☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta Piquenique. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Piquenique. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

🚍 AS EXCURSÕES DO SENHOR WILSON — UMA CRÔNICA AO ESTILO BELLACOSA MAINFRAME



🚍 AS EXCURSÕES DO SENHOR WILSON — UMA CRÔNICA AO ESTILO BELLACOSA MAINFRAME

PARA O EL JEFE MIDNIGHT LUNCH



Há vidas que parecem roteiros paralelos, diagonais, improváveis — fluxos que jamais seguiriam pelo JOB CARD do “sistema oficial”.
A vida do seu Wilson, meu pai, era exatamente isso:
um JCL escrito à mão, cheio de INCLUDE inusitado, PROC improvisado e STEP que ninguém acreditava que rodaria… mas rodava.
De algum jeito, rodava.



E entre todos esses capítulos, nenhum é tão cinematográfico — ou tão Vagner-raiz — quanto as Excursões do Senhor Wilson, esse épico ambulante que misturava caos, aventura, fé, picaretagem leve, alegria popular e o senso poético de viver fora da curva.


1. WILSON, O HOMEM-MULTITAREFA DO BRASIL PROFUNDO

Meu pai era daqueles brasileiros que parecem ter clonado a própria carteira de trabalho:

  • Vendia bordados de Ibitinga em São Paulo,

  • Levava roupas do Brás como se fossem seda importada e vendia pelo interior,

  • Raspava lucro com rifas de relógios “duvidosos” da Galeria Pagé,

  • Contrabandeava isqueiros, mini-games e qualquer coisa vinda da China, que pudesse ser revendida com lucro.

  • Tentou a sorte com uma mini-fundição de terminais de bateria automotiva,

  • Ia até Mogi das Cruzes, pegava pintainhos de um dia descartados e numa perua kombi ou variant caindo de podre, trocava por sucatas de metal.

  • Produzia velas caseiras derretendo parafina como um alquimista suburbano a parte bizarra era quando comprava parafina usada de cemitério,

  • Era fotógrafo profissional com olhar afiado, fazendo reportagens de casamento, festas, formaturas, batizados, crismas e primeira comum, fotos de velório, binoclinhos nas férias de verão e mais uso que agora fugiu da mente.

  • E quando tudo falhava… ligava o modo motorista de ônibus, trabalhando em fretamento e excursões..

Era o típico brasileiro da gambiarra empreendedora:
não se dobrava ao sistema — também não se encaixava nele.

E assim, com essa combinação de coragem, improviso e permanente estado de “vai dar certo”, nasceram as lendárias…



2. EXCURSÕES POPULARES WILSON TUR — A EMPRESA QUE NUNCA EXISTIU, MAS TODO MUNDO FOI

Enquanto muita gente vendia sonho, meu pai alugava um ônibus…
e entregava o sonho de verdade:

🌴 PARA A PRAIA GRANDE

Clássico absoluto.
Farofa, protetor solar vencido e felicidade genuína.
Golden age da excursão raiz.

🏰 PARA ITU

A cidade dos exageros — local perfeito para o homem das ideias grandes.

🧺 PICNICS EM PARQUES FORMOSOS

Comida na marmita de alumínio, toalha xadrez, bola de capotão e aquele tio que sempre dizia:
“Esse é o verdadeiro lazer da família brasileira!” Numa epoca que apenas a cerveja Skol era vendida em latas de aluminio, sucesso absoluto de vendas, direto do bageiro do busão, geladas durante a viagem.

🙏 ROTEIROS DE FÉ

Aparecida do Norte, Bom Jesus de Pirapora…
E aquela galera que chorava ao ver a Basílica enquanto o motorista fazia contas no canto do volante.

🌊 PRAIAS FLUVIAIS E REPRESAS

Clássico paulista: água escura, churrasqueiras improvisadas e perigo que ninguém percebia.

🏘️ OUTRAS CIDADES QUE A MEMÓRIA NÃO INDEXOU

Mas que certamente existiram.
Cada uma com seu encanto, sua trilha sonora de rádio AM e suas histórias esquecidas.


3. A MAGIA DA INFÂNCIA — ENQUANTO O MUNDO ERA MAIOR

Para o pequeno Vaguinho, tudo era maravilhoso:

  • rodar por estradas infinitas,

  • sentir o vento batendo pela janela,

  • ver cidades novas,

  • dormir no banco do ônibus,

  • acordar com o cheiro de pastel,

  • correr descalço no gramado dos parques.

