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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Quando a IA entra na espiral da formiga: por que saber parar também é inteligência

 


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Quando a IA entra na espiral da formiga: por que saber parar também é inteligência

Uma homenagem ao espírito da MAD Magazine, com Alfred E. Neuman observando tudo ao fundo e perguntando: “What, me worry?”

Há um momento extraordinário em qualquer sistema inteligente no qual ele deixa de parecer inteligente e passa a lembrar aquele funcionário que, diante de uma impressora sem papel, aperta o botão PRINT quarenta e sete vezes.

Nada acontece.

Então ele aperta novamente.

Talvez agora.

Nada.

Mais uma vez.

Afinal, todo profissional de TI sabe que executar exatamente a mesma operação pela décima oitava vez é praticamente um método científico.

Foi mais ou menos assim que descobri uma fascinante modalidade de comportamento artificial que poderíamos chamar de Síndrome da Formiga Amazônica Digital.

Prepare o café.

Hoje não vamos falar de COBOL, CICS, Db2 ou do programador que encontrou um SOC7 e imediatamente culpou a infraestrutura.

Vamos falar de algo talvez ainda mais perigoso:

uma IA que não sabe a hora de parar.



🐜 A formiga que decidiu seguir a formiga

Existe um fenômeno conhecido informalmente como death spiral, ou moinho de formigas.

Algumas espécies de formigas dependem intensamente de trilhas químicas para seguir suas companheiras. Em determinadas circunstâncias, uma formiga começa a seguir outra, que segue outra, que segue outra…

Até que todas estejam andando em círculo.

Nenhuma delas está necessariamente fazendo algo “errado”.

Cada formiga individual está obedecendo perfeitamente à sua regra:

siga a formiga da frente.

O problema aparece no sistema.

A regra local funciona.

O comportamento global vira uma catástrofe.

Se Alfred E. Neuman estivesse no meio do círculo, provavelmente sorriria:

“What, me worry?”

E continuaria andando.

Foi exatamente essa imagem que me veio à cabeça ao observar determinados comportamentos de sistemas de IA.

Não porque sejam burros.

Justamente pelo contrário.

São sistemas extremamente sofisticados capazes de interpretar linguagem, gerar imagens, escrever código, explicar física quântica e provavelmente encontrar uma maneira educada de dizer ao gerente que o projeto atrasou porque ninguém sabia exatamente o que estava construindo.

Mas às vezes acontece isto:

Usuário: faça X.

IA: não posso fazer X.

Usuário: tudo bem, então faça Y.

IA: não posso fazer Y.

Usuário: retirei justamente o elemento problemático.

IA: excelente. Vamos tentar novamente.

Sistema: não posso fazer.

IA: talvez seja por causa de Z.

Usuário: então retire Z.

IA: perfeito!

Sistema: não posso fazer.

E assim nasce o moinho de formigas computacional.



🤖 O erro não é errar

Isso precisa ser dito com todas as letras:

errar não é o verdadeiro problema.

Sistemas complexos falham.

Mainframes falham.

APIs falham.

Aplicações falham.

Bancos de dados falham.

Pessoas falham.

E quem disser que nunca produziu um erro em produção provavelmente ainda não entrou em produção.

O problema sério começa quando um sistema falha e não consegue incorporar a informação de que acabou de falhar.

Em engenharia, isso é quase uma heresia.

Imagine um programa COBOL:

PERFORM TENTAR-NOVAMENTE
UNTIL MILAGRE-ACONTECER.

Sem contador.

Sem timeout.

Sem condição alternativa.

Sem tratamento de exceção.

O operador chega segunda-feira e encontra o job executando desde 1987.

A documentação explica:

“O processo é resiliente.”

Não, amigo.

O processo está possuído.



🔁 Inteligência sem condição de parada

Durante décadas ensinamos algoritmos com uma preocupação aparentemente banal:

qual é a condição de parada?

Todo estudante de programação aprende rapidamente que loops são maravilhosos até você esquecer a condição que encerra o loop.

while true

é uma das frases mais poderosas e ameaçadoras da computação.

O curioso é que agora estamos construindo sistemas capazes de raciocinar sobre tarefas complexas, mas existe uma questão equivalente que merece muito mais atenção:

quando a IA deve concluir que continuar tentando é pior do que parar?

Essa pergunta parece pequena.

Não é.

Ela toca diretamente em:

  • confiabilidade;

  • experiência do usuário;

  • custo computacional;

  • segurança;

  • suporte;

  • automação;

  • tomada de decisão.

Uma IA que sabe executar tarefas é útil.

Uma IA que sabe quando abandonar uma estratégia ruim é muito mais inteligente.



🧠 Persistência não é teimosia

Existe uma tendência cultural na tecnologia de tratar persistência como virtude absoluta.

“Never give up.”

“Try again.”

“Fail fast.”

“Iterate.”

Tudo maravilhoso.

Até você perceber que insistir num método que já demonstrou repetidamente não funcionar não é perseverança.

É teimosia automatizada.

Existe uma diferença gigantesca entre:

“A tentativa falhou; vou modificar significativamente minha estratégia.”

e:

“A tentativa falhou; vou trocar três palavras e fazer essencialmente a mesma coisa novamente.”

Isso é especialmente importante em sistemas generativos.

O modelo pode criar uma explicação plausível para o fracasso.

Mas uma explicação plausível não significa necessariamente que aquela explicação seja verdadeira.

E aqui encontramos outro personagem digno da MAD Magazine:

Dr. Palpite Convincente.

Ele entra no laboratório usando jaleco branco:

— Descobrimos a causa!

— Excelente. Qual?

— Provavelmente alguma interação contextual multidimensional dos mecanismos internos de classificação.

— Você sabe que foi isso?

— Não.

— Então por que falou desse jeito?

— Porque ficou bonito.



🎩 Alfred E. Neuman entra no datacenter

Imagine uma edição especial da MAD Magazine chamada:

MAD AI

Na capa, Alfred E. Neuman está sentado diante de um terminal.

Na tela:

ERROR 001
RETRY? Y/N

Alfred digita:

Y

Novo erro.

ERROR 001
RETRY? Y/N

Ele digita:

Y

Novamente.

Depois de cinquenta tentativas, o datacenter pega fogo.

Um administrador desesperado pergunta:

— Alfred! Por que você continuou apertando Y?

Ele olha para a câmera:

“What, me worry?”

É engraçado porque representa perfeitamente uma falha clássica de automação:

confundir continuidade operacional com comportamento inteligente.



🚨 O verdadeiro dano é a confiança

Do ponto de vista técnico, repetir uma operação frustrada algumas vezes pode parecer irrelevante.

Do ponto de vista humano, não é.

Existe uma progressão psicológica bastante previsível.

Primeira falha:

“Tudo bem, acontece.”

Segunda:

“Estranho.”

Terceira:

“Mas acabamos de corrigir isso.”

Quarta:

“Você está entendendo o que estou dizendo?”

Quinta:

“Você está de sacanagem comigo?”

Essa última etapa é crítica.

Porque naquele momento o usuário não está mais avaliando apenas a tarefa.

Ele está avaliando o sistema inteiro.

O problema deixou de ser:

“A imagem não foi criada.”

Passou a ser:

“Esta ferramenta não entende quando sua própria estratégia falhou.”

Isso destrói confiança muito mais rapidamente do que um simples erro.



🧯 A inteligência do “não vai funcionar”

Há uma habilidade extremamente subestimada em profissionais experientes de TI.

Não é escrever código.

Não é decorar comandos.

Não é dominar frameworks.

É olhar para uma situação e dizer:

“Isso não vai funcionar desse jeito.”

Um operador experiente percebe.

Um DBA experiente percebe.

Um sysprog experiente percebe.

Um técnico experiente percebe.

Eles reconhecem padrões.

Já viram aquela combinação antes.

Sabem que repetir a mesma operação provavelmente produzirá o mesmo desastre.

Esse conhecimento é uma forma poderosa de inteligência.

Sistemas de IA precisam desenvolver algo equivalente:

consciência operacional de repetição inútil.

