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quarta-feira, 22 de julho de 2026

O Verão Japonês sem Mistérios

 

Bellacosa Mainframe e o verao japones 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Verão Japonês sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que o Verdadeiro ABEND do Japão Acontece Todo Mês de Agosto... e Não Existe IPL Capaz de Resolver

Se você cresceu assistindo animes, provavelmente acredita que o Japão é um lugar composto por:

  • cerejeiras floridas;

  • montanhas cobertas de neve;

  • templos silenciosos;

  • estudantes caminhando calmamente para a escola;

  • e uma brisa fresca digna de um comercial de chá verde.

Isso dura aproximadamente...

duas semanas por ano.

Depois chega o verão.

E o Japão decide executar o comando:

//SUMMER EXEC PGM=HELL

O Japão possui um dos verões mais desconfortáveis do planeta

Muita gente imagina que o calor japonês seja parecido com o brasileiro.

Não é.

O problema não é apenas temperatura.

É temperatura + umidade absurda.

Imagine executar um programa COBOL dentro de um banheiro após um banho quente.

Esse é um bom começo.

Em julho e agosto é comum encontrar dias com:

  • 34°C

  • 36°C

  • sensação térmica acima de 42°C

  • umidade superior a 80%

Seu corpo simplesmente perde a capacidade de evaporar o suor.

Você transpira...

...e continua molhado.

É como um VSAM que recebeu milhares de registros mas nunca executou um COMMIT.

Vai acumulando.


O famoso 蒸し暑い (Mushi Atsui)

Existe até uma palavra específica.

蒸し暑い (Mushi Atsui)

Literalmente:

"quente como algo cozinhando no vapor."

Não é apenas "está quente".

É:

"Estou sendo cozinhado lentamente como um bolinho de arroz."

Os japoneses possuem dezenas de expressões para esse calor.

Porque precisam.


E onde entra o "Sunahara"?

Provavelmente você está se referindo ao termo 砂原 (Sunahara), que significa literalmente "campo de areia" ou está evocando o clima árido e escaldante usado em piadas, animes ou metáforas. No entanto, "Sunahara" não é o nome de um fenômeno climático oficial do verão japonês.

Se a intenção era falar daquele calor sufocante mostrado em animes — cigarras ensurdecedoras, uniformes encharcados, ventiladores inúteis e personagens derretendo — esse conjunto faz parte do imaginário do verão japonês, e não de um fenômeno chamado "Sunahara".

Já um termo climático muito conhecido é:

  • 猛暑 (Mōsho) — calor extremo.

  • 酷暑 (Kokusho) — calor severo.

  • 熱中症 (Necchūshō) — insolação/intermação.

Ou seja...

O Japão levou o calor tão a sério que criou um vocabulário inteiro para diferentes níveis de sofrimento.


As cigarras são o log do sistema

Todo anime possui aquele som:

MIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Não é efeito sonoro.

São as cigarras (Semi).

Elas cantam praticamente o dia inteiro.

Depois de alguns dias...

Seu cérebro começa a aceitar.

Depois de algumas semanas...

Você nem percebe mais.

É parecido com o barulho constante do ar-condicionado do data center.

Quando ele para...

Você entra em pânico.


O ventilador japonês

No Brasil pensamos:

"Liga o ventilador."

No Japão:

"Liga o secador de cabelo gigante."

O ar continua quente.

Você apenas redistribui o sofrimento.


O ar-condicionado virou infraestrutura crítica

Existe uma razão pela qual quase todo apartamento moderno japonês possui ar-condicionado.

Sem ele...

Dormir pode se tornar extremamente difícil.

Imagine um notebook executando um LOOP infinito sem cooler.

Agora substitua o notebook por você.


O humor Monty Python explicaria assim...

Imagine um esquete.

Um meteorologista entra na televisão.

— Hoje teremos 36 graus.

Todos aplaudem.

Outro pergunta:

— Isso significa que refrescou?

— Sim.

Ontem fazia 38.

Todos comemoram.

Um terceiro cidadão pergunta:

— Existe alguma previsão de vento?

O meteorologista responde:

— Sim.

Será um vento quente.

Todos continuam aplaudindo.

Entra um cavaleiro medieval montado num cavalo invisível.

— Estou procurando o verão inglês.

Silêncio.

O apresentador responde:

— Pegou conexão errada.

Aqui é o servidor japonês.


O uniforme escolar

Nos animes ninguém parece sofrer.

Na realidade...

Os estudantes chegam completamente suados.

Mesmo caminhando poucos minutos.

