de realidade: Python puro vs processamento “mainframe-like”

No COBOL, você já sabe:

  • COMPUTE é rápido
  • PERFORM VARYING é controlado
  • Estruturas são previsíveis

Agora veja isso no Python “cru”:

lista = [1, 2, 3, 4]
resultado = [x * 2 for x in lista]

Funciona… mas não é exatamente eficiente nível mainframe, certo?

Agora entra o NumPy:

import numpy as np

array = np.array([1, 2, 3, 4])
resultado = array * 2

💥 BOOM.

Você acabou de fazer processamento vetorial, algo muito mais próximo de um:

“loop implícito otimizado em assembler por baixo dos panos”

Sim… isso cheira a z/Architecture.


🧠 Origem: quando cientistas reinventaram o “processamento batch”

O NumPy nasceu oficialmente em 2006, mas sua raiz vem de duas bibliotecas:

  • Numeric
  • Numarray

Ambas criadas para resolver um problema clássico:

“Python era bom… mas lento para matemática pesada”

A fusão virou NumPy — e trouxe um conceito poderoso:

👉 Arrays homogêneos de alta performance

Se você pensa em:

  • tabelas VSAM
  • buffers de memória
  • áreas de trabalho

Você já entendeu metade do NumPy.


⚙️ O conceito que muda tudo: ndarray

O coração do NumPy é o ndarray (N-dimensional array).

Pense nisso como:

COBOLNumPy
OCCURSarray
PIC 9(5)V99dtype=float64
Tabela indexadandarray
Área contígua memóriabuffer otimizado

Exemplo:

import numpy as np

dados = np.array([10, 20, 30])
print(dados * 2)

Saída:

[20 40 60]

Sem loop explícito. Sem PERFORM.

👉 Isso é chamado de vectorization.


🚀 Performance: aqui mora o espírito do mainframe

NumPy é rápido porque:

  • Escrito em C (baixo nível)
  • Usa operações vetorizadas
  • Evita overhead de loops Python

📌 Tradução para o mundo COBOL:

“Você está rodando um SORT interno com exit em assembler… sem escrever assembler.”


🔍 Curiosidades que todo coboleiro vai amar

🧩 1. NumPy evita loops como você evita GO TO

Loops em Python são lentos.

NumPy resolve isso com operações vetoriais:

a = np.array([1,2,3])
b = np.array([4,5,6])

print(a + b)

Resultado:

[5 7 9]

👉 Isso é equivalente a um loop automático altamente otimizado.


🧠 2. Broadcasting: o PERFORM invisível

a = np.array([1,2,3])
print(a + 10)

Resultado:

[11 12 13]

Sem loop. Sem stress.

👉 O NumPy “espalha” o valor automaticamente.


🏎️ 3. Memória contígua = performance absurda

Diferente de listas Python, NumPy usa:

  • memória contínua
  • tipos fixos

👉 Isso lembra:

  • buffers de I/O
  • áreas de WORKING-STORAGE bem definidas

🧪 Exemplos práticos (modo COBOL mindset ON)

📊 Soma de um dataset

COBOL:

PERFORM VARYING I FROM 1 BY 1 UNTIL I > 100
ADD VALOR(I) TO TOTAL
END-PERFORM

NumPy:

np.sum(array)

💥 1 linha. Otimizado. Vetorizado.


📈 Média (sem reinventar roda)

np.mean(array)

👉 Nada de controle manual. Nada de variáveis acumuladoras.


🔄 Transformação em massa

array * 1.15

👉 Isso é literalmente um:

“REDEFINES aplicado em lote com COMPUTE automático”


🧠 Easter Eggs e detalhes escondidos

🥚 1. O tipo float64 é padrão

👉 Isso significa precisão alta — quase como trabalhar com campos bem definidos no COBOL financeiro.


🥚 2. Você pode acessar o “layout de memória”

array.strides

👉 Sim… você pode ver como os dados estão distribuídos na memória.

Isso é nível:

“debug de storage layout no mainframe”


🥚 3. NumPy conversa com C diretamente

👉 Isso permite integrar com código de baixo nível.

Ou seja:

Python vira quase um “COBOL com superpoderes científicos”


⚔️ NumPy vs Python puro (visão mainframe)

AspectoPython puroNumPy
PerformanceBaixaAltíssima
TipagemDinâmicaEstática (dtype)
MemóriaFragmentadaContígua
LoopManualVetorizado
EstiloScriptCientífico / batch-like

🌍 Onde isso entra na sua evolução?

Se você domina COBOL, NumPy é uma ponte natural para:

  • 📊 Data Science
  • 🤖 Machine Learning
  • 📈 Analytics de alto volume
  • 🧮 Simulações financeiras

E mais importante:

👉 Você não começa do zero
👉 Você reaproveita seu mindset de performance


🎯 Conclusão: o despertar do coboleiro moderno

NumPy não é só uma biblioteca.

