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sábado, 5 de setembro de 2026

O Barão de Münchhausen Entra no CPD — Da Estatística à GenAI, sem precisar cavalgar uma bala de canhão

 

Bellacosa Mainframe apresenta Data Analytics

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O Barão de Münchhausen Entra no CPD — Da Estatística à GenAI, sem precisar cavalgar uma bala de canhão

Ou: como Estatística, Pesquisa Operacional, Tukey, Codd, Data Warehousing, Analytics, Big Data, Data Science, Machine Learning e IA Generativa acabaram encontrando COBOL dentro do IBM Z — e por que o programador que entende os dados tem uma vantagem que nenhum dashboard consegue inventar


Prólogo — O Barão chegou ao CPD montado numa distribuição normal

Conta o Barão de Münchhausen que certa manhã atravessou uma distribuição normal montado numa média aritmética, saltou sobre três outliers, amarrou seu cavalo numa mediana e chegou ao CPD exatamente no momento em que um batch COBOL terminava de processar alguns milhões de transações.

Naturalmente, não devemos acreditar em tudo.

A parte da distribuição normal é discutível.

A parte dos milhões de transações, nem tanto.

Quem trabalha com mainframe convive diariamente com quantidades gigantescas de dados: pagamentos, cartões, seguros, contas bancárias, pedidos, estoques, reservas, faturamento, logística, transações governamentais e inúmeras outras atividades.

Durante décadas aprendemos a fazer esses sistemas funcionarem.

Agora existe uma pergunta adicional:

O que podemos aprender com os dados que esses sistemas produzem?

É aí que começa nossa viagem pelo Data Analytics.

E nosso guia será justamente o homem conhecido por contar algumas das histórias mais improváveis da literatura.

Isso será conveniente porque existe uma regra importante em análise de dados:

Se uma história parece extraordinária, procure os dados antes de acreditar nela.



1. Afinal, o que é Data Analytics?

Podemos traduzir Data Analytics como Análise de Dados.

Mas simplesmente dizer isso esconde boa parte da história.

Data Analytics é um conjunto de processos, técnicas e ferramentas utilizados para transformar dados em informações capazes de ajudar pessoas e organizações a compreender acontecimentos e tomar decisões.

Podemos representar isso assim:

DADOS
  ↓
PREPARAÇÃO
  ↓
ANÁLISE
  ↓
PADRÕES
  ↓
INSIGHTS
  ↓
COMUNICAÇÃO
  ↓
DECISÃO

Observe algo importante.

O objetivo final não é criar um gráfico.

Também não é executar Python.

Muito menos instalar alguma ferramenta milagrosa com IA.

O objetivo é tomar decisões melhores com base em evidências.

Imagine um banco processando milhões de transações.

O sistema pode saber que:

CLIENTE = 837291
VALOR   = 9800
HORA    = 03:17
CANAL   = WEB

Esses são dados.

Mas Data Analytics começa quando perguntamos:

Esse valor é normal para esse cliente?

Ele costuma comprar às três da manhã?

Esse canal é habitual?

Houve outras compras semelhantes?

O endereço IP está relacionado à localização normalmente utilizada?

Agora os dados começaram a contar uma história.



2. “Mas quem inventou Data Analytics?”

O Barão imediatamente levanta a mão:

— Fui eu! Em 1783, durante uma viagem à Lua...

Não, Barão.

Pode abaixar a mão.

Não existe uma única pessoa reconhecida como inventora do Data Analytics.

Também não encontramos um inventor específico para a expressão Introduction to Data Analytics.

Esse é simplesmente um título descritivo usado para cursos introdutórios sobre análise de dados.

A história intelectual do Data Analytics é muito mais interessante porque várias disciplinas contribuíram para sua formação.

Uma árvore bastante simplificada seria:

ESTATÍSTICA
   │
   ├── Pesquisa Operacional
   │
   ├── Análise de Dados
   │      └── John Tukey — 1962
   │
   ├── Bancos de Dados
   │      └── Edgar F. Codd — década de 1970
   │
   ├── Decision Support Systems
   │
   ├── Data Warehousing / BI
   │
   ├── Analytics
   │      └── Thomas Davenport — 2006
   │
   ├── Big Data
   │
   ├── Data Science
   │
   └── Machine Learning / GenAI

Essa árvore não deve ser interpretada como uma genealogia rígida na qual uma tecnologia simplesmente substitui a anterior.

É melhor enxergá-la como uma acumulação de conhecimentos.

Estatística continua existindo.

SQL continua existindo.

Data Warehouse continua existindo.

Machine Learning não tornou regressão inútil.

IA generativa não tornou bancos de dados obsoletos.

E, para surpresa de algumas apresentações corporativas...

COBOL também continua aqui.



3. A raiz: Estatística

Antes de existir computador, já existia a necessidade de analisar números.

Populações, comércio, agricultura, astronomia, seguros, economia e administração pública produziram problemas que exigiam métodos quantitativos.

Daí se desenvolveram conceitos fundamentais como:

  • média;

  • mediana;

  • moda;

  • variância;

  • desvio padrão;

  • distribuição;

  • probabilidade;

  • correlação;

  • regressão.

Para o programador COBOL, alguns desses conceitos parecem muito mais familiares quando saem do livro de estatística.

Imagine tempos de resposta:

0,31
0,29
0,30
0,32
0,31
0,30
2,87

Existe alguma coisa estranha ali.

O 2,87 merece investigação.

Chamamos valores muito afastados do comportamento esperado de outliers.

O Barão naturalmente garante que o tempo de resposta de 2,87 segundos ocorreu porque um cavalo ficou preso no canal ESCON.

A equipe de produção prefere consultar os logs.


4. Média não conta toda a história

Imagine cinco transações:

100
105
110
115
10.000

A média é:

(100 + 105 + 110 + 115 + 10000) / 5
= 2086

Mas quatro das cinco transações estão perto de 100.

Por isso precisamos conhecer também mediana e dispersão.

A mediana seria:

110

Muito mais representativa do comportamento central daquele pequeno conjunto.

A dispersão, por sua vez, ajuda a entender quanto os valores se afastam uns dos outros.

Essa é uma lição fundamental para analytics:

Um único número raramente explica um sistema complexo.

É igualmente verdadeira para performance de mainframe.

Dizer:

“O response time médio é 300 ms.”

pode esconder períodos de 50 ms e outros de 5 segundos.

Por isso média, percentis, distribuição e dispersão importam.


5. Pesquisa Operacional entra no CPD

Outra contribuição importante veio da Pesquisa Operacional.

Ela utiliza modelos matemáticos para encontrar melhores decisões diante de restrições.

Imagine:

recursos limitados
+
múltiplas alternativas
+
objetivos
+
restrições

Isso aparece em logística, produção, transporte, escalonamento e planejamento.

Para quem conhece mainframe, a ideia não deveria parecer alienígena.

Um ambiente computacional também possui:

CPU
Memória
I/O
Prioridades
Workloads
SLAs
Janelas batch

E precisamos decidir como utilizar recursos limitados da melhor maneira possível.

O WLM provavelmente cumprimentaria a Pesquisa Operacional com bastante respeito.


6. John Tukey e a Análise de Dados

Em 1962, o estatístico John Tukey publicou o influente trabalho The Future of Data Analysis.

Tukey ajudou a fortalecer a ideia de que analisar dados era uma atividade intelectual própria, não simplesmente uma aplicação mecânica da estatística.

Posteriormente, seu trabalho sobre Exploratory Data Analysis — EDA tornou-se particularmente importante.

A ideia é poderosa:

Antes de tentar provar alguma coisa, explore os dados.

Observe.

Visualize.

Procure padrões.

Procure inconsistências.

Faça perguntas.

Para um programador COBOL, podemos traduzir:

Antes de alterar o programa porque alguém disse que “o sistema está lento”, investigue.


7. Edgar F. Codd aparece carregando tabelas

Chegamos aos anos 1970.

Entra em nossa história Edgar F. Codd, pesquisador da IBM.

Codd apresentou o modelo relacional para bancos de dados.

Essa contribuição transformaria profundamente a maneira como sistemas armazenam e consultam informações.

Em vez de pensar somente em estruturas físicas, passamos a trabalhar conceitualmente com:

TABELAS
LINHAS
COLUNAS
CHAVES
RELACIONAMENTOS

E desse universo emergiria SQL.

