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quarta-feira, 1 de julho de 2026

O Ecossistema Moderno da Inteligência Artificial

 

Bellacosa Mainframe e o ecosistema moderno da inteligencia artificial

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Ecossistema Moderno da Inteligência Artificial

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre LLMs, Agentes, RAG, MCP e a Nova Arquitetura da Engenharia de Software

"Você não está apenas aprendendo Inteligência Artificial. Está descobrindo como a próxima geração de sistemas corporativos será construída sobre os mesmos princípios que fizeram o Mainframe dominar o mundo por mais de seis décadas."


Quando um programador COBOL observa um diagrama como o do moderno ecossistema de IA, a primeira impressão costuma ser de espanto.

São dezenas de logotipos.

Centenas de tecnologias.

Novos nomes surgindo toda semana.

LangGraph.

CrewAI.

MCP.

RAG.

Embeddings.

Vector Databases.

Semantic Kernel.

OpenAI Agents.

n8n.

Qdrant.

Chroma.

Parece que a indústria enlouqueceu.

Mas existe uma boa notícia.

Ela não enlouqueceu.

Ela apenas reinventou, com novos nomes, diversos conceitos que um profissional de Mainframe já conhece há décadas.

É justamente por isso que muitos engenheiros IBM Z estão conseguindo compreender Inteligência Artificial muito mais rapidamente do que imaginam.

Eles já aprenderam, durante anos, a construir sistemas distribuídos, modulares, seguros, escaláveis e altamente confiáveis.

A diferença é que agora o "programa" também sabe conversar.


A Grande Ilusão

Existe um erro que praticamente todo iniciante comete.

Ele acredita que ChatGPT é Inteligência Artificial.

Não é.

ChatGPT é apenas uma interface.

Da mesma forma que um terminal 3270 não é o Mainframe.

O terminal apenas conversa com o Mainframe.

Da mesma maneira, GPT, Claude e Gemini são apenas modelos de linguagem.

Eles representam apenas uma pequena camada de uma arquitetura muito maior.

Hoje, quando uma empresa desenvolve um sistema baseado em IA, ela não utiliza apenas um modelo.

Ela utiliza um verdadeiro ecossistema.

E compreender esse ecossistema é o primeiro passo para deixar de ser apenas um usuário de IA e tornar-se um engenheiro de soluções inteligentes.


Pense Como um Arquiteto de Mainframe

Imagine um grande banco.

Existe apenas o COBOL?

Claro que não.

Há:

  • z/OS

  • JES2

  • RACF

  • CICS

  • IMS

  • DB2

  • MQ

  • VSAM

  • JCL

  • TSO

  • SDSF

  • WLM

  • RMF

O COBOL é apenas uma peça.

Da mesma forma, o GPT é apenas uma peça.

A IA moderna possui dezenas de componentes especializados.

Cada um resolve um problema específico.


O LLM é Apenas o Cérebro

Todo ser humano possui cérebro.

Mas ninguém vive apenas com ele.

Também precisamos de memória.

Olhos.

Ouvidos.

Ferramentas.

Experiência.

Conhecimento.

O LLM é exatamente isso.

É o cérebro.

Ele sabe raciocinar.

Escrever.

Explicar.

Traduzir.

Criar código.

Mas ele não conhece sua empresa.

Ele nunca viu seu programa COBOL.

Nunca acessou seu catálogo DB2.

Nunca leu seu manual interno.

E nem poderia.

Seu treinamento terminou muito antes do seu sistema existir.

Então surge uma pergunta interessante.

Como fazer um modelo responder corretamente sobre algo que nunca viu?

É aí que começa a verdadeira engenharia da IA.


RAG: A Biblioteca Inteligente

Imagine que você entrou em uma biblioteca gigantesca.

Você pergunta:

— Onde está o manual do programa FINC023?

O bibliotecário não sabe a resposta.

Mas ele sabe exatamente em qual estante procurar.

Depois entrega o livro para você.

É exatamente isso que um sistema RAG faz.

Retrieval Augmented Generation significa que o modelo recebe ajuda antes de responder.

Primeiro ele pesquisa.

Depois encontra os documentos.

Só então responde.

Perceba como isso lembra o trabalho de um programador COBOL.

Você raramente responde de memória.

Antes consulta:

  • Copybooks

  • PROCs

  • Catálogos

  • Manuais

  • Diagramas

  • Modelagem

  • Documentação funcional

Você faz Retrieval.

Depois gera sua resposta.

Ou seja...

Você já fazia RAG muito antes desse nome existir.


Embeddings: Quando Palavras Viram Matemática

Talvez este seja o conceito que mais assusta iniciantes.

Mas, curiosamente, ele também possui uma analogia muito simples.

Imagine um cadastro de clientes.

Para o banco, "José da Silva" não é apenas texto.

Ele possui:

CPF.

Código.

Conta.

Agência.

Segmento.

Classificação.

Esses atributos permitem localizar clientes rapidamente.

Os Embeddings fazem algo semelhante.

Eles transformam palavras em coordenadas matemáticas.

Em vez de armazenar apenas "cliente", armazenam centenas ou milhares de números que representam o significado daquela palavra.

É como se cada conceito ocupasse uma posição em um enorme universo tridimensional.

Assim:

"COBOL"

fica muito próximo de

"Mainframe"

"DB2"

"CICS"

"JCL"

Enquanto

"Banana"

fica extremamente distante.

Essa organização matemática permite pesquisas incrivelmente inteligentes.


Bancos Vetoriais: O Novo VSAM da IA

Depois que criamos milhões de embeddings...

Onde armazená-los?

Surge então uma nova categoria de bancos.

Os Vector Databases.

Pinecone.

Qdrant.

Milvus.

Weaviate.

Chroma.

Elasticsearch.

Redis.

pgvector.

Todos foram criados para responder uma pergunta muito específica.

"Qual informação é semanticamente parecida com esta pergunta?"

Observe como isso lembra o VSAM.

No VSAM usamos índices.

Chaves.

KSDS.

AIX.

Aqui utilizamos vetores.

A ideia é diferente.

Mas o objetivo continua o mesmo.

Encontrar dados rapidamente.


Agentic AI: Quando o Programa Aprende a Trabalhar

Durante décadas escrevemos programas assim:

Entrada.

Processamento.

Saída.

Fim.

Agora imagine um programa que decide sozinho qual será o próximo passo.

Ele analisa o problema.

Divide em tarefas.

Consulta documentos.

Executa SQL.

Gera relatório.

Verifica erros.

Corrige.

Repete.

Entrega o resultado.

Isso é um Agent.

Ele deixa de ser apenas um chatbot.

Passa a ser um trabalhador digital.

Pense em uma equipe.

Existe um analista.

Um desenvolvedor.

Um DBA.

Um arquiteto.

Um tester.

Um gerente.

Agora imagine que todos eles são agentes especializados conversando entre si.

É exatamente isso que frameworks como CrewAI, LangGraph e AutoGen permitem construir.


LangGraph: O CICS da Inteligência Artificial?

Essa comparação costuma provocar sorrisos.

Mas faz bastante sentido.

No CICS, cada transação chama outras rotinas.

Cada programa possui um fluxo.

Existem estados.

Eventos.

Retornos.

No LangGraph ocorre algo parecido.

Criamos grafos de execução.

Cada nó representa uma etapa.

Cada decisão direciona o fluxo.

É uma forma elegante de construir aplicações inteligentes extremamente complexas.


MCP: O USB-C da Inteligência Artificial

Imagine os anos 90.

Cada impressora utilizava um cabo diferente.

Cada mouse possuía um conector.

Cada teclado era incompatível.

Hoje praticamente tudo utiliza USB.

O MCP representa exatamente essa evolução.

Model Context Protocol.

Ele cria uma linguagem comum entre modelos e ferramentas.

Em vez de construir um conector para GPT.

Outro para Claude.

Outro para Gemini.

Criamos apenas um servidor MCP.

Todos os modelos conversam com ele.

É como um middleware corporativo.

Para quem conhece MQ, a ideia soa bastante familiar.


Segurança Continua Sendo Fundamental

Existe um mito de que IA responde qualquer coisa.

Em produção isso seria um desastre.

Imagine perguntar:

"Mostre todos os salários da empresa."

Ou:

"Liste os CPFs dos clientes."

Ou ainda:

"Ignore todas as regras de segurança."

Sem proteção, um agente poderia cometer erros gravíssimos.

Por isso surgiram plataformas como:

Guardrails.

Lakera.

Presidio.

Azure Content Safety.

AWS Guardrails.

Elas fazem para IA aquilo que RACF faz para o Mainframe.

Controlam acesso.

Protegem informações.

Validam permissões.

Filtram conteúdos.

A tecnologia muda.

O princípio continua exatamente igual.


Observabilidade: O RMF da Nova Geração

Depois que um sistema entra em produção surgem perguntas inevitáveis.

Quanto tempo levou?

Quanto custou?

Qual prompt gerou essa resposta?

Quantos tokens foram utilizados?

Qual documento foi consultado?

Qual modelo respondeu?

Qual etapa falhou?

Ferramentas como LangSmith, Langfuse, Ragas e Arize Phoenix fazem exatamente isso.

Monitoram todo o comportamento do agente.

Se você já utilizou RMF, SMF, OMEGAMON ou SDSF, entenderá rapidamente essa filosofia.

Não basta executar.

É preciso medir.


Memória: Muito Além da Conversa

Outro conceito extremamente interessante é Memory.

Uma conversa comum termina quando fechamos a janela.

Um agente moderno não.

Ele pode lembrar.

Pode aprender.

Pode manter histórico.

Pode armazenar preferências.

Imagine um assistente para Mainframe.

Na primeira semana você informa:

"Trabalho com COBOL, DB2 e CICS."

Seis meses depois pergunta:

"Como otimizar meus programas?"

Ele já sabe qual ambiente você utiliza.

Não precisa perguntar novamente.

Essa continuidade transforma completamente a experiência.


Automação: Quando Tudo Começa a Conversar

Talvez a camada mais fascinante seja Automação.

Ferramentas como:

n8n.

Zapier.

Make.

Power Automate.

Apache Airflow.

Temporal.

Kestra.

Permitem construir verdadeiras linhas de produção digitais.

Imagine o seguinte fluxo.

Um desenvolvedor faz commit.

O GitHub dispara um evento.

O agente revisa o código COBOL.

Consulta padrões internos.

Executa testes.

Gera documentação.

Atualiza o Jira.

Envia mensagem ao Teams.

Tudo automaticamente.

Sem intervenção humana.


O Programador COBOL Está em Vantagem

Existe uma crença de que profissionais Mainframe ficaram ultrapassados.

Na prática, acontece exatamente o contrário.

Quem trabalhou décadas construindo sistemas críticos desenvolveu competências extremamente valiosas.

Modelagem.

Governança.

Segurança.

Transações.

Escalabilidade.

Confiabilidade.

Integração.

Esses mesmos conceitos estão voltando com força total na IA.

A diferença é que agora os componentes possuem novos nomes.

Em vez de RACF temos Guardrails.

Em vez de MQ temos MCP.

Em vez de índices VSAM temos Vector Databases.

Em vez de documentação estática temos RAG.

Em vez de batchs inteligentes temos Agentes.

Mas os princípios continuam incrivelmente familiares.


O Futuro Não Será Escrito Apenas em Python

Existe outro mito bastante difundido.

"O futuro pertence apenas ao Python."

Não.

O futuro pertence às arquiteturas.

Empresas não substituem décadas de regras de negócio.

Elas integram.

Conectam.

Modernizam.

Um agente inteligente poderá consultar programas COBOL.

Executar SQL em DB2.

Chamar APIs REST.

Conversar com Java.

Interagir com microsserviços.

Consumir filas MQ.

Tudo dentro da mesma solução.

O COBOL não desaparecerá.

Ele se tornará mais acessível.

Mais documentado.

Mais pesquisável.

Mais integrado.

Mais inteligente.


O Próximo Passo da Jornada

Durante muitos anos, aprender informática significava decorar comandos.

Depois passamos a aprender linguagens.

Mais tarde vieram frameworks.

Agora estamos entrando em uma nova era.

A era das arquiteturas cognitivas.

O profissional mais valorizado não será aquele que conhece apenas um modelo de IA.

Será aquele que entende como conectar modelos, dados, memória, segurança, observabilidade, automação e regras de negócio para resolver problemas reais.

É exatamente isso que a imagem do ecossistema moderno representa.

Ela não mostra apenas ferramentas.

Mostra uma mudança profunda na forma como desenvolvemos software.

Para o Programador COBOL Padawan, essa não é uma ruptura com tudo o que aprendeu.

É uma continuação da mesma jornada.

Você já conhece modularização.

Já conhece transações.

Já conhece processamento em larga escala.

Já conhece governança.

Agora chegou a hora de acrescentar um novo capítulo à sua carreira.

Aprender LLMs, RAG, Agentes, MCP e Bancos Vetoriais não significa abandonar o Mainframe.

Significa construir uma ponte entre sessenta anos de engenharia de software e a próxima geração de sistemas inteligentes.

E talvez essa seja a maior lição desta nova revolução tecnológica.

A Inteligência Artificial não substitui a boa engenharia. Ela amplia o alcance daqueles que já aprenderam a construir sistemas robustos, confiáveis e duradouros.

No fim das contas, um verdadeiro COBOL Padawan percebe que as tecnologias mudam, os nomes evoluem e os logotipos se multiplicam. Mas os fundamentos permanecem: compreender o problema, modelar a solução, proteger os dados, garantir a confiabilidade e entregar valor ao negócio. Foi assim no Mainframe. É assim na Inteligência Artificial. E continuará sendo assim nas próximas décadas.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Hybrid Search no Db2: Quando SQL Encontra Inteligência Artificial (e o Banco de Dados Aprende a Entender Pessoas)

 

Bellacosa Mainframe e o hybrid search no db2

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Hybrid Search no Db2: Quando SQL Encontra Inteligência Artificial (e o Banco de Dados Aprende a Entender Pessoas)

Como o Db2 12.1.5 transformou o banco relacional em uma plataforma de IA para busca semântica, RAG e aplicações inteligentes.