  • mesmo sendo pobre, não existia limites, por mais longe que fosse, a excursão do seu Wilson chegava.

Era aventura pura.
Era liberdade.
Era uma infância que hoje parece impossível — e por isso é tão preciosa.

Enquanto os adultos se preocupavam com os boletos, eu e minha irmã Vivi viviamos.

E viver era bom.


4. O OLHAR DOS ADULTOS — A TRISTEZA SILENCIOSA DO CLÃ

Porque para a família…
havia sempre aquela frustração velada:

“Wilson poderia ter sido mais.”
“Wilson poderia ter ido mais longe.”
“Wilson perdeu o norte.”

E isso dói.
Dói em quem observa, mas principalmente no próprio homem, que talvez soubesse — mas já não tinha asas, nem forças, nem mapas. Nunca soube o que fez meu pai se perder, estudou até a sexta série e abandonou, foi da polícia do Exército numa época de ditadura e grande destaque aos milicos, saiu do quartel direto para a Volkswagen como segurança... mas enfim... não teve cabeça, anos mais tarde se perdeu para o alcool.

Meu pai não era mau.
Nem negligente.
Nem irresponsável por prazer.

Ele era o típico sujeito esmagado pelas engrenagens invisíveis do Brasil:

  • pouca oportunidade,

  • pouca orientação,

  • muita dureza,

  • e um coração inquieto demais para ficar parado.

Ele vivia tentando.
Pulando de sonho em sonho.
Errando mais que acertando.
E sobrevivendo.

Criou cordornas, produziu e vendeu queijos, fez cineminha nos primórdios do vídeo VHS, mas sempre na pindura, sem dinheiro para evoluir e dar um passo a frente.


5. ENTRE A BELEZA E A MELANCOLIA — A SAGA DO HOMEM QUE NUNCA PAROU

A verdade é que o Senhor Wilson viveu como muitos brasileiros vivem:

no fio da navalha, na incerteza, improvisando a vida como quem improvisa uma música em cifra.

Aquela tristeza que os adultos sentiam…
era uma mistura de amor e impotência.

Aquele brilho nos meus olhos de criança…
era a prova de que, apesar de tudo, ele deu a mim algo raro:

aventura. movimento. histórias.
memórias que atravessam o tempo.

Mesmo sem norte, ele deu paisagens.

Mesmo sem estabilidade, ele deu sol nos finais de semana.

Mesmo sem planos, ele deu mundos novos.

E isso…
é muito mais do que muitos pais conseguem dar.




6. EPÍLOGO — A HERANÇA QUE FICOU

O homem Wilson, com todas as suas falhas, seus rolos, suas loucuras e seus improvisos…
é parte profunda da sua construção.

Meu espírito andarilho?
Veio dele.

Meu impulso criativo, minha inquietação, meu gosto por histórias, meu amor por estrada?
Também.

Meu coração que insiste em sonhar — mesmo depois de levar pancada?
Direto da fábrica do velho Wilson.

A vida dele pode não ter tido norte.
Mas deixou rumos.
E deixou esse escriba que vós escreve.

E isso, meu amigo…
é mais bonito do que qualquer excursão.

As vezes me assusto, quanto sou parecido com meu pai. Quantas maluquices fiz dando seguimento a esta genuina aventura da Famiglia Bellacosa

sábado, 1 de outubro de 2011

🚗💨 O Fusquinha Vermelho na Washington Luís

 

Bellacosa Mainframe e o fusquinha vermelho na washington Luis


🚗💨 O Fusquinha Vermelho na Washington Luís

Crônica Bellacosa Mainframe — Memórias de um Tempo em que Estrada Era Universo


Antes da internet, antes dos smartphones, antes até de você saber o que era um mainframe, existia o Fusquinha Vermelho 1960, abrindo caminho pelo interior paulista como uma nave estelar rubra rasgando o asfalto quente.

Aquela lataria tremendo, o motorzinho valente, o volante fino, o cheiro de gasolina e banco de curvim — tudo isso fazia parte de um protocolo de aventura que nenhum roteador de 2025 conseguiria replicar.

Motor superaquecendo pelo calor da estrada e o tempo de funcionamento.