Para o programador COBOL:

EXEC SQL
   SELECT SALDO
     INTO :WS-SALDO
     FROM CONTA
    WHERE CONTA_ID = :WS-CONTA-ID
END-EXEC.

Parece cotidiano.

Mas existe uma enorme história da computação escondida atrás desse SELECT.


8. Decision Support Systems

À medida que empresas armazenavam mais informações, surgiu outra necessidade:

usar computadores não apenas para executar operações, mas também para ajudar pessoas a decidir.

Daí crescem os Decision Support Systems — DSS.

O sistema transacional responde:

“A venda aconteceu?”

O sistema de apoio à decisão pode perguntar:

“Por que as vendas caíram?”

Perceba a mudança.

OLTP → executar o negócio

Analytics → compreender o negócio

Naturalmente os dois mundos podem se alimentar.


9. Data Warehouse e Business Intelligence

Empresas possuíam dados espalhados em diversos sistemas.

Então apareceu outro problema:

Como juntar tudo isso para análise?

Entram Data Warehouses, Data Marts, processos ETL e ferramentas de Business Intelligence.

ETL significa:

Extract
Transform
Load

Ou:

Extrair
Transformar
Carregar

Quem trabalha com mainframe talvez esteja pensando:

“Nós fazemos coisas parecidas há décadas.”

E não está totalmente errado.

Arquivos são extraídos, classificados, combinados, transformados e carregados desde muito antes de o termo data pipeline virar moda.

DFSORT poderia escrever memórias bastante interessantes sobre isso.


10. Data Wrangling — o faxineiro que salva o projeto

Dados reais são bagunçados.

Encontramos:

campos vazios
duplicidades
datas incompatíveis
valores inválidos
espaços
códigos antigos
unidades diferentes
registros incompletos

Data Wrangling é o processo de transformar esse material em algo apropriado para análise.

Um fluxo típico inclui:

Discovery
   ↓
Transformation
   ↓
Validation
   ↓
Publishing

Isso pode envolver:

  • joins;

  • unions;

  • normalização;

  • limpeza;

  • enriquecimento;

  • validação.

Aqui existe uma regra que merece ser escrita na parede do CPD:

IA aplicada sobre dado ruim produz erro tecnologicamente sofisticado.

Ou, na versão tradicional:

Garbage In, Garbage Out.

O Barão prefere:

Garbage In, história extraordinária Out.


11. Analytics chega à sala da diretoria

Em 2006, Thomas H. Davenport publicou na Harvard Business Review o artigo Competing on Analytics.

Ele ajudou a popularizar a utilização de analytics como instrumento de vantagem competitiva.

A pergunta empresarial deixa de ser apenas:

“Quanto vendemos?”

e passa a incluir:

Quem compra?

Quando compra?

Por que compra?

Quem provavelmente deixará de comprar?

Onde existe fraude?

O que provavelmente acontecerá depois?

Os dados começam a participar diretamente da estratégia empresarial.


12. Big Data — quando o dataset comeu demais

Depois veio a explosão de dados.

Web.

Smartphones.

Sensores.

Logs.

Redes sociais.

Streaming.

IoT.

Transações digitais.

Passamos a falar dos famosos Vs do Big Data.

Entre eles:

Volume — quantidade.

Velocity — velocidade.

Variety — variedade.

Veracity — confiabilidade.

Tecnologias distribuídas como Hadoop e Spark ganharam destaque nesse cenário.

Mas existe uma curiosidade importante para nós.

Enquanto o mundo descobria que havia dados demais...

o mainframe provavelmente respondeu:

“Interessante. Conte-me mais.”


13. Data Science

Data Science combina conhecimentos de várias áreas:

Estatística
+
Computação
+
Conhecimento do domínio
+
Métodos analíticos

Isso explica uma coisa importantíssima.

O melhor profissional não é necessariamente aquele que conhece mais bibliotecas Python.

Conhecimento do domínio importa enormemente.

E é aí que um desenvolvedor COBOL experiente possui uma vantagem.

Ele talvez conheça:

cliente
conta
apólice
pedido
pagamento
fatura
liquidação
compensação
estoque

Não apenas como colunas.

Mas como processos reais do negócio.


14. Machine Learning

Machine Learning leva a análise adiante permitindo que modelos aprendam padrões a partir dos dados.

Algumas tarefas clássicas incluem:

Classificação

Determinar uma categoria.

TRANSAÇÃO
   ↓
LEGÍTIMA
ou
SUSPEITA

Clustering

Agrupar elementos semelhantes sem necessariamente possuir classes previamente definidas.

clientes
   ↓
grupo A
grupo B
grupo C

Regressão

Investigar relações entre variáveis e produzir estimativas.

Detecção de anomalias

Encontrar comportamentos incomuns.

E essa última nos leva diretamente ao exemplo do curso.


15. O ladrão roubou o cartão — ou talvez apenas as credenciais

Imagine um cliente que normalmente:

faz 3 compras por semana
gasta aproximadamente R$ 150
compra em São Paulo
utiliza dispositivos conhecidos

De repente:

12 compras
4 minutos
valores elevados
IP incomum
localização diferente
nova preferência de entrega

Nenhum desses elementos isoladamente prova fraude.

Mas juntos formam um comportamento digno de investigação.

Esse é um excelente exemplo de detecção de anomalias.

O processo seria aproximadamente:

1. Definir o problema
        ↓
2. Identificar os dados necessários
        ↓
3. Coletar
        ↓
4. Limpar
        ↓
5. Transformar
        ↓
6. Analisar
        ↓
7. Detectar padrões/anomalias
        ↓
8. Visualizar
        ↓
9. Comunicar
        ↓
10. Decidir

Esse é o coração do Data Analytics.



16. Visualização — porque ninguém quer interpretar 800 mil linhas

Imagine entrar numa reunião executiva e dizer:

— Descobri o problema. Aqui estão 4,7 milhões de registros CSV.

Você provavelmente não será convidado novamente.

Visualização transforma dados em representações compreensíveis.

Podemos utilizar:

  • gráficos de barras;

  • linhas;

  • histogramas;

  • scatter plots;

  • mapas;

  • dashboards.

Um gráfico pode revelar em segundos algo escondido em milhões de registros.

Mas cuidado:

visualização não substitui análise.

Um gráfico bonito com dados incorretos continua incorreto.

Só ficou mais convincente.


17. Storytelling — o momento Münchhausen

Finalmente chegamos ao território favorito do Barão.

Contar histórias.

Mas agora precisamos fazer exatamente o contrário do nosso guia.

Nada de exageros.

Nada de inventar.

Nada de cavalgar balas de canhão.

Data Storytelling significa comunicar uma conclusão apoiada por evidências.

Uma boa narrativa pode seguir:

CONTEXTO
   ↓
PROBLEMA
   ↓
EVIDÊNCIA
   ↓
DESCOBERTA
   ↓
IMPACTO
   ↓
RECOMENDAÇÃO

Em vez de dizer:

“CPU aumentou.”

Podemos dizer:

“Após o crescimento de 38% do volume transacional entre 10h e 11h, observamos aumento consistente no consumo de CPU acompanhado por crescimento do response time. A análise indica concentração no workload X e recomenda investigação das transações Y.”

Agora existe história.

Existe contexto.

Existe decisão possível.


18. E então apareceu a IA Generativa

Chegamos ao capítulo mais recente.

LLMs e IA generativa conseguem:

  • resumir informações;

  • gerar consultas;

  • auxiliar análise;

  • explicar padrões;

  • produzir código;

  • ajudar na documentação;

  • apoiar visualizações;

  • conversar com bases de conhecimento.

Mas existe um detalhe delicioso.

IA precisa de dados.

Dados precisam de:

qualidade
contexto
governança
segurança
interpretação

Portanto nossa árvore não desapareceu.

Ela ficou maior.

Estatística
     ↓
Data Analysis
     ↓
Databases
     ↓
BI
     ↓
Analytics
     ↓
Big Data
     ↓
Data Science
     ↓
Machine Learning
     ↓
GenAI

Cada camada carrega ideias das anteriores.



19. O IBM Z estava no porão o tempo inteiro

Agora olhamos para o mainframe.

Ali encontramos:

COBOL
CICS
IMS
Db2
VSAM
JES2
SMF
RMF
MQ
APIs

E atrás dessas tecnologias existem dados.