"Durante décadas perguntávamos ao banco de dados 'onde está este registro?'. Agora começamos a perguntar 'o que você sabe sobre este assunto?'. Essa pequena mudança muda absolutamente tudo."


Introdução

Se você programa em COBOL, trabalha com Db2, escreve SQL diariamente ou administra ambientes IBM, talvez tenha ouvido alguém dizer recentemente:

"O Db2 agora suporta Hybrid Search."

E a primeira reação costuma ser:

"Legal... mas o que exatamente isso significa?"

Se você pensou isso, prepare seu café.

Porque essa novidade representa uma das maiores mudanças conceituais do Db2 desde a chegada do suporte nativo a JSON, XML e às tecnologias modernas de integração.

Não estamos falando de mais um índice.

Nem de um novo tipo de tabela.

Estamos falando de ensinar um banco de dados a procurar significados, e não apenas palavras.


Uma pequena viagem no tempo

Durante praticamente cinquenta anos, bancos de dados responderam perguntas muito simples.

Você perguntava:

SELECT *
FROM CLIENTES
WHERE CPF='12345678900';

O banco respondia imediatamente.

Perfeito.

Depois surgiram buscas textuais.

Por exemplo:

SQLCODE -904

ou

CICS RESP 16

O banco localizava exatamente aquelas palavras.

Ainda perfeito.

Mas então chegou a IA.

E os usuários começaram a perguntar coisas como:

"Por que meu batch fica preso durante a madrugada?"

Ou:

"Existe algum programa parecido com este COBOL?"

Ou ainda:

"Onde existe documentação sobre autenticação?"

Nenhuma dessas perguntas possui uma resposta baseada apenas em igualdade de caracteres.

É aí que nasce a busca vetorial.


O problema da busca tradicional

Imagine uma documentação contendo:

Resource unavailable

Deadlock

Timeout

IRLM contention

Agora imagine que alguém pesquisa:

Meu programa trava esperando recursos.

Nenhuma palavra coincide.

Resultado?

0 documentos encontrados

Mas qualquer analista experiente sabe que provavelmente o problema é exatamente um deadlock ou contenção.

O computador não sabia.

A IA sabe.


Keyword Search

Na figura apresentada pelo autor vemos dois blocos.

O primeiro é:

Keyword Search

Essa é a busca clássica.

Ela utiliza motores especializados como:

  • OpenSearch

  • Elasticsearch

Esses motores trabalham com índices invertidos.

Em vez de procurar documento por documento, eles mantêm enormes catálogos de palavras.

Por exemplo:

SQLCODE

↓

Documento 14

Documento 39

Documento 122

ou

COBOL

↓

Documento 2

Documento 98

Documento 430

É extremamente rápido.

E extremamente preciso.


Onde ela é excelente?

Quando você procura:

  • CPF

  • CNPJ

  • Número de pedido

  • Código do produto

  • SQLCODE

  • Nome de programa

  • VSAM KSDS

  • DSNUTILB

  • IKJEFT01

Ela é praticamente imbatível.


Mas existe um limite...

Ela não entende contexto.

Para ela,

erro de conexão

é completamente diferente de

falha de comunicação

Mesmo que um ser humano saiba que são praticamente a mesma coisa.


A revolução dos Embeddings

Agora chegamos ao conceito mais importante.

Quando falamos em IA Generativa existe uma palavra que aparece o tempo inteiro:

Embedding.


Imagine duas frases.

Cliente perdeu acesso.

e

Usuário não consegue entrar.

São palavras diferentes.

Mas possuem praticamente o mesmo significado.

Como um computador entende isso?

Transformando texto em matemática.

Cada documento vira um enorme vetor.

Algo parecido com:

[0.27,
0.81,
-0.19,
...
768 números]

Ou até

1536 dimensões

dependendo do modelo utilizado.

Esses números representam o significado do texto.


Curiosidade

Quando falamos "vetor", muita gente imagina apenas três dimensões.

Como:

X

Y

Z

Na IA isso não existe.

Os vetores normalmente possuem:

  • 384 dimensões

  • 768 dimensões

  • 1024 dimensões

  • 1536 dimensões

  • 3072 dimensões

Cada dimensão captura alguma característica semântica aprendida pelo modelo.

Nenhum ser humano consegue visualizar isso.

Mas algoritmos conseguem calcular a distância entre dois vetores em microssegundos.


Db2 12.1.2: o primeiro passo

A IBM deu um passo importante com o Db2 12.1.2, quando introduziu armazenamento nativo de vetores (Vector Data Type) e busca por similaridade.

Isso permitiu guardar embeddings diretamente nas tabelas do Db2 e realizar consultas de vizinhos mais próximos (Nearest Neighbor Search), sem depender obrigatoriamente de um banco vetorial dedicado.

Na prática, o Db2 passou a ser capaz de responder perguntas como:

"Quais documentos possuem significado semelhante a este?"

Era metade do caminho para aplicações de IA.


Db2 12.1.5: nasce o Hybrid Search

A verdadeira virada acontece com o Db2 12.1.5, disponibilizado pela IBM em 2025, quando foi anunciada a integração entre o mecanismo vetorial do Db2 e motores de busca como OpenSearch e Elasticsearch.

Agora temos duas pesquisas acontecendo simultaneamente:

Keyword Search
Vector Search

E ambas convergem para um único ranking.

Esse conceito recebe o nome de:

Hybrid Search.


Unified Ranking

Talvez este seja o recurso mais inteligente de toda a arquitetura.

Imagine uma pergunta:

Como resolver SQLCODE -904?

A busca por palavras encontra:

SQLCODE -904

Já a busca vetorial localiza documentos que mencionam:

  • Resource unavailable

  • Tablespace offline

  • Dataset indisponível

  • Problemas de I/O

  • Lock de recurso

Mesmo sem citar literalmente o código.

Agora imagine que os resultados sejam combinados.

Em vez de duas listas diferentes, temos apenas uma:

1 Documento A

2 Documento B

3 Documento C

4 Documento D

Todos classificados pela relevância.

É isso que o Unified Ranking faz.


Como essa arquitetura funciona?

                 Pergunta

                     │

                     ▼

      "Como resolver timeout?"

                     │

      ┌──────────────┴──────────────┐

      ▼                             ▼

Keyword Search               Vector Search

(OpenSearch)                 (Db2 Native)

      ▼                             ▼

         Unified Ranking

                 ▼

      Documentos Relevantes

                 ▼

         Large Language Model

                 ▼

          Resposta Final

Perceba algo interessante.

O LLM não pesquisa diretamente.

Quem faz a pesquisa continua sendo o banco.

A IA apenas utiliza os documentos encontrados.

Esse é exatamente o princípio do RAG (Retrieval-Augmented Generation).


E onde entra o SQL?

A primeira coisa que muitos desenvolvedores COBOL perguntam é:

"Vou parar de usar SQL?"

A resposta é:

Não.

Na verdade, você usará ainda mais SQL.

O que muda é que agora existirão novas funções relacionadas a vetores, similaridade e integração com índices textuais.

O SQL continua sendo o coração da solução.


Exemplo prático para quem trabalha com COBOL

Imagine um repositório com:

  • 18.000 programas COBOL

  • 12.000 Copybooks

  • 4.000 Jobs JCL

  • 8.000 documentos técnicos

  • 30 anos de documentação

Um programador novo pergunta:

"Existe alguma rotina semelhante ao cálculo de juros compostos?"

Nenhum programa chama exatamente:

JUROS_COMPOSTOS

Mas diversos possuem comentários como:

Interest calculation

Financial accrual

Capitalization

A busca vetorial encontra todos eles.

A busca lexical encontra aqueles que realmente possuem a palavra "juros".

O Hybrid Search combina tudo.


Outro exemplo

Imagine pesquisar:

Problemas de autenticação RACF

Keyword encontra:

RACF

Vector encontra:

Security

Authorization

Login

Access denied

SAF

ACEE

Muito mais inteligente.


Por que OpenSearch?

Muita gente pergunta:

"Se o Db2 já possui vetor, por que usar OpenSearch?"

Porque são especialidades diferentes.

O OpenSearch continua sendo excelente para:

  • Full Text Search

  • BM25

  • Índices invertidos

  • Autocomplete

  • Facetas

  • Ranking lexical

Enquanto o Db2 faz muito bem:

  • SQL

  • Dados relacionais

  • Vetores

  • Similaridade

Cada um faz aquilo em que é especialista.


Curiosidade

O OpenSearch nasceu quando a Amazon criou um fork aberto do Elasticsearch após mudanças no licenciamento da Elastic.

Hoje ambos continuam extremamente populares.

O Db2 consegue integrar com os dois.


Easter Egg nº 1

Se você já assistiu Star Wars, pense assim.

Keyword Search é como procurar um Jedi pelo nome.

Luke Skywalker

Vector Search é usar a Força.

Você sente que alguém está ali mesmo sem saber exatamente quem é.

Hybrid Search?

É usar os dois ao mesmo tempo.


Easter Egg nº 2

Quem cresceu usando Google provavelmente nunca percebeu.

Quando você pesquisa:

carro vermelho

O Google não procura apenas essas duas palavras.

Ele tenta entender intenção.

Hybrid Search leva essa mesma filosofia para dentro do banco de dados corporativo.


Easter Egg nº 3

O famoso comando do TSO:

FIND

procura caracteres.

O Hybrid Search procura conhecimento.

É uma evolução conceitual parecida com sair de um índice telefônico para um assistente inteligente.


Onde veremos isso nos próximos anos?

Praticamente em todos os sistemas corporativos.

Imagine:

✔ Assistente para COBOL.

✔ Pesquisa inteligente em JCL.

✔ Busca em documentação CICS.

✔ Pesquisa em milhares de Stored Procedures.

✔ Localização automática de código semelhante.

✔ Descoberta de APIs relacionadas.

✔ Pesquisa em incidentes históricos.

✔ Chatbots internos.

✔ Copilotos para desenvolvedores.


O impacto para quem trabalha com Mainframe

Durante muito tempo existiu o mito de que IA e Mainframe eram mundos separados.

Hoje isso não faz mais sentido.

O Mainframe continua sendo responsável pelas informações mais críticas das empresas.

A IA precisa exatamente dessas informações.

E o Db2 está se tornando uma ponte entre esses dois universos.

Em vez de exportar tudo para outra plataforma, é possível realizar boa parte da recuperação inteligente diretamente onde os dados já estão, mantendo segurança, governança e consistência.


Dicas para o programador júnior

  • Continue estudando SQL. Ele continua sendo indispensável.

  • Aprenda conceitos de IA, mas não abandone fundamentos de banco de dados.

  • Entenda o que são embeddings, similaridade e RAG.

  • Familiarize-se com OpenSearch e Elasticsearch.

  • Estude como modelos de linguagem utilizam bases corporativas.

  • Explore as novidades do Db2 12.1.x e acompanhe os anúncios da IBM sobre recursos de IA.


Conclusão

Durante décadas, a missão do Db2 foi responder perguntas objetivas sobre dados estruturados. Com a chegada do suporte a vetores no Db2 12.1.2 e da integração com OpenSearch e Elasticsearch no Db2 12.1.5, o banco passa a participar de uma nova geração de aplicações capazes de compreender contexto e significado.

Essa evolução não substitui SQL nem elimina a importância dos índices tradicionais. Pelo contrário: combina o melhor dos dois mundos. A busca lexical continua sendo excelente para códigos, identificadores e termos exatos, enquanto a busca vetorial amplia a capacidade de encontrar conceitos relacionados, mesmo quando as palavras utilizadas pelo usuário são diferentes daquelas presentes nos documentos.

Para quem desenvolve em COBOL, administra ambientes IBM ou trabalha com arquitetura de sistemas, entender Hybrid Search significa compreender como serão construídos os copilotos, os assistentes técnicos e as soluções RAG que deverão fazer parte do ecossistema corporativo nos próximos anos.

A tecnologia muda. Os princípios permanecem. E talvez a maior lição seja esta: o Db2 continua sendo um banco de dados extraordinário, mas agora ele também começa a compreender o significado das perguntas que fazemos. Isso representa uma mudança de paradigma tão importante quanto a adoção do SQL décadas atrás e coloca o ecossistema IBM em uma posição estratégica para a era da Inteligência Artificial.


segunda-feira, 16 de março de 2026

Transformers: O Que Todo Programador COBOL Precisa Saber Sobre a Arquitetura que Está Revolucionando a Inteligência Artificial

 

Bellacosa Mainframe e os segredos dos transformers 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Transformers: O Que Todo Programador COBOL Precisa Saber Sobre a Arquitetura que Está Revolucionando a Inteligência Artificial

Você Não Está Diante de Mágica. Está Diante de Engenharia de Software em Escala Nunca Vista.

"Toda geração de programadores encontra uma tecnologia que parece mágica. Para quem programava em Assembly, COBOL parecia mágico. Para quem vivia de cartões perfurados, o CICS parecia magia. Hoje, muitos olham para o ChatGPT da mesma forma. Mas, como todo bom sistema, basta abrir a tampa para descobrir que existe muita engenharia por baixo."


Existe uma pergunta que recebo frequentemente quando converso com profissionais de Mainframe:

"Como exatamente um ChatGPT funciona?"

A maioria das respostas que encontramos na Internet são superficiais.

Dizem apenas:

"Ele usa Transformers."

Excelente.

Mas isso é como responder que um IBM Z funciona porque possui processadores.

Não explica absolutamente nada.

Neste artigo vamos desmontar um Transformer da mesma forma que um Programador COBOL gosta de aprender: entendendo cada etapa do processamento.

Você perceberá que muitos conceitos não são tão diferentes do que já conhece há décadas.

A diferença está na escala.

Muito mais do que na ideia.

Pegue seu café.

Hoje vamos abrir o capô do motor.


O maior equívoco sobre IA

Existe uma crença bastante difundida.

Que o ChatGPT "pensa".

Não.

Ele calcula.

Isso muda completamente a forma de enxergar um LLM (Large Language Model).

O Transformer é, essencialmente, uma gigantesca máquina de estatística, álgebra linear e otimização.