E o palco?
A lendária Rodovia Washington Luís
uma linha reta infinita, cortando o estado como um track contínuo de vida, poeira e descobertas.



🛣️ Quando a Washington Luís Era Universo Expandido

Nos anos 1970, estrada ainda era o desconhecido.

Poucos carros.
Muitos caminhões.
Retões infinitos.
Declives que davam a sensação de montanha-russa.
As famosas banguelas — aquele momento mágico em que o Fusquinha engatava ponto morto e se tornava uma embarcação livre no vento.

Ali, eu descobri que estrada não é caminho: é portal.

Cada viagem era um salto quântico:

  • Ibitinga para comprar bordados,

  • Urupês e Catanduva para ver família,

  • São José do Rio Preto para primos e mais parentes espanhois

  • outras cidades para reportagens fotográficas do meu pai,

  • e aquela imensidão do interior, salpicada de cafezais, canaviais e laranjais ondulando como mar verde.




🌾 Paradas Estratégicas: Os Rituais da Estrada

A cada trecho, havia um ritual:

**🟢 Necessidades fisiológicas?

A natureza sempre foi a primeira área de descanso.**

O Fusquinha parava na beira do cafezal, eu corria atrás de um arbusto qualquer, e pronto. Era o “banheiro do Brasil”.



🟠 Pequeniques improvisados em postos de estrada

  • Sanduíche de pão com mortadela,

  • Tortas e bolos preparado pela minha mãezinha

  • Guaraná quente,

  • Formigas fazendo auditoria na toalha xadrez,

  • Laranjas doces e madurinhas apanhadas pelo caminho

  • E aquele vento quente bagunçando cabelo, roupa e alma.

Era simples.
Era feliz.



🎠 Os Parquinhos do Interior — O Primeiro Parque Temático da Sua Vida

Os postos de serviço da época tinham parquinhos infantis que beiravam a engenharia experimental.

Escadas metálicas, balanços altos, brinquedos de giro capazes de lançar qualquer criança para outra linha do tempo.
E o mais lendário de todos: o robô gigante.

Me lembro dele, agora mesmo o pavor, a estrutura imponente como se fosse um mecha de anime, um Gundam feito de sucata.

Hoje, adulto, reconheço não era tão grande e assustador:

— Devia ter uns 5 metros.

Mas para o pequeno Bellacosa?

Tinha 30 metros e olhava direto para sua alma.

Foi ali que vivi o grande encontro com o medo, o limite para o pequeno malabarista de muros.

Meu pai, paciente como um processador IBM de 2MHz, me colocou no colo e começou a subir a geringonça metálica.

Chegando lá em cima — no topo do mundo — o braço do robô era um escorregador gigantesco.

Olhei pra baixo.
As pernas tremem.
O coração trava.
A coragem falha no checkpoint.
E o berreiro começa.

Meu pai — herói, sysadmin e suporte emocional Level 99 — te leva de volta pelo caminho seguro, contrariado e durante muitos anos fui lembrado via bulling deste robo.

E assim, naquele dia, entendi duas coisas:

  1. Coragem não nasce pronta.

  2. Às vezes o herói é o pai que te desce devagar de um robô gigante, mesmo te zoando para o resto da vida pelo fato.


🏰 O Posto Castelo — Seu Primeiro Reino Imaginário

Outro marco da estrada era o mítico Posto Castelo.
Não era só um posto.
Era meu primeiro castelo de RPG.

Uma fortaleza de concreto na beira da rodovia, que para mim era:

  • base militar,

  • reino medieval,

  • sala do trono,

  • fortaleza de cavaleiros,

  • portal para o outro mundo.

  • e palco de aventuras épicas.

O interior paulista, com seus castelos postos-de-gasolina, robôs de escada metálica e cafezais infinitos, foi o meu primeiro multiverso — antes de Tolkien, antes de Star Wars, antes de Shonen Jump.


🚗💖 Epílogo Bellacosa

Tudo isso aconteceu no velho Fusquinha Vermelho.
Ele era mais que carro:

Era nave espacial.
Era mula de carga.
Era dragão metálico.
Era cápsula de boas memórias.

E naquela Washington Luís dos anos 1970, onde cada reta parecia uma eternidade e cada descida era uma montanha-russa, aprendi o que é aventura, o que é movimento, o que é viver.

