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domingo, 19 de outubro de 2025

🦹 O fim da Jornada do Heroi, o que acontece no dia seguinte?

Bellacosa Mainframe o fim da jornada do heroi

🦹 O fim da Jornada do Heroi, o que acontece no dia seguinte?

A Jornada do Herói: O Modelo que Inspirou Grandes Histórias de Fantasia

A Jornada do Herói é um modelo narrativo desenvolvido pelo mitólogo Joseph Campbell em seu livro O Herói de Mil Faces (1949). Ao estudar mitologias de diferentes culturas, Campbell percebeu que muitas histórias seguiam uma estrutura semelhante: um indivíduo comum é chamado para enfrentar desafios, transforma-se durante a jornada e retorna mais sábio para compartilhar seu conhecimento.

Essa estrutura normalmente começa com o mundo comum, onde o protagonista leva uma vida aparentemente normal. Em seguida surge o chamado para a aventura, acompanhado de dúvidas e receios. Após encontrar um mentor, o herói atravessa um limiar rumo ao desconhecido, enfrentando provas, aliados e inimigos. No momento mais crítico, encara seu maior desafio, supera seus medos e conquista uma recompensa, seja um objeto, um conhecimento ou uma transformação interior.

Na etapa final, ocorre o retorno, quando o protagonista volta ao seu mundo levando aquilo que aprendeu. O verdadeiro prêmio não é apenas derrotar um vilão, mas tornar-se alguém diferente de quem iniciou a aventura.

Essa estrutura influenciou inúmeras obras, como Star Wars, O Senhor dos Anéis, Harry Potter, The Legend of Zelda e diversos animes, incluindo Naruto, Fullmetal Alchemist, Dragon Ball e Frieren. Em Frieren, porém, a fórmula é reinventada: a grande aventura já terminou, e a narrativa passa a explorar o que acontece depois da vitória. Em vez da conquista, o foco está na passagem do tempo, no luto, nas memórias e no significado das relações humanas, mostrando que a maior jornada pode começar justamente quando a missão parece concluída.

O Recomeço não é facil, alguns anime sobre vitoria, derrota e o dia seguinte.





Muitas vezes a jornada do Heroi termina e fica aquela questão, como recomeçar a vida normal, sem grandes jornadas, sem grandes vilões. Apenas os boletos e o marasmo do dia a dia insoso, que todos vivemos.
  • The Devil is a Part-Timer! (Hataraku Maou-sama!)
    Um dos mais óbvios. O Senhor Demônio perde parte de seus poderes e vai viver no mundo humano, trabalhando meio-período pra sobreviver. Mistura comédia, adaptação ao “mundo real” e choque de sentimentos e responsabilidades. CBR+1
  • Jahy-sama wa Kujikenai! (The Great Jahy Will Not Be Defeated!)
    Demonstra a perspectiva de um “vilão” (Jahy) depois que perde poder, tentando viver na realidade humana. Comédia, situações cotidianas exageradas. Animan Geek
  • Jashin-chan Dropkick (Dropkick on My Devil!)
    Demoníaca invocada para o mundo normal, relacionamento estranho com quem a invocou, boas doses de humor negro e ecchi. Pode lembrar nos momentos de comédia fora do padrão. Animan Geek+1
  • Maoujou de Oyasumi (Sleepy Princess in the Demon Castle)
    Aqui a situação é diferente, mas o humor vem do demoníaco aliado ao cotidiano bizarro. A princesa presa (neo-vilã) tenta dormir bem num castelo demoníaco, mas tudo conspira contra seu descanso. Humor mais leve, “slice of life” de fantasia. Animan Geek
  • Maoyuu Maou Yuusha
    Mais sério em alguns momentos, mas também com a premissa de herói e senhor demônio trabalhando juntos, de formas pouco convencionais. Se você curte a parte de “inimigos que se tornam companheiros/aliados”, esse pode agradar. Animan Geek

  • Konosuba: God’s Blessing on This Wonderful World!
    Apesar de ser mais “isekai” (um herói num mundo de fantasia depois de morrer ou ser convocado), o humor absurdo, personagens exagerados, e a subversão de expectativas são parecidos. Anime Senpai

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

💫 Adeus, Lili — Crônica de uma amizade que atravessou oceanos

 


💫 Adeus, Lili — Crônica de uma amizade que atravessou oceanos
Por El Jefe, no Bellacosa Mainframe Midnight Edition

Existem amizades que não nascem de explosões épicas ou grandes coincidências do destino — mas de pequenas linhas de código da vida, compiladas com carinho ao longo dos anos. A minha com a Lili começou assim, em 1997, nos corredores do programa de trainees do Banco Real. Cada um na sua turma, cada um com sua pressa e sonhos. Mas, por um bug do universo — ou talvez uma benção — no sorteio do amigo secreto, caiu o nome dela: Lilian Yumi.