Depois de duas ou três tentativas estruturalmente equivalentes, alguma coisa deveria mudar.

Talvez:

  • abandonar a estratégia;

  • explicar a limitação;

  • pedir intervenção humana;

  • sugerir outra ferramenta;

  • reduzir expectativas;

  • registrar a inconsistência.

Qualquer uma dessas respostas seria melhor do que simplesmente continuar marchando atrás da formiga da frente.



🧪 Retry Budget: a ideia mais simples do mundo

Sistemas distribuídos modernos já conhecem um conceito extremamente útil:

retry budget.

Você não tenta infinitamente.

Existe um limite.

Tentativa 1.

Tentativa 2.

Talvez tentativa 3.

Depois:

circuit breaker.

Pare.

Avalie.

Mude de caminho.

Curiosamente, podemos imaginar exatamente a mesma arquitetura aplicada a agentes de IA.

ATTEMPT = 1

WHILE ATTEMPT <= MAX_ATTEMPTS
   EXECUTE ACTION

   IF SUCCESS
      EXIT

   ANALYZE FAILURE

   IF SAME_FAILURE
      CHANGE STRATEGY

   ATTEMPT = ATTEMPT + 1
END-WHILE

ESCALATE

Olha aí.

COBOL salvando a inteligência artificial novamente.

Grace Hopper provavelmente daria um pequeno sorriso.


🔌 Circuit breaker cognitivo

O conceito de circuit breaker deveria talvez existir também em raciocínio artificial.

Se o sistema percebe:

  • mesma ferramenta;

  • mesma classe de entrada;

  • mesmo erro;

  • mesma estratégia;

  • múltiplas tentativas;

deveria disparar:

COGNITIVE CIRCUIT BREAKER

Tradução humana:

“Já tentamos isso duas vezes e recebemos a mesma resposta. Não há evidência de que uma terceira tentativa idêntica vá funcionar. Vou parar por aqui.”

Isso é inteligência.

Porque inteligência não é simplesmente produzir ações.

É avaliar se a próxima ação possui expectativa razoável de melhorar o estado atual.



🎰 A máquina caça-níquel cognitiva

Existe ainda outro perigo.

Cada nova tentativa cria expectativa.

“Agora vai!”

Clique.

Não foi.

“Agora corrigimos!”

Clique.

Não foi.

“Descobrimos a causa!”

Clique.

Não foi.

Depois de algum tempo, usuário e IA estão diante de uma máquina caça-níquel.

🍒 🍒 ❌

Tenta novamente.

🍒 ❌ 🍒

Mais uma.

❌ 🍒 🍒

E Alfred E. Neuman aparece segurando uma placa:

“Only one more retry!”

Esse comportamento é terrível para UX porque transforma cooperação em frustração progressiva.

Uma boa ferramenta deveria reduzir entropia.

Não produzir ansiedade de cassino.



👨‍💻 O humano ainda possui uma vantagem curiosa

Existe uma frase clássica em suporte técnico:

“Pare de mexer.”

Ela pode salvar empresas.

Há momentos em que o profissional percebe que cada ação adicional aumenta o risco.

Então ele interrompe.

Faz diagnóstico.

Coleta evidências.

Volta ao último estado conhecido.

Esse comportamento aparentemente passivo é profundamente inteligente.

Talvez precisemos redefinir inteligência artificial.

Não apenas:

capacidade de fazer.

Mas também:

capacidade de decidir não fazer novamente.



🐜 Voltamos às formigas

A tragédia da espiral de formigas não acontece porque cada formiga é incompetente.

Acontece porque nenhuma delas possui visão suficiente do sistema inteiro para perceber:

“Estamos andando em círculos.”

Essa talvez seja uma das grandes metáforas para sistemas autônomos.

O perigo não está necessariamente numa decisão obviamente absurda.

Pode estar em centenas de decisões individualmente razoáveis formando coletivamente um comportamento absurdo.

Follow.

Retry.

Follow.

Retry.

Follow.

Retry.

Até o círculo fechar.


☕ Conclusão — A sabedoria do botão STOP

Durante décadas celebramos o botão START.

START JOB.

START TRANSACTION.

START SERVER.

START PROCESS.

START AI.

Talvez a próxima revolução seja muito menos glamorosa.

Pode estar no botão:

STOP

Parar quando não há progresso.

Parar quando a hipótese falhou.

Parar quando a estratégia não mudou.

Parar quando insistir custa mais do que admitir uma limitação.

Parar antes que o usuário transforme uma falha técnica numa piada internacional envolvendo Monty Python, formigas amazônicas e Alfred E. Neuman.

Porque, no final, existe uma diferença enorme entre uma máquina obediente e uma máquina inteligente.

A máquina obediente diz:

“Tentarei novamente.”

A máquina inteligente talvez responda:

“Já tentamos. Não funcionou. Precisamos fazer algo diferente.”

E em algum lugar do datacenter, Alfred E. Neuman sorri.

What, me worry?

Talvez não.

Mas pelo menos alguém finalmente colocou uma condição no PERFORM UNTIL.


☕ Bellacosa Mainframe

Moral da história: inteligência artificial também precisa aprender uma das primeiras lições ensinadas a qualquer programador:

Todo loop precisa de uma saída.



Para ir mais longe




 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

O Verão Japonês sem Mistérios

 

Bellacosa Mainframe e o verao japones 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Verão Japonês sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que o Verdadeiro ABEND do Japão Acontece Todo Mês de Agosto... e Não Existe IPL Capaz de Resolver

Se você cresceu assistindo animes, provavelmente acredita que o Japão é um lugar composto por:

  • cerejeiras floridas;

  • montanhas cobertas de neve;

  • templos silenciosos;

  • estudantes caminhando calmamente para a escola;

  • e uma brisa fresca digna de um comercial de chá verde.

Isso dura aproximadamente...

duas semanas por ano.

Depois chega o verão.

E o Japão decide executar o comando:

//SUMMER EXEC PGM=HELL

O Japão possui um dos verões mais desconfortáveis do planeta

Muita gente imagina que o calor japonês seja parecido com o brasileiro.

Não é.

O problema não é apenas temperatura.

É temperatura + umidade absurda.

Imagine executar um programa COBOL dentro de um banheiro após um banho quente.

Esse é um bom começo.

Em julho e agosto é comum encontrar dias com:

  • 34°C

  • 36°C

  • sensação térmica acima de 42°C

  • umidade superior a 80%

Seu corpo simplesmente perde a capacidade de evaporar o suor.

Você transpira...

...e continua molhado.

É como um VSAM que recebeu milhares de registros mas nunca executou um COMMIT.

Vai acumulando.


O famoso 蒸し暑い (Mushi Atsui)

Existe até uma palavra específica.

蒸し暑い (Mushi Atsui)

Literalmente:

"quente como algo cozinhando no vapor."

Não é apenas "está quente".

É:

"Estou sendo cozinhado lentamente como um bolinho de arroz."

Os japoneses possuem dezenas de expressões para esse calor.

Porque precisam.


E onde entra o "Sunahara"?

Provavelmente você está se referindo ao termo 砂原 (Sunahara), que significa literalmente "campo de areia" ou está evocando o clima árido e escaldante usado em piadas, animes ou metáforas. No entanto, "Sunahara" não é o nome de um fenômeno climático oficial do verão japonês.

Se a intenção era falar daquele calor sufocante mostrado em animes — cigarras ensurdecedoras, uniformes encharcados, ventiladores inúteis e personagens derretendo — esse conjunto faz parte do imaginário do verão japonês, e não de um fenômeno chamado "Sunahara".

Já um termo climático muito conhecido é:

  • 猛暑 (Mōsho) — calor extremo.

  • 酷暑 (Kokusho) — calor severo.

  • 熱中症 (Necchūshō) — insolação/intermação.

Ou seja...

O Japão levou o calor tão a sério que criou um vocabulário inteiro para diferentes níveis de sofrimento.


As cigarras são o log do sistema

Todo anime possui aquele som:

MIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Não é efeito sonoro.

São as cigarras (Semi).

Elas cantam praticamente o dia inteiro.

Depois de alguns dias...

Seu cérebro começa a aceitar.