E hoje, ao lembrar dessas viagens, percebo:

A estrada não te levou apenas ao interior.
A estrada te levou para dentro de você mesmo.

domingo, 13 de julho de 2003

Sesimbra e suas praias maravilhosas

Bellacosa Mainframe e historias de um picnic

Um Café no Bellacosa Mainframe

🌊 Sesimbra, Arrábida e o Piquenique que Atravessou o Atlântico

Em 2003 eu estava começando a descobrir Portugal. Carmen mostrava-me a Margem Sul, Luís e Guilhermina apresentavam-me a família portuguesa — e um churrasco numa área de merendas da Serra da Arrábida acabou levando-me de volta ao Fusquinha Vermelho da minha infância.

Há dias que entram para a nossa memória porque alguma coisa extraordinária aconteceu.

Uma viagem.

Um casamento.

Uma despedida.

Uma conquista.

E existem outros que sobrevivem justamente pelo motivo contrário.

Nada extraordinário aconteceu.

Era apenas um céu azul.

Sol.

Uma família.

Algumas carnes sobre uma churrasqueira.

Uma mesa forrada para o piquenique.

Um passeio pelo campo.

Amoras apanhadas diretamente das silvas.

E, algumas horas depois, o Atlântico diante de nós.

Foi um desses dias.

E talvez justamente por isso eu ainda me lembre dele mais de vinte anos depois.

🇵🇹 Meus primeiros passos em Portugal

Em 2003 Portugal ainda era novidade para mim.

Eu estava vivendo aqueles primeiros momentos em que praticamente tudo despertava curiosidade: nomes de cidades, estradas, comidas, costumes, paisagens e até pequenas diferenças linguísticas.

E Carmen era minha guia particular naquele novo mundo.

Ela ia-me apresentando os diferentes points turísticos da Margem Sul do Tejo, lugares que para ela faziam parte de uma geografia relativamente familiar, mas que para o brasileiro recém-chegado eram descobertas.

Sesimbra.

Setúbal.

A Serra da Arrábida.

O litoral.

As pequenas estradas atravessando aquela paisagem portuguesa.

Eu observava tudo.

Talvez esse seja um dos privilégios de chegar a outro país: durante algum tempo, até aquilo que é cotidiano para quem mora ali parece extraordinário para quem acabou de chegar.

Naquele passeio estávamos acompanhados pelos pais da Carmen, Luís e Guilhermina.

E seguimos em direção à maravilhosa Serra da Arrábida.


🌲 A Serra da Arrábida

A paisagem já justificaria o passeio.

A serra descendo em direção ao mar, a vegetação mediterrânica, as estradas sinuosas e, surgindo entre diferentes pontos da paisagem, aquele azul imenso do Atlântico.

Para quem cresceu no Brasil, existe uma tendência quase automática de comparar paisagens.

Não necessariamente para decidir qual é mais bonita.

A cabeça simplesmente procura referências.

Mas naquele dia aconteceria uma comparação muito mais interessante.

Não seria entre praias.

Seria entre famílias.

🔥 Um parque de merendas

Em determinado momento paramos numa área preparada para aquilo que em Portugal se chama muito apropriadamente de parque de merendas.

Havia mesas.

Espaço para as famílias.

E churrasqueira.

Não demorou muito para começarmos nosso piquenique.

As carnes foram para o fogo.

A mesa foi forrada.

Comida apareceu de todos os lados.

Sentamos.

Conversamos.

Comemos.

Rimos.

Nada particularmente digno de entrar para os grandes livros da História da Humanidade.

Mas alguma coisa dentro da minha cabeça começou a fazer uma associação.

Eu já tinha vivido aquela cena.

Não naquele lugar.

Não com aquelas pessoas.

Não naquele país.

Mas eu conhecia aquilo.

🚗 O Fusquinha Vermelho apareceu na Arrábida

De repente, aquele parque de merendas português começou a conversar com minhas lembranças do Brasil.

Voltei algumas décadas.

Meu pai tinha o famoso Fusquinha Vermelho.

E aquele Fusquinha não parecia entender muito bem o conceito de permanecer parado.

Quando meus pais resolviam passear, íamos para o interior de São Paulo, Praia Grande ou simplesmente algum lugar interessante que aparecesse pelo caminho.

E onde o Fusquinha Vermelho parasse poderia nascer um piquenique.