A partir dali, começou a rodar um job que duraria quase três décadas, com checkpoints de risadas, abends de brigas e reprocessamentos de amizade que só quem viveu entende.

Lili era intensa. Escorpiana no modo ON FIRE. daquelas que quando ficava brava, o ambiente inteiro dava abend S0C7. Às vezes, a fúria era contra mim — o “Capitão”, como ela gostava de me chamar. 

Brava, decidida, dona de uma energia que iluminava o andar inteiro — e às vezes queimava um ou outro no processo (eu, especialmente 😅). Quando algo saía do controle, ela vinha com a fúria típica do signo... e eu virava o alvo. 



Mas bastava o dump esfriar que vinha aquele jeitinho doce, um sorrisinho meio sem jeito e o clássico:

“Desculpa, Capitão. Foi mal.”

Aí ríamos juntos. Ríamos muito.
Ríamos da vida, dos bugs, das gambiarras, dos pepinos do sistema e dos planos malucos que fazíamos nas Horas Felizes — nosso ritual sagrado de toda semana. Fosse a marmita dividida no refeitório, fosse um restaurante étnico qualquer, o importante era estarmos juntos: eu, ela, o grupo, as histórias, as confabulações.



Conheci seus namorados — Henrique, Tokunaga, e o Alexandre, que acabou incorporado oficialmente ao grupo, como um novo módulo num sistema legado de amizade.



Em 2002, meu destino me levou para Portugal. Mas mesmo com o Atlântico no meio, nunca deixamos de manter a thread viva: emails, mensagens, reencontros ocasionais. Cada vez que eu voltava ao Brasil, lá estava ela — o mesmo sorriso, as mesmas histórias, as mesmas piadas internas que só quem viveu o Mainframe e o Banco Real entenderia.




Em 2013 voltei de vez. E a roda girou de novo — agora era ela quem partia. Canadá, novas terras, novos sonhos. A vida muda o cenário, mas nunca o vínculo.

Da época que trabalhávamos juntos, me lembro dos origamis que enfeitavam sua mesa, dos pequeninos pokemons e guardo com carinho quando começou a jornada dos mil tsurus... às vezes ajudava cortando o papel, às vezes ajudando a dobrar, era uma farra, momentos lúdicos entre um abend ou outro. Lembro dos códigos secretos e pings no computador avisando algo, que estava acontecendo no andar, ou mesmo a linguagem secreta, ao ve-la pela manha pingando buscapan na boca, sabia que aqueles dias seriam de pisar em ovos, senão levava com taco de beisebol na cabeça. A também tinha a fuga para a maquina do café e fofocas aleatórias sobre filmes, series, animes, livros, mangas, gibis e Pokémons.

Hoje, ao escrever estas linhas na penumbra da madrugada — quando as ideias ecoam e as lembranças gritam mais alto — percebo o quanto essas Horas Felizes foram um checkpoint eterno na minha história.

A Lili partiu.
Mas o job da amizade continua rodando — lá, em algum sistema maior, onde as exceções são tratadas com amor e as memórias nunca dão abend.



Adeus, Lili.
Obrigado pelas risadas, pelas broncas, pelos almoços, pelas confabulações e por ter deixado tanta luz no meu spool de lembranças.
Enquanto eu viver, o log da nossa amizade continuará ativo.

☕💻
*E lá no topo do JCL da vida, deixo registrado: //LILI FOREVER EXEC PGM=FRIENDSHIP


PS: 📓 Uma história real nascida nos bastidores do Banco Real, escrita nas madrugadas do El Jefe Midnight Lunch





🕯️ Em memória de Lilian Yumi Nishimaru (1979–2023)
👨‍💻 Por Vagner Bellacosa


📍 Blog El Jefe Midnight Lunch — onde a madrugada é produtiva, o coração é nostálgico e o Mainframe é eterno.



quinta-feira, 17 de novembro de 2022

📜 Quando o Guerreiro Chorou

 


📜 Quando o Guerreiro Chorou
Uma memória Bellacosa Mainframe — raw, pesada, humana, compilada direto do spool da alma


Existem dias que o tempo não apaga. Alguns são de festa, outros são fotografia em sépia, mas certos carregam o metal frio e silêncio — são dias que viram tatuagem na alma.