Depois de algumas semanas...

Você nem percebe mais.

É parecido com o barulho constante do ar-condicionado do data center.

Quando ele para...

Você entra em pânico.


O ventilador japonês

No Brasil pensamos:

"Liga o ventilador."

No Japão:

"Liga o secador de cabelo gigante."

O ar continua quente.

Você apenas redistribui o sofrimento.


O ar-condicionado virou infraestrutura crítica

Existe uma razão pela qual quase todo apartamento moderno japonês possui ar-condicionado.

Sem ele...

Dormir pode se tornar extremamente difícil.

Imagine um notebook executando um LOOP infinito sem cooler.

Agora substitua o notebook por você.


O humor Monty Python explicaria assim...

Imagine um esquete.

Um meteorologista entra na televisão.

— Hoje teremos 36 graus.

Todos aplaudem.

Outro pergunta:

— Isso significa que refrescou?

— Sim.

Ontem fazia 38.

Todos comemoram.

Um terceiro cidadão pergunta:

— Existe alguma previsão de vento?

O meteorologista responde:

— Sim.

Será um vento quente.

Todos continuam aplaudindo.

Entra um cavaleiro medieval montado num cavalo invisível.

— Estou procurando o verão inglês.

Silêncio.

O apresentador responde:

— Pegou conexão errada.

Aqui é o servidor japonês.


O uniforme escolar

Nos animes ninguém parece sofrer.

Na realidade...

Os estudantes chegam completamente suados.

Mesmo caminhando poucos minutos.

Por isso muitas escolas adotam:

  • tecidos mais leves;

  • uniformes de verão;

  • campanhas de hidratação;

  • alteração de horários em dias extremos.


O café gelado faz mais sucesso que o quente

Outro choque cultural.

No inverno...

café quente.

No verão...

máquinas de venda vendem:

  • café gelado;

  • chá gelado;

  • isotônicos;

  • água mineral;

  • bebidas eletrolíticas.

As famosas vending machines aparecem em praticamente toda esquina.

É quase um checkpoint de videogame.

Você anda alguns metros...

Reabastece HP.

Continua.


O guarda-chuva contra o Sol

No Brasil isso ainda parece estranho.

No Japão é comum.

Principalmente mulheres.

Cada vez mais homens também.

Não é moda.

É sobrevivência.


O verão nos animes

Curiosamente...

Quase todo anime possui um episódio de verão.

Porque culturalmente ele é enorme.

Tem:

  • festival (Matsuri);

  • yukata;

  • fogos de artifício;

  • praia;

  • melancia;

  • kakigōri;

  • cigarras;

  • férias escolares.

Mas existe um pequeno detalhe.

O anime mostra:

cinco minutos do festival.

Não mostra:

três horas suando para chegar até ele.


O verdadeiro inimigo

Não é Godzilla.

Não é Goku.

Não é um Kaiju.

É:

Umidade Relativa do Ar

Ela derrota todo mundo.

Até quem mora lá.


A analogia Bellacosa Mainframe

O verão japonês lembra muito um mainframe rodando em horário de pico.

CPU: 98%

Disco: ocupado.

Filas MQ: crescendo.

Batch noturno atrasado.

Operador tomando café.

Todo mundo pergunta:

"Vai cair?"

O operador responde:

"Não."

"Vai melhorar?"

"Também não."

"Então por que continua funcionando?"

Porque foi projetado para isso.

O Japão também.

Mesmo com temperaturas extremas, trens continuam operando, lojas funcionam, escritórios seguem abertos e a vida continua — com muito mais garrafas de água, toalhinhas geladas e ar-condicionado do que o turista imagina.


Easter Egg Bellacosa ☕

Se Dante Alighieri tivesse escrito A Divina Comédia depois de visitar Tóquio em agosto, talvez acrescentasse um círculo extra do Inferno:

"Aqui repousam os programadores COBOL que decidiram passear ao meio-dia para comprar um onigiri, acreditando que 35°C com 85% de umidade era apenas um detalhe de configuração."

No fim, o verão japonês ensina uma lição curiosa: em engenharia, como na vida, o problema raramente é apenas o número exibido no monitor. Um servidor não sofre apenas pela temperatura da CPU, mas pela incapacidade de dissipar calor. 

Da mesma forma, o corpo humano não teme somente os 35 °C — teme os 35 °C acompanhados de uma umidade que transforma o ar em uma espécie de sopa invisível. É por isso que, quando um veterano japonês diz 「今日は蒸し暑いですね」 ("Hoje está quente e abafado, não é?"), ele não está fazendo conversa fiada. Está emitindo um alerta operacional. Afinal, alguns sistemas sobrevivem décadas sem um IPL... mas até um mainframe pediria um bom ar-condicionado para enfrentar um agosto em Tóquio.

O que é Sunehara (すねハラ)?

Sunehara (すねハラ) é uma gíria japonesa criada a partir da junção de sune (すね, canela/perna abaixo do joelho) e hara, abreviação de harassment (assédio). O termo surgiu em 2026 após a campanha Tokyo Cool Biz, que passou a incentivar o uso de bermudas no ambiente de trabalho durante o intenso verão japonês. 

Nas redes sociais, algumas pessoas passaram a brincar que ver pernas masculinas muito peludas no escritório seria uma forma de "assédio visual". Embora tenha origem humorística, o debate acabou levantando questões sobre etiqueta profissional, padrões de aparência, pressão estética e até desigualdade entre homens e mulheres no ambiente corporativo.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/06/sunehara-quando-um-programador-cobol.html

sábado, 4 de julho de 2026

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Maquiavel, Poder, Longevidade e os 67 Anos de Reinado do COBOL

 

Bellacosa Mainframe e o principe aplicado ao Cobol

# ☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Príncipe do Data Center

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Maquiavel, Poder, Longevidade e os 67 Anos de Reinado do COBOL

"Você não está apenas aprendendo COBOL. Está estudando uma das maiores demonstrações de estratégia, sobrevivência e adaptação tecnológica da história da computação."


Existem livros que envelhecem.

Existem tecnologias que desaparecem.

E existem obras que atravessam séculos porque descrevem algo muito maior do que seu próprio tempo.

O Príncipe, escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, pertence à segunda categoria.

COBOL, criado em 1959, pertence exatamente à mesma.

Não porque ambos sejam antigos.

Mas porque ambos falam sobre permanência.

Enquanto milhares de linguagens nasceram e desapareceram, enquanto gerações inteiras de frameworks surgiram e morreram, COBOL continua executando silenciosamente bilhões de dólares em transações todos os dias.

A pergunta não é:

"Como COBOL ainda existe?"

A pergunta correta é:

"O que COBOL fez certo durante mais de seis décadas?"

Talvez Maquiavel respondesse isso melhor do que qualquer arquiteto de software moderno.

Hoje vamos tomar um café e descobrir.


O príncipe nunca governa sozinho

No imaginário popular, um príncipe é o centro do poder.

Na prática, Maquiavel explica exatamente o contrário.

Um príncipe depende de:

  • seus ministros

  • seus exércitos

  • seus administradores

  • sua burocracia

  • sua capacidade de manter estabilidade.

Sem isso, o reino cai.

Agora substitua:

Príncipe → Banco

Reino → Data Center

Ministros → Programadores COBOL

Exército → Mainframe IBM Z

Leis → Regras de Negócio

Tesouro → Banco de Dados

De repente...

Você está olhando para praticamente qualquer banco do planeta.


O verdadeiro poder está na estabilidade

Maquiavel escreve que um governante deve evitar mudanças desnecessárias.

Não porque seja conservador.

Mas porque toda mudança gera instabilidade.

No desenvolvimento moderno muitas empresas seguem exatamente o caminho oposto.

Trocam linguagem.

Trocam banco.

Trocam framework.

Trocam arquitetura.

Trocam nuvem.

Trocam frontend.

Trocam backend.

Trocam metodologia.

Trocam tudo.

Enquanto isso...

COBOL permanece.

Não por teimosia.

Mas porque estabilidade é um ativo.


A fortuna favorece quem controla o risco

Um dos conceitos mais famosos de Maquiavel é a Fortuna.