Muitos dados.

Transacionais.

Operacionais.

Financeiros.

Históricos.

De performance.

De segurança.

O mainframe não é apenas uma máquina executando programas COBOL.

É também uma das maiores fontes de informação empresarial de alto valor.


20. Por que um desenvolvedor COBOL deveria aprender tudo isso?

Porque o trabalho está mudando.

Não significa abandonar:

COBOL
JCL
CICS
Db2
VSAM

Significa acrescentar:

SQL avançado
Estatística
Data Analytics
Visualização
Python
IA

Um desenvolvedor tradicional pode perguntar:

“Onde esse campo é atualizado?”

Um profissional com mentalidade analítica também pergunta:

“O que podemos descobrir analisando dez anos desse campo?”

Essa segunda pergunta abre um universo novo.



21. Um laboratório Bellacosa

Quer começar sem instalar um cluster Hadoop no quintal?

Pegue um conjunto de dados simples.

Pode ser:

DATA
HORÁRIO
TRANSAÇÃO
VALOR
CPU
RESPONSE_TIME
STATUS

Passo 1 — explore

Quantos registros existem?

Quais campos?

Há valores faltantes?

Passo 2 — limpe

Remova duplicidades.

Padronize datas.

Verifique valores inválidos.

Passo 3 — calcule

Descubra:

média
mediana
mínimo
máximo
desvio

Passo 4 — procure outliers

Quais transações fogem do comportamento esperado?

Passo 5 — relacione variáveis

Por exemplo:

volume × CPU
volume × response time
CPU × response time

Passo 6 — visualize

Crie um gráfico temporal.

Passo 7 — conte a história

Não diga apenas:

“Existe um pico.”

Explique:

quando ocorreu;

qual foi sua magnitude;

quais variáveis mudaram;

quais workloads foram afetados;

qual hipótese merece investigação.

Parabéns.

Você acabou de sair de:

“olhar relatório”

para:

“fazer análise de dados”.


22. Easter egg — o Barão encontra um outlier

No final da visita, Münchhausen olha para nosso dataset.

TEMPO_RESPOSTA

0.28
0.31
0.30
0.29
0.32
47.81
0.30

Ele aponta imediatamente para 47.81.

— Conheço esse número! Foi exatamente o tempo que levei para escapar de um pântano puxando a mim mesmo pelos cabelos!

O analista consulta SMF.

O DBA consulta Db2.

O sysprog consulta RMF.

O desenvolvedor abre os logs.

Descobrem uma contenção.

O Barão parece decepcionado.

Mas acabamos de aprender uma última lição:

Um outlier começa uma investigação. Ele não termina uma investigação.


Epílogo — Não abandone o canhão; aprenda balística

Existe uma tentação recorrente na tecnologia de anunciar que cada novidade matou tudo o que existia antes.

Cloud matou mainframe.

Java matou COBOL.

NoSQL matou SQL.

Big Data matou Data Warehouse.

Machine Learning matou estatística.

IA matou programação.

Enquanto isso, no mundo real, todas essas tecnologias continuam convivendo.

O profissional valioso não é necessariamente aquele que corre atrás de cada buzzword.

É aquele que consegue entender como as peças se conectam.

Para o desenvolvedor COBOL, Data Analytics oferece justamente essa oportunidade.

Você já conhece sistemas que produzem dados críticos.

Conhece transações.

Conhece regras de negócio.

Conhece exceções.

Conhece processamento batch.

Conhece online.

Conhece bancos de dados.

Conhece o estranho campo WS-FLAG-X9 que ninguém documentou desde 1997.

Agora acrescente:

estatística.

análise.

visualização.

storytelling.

Machine Learning.

IA.

E talvez você descubra que não precisa abandonar 30 anos de experiência para entrar no futuro.

Pode fazer algo muito mais inteligente:

colocar o futuro em cima desses 30 anos.

Nossa árvore, afinal, não cresce destruindo suas raízes.

Ela cresce justamente porque possui raízes.

                    GenAI
                      ▲
              Machine Learning
                      ▲
                Data Science
                      ▲
                  Big Data
                      ▲
                 Analytics
                      ▲
             Data Warehouse / BI
                      ▲
                    DSS
                      ▲
                Databases
                      ▲
               Data Analysis
                      ▲
           Pesquisa Operacional
                      ▲
                 Estatística

                     │
                     │
               DADOS REAIS
                     │
              ┌──────┴──────┐
            COBOL          CICS
              │              │
             Db2            IMS
              │              │
            VSAM           MQ/API
              └──────┬───────┘
                     │
                   IBM Z

O Barão de Münchhausen sobe novamente em seu cavalo.

Olha para o IBM Z.

Olha para nosso dashboard.

Olha para a IA.

E antes de cavalgar rumo ao próximo absurdo tecnológico, deixa um conselho surpreendentemente sensato:

“Meu caro programador: eu posso inventar histórias porque sou o Barão. Você, quando trabalhar com dados, precisa provar as suas.”

Bellacosa Mainframe

Do cartão perfurado à Inteligência Artificial, os dados sempre tiveram uma história para contar. Nossa profissão é aprender a ouvi-la.

domingo, 29 de setembro de 2024

Data Mining vs Data Analytics: Como um Programador Júnior Pode Transformar Dados em Inteligência de Negócios (e por que isso também importa no IBM Z)

 

Bellacosa Mainframe data mining versus data analytucs

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Data Mining vs Data Analytics: Como um Programador Júnior Pode Transformar Dados em Inteligência de Negócios (e por que isso também importa no IBM Z)

"No mundo da tecnologia, dados são o novo petróleo. Mas petróleo bruto não move um carro. Primeiro ele precisa ser refinado. Com dados acontece exatamente a mesma coisa."

Quando alguém começa sua carreira em desenvolvimento de software, principalmente no universo do IBM Mainframe, costuma imaginar que seu trabalho será apenas escrever programas COBOL, criar JCLs, consultar DB2 ou desenvolver transações CICS.

E durante algum tempo isso realmente acontece.

Mas, conforme você evolui, percebe uma verdade importante:

Programadores não desenvolvem apenas software. Desenvolvem conhecimento.

Toda aplicação corporativa existe por um motivo: gerar, armazenar ou consumir dados.

E é justamente aí que entram dois conceitos que aparecem cada vez mais em entrevistas, projetos modernos e iniciativas de Inteligência Artificial:

  • Data Mining

  • Data Analytics

Muita gente acredita que são sinônimos.

Não são.

Na verdade, um complementa o outro.

Hoje vamos tomar mais um café e entender essa diferença de uma maneira que faça sentido para um desenvolvedor iniciante, principalmente para quem pretende trabalhar com sistemas corporativos de grande porte.


O tesouro escondido dentro do banco de dados

Imagine que você trabalha em um grande banco.

Todos os dias são registrados:

  • 25 milhões de transações

  • 8 milhões de PIX

  • 4 milhões de compras no cartão

  • 900 mil empréstimos simulados

  • milhares de acessos ao Internet Banking

Agora imagine isso acontecendo durante vinte anos.

Estamos falando de bilhões de registros.

Você conseguiria abrir uma planilha com tudo isso?

Nem o Excel teria coragem.

Então surge uma pergunta.

Como descobrir informações úteis dentro dessa montanha de dados?

É exatamente essa pergunta que deu origem ao Data Mining.


O que é Data Mining?

A tradução literal seria algo como:

Mineração de Dados.

O nome não foi escolhido por acaso.

Imagine um garimpeiro.

Ele não está interessado em toda a terra da mina.

Ele quer encontrar ouro.

Para isso precisa cavar toneladas de pedras.

O Data Mining faz exatamente isso.

Ele "escava" enormes bases de dados procurando algo valioso.

Pode ser:

  • padrões

  • tendências

  • correlações

  • comportamentos

  • anomalias

  • oportunidades

  • riscos

O objetivo não é produzir relatórios bonitos.

O objetivo é descobrir conhecimento escondido.


Data não é informação

Essa é uma das primeiras lições da Ciência de Dados.

Imagine esta sequência.

235
842
129
842
235
991

São apenas números.

Agora imagine que você descubra que representam códigos de produtos vendidos.

Ainda assim são apenas dados.