É uma mudança de paradigma.

É quando você percebe que:

“O Python pode ser tão performático quanto um batch bem escrito — se você usar as ferramentas certas.”

E aqui vai a provocação final:

🔥 Se COBOL é o rei do processamento estruturado…
🔥 NumPy é o motor matemático que pode levar você além do mainframe.


domingo, 29 de setembro de 2024

Data Mining vs Data Analytics: Como um Programador Júnior Pode Transformar Dados em Inteligência de Negócios (e por que isso também importa no IBM Z)

 

Bellacosa Mainframe data mining versus data analytucs

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Data Mining vs Data Analytics: Como um Programador Júnior Pode Transformar Dados em Inteligência de Negócios (e por que isso também importa no IBM Z)

"No mundo da tecnologia, dados são o novo petróleo. Mas petróleo bruto não move um carro. Primeiro ele precisa ser refinado. Com dados acontece exatamente a mesma coisa."

Quando alguém começa sua carreira em desenvolvimento de software, principalmente no universo do IBM Mainframe, costuma imaginar que seu trabalho será apenas escrever programas COBOL, criar JCLs, consultar DB2 ou desenvolver transações CICS.

E durante algum tempo isso realmente acontece.

Mas, conforme você evolui, percebe uma verdade importante:

Programadores não desenvolvem apenas software. Desenvolvem conhecimento.

Toda aplicação corporativa existe por um motivo: gerar, armazenar ou consumir dados.

E é justamente aí que entram dois conceitos que aparecem cada vez mais em entrevistas, projetos modernos e iniciativas de Inteligência Artificial:

  • Data Mining

  • Data Analytics

Muita gente acredita que são sinônimos.

Não são.

Na verdade, um complementa o outro.

Hoje vamos tomar mais um café e entender essa diferença de uma maneira que faça sentido para um desenvolvedor iniciante, principalmente para quem pretende trabalhar com sistemas corporativos de grande porte.


O tesouro escondido dentro do banco de dados

Imagine que você trabalha em um grande banco.

Todos os dias são registrados:

  • 25 milhões de transações

  • 8 milhões de PIX

  • 4 milhões de compras no cartão

  • 900 mil empréstimos simulados

  • milhares de acessos ao Internet Banking

Agora imagine isso acontecendo durante vinte anos.

Estamos falando de bilhões de registros.

Você conseguiria abrir uma planilha com tudo isso?

Nem o Excel teria coragem.

Então surge uma pergunta.

Como descobrir informações úteis dentro dessa montanha de dados?

É exatamente essa pergunta que deu origem ao Data Mining.


O que é Data Mining?

A tradução literal seria algo como:

Mineração de Dados.

O nome não foi escolhido por acaso.

Imagine um garimpeiro.

Ele não está interessado em toda a terra da mina.

Ele quer encontrar ouro.

Para isso precisa cavar toneladas de pedras.

O Data Mining faz exatamente isso.

Ele "escava" enormes bases de dados procurando algo valioso.

Pode ser:

  • padrões

  • tendências

  • correlações

  • comportamentos

  • anomalias

  • oportunidades

  • riscos

O objetivo não é produzir relatórios bonitos.

O objetivo é descobrir conhecimento escondido.


Data não é informação

Essa é uma das primeiras lições da Ciência de Dados.

Imagine esta sequência.

235
842
129
842
235
991

São apenas números.

Agora imagine que você descubra que representam códigos de produtos vendidos.

Ainda assim são apenas dados.

Agora descubra que:

  • 842 vende três vezes mais nas sextas-feiras;

  • 235 sempre é comprado junto com 991;

  • clientes que compram 129 têm alta chance de cancelar o serviço em até 90 dias.

Agora sim existe informação.

E foi o Data Mining que encontrou isso.


Data Analytics entra em cena

Suponha que o Data Mining encontrou o seguinte padrão:

Clientes entre 20 e 30 anos cancelam o serviço três vezes mais que os demais.

Excelente descoberta.

Mas...

E agora?

O que fazer com essa informação?

É aqui que entra o Data Analytics.

Analytics responde perguntas como:

  • Isso representa quanto de prejuízo?

  • Qual campanha devemos lançar?

  • Vale a pena oferecer desconto?

  • Quanto vamos economizar?

  • Qual decisão deve ser tomada?

Perceba a diferença.

Data Mining encontra.

Data Analytics interpreta.


Uma analogia simples

Imagine um arqueólogo.

Ele encontra uma antiga espada enterrada.

Esse trabalho é o Data Mining.

Agora entra um historiador.

Ele analisa a espada.

Descobre:

  • de qual época veio;

  • quem provavelmente a utilizava;

  • sua importância histórica;

  • seu valor.