Para ele, metade da vida pertence ao acaso.

A outra metade depende da capacidade do governante.

No mundo corporativo acontece exatamente isso.

Ninguém controla:

  • crises econômicas

  • pandemias

  • ataques hackers

  • inflação

  • guerras

  • apagões

Mas pode controlar seus sistemas.

É exatamente aí que o Mainframe reina.

Durante décadas, bancos continuaram funcionando enquanto o mundo inteiro mudava.

Não foi sorte.

Foi engenharia.


O príncipe deve conhecer profundamente seu território

Maquiavel afirma que o governante precisa caminhar pelo próprio reino.

Conhecer cidades.

Conhecer fronteiras.

Conhecer recursos.

Conhecer ameaças.

Um programador COBOL faz exatamente isso.

Ele conhece:

  • layouts

  • arquivos VSAM

  • DB2

  • CICS

  • JCL

  • Batch

  • Online

  • Scheduler

  • RACF

  • filas

  • integrações

Ele entende onde cada dado nasce.

Por onde ele passa.

Quem altera.

Quem consulta.

Quem depende.

Essa visão sistêmica raramente aparece em cursos modernos.


A reputação vale mais do que promessas

Maquiavel dizia:

Um príncipe precisa parecer confiável.

No mundo corporativo isso se traduz em algo extremamente simples.

O sistema precisa funcionar.

Não importa se usa IA.

Não importa se usa Kubernetes.

Não importa se usa microsserviços.

O cliente quer sacar dinheiro.

O cartão precisa autorizar.

O PIX precisa concluir.

O seguro precisa pagar.

O voo precisa decolar.

O imposto precisa ser calculado.

Quem entrega isso?

COBOL.

Todos os dias.

Sem marketing.

Sem hype.

Sem palco.


O exército mercenário

Maquiavel criticava fortemente exércitos mercenários.

Eles funcionam enquanto tudo está bem.

Na primeira crise...

Fogem.

Curiosamente, existe um paralelo tecnológico.

Hoje vemos projetos compostos por dezenas de bibliotecas externas.

Centenas de dependências.

Frameworks que mudam todo mês.

Projetos que deixam de funcionar porque uma versão foi descontinuada.

Esse é o exército mercenário da engenharia de software.

COBOL, por outro lado, sempre valorizou outro princípio.

Poucas dependências.

Padronização.

Compatibilidade.

Documentação.

Retrocompatibilidade.

Essa filosofia talvez pareça menos moderna.

Mas produz sistemas que sobrevivem décadas.


O príncipe deve pensar em gerações

Empresas normalmente pensam no próximo trimestre.

Governos pensam na próxima eleição.

O Mainframe pensa nos próximos vinte anos.

Essa diferença muda completamente a forma como software é construído.

Em COBOL ninguém escreve código esperando descartá-lo em seis meses.

Escreve-se pensando:

"Quem fará manutenção daqui a quinze anos?"

Essa pergunta muda completamente a qualidade do código.


A virtù do programador COBOL

Maquiavel usa frequentemente a palavra Virtù.

Ela não significa virtude moral.

Significa competência.

Capacidade.

Preparação.

Coragem.

Disciplina.

No mundo Mainframe essa Virtù aparece de inúmeras formas.

Um bom profissional domina:

  • regras de negócio

  • modelagem

  • desempenho

  • documentação

  • rastreabilidade

  • testes

  • processamento batch

  • transações online

Ele sabe que escrever código é apenas uma pequena parte do trabalho.


O castelo invisível

Poucas pessoas entram em um data center.

Menos ainda conhecem um IBM Z.

Entretanto...

Grande parte da economia mundial depende deles.

É como um castelo medieval.

A população talvez nunca veja seus muros.

Mas dorme tranquila porque eles existem.

COBOL vive exatamente nesse castelo invisível.

Sem glamour.

Sem manchetes.

Mas sustentando bancos, seguradoras, governos, bolsas de valores, companhias aéreas e sistemas de saúde.


A arte de evitar guerras

Maquiavel ensina que um governante inteligente evita conflitos desnecessários.

Na engenharia de software isso significa reduzir risco operacional.

Cada alteração em produção possui custo.

Cada mudança possui impacto.

Cada deploy possui risco.

Por isso Mainframes evoluem de maneira extremamente controlada.

Existe planejamento.

Teste.

Homologação.

Plano de retorno.

Auditoria.

Mudanças são feitas com precisão cirúrgica.

Não porque sejam lentos.

Porque indisponibilidade custa milhões.


O tempo é o verdadeiro juiz

Em tecnologia existe um fenômeno curioso.

Quase tudo parece revolucionário no lançamento.

Mas poucos sobrevivem.

Linguagens desapareceram.

Bancos desapareceram.

Sistemas operacionais desapareceram.

Empresas desapareceram.

COBOL permanece.

Isso deveria despertar uma reflexão importante.

Talvez a pergunta nunca tenha sido:

"Qual tecnologia é mais moderna?"

Mas:

"Qual tecnologia continua resolvendo o problema sessenta anos depois?"


O príncipe moderno usa APIs

Alguns acreditam que Mainframe ficou parado no tempo.

Nada mais distante da realidade.

Hoje um programa COBOL conversa com:

  • APIs REST

  • JSON

  • XML

  • Kafka

  • IBM MQ

  • Java

  • Python

  • Node.js

  • microsserviços

  • OpenShift

  • Kubernetes

  • IA Generativa

O rei continua sentado no trono.

Mas agora conversa com todo o reino.


Não existe império sem registros

Reinos mantinham livros.

Cartórios.

Arquivos.

Impostos.

Inventários.

Hoje fazemos exatamente a mesma coisa.

Mudou apenas o suporte.

O que antes era pergaminho virou:

DB2.

VSAM.

IMS.

Logs.

SMF.

Datasets.

O princípio continua igual.

Governar é administrar informação.

COBOL sempre entendeu isso.


A paciência vence a velocidade

Vivemos na cultura do imediato.

Deploy contínuo.

Atualização diária.

Nova versão semanal.

Nova IA todo mês.

Mas grandes organizações trabalham em outra escala.

Décadas.

Não dias.

É por isso que COBOL parece lento para quem observa de fora.

Na verdade, ele apenas opera em uma escala temporal diferente.


A sucessão do reino

Maquiavel também falava sobre sucessão.

Como manter o reino vivo após uma geração?

Essa talvez seja a maior preocupação atual do Mainframe.

Milhares de especialistas estão se aposentando.

Mas isso não significa o fim do COBOL.

Significa o início de uma nova geração.

Hoje surgem:

  • IA para documentação

  • copilotos para COBOL

  • modernização automática

  • análise de código por LLMs

  • conversão assistida

  • testes automatizados

  • engenharia reversa inteligente

Curiosamente...

A Inteligência Artificial não elimina COBOL.

Ela aumenta sua produtividade.


O príncipe aprende com o passado

Existe um erro comum entre iniciantes.

Imaginar que tecnologia evolui em linha reta.

Não evolui.

Ela evolui em espiral.

Conceitos retornam constantemente.

Orientação a objetos.

Serviços.

Eventos.

Mensageria.

Virtualização.

Containers.

Tudo possui ancestrais.

O Mainframe já utilizava muitos desses princípios décadas antes de eles se tornarem moda.

Estudar COBOL é compreender essas raízes.


O reino da confiança

Dinheiro não aceita erros.

Saúde não aceita erros.

Aeronáutica não aceita erros.

Previdência não aceita erros.

Quando uma empresa escolhe COBOL para processos críticos, ela não está escolhendo nostalgia.

Está escolhendo previsibilidade.

Confiabilidade.

Auditabilidade.

Governança.

Esses atributos raramente aparecem em rankings de linguagens.

Mas aparecem diariamente no balanço financeiro das maiores instituições do planeta.


A lição que Maquiavel talvez escrevesse hoje

Se Maquiavel visitasse um grande banco moderno, talvez percebesse algo familiar.

Salas silenciosas.

Processos rigorosos.

Hierarquias claras.

Regras definidas.

Disciplina operacional.