Por isso muitas escolas adotam:

  • tecidos mais leves;

  • uniformes de verão;

  • campanhas de hidratação;

  • alteração de horários em dias extremos.


O café gelado faz mais sucesso que o quente

Outro choque cultural.

No inverno...

café quente.

No verão...

máquinas de venda vendem:

  • café gelado;

  • chá gelado;

  • isotônicos;

  • água mineral;

  • bebidas eletrolíticas.

As famosas vending machines aparecem em praticamente toda esquina.

É quase um checkpoint de videogame.

Você anda alguns metros...

Reabastece HP.

Continua.


O guarda-chuva contra o Sol

No Brasil isso ainda parece estranho.

No Japão é comum.

Principalmente mulheres.

Cada vez mais homens também.

Não é moda.

É sobrevivência.


O verão nos animes

Curiosamente...

Quase todo anime possui um episódio de verão.

Porque culturalmente ele é enorme.

Tem:

  • festival (Matsuri);

  • yukata;

  • fogos de artifício;

  • praia;

  • melancia;

  • kakigōri;

  • cigarras;

  • férias escolares.

Mas existe um pequeno detalhe.

O anime mostra:

cinco minutos do festival.

Não mostra:

três horas suando para chegar até ele.


O verdadeiro inimigo

Não é Godzilla.

Não é Goku.

Não é um Kaiju.

É:

Umidade Relativa do Ar

Ela derrota todo mundo.

Até quem mora lá.


A analogia Bellacosa Mainframe

O verão japonês lembra muito um mainframe rodando em horário de pico.

CPU: 98%

Disco: ocupado.

Filas MQ: crescendo.

Batch noturno atrasado.

Operador tomando café.

Todo mundo pergunta:

"Vai cair?"

O operador responde:

"Não."

"Vai melhorar?"

"Também não."

"Então por que continua funcionando?"

Porque foi projetado para isso.

O Japão também.

Mesmo com temperaturas extremas, trens continuam operando, lojas funcionam, escritórios seguem abertos e a vida continua — com muito mais garrafas de água, toalhinhas geladas e ar-condicionado do que o turista imagina.


Easter Egg Bellacosa ☕

Se Dante Alighieri tivesse escrito A Divina Comédia depois de visitar Tóquio em agosto, talvez acrescentasse um círculo extra do Inferno:

"Aqui repousam os programadores COBOL que decidiram passear ao meio-dia para comprar um onigiri, acreditando que 35°C com 85% de umidade era apenas um detalhe de configuração."

No fim, o verão japonês ensina uma lição curiosa: em engenharia, como na vida, o problema raramente é apenas o número exibido no monitor. Um servidor não sofre apenas pela temperatura da CPU, mas pela incapacidade de dissipar calor. 

Da mesma forma, o corpo humano não teme somente os 35 °C — teme os 35 °C acompanhados de uma umidade que transforma o ar em uma espécie de sopa invisível. É por isso que, quando um veterano japonês diz 「今日は蒸し暑いですね」 ("Hoje está quente e abafado, não é?"), ele não está fazendo conversa fiada. Está emitindo um alerta operacional. Afinal, alguns sistemas sobrevivem décadas sem um IPL... mas até um mainframe pediria um bom ar-condicionado para enfrentar um agosto em Tóquio.

O que é Sunehara (すねハラ)?

Sunehara (すねハラ) é uma gíria japonesa criada a partir da junção de sune (すね, canela/perna abaixo do joelho) e hara, abreviação de harassment (assédio). O termo surgiu em 2026 após a campanha Tokyo Cool Biz, que passou a incentivar o uso de bermudas no ambiente de trabalho durante o intenso verão japonês. 

Nas redes sociais, algumas pessoas passaram a brincar que ver pernas masculinas muito peludas no escritório seria uma forma de "assédio visual". Embora tenha origem humorística, o debate acabou levantando questões sobre etiqueta profissional, padrões de aparência, pressão estética e até desigualdade entre homens e mulheres no ambiente corporativo.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/06/sunehara-quando-um-programador-cobol.html

domingo, 28 de junho de 2026

Sunehara : Quando um Programador COBOL Descobre que o Maior Bug do Verão Japonês Não Está no Ar-Condicionado... Está na Canela do Colega

 

Bellacosa Mainframe apresenta o sunehara

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Sunehara sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que o Maior Bug do Verão Japonês Não Está no Ar-Condicionado... Está na Canela do Colega


Introdução

Se existe um país capaz de transformar praticamente qualquer comportamento cotidiano em uma discussão nacional, esse país é o Japão.