Esse é o Data Analytics.


A grande confusão

Uma das frases da imagem diz que:

Data Mining é apenas parte do Data Analytics.

Na prática, isso está correto.

Analytics é muito mais amplo.

Ele envolve:

  • Estatística

  • Business Intelligence

  • Dashboards

  • KPIs

  • Visualização

  • Inteligência Artificial

  • Machine Learning

  • Forecast

  • Otimização

  • Data Mining

Ou seja:

Data Analytics

│

├── Estatística

├── BI

├── Dashboards

├── Visualização

├── IA

├── Machine Learning

└── Data Mining

Mining é uma ferramenta.

Analytics é a estratégia.


Onde entra o Machine Learning?

Outra dúvida bastante comum.

Machine Learning não substitui Data Mining.

Na verdade, ele fornece muitos dos algoritmos utilizados durante a mineração.

Por exemplo:

  • Árvores de decisão

  • Redes neurais

  • Random Forest

  • K-Means

  • Regressão

  • SVM

Todos podem ser utilizados para descobrir padrões.


As quatro grandes perguntas da análise de dados

Existe um modelo bastante conhecido.

1. O que aconteceu?

Análise Descritiva.

Exemplo.

"As vendas caíram 15%."


2. Por que aconteceu?

Análise Diagnóstica.

"O concorrente lançou uma promoção."


3. O que vai acontecer?

Análise Preditiva.

"Existe 82% de chance de queda nas vendas no próximo trimestre."


4. O que devemos fazer?

Análise Prescritiva.

"Aumentar o investimento em marketing digital na região Sudeste."

Perceba como o Analytics evolui da observação para a ação.


Um exemplo usando COBOL

Imagine um programa COBOL responsável por registrar pagamentos.

Todos os dias ele grava milhões de registros.

Durante cinco anos ele acumulou:

CLIENTE

VALOR

DATA

HORA

AGÊNCIA

CANAL

TIPO DE PAGAMENTO

Agora imagine um cientista de dados analisando tudo isso.

O Data Mining descobre que:

  • clientes acima de 65 anos utilizam mais caixas eletrônicos;

  • pagamentos acima de determinado valor aumentam nas sextas-feiras;

  • determinadas agências apresentam comportamento incomum.

Nenhum programador escreveu essas regras.

Os algoritmos descobriram.


Agora entra o Analytics

O Analytics recebe essas descobertas.

Calcula:

  • impacto financeiro;

  • risco;

  • ROI;

  • custo operacional.

Depois responde:

Vale abrir mais caixas eletrônicos?

Vale reforçar a equipe?

Vale oferecer novos produtos?

É por isso que Analytics está diretamente ligado ao negócio.


E no IBM Mainframe?

Muitos iniciantes imaginam que Mainframe apenas executa programas COBOL.

Nada poderia estar mais distante da realidade.

Todos os dias um IBM Z produz uma quantidade gigantesca de informações.

Exemplos.

SMF Records.

RMF.

JES2.

JES3.

SDSF.

RACF.

DB2.

IMS.

MQ.

OMEGAMON.

CICS.

z/OSMF.

Cada componente registra milhares de eventos.

Isso significa milhões de linhas diariamente.


Um Sysprog também faz Analytics

Imagine analisar os registros SMF.

O Data Mining pode descobrir:

  • Jobs que sempre falham juntos.

  • Crescimento gradual do consumo de CPU.

  • Programas responsáveis por gargalos.

  • Horários de pico.

  • Tendências de utilização do DASD.

  • Perfis suspeitos de acesso RACF.

Depois entra o Analytics.

Ele responde.

Devemos comprar mais processadores?

Precisamos aumentar memória?

Vale reorganizar o DB2?

Precisamos alterar políticas do WLM?

Ou seja.

Até mesmo um Administrador Mainframe trabalha com Analytics sem perceber.


Curiosidade

Você sabia que grandes bancos analisam bilhões de registros diariamente usando dados originados no próprio Mainframe?

Isso acontece porque o IBM Z continua sendo responsável por boa parte das transações financeiras do planeta.

Não é exagero dizer que boa parte do dinheiro movimentado diariamente passa por algum sistema que gera dados para análises.


O ciclo completo

Visualmente seria algo assim.

Aplicações

↓

COBOL

↓

CICS

↓

DB2

↓

Dados

↓

ETL

↓

Data Warehouse

↓

Data Mining

↓

Machine Learning

↓

Data Analytics

↓

Dashboards

↓

Decisões

↓

Novas Estratégias

Perceba.

Tudo começa com um bom software.


O futuro: IA + Analytics

Nos últimos anos surgiu um novo personagem.

A Inteligência Artificial Generativa.

Agora imagine o seguinte diálogo.

"ChatGPT, quais foram os cinco produtos com maior crescimento no último trimestre?"