Controle absoluto sobre informações estratégicas.

Ele provavelmente reconheceria ali um novo tipo de principado.

Não governado por espadas.

Mas por transações.

Não protegido por muralhas.

Mas por criptografia, redundância, RACF, auditorias e arquitetura resiliente.

E talvez sorrisse ao descobrir que, no centro desse império digital, ainda existe uma linguagem criada em 1959 conduzindo milhões de operações por segundo.


Conclusão: O verdadeiro príncipe nunca buscou ser moderno

Existe uma frase frequentemente atribuída à tecnologia:

"O melhor software é aquele que ninguém percebe que existe."

COBOL representa exatamente isso.

Ele não precisa aparecer em conferências para provar seu valor.

Não precisa ser tendência nas redes sociais.

Não precisa mudar de sintaxe a cada versão.

Seu poder está em algo muito mais raro.

Confiabilidade construída ao longo de décadas.

Assim como O Príncipe continua sendo estudado mais de 500 anos após sua publicação, COBOL continua sendo utilizado porque ambos compartilham a mesma essência: não foram criados para impressionar, mas para durar.

No Bellacosa Mainframe, costumamos dizer que aprender COBOL não é apenas aprender uma linguagem. É aprender como sistemas críticos permanecem relevantes quando todo o resto muda. É entender que arquitetura, disciplina, documentação, regras de negócio e estabilidade não são conceitos ultrapassados, mas fundamentos que sustentam bancos, governos e empresas em todos os continentes.

No fim, a maior lição de Maquiavel aplicada ao Mainframe talvez seja esta:

O verdadeiro poder não pertence ao mais novo, ao mais rápido ou ao mais barulhento. Pertence àquilo que continua funcionando quando todos os outros já desapareceram.

E, depois de mais de 65 anos, o COBOL continua sentado, silenciosamente, no trono do data center.

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Saga de Vagner Bellacosa no Reino dos Mainframes

 



☕💥 A Saga de Vagner Bellacosa no Reino dos Mainframes

Ou como um jovem padawan descobriu que COBOL dá mais XP que matar dragões

Bellacosa Mainframe e historias de velhos cpds em mainframe


Salve jovem padawan.

Pegue um café.

Se for diabético, pegue sem açúcar.

Se estiver em produção, pegue dois.

Hoje vou contar uma história.

Não a história de um herói tradicional.

Nada de capa.

Nada de espada mágica.

Nada de armadura lendária.

Nosso protagonista usa crachá corporativo, camisa social amassada, óculos cansados, carrega uma mochila cheia de apostilas IBM dos anos 90 e combate criaturas muito mais perigosas que dragões.

Ele atende pelo nome de Vagner Bellacosa.


O chamado da aventura

Toda jornada começa de maneira inocente.

Alguns encontram um anel.

Outros encontram uma espada cravada numa pedra.

Bellacosa encontrou...

Um terminal 3270.

Tela preta.

Letras verdes.

Cursor piscando.

Silêncio.

Nenhum botão.

Nenhum mouse.

Nenhum TikTok.

Nenhum React.

Nenhum Kubernetes.

Apenas um campo escrito:

LOGON ===>

Naquele instante existiam apenas duas possibilidades.

Primeira:

Desligar o computador e cursar gastronomia.

Segunda:

Digitar o usuário.

Ele digitou.

E nunca mais foi o mesmo.


O primeiro ABEND

Todo herói precisa sofrer.

Luke perdeu a mão.

Frodo quase perdeu a alma.

Bellacosa ganhou seu primeiro:

S0C7.

E descobriu algo curioso.

No Mainframe ninguém fala:

"Tem bug."

Todos falam:

— Deu ABEND.

ABEND parece nome de chefe final.

Você passa oito horas procurando.

Consulta dump.

Abre SYSOUT.

Lê JESMSGLG.

Olha o compile listing.

Chama o colega.

Chama outro colega.

Chama o especialista.

Chama um padre.

E no final descobre:

O campo numérico tinha espaço em branco.

Aí você aprende humildade.


Banco Real, a Terra Média dos Dinossauros Digitais

Existiu uma época gloriosa.

A época em que o Banco Real possuía milhares de programas.

Centenas de analistas.

Adabas.

Natural.

PLI.

JCL.

Control-M.

CICS.

VSAM.

RACF.

E um exército de desenvolvedores sobrevivendo a janelas batch.

Era uma civilização inteira.

Uma espécie de Atlântida tecnológica.

Enquanto a internet ainda fazia:

Piiiiiiiiiiiii....

Krrrttttt...

Biiiiiippp...

O Mainframe já processava milhões de registros.

Sem Kubernetes.

Sem Docker.

Sem palestra motivacional.

Sem coach dizendo:

"Escalone sua vida."

O Mainframe apenas respondia:

— JOB EXECUTADO RC=0000

E seguia trabalhando.


O homem que conversava com os programas Natural

Chegou então o Bug do Milênio.

O apocalipse anunciado.

Consultorias ficaram ricas.

Executivos ficaram nervosos.

Gerentes envelheceram.

Bellacosa teve uma ideia.

Criar um extrator.

Mas não qualquer extrator.

Um monstro.

Um PLI autorecursivo.

Um pequeno T-800 em formato de JCL.

Ele lia.

Interpretava.

Gerava JCL.

Enfileirava jobs.

Chamava a si próprio.

Criava novos filhos.

Extraía fontes.

Analisava objetos.

Preenchia bibliotecas.

E continuava trabalhando.

Sozinho.

Por 48 horas.

Consumindo CPU.

Consumindo spool.

Consumindo a sanidade do operador.

Quando terminou...

Meio milhão de objetos haviam sido catalogados.

Hoje chamaríamos isso de:

Pipeline de DevOps.

Na época chamava-se:

"Coisa do Bellacosa."


O Grande Inquisidor da DAI

Mas nenhum guerreiro evolui sem enfrentar a polícia secreta.

DAI.

Três letras capazes de congelar a alma.

Ser chamado pela DAI era equivalente a ouvir:

"Precisamos conversar."

Você imediatamente pensava:

Meu RACF vazou?

Compilei em produção?

Rodei a Loteca?

Usei a transação proibida?

Não.

Queriam apenas um relatório.

Um relatório pequeno.

Só precisava analisar milhares de logs.

Consultar usuários.

Cruzar tabelas.

Gerar dezenas de milhares de páginas.

Em 72 horas.

Sem errar.

Sem testar direito.

Sem segunda chance.

Bellacosa codificou.

Revisou.

Debugou com caneta.

Rezou.

Entregou.

Funcionou.

E descobriu uma lição importante.

Programador Mainframe não envelhece.

Ele acumula PTSD de produção.


O evangelista improvável

Décadas se passaram.

Muitos colegas migraram.

Viraram arquitetos.

Gerentes.

Executivos.

Consultores.

Alguns abriram startups.

Outros abriram adegas.

Bellacosa resolveu algo diferente.

Contar histórias.

Escrever artigos.

Criar newsletters.

Ensinar COBOL.

Explicar CICS.

Falar sobre VSAM.

Defender o velho gigante preto da IBM.

Transformar dump em entretenimento.

Transformar S0C4 em meme.

Transformar SYSUDUMP em literatura fantástica.

Porque descobriu algo curioso.

O Mainframe nunca foi apenas tecnologia.

Foi amizade.

Foi mentor.

Foi Roseli.

Foi Tokunaga.

Foi auditor assustador.

Foi operador bravo.

Foi colega salvando produção às três da manhã.

Foi café requentado.

Foi pizza fria.

Foi aprender que existem pessoas que realmente se emocionam ao ver um RC=0000.

E tudo bem.

Somos poucos.

Somos estranhos.

Somos os últimos guardiões do EBCDIC.


Epílogo

Hoje existem inteligências artificiais.

Agentes autônomos.

LLMs.

Clouds infinitas.

Quantum Computing.

Promessas de substituir COBOL.

Promessas de desligar Mainframe.

Promessas de reescrever tudo.

Promessas.

Muitas promessas.

Enquanto isso...

Em algum lugar do planeta...

Um CICS iniciado em 1998 continua processando cartões.