Agora descubra que:

  • 842 vende três vezes mais nas sextas-feiras;

  • 235 sempre é comprado junto com 991;

  • clientes que compram 129 têm alta chance de cancelar o serviço em até 90 dias.

Agora sim existe informação.

E foi o Data Mining que encontrou isso.


Data Analytics entra em cena

Suponha que o Data Mining encontrou o seguinte padrão:

Clientes entre 20 e 30 anos cancelam o serviço três vezes mais que os demais.

Excelente descoberta.

Mas...

E agora?

O que fazer com essa informação?

É aqui que entra o Data Analytics.

Analytics responde perguntas como:

  • Isso representa quanto de prejuízo?

  • Qual campanha devemos lançar?

  • Vale a pena oferecer desconto?

  • Quanto vamos economizar?

  • Qual decisão deve ser tomada?

Perceba a diferença.

Data Mining encontra.

Data Analytics interpreta.


Uma analogia simples

Imagine um arqueólogo.

Ele encontra uma antiga espada enterrada.

Esse trabalho é o Data Mining.

Agora entra um historiador.

Ele analisa a espada.

Descobre:

  • de qual época veio;

  • quem provavelmente a utilizava;

  • sua importância histórica;

  • seu valor.

Esse é o Data Analytics.


A grande confusão

Uma das frases da imagem diz que:

Data Mining é apenas parte do Data Analytics.

Na prática, isso está correto.

Analytics é muito mais amplo.

Ele envolve:

  • Estatística

  • Business Intelligence

  • Dashboards

  • KPIs

  • Visualização

  • Inteligência Artificial

  • Machine Learning

  • Forecast

  • Otimização

  • Data Mining

Ou seja:

Data Analytics

│

├── Estatística

├── BI

├── Dashboards

├── Visualização

├── IA

├── Machine Learning

└── Data Mining

Mining é uma ferramenta.

Analytics é a estratégia.


Onde entra o Machine Learning?

Outra dúvida bastante comum.

Machine Learning não substitui Data Mining.

Na verdade, ele fornece muitos dos algoritmos utilizados durante a mineração.

Por exemplo:

  • Árvores de decisão

  • Redes neurais

  • Random Forest

  • K-Means

  • Regressão

  • SVM

Todos podem ser utilizados para descobrir padrões.


As quatro grandes perguntas da análise de dados

Existe um modelo bastante conhecido.

1. O que aconteceu?

Análise Descritiva.

Exemplo.

"As vendas caíram 15%."


2. Por que aconteceu?

Análise Diagnóstica.

"O concorrente lançou uma promoção."


3. O que vai acontecer?

Análise Preditiva.

"Existe 82% de chance de queda nas vendas no próximo trimestre."


4. O que devemos fazer?

Análise Prescritiva.

"Aumentar o investimento em marketing digital na região Sudeste."

Perceba como o Analytics evolui da observação para a ação.


Um exemplo usando COBOL

Imagine um programa COBOL responsável por registrar pagamentos.

Todos os dias ele grava milhões de registros.

Durante cinco anos ele acumulou:

CLIENTE

VALOR

DATA

HORA

AGÊNCIA

CANAL

TIPO DE PAGAMENTO

Agora imagine um cientista de dados analisando tudo isso.

O Data Mining descobre que:

  • clientes acima de 65 anos utilizam mais caixas eletrônicos;

  • pagamentos acima de determinado valor aumentam nas sextas-feiras;

  • determinadas agências apresentam comportamento incomum.

Nenhum programador escreveu essas regras.

Os algoritmos descobriram.


Agora entra o Analytics

O Analytics recebe essas descobertas.

Calcula:

  • impacto financeiro;

  • risco;

  • ROI;

  • custo operacional.

Depois responde:

Vale abrir mais caixas eletrônicos?

Vale reforçar a equipe?

Vale oferecer novos produtos?

É por isso que Analytics está diretamente ligado ao negócio.


E no IBM Mainframe?

Muitos iniciantes imaginam que Mainframe apenas executa programas COBOL.

Nada poderia estar mais distante da realidade.

Todos os dias um IBM Z produz uma quantidade gigantesca de informações.

Exemplos.

SMF Records.

RMF.

JES2.

JES3.

SDSF.

RACF.

DB2.

IMS.

MQ.

OMEGAMON.

CICS.

z/OSMF.

Cada componente registra milhares de eventos.

Isso significa milhões de linhas diariamente.


Um Sysprog também faz Analytics

Imagine analisar os registros SMF.

O Data Mining pode descobrir:

  • Jobs que sempre falham juntos.

  • Crescimento gradual do consumo de CPU.

  • Programas responsáveis por gargalos.

  • Horários de pico.

  • Tendências de utilização do DASD.

  • Perfis suspeitos de acesso RACF.

Depois entra o Analytics.

Ele responde.

Devemos comprar mais processadores?

Precisamos aumentar memória?

Vale reorganizar o DB2?

Precisamos alterar políticas do WLM?

Ou seja.

Até mesmo um Administrador Mainframe trabalha com Analytics sem perceber.


Curiosidade

Você sabia que grandes bancos analisam bilhões de registros diariamente usando dados originados no próprio Mainframe?

Isso acontece porque o IBM Z continua sendo responsável por boa parte das transações financeiras do planeta.

Não é exagero dizer que boa parte do dinheiro movimentado diariamente passa por algum sistema que gera dados para análises.


O ciclo completo

Visualmente seria algo assim.

Aplicações

↓

COBOL

↓

CICS

↓

DB2

↓

Dados

↓

ETL

↓

Data Warehouse

↓

Data Mining

↓

Machine Learning

↓

Data Analytics

↓

Dashboards

↓

Decisões

↓

Novas Estratégias

Perceba.

Tudo começa com um bom software.


O futuro: IA + Analytics

Nos últimos anos surgiu um novo personagem.

A Inteligência Artificial Generativa.

Agora imagine o seguinte diálogo.

"ChatGPT, quais foram os cinco produtos com maior crescimento no último trimestre?"

A IA consulta o banco de dados.

Executa SQL.

Analisa gráficos.

Cruza informações.

Explica os resultados.

Sugere decisões.

Esse é o conceito de Augmented Analytics, em que a IA acelera a interpretação dos dados, permitindo que analistas e gestores se concentrem nas decisões de maior impacto.


Dicas para um Programador Júnior

Se você está começando, não tente aprender tudo ao mesmo tempo. Construa uma base sólida.

1. Aprenda SQL profundamente
Quase todo projeto de dados começa com consultas bem escritas. Saber fazer JOIN, GROUP BY, funções analíticas e otimizar consultas é uma habilidade valiosa.

2. Entenda modelagem de dados
Conheça tabelas normalizadas, chaves primárias, chaves estrangeiras e relacionamentos. Um bom modelo facilita qualquer análise.

3. Domine Excel e Power BI
Mesmo em grandes empresas, essas ferramentas são amplamente utilizadas para explorar dados e criar dashboards.

4. Aprenda Python
Bibliotecas como Pandas, NumPy, Matplotlib e Scikit-learn permitem manipular dados e criar modelos de forma eficiente.

5. Conheça estatística básica
Média, mediana, desvio padrão, correlação e distribuição são conceitos essenciais para interpretar resultados corretamente.

6. Desenvolva visão de negócio
Pergunte sempre: "Como essa análise ajuda a empresa?" A tecnologia existe para resolver problemas reais.

7. Se você é do Mainframe, explore os dados da plataforma
SMF, RMF, Db2, CICS e RACF são verdadeiras minas de informação. Aprender a interpretá-los pode diferenciá-lo no mercado.


Erros comuns dos iniciantes

❌ Acreditar que gráficos são Analytics. Um gráfico sem contexto não responde perguntas de negócio.

❌ Pensar que Machine Learning resolve qualquer problema. Um modelo treinado com dados ruins produzirá resultados ruins.

❌ Ignorar a qualidade dos dados. Dados duplicados, incompletos ou inconsistentes comprometem qualquer análise.

❌ Focar apenas na ferramenta. O mais importante é entender o problema, não apenas dominar uma linguagem ou software.


Easter Eggs Bellacosa Mainframe ☕

🥚 Easter Egg #1 – O Data Miner do século XXI
Se um garimpeiro usa uma peneira para separar ouro da areia, o cientista de dados usa algoritmos para separar conhecimento do ruído. Em ambos os casos, a matéria-prima é abundante, mas o valor está escondido.