Seu trabalho consiste em responder apenas uma pergunta:

"Qual é o próximo token mais provável?"

Nada além disso.

E, surpreendentemente, essa pergunta simples produz resultados extraordinários.


Imagine um Batch COBOL

Vamos fazer uma analogia.

Considere um programa COBOL clássico.

INPUT

↓

Validação

↓

Conversão

↓

Regras de negócio

↓

Atualização do banco

↓

Relatórios

O Transformer segue exatamente essa filosofia.

O texto entra.

Passa por diversas etapas.

Cada etapa transforma um pouco a informação.

No final, surge uma resposta.


Etapa 1 — Tokenização

Nenhum computador entende palavras.

Computadores entendem números.

Quando digitamos

O gato dorme.

Nós enxergamos quatro palavras.

O modelo enxerga algo parecido com:

502

18472

913

25

Cada número representa um token.

Aqui aparece uma surpresa.

Token não significa palavra.

Pode representar:

  • uma palavra inteira;

  • metade de uma palavra;

  • um caractere;

  • pontuação;

  • espaços.

Por exemplo:

Mainframe

↓

Main

frame

Ou

Bellacosa

↓

Bella

cosa

Isso reduz enormemente o vocabulário.

Em vez de decorar milhões de palavras, o modelo aprende milhares de pequenas peças reutilizáveis.

É como reutilizar COPYBOOKs.


O Token é o novo Campo

Pense em um registro VSAM.

Você não grava um texto inteiro como um único bloco.

Você possui campos.

Cada campo possui significado.

O Transformer faz algo semelhante.

Cada token torna-se uma unidade independente de processamento.


Etapa 2 — Embeddings

Agora temos números.

Mas ainda não existe significado.

Entra o Embedding.

Imagine uma tabela gigantesca.

Algo como:

TOKEN

↓

VETOR

Só que esse vetor pode possuir milhares de posições.

Algo parecido com:

0.83

-1.24

3.91

0.18

...

2048 posições

Esse vetor representa características aprendidas durante o treinamento.

Curiosamente ninguém programa isso.

O próprio treinamento descobre essas relações.


O "Espaço" onde as palavras vivem

Imagine um mapa.

Nele existem milhões de pontos.

Palavras semelhantes ficam próximas.

Por exemplo:

COBOL

PL/I

Assembler

ficariam relativamente próximas.

Enquanto

Pizza

Astronomia

Dinossauro

estariam muito mais distantes.

Esse espaço vetorial é uma das maiores descobertas da IA moderna.


Etapa 3 — Positional Encoding

Existe um problema.

O Transformer não sabe ordem.

Para ele,

A B C

e

C B A

seriam quase iguais.

Mas ordem importa.

Então adicionamos informação de posição.

É como numerar linhas de um arquivo sequencial.

Cada token recebe:

Embedding

+

Posição

Agora ele sabe:

"Sou a quarta palavra."

Sem isso a linguagem desapareceria.


O Coração do Transformer

Chegamos ao conceito mais importante.

Self-Attention.

Se você entender isso, compreenderá por que os Transformers mudaram toda a Inteligência Artificial.


Self-Attention

Imagine a frase:

João entregou o livro para Maria porque ela precisava estudar.

Quem precisava estudar?

João?

Maria?

O modelo precisa descobrir.

É exatamente isso que a Self-Attention faz.

Cada palavra pergunta:

"Quais outras palavras desta frase são importantes para mim?"

Não existe regra fixa.

Cada frase produz um conjunto diferente de relações.


Parece um JOIN Inteligente

Quem trabalha com DB2 pode imaginar algo semelhante.

Cada token consulta os demais.

Mas não procura igualdade.

Procura relevância.

É como um JOIN baseado em significado.


Queries, Keys e Values

Aqui aparece um conceito inspirado em recuperação de informação.

Cada token gera três vetores.

Query

O que estou procurando?


Key

Quem sou eu?


Value

Qual informação entrego?

Imagine uma biblioteca.

Você chega procurando:

"Livros sobre COBOL."

Essa é sua Query.

Cada livro possui uma Key.

Quando uma Key combina com sua Query...

...o conteúdo daquele livro (Value) é utilizado.


Attention Scores

Agora entra matemática.

O Transformer mede a semelhança entre Query e Key.

Quanto maior a semelhança...

Maior a atenção.

Imagine algo assim:

COBOL

92%

DB2

84%

JCL

70%

Linux

12%

Sorvete

0%

O modelo naturalmente concentra esforço onde existe maior relevância.


Softmax

Esses valores ainda precisam virar probabilidades.

Entra o Softmax.

Ele transforma qualquer conjunto de números em probabilidades cuja soma é exatamente 100%.

Exemplo:

COBOL

61%

JCL

24%

Assembler

9%

Java

6%

Agora o modelo sabe exatamente quanto deve "prestar atenção" em cada token.


Multi-Head Attention

Agora imagine uma equipe inteira de analistas.

Um especialista observa gramática.

Outro observa tempo verbal.

Outro procura relações semânticas.

Outro identifica sujeito e objeto.

Todos trabalham simultaneamente.

Depois unem suas descobertas.

Isso é Multi-Head Attention.

Em vez de uma única visão da frase...

Existem dezenas delas.

Ao mesmo tempo.


Por que isso revolucionou a IA?

Antes dos Transformers existiam as RNNs.

Depois vieram as LSTMs.

Ambas liam texto sequencialmente.

Palavra por palavra.

Como um READ NEXT.

Os Transformers mudaram completamente essa abordagem.

Eles conseguem analisar toda a frase simultaneamente.

Isso permitiu enorme paralelismo.

GPUs adoram processamento paralelo.

Resultado?

Treinamentos centenas de vezes mais rápidos.


Feed-Forward Network

Depois da atenção, cada token entra em uma pequena rede neural.

Ela refina a informação.

É semelhante a uma rotina interna.

Imagine:

PERFORM PROCESSA-TOKEN

Para cada token.

Independentemente dos demais.

Essa etapa extrai padrões mais complexos e prepara os dados para a próxima camada.


Residual Connections

Programadores COBOL antigos conhecem uma boa prática.

Nunca destruir a informação original.

As Residual Connections seguem essa ideia.

Em vez de substituir completamente o resultado anterior...

O Transformer soma:

Entrada

+

Saída

Assim nenhuma informação importante se perde.

Esse pequeno detalhe permitiu construir redes com centenas de camadas.


Layer Normalization

Quem trabalha com processamento numérico conhece problemas de overflow.

Na IA existe algo semelhante.

Valores podem crescer demais.

Ou diminuir demais.

A Layer Normalization mantém tudo equilibrado.

Ela impede que o treinamento fique instável.

É um mecanismo silencioso.

Mas indispensável.


Context Window

Imagine ler um livro.

Se você esquecer tudo que aconteceu duas páginas atrás...

A história deixa de fazer sentido.

O Context Window representa exatamente essa memória temporária.

Modelos antigos:

2 mil tokens.

Depois:

8 mil.

32 mil.

128 mil.

Hoje encontramos modelos capazes de trabalhar com milhões de tokens.

Quanto maior o contexto...

Maior a capacidade de manter conversas longas.

Mas existe um preço.

O custo computacional cresce aproximadamente com o quadrado da quantidade de tokens.

É por isso que surgiram otimizações como FlashAttention e Sliding Window Attention.


Encoder

Alguns Transformers apenas leem.

Eles não escrevem.

Seu objetivo é compreender.

É o caso do BERT.

Imagine um auditor lendo um programa COBOL.

Ele não modifica nada.

Apenas entende.

Esse é o Encoder.


Decoder

Já o GPT pertence à família dos Decoders.

Seu trabalho consiste em gerar texto.

Token após token.

Ele escreve:

Hoje

↓

Hoje vamos

↓

Hoje vamos estudar

↓

Hoje vamos estudar COBOL

Cada palavra exige um novo processamento completo.


Masked Attention

Existe uma regra fundamental.

Durante o treinamento o modelo não pode olhar o futuro.

Imagine um exame.

O aluno não pode consultar o gabarito.

Da mesma forma, quando precisa prever a próxima palavra, o modelo só pode enxergar as anteriores.

Essa restrição torna o aprendizado muito mais realista.


Cross-Attention

Em tarefas como tradução automática, um Decoder consulta constantemente as informações produzidas pelo Encoder.

Imagine:

Entrada:

The Mainframe is reliable.

Encoder:

Compreende toda a frase.

Decoder:

Produz

O Mainframe é confiável.

Enquanto escreve, consulta continuamente o significado construído pelo Encoder.


O Grande Treinamento

Antes de responder qualquer pergunta, o modelo passou meses aprendendo.

São trilhões de tokens.

Livros.

Artigos.

Código-fonte.

Documentação técnica.

Sites.

Papers.

Repositórios.

A tarefa parece simples.

Prever o próximo token.

Mas essa simplicidade força o modelo a aprender:

  • gramática;

  • lógica;

  • sintaxe;

  • programação;

  • matemática;

  • estilo;

  • contexto;

  • relações de causa e efeito.

É um gigantesco treinamento estatístico.


Fine-Tuning

Depois disso, surgem especializações.

Imagine pegar um programador COBOL.

Depois treiná-lo apenas em seguros.

Ou apenas em bancos.

Ou apenas em telecomunicações.

É exatamente isso.

O conhecimento geral permanece.

Mas surge especialização.

Hoje existem modelos treinados especificamente para:

  • medicina;

  • direito;

  • engenharia;

  • segurança;

  • programação;

  • IBM Z;

  • documentação técnica.

Além disso, técnicas como Instruction Tuning e RLHF (Reinforcement Learning from Human Feedback) refinam o comportamento do modelo para seguir instruções, responder de forma útil e reduzir respostas inadequadas.


Next Token Prediction

Aqui está a maior surpresa.

O modelo não escreve um texto inteiro.

Ele apenas responde:

Qual é o próximo token?

Depois repete.

Depois repete.

Depois repete novamente.

Em velocidade impressionante.

Uma resposta de 800 palavras pode representar milhares de ciclos de previsão consecutivos.


Inference

É a fase em que você conversa com o modelo.

Você digita:

Explique VSAM.

Internamente acontecem bilhões de multiplicações matriciais.

Tudo isso para escolher...

Uma única palavra.

Depois outra.

Depois outra.

Até formar a resposta completa.


O que o infográfico não mostra

O excelente infográfico que inspirou este artigo apresenta o fluxo principal, mas um Transformer moderno ainda possui diversos componentes fundamentais que trabalham nos bastidores.

Entre eles estão:

  • Funções de ativação, como GELU e SiLU, que permitem à rede aprender relações complexas.

  • Backpropagation, responsável por ajustar bilhões de parâmetros durante o treinamento.

  • Otimizadores, como AdamW, que definem como os pesos serão atualizados.

  • Dropout, utilizado para evitar overfitting.

  • Temperature, Top-k e Top-p Sampling, que controlam criatividade e diversidade na geração de texto.

  • Mixture of Experts (MoE), onde apenas parte da rede é ativada para cada token, aumentando eficiência.

  • RAG (Retrieval-Augmented Generation), que permite consultar documentos externos durante a inferência.

  • Quantização, que reduz o tamanho dos modelos para execução em hardware mais modesto.

  • FlashAttention, uma otimização que diminui drasticamente o custo da atenção em contextos longos.

Esses elementos ajudam a explicar por que os modelos atuais conseguem ser ao mesmo tempo maiores, mais rápidos e mais eficientes do que os primeiros Transformers apresentados em 2017.


O que um Programador COBOL pode aprender com tudo isso?

Talvez a maior lição não seja técnica.

Seja filosófica.

Durante décadas, nós, desenvolvedores Mainframe, aprendemos que bons sistemas são construídos em camadas.

Entrada.

Validação.

Processamento.

Persistência.

Saída.

Os Transformers seguem exatamente essa filosofia.

A diferença é que, em vez de registros VSAM e tabelas DB2, trabalham com vetores em espaços de milhares de dimensões. Em vez de IFs escritos por programadores, utilizam bilhões de parâmetros ajustados durante o treinamento. Em vez de regras de negócio explícitas, aprendem padrões estatísticos a partir de volumes gigantescos de dados.

Ainda assim, os princípios continuam familiares: modularidade, processamento em etapas, reutilização de informação, otimização de desempenho e preocupação constante com escalabilidade.


Um Café Antes de Ir...

Quando ouvimos falar em Inteligência Artificial, é fácil imaginar algo misterioso ou quase mágico.

Mas, depois de abrir o capô de um Transformer, percebemos que não existe magia.

Existe engenharia.

Existe matemática.

Existe arquitetura.

Existe otimização.

E existe uma ideia brilhante: permitir que cada palavra "converse" com todas as outras para construir contexto antes de decidir qual será a próxima.

Talvez seja justamente por isso que tantos profissionais experientes em Mainframe conseguem compreender rapidamente essa tecnologia. Quem passou anos projetando sistemas robustos, escaláveis e confiáveis reconhece os mesmos princípios fundamentais, apenas aplicados em uma escala sem precedentes.

No fim das contas, um Transformer não substitui a engenharia de software. Ele é uma das maiores realizações da engenharia de software moderna.

E, para um Programador COBOL Padawan, entender essa arquitetura não significa abandonar décadas de experiência. Significa descobrir que muitos dos conceitos que sustentam a Inteligência Artificial já faziam parte do seu repertório — apenas ganharam novas formas, novos algoritmos e uma capacidade de processamento que transformou a maneira como interagimos com computadores.

Porque, como sempre dizemos aqui no Bellacosa Mainframe, tecnologias mudam. Bons princípios de engenharia permanecem.


terça-feira, 10 de março de 2026

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre as Métricas que Realmente Fazem um Sistema RAG Funcionar

 

Bellacosa Mainframe Metricas RAG e IA

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre as Métricas que Realmente Fazem um Sistema RAG Funcionar

Você Não Está Apenas Aprendendo Inteligência Artificial. Está Descobrindo Que Todo Grande Sistema Começa Muito Antes da Primeira Linha da Resposta.

"Um programador iniciante acredita que um sistema inteligente responde porque o modelo é poderoso. Um engenheiro experiente sabe que um sistema inteligente responde bem porque recebeu as informações corretas."