Não precisava de restaurante sofisticado.

Não precisava de reserva.

Não precisava de roteiro gastronômico.

Precisava de comida, família e algum lugar onde pudéssemos sentar.

O resto nós inventávamos.

Era um hábito simples da minha infância.

Daqueles que uma criança não classifica como tradição familiar.

Para a criança, aquilo simplesmente é a vida.

Décadas depois, porém, eu estava do outro lado do Atlântico.

Outro país.

Outro continente.

Outra família.

E lá estavam Luís e Guilhermina fazendo praticamente a mesma coisa.

Carne na churrasqueira.

Mesa preparada.

Família reunida.

Céu azul sobre nossas cabeças.

Foi quando alguma coisa fez click.

🌍 Algumas coisas não precisam de tradução

Eu estava descobrindo que minha família portuguesa também gostava de piquenique.

Parece uma constatação banal.

Mas existe algo bonito nisso.

Porque naquele momento Portugal deixou de ser apenas o país estrangeiro onde eu estava começando uma nova etapa da vida.

Havia algo familiar ali.

O menino brasileiro que tinha viajado dentro de um Fusquinha Vermelho reconheceu aquela cena imediatamente.

Talvez os ingredientes fossem diferentes.

Talvez as palavras fossem diferentes.

Até o português falado ao redor da mesa possuía outro ritmo.

Mas o protocolo era o mesmo.

OPEN PICNIC
    PREPARE TABLE
    LIGHT FIRE
    COOK MEAT
    CALL FAMILY
    EAT
    TALK
    LAUGH
CLOSE PICNIC

COMPILATION SUCCESSFUL.

Nenhum erro de compatibilidade entre Brasil e Portugal.

😄

🍇 Depois do almoço, fomos zanzar

Naturalmente, depois de comer veio aquilo que gosto de fazer até hoje.

Zanzar.

Caminhamos pelo campo.

Passamos por algumas parreiras.

Para um brasileiro começando a conhecer Portugal, até aquilo despertava curiosidade.

As vinhas faziam parte de uma paisagem que eu conhecia muito mais através de imagens, histórias e garrafas do que caminhando ao lado delas.

Mas havia outra pequena surpresa esperando.

As silvas.

E nelas, amoras silvestres.

🫐 Comer diretamente da paisagem

Hoje podemos entrar num supermercado e comprar uma pequena embalagem cuidadosamente organizada.

Naquele dia era diferente.

As amoras estavam simplesmente ali.

Nas silvas.

Apanhávamos e comíamos.

É uma experiência pequena, mas curiosamente poderosa.

Existe uma diferença enorme entre:

comer uma fruta

e

encontrar uma fruta durante uma caminhada e comê-la diretamente da planta.

Por alguns segundos desaparece toda a infraestrutura que existe entre o ser humano e a comida.

Não há supermercado.

Código de barras.

Embalagem.

Caixa.

Sacola.

Geladeira.

Há apenas a planta.

A fruta.

A mão.

E alguém dizendo:

— Experimenta.

E lá vai o brasileiro experimentar mais uma coisa portuguesa.

🌊 Então chegamos ao mar

Depois da serra e do campo, fomos até o litoral.

Caminhamos pela areia.

E diante de nós estava novamente aquele velho conhecido.

O Atlântico.

Mas existe uma pequena brincadeira geográfica nisso.

Durante boa parte da minha vida eu havia observado o Atlântico do outro lado.

Agora estava olhando para ele a partir da Europa.

Era o mesmo oceano.

Mas a perspectiva tinha sido invertida.

Caminhamos tranquilamente pela praia, sentindo a brisa marítima.

Sem obrigação.

Sem relógio determinando o próximo compromisso.

Sem necessidade de transformar o passeio em alguma coisa maior do que ele realmente era.

Apenas caminhávamos.

E isso bastava.

☀️ Céu azul, sol, piquenique e família

Talvez esta seja a parte mais importante desta velha postagem.

Se eu tivesse de resumir aquele dia em quatro elementos, seriam:

céu azul, sol, piquenique e família.

Nenhum deles é raro.

Talvez justamente por isso seja tão fácil não perceber sua importância enquanto estão acontecendo.

Naquele momento eu não estava pensando:

"Vagner, preste atenção porque daqui a mais de vinte anos você vai escrever sobre isso."