🥚 Easter Egg #2 – O COBOL já fazia Analytics sem esse nome
Muitos sistemas COBOL geravam relatórios gerenciais, balanços e estatísticas décadas antes de "Data Analytics" virar um termo popular. A diferença é que hoje utilizamos ferramentas muito mais sofisticadas para explorar esses mesmos dados.

🥚 Easter Egg #3 – O Mainframe é uma fábrica de dados
Cada transação CICS, cada acesso ao Db2, cada Job JES2 e cada registro SMF conta uma parte da história da empresa. Quando unidos, esses eventos formam um dos ativos mais valiosos de qualquer organização.

🥚 Easter Egg #4 – O verdadeiro ouro não está no algoritmo
O algoritmo encontra padrões, mas quem transforma esses padrões em inovação é o ser humano. Conhecimento técnico e entendimento do negócio continuam sendo diferenciais insubstituíveis.

🥚 Easter Egg #5 – O café do Bellacosa
Se você chegou até aqui, já percebeu que programar vai muito além de escrever código. Todo sistema existe para apoiar decisões, e toda decisão de qualidade nasce de dados bem compreendidos. O café é apenas a desculpa para conversarmos sobre isso.


Conclusão

A principal lição deste café é simples: Data Mining e Data Analytics não disputam espaço; eles trabalham em conjunto. O primeiro explora grandes volumes de dados para revelar padrões, tendências e anomalias. O segundo interpreta essas descobertas, contextualiza os resultados e transforma conhecimento em ações estratégicas.

Para um programador júnior — seja em desenvolvimento web, ciência de dados ou IBM Mainframe — compreender essa diferença é um passo importante na evolução profissional. Afinal, cada programa COBOL, cada tabela Db2, cada API ou cada transação CICS produz dados que podem orientar decisões de negócio.

No fim das contas, o código é apenas o começo da jornada. O verdadeiro valor aparece quando esses dados são transformados em conhecimento, e esse conhecimento se converte em melhores produtos, processos mais eficientes e decisões mais inteligentes.

"Quem aprende apenas a programar constrói sistemas. Quem aprende a entender os dados constrói o futuro. No universo IBM Z, onde bilhões de transações acontecem silenciosamente todos os dias, cada registro pode esconder uma oportunidade esperando para ser descoberta."

sábado, 29 de julho de 2023

IBM Solutions Powered by Fast Processors sem Mistérios

 

Bellacosa Mainframe apresenta ibm solutions powered by fast processors

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

IBM Solutions Powered by Fast Processors sem Mistérios

O guia do programador COBOL Padawan para compreender nuvem híbrida, inteligência artificial, automação, segurança e modernização dignas da Frota Estelar

Imagine que você acabou de receber sua primeira designação na Frota Estelar.

O uniforme ainda está impecável, o comunicador brilha no peito e, diante de você, existe um painel repleto de nomes aparentemente desconectados:

IBM Cloud. watsonx. Red Hat OpenShift. IBM Security. Automação. Dados. Inteligência Artificial. Modernização de aplicações. IBM Z. Storage. Consultoria.

Para um programador COBOL iniciante, essa lista pode parecer tão complexa quanto o painel de engenharia da USS Enterprise durante uma falha no núcleo de dobra.

A primeira reação costuma ser:

“Eu só queria aprender COBOL. Por que preciso entender tudo isso?”

A resposta é simples, tripulante:

Porque o COBOL moderno não vive sozinho.

Ele faz parte de um ecossistema empresarial gigantesco, no qual programas escritos há décadas conversam com aplicativos móveis, APIs REST, inteligência artificial, containers, serviços em nuvem, bancos de dados distribuídos, plataformas de segurança e sistemas de automação.

A imagem apresentada pela Fast Processors, parceira da IBM, não é apenas um anúncio comercial. Ela funciona como uma espécie de mapa estelar da tecnologia empresarial moderna.

Ela mostra como diferentes produtos e serviços podem ser combinados para alcançar objetivos de negócio como:

  • modernizar aplicações;

  • automatizar processos;

  • proteger dados;

  • utilizar inteligência artificial;

  • escalar operações;

  • reduzir custos;

  • melhorar a experiência de clientes;

  • manter sistemas críticos disponíveis.

Nesta viagem, vamos desmontar esse mapa peça por peça.

Prepare o café, abra sua sessão 3270 e ajuste os sensores de longo alcance. Nossa missão é compreender como a IBM organiza seu universo tecnológico — e onde o programador COBOL entra nessa história.


A tecnologia não é o destino: ela é o motor de dobra

Uma das primeiras lições que todo profissional de tecnologia precisa aprender é que empresas não compram servidores, softwares ou inteligência artificial apenas porque essas tecnologias são interessantes.

Elas compram resultados.

Um banco não deseja um IBM Z apenas porque o gabinete é bonito.

Ele deseja:

  • processar milhões de transações;

  • evitar fraudes;

  • manter os sistemas disponíveis;

  • proteger dados financeiros;

  • cumprir exigências regulatórias;

  • atender clientes rapidamente.

Uma seguradora não compra uma plataforma de automação porque gosta de fluxogramas.

Ela quer:

  • reduzir tarefas manuais;

  • acelerar a análise de sinistros;

  • diminuir erros;

  • detectar comportamentos suspeitos;

  • melhorar o atendimento.

Esse é o princípio escondido na comunicação da Fast Processors.

A mensagem não é apenas:

“Temos produtos IBM.”

A mensagem verdadeira é:

“Usamos tecnologias IBM para resolver problemas empresariais complexos.”

Essa diferença é fundamental.

No mundo corporativo, tecnologia sem objetivo é apenas custo.

Tecnologia ligada a resultados torna-se investimento.


O que é a Fast Processors nesse cenário?

A Fast Processors se apresenta como uma empresa de consultoria, implementação, integração, modernização e serviços gerenciados baseados em tecnologias IBM.

Isso significa que ela atua como uma ponte entre o fabricante da tecnologia e a empresa que precisa utilizá-la.

Pense na IBM como a organização que constrói naves, motores, sistemas de comunicação, computadores de bordo e escudos defensivos.

A Fast Processors seria a equipe de engenharia que ajuda cada cliente a montar a nave adequada para sua missão.

Ela pode auxiliar em atividades como:

  • entender o ambiente atual do cliente;

  • identificar gargalos;

  • definir uma arquitetura futura;

  • instalar produtos;

  • integrar sistemas;

  • migrar aplicações;

  • modernizar processos;

  • automatizar operações;

  • criar controles de segurança;

  • treinar equipes;

  • operar ambientes após a implantação.

Esse trabalho é necessário porque grandes organizações raramente começam do zero.

Elas já possuem:

  • mainframes;

  • servidores Linux;

  • aplicações Windows;

  • sistemas Java;

  • bancos de dados;

  • ERPs;

  • aplicações COBOL;

  • integrações por arquivos;

  • filas IBM MQ;

  • APIs;

  • ambientes em nuvem;

  • regras de segurança;

  • processos regulatórios.

Modernizar uma empresa não significa apagar tudo e pressionar o botão “instalar o futuro”.

Significa evoluir sem destruir aquilo que já funciona.


O mito da substituição total

Existe uma fantasia recorrente no mercado de tecnologia:

“Vamos substituir todos os sistemas antigos por uma solução moderna.”

Essa frase parece elegante em apresentações de PowerPoint.

Na vida real, ela pode signific anos de projeto, bilhões em custos, interrupções, perda de conhecimento e riscos operacionais enormes.

Sistemas legados carregam décadas de regras de negócio.

Um programa COBOL pode conter detalhes sobre:

  • cálculo de juros;

  • tributação;

  • limites financeiros;

  • contratos;

  • folha de pagamento;

  • reservas;

  • faturamento;

  • logística;

  • aposentadorias;

  • seguros.

Essas regras não são “código velho”.

Elas são conhecimento empresarial compilado.

Modernizar não é necessariamente reescrever.

Modernizar pode ser:

  • expor uma função COBOL como API;

  • criar uma nova interface web;

  • automatizar a compilação;

  • integrar o sistema com uma fila MQ;

  • enviar eventos para uma plataforma analítica;

  • utilizar inteligência artificial para consultar dados;

  • transferir partes específicas para containers;

  • melhorar observabilidade e segurança.