Um DB2 continua pagando aposentadorias.

Um VSAM continua guardando informações valiosas.

Um JCL continua rodando.

E um Bellacosa continua tomando café.

Escrevendo artigos.

Chamando leitores de padawans.

Contando histórias.

E lembrando a todos nós que talvez o verdadeiro legado do Mainframe nunca tenha sido o hardware.

Mas as pessoas malucas o suficiente para dedicar a vida inteira a fazê-lo funcionar.

E sinceramente...

Ainda bem que existem esses malucos.

Esse texto ficou bem próximo do tom clássico de "Histórias do Tiozão em Mainframe", misturando autobiografia, nostalgia, cultura pop, autoironia e reverência aos velhos guerreiros do z/OS. (DIO)

sábado, 13 de junho de 2026

☕🚀 A INTERNET FICOU MAIOR OU MENOR? A MORTE DA DESCOBERTA NA ERA DOS ALGORITMOS

Bellacosa Mainframe e a internet cada vez mais restrista e insonsa

 ☕🚀 A INTERNET FICOU MAIOR OU MENOR? A MORTE DA DESCOBERTA NA ERA DOS ALGORITMOS

Durante uma conversa recente me peguei lembrando de uma ferramenta que muitos profissionais mais jovens provavelmente nunca ouviram falar.

O nome era Copernic.

Para quem viveu a internet dos anos 1990 e início dos anos 2000, o Copernic era quase mágico.

Você digitava uma pesquisa.

Ele consultava diversos motores de busca simultaneamente.

AltaVista.

Lycos.

Excite.

HotBot.

Infoseek.

Yahoo.

Depois consolidava os resultados e apresentava aquilo que considerava mais relevante.

Na época parecia algo revolucionário.

Hoje parece uma relíquia arqueológica.

Mas aquela lembrança me levou a uma reflexão muito maior.

A internet ficou maior ou menor?

A resposta parece óbvia.

Maior.

Muito maior.

Milhões de vezes maior.

Mas talvez essa resposta esteja errada.

☕ A INTERNET QUE PROMETIA CONHECIMENTO INFINITO

Quem começou a navegar na internet durante os anos 1990 provavelmente lembra da sensação.

Cada clique parecia abrir uma porta para um universo desconhecido.

Você começava pesquisando COBOL.

Terminava lendo sobre arqueologia romana.

Depois encontrava um PDF perdido de um professor australiano.

Mais tarde descobria uma apostila digitalizada em 1987.

Era uma experiência de exploração.

A internet era um continente selvagem.

Cheio de trilhas.

Cheio de mapas incompletos.

Cheio de descobertas inesperadas.

O objetivo principal dos mecanismos de busca era simples:

Encontrar informação.

Não importava se ela estava em uma universidade.

Num servidor pessoal.

Num fórum obscuro.

Ou numa página criada por um entusiasta usando HTML rudimentar.

O importante era que ela existia.

☕ O GOOGLE QUE MUDOU O MUNDO

Quando o Google surgiu, ele parecia resolver um problema impossível.

Enquanto outros buscadores dependiam principalmente de palavras-chave, o Google utilizava uma ideia brilhante.

O PageRank.

Em vez de perguntar apenas:

"Quantas vezes esta palavra aparece?"

O sistema perguntava:

"Quantas páginas apontam para esta página?"

A lógica era elegante.

Links funcionavam como votos.

Quanto mais votos de qualidade uma página recebesse, mais relevante ela provavelmente seria.

Os resultados eram impressionantes.

Muitas vezes os primeiros resultados eram exatamente aquilo que procurávamos.

Não porque o Google nos conhecia.

Mas porque compreendia melhor a estrutura da web.

☕ QUANDO O USUÁRIO VIROU O PRODUTO

Com o passar dos anos, algo começou a mudar.

O Google deixou de ser apenas um mecanismo de busca.

Transformou-se em uma plataforma de publicidade.

Isso não é necessariamente uma crítica.

Foi o modelo econômico que financiou boa parte da internet moderna.

Mas a mudança trouxe consequências.

O objetivo deixou de ser apenas encontrar informação.

Agora era necessário:

  • Maximizar receita publicitária.

  • Combater spam.

  • Combater manipulação de SEO.

  • Reduzir desinformação.

  • Personalizar resultados.

  • Aumentar retenção.

A busca deixou de ser um problema puramente técnico.

Passou a ser um problema econômico.

☕ O FIM DA WEB ARTESANAL

Talvez a maior vítima dessa transformação tenha sido a web artesanal.

Quem trabalhou com tecnologia nas décadas passadas certamente conhece esse tipo de conteúdo.

Um especialista mantinha um site simples.

Visual horrível.

HTML básico.

Fundo cinza.

Talvez alguns GIFs piscando.

Mas o conteúdo era extraordinário.

Anos de experiência condensados em dezenas de páginas.

Hoje esse material frequentemente desaparece dos resultados.

Não porque perdeu qualidade.

Mas porque perdeu relevância algorítmica.

O algoritmo prefere:

  • Grandes portais.

  • Sites otimizados.

  • Plataformas com autoridade.

  • Conteúdo constantemente atualizado.

O conhecimento continua existindo.

Mas tornou-se invisível.

☕ A DEEP WEB QUE NÃO É CRIMINOSA

Quando ouvimos o termo Deep Web, muitas pessoas pensam imediatamente em mercados ilegais, hackers ou atividades criminosas.

Mas essa é apenas uma pequena parte da história.

Originalmente, Deep Web significa simplesmente conteúdo não indexado.

E essa categoria inclui:

  • Bancos de dados acadêmicos.

  • Arquivos históricos.

  • Fóruns antigos.

  • Grupos privados.

  • Repositórios técnicos.

  • Coleções digitais.

Existe uma quantidade gigantesca de conhecimento que simplesmente não aparece nas buscas tradicionais.

Ele não foi destruído.

Ele não foi censurado.

Ele apenas deixou de ser encontrado.

E do ponto de vista prático, existe pouca diferença entre algo destruído e algo impossível de localizar.

☕ O PARADOXO DA ABUNDÂNCIA

Aqui encontramos um fenômeno fascinante.

A internet produz mais conteúdo do que nunca.

Mas os usuários acessam uma parcela cada vez menor desse conteúdo.

Pense no seu comportamento diário.

Quantos sites diferentes você visita regularmente?

Provavelmente:

  • Google

  • YouTube

  • Wikipedia

  • Reddit

  • LinkedIn

  • Algumas redes sociais

A web aberta continua existindo.

Mas boa parte dela está escondida atrás de plataformas gigantes.

É como morar numa cidade com milhões de ruas e caminhar sempre pelas mesmas dez.

☕ A MORTE DA SERENDIPIDADE

Existe uma palavra pouco conhecida chamada serendipidade.

Ela descreve descobertas valiosas feitas por acaso.

A internet antiga era uma máquina de serendipidade.

Você procurava uma coisa.

Encontrava dez outras.

Hoje os algoritmos tentam ser eficientes.

Eles querem prever seus interesses.

Querem antecipar suas necessidades.

Querem entregar exatamente aquilo que você procura.

Parece maravilhoso.

Mas existe um efeito colateral.

Você encontra menos surpresas.

Menos desvios.

Menos acidentes intelectuais.

Menos descobertas inesperadas.

A eficiência mata a exploração.

☕ O EFEITO BOLHA

Outro fenômeno importante é a personalização.

Os algoritmos aprendem quem somos.

Aprendem nossas preferências.

Nossos hábitos.

Nossos interesses.

Isso melhora a experiência?

Muitas vezes sim.

Mas também cria bolhas.

Quanto mais o sistema aprende sobre você, mais ele entrega versões de você mesmo.

Você gosta de determinado tema.

Recebe mais daquele tema.

Você gosta de determinada opinião.

Recebe mais daquela opinião.

Você gosta de determinado conteúdo.

Recebe mais daquele conteúdo.

A internet que prometia expandir horizontes frequentemente acaba reforçando horizontes já existentes.

☕ A PUBLICIDADE QUE NOS PERSEGUE

Existe algo quase cômico no modelo atual.