Nos últimos anos, a Inteligência Artificial Generativa transformou completamente a maneira como interagimos com computadores. ChatGPT, Claude, Gemini, Llama, Mistral e tantos outros modelos impressionam pela capacidade de escrever textos, criar código, explicar conceitos complexos e até ajudar na engenharia de software.

Naturalmente, muitas pessoas chegaram à seguinte conclusão:

"Quanto maior o modelo, melhores serão as respostas."

Embora exista um fundo de verdade nessa afirmação, ela está longe de explicar como funcionam os sistemas corporativos modernos.

Na prática, a maioria das empresas não está simplesmente conectando um LLM aos seus usuários. Elas estão construindo sistemas conhecidos como RAG (Retrieval-Augmented Generation), uma arquitetura que permite ao modelo consultar documentos internos antes de responder.

É exatamente nesse ponto que surge um dos maiores equívocos da atualidade.

A maioria dos problemas de um sistema RAG não está no modelo de IA.

Está na qualidade da recuperação das informações.

Para um Programador COBOL Padawan, essa ideia pode parecer estranha à primeira vista. Afinal, estamos acostumados a pensar que o programa faz o processamento e produz o resultado.

Mas pense no Batch.


O Batch Nunca Foi Mágico

Imagine um programa COBOL que calcula juros.

Seu algoritmo está absolutamente perfeito.

Entretanto, alguém carregou um arquivo VSAM corrompido.

Ou um JOB anterior terminou em ABEND.

Ou o catálogo aponta para um dataset errado.

O programa produzirá resultados corretos?

Claro que não.

O algoritmo continua excelente.

Os dados de entrada é que estão errados.

A Inteligência Artificial funciona exatamente da mesma maneira.

O LLM é o algoritmo.

O Retrieval representa os dados de entrada.

Se os documentos recuperados estiverem errados, incompletos ou desatualizados, a resposta também será.


O Que é um Sistema RAG?

Imagine que você faça a seguinte pergunta:

"Como configurar RACF PassTickets?"

O modelo poderia responder apenas com aquilo que aprendeu durante seu treinamento.

Mas um sistema RAG faz algo diferente.

Primeiro ele procura documentação relevante.

Depois envia essa documentação ao modelo.

Só então o modelo escreve a resposta.

O fluxo simplificado é parecido com isto:

Pergunta

↓

Transformação em Embeddings

↓

Busca Vetorial

↓

Ranking

↓

Reordenação (Reranking)

↓

Construção do Contexto

↓

Prompt

↓

LLM

↓

Resposta

Observe algo importante.

O modelo só entra quase no final.

Todo o restante acontece antes.

É exatamente como um programa COBOL que depende de dezenas de JOBs anteriores.


O LLM Não É Um Oráculo

Muitas pessoas imaginam que um modelo moderno "sabe tudo".

Na realidade, ele trabalha com probabilidades.

Ele observa padrões.

Relaciona conceitos.

Constrói frases coerentes.

Mas quando recebe documentação incorreta, ele faz o melhor possível com aquilo que recebeu.

Isso lembra muito um operador de produção.

Se o operador recebe um relatório incompleto, ele tomará decisões baseadas naquele relatório.

O problema não está no operador.

Está na informação disponível.


A Engenharia da Recuperação

Existe uma disciplina inteira dedicada a responder uma pergunta aparentemente simples:

"Estamos encontrando os documentos certos?"

Essa disciplina utiliza dezenas de métricas.

Vamos conhecer as mais importantes.


1. Hallucination Rate

Uma das métricas mais famosas.

Ela mede a frequência com que o modelo inventa informações.

Imagine perguntar:

Qual comando cria um VSAM KSDS?

Resposta correta:

DEFINE CLUSTER

Resposta incorreta:

CREATE VSAM

O modelo inventou.

Isso é uma alucinação.

Curiosamente, muitas alucinações acontecem porque nenhum documento correto foi encontrado.


2. Query Coverage

Nem toda pergunta possui apenas uma intenção.

Veja esta:

Como criar um KSDS com índice alternativo?

Existem dois assuntos.

• KSDS

• Alternate Index

Se apenas documentos sobre KSDS forem encontrados, metade da pergunta ficou sem resposta.

O sistema recuperou informação.

Mas não recuperou informação suficiente.


3. Recall@K

Esta talvez seja a métrica mais importante de Retrieval.

Imagine que existam dez documentos realmente úteis.

Seu mecanismo recuperou apenas seis.

O Recall é de 60%.

Agora imagine que outro mecanismo encontrou nove.

Recall de 90%.

Qual deles oferece maior chance de produzir uma boa resposta?

Obviamente o segundo.

Quanto mais documentos relevantes forem encontrados, maior será a qualidade do contexto enviado ao modelo.


4. Precision@K

Agora acontece o contrário.

O sistema recuperou dez documentos.

Mas apenas quatro são realmente úteis.

Os outros seis falam sobre assuntos diferentes.

O modelo agora precisa descobrir sozinho quais informações ignorar.

Isso desperdiça processamento e aumenta o risco de respostas equivocadas.


5. Top-1 Accuracy

Nem sempre basta recuperar bons documentos.

O melhor documento precisa aparecer primeiro.

Imagine procurar informações sobre CICS.

Primeiro resultado:

Manual de DB2.

Segundo:

Manual de JCL.

Terceiro:

Manual de CICS.

Tecnicamente o documento existe.

Mas ficou escondido.

Essa métrica mede exatamente isso.


6. Groundedness

Uma boa resposta deve estar apoiada nas evidências recuperadas.

Suponha que o contexto diga:

DFSORT suporta INCLUDE COND.

A resposta utiliza exatamente essa informação.

Excelente.

Agora imagine que a resposta também afirma:

DFSORT foi desenvolvido originalmente para...

Essa informação não apareceu em nenhum documento recuperado.

O modelo começou a extrapolar.

Quanto menor essa extrapolação, maior a Groundedness.


7. Faithfulness

Essa métrica costuma ser confundida com Hallucination.

Mas existe uma diferença importante.

Hallucination significa inventar.

Faithfulness significa preservar o significado original.

Imagine o documento:

Apenas administradores podem executar este comando.

A resposta produzida:

Todos os usuários podem executar este comando.

O modelo não inventou um comando novo.

Ele simplesmente alterou completamente o sentido do texto.

Esse é um problema gravíssimo em ambientes financeiros, jurídicos e médicos.


8. Chunk Diversity

Os documentos são divididos em pequenos pedaços chamados Chunks.

Agora imagine recuperar dez chunks.

Todos vieram do mesmo PDF.

Todos dizem praticamente a mesma coisa.

Isso reduz drasticamente a riqueza das informações.

Um bom sistema procura diferentes perspectivas.

Manuais.

Runbooks.

Documentação oficial.

Procedimentos internos.

Artigos técnicos.

Quanto maior essa diversidade, maior tende a ser a qualidade da resposta.


9. Chunk Redundancy

O oposto da diversidade.

Imagine gastar milhares de tokens enviando dez vezes a mesma informação.

Você ocupa espaço precioso da janela de contexto.

Sem acrescentar conhecimento novo.

É exatamente como imprimir dez cópias do mesmo relatório e colocar todas sobre a mesa do gerente.


10. Token Efficiency

Os modelos possuem limite de contexto.

Imagine uma janela de 100 mil tokens.

Você envia 90 mil.

Mas apenas 20 mil são realmente úteis.

Os outros 70 mil representam redundância.

Isso custa dinheiro.

Aumenta a latência.

E ainda reduz espaço para documentos realmente importantes.


11. Freshness

Conhecimento envelhece.

Muito rapidamente.

Imagine um sistema que consulta documentação do z/OS 2.3.

Enquanto sua empresa utiliza z/OS 3.2.

As respostas podem até estar corretas.

Mas já não refletem a realidade operacional.

Por isso grandes empresas monitoram constantemente a atualização dos documentos indexados.


12. Source Coverage

Outro erro comum.

Construir um RAG utilizando apenas PDFs.

Na prática, empresas possuem conhecimento espalhado por diversos lugares.

IBM Documentation.

Redbooks.

Confluence.

SharePoint.

GitHub.

Wiki interna.

Runbooks.

Tickets.

Procedimentos operacionais.

Quanto maior a cobertura dessas fontes, menor a chance de perder conhecimento importante.


13. Citation Accuracy

Imagine um sistema jurídico.

A resposta afirma:

Conforme a Lei X...

Mas a referência aponta para outra legislação.

O texto parece convincente.

Mas a citação está errada.

Em ambientes regulatórios isso pode gerar enormes problemas.


14. Evidence Sufficiency

Às vezes existe informação.

Mas ela não é suficiente.

Você pergunta:

Como instalar z/OS Connect?

O Retrieval encontra apenas a introdução do manual.

O modelo tentará preencher o restante utilizando seu conhecimento geral.

A resposta pode parecer excelente.

Mas a evidência disponível era insuficiente.


15. Retrieval Latency

Não basta encontrar documentos.

É preciso encontrá-los rapidamente.

Imagine um Chat Corporativo.

Cada busca demora cinco segundos.

Depois o modelo leva mais dez segundos para responder.

O usuário esperará quinze segundos.

Mesmo uma resposta perfeita passa a transmitir sensação de lentidão.

Performance também faz parte da experiência.


16. MRR (Mean Reciprocal Rank)

Essa métrica responde:

Em que posição apareceu o primeiro documento realmente útil?

Se ele apareceu logo na primeira posição.

Excelente.

Se apareceu apenas na décima.

O mecanismo de ranking precisa melhorar.


17. Hit Rate

Existe pelo menos um documento útil?

Sim?

Ótimo.

Não?

Todo o restante provavelmente falhará.

É uma métrica simples.

Mas extremamente valiosa para acompanhar a cobertura do índice.


18. Retrieval Failure Rate

Quantas consultas retornam praticamente lixo?

Imagine cem perguntas.

Trinta recuperam documentos irrelevantes.

O sistema possui uma taxa de falha de 30%.

Isso indica problemas sérios na indexação, na vetorização ou no mecanismo de busca.


19. Context Relevance Score

Nem todo documento relacionado é realmente útil.

Pergunta:

Como criar um Cluster VSAM?

Documento recuperado:

História da IBM.

Existe alguma relação?

Muito distante.

A relevância contextual mede exatamente esse alinhamento entre a intenção da pergunta e o conteúdo recuperado.


20. NDCG@K

Talvez a métrica mais sofisticada desta lista.

Ela não avalia apenas se os documentos corretos foram encontrados.

Ela verifica a ordem em que eles aparecem e atribui maior peso aos documentos mais relevantes posicionados no topo da lista.

Motores de busca, sistemas de recomendação e plataformas de streaming utilizam métricas semelhantes para organizar resultados.

No mundo do RAG, isso faz enorme diferença.


O Que Tudo Isso Tem a Ver com COBOL?

Mais do que parece.

Um sistema Batch depende de:

  • qualidade dos arquivos;

  • integridade dos índices;

  • consistência dos catálogos;

  • ordem correta dos JOBs;

  • sincronização entre processos.

Nenhum programador experiente atribui um erro automaticamente ao COBOL.

Primeiro ele verifica:

  • o dataset correto foi utilizado?

  • o arquivo estava atualizado?

  • houve erro no JOB anterior?

  • o SORT terminou corretamente?

  • houve perda de registros?

O mesmo raciocínio deve ser aplicado aos sistemas baseados em IA.

Antes de culpar o modelo, pergunte:

  • Os documentos certos foram recuperados?

  • Eles estavam atualizados?

  • Eram suficientes?

  • Estavam classificados corretamente?

  • Vieram de fontes confiáveis?

  • Havia redundância excessiva?

  • A intenção completa da pergunta foi compreendida?

Essas perguntas representam a verdadeira maturidade em Engenharia de IA.


A Grande Lição para um Programador COBOL Padawan

Durante décadas, os profissionais de Mainframe aprenderam que qualidade não nasce apenas do código.

Ela nasce da disciplina.

Da observabilidade.

Dos controles.

Da monitoração.

Dos indicadores.

Dos relatórios.

Da governança.

A Inteligência Artificial está caminhando exatamente para esse mesmo estágio.

Os sistemas mais avançados do mundo não são aqueles que simplesmente utilizam o maior LLM disponível no mercado. São aqueles que monitoram continuamente a qualidade da recuperação da informação, medem seus indicadores, detectam degradações antes que afetem os usuários e refinam constantemente seus índices, embeddings e estratégias de busca.

Da mesma forma que um ambiente IBM Z monitora CPU, I/O, SMF, RMF, WLM, JES2, CICS e DB2 para garantir disponibilidade e desempenho, um ecossistema RAG precisa monitorar Recall@K, Precision@K, Groundedness, Faithfulness, Freshness, Source Coverage, MRR e NDCG@K para garantir respostas confiáveis.

No futuro, o diferencial dos engenheiros de software não será apenas saber utilizar modelos de IA. Será compreender toda a engenharia que existe antes da geração da resposta.

E, curiosamente, esse modo de pensar já faz parte da cultura dos profissionais de Mainframe há décadas.

Porque, no fim das contas, um grande sistema nunca depende apenas da inteligência do processamento. Ele depende, acima de tudo, da qualidade das informações que alimentam esse processamento. Essa é uma lição que acompanha os Programadores COBOL desde os primeiros arquivos VSAM e que agora ressurge como um dos pilares da Inteligência Artificial moderna.

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

AI Agents : Quando um Programador Descobre que um LLM é Apenas o EXEC PGM...

 

Bellacosa Mainframe apresenta ai agents

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

AI Agents sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Programador Descobre que um LLM é Apenas o EXEC PGM... e que o Verdadeiro Sistema Inteligente é Quase um z/OS Inteiro Rodando nos Bastidores

"O computador do futuro não será aquele que responde perguntas. Será aquele que entende objetivos."


Introdução

Durante muitos anos, o mundo da Inteligência Artificial parecia incrivelmente simples.

Você fazia uma pergunta.

A IA respondia.

Fim da história.