A modernização inteligente preserva o que é valioso e transforma o que limita o negócio.

É a velha sabedoria de engenharia da Frota Estelar:

Você não desmonta o núcleo de dobra durante uma viagem em velocidade máxima sem possuir um plano de contingência.


IBM Cloud: a estação espacial de serviços

IBM Cloud é a plataforma de nuvem da IBM.

Uma plataforma de nuvem oferece recursos computacionais sob demanda, como:

  • servidores virtuais;

  • armazenamento;

  • bancos de dados;

  • redes;

  • containers;

  • Kubernetes;

  • serviços de inteligência artificial;

  • ferramentas de integração;

  • observabilidade;

  • recursos de segurança.

Em vez de uma empresa comprar, instalar e manter toda a infraestrutura fisicamente, ela pode consumir parte desses recursos como serviço.

Por exemplo, uma organização pode criar um servidor virtual para testes, utilizá-lo durante algumas semanas e depois removê-lo.

Também pode disponibilizar uma aplicação em várias regiões, criar cópias de dados, aumentar capacidade durante picos e reduzir recursos nos períodos de menor movimento.

Entretanto, o diferencial empresarial não está apenas na facilidade de criar máquinas virtuais.

Grandes organizações precisam pensar em:

  • localização de dados;

  • privacidade;

  • auditoria;

  • controle de acesso;

  • continuidade de negócio;

  • integração com sistemas internos;

  • criptografia;

  • requisitos regulatórios.

Por isso, a nuvem empresarial não é simplesmente “colocar tudo na internet”.

É criar uma arquitetura controlada, segura e governável.


Nuvem híbrida: a Federação dos ambientes tecnológicos

A nuvem híbrida é um dos conceitos centrais da estratégia da IBM.

Ela combina vários ambientes:

  • infraestrutura local;

  • nuvem privada;

  • nuvem pública;

  • mainframe;

  • servidores distribuídos;

  • edge computing;

  • aplicações SaaS.

Imagine um banco que possui seu sistema de contas correntes no IBM Z.

O aplicativo móvel pode rodar em containers.

A análise de comportamento pode utilizar inteligência artificial em uma plataforma de nuvem.

As mensagens entre sistemas podem passar pelo IBM MQ.

Os dados históricos podem estar em um data lake.

A autenticação pode utilizar uma solução central de identidade.

Tudo isso precisa funcionar como uma única arquitetura.

A nuvem híbrida reconhece uma realidade importante:

O futuro não substituirá todos os ambientes por uma única plataforma. O futuro conectará ambientes diferentes com segurança, governança e automação.

Para o programador COBOL, essa notícia é excelente.

O mainframe não precisa desaparecer para participar da nuvem.

Ele pode tornar-se uma das plataformas mais importantes dentro de uma arquitetura híbrida.


Exemplo prático: uma transferência bancária moderna

Vamos acompanhar uma transferência realizada por aplicativo.

O cliente abre o aplicativo no celular e informa os dados da operação.

A jornada pode ser semelhante a esta:

Aplicativo móvel
      |
      v
API Gateway
      |
      v
Serviço em container no OpenShift
      |
      v
API do z/OS Connect
      |
      v
Programa COBOL no CICS
      |
      v
Db2 ou VSAM
      |
      v
Resposta ao aplicativo

Ao mesmo tempo, outros componentes podem participar:

Evento da transferência
      |
      +--> Sistema antifraude
      |
      +--> Plataforma analítica
      |
      +--> Auditoria
      |
      +--> Monitoramento
      |
      +--> Motor de IA

Perceba o detalhe mais importante:

O programa COBOL não está isolado.

Ele participa de uma arquitetura moderna.

O usuário talvez nunca veja uma tela 3270, mas o COBOL pode continuar processando a regra financeira essencial.


IBM watsonx: inteligência artificial para empresas

O IBM watsonx representa a estratégia de inteligência artificial empresarial da IBM.

É importante compreender que inteligência artificial corporativa não consiste apenas em abrir uma caixa de chat e fazer perguntas.

Empresas precisam controlar:

  • quais modelos podem ser utilizados;

  • quais dados alimentam esses modelos;

  • quem possui permissão;

  • quais respostas foram produzidas;

  • quais riscos existem;

  • como monitorar desempenho;

  • como cumprir regulamentos;

  • como evitar vazamento de informações.

O ecossistema watsonx pode ser entendido por meio de três grandes áreas.

watsonx.ai

É o ambiente relacionado ao desenvolvimento, treinamento, ajuste, teste e execução de modelos de inteligência artificial.

Ele pode apoiar tarefas como:

  • geração de texto;

  • classificação;

  • resumo;

  • extração de informações;

  • criação de assistentes;

  • análise de documentos;

  • produção de código;

  • automação de atendimento.

watsonx.data

Está relacionado à organização e ao acesso aos dados.

A inteligência artificial precisa de dados confiáveis.

Se os dados forem incompletos, duplicados ou incorretos, as respostas também poderão ser ruins.

O watsonx.data ajuda a trabalhar com ambientes analíticos, data lakes, lakehouses e diferentes fontes de informação.

watsonx.governance

É a camada de governança.

Ela ajuda a responder perguntas essenciais:

  • Qual modelo foi usado?

  • Quem aprovou esse modelo?

  • Quais dados foram utilizados?

  • O modelo apresenta viés?

  • Existe risco regulatório?

  • O resultado pode ser explicado?

  • O modelo está se comportando de maneira diferente?

Em setores como bancos, seguros, saúde e governo, esse controle é indispensável.


A IA não substitui automaticamente o COBOL

Existe outra fantasia popular:

“A inteligência artificial vai substituir todos os sistemas existentes.”

Na prática, a IA pode tornar sistemas existentes mais acessíveis e inteligentes.

Imagine um sistema COBOL que armazena informações de contratos.

Uma aplicação com IA poderia permitir que um funcionário perguntasse:

“Quais contratos vencem nos próximos 30 dias e apresentam risco elevado?”

A IA poderia interpretar a pergunta, acessar serviços autorizados, consultar dados, resumir resultados e apresentar uma resposta.

Mas as regras oficiais do contrato continuariam no sistema transacional.

A IA não necessariamente substitui o COBOL.

Ela pode atuar como uma nova camada de interação.

O mainframe continua sendo o sistema de registro.

A IA torna o acesso ao conhecimento mais natural.


Automação e inteligência artificial não são a mesma coisa

Esse ponto merece destaque.

Automação é a execução de tarefas de acordo com regras definidas.

Exemplo:

SE o arquivo chegar
ENTÃO iniciar o processamento
SE o processamento terminar com RC=0
ENTÃO mover o arquivo para a área concluída
CASO CONTRÁRIO
ENVIAR alerta

Isso é automação.

Inteligência artificial entra quando o sistema precisa interpretar, reconhecer padrões ou gerar conteúdo.

Exemplo:

Ler a mensagem do cliente
Identificar a intenção
Classificar o assunto
Resumir o problema
Sugerir uma resposta
Encaminhar para a área adequada

Quando combinamos as duas, criamos automação inteligente.

Um fluxo pode utilizar IA para interpretar um documento e automação para executar os próximos passos.


IBM Automation: o oficial de operações da nave

O portfólio de automação da IBM pode envolver diferentes capacidades:

  • automação de processos;

  • workflows;

  • RPA;

  • gerenciamento de decisões;

  • integração;

  • automação de infraestrutura;

  • automação de TI;

  • observabilidade;

  • orquestração.

Pense em um processo de abertura de conta.

Sem automação, funcionários podem precisar:

  1. receber documentos;

  2. verificar campos;

  3. consultar sistemas;

  4. validar regras;

  5. cadastrar informações;

  6. solicitar aprovação;

  7. enviar confirmação.

Com automação, várias etapas podem ser coordenadas por um fluxo.

A inteligência artificial pode ler documentos.

Um motor de decisão pode verificar critérios.

Uma API pode consultar o mainframe.

Um workflow pode solicitar aprovação humana.

Um sistema de mensagens pode informar o cliente.

A automação não elimina necessariamente pessoas.

Ela elimina tarefas repetitivas e permite que pessoas concentrem esforço em decisões mais relevantes.


IBM Security: os escudos da Enterprise

Em ambientes empresariais, segurança não pode ser adicionada apenas no final do projeto.