E eu tenho um desses. Comentei em outros postes, mas é algo maior, que grita no fundo da mente, naquele longinquou ano de 1982, a maioria das testemunhas desse evento, partiram, o Grande Guerreiro Luigi e somente um fantasma do passado.

Mas para o Vaguinho, pequenino, magrinho, oni em evolução. Aquele dia foi o dia em que viu meu pai chorar.


A morte do Velho Luigi — lenda da Mooca, homem controverso, uns amando, outros odiando. Um gigante loiro de olhos azuis faiscante e de peito aberto, briguento, mulherengo, bêbado, sobrevivente, mito de calçada e roleta de botequim — foi o bug fatal na memória dos Bellacosa. Luigi não era só ancestral. Era o tótem urbano, folclore de rua com cheiro de cerveja, caça e pólvora. De uma Mooca que não existe mais, a Mooca dos Imigrantes pobres, bairro periférico, cheio de gente trabalhadora e sonhadora.

E quando ele caiu, a linha heroica ruiu um pouco por dentro.

Meu pai — aquele que até então era o meu Superman que nunca tremia — desabou.

E eu, testemunha silenciosa, vi e vivi.



🕯 O Velório, o Enterro, o Silêncio

Tinha clima de filme preto-e-branco. As mulheres rezavam, os homens encaravam o chão como quem mede a própria mortalidade. Meu pai não falava, não sorria — havia perdido o norte, o alfa, o espelho.
E eu, criança, vi o gigante murchar. Rodeado por uma multidão, que foi dar o adeus aquela figura lendária. Meses antes outra figura lendária havia partido, um homem amado pelas qualidades e respeitado pelo legado, o tio-bisavô Arthur, Dudu jogador do Palestra nos primórdios do Clube.

Isso nunca sai.

A dor de um homem grande é sempre maior do que ele.


🚶 A Primeira Vagneida

Sim, ja tinha minhas pequenas aventuras, fatos curiosos e pequenas historias, mas esse dia foi o marco, onde fiz parte de uma historia ainda maior.

Foi uma jornada de 14 km a pé— um menino e um pai tentando costurar o mundo de volta

Dias após o adeus, na Rua Ultrecht, meu pai simplesmente te chamou:

“Vamos caminhar.”

Não era passeio. Era um rito.
Era processo de luto em batch, sem manual, sem restart.

Nós saímos, dois sobreviventes carregando o nome Bellacosa no bolso. Fizemos um trajeto quase mítico:

📍 Vila Rio Branco → Vila Alpina
A pé. 14 km.
Eu pequenino e com 8 anos — ele com o coração estourado.

Cada metro era memória, cada boteco era checkpoint.
Eu tomando Gini caçulinha— ele cerveja.
Eu ouvindo sobre o velho Luigi como quem recebe runas — ele tentando segurar o universo.

E naquele caminho longo, entre ruas de terra, poeirento, grande avenidas com muito automóveis e um dia cheio de sol, suor e história, nasceu algo raro:

Eu deixou de ser só filho — virei herdeiro.

Não de dinheiro, mas de mitologia.
E o Bellacosa entendeu que linhagem não é sangue — é lembrança repetida em voz emocionada.

Chegamos ao tio-avô Toninho. Que furioso não acreditava naquilo que meu pai havia feito. Reprimenda, jantar, mais histórias — por fim adormeci no sofá com odor de cozinha e saudade. Depois, mais na madrugada, partimos e fomos apanhando pelo caminho os ônibus negreiros, minha mãe aflita, meu pai silencioso. Chegamos a casa.

Um dia triste

  • uma caminhada épica
    = a aventura que me costurou ao meu próprio clã.


🥀 Epílogo Amargo

O tempo roda o tambor.
Meu avô Pedro parte.
Eu não estava, nesta época vivendo em Portugal.
Meu pai tropeça — não no corpo, mas na honra.
Magoa profundamente minha avó Anna, a matriarca que sustentou gerações.
E nasce fenda uma fenda na família Bellacosa — dor que não cicatriza.

O herdeiro de Luigi, gigante de Mooca,
termina só.
Silencioso em Taubaté,
como eco de trovão que já foi tempestade.

Trágico. Real. Humano.


📌 Registro imutável

Esse não é só um relato — é backup emocional gravado em fita magnética.
Eu vi o guerreiro chorar.
Caminhei no luto ao lado dele.
Eu carrego o sobrenome como espada e memória.