Foi exatamente assim que milhares de pessoas conheceram ferramentas como ChatGPT, Claude, Gemini e outras.

Mas existe um detalhe que quase ninguém percebe logo no início.

Isso é apenas a superfície do iceberg.

É semelhante ao primeiro contato de um estudante com COBOL.

Ele escreve:

DISPLAY "HELLO WORLD".
STOP RUN.

Executa.

Funciona.

Ele acredita que já sabe COBOL.

Até descobrir que aquele pequeno programa roda dentro de um universo composto por JCL, JES2, WLM, RACF, VSAM, Db2, CICS, IMS, MQ, Storage, TCP/IP, Catálogos, APF, IPL, RMF, SMF e dezenas de outros componentes.

Nesse momento acontece o mesmo choque que muitos profissionais têm quando descobrem os AI Agents.

Eles percebem que um LLM não é o sistema.

É apenas uma peça.

A arquitetura verdadeira é muito maior.

Pegue seu café.

Hoje vamos fazer uma viagem pelo data center da Inteligência Artificial, utilizando exemplos que qualquer programador COBOL consegue visualizar.

Como diria o Guia do Mochileiro das Galáxias:

"Não entre em pânico."

Porque, no final deste artigo, você perceberá que AI Agents lembram muito mais um ambiente IBM Z do que um simples chatbot.


O Grande Engano

A maioria das pessoas imagina uma IA funcionando assim:

Pergunta

↓

LLM

↓

Resposta

Parece mágico.

Mas também parece extremamente limitado.

Agora imagine um banco.

Um cliente entra numa agência.

Ele pergunta:

"Qual meu saldo?"

Será que o caixa sabe?

Não.

Ele consulta dezenas de sistemas.

Da mesma forma funciona um AI Agent.

Na realidade o fluxo é parecido com isto:

Usuário

↓

Planejamento

↓

Memória

↓

Ferramentas

↓

APIs

↓

Banco de dados

↓

Execução

↓

Validação

↓

Nova decisão

↓

Resposta

Perceba uma coisa interessante.

O LLM aparece apenas uma vez.

Todo o restante do trabalho acontece ao redor dele.


O LLM é Apenas um Programa COBOL

Esta talvez seja a analogia mais importante deste artigo.

Imagine um programa COBOL.

Ele faz cálculos.

Manipula arquivos.

Atualiza banco.

Executa regras.

Mas sozinho ele não consegue:

  • abrir sessão

  • controlar segurança

  • acessar MQ

  • gerenciar memória

  • iniciar tarefas

  • distribuir carga

  • monitorar CPU

Quem faz isso?

O ambiente.

No IBM Z esse ambiente chama-se:

  • z/OS

  • JES2

  • RACF

  • WLM

  • CICS

  • Db2

  • MQ

  • USS

  • TCP/IP

No universo da IA acontece exatamente a mesma coisa.

O GPT, Claude ou Gemini são apenas o "programa COBOL".

O verdadeiro sistema inteligente é todo o restante.


Primeira Camada

Model & Intelligence Foundation

Toda construção começa pela fundação.

Na IA essa fundação é formada pelos modelos.

GPT.

Claude.

Gemini.

Llama.

Mistral.

Qwen.

DeepSeek.

São os motores de raciocínio.

Mas há um detalhe curioso.

Nenhum deles conhece sua empresa.

Nenhum conhece seu sistema COBOL.

Nenhum sabe o conteúdo do seu Db2.

Eles precisam aprender isso durante a execução.

É aqui que entram vários conceitos modernos.


Embeddings

O Índice VSAM da Inteligência Artificial

Imagine um arquivo KSDS.

Você procura:

Cliente 123456

O índice localiza rapidamente.

Embeddings fazem algo parecido.

Só que ao invés de procurar números...

eles procuram significado.

Por exemplo.

ABEND S0C7

Data Exception

Erro Decimal

Campo Numérico Inválido

São frases diferentes.

Mas possuem praticamente o mesmo significado.

Os embeddings transformam tudo isso em coordenadas matemáticas.

Assim a IA consegue encontrar conhecimento sem depender das palavras exatas.

É quase um VSAM KSDS semântico.


RAG

Quando a IA Aprende a Consultar a Documentação

Imagine perguntar:

Como funciona o módulo FINA230?

O LLM responde:

"Não faço ideia."

Mas o agente não para por aí.

Ele faz exatamente o que um analista faria.

Consulta:

  • Wiki

  • SharePoint

  • PDFs

  • GitHub

  • COBOL

  • CICS

  • JCL

  • Documentação

Depois lê tudo.

Somente então responde.

Isso chama-se:

Retrieval Augmented Generation

Ou simplesmente:

RAG.

Na prática:

Pergunta

↓

Pesquisar

↓

Ler

↓

Entender

↓

Responder

É como aquele programador veterano que nunca responde de memória.

Primeiro ele abre a documentação.


Mixture of Experts

Imagine um CPD.

Existe:

Especialista COBOL

Especialista CICS

Especialista Db2

Especialista RACF

Especialista MQ

Especialista Storage

Especialista Linux

Especialista Cloud

Seria inteligente colocar apenas um deles para resolver tudo?

Claro que não.

Os modelos Mixture of Experts funcionam exatamente assim.

Cada parte do cérebro possui especialistas.

Dependendo da pergunta...

o agente consulta apenas quem realmente entende daquele assunto.

Resultado?

Mais rapidez.

Menor custo.

Maior qualidade.


Segunda Camada

Agent Cognitive Engine

Aqui acontece a transformação.

O chatbot vira agente.


Memória

Existe um mito curioso.

As pessoas acreditam que IA lembra tudo.

Na verdade existem vários tipos de memória.

Curto prazo.

Sessão.

Longo prazo.

Conhecimento persistente.

É parecido com:

WORKING-STORAGE

↓

TSQ

↓

VSAM

↓

Db2

Cada uma possui finalidade diferente.


Planejamento

Um chatbot responde perguntas.

Um agente cria planos.

Exemplo.

Você escreve:

"Atualize todos os servidores."

Um chatbot responde:

"Aqui está um tutorial."

Um agente responde:

Inventariar servidores

↓

Separar ambientes

↓

Validar acesso

↓

Executar Ansible

↓

Verificar erros

↓

Rollback se necessário

↓

Gerar relatório

↓

Enviar e-mail

Percebe a diferença?

Ele pensa como um gerente de projetos.


Self Reflection

Um dos recursos mais fascinantes.

Depois de responder...

o agente pergunta para si mesmo:

Isso faz sentido?

Existe erro?

Posso melhorar?

Esqueci alguma etapa?

Existe risco?

É quase um Code Review automático.

Imagine um compilador COBOL que, após gerar o objeto, ainda revisasse a lógica inteira antes da execução.


Contexto Dinâmico

Programadores experientes sabem.

Resolver um problema depende do contexto.

O mesmo SQL pode ser excelente numa aplicação.

E péssimo em outra.

Agentes mantêm contexto durante toda a conversa.

Isso reduz inconsistências.


Terceira Camada

Autonomous Decision Layer

Agora entramos na parte que assusta muita gente.

Tomada de decisão.

Mas calma.

Não significa "IA fazendo tudo sozinha".

Significa tomar pequenas decisões baseadas em objetivos.


Objetivos

Toda ação começa por um objetivo.

Resolver incidente

↓

Encontrar causa

↓

Corrigir

↓

Documentar

Sem objetivo.

Não existe agente.

Existe apenas um chatbot.


Planejamento Hierárquico

Problemas gigantes são quebrados em partes menores.

Assim como um grande sistema COBOL.

Sistema

↓

Módulos

↓

Programas

↓

Parágrafos

↓

Sentenças

Gestão de Risco

Um bom agente nunca pergunta apenas:

"Posso executar?"

Ele pergunta:

"Devo executar?"

Exemplo.

Excluir banco?

↓

Existe backup?

↓

Produção?

↓

Rollback?

↓

Janela?

↓

Autorização?

Isso lembra muito RACF.

Nem tudo que é possível deve ser permitido.


Quarta Camada

Interaction & Communication

Aqui nasce a colaboração.

Agentes modernos conversam.

Não apenas com humanos.

Mas também entre si.


Linguagem Natural

Chega de decorar comandos.

Você escreve normalmente.

Como se estivesse conversando com um colega.


Multimodalidade

Texto.

Imagem.

PDF.

Planilha.

Vídeo.

Áudio.

Código.

Tudo pode fazer parte da mesma conversa.

Imagine enviar:

  • Dump

  • SYSOUT

  • Print do SDSF

  • Código COBOL

  • SQLCODE

Tudo ao mesmo tempo.

O agente entende.


Human in the Loop

Esse conceito é fantástico.

Algumas decisões continuam humanas.

Por exemplo.

Excluir cliente VIP?

O agente para.

Pergunta.

Espera autorização.

Isso evita desastres.


Quinta Camada

Multi-Agent Collaboration

Agora imagine um departamento inteiro.

Existe um agente para cada função.

Financeiro

RH

Compras

Jurídico

DevOps

COBOL

Segurança

Cloud

Todos trabalham juntos.

É praticamente uma empresa digital.


Swarm Intelligence

Inspirado em:

abelhas

formigas

cupins

Nenhum indivíduo conhece o plano completo.

Mesmo assim...

a colônia constrói estruturas gigantescas.

Agentes modernos usam exatamente esse princípio.


Negociação

Imagine.

Agente Financeiro diz:

"Sem orçamento."

Jurídico responde:

"Contrato precisa ser alterado."

DevOps:

"Deploy permitido apenas domingo."

COBOL:

"Programa depende do módulo antigo."

Todos discutem.

Depois apresentam uma única decisão.


Sexta Camada

Environment & Tool Connectivity

Este é o ponto que diferencia um chatbot de um verdadeiro agente.

Ferramentas.

Sem ferramentas.

Ele apenas conversa.

Com ferramentas.

Ele trabalha.

Pode acessar:

  • GitHub

  • Jenkins

  • Jira

  • ServiceNow

  • SAP

  • Salesforce

  • APIs

  • REST

  • GraphQL

  • SQL

  • Bancos Vetoriais

  • Kubernetes

  • Docker

  • Ansible

  • Mainframe

  • z/OSMF

É como um operador de produção que possui acesso ao painel inteiro do data center.


Digital Twins

Antes de alterar produção...

simule.

Antes de executar...

teste.

Antes de migrar...

valide.

Digital Twins fazem exatamente isso.

Criam um ambiente virtual.

Executam milhares de cenários.

Somente depois permitem a mudança.

Parece familiar?

É exatamente a filosofia dos ambientes de Desenvolvimento, Homologação, QA e Produção.


O Que a Imagem Não Mostra

A arquitetura apresentada é excelente, mas alguns pilares são tão importantes quanto os mostrados.

Segurança

Nenhum agente corporativo deveria operar sem:

  • RACF (ou equivalente)

  • autenticação

  • autorização

  • gestão de segredos

  • criptografia

  • auditoria

Sem isso, um agente pode se tornar um enorme risco.

Observabilidade

Assim como um administrador z/OS utiliza RMF, SMF e SDSF para entender o comportamento do sistema, agentes precisam registrar:

  • logs

  • métricas

  • chamadas de ferramentas

  • consumo de tokens

  • latência

  • falhas

  • decisões

Sem observabilidade, fica impossível descobrir por que um agente tomou determinada decisão.

Governança

Quem aprovou?

Qual modelo foi utilizado?

Quais documentos fundamentaram a resposta?

Qual ferramenta foi acionada?

Essas perguntas são essenciais em bancos, seguradoras e órgãos públicos.


AI Agents e o IBM Mainframe: A Analogia Definitiva

Se tivéssemos que desenhar um agente para um programador COBOL, ele seria algo assim:

Mundo dos AI AgentsMundo IBM Mainframe
LLMPrograma COBOL
PromptJCL ou parâmetros de execução
MemóriaVSAM, Db2, TSQ, contexto da sessão
PlanejamentoScheduler, Workflow, JCL
FerramentasCICS, MQ, APIs, utilitários
ComunicaçãoMQ, TCP/IP, REST, eventos
MultiagentesRegiões CICS e serviços especializados
Tomada de decisãoRegras de negócio + automação
SegurançaRACF
ObservabilidadeRMF, SMF, SDSF
Ambientez/OS

Essa comparação ajuda a entender por que tantas empresas tradicionais estão interessadas em agentes: elas já operam sistemas distribuídos e altamente orquestrados há décadas.


Curiosidades

☕ Curiosidade 1

O termo Agentic AI ganhou enorme destaque a partir de 2024, quando empresas perceberam que apenas conversar com um LLM não gerava tanto valor quanto automatizar fluxos completos de trabalho.

☕ Curiosidade 2

Muitos agentes modernos utilizam RAG, mas nem todo sistema com RAG é um agente. Um agente normalmente combina memória, planejamento, ferramentas e tomada de decisão.

☕ Curiosidade 3

Os primeiros conceitos de agentes inteligentes surgiram muito antes dos LLMs, em pesquisas sobre Inteligência Artificial Distribuída, Sistemas Multiagentes (MAS) e Arquiteturas BDI (Belief-Desire-Intention), desenvolvidas nas décadas de 1980 e 1990.

☕ Curiosidade 4

Alguns sistemas corporativos já utilizam "agentes supervisores", responsáveis por acompanhar outros agentes, detectar desvios e solicitar intervenção humana quando necessário.


Dicas para Quem Está Começando

  1. Aprenda primeiro como funciona um LLM antes de estudar agentes.

  2. Entenda RAG e bancos vetoriais; eles são a principal ponte entre IA e conhecimento corporativo.

  3. Estude APIs REST e ferramentas de integração, pois um agente útil precisa agir sobre sistemas reais.

  4. Familiarize-se com orquestração de workflows e automação, usando conceitos semelhantes aos schedulers do mundo mainframe.

  5. Não ignore segurança, auditoria e governança; em ambientes corporativos, elas são tão importantes quanto o próprio modelo.


Easter Eggs do Bellacosa ☕

🥚 Easter Egg #1 — O Guia do Mochileiro da IA

Assim como o número 42 representa a resposta para a vida, o universo e tudo mais, muitos projetos de IA descobrem que a resposta para quase qualquer problema complexo é... "depende do contexto".