A IA consulta o banco de dados.

Executa SQL.

Analisa gráficos.

Cruza informações.

Explica os resultados.

Sugere decisões.

Esse é o conceito de Augmented Analytics, em que a IA acelera a interpretação dos dados, permitindo que analistas e gestores se concentrem nas decisões de maior impacto.


Dicas para um Programador Júnior

Se você está começando, não tente aprender tudo ao mesmo tempo. Construa uma base sólida.

1. Aprenda SQL profundamente
Quase todo projeto de dados começa com consultas bem escritas. Saber fazer JOIN, GROUP BY, funções analíticas e otimizar consultas é uma habilidade valiosa.

2. Entenda modelagem de dados
Conheça tabelas normalizadas, chaves primárias, chaves estrangeiras e relacionamentos. Um bom modelo facilita qualquer análise.

3. Domine Excel e Power BI
Mesmo em grandes empresas, essas ferramentas são amplamente utilizadas para explorar dados e criar dashboards.

4. Aprenda Python
Bibliotecas como Pandas, NumPy, Matplotlib e Scikit-learn permitem manipular dados e criar modelos de forma eficiente.

5. Conheça estatística básica
Média, mediana, desvio padrão, correlação e distribuição são conceitos essenciais para interpretar resultados corretamente.

6. Desenvolva visão de negócio
Pergunte sempre: "Como essa análise ajuda a empresa?" A tecnologia existe para resolver problemas reais.

7. Se você é do Mainframe, explore os dados da plataforma
SMF, RMF, Db2, CICS e RACF são verdadeiras minas de informação. Aprender a interpretá-los pode diferenciá-lo no mercado.


Erros comuns dos iniciantes

❌ Acreditar que gráficos são Analytics. Um gráfico sem contexto não responde perguntas de negócio.

❌ Pensar que Machine Learning resolve qualquer problema. Um modelo treinado com dados ruins produzirá resultados ruins.

❌ Ignorar a qualidade dos dados. Dados duplicados, incompletos ou inconsistentes comprometem qualquer análise.

❌ Focar apenas na ferramenta. O mais importante é entender o problema, não apenas dominar uma linguagem ou software.


Easter Eggs Bellacosa Mainframe ☕

🥚 Easter Egg #1 – O Data Miner do século XXI
Se um garimpeiro usa uma peneira para separar ouro da areia, o cientista de dados usa algoritmos para separar conhecimento do ruído. Em ambos os casos, a matéria-prima é abundante, mas o valor está escondido.

🥚 Easter Egg #2 – O COBOL já fazia Analytics sem esse nome
Muitos sistemas COBOL geravam relatórios gerenciais, balanços e estatísticas décadas antes de "Data Analytics" virar um termo popular. A diferença é que hoje utilizamos ferramentas muito mais sofisticadas para explorar esses mesmos dados.

🥚 Easter Egg #3 – O Mainframe é uma fábrica de dados
Cada transação CICS, cada acesso ao Db2, cada Job JES2 e cada registro SMF conta uma parte da história da empresa. Quando unidos, esses eventos formam um dos ativos mais valiosos de qualquer organização.

🥚 Easter Egg #4 – O verdadeiro ouro não está no algoritmo
O algoritmo encontra padrões, mas quem transforma esses padrões em inovação é o ser humano. Conhecimento técnico e entendimento do negócio continuam sendo diferenciais insubstituíveis.

🥚 Easter Egg #5 – O café do Bellacosa
Se você chegou até aqui, já percebeu que programar vai muito além de escrever código. Todo sistema existe para apoiar decisões, e toda decisão de qualidade nasce de dados bem compreendidos. O café é apenas a desculpa para conversarmos sobre isso.


Conclusão

A principal lição deste café é simples: Data Mining e Data Analytics não disputam espaço; eles trabalham em conjunto. O primeiro explora grandes volumes de dados para revelar padrões, tendências e anomalias. O segundo interpreta essas descobertas, contextualiza os resultados e transforma conhecimento em ações estratégicas.

Para um programador júnior — seja em desenvolvimento web, ciência de dados ou IBM Mainframe — compreender essa diferença é um passo importante na evolução profissional. Afinal, cada programa COBOL, cada tabela Db2, cada API ou cada transação CICS produz dados que podem orientar decisões de negócio.

No fim das contas, o código é apenas o começo da jornada. O verdadeiro valor aparece quando esses dados são transformados em conhecimento, e esse conhecimento se converte em melhores produtos, processos mais eficientes e decisões mais inteligentes.

"Quem aprende apenas a programar constrói sistemas. Quem aprende a entender os dados constrói o futuro. No universo IBM Z, onde bilhões de transações acontecem silenciosamente todos os dias, cada registro pode esconder uma oportunidade esperando para ser descoberta."

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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