Ela precisa estar presente desde o início.

IBM Security engloba áreas como:

  • identidade e acesso;

  • análise de ameaças;

  • proteção de dados;

  • monitoramento;

  • resposta a incidentes;

  • segurança de aplicações;

  • segurança de nuvem;

  • conformidade;

  • Zero Trust.

O conceito de Zero Trust pode ser resumido assim:

Nunca confiar automaticamente. Sempre verificar.

Mesmo um usuário autenticado não deve possuir acesso ilimitado.

O sistema precisa considerar:

  • identidade;

  • dispositivo;

  • localização;

  • contexto;

  • tipo de operação;

  • sensibilidade do dado;

  • comportamento.

No mainframe, essa filosofia já possui raízes antigas.

RACF, ACF2, Top Secret e SAF trabalham há décadas com autenticação, autorização e auditoria.

O mundo distribuído está redescobrindo princípios que o mainframe pratica há muito tempo.

Curiosidade Bellacosa:

Muitos conceitos promovidos hoje como novidades revolucionárias já existiam, em formas maduras, no universo de sistemas centrais. Às vezes o futuro chega usando um uniforme novo, mas carregando o mesmo manual de operações.


Data & Analytics: sem dados, a IA vira um tricorder sem sensores

Dados são a matéria-prima da inteligência artificial e da tomada de decisão.

Uma empresa produz informações por meio de:

  • vendas;

  • pagamentos;

  • estoque;

  • atendimento;

  • sensores;

  • aplicativos;

  • contratos;

  • logs;

  • transações;

  • documentos;

  • redes sociais;

  • operações de infraestrutura.

Mas possuir dados não significa possuir conhecimento.

Antes de utilizar dados, a organização precisa lidar com:

  • qualidade;

  • duplicidade;

  • integração;

  • significado;

  • segurança;

  • retenção;

  • privacidade;

  • origem;

  • atualização.

Imagine duas tabelas com o campo CLIENTE.

Em uma, o cliente é representado por CPF.

Na outra, por um número interno.

Em uma, o nome possui acentos.

Na outra, está abreviado.

Em uma, o endereço está atualizado.

Na outra, não.

Antes de construir uma análise confiável, essas diferenças precisam ser tratadas.

É por isso que governança de dados é tão importante.


O papel do programador COBOL nos dados empresariais

Grande parte dos dados mais valiosos de uma empresa nasce ou passa por sistemas transacionais.

O programador COBOL pode contribuir ao:

  • compreender a origem dos dados;

  • explicar regras de negócio;

  • identificar campos críticos;

  • documentar layouts;

  • criar interfaces;

  • disponibilizar dados por APIs;

  • produzir eventos;

  • apoiar processos de qualidade;

  • garantir consistência transacional.

Quem conhece o programa que calcula o saldo entende detalhes que talvez não estejam documentados em nenhum lugar.

Esse conhecimento é ouro.

Ou, em linguagem da Frota Estelar, é dilítio de grau militar.


Application Modernization: trocar a ponte, não afundar a nave

Modernização de aplicações pode incluir diferentes estratégias.

Rehost

Mover a aplicação para outra infraestrutura com poucas alterações.

Replatform

Adaptar a aplicação para uma nova plataforma, preservando grande parte da lógica.

Refactor

Modificar internamente o sistema para melhorar arquitetura, manutenção ou integração.

Rewrite

Reescrever a aplicação em outra tecnologia.

Replace

Substituir por um produto de mercado.

Retain

Manter como está porque continua atendendo bem.

Retire

Desativar sistemas que não são mais necessários.

A escolha correta depende de custo, risco, valor e complexidade.

Reescrever tudo pode ser a opção mais cara e perigosa.

Manter tudo sem evolução também pode criar limitações.

O objetivo é encontrar o equilíbrio.


Um passo a passo de modernização para um sistema COBOL

Considere um programa COBOL utilizado para consultar pedidos.

Passo 1 — Entender o sistema atual

Documente:

  • entradas;

  • saídas;

  • arquivos;

  • tabelas;

  • chamadas;

  • dependências;

  • regras;

  • horários;

  • volumes;

  • usuários.

Passo 2 — Identificar o objetivo

A empresa quer uma tela web?

Uma API?

Integração com aplicativo?

Automação de atendimento?

Não modernize sem saber por quê.

Passo 3 — Isolar a regra de negócio

Separe, quando possível:

  • interface;

  • lógica;

  • acesso a dados;

  • integração.

Isso facilita a reutilização.

Passo 4 — Criar uma interface

A função COBOL pode ser disponibilizada por:

  • z/OS Connect;

  • CICS Web Services;

  • IBM MQ;

  • arquivos;

  • eventos;

  • chamadas internas.

Passo 5 — Implementar segurança

Defina:

  • autenticação;

  • autorização;

  • criptografia;

  • auditoria;

  • limites;

  • proteção de dados.

Passo 6 — Automatizar testes

Crie testes para garantir que a modernização não alterou os resultados esperados.

Passo 7 — Construir pipeline

Automatize:

  • compilação;

  • teste;

  • análise;

  • empacotamento;

  • deploy;

  • validação.

Passo 8 — Monitorar

Observe:

  • tempo de resposta;

  • erros;

  • volume;

  • consumo;

  • disponibilidade;

  • segurança.

Modernizar sem monitorar é como ativar o motor de dobra sem olhar os indicadores de pressão.


Red Hat OpenShift: o hangar dos containers

OpenShift é uma plataforma empresarial baseada em Kubernetes.

Ela ajuda a executar aplicações em containers.

Um container empacota uma aplicação com suas dependências, tornando sua execução mais consistente entre ambientes.

O OpenShift oferece recursos como:

  • orquestração;

  • escalabilidade;

  • atualização;

  • controle de acesso;

  • redes;

  • armazenamento;

  • observabilidade;

  • integração com pipelines;

  • gerenciamento de configurações.

O ponto central é a portabilidade.

Uma aplicação pode ser implantada em diferentes ambientes com maior padronização.

Isso combina perfeitamente com a estratégia de nuvem híbrida.


COBOL roda dentro de container?

A resposta precisa ser cuidadosa.

Existem cenários nos quais aplicações COBOL podem ser compiladas ou executadas em ambientes distribuídos e containers, dependendo do compilador, runtime e arquitetura.

Entretanto, aplicações COBOL do z/OS frequentemente dependem de recursos como:

  • CICS;

  • IMS;

  • Db2 for z/OS;

  • VSAM;

  • JCL;

  • RACF;

  • serviços específicos do sistema.

Nesse caso, não basta colocar o programa em um container.

A estratégia mais comum pode ser manter a transação no mainframe e integrar serviços em containers ao redor dela.

Exemplo:

Frontend em container
        |
        v
Microsserviço Java
        |
        v
API segura
        |
        v
Programa COBOL no z/OS

Isso é modernização pragmática.

Cada plataforma executa aquilo que faz melhor.


IBM Z: o núcleo de dobra empresarial

IBM Z representa a família de mainframes da IBM.

Esses sistemas são utilizados em operações críticas porque oferecem características como:

  • elevada disponibilidade;

  • capacidade transacional;

  • segurança;

  • virtualização;

  • escalabilidade;

  • processamento de grandes volumes;

  • integração;

  • confiabilidade.

Em um IBM Z podem coexistir diferentes ambientes:

  • z/OS;

  • Linux on IBM Z;

  • z/VM;

  • múltiplas LPARs;

  • bancos de dados;

  • sistemas transacionais;

  • serviços de integração.

O mainframe moderno não é uma ilha.

Ele pode participar de APIs, eventos, DevOps, IA e nuvem híbrida.

Esse é um dos maiores segredos que o programador iniciante precisa compreender.

Aprender COBOL não significa estudar apenas o passado.

Significa aprender a lógica central de sistemas que continuam sustentando o presente.


IBM Storage: o arquivo da memória da Federação

Dados precisam ser armazenados com segurança, desempenho e disponibilidade.

Soluções IBM Storage podem apoiar:

  • armazenamento de dados críticos;

  • backup;

  • recuperação;

  • replicação;

  • proteção contra ransomware;

  • continuidade;

  • arquivamento;

  • alto desempenho.

Uma aplicação pode ser excelente, mas, se os dados forem perdidos, todo o sistema falhou.