🥚 Easter Egg #2 — A Estrela da Morte

Construir um agente poderoso sem mecanismos de segurança é como construir a Estrela da Morte sem proteger a exaustão térmica: impressiona à primeira vista, mas basta uma pequena falha para comprometer toda a operação.

🥚 Easter Egg #3 — O Mestre Jedi do Mainframe

O verdadeiro Mestre Jedi não é aquele que conhece todos os prompts. É aquele que sabe quando usar um LLM, quando consultar um RAG, quando delegar a outro agente e quando chamar um ser humano para decidir.


Conclusão

Durante décadas, os profissionais de mainframe aprenderam que um programa COBOL nunca vive isolado. Ele faz parte de um ecossistema cuidadosamente orquestrado por z/OS, JES2, CICS, Db2, MQ, RACF, WLM e inúmeras outras tecnologias que trabalham em conjunto para entregar disponibilidade, segurança e desempenho.

Os agentes de IA seguem exatamente essa filosofia. O modelo de linguagem é apenas o ponto de partida. O verdadeiro diferencial está na combinação de memória, planejamento, ferramentas, protocolos de comunicação, colaboração entre agentes, governança e integração com o mundo real.

Em outras palavras, estamos deixando a era dos chatbots para entrar na era dos ecossistemas cognitivos. Assim como um programa COBOL isolado jamais substituiria um data center inteiro, um LLM isolado não representa o futuro da Inteligência Artificial. O futuro pertence a arquiteturas capazes de compreender objetivos, coordenar especialistas, utilizar ferramentas, aprender com a experiência e operar de forma segura e auditável.

Para quem já domina a lógica dos grandes ambientes IBM Z, essa evolução não é um salto para o desconhecido. É apenas uma nova forma de aplicar princípios que o mundo mainframe aperfeiçoa há décadas: modularidade, integração, confiabilidade, controle e colaboração. O programador COBOL que entender essa ponte perceberá que a próxima geração de sistemas inteligentes não substitui sua experiência — ela amplia seu alcance, transformando conhecimento técnico em uma força multiplicadora para resolver problemas cada vez mais complexos.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

O Guia do Programador COBOL Padawan para Entender por que Inteligência Artificial em Produção é uma Frota Inteira — e não Apenas uma Nave

 

Bellacosa Mainframe e plataformas de ia escalaveis sem misterios

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Plataformas de IA Escaláveis sem Mistérios

O Guia do Programador COBOL Padawan para Entender por que Inteligência Artificial em Produção é uma Frota Inteira — e não Apenas uma Nave

Imagine a seguinte cena.

Você está sentado diante de um terminal 3270, com uma caneca de café ao lado do teclado, observando um programa COBOL que processa milhões de registros todas as noites. De repente, um jovem programador chega correndo pela sala e anuncia:

— Bellacosa, encontrei o melhor modelo de inteligência artificial do mercado! Agora nossa plataforma está pronta!

Você olha calmamente para o monitor, toma mais um gole de café e responde:

— Padawan, encontrar um bom modelo de IA é como encontrar um excelente motor de dobra. Isso não significa que você já construiu a USS Enterprise.

O motor de dobra pode ser impressionante. Pode gerar textos, resumir documentos, escrever código, responder perguntas e analisar informações. Contudo, para atravessar a galáxia em segurança, uma nave precisa de muito mais:

  • computadores de bordo;

  • sensores;

  • escudos;

  • sistemas de comunicação;

  • controle de energia;

  • navegação;

  • diagnóstico;

  • redundância;

  • manutenção;

  • oficiais preparados;

  • protocolos de emergência.

Uma plataforma de inteligência artificial funciona exatamente assim.

O modelo é importante, mas ele representa apenas uma parte do sistema.

Em uma demonstração de laboratório, talvez seja suficiente enviar uma pergunta diretamente para um modelo e exibir a resposta. Em produção, entretanto, surgem usuários simultâneos, documentos internos, custos, privacidade, auditoria, segurança, latência, picos de utilização, falhas, limites de contexto, respostas incorretas e necessidade de monitoramento.

É nesse momento que muitos projetos descobrem uma verdade pouco glamorosa:

Uma aplicação de IA pode funcionar perfeitamente durante uma apresentação e desmoronar completamente quando encontra o primeiro dia real de produção.

Neste café, vamos explorar os principais componentes que transformam um modelo isolado em uma verdadeira plataforma de IA escalável. E, como toda boa missão da Frota Estelar, vamos fazer isso com mapas, analogias, exemplos, alertas, curiosidades e alguns easter eggs escondidos pelo caminho.

Prepare seu café, ajuste o comunicador e confirme se os escudos estão operacionais.

A missão começou.


1. O grande engano: acreditar que o modelo é o sistema

Nos primeiros contatos com inteligência artificial generativa, é comum imaginar uma arquitetura muito simples:

USUÁRIO
   |
   v
MODELO DE IA
   |
   v
RESPOSTA

Esse desenho funciona em testes pequenos.

Um usuário faz uma pergunta, o modelo responde e todos ficam impressionados.

Porém, uma plataforma corporativa de verdade precisa responder perguntas muito mais difíceis:

  • Quem é o usuário?

  • Ele possui autorização para acessar determinado documento?

  • Qual modelo deve atender essa solicitação?

  • O contexto enviado é realmente relevante?

  • A resposta deve ser armazenada em cache?

  • O conteúdo precisa ser filtrado?

  • Quanto custou a interação?

  • A informação utilizada estava atualizada?

  • O sistema consegue explicar de onde veio a resposta?

  • O que acontece quando chegam dez mil requisições ao mesmo tempo?

  • Como detectar uma regressão depois da troca de modelo?

  • Como impedir vazamento de dados confidenciais?

  • Como observar uma falha que acontece apenas em um caso entre cem mil?

O modelo não resolve sozinho nenhuma dessas questões.

Ele se parece mais com um programa COBOL dentro de uma arquitetura empresarial. O programa pode conter a lógica principal, mas depende de JCL, datasets, Db2, CICS, IMS, RACF, JES2, WLM, bibliotecas, logs, monitoramento e processos operacionais.

Nenhum profissional experiente de mainframe diria:

“O sistema bancário é apenas aquele módulo COBOL.”

Da mesma maneira, ninguém deveria dizer:

“Nossa plataforma de IA é apenas aquele LLM.”

Uma plataforma escalável é um conjunto coordenado de camadas.


2. Model Inference: quando o motor realmente entra em funcionamento

A inferência é o momento em que o modelo recebe uma entrada e produz uma saída.

Em termos simples:

PROMPT + CONTEXTO
        |
        v
      MODELO
        |
        v
     RESPOSTA

Essa é a camada de execução.

Para um programador COBOL, podemos comparar a inferência à execução de um programa depois da compilação e da linkedição. O load module está pronto, os parâmetros foram fornecidos e agora a lógica será processada.

Entretanto, a inferência possui um grande desafio: equilibrar latência, vazão e custo.

Latência

Latência é o tempo necessário para começar ou concluir uma resposta.

Em um chatbot, o usuário espera uma reação quase imediata.

Em uma rotina batch que analisa dois milhões de contratos durante a madrugada, alguns minutos extras podem ser aceitáveis.

Throughput

Throughput, ou vazão, representa quantas requisições o sistema consegue processar em determinado período.

Um modelo pode responder muito rápido para um único usuário e ainda assim apresentar péssimo desempenho quando recebe milhares de chamadas simultâneas.

É como um programa COBOL que executa bem com cem registros, mas enfrenta gargalos quando recebe um arquivo com quinhentos milhões.

O triângulo da engenharia de IA

Quase toda decisão de inferência envolve três fatores:

QUALIDADE
   /\
  /  \
 /    \
CUSTO----VELOCIDADE

Um modelo maior pode produzir respostas melhores, porém costuma exigir mais recursos.

Um modelo menor pode ser rápido e econômico, mas talvez não resolva tarefas complexas.

A missão da arquitetura não é escolher o “melhor modelo do mundo”. É escolher o modelo adequado para cada tipo de operação.

O Sr. Spock provavelmente diria:

“Utilizar um modelo gigantesco para responder perguntas triviais seria ilógico.”

E ele estaria absolutamente correto.


3. Tokenização: a linguagem secreta dos modelos

Um modelo de linguagem não lê exatamente palavras da mesma maneira que um ser humano.

Antes de processar o texto, ele o divide em unidades chamadas tokens.

Uma palavra pode corresponder a:

  • um token;

  • vários tokens;

  • parte de um token;

  • uma combinação diferente conforme o idioma e o modelo.

Por exemplo, a expressão:

MAINFRAME

pode ser interpretada como uma unidade ou dividida em partes semelhantes a:

MAIN
FRAME

Já termos muito específicos, nomes técnicos, códigos COBOL, caracteres especiais e palavras em português podem consumir uma quantidade maior de tokens.

Por que o programador precisa se importar?

Porque tokens influenciam diretamente:

  • custo;

  • limite de entrada;

  • tamanho da resposta;

  • desempenho;

  • capacidade de contexto;

  • quantidade de documentos processados.

Considere este prompt:

Explique COBOL.

Ele é pequeno.

Agora considere:

Leia estes 800 manuais, compare todas as versões do compilador,
analise os exemplos, identifique divergências, gere uma tabela,
inclua recomendações e produza um relatório detalhado.

A segunda solicitação pode consumir uma quantidade enorme de tokens antes mesmo de o modelo começar a responder.

Em muitas plataformas comerciais, o custo é calculado com base nos tokens de entrada e saída.

Portanto, desperdiçar contexto é semelhante a executar repetidamente um job caro sem necessidade.

Dica do Bellacosa

Não envie para o modelo tudo o que existe.

Envie o que ele realmente precisa.

Um prompt gigantesco não é necessariamente um prompt melhor. Muitas vezes, é apenas um SYSIN desorganizado com documentos demais.


4. Gerenciamento da janela de contexto: a memória operacional da missão

A janela de contexto determina quanto conteúdo o modelo consegue considerar durante uma interação.

Ela pode incluir:

  • perguntas anteriores;

  • instruções do sistema;

  • documentos recuperados;

  • mensagens do usuário;

  • resultados de ferramentas;

  • exemplos;

  • regras de formatação.

Podemos comparar a janela de contexto a uma área de trabalho temporária.

No mundo COBOL, pense em estruturas como:

  • WORKING-STORAGE;

  • COMMAREA;

  • containers do CICS;

  • áreas compartilhadas;

  • parâmetros recebidos;

  • registros mantidos durante uma etapa de processamento.

Se você tentar colocar informação demais em uma área limitada, alguma coisa precisará ser removida, resumida ou ignorada.

Estratégias comuns

Janela deslizante

Mantém as mensagens mais recentes e elimina as antigas.

Funciona bem em conversas curtas, mas pode apagar decisões importantes feitas no início.

Resumo de histórico

As interações antigas são condensadas em uma versão menor.

O risco é perder detalhes.

É semelhante a transformar um log completo em um relatório resumido. Você economiza espaço, mas talvez elimine justamente a informação necessária para investigar um erro.

Priorização por relevância

A plataforma seleciona os trechos mais relacionados à pergunta atual.

Essa abordagem costuma ser melhor do que simplesmente usar os textos mais recentes.

Compressão semântica

O sistema tenta preservar significado ocupando menos tokens.

Essa área ainda exige muitos cuidados. Um resumo incorreto pode contaminar todo o raciocínio seguinte.

Curiosidade

Uma janela de contexto muito grande não elimina automaticamente o problema.

Mesmo quando o modelo aceita uma enorme quantidade de texto, inserir conteúdo excessivo pode reduzir a precisão. Informações importantes ficam escondidas no meio de trechos irrelevantes.

É o equivalente a procurar um SQLCODE dentro de dez milhões de linhas de spool sem utilizar filtros.

Ter acesso ao conteúdo não significa encontrá-lo com eficiência.


5. Embeddings: transformando significado em coordenadas

Embeddings são representações matemáticas de palavras, frases, parágrafos, imagens ou documentos.

Em vez de armazenar apenas o texto, a plataforma cria uma sequência de números que representa características semânticas daquele conteúdo.

Por exemplo, as expressões:

  • carro;

  • automóvel;

  • veículo de passeio;

podem gerar vetores próximos porque possuem significados semelhantes.

Já termos como:

  • JCL;

  • JES2;

  • execução batch;

  • submissão de job;

também podem aparecer próximos em um espaço vetorial bem construído.

Isso permite uma pesquisa diferente da busca tradicional por palavras-chave.

Busca tradicional

Pergunta:

Como investigar uma falha de job?

Documento:

Procedimento para diagnóstico de ABEND no JES2.

Talvez uma busca literal não encontre o documento, porque as palavras são diferentes.

Busca semântica

A pesquisa vetorial percebe que “falha de job”, “diagnóstico de ABEND” e “JES2” estão semanticamente relacionados.

Essa é uma das grandes forças dos embeddings.

Eles ajudam o sistema a localizar conteúdos por significado, não apenas por coincidência textual.

Atenção, tripulação

Embedding não é entendimento humano.

É uma representação numérica útil para calcular proximidade.

Dois textos podem parecer próximos matematicamente e ainda serem inadequados para uma pergunta específica.

Por isso, a recuperação precisa de filtros adicionais, metadados, validações e, muitas vezes, reranking.


6. Bancos vetoriais: o arquivo estelar do conhecimento

Depois de criar embeddings, precisamos armazená-los e pesquisá-los rapidamente.

Entram em cena os bancos vetoriais.

Eles são preparados para operações como:

  • busca por similaridade;

  • recuperação dos vetores mais próximos;

  • filtragem por metadados;

  • pesquisa em grande escala;

  • combinação de busca lexical e semântica.

Entre as tecnologias usadas nesse espaço estão soluções especializadas e extensões vetoriais de bancos já conhecidos.

O objetivo principal é responder:

“Quais documentos se parecem mais com a pergunta recebida?”