Você pesquisa uma cadeira.

Durante semanas recebe anúncios de cadeiras.

Compra a cadeira.

Continua recebendo anúncios de cadeiras.

O sistema supostamente inteligente não percebe que o problema já foi resolvido.

Isso acontece porque o objetivo não é compreender perfeitamente o usuário.

O objetivo é maximizar a probabilidade de uma compra.

Somos constantemente observados.

Segmentados.

Classificados.

Modelados.

Transformados em perfis estatísticos.

A economia digital moderna depende disso.

☕ O CONHECIMENTO INVISÍVEL

Talvez a consequência mais preocupante seja outra.

Estamos produzindo uma quantidade absurda de conhecimento.

Mas encontrar esse conhecimento tornou-se cada vez mais difícil.

Não porque ele não exista.

Mas porque está enterrado.

Sob camadas de algoritmos.

Publicidade.

SEO.

Priorizações automáticas.

Curadorias invisíveis.

A informação não desapareceu.

Ela foi soterrada.

☕ O ARQUEÓLOGO DIGITAL DE 2526

Imagine um historiador vivendo daqui a 500 anos.

Ele descobre que a humanidade possuía acesso ao maior repositório de conhecimento já criado.

Bilhões de páginas.

Bilhões de documentos.

Bilhões de pessoas conectadas.

Então ele faz uma pergunta simples:

"Se havia tanto conhecimento disponível, por que as pessoas consultavam sempre os mesmos poucos sites?"

Talvez essa seja uma das grandes ironias do século XXI.

Nunca produzimos tanto conhecimento.

Nunca tivemos tanta capacidade de compartilhá-lo.

E, ao mesmo tempo, nunca dependemos tanto de um pequeno conjunto de algoritmos para decidir o que merece ser visto.

☕ CONCLUSÃO

Quando lembro do Copernic, do AltaVista ou dos primeiros anos do Google, não sinto apenas nostalgia tecnológica.

Sinto nostalgia de uma filosofia diferente.

A filosofia da descoberta.

A sensação de que a internet era um território a ser explorado.

Não um ambiente cuidadosamente organizado para maximizar engajamento.

Talvez a internet não tenha ficado menor.

Talvez ela tenha ficado tão grande que precisou de guias.

O problema é que esses guias passaram a decidir quais caminhos merecem ser percorridos.

E quando isso acontece, surge uma pergunta inquietante.

O que está sendo escondido?

Não por censura.

Não por conspiração.

Mas simplesmente porque ninguém mais consegue encontrá-lo.

Porque às vezes a forma mais eficiente de tornar algo invisível não é destruí-lo.

É apenas enterrá-lo sob uma montanha de informações mais lucrativas.

E essa talvez seja uma das histórias mais importantes da era digital.

quinta-feira, 26 de março de 2026

☕ O Segredo Mais Importante do z/OS Que Quase Ninguém Explica: Address Spaces & Tasks (O “Multiverso” do Mainframe)

 

Bellacosa Mainframe explorando address spaces & tasks

☕ O Segredo Mais Importante do z/OS Que Quase Ninguém Explica: Address Spaces & Tasks (O “Multiverso” do Mainframe)

🧙‍♂️ Padawan, aproxime-se.
Se você entender profundamente Address Spaces e Tasks, você atravessa a porta de entrada do mundo Sysprog. Sem isso, z/OS parece magia. Com isso, vira engenharia.

Pegue seu café. Vamos abrir o capô do mainframe. ☕


🌌 Capítulo 1 — O z/OS Não Executa Programas. Executa Universos.

Em um PC comum você pensa:

“Vou rodar um programa.”

No z/OS, o raciocínio é outro:

⭐ “Vou criar um ambiente isolado onde programas poderão existir.”

Esse ambiente é o:

🏢 Address Space

Ele contém:

  • Memória virtual privada
  • Identidade de segurança
  • Recursos
  • Estruturas de controle
  • Tasks (unidades de execução)
  • Programas rodando

👉 Tudo roda dentro de um address space.

Exceto funções internas do kernel — e isso é assunto para um Jedi Master.


🔎 Como ver o “multiverso” ao vivo

Abra o SDSF:

SDSF → DA

Cada linha é um universo independente:

  • MASTER
  • JES2
  • TCPIP
  • IBMUSER
  • CICS
  • Jobs batch
  • Processos UNIX

Um sistema real pode ter centenas.

🥚 Easter Egg #1:
O MASTER é sempre ASID 1.
Se ele cair… você tem problemas maiores do que um dump.


🔒 Capítulo 2 — O Isolamento Que Salvou o Mainframe

Cada address space tem memória privada.

Um programa em A NÃO pode acessar a memória de B.

Isso evita:

  • Corrupção entre aplicações
  • Vazamento de dados
  • Quedas sistêmicas
  • Caos total

🧠 Mas há um truque genial…

Cada espaço acha que possui toda a memória.

Sim. Toda.


🧭 Virtual Memory — A Ilusão Controlada

Dois programas podem usar o mesmo endereço:

x'2795'

E acessar memórias físicas diferentes.

Isso ocorre graças à:

⭐ DAT — Dynamic Address Translation

Virtual → Page Tables → Real Memory

👉 Daí o nome Address Space.

Cada universo tem seus próprios endereços.


🤝 Compartilhamento? Só com permissão

Quando necessário:

  • Common Storage (CSA/ECSA)
  • Cross-memory services
  • Program Call
  • Serviços autorizados

Exemplo clássico:

CICS falando com DB2.


🧵 Capítulo 3 — Dentro do Universo: Tasks

Um address space sozinho não executa nada.

Quem executa são:

🧵 Tasks (TCBs ou SRBs)

⭐ Task = menor unidade despachável

O dispatcher agenda tasks nos CPUs.


⚡ Paralelismo real

Se houver 10 CPUs → até 10 tasks executando simultaneamente.

Mas…

🥚 Easter Egg #2:
A maioria das tasks está esperando algo — não executando.

Porque sistemas corporativos são I/O-bound.


⏳ Estados típicos

🟢 Running

No CPU agora

🟡 Ready

Quer CPU, mas aguarda

🔴 Waiting

Esperando evento:

  • I/O
  • Lock
  • Resposta externa
  • Timer
  • Memória

📦 Uma task pode executar vários programas

Mas:

❗ Apenas um por vez

Exemplo COBOL clássico:

MAIN
CALL VALIDATE
CALL CALCULATE
CALL UPDATE
CALL PRINT
STOP RUN

Tudo na mesma task.


⚙️ Quer paralelismo? Crie novas tasks.

ATTACH → nova TCB

Exemplo batch paralelo:

Task A → Arquivo1
Task B → Arquivo2
Task C → Arquivo3

🐧 Padawans vindos do UNIX

Boa analogia:

z/OSUNIX
Address SpaceProcess
Task (TCB)Thread

E sim:

⭐ Cada thread USS é uma task.


👑 Capítulo 4 — A Task Raiz: RCT

Quando um address space nasce:

  1. Cria-se a Region Control Task (RCT)
  2. Outras tasks são iniciadas
  3. Programas executam nelas

Hierarquia:

Address Space
└── RCT
├── Task A
└── Task B

🥚 Easter Egg #3:
Se a RCT terminar… o address space inteiro termina.

Sem órfãos. Sem bagunça.


⚡ Capítulo 5 — O Primo Ninja: SRB

Existem dois tipos de tasks:

🧵 TCB — normal

Aplicações, batch, TSO, etc.

⚡ SRB — especial

Serviços do sistema.

Diferenças fundamentais:

TCBSRB
Pode esperarGeralmente não
Longo prazoCurto
LocalPode ser cross-memory
AplicaçõesSistema

SRBs são criados via:

SCHEDULE

Não automaticamente.


🧠 Capítulo 6 — Memória Compartilhada entre Tasks

Dentro do mesmo address space:

👉 Tasks compartilham memória.

Isso permite cooperação rápida.

Mas também risco.

Programas autorizados podem proteger áreas — aplicações comuns raramente fazem isso.