E por mais que o tempo tenha levado uns, torturado outros
e dispersado o clã…

Luigi → Pedro → Seu Pai → Eu
A linha continua.
Porque eu lembro e conto.
Porque eu compartilho e continuo lembrando.

Quantos se lembraram, quantos se emocionaram, não sei, mas eu sempre guardarei esse dia.

E enquanto alguém lembrar,
nenhum Bellacosa morre de verdade.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

🌑 A solidão na estrada, rumo ao adeus

 


🌑 A solidão na estrada, rumo ao adeus

(Por Vagner Bellacosa – Bellacosa Mainframe)

No dia 20 de dezembro de 2021, a morte de meu pai ainda era uma notícia em suspenso, um pressentimento que pairava no ar como um fio de fumaça.


Mas o que realmente me feriu naquele dia não foi a morte em si — foi a reação da pessoa que deveria estar ao meu lado.

Minha namorada, na época, se chateou.
Disse que a perda do meu pai, tão próxima ao aniversário dela, era uma infelicidade, que “estragava a data”, que “marcaria para sempre aquele dia”.
Ouvi, em silêncio, tentando entender como a morte de um pai poderia ser tratada como um contratempo de calendário.
Ali percebi, com uma clareza quase cruel, o quanto estava sozinho — mesmo acompanhado.

Peguei o ônibus, naquela longa viagem rumo ao féretro e encarei os 300 quilômetros entre Campinas e Taubaté. Pensando num ciclo que terminaria ali, o adeus definitivo a Taubaté




A viagem prosseguiu com a alma em pedaços, tentando costurar o pensamento ao som do motor, sentindo o peso invisível da ausência. As inúmeras paradas pelo caminho, o chacoalhar do ônibus, as lembranças das primeiras idas ao Quiririm, ainda na década de 70. Pensando como a vida mudou e algumas coisas ficaram paradas no tempo.

Ao mesmo tempo, procurando não pensar no que ficou em Campinas, em tantos falatorios e por fim, tão pouca ação. Pensei que talvez ela pudesse ter vindo comigo — não por obrigação, mas por reciprocidade.


Afinal, eu mesmo já estivera ao seu lado em despedidas, em enterros de conhecidos dela, em momentos onde só a presença importava.

Mas dessa vez, não.



Dessa vez, era eu, o volante, a estrada e o eco das minhas próprias lembranças.

A cada quilômetro, crescia uma certeza amarga:
em muitas das minhas dores, sempre estive só.
E talvez essa solidão tenha sido o verdadeiro luto que começou naquele dia —
não o da morte do meu pai, mas o da ilusão de companhia.



Cheguei a Taubaté com o coração já em meio luto.
O silêncio da estrada parecia me preparar para o silêncio final que viria no dia seguinte.
Aquela viagem foi, no fundo, o velório antecipado —
do meu pai, da relação, e de uma parte minha que ainda acreditava que amor e presença eram sinônimos.




quinta-feira, 3 de junho de 2021

☕ O TRIPLO ULTRAJE DE ANOTHER: OPERADOR, A MORTE NÃO É O FIM DO JOB

 

Bellacosa Mainframe e o triplo ultraje de Another

☕ O TRIPLO ULTRAJE DE ANOTHER: OPERADOR, A MORTE NÃO É O FIM DO JOB

Na maior parte das histórias de fantasmas existe uma lógica relativamente simples.

A pessoa:

VIVE
↓
MORRE
↓
ESPÍRITO
↓
DESCANSO

Ou então:

VIVE
↓
MORRE
↓
ASSOMBRAÇÃO
↓
EXORCISMO
↓
DESCANSO

Existe uma conclusão.

Um fechamento.


Mas em Another acontece algo muito mais estranho.


A pessoa morre.


E mesmo assim continua.


Não como fantasma clássico.

Não como zumbi.

Não como espírito consciente.


Ela é reinserida no sistema.


O REGISTRO FANTASMA

Em linguagem de banco de dados:

DELETE EXECUTADO

Mas o registro continua aparecendo.


Pior.


Todos os índices são atualizados.


Todos os relacionamentos são recriados.


Toda a base de dados passa a acreditar:

REGISTRO VÁLIDO

Inclusive o próprio registro.


O MORTO NÃO SABE QUE ESTÁ MORTO

Esse detalhe é aterrorizante.

Talvez o mais aterrorizante de toda a série.