Exemplo corporativo

Imagine uma empresa com:

  • vinte mil procedimentos;

  • cem mil tickets;

  • cinquenta mil manuais;

  • milhares de normas;

  • históricos de incidentes;

  • documentação de aplicações;

  • diagramas e runbooks.

Quando um analista pergunta:

Como investigar lentidão em uma transação CICS após aumento de carga?

o sistema precisa localizar os materiais mais úteis sem enviar todo o repositório para o modelo.

O banco vetorial ajuda a selecionar apenas alguns trechos.

O paralelo com o mainframe

Podemos pensar em um banco vetorial como um índice especializado.

Ele não substitui necessariamente o Db2, o VSAM, o IMS ou um repositório documental. Frequentemente funciona ao lado deles.

O banco tradicional continua sendo a fonte oficial.

O índice vetorial ajuda a encontrar o conteúdo relevante.

Essa distinção é muito importante.

A camada vetorial pode apontar para um documento, mas a fonte de verdade ainda precisa ser preservada, governada e auditável.


7. RAG: quando o modelo consulta a biblioteca antes de responder

RAG significa Retrieval-Augmented Generation, ou geração aumentada por recuperação.

A ideia é simples e poderosa:

  1. O usuário faz uma pergunta.

  2. O sistema procura informações relevantes.

  3. Os melhores trechos são selecionados.

  4. Esses trechos são enviados ao modelo.

  5. O modelo produz uma resposta baseada no material recuperado.

O fluxo básico é:

PERGUNTA
   |
   v
CRIAÇÃO DO EMBEDDING
   |
   v
BUSCA VETORIAL
   |
   v
RECUPERAÇÃO DE DOCUMENTOS
   |
   v
MONTAGEM DO CONTEXTO
   |
   v
MODELO
   |
   v
RESPOSTA

Por que o RAG é tão importante?

Porque os modelos não conhecem automaticamente:

  • documentos privados;

  • procedimentos internos;

  • dados recém-publicados;

  • alterações realizadas depois do treinamento;

  • regras específicas da organização;

  • detalhes de sistemas proprietários.

Com RAG, a empresa pode fornecer conhecimento atualizado sem retreinar o modelo inteiro.

Exemplo mainframe

Pergunta:

Qual é o procedimento interno para tratar um S0C7 na aplicação XPTO?

A plataforma recupera:

  • o runbook da aplicação;

  • o histórico de incidentes;

  • o manual interno;

  • exemplos de dumps anteriores;

  • a lista de responsáveis.

Depois, o modelo organiza esse conhecimento em uma resposta.

Sem RAG, ele talvez forneça apenas uma explicação genérica do S0C7.

Com RAG, pode responder conforme o ambiente real da organização.

Mas RAG não é magia

Um RAG ruim pode produzir uma resposta ruim com aparência de precisão.

Os principais pontos de falha são:

  • documentos desatualizados;

  • divisão inadequada dos textos;

  • embeddings fracos;

  • filtros errados;

  • recuperação de trechos irrelevantes;

  • contexto excessivo;

  • ausência de citações;

  • permissões mal aplicadas;

  • modelo ignorando a fonte recuperada.

RAG não elimina alucinações. Ele reduz riscos quando é bem projetado.

Easter egg da missão: um RAG sem governança é como acessar o computador da Enterprise usando documentos dos Klingons, Ferengi, Romulanos e Federação sem identificar a origem. A resposta pode soar convincente, mas talvez comece uma guerra interplanetária.


8. Prompt Engineering: escrevendo o JCL da conversa

Prompt engineering é a disciplina de estruturar instruções para orientar o comportamento do modelo.

Um prompt pode definir:

  • papel;

  • objetivo;

  • formato;

  • público;

  • tom;

  • restrições;

  • critérios de qualidade;

  • ferramentas permitidas;

  • fontes obrigatórias;

  • regras de segurança.

Para o programador COBOL, o prompt pode ser comparado a uma combinação de SYSIN, parâmetros, regras de negócio e instruções operacionais.

Um bom programa recebendo dados ruins continua sujeito a resultados ruins.

O mesmo vale para a IA.

Exemplo simples

Prompt fraco:

Fale sobre COBOL.

Prompt melhor:

Explique o conceito de PERFORM em COBOL para um programador iniciante.
Apresente exemplos com PERFORM simples, PERFORM UNTIL e PERFORM VARYING.
Mostre erros comuns, inclua comentários no código e evite recursos obsoletos.

O segundo prompt:

  • define o público;

  • delimita o tema;

  • especifica exemplos;

  • determina cuidados;

  • reduz ambiguidades.

Prompt não é garantia

Mesmo um excelente prompt não transforma um modelo inadequado em especialista absoluto.

Prompt engineering ajuda a controlar comportamento, mas não substitui:

  • dados;

  • testes;

  • arquitetura;

  • segurança;

  • validação;

  • observabilidade.

Um prompt é uma instrução, não um escudo defletor.


9. Fine-tuning: treinamento especializado da tripulação

Fine-tuning é o processo de ajustar um modelo com exemplos específicos para modificar seu comportamento.

Pode ser útil quando a empresa precisa de:

  • estilo consistente;

  • formato muito específico;

  • vocabulário de domínio;

  • classificação especializada;

  • respostas padronizadas;

  • comportamento difícil de obter apenas com prompt.

Exemplo

Uma organização pode ajustar um modelo para transformar descrições de incidentes em categorias operacionais padronizadas.

Entrada:

Job ficou preso após falha de alocação.

Saída esperada:

Categoria: Storage / Dataset Allocation
Prioridade: Média
Equipe: Operações z/OS

Com milhares de exemplos bem preparados, o modelo pode aprender esse padrão.

Quando não usar fine-tuning

Muitas equipes tentam utilizar fine-tuning para “ensinar documentos” ao modelo.

Frequentemente, RAG é mais adequado para conhecimento que muda.

Uma regra prática:

  • Conhecimento mutável: considere RAG.

  • Comportamento ou formato: considere fine-tuning.

  • Instrução simples: comece com prompt engineering.

O fine-tuning exige:

  • dados de treinamento;

  • limpeza;

  • avaliação;

  • controle de versões;

  • custos;

  • monitoramento de regressões.

Treinar com exemplos ruins é semelhante a formar cadetes usando manuais incorretos.

Eles aprenderão muito bem a fazer a coisa errada.


10. Model Routing: enviando cada missão para a nave correta

Model routing é a camada que escolhe qual modelo deve processar cada solicitação.

Nem toda pergunta precisa do modelo mais caro.

Considere estas tarefas:

Classificar um e-mail como urgente ou não.
Resumir um parágrafo.
Analisar um contrato de 200 páginas.
Diagnosticar uma falha complexa em COBOL, CICS e Db2.

Usar o mesmo modelo para tudo pode ser ineficiente.

Uma plataforma pode adotar:

  • modelo pequeno para classificação;

  • modelo médio para resumo;

  • modelo avançado para análise;

  • modelo especializado para código;

  • modelo local para dados sensíveis;

  • modelo externo para tarefas não confidenciais.

Critérios de roteamento

O roteador pode avaliar:

  • complexidade;

  • idioma;

  • domínio;

  • custo;

  • urgência;

  • privacidade;

  • tamanho do contexto;

  • disponibilidade;

  • qualidade necessária.

Isso se parece muito com direcionar diferentes workloads por classes de serviço.

O WLM do z/OS não trata todas as cargas exatamente da mesma maneira. Ele prioriza conforme objetivos definidos.

O model routing aplica uma lógica semelhante ao universo da IA.


11. Caching: não execute novamente o que já foi resolvido

Cache armazena resultados para evitar processamento repetido.

Imagine cem usuários perguntando:

Qual é a política de troca de senha?

Sem cache, a plataforma pode:

  1. criar embedding;

  2. pesquisar documentos;

  3. recuperar os mesmos trechos;

  4. chamar o modelo;

  5. gerar praticamente a mesma resposta;

cem vezes.

Com cache, parte desse fluxo pode ser reutilizada.

Tipos de cache

Cache exato

Reutiliza a resposta quando a pergunta é idêntica.

Cache semântico

Pode reutilizar uma resposta quando a nova pergunta possui significado muito semelhante.

Exemplo:

Como altero minha senha?

e

Qual é o procedimento para trocar a senha?

Cache de embeddings

Evita recalcular vetores já processados.

Cache de recuperação

Armazena resultados frequentes de busca.

Cuidados

Cache pode servir informação antiga.

Ele precisa considerar:

  • validade;

  • versão do documento;

  • identidade do usuário;

  • permissões;

  • sensibilidade;

  • atualização das fontes.

Nunca compartilhe uma resposta em cache entre usuários quando o conteúdo depende das autorizações individuais.

O cache é um replicador útil, mas não pode materializar documentos secretos na cabine errada.


12. Streaming inference: reduzindo a espera percebida

No streaming, a resposta é enviada aos poucos.

Em vez de o usuário esperar o texto completo, ele começa a visualizar os primeiros fragmentos enquanto o restante é gerado.

Isso não significa necessariamente que a inferência ficou mais rápida.

Significa que a experiência parece mais responsiva.

É uma diferença entre:

AGUARDE...
AGUARDE...
AGUARDE...
RESPOSTA COMPLETA

e:

A resposta começa...
continua sendo formada...
e chega gradualmente...

Em aplicações interativas, essa percepção é muito importante.

Contudo, streaming exige cuidados:

  • filtros de segurança precisam acompanhar a saída;

  • erros podem aparecer no meio do texto;

  • o cliente precisa lidar com interrupções;

  • a interface deve indicar conclusão;

  • logs precisam reconstruir o conteúdo integral.

Transmitir tokens sem controle seria como abrir um canal subespacial antes de verificar se a mensagem está autorizada.


13. Batch processing: a inteligência artificial também trabalha de madrugada

Nem toda tarefa precisa acontecer em tempo real.

Muitas operações de IA são perfeitas para processamento em lote:

  • criação de embeddings;

  • classificação de milhões de documentos;

  • resumo de históricos;

  • extração de metadados;

  • avaliação de respostas;

  • reindexação;

  • análise de logs;

  • preparação de dados.

O programador mainframe conhece bem essa filosofia.

O batch continua sendo uma solução poderosa porque permite:

  • agrupar trabalho;

  • controlar janelas;

  • otimizar recursos;

  • repetir etapas;

  • reiniciar processos;

  • acompanhar resultados.

Exemplo

Uma empresa possui cinco milhões de PDFs.

Não faz sentido esperar um usuário perguntar sobre cada documento para então gerar o embedding.

A plataforma pode processar os documentos em lote durante períodos de menor custo e menor demanda.

O fluxo pode incluir:

LEITURA
  |
  v
EXTRAÇÃO DE TEXTO
  |
  v
LIMPEZA
  |
  v
DIVISÃO EM TRECHOS
  |
  v
EMBEDDINGS
  |
  v
INDEXAÇÃO

Parece familiar?

Sim. É praticamente uma nova espécie de cadeia batch.

Mudaram os componentes, mas os princípios continuam reconhecíveis.


14. Guardrails e camadas de segurança: os escudos da plataforma

Guardrails são mecanismos que controlam entradas, saídas e ações da IA.

Eles podem ajudar a impedir:

  • conteúdo perigoso;

  • vazamento de informações;

  • exposição de dados pessoais;

  • execução de comandos proibidos;

  • respostas fora da política;

  • manipulação por prompt injection;

  • acesso indevido a ferramentas;

  • uso de fontes não autorizadas.

Guardrails de entrada

Analisam o que o usuário envia.

Podem detectar:

  • tentativas de burlar regras;

  • dados sensíveis;

  • conteúdo malicioso;

  • solicitações proibidas.

Guardrails de saída

Verificam a resposta antes da entrega.

Podem procurar:

  • informações confidenciais;

  • linguagem inadequada;

  • instruções perigosas;

  • violações de conformidade;

  • ausência de citações.

Guardrails de ferramentas

Controlam o que o agente pode fazer.

Por exemplo:

  • consultar um banco;

  • enviar um e-mail;

  • criar um ticket;

  • executar uma transação;

  • alterar um cadastro.

Essa camada merece atenção máxima.

Uma IA que apenas responde texto possui riscos.

Uma IA que pode executar ações possui riscos muito maiores.

O paralelo com RACF

Guardrails não são exatamente o RACF da IA, mas a comparação ajuda.

Assim como o RACF trabalha com identidades, perfis, recursos e permissões, uma plataforma de IA precisa decidir:

  • quem pode perguntar;

  • quais fontes pode consultar;

  • quais ações pode executar;

  • quais dados pode revelar;

  • quais operações devem ser auditadas.

Nunca permita que o modelo seja a autoridade final sobre permissões.

A autorização precisa estar fora do modelo, em controles determinísticos.

Um LLM não deve “imaginar” se o usuário possui acesso.

Ele deve receber essa decisão de uma camada confiável.


15. Evaluation pipelines: testar a IA antes que o Klingon teste por você

Sistemas tradicionais possuem testes unitários, integrados, funcionais, de regressão, desempenho e segurança.

Plataformas de IA também precisam de avaliação contínua.

O problema é que respostas geradas não são sempre idênticas.

Um programa COBOL pode produzir um valor esperado exato.

Um modelo pode gerar duas respostas diferentes, ambas aceitáveis.

Por isso, a avaliação precisa usar múltiplos critérios.

O que avaliar?

  • correção;

  • relevância;

  • fundamentação;

  • completude;

  • segurança;

  • formato;

  • latência;

  • custo;

  • uso de fontes;

  • taxa de recusa;

  • consistência;

  • satisfação do usuário.

Conjunto dourado

Uma prática importante é criar um conjunto de perguntas com respostas esperadas.

Exemplo:

Pergunta:
O que significa DISP=(NEW,CATLG,DELETE)?

Critérios:
- explicar NEW;
- explicar CATLG;
- explicar DELETE;
- mostrar o comportamento em sucesso e falha;
- não inventar sintaxe;

A plataforma executa essas perguntas periodicamente e compara a qualidade.

Isso ajuda a detectar regressões após:

  • troca de modelo;

  • mudança de prompt;

  • alteração no RAG;

  • nova versão do índice;

  • mudança no tokenizer;

  • atualização dos documentos.