Por isso, armazenamento não é apenas espaço em disco.

É parte da estratégia de resiliência.


Consultoria e serviços gerenciados

Nem toda organização possui especialistas em todas as tecnologias.

Uma empresa pode conhecer profundamente seu negócio, mas precisar de apoio em:

  • OpenShift;

  • segurança;

  • IA;

  • arquitetura híbrida;

  • automação;

  • migração;

  • observabilidade;

  • gerenciamento de infraestrutura.

Consultorias ajudam na criação e implantação das soluções.

Serviços gerenciados ajudam na operação contínua.

Isso pode incluir:

  • monitoramento;

  • suporte;

  • aplicação de correções;

  • gestão de capacidade;

  • resposta a incidentes;

  • atualização;

  • administração;

  • relatórios.

O objetivo é manter a nave operando mesmo quando a tripulação interna não possui especialistas para cada subsistema.


Os seis resultados de negócio

A imagem destaca resultados que representam o destino da jornada.

Modernizar

Atualizar sistemas e processos sem perder o valor acumulado.

Automatizar

Reduzir atividades manuais e aumentar consistência.

Transformar

Criar novas experiências, produtos e modelos operacionais.

Proteger

Fortalecer segurança, confiança e conformidade.

Escalar

Crescer sem reconstruir toda a arquitetura.

Sustentar

Criar operações resilientes, eficientes e responsáveis.

Esses resultados não pertencem a um único produto.

Eles surgem da combinação entre várias tecnologias.


Uma arquitetura empresarial completa

Podemos representar o cenário da seguinte forma:

Usuários e clientes
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        v
Aplicativos, portais e canais digitais
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APIs e integração
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Automação e processos
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Inteligência artificial e analytics
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Dados e sistemas de registro
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IBM Z, LinuxONE, Cloud, servidores e storage

Ao redor de tudo:

Segurança
Governança
Observabilidade
DevOps
Resiliência
Compliance

Essa visão é importante porque impede que cada projeto seja tratado como uma ilha.

Uma API precisa de segurança.

A IA precisa de dados.

Os dados precisam de governança.

A automação precisa de monitoramento.

A nuvem precisa de integração.

O mainframe precisa participar da arquitetura.

Tudo está conectado.


Plano de ação para o programador COBOL Padawan

Você não precisa aprender todo o ecossistema de uma vez.

Avance por etapas.

Fase 1 — Domine a base do mainframe

Aprenda:

  • COBOL;

  • JCL;

  • TSO/ISPF;

  • arquivos sequenciais;

  • VSAM;

  • conceitos de Db2;

  • tratamento de erros;

  • leitura de spool.

Fase 2 — Entenda transações e integração

Estude:

  • CICS;

  • IMS;

  • IBM MQ;

  • APIs;

  • JSON;

  • XML;

  • REST;

  • conceitos de eventos.

Fase 3 — Aprenda DevOps

Explore:

  • Git;

  • pipelines;

  • Jenkins;

  • testes automatizados;

  • Zowe;

  • IBM Developer for z/OS;

  • IBM Z Open Editor;

  • UrbanCode;

  • DBB.

Fase 4 — Conheça nuvem e containers

Aprenda os conceitos de:

  • cloud;

  • Docker;

  • Kubernetes;

  • OpenShift;

  • microsserviços;

  • configurações;

  • observabilidade.

Fase 5 — Estude dados e inteligência artificial

Entenda:

  • qualidade de dados;

  • analytics;

  • modelos de IA;

  • RAG;

  • governança;

  • riscos;

  • uso empresarial do watsonx.

Fase 6 — Desenvolva visão arquitetural

Treine a capacidade de responder:

  • Onde a aplicação roda?

  • Onde os dados vivem?

  • Como os sistemas se comunicam?

  • Quem pode acessar?

  • Como detectar falhas?

  • Como recuperar?

  • Como escalar?

  • Como auditar?

Esse tipo de visão transforma um programador em arquiteto, consultor ou líder técnico.


Dicas do Capitão Bellacosa

Não despreze sistemas antigos antes de entendê-los.

Muitas vezes, aquilo que parece ultrapassado contém regras críticas e estabilidade conquistada ao longo de décadas.

Não confunda modernização com linguagem de programação.

Uma aplicação pode ser moderna mesmo utilizando COBOL, desde que seja testável, segura, integrada, observável e bem mantida.

Aprenda a falar com outras equipes.

O profissional mainframe moderno conversa com:

  • desenvolvedores Java;

  • engenheiros de cloud;

  • especialistas de segurança;

  • cientistas de dados;

  • administradores de banco;

  • equipes de negócio;

  • profissionais de DevOps.

Documente tudo.

No universo corporativo, conhecimento não documentado torna-se risco operacional.

Questione slogans.

Quando alguém disser “migrar para cloud”, pergunte:

  • qual workload?

  • por qual motivo?

  • qual custo?

  • qual risco?

  • qual requisito?

  • qual benefício?

  • qual plano de retorno?

Engenharia começa quando a apresentação termina.


Curiosidades para guardar no diário de bordo

A IBM possui mais de um século de história e atravessou várias eras da computação.

O mainframe evoluiu continuamente, incorporando recursos de virtualização, criptografia, APIs, Linux e automação.

A aquisição da Red Hat fortaleceu a estratégia da IBM em nuvem híbrida e OpenShift.

O termo “legado” nem sempre significa “obsoleto”. Muitas vezes significa “essencial”.

COBOL continua relevante porque regras de negócio não desaparecem quando surge uma nova interface.

Nuvem híbrida não é indecisão arquitetural. É uma resposta à diversidade real dos ambientes empresariais.

A inteligência artificial empresarial precisa de muito mais governança do que uma ferramenta usada casualmente por um indivíduo.

E o easter egg prometido?

Observe a sequência de resultados da imagem:

Modernize, Automate, Transform, Secure, Scale, Sustain.

As iniciais formam:

M A T S S S

Não é um acrônimo oficial, mas um tripulante criativo poderia reorganizá-las como o protocolo:

Mission Architecture for Trusted, Secure, Scalable Systems.

O protocolo secreto Bellacosa para não deixar a Enterprise cair durante a transformação digital.


Conclusão — O COBOL Padawan e a ponte entre dois mundos

A grande mensagem da solução apresentada pela Fast Processors não é que uma empresa precisa comprar todos os produtos IBM.

A mensagem é que a transformação digital exige uma visão integrada.

Nuvem sem segurança cria risco.

IA sem dados confiáveis gera respostas ruins.

Automação sem governança acelera erros.

Modernização sem compreensão do legado destrói conhecimento.

Containers sem observabilidade escondem falhas.

APIs sem controle expõem operações críticas.

Mainframes sem integração tornam-se isolados.

O verdadeiro valor aparece quando todas essas peças trabalham juntas.

É exatamente aí que surge a oportunidade do programador COBOL moderno.

Ele pode compreender os sistemas que carregam décadas de regras empresariais e, ao mesmo tempo, aprender tecnologias que os conectam ao futuro.

Esse profissional não é apenas alguém que mantém código antigo.

Ele se torna:

  • tradutor entre gerações;

  • guardião das regras de negócio;

  • engenheiro de integração;

  • participante de projetos de modernização;

  • construtor de APIs;

  • colaborador em iniciativas de IA;

  • defensor da segurança;

  • arquiteto de sistemas híbridos.

Portanto, jovem Padawan, quando você encontrar uma imagem cheia de logotipos, palavras como cloud, watsonx, automação, segurança e OpenShift, não veja apenas uma campanha comercial.

Veja um mapa.

Cada bloco representa uma parte da nave.

O IBM Z é o núcleo de dobra.

O OpenShift é o hangar dos containers.

O watsonx é o computador de bordo inteligente.

A segurança são os escudos.

Os dados são os sensores.

A automação é a sala de operações.

A nuvem híbrida é a rede que conecta toda a Federação.

E o COBOL?

O COBOL continua silenciosamente processando a missão mais importante, garantindo que, quando o capitão disser:

“Execute.”

A transação termine com código de retorno zero.

Porque no espaço corporativo, ninguém quer descobrir em produção que o núcleo de dobra recebeu um S0C7.

Vida longa ao COBOL. Vida longa ao mainframe. E que seus jobs terminem sempre com MAXCC=0.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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