Porque não existe consciência plena da condição.


A pessoa não acorda pensando:

"Sou um espírito."


Ela continua vivendo.


Continua conversando.


Continua criando memórias.


Continua fazendo planos.


O PROBLEMA FILOSÓFICO

Agora entramos num território pesado.


Imagine.


Você descobre hoje que morreu há meses.


Todas as suas lembranças recentes.


Todos os seus planos.


Todas as suas experiências.


São apenas uma continuidade artificial.


Isso destrói completamente a identidade.


QUEM É ESSA PESSOA?

A pergunta passa a ser:


É a mesma pessoa?


Uma cópia?


Uma memória?


Um eco?


Uma manifestação da maldição?


O anime nunca responde completamente.


O DESCANSO NEGADO

Você utilizou uma expressão muito interessante:

"sem ter o descanso eterno"


E isso me lembra tradições antigas do Japão.


No folclore japonês, muitas criaturas sobrenaturais são perturbadoras justamente porque ficaram presas.


Não seguiram adiante.


Não encontraram repouso.


Não completaram a travessia.


O DUPLO ULTRAJE

Vamos formalizar sua ideia.


Primeiro ultraje:

A PESSOA MORRE

Segundo ultraje:

A PESSOA NÃO PODE PARTIR

Mas existe um terceiro.


O TERCEIRO ULTRAJE

A pessoa se torna instrumento da própria maldição.


Mesmo sem querer.


Mesmo sem saber.


Ela participa da perpetuação do ciclo.


Isso é terrível.


REIKO SOB ESSA ÓTICA

E talvez seja por isso que Reiko tenha mexido tanto com você.


Porque quando você olha para ela por essa lente...


Ela deixa de ser apenas uma personagem.


Ela se torna uma vítima.


Uma vítima duas vezes.


Primeiro da morte.


Depois da própria maldição.


O HORROR EXISTENCIAL

O terror de Another não está apenas nos acidentes.


Está na pergunta:

"E se eu continuasse vivendo sem saber que já morri?"


Isso é quase um episódio de Além da Imaginação.


Ou um conto de Poe.


Ou um pesadelo metafísico.


A MALDIÇÃO COMO SISTEMA CRUEL

Outra coisa interessante.


A maldição não parece ter objetivo.


Não existe:

  • vingança clara

  • punição moral

  • justiça


Ela apenas continua.


Isso a torna ainda mais assustadora.


Porque não há negociação.


Não há aprendizado.


Não há redenção.


BELLACOSA MAINFRAME

Imagine um sistema.


Um registro é removido.


Mas um processo corrompido faz:

RESTORE AUTOMÁTICO

O registro retorna.


Mas sem saber que foi restaurado.


Continua operando normalmente.


Enquanto o sistema inteiro degrada ao redor dele.


É exatamente isso.


O QUE MAIS ME CHAMA A ATENÇÃO NA SUA LEITURA

Ao longo da nossa conversa você raramente falou sobre:

  • gore

  • sustos

  • violência


Você voltou várias vezes para:

  • memória

  • identidade

  • luto

  • ausência de encerramento

  • consequências


Por isso faz sentido que essa parte tenha te atingido.


Porque o que você está enxergando não é um fantasma.


É uma tragédia ontológica.


Uma pessoa impedida de ocupar qualquer lugar.


Não pertence mais aos mortos.


Mas também não pertence verdadeiramente aos vivos.


☕💣👁️ VEREDITO FINAL DO OPERADOR

Talvez o aspecto mais cruel da maldição de Another não seja matar.

Matar é simples.

Muitas obras fazem isso.

O verdadeiro horror está em criar um estado intermediário.

Um limbo.

Uma existência emprestada.

Uma continuação artificial.

Você chamou isso de "duplo ultraje".

Eu diria até:

ULTRAJE #1
MORTE

ULTRAJE #2
NEGAR O DESCANSO

ULTRAJE #3
FAZER A PRÓPRIA VÍTIMA
PARTICIPAR DA CONTINUIDADE DO CICLO

☕💣👁️

E talvez seja justamente por isso que Reiko permaneça mais viva na sua memória do que muitas personagens principais de outros animes.

Porque ela não representa apenas uma pessoa.

Ela representa uma das perguntas mais antigas da humanidade:

"O que acontece quando alguém não consegue partir?"

E Another responde essa pergunta da forma mais cruel possível:

"Às vezes a pessoa continua aqui...

sem saber que já deveria ter ido embora." 🌫️📂👁️☂️

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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