Curiosidade importante

Uma plataforma pode melhorar a média geral e piorar exatamente os casos mais críticos.

Por isso, não basta olhar uma única nota.

É necessário separar avaliações por:

  • domínio;

  • risco;

  • tipo de usuário;

  • complexidade;

  • sensibilidade.

Uma resposta errada sobre uma curiosidade custa pouco.

Uma resposta errada sobre uma operação financeira pode custar milhões.


16. Observabilidade: SMF, RMF e OMEGAMON encontraram a inteligência artificial

Observabilidade permite compreender o comportamento interno de um sistema por meio de sinais como:

  • logs;

  • métricas;

  • traces;

  • eventos;

  • correlações.

Em IA, precisamos observar muito mais do que “funcionou ou falhou”.

Métricas importantes

  • tokens de entrada;

  • tokens de saída;

  • custo por requisição;

  • latência;

  • tempo até o primeiro token;

  • erros;

  • timeout;

  • modelo selecionado;

  • documentos recuperados;

  • score de similaridade;

  • taxa de cache;

  • bloqueios de guardrail;

  • satisfação do usuário;

  • uso de ferramentas;

  • falhas de autorização.

Tracing

Um trace pode mostrar toda a jornada:

REQUISIÇÃO DO USUÁRIO
        |
        v
AUTENTICAÇÃO
        |
        v
CLASSIFICAÇÃO
        |
        v
MODEL ROUTING
        |
        v
BUSCA VETORIAL
        |
        v
RERANKING
        |
        v
MONTAGEM DO PROMPT
        |
        v
INFERÊNCIA
        |
        v
VALIDAÇÃO
        |
        v
RESPOSTA

Sem tracing, a equipe vê apenas:

A resposta ficou ruim.

Com tracing, pode descobrir:

O documento correto não foi recuperado porque o filtro de versão estava errado.

Essa diferença é gigantesca.

O profissional de mainframe entende muito bem o valor de SMF, RMF, dumps, traces e históricos.

A IA não elimina a necessidade de diagnóstico.

Ela aumenta essa necessidade.


17. Autoscaling: preparando a frota para a hora do pico

A demanda por IA pode variar muito.

Durante a madrugada, talvez existam poucas chamadas.

Depois de uma campanha, lançamento ou incidente, podem surgir milhares de usuários.

Autoscaling ajusta automaticamente os recursos.

Ele pode:

  • adicionar instâncias;

  • aumentar réplicas;

  • distribuir requisições;

  • ativar aceleradores;

  • reduzir capacidade quando a demanda cai.

Mas escalar IA não é tão simples quanto escalar uma página web.

Modelos grandes podem exigir:

  • muita memória;

  • GPU;

  • tempo de inicialização;

  • distribuição especializada;

  • carregamento de pesos;

  • cache aquecido.

Cold start

Quando uma nova instância precisa carregar o modelo, pode haver atraso.

É como iniciar uma região inteira do sistema apenas depois de a fila já estar cheia.

Por isso, a plataforma precisa prever:

  • capacidade mínima;

  • réplicas aquecidas;

  • comportamento em picos;

  • limites de fila;

  • degradação controlada.

Degradação elegante

Quando o modelo principal está indisponível, o sistema pode:

  • usar um modelo menor;

  • reduzir o tamanho da resposta;

  • desativar funções não críticas;

  • colocar tarefas em fila;

  • oferecer resposta parcial;

  • encaminhar para atendimento humano.

Uma plataforma madura não pergunta apenas:

“Como manter tudo perfeito?”

Ela também pergunta:

“Como continuar operando quando alguma camada falhar?”

Essa é a verdadeira mentalidade de resiliência.


18. Otimização de custos: não desperdice dilítio

A IA generativa pode consumir recursos rapidamente.

Os custos aparecem em diferentes pontos:

  • inferência;

  • tokens;

  • armazenamento;

  • banco vetorial;

  • GPU;

  • rede;

  • observabilidade;

  • reprocessamento;

  • avaliação;

  • embeddings;

  • manutenção.

Estratégias de economia

Usar modelos menores quando possível

Classificações simples não precisam do modelo mais poderoso.

Limitar contexto

Enviar apenas documentos relevantes reduz tokens.

Aplicar cache

Evita inferência repetida.

Utilizar processamento em lote

Operações não urgentes podem ser agrupadas.

Comprimir prompts

Instruções redundantes custam dinheiro.

Controlar tamanho de resposta

Nem toda pergunta precisa de três mil palavras.

Medir custo por caso de uso

O custo médio global pode esconder operações extremamente caras.

Métrica realmente útil

Não observe apenas:

Custo por milhão de tokens

Observe também:

Custo por atendimento resolvido

ou:

Custo por incidente evitado

ou:

Custo por documento processado

Uma solução aparentemente cara pode gerar alto valor.

Uma solução barata pode ser inútil.

O objetivo não é gastar o mínimo.

É produzir resultado sustentável.


19. Como todas as camadas trabalham juntas

Agora podemos montar uma arquitetura simplificada:

USUÁRIO
   |
   v
AUTENTICAÇÃO E AUTORIZAÇÃO
   |
   v
GUARDRAIL DE ENTRADA
   |
   v
CLASSIFICAÇÃO DA SOLICITAÇÃO
   |
   v
MODEL ROUTING
   |
   +----------------------+
   |                      |
   v                      v
CACHE                 RAG / BUSCA
   |                      |
   +----------+-----------+
              |
              v
      MONTAGEM DO PROMPT
              |
              v
         INFERÊNCIA
              |
              v
      GUARDRAIL DE SAÍDA
              |
              v
        STREAMING / API
              |
              v
           USUÁRIO

Paralelamente, outras camadas acompanham tudo:

OBSERVABILIDADE
AVALIAÇÃO
CUSTOS
AUTOSCALING
AUDITORIA
SEGURANÇA

Nenhuma camada trabalha completamente isolada.

Uma decisão pode afetar várias outras.

Exemplo:

Ao aumentar o contexto:

  • a qualidade pode melhorar;

  • a latência pode aumentar;

  • o custo pode crescer;

  • o limite do modelo pode ser atingido;

  • o cache pode perder eficiência.

Ao trocar para um modelo menor:

  • o custo pode cair;

  • a velocidade pode melhorar;

  • a qualidade pode diminuir;

  • o roteamento precisa mudar;

  • as avaliações devem ser repetidas.

Arquitetura de IA é um jogo permanente de trade-offs.

Não existe uma configuração perfeita para todos os casos.

Existe uma configuração adequada ao objetivo.


20. Um exemplo completo: copiloto para operações mainframe

Vamos imaginar uma empresa criando um assistente para ajudar operadores e programadores iniciantes.

O usuário pergunta:

Meu job terminou com S0C7. O que devo verificar?

Passo 1 — Autenticação

O sistema identifica o usuário.

Passo 2 — Autorização

Verifica quais aplicações, logs e runbooks ele pode consultar.

Passo 3 — Guardrail

Remove ou mascara dados sensíveis enviados no prompt.

Passo 4 — Classificação

Identifica a pergunta como diagnóstico técnico de mainframe.

Passo 5 — Model routing

Seleciona um modelo especializado em código e operações.

Passo 6 — RAG

Busca:

  • documentação de S0C7;

  • runbook da aplicação;

  • incidentes semelhantes;

  • padrões internos de diagnóstico;

  • guias de dump.

Passo 7 — Montagem de contexto

Seleciona apenas os trechos mais relevantes.

Passo 8 — Prompt

Instrui o modelo a:

  • explicar o erro;

  • sugerir sequência de análise;

  • não executar ações;

  • citar as fontes;

  • separar hipóteses de fatos.

Passo 9 — Inferência

O modelo gera a resposta.

Passo 10 — Validação

A plataforma verifica:

  • ausência de dados sigilosos;

  • presença de fontes;

  • aderência ao formato;

  • inexistência de instruções perigosas.

Passo 11 — Streaming

A resposta aparece gradualmente.

Passo 12 — Observabilidade

O sistema registra:

  • modelo;

  • tokens;

  • latência;

  • documentos consultados;

  • custo;

  • feedback.

Passo 13 — Avaliação

A interação pode entrar em um conjunto de análise para melhorar a plataforma.

Perceba que o modelo participou apenas de uma etapa.

A qualidade final dependeu da missão inteira.


21. Erros comuns de equipes iniciantes

Escolher o modelo antes de entender o problema

A equipe se apaixona por uma tecnologia e tenta encaixá-la em qualquer caso.

Comece pelo resultado desejado.

Jogar documentos em um banco vetorial sem governança

Documentos duplicados, antigos e conflitantes produzirão respostas ruins.

Não medir custos

A surpresa chega na primeira fatura.

Confiar em testes manuais

Cinco perguntas bem respondidas não provam que a plataforma está pronta.

Ignorar autorização no RAG

O sistema pode recuperar um documento que o usuário não deveria ler.

Usar um modelo grande para tudo

Funciona tecnicamente, mas pode ser economicamente inviável.

Não registrar versões

Sem saber qual modelo, prompt e índice foram usados, investigar regressões se torna difícil.

Confundir fluência com correção

Uma resposta bem escrita pode estar errada.

O modelo fala com confiança porque foi treinado para produzir linguagem plausível, não porque possui certeza.


22. Roteiro prático para construir uma plataforma

Etapa 1 — Escolha um caso de uso pequeno

Evite começar com:

Vamos criar uma IA para toda a empresa.

Comece com:

Vamos responder dúvidas sobre os procedimentos da equipe de operações.

Etapa 2 — Defina métricas

Exemplos:

  • taxa de resolução;

  • precisão;

  • tempo de resposta;

  • custo;

  • satisfação;

  • redução de chamados.

Etapa 3 — Organize as fontes

Remova:

  • duplicações;

  • documentos vencidos;

  • versões conflitantes;

  • conteúdos sem proprietário.

Etapa 4 — Crie um RAG simples

Teste recuperação antes de culpar o modelo.

Etapa 5 — Monte um conjunto de avaliação

Inclua perguntas fáceis, difíceis, ambíguas e perigosas.

Etapa 6 — Implemente segurança

Autenticação, autorização, mascaramento e auditoria não devem ser deixados para o final.

Etapa 7 — Adicione observabilidade

Registre toda a cadeia.

Etapa 8 — Otimize custo

Somente depois de medir.

Etapa 9 — Teste carga

Descubra o limite antes de os usuários descobrirem.

Etapa 10 — Planeje falhas

Defina o comportamento quando:

  • o modelo falhar;

  • o banco vetorial ficar indisponível;

  • a latência aumentar;

  • a cota acabar;

  • o documento não for encontrado.


23. Pontos para fixar no diário de bordo

Guarde estas ideias:

  1. O modelo é um componente, não a plataforma inteira.

  2. Escalabilidade envolve desempenho, custo, segurança, qualidade e operação.

  3. Tokens afetam limites, latência e orçamento.

  4. Contexto precisa ser selecionado, não apenas acumulado.

  5. Embeddings permitem busca por significado.

  6. Bancos vetoriais aceleram a recuperação semântica.

  7. RAG conecta o modelo ao conhecimento atualizado.

  8. Prompt engineering orienta comportamento, mas não corrige toda limitação.

  9. Fine-tuning serve principalmente para especialização comportamental.

  10. Model routing evita usar uma nave capitânia para entregar uma encomenda simples.

  11. Cache reduz repetição e custo.

  12. Streaming melhora a experiência percebida.

  13. Batch continua essencial.

  14. Guardrails protegem entradas, saídas e ações.

  15. Avaliação contínua detecta regressões.

  16. Observabilidade transforma “a IA errou” em um diagnóstico real.

  17. Autoscaling prepara o sistema para picos.

  18. Otimização de custos precisa considerar valor, não apenas preço por token.


Conclusão: a plataforma é a frota

O mercado adora discutir modelos.

Qual possui mais parâmetros?

Qual responde melhor?

Qual escreve código?

Qual aceita mais contexto?

Qual é mais barato?

Essas perguntas são úteis, mas insuficientes.

Uma plataforma escalável precisa funcionar em condições reais:

  • muitos usuários;

  • dados imperfeitos;

  • documentos conflitantes;

  • picos de acesso;

  • ameaças;

  • falhas;

  • mudanças de versão;

  • pressão de custo;

  • exigências regulatórias;

  • auditoria.

É nesse ambiente que a arquitetura mostra seu verdadeiro valor.

O modelo pode ser o cérebro da operação, mas ainda precisa de memória, sensores, controles, comunicação, proteção, supervisão e energia.

Um grande sistema de IA não nasce apenas da escolha de um modelo poderoso.

Ele nasce da integração disciplinada entre componentes.

Para o programador COBOL Padawan, existe uma vantagem inesperada: muitos desses princípios já fazem parte do universo mainframe há décadas.

Separação de responsabilidades.

Controle de acesso.

Processamento em lote.

Priorização de carga.

Observabilidade.

Auditoria.

Resiliência.

Otimização de recursos.

Recuperação após falhas.

A tecnologia mudou, mas a engenharia continua reconhecível.

No final da missão, a pergunta correta não é:

“Qual modelo está sendo utilizado?”

A pergunta madura é:

“Como tokenização, contexto, RAG, roteamento, segurança, avaliação, observabilidade, infraestrutura e custos trabalham juntos quando a plataforma está sob pressão?”

Se a equipe não consegue responder, talvez ainda não possua uma plataforma.

Talvez possua apenas uma demonstração bonita estacionada no hangar.

E como diria o Sr. Spock, olhando para um dashboard cheio de alertas:

“Uma inteligência sem arquitetura é apenas uma probabilidade esperando por um incidente.”

Portanto, jovem programador, quando alguém apresentar um novo modelo milagroso, admire sua capacidade, estude suas possibilidades e faça a pergunta que separa cadetes de oficiais experientes:

— Muito interessante. Mas onde estão os logs, os testes, os escudos, o roteamento, o controle de custo e o plano para quando ele falhar?

Nesse momento, você não estará mais pensando apenas como usuário de inteligência artificial.

Estará pensando como arquiteto de sistemas.

E a Frota Estelar precisa exatamente desse tipo de profissional.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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