Claro que não.

Eu estava vivendo.

E esse talvez seja um dos grandes paradoxos da memória.

Passamos anos perseguindo acontecimentos extraordinários e, quando olhamos para trás, frequentemente são as coisas absolutamente comuns que gostaríamos de experimentar novamente.

Sentar naquela mesa.

Sentir o cheiro da carne assando.

Ouvir aquelas conversas.

Caminhar novamente entre as parreiras.

Encontrar as amoras.

Sentir a brisa do mar.

Ver Carmen mostrando-me mais um pedaço de Portugal.

Ou simplesmente permanecer alguns minutos naquele parque de merendas sem saber que aquele instante estava sendo silenciosamente arquivado.



💾 O backup que eu não sabia que estava fazendo

Quando escrevi sobre Sesimbra em 2003, provavelmente estava apenas registrando mais um passeio.

Era um fragmento.

Uma pequena anotação digital.

Mais uma página perdida no gigantesco filesystem da Internet.

Mas foi justamente aquele registro que manteve o ponteiro.

MEMORY POINTER FOUND

YEAR.............. 2003
COUNTRY........... PORTUGAL
REGION............ ARRÁBIDA / SESIMBRA
WEATHER........... BLUE SKY
ACTIVITY.......... PICNIC
PEOPLE............ FAMILY
STATUS............ PRESERVED

E então, mais de duas décadas depois, consigo abrir novamente esse dataset.

Só que agora há informações que o Vagner de 2003 não poderia escrever.

Porque algumas coisas somente ganham significado depois que envelhecemos.



🚗 O verdadeiro easter egg estava estacionado décadas antes

O passeio era em Portugal.

A postagem falava de Sesimbra.

O cenário era a Serra da Arrábida.

Mas escondido dentro daquela história estava um Fusquinha Vermelho.

Ele não estava fisicamente ali.

Tinha ficado décadas atrás, milhares de quilômetros distante.

Mas estava naquela mesa.

Porque quando vi aquela família portuguesa preparando um piquenique, alguma parte da minha memória reconheceu imediatamente meus próprios pais fazendo aquilo.

Talvez seja isso que chamamos de pertencimento.

Não significa encontrar pessoas iguais.

Significa encontrar, no meio das diferenças, alguma coisa que nosso coração já conhece.

Naquele dia descobri um pouco da Serra da Arrábida.

Conheci mais de Sesimbra.

Caminhei pelo campo.

Vi parreiras.

Comi amoras silvestres.

Respirei a brisa do Atlântico.

Mas descobri também uma coisa que nenhum guia turístico poderia colocar no roteiro:

do outro lado do oceano havia uma família que também sabia transformar uma churrasqueira, uma mesa e uma tarde ensolarada em memória.

E talvez tenha sido justamente naquele piquenique que Portugal começou, muito discretamente, a deixar de parecer tão estrangeiro.


☕ P.S. — O melhor ponto turístico daquele dia não aparece no mapa

Podemos colocar a Serra da Arrábida no GPS.

Podemos localizar Sesimbra.

Podemos procurar praias, estradas e miradouros.

Mas não existe coordenada para aquela mesa.

O parque de merendas pode até continuar existindo.

A churrasqueira talvez ainda esteja lá.

Outras famílias provavelmente já fizeram centenas de piqueniques naquele mesmo lugar.

Mas aquele piquenique existe somente na memória.

Um Fusquinha Vermelho no Brasil.

Uma churrasqueira na Arrábida.

Duas famílias.

Dois continentes.

O mesmo hábito.

E um brasileiro descobrindo, sem perceber naquele momento, que algumas das maiores viagens da nossa vida não acontecem quando atravessamos oceanos.

Acontecem quando encontramos, do outro lado deles, alguma coisa que já morava dentro de nós.

Bellacosa Mainframe — memórias também precisam de backup.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Dia de sol é sinonimo de praia.


Que maravilha um dia de sol para fugir da rotina e aproveitar para tomar um ar fresquinho. Saímos para fazer um pic nic na serra da Arrábida.



Num parque de merenda fizemos uma churrascada, passeamos por videiras, andamos no campo, brincando no campo e aproveitando o dia.

Depois fomos para a praia caminhar na área, porem a agua é muito fria, então curtimos a brisa marinha e se esticamos na areia.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...