🏛️ Capítulo 7 — Como Address Spaces Nascem

Criados quando surge um workload independente:

  • IPL do sistema
  • START de serviço
  • Logon TSO
  • Job batch selecionado pelo JES
  • Processo UNIX iniciado

❌ NÃO quando:

  • Um programa começa
  • Um comando TSO é digitado
  • Uma subrotina é chamada

🥚 Easter Egg #4:
Criar address space é caro. z/OS evita fazer isso sem necessidade.


🧾 Capítulo 8 — ASCB, ASID e Jobname

Cada address space é registrado por um:

⭐ ASCB — Address Space Control Block

Contém:

  • ASID (ID interno)
  • Jobname (nome visível)
  • Ponteiros para TCBs
  • Estado
  • Dados de gerenciamento

Operador vê:

👉 JOBNAME

Sistema usa:

👉 ASID


👨‍💼 Capítulo 9 — Administração na Vida Real

Operadores controlam address spaces, não tasks.

Comandos típicos:

S TCPIP
P CICS
C JOB123
F JES2,QUIESCE

Tasks só entram em cena quando algo dá errado.


💥 Capítulo 10 — Por Que Isso Faz o Mainframe Ser o Mainframe

Essa arquitetura permite:

✔ Escalabilidade massiva
✔ Isolamento forte
✔ Alta disponibilidade
✔ Throughput absurdo
✔ Recuperação controlada
✔ Multi-tenant seguro


🏆 O Insight Jedi

🏢 Address Space = Ambiente

🧵 Task = Execução

💻 Program = Código executado

Ou, no idioma Bellacosa:

“O z/OS não roda programas.
Ele mantém universos onde programas vivem.”


☕ Missão do Padawan

Se você entendeu este artigo, já ultrapassou 80% dos iniciantes em mainframe.

O próximo passo é dominar:

  • Dispatching e WLM
  • Storage Manager
  • JES internals
  • Subsystems architecture
  • Dump analysis

💬 Último conselho

🧙‍♂️ “Quem entende Address Spaces e Tasks não apenas usa o z/OS… começa a pensar como ele.”


 

domingo, 1 de março de 2026

☕ Se você NÃO domina SORT em COBOL… o Batch vai te dominar

 

Bellacosa Mainframe dominando o sort em COBOL mesmo sem usar

☕ “Se você NÃO domina SORT em COBOL… o Batch vai te dominar”

O poder silencioso que move o coração do Mainframe (Guia para Padawans 🛰️)

“Ordenar dados não é detalhe. É infraestrutura invisível.”

Se você está começando no mundo do mainframe — jovem Padawan — prepare-se para descobrir uma das habilidades mais subestimadas e mais poderosas do COBOL clássico: File Sorting 💾🏛️.

Antes de bancos distribuídos, Spark, Data Lakes e buzzwords da moda…

👉 O mundo corporativo rodava — e ainda roda — sobre arquivos ordenados.

E no z/OS, isso é uma arte.


🧠 Por que SORT é tão importante?

Porque quase todo processamento batch depende disso:

🏦 Extratos bancários
💰 Fechamento contábil
📊 Consolidação de dados
📦 ETL legado
🧾 Billing
📡 Integração entre sistemas

Sem ordenação, você não consegue:

✔ Agrupar dados
✔ Detectar duplicidades
✔ Fazer merges eficientes
✔ Produzir relatórios sequenciais
✔ Atualizar arquivos mestre

Sorting é a base do processamento sequencial.


🏛️ O Modelo Sagrado dos 3 Arquivos

Todo Padawan deve decorar isto:

Input file → Sort work file → Output file
PapelDescriptor COBOLFunção
📥 EntradaFDDados brutos
🛠️ TrabalhoSDÁrea interna do sort
📤 SaídaFDDados ordenados

👉 O work file usa SD — Sort Description, não FD.

💡 Easter egg histórico: SD existe desde os primórdios do COBOL, muito antes do COBOL-85.


⚙️ Exemplo mínimo — SORT básico

🧱 Definições

FD Unsorted-Sales-File.
01 Unsorted-Sales-Record PIC X(100).

FD Sorted-Sales-File.
01 Sorted-Sales-Record PIC X(100).

SD Sort-Work-File.
01 Sort-Work-Record.
02 SalesClerk-ID PIC 9(6).
02 Filler PIC X(94).

🚀 O comando SORT

SORT Sort-Work-File
ON ASCENDING KEY SalesClerk-ID
USING Unsorted-Sales-File
GIVING Sorted-Sales-File.

Simples. Poderoso. Antigo. E ainda imbatível.


🔥 USING e GIVING — a força do fluxo

CláusulaSignificado
USINGArquivo de entrada
GIVINGArquivo de saída

👉 O SORT abre e fecha esses arquivos automaticamente.

💡 Curiosidade: você pode usar múltiplos arquivos em USING ou GIVING.


🧩 O verdadeiro poder: Sort Procedures

Quando você evolui de Padawan para Jedi Batch, descobre isto:

👉 Você pode controlar o sort antes e depois.


📥 INPUT PROCEDURE — o produtor

Fluxo:

Input file → Input Procedure → Sort

Serve para:

✔ Filtrar registros
✔ Combinar múltiplos arquivos
✔ Converter layouts
✔ Gerar dados dinamicamente

🔑 Comando obrigatório: RELEASE

MOVE Input-Record TO Sort-Work-Record
RELEASE Sort-Work-Record

Sem RELEASE → o sort não recebe nada.


📤 OUTPUT PROCEDURE — o consumidor

Fluxo:

Sort → Output Procedure → Output file

Serve para:

✔ Formatar saída
✔ Criar múltiplos arquivos
✔ Calcular totais
✔ Produzir relatórios

🔑 Comando obrigatório: RETURN

RETURN Sort-Work-File
AT END MOVE 'Y' TO EOF
NOT AT END
MOVE Sort-Work-Record TO Output-Record
WRITE Output-Record
END-RETURN

⚡ Regra Jedi: RELEASE vs RETURN

AçãoComando
Enviar ao sortRELEASE
Receber do sortRETURN

Se inverter isso… o Batch vai punir você.


🧪 Exemplo completo com procedures

SORT Sort-Work-File
ON ASCENDING KEY Customer-ID
INPUT PROCEDURE IS Load-Records
OUTPUT PROCEDURE IS Write-Records

🧠 Insight profundo: o SD é o “formato interno”

O sort não usa diretamente os layouts dos arquivos.

Fluxo real:

Input record(s)
↓ (movidos/construídos)
Sort-Work-Record (SD)
↓
Ordenação pelas chaves do SD
↓
Output record(s)

👉 Por isso as chaves devem existir no SD.


💎 Curiosidades que impressionam em entrevistas

✔ SORT COBOL usa o utilitário do sistema (DFSORT/SYNCSORT)
✔ Pode lidar com volumes absurdos de dados
✔ Muitas vezes supera soluções modernas em throughput sequencial
✔ É determinístico e confiável
✔ Existe há mais de 60 anos

💡 Easter egg: DFSORT já fazia “Big Data” quando esse termo nem existia.


🏆 Quando usar SORT COBOL vs DFSORT JCL?

SituaçãoMelhor opção
Sort simples e reutilizávelDFSORT no JCL
Lógica complexa no programaSORT COBOL
Transformações avançadasProcedures
Performance máxima puraDFSORT externo

Na vida real de produção:

👉 A maioria dos sorts massivos é feita fora do COBOL.


🧘 Conselhos do Mestre Bellacosa para Padawans

☕ “Aprenda SORT cedo. Você vai usá-lo mais do que imagina.”

✔ Domine SD vs FD
✔ Entenda USING/GIVING
✔ Memorize RELEASE/RETURN
✔ Saiba quando usar procedures
✔ Pense em fluxo sequencial


🛰️ Conclusão — O poder invisível

Sorting não aparece em demos bonitas.

Não vira post viral.

Não tem hype.

Mas sem ele…

👉 O batch não roda
👉 O fechamento não fecha
👉 O banco não fecha o dia
👉 O sistema não entrega resultados

SORT é infraestrutura silenciosa.

E quem domina isso domina o processamento de dados no mainframe.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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