Lá já surgiram termos como:

  • sekuhara (assédio sexual);

  • pawahara (assédio por abuso de poder);

  • matahara (assédio relacionado à maternidade);

  • smellhara (assédio por odores corporais);

  • kuchihara (assédio pelo mau hálito);

  • noise hara (assédio por barulho).

Agora, em pleno verão de 2026, nasceu um dos neologismos mais curiosos dos últimos anos:

Sunehara (すねハラ).

Tudo começou por causa de uma bermuda.

Ou, para um programador COBOL...

Tudo começou quando alguém resolveu alterar uma variável de produção sem prever todos os impactos.


O calor venceu a gravata

Quem acompanha animes costuma imaginar Tóquio como uma cidade elegante, organizada e confortável.

Mas julho e agosto contam outra história.

Temperaturas acima de 35 °C.

Umidade superior a 80%.

Sensação térmica próxima dos 40 °C.

Até os japoneses sofrem.

Durante décadas, porém, existia uma tradição praticamente inquestionável:

Homens trabalhavam de:

  • terno;

  • camisa social;

  • gravata;

  • sapatos.

Mesmo sob um calor digno de uma sauna industrial.

Era um costume.


Surge o Cool Biz

Em 2005, o Ministério do Meio Ambiente criou o programa Cool Biz.

A ideia parecia simples.

Se as pessoas usarem roupas mais leves...

Será possível diminuir o uso do ar-condicionado.

Resultado:

Menos consumo de energia.

Menos emissão de carbono.

Menos gastos.

Durante anos isso significou:

  • sem gravata;

  • blazer opcional;

  • mangas dobradas.

Funcionou muito bem.


Então veio o Tokyo Cool Biz

Em 2026 a Prefeitura de Tóquio decidiu dar mais um passo.

A campanha passou a incentivar:

  • polos;

  • camisetas discretas;

  • tênis;

  • bermudas, dependendo da função.

Parecia apenas uma atualização do dress code.

Só que...

ninguém pensou nas pernas.


O nascimento do Sunehara

Logo apareceram comentários nas redes sociais.

Alguns diziam:

"Não me incomodo com bermudas."

Outros responderam:

"Mas aquelas pernas extremamente peludas..."

A discussão cresceu.

Até surgir a palavra:

Sunehara

Sune (すね)
=
canela

+

Hara
=
Harassment

Literalmente:

"Assédio pelas pernas."

Ou, mais especificamente:

"O desconforto causado pelas pernas muito peludas de outra pessoa."

Sim.

A internet japonesa conseguiu criar uma palavra inteira para isso.


Parece piada...

...mas revela algo muito maior.

No Japão existe um conceito extremamente importante:

Meiwaku (迷惑).

Significa:

não causar incômodo aos outros.

É uma ideia profundamente enraizada na cultura.

Por isso existem tantas regras implícitas.

Não falar alto.

Não atender telefone no trem.

Não comer andando em determinados lugares.

Não invadir o espaço pessoal.

Agora...

algumas pessoas começaram a discutir:

"As pernas muito peludas também causam desconforto?"


Bellacosa Mainframe explica

Imagine um Data Center.

Todo operador segue um padrão.

Mesmo uniforme.

Mesmo crachá.

Mesmo procedimento.

Agora aparece alguém usando:

  • chinelo;

  • camisa havaiana;

  • shorts floridos.

O servidor continuará funcionando?

Sim.

Mas...

o ambiente mudou.

No Japão, a aparência faz parte da comunicação profissional.


O curioso duplo padrão

Aqui surge uma discussão interessante.

Muitas mulheres responderam:

"Espera um minuto."

"Os homens agora podem usar bermudas..."

"...mas nós ainda somos cobradas por:"

  • maquiagem;

  • meia-calça;

  • depilação;

  • salto;

  • penteado.

Ou seja...

o debate rapidamente deixou de ser sobre pernas.

Passou a ser sobre igualdade.


A Gorilla Clinic percebeu uma oportunidade

Enquanto a internet discutia...

As clínicas comemoravam.

Diversas clínicas de estética relataram aumento na procura masculina por:

  • depilação;

  • aparo dos pelos;

  • tratamentos estéticos.

Não porque os homens necessariamente queriam.

Mas porque...

não queriam virar assunto no escritório.

O mercado respondeu em tempo recorde.


Humor estilo Monty Python

Imagine um esquete.

Gerente:

— Temos um problema grave no escritório.

Todos ficam tensos.

— O servidor caiu?

— Não.

— Perdeu o backup?

— Não.

— Vazaram dados?

— Também não.

Silêncio.

O gerente respira fundo.

— O Tanaka veio de bermuda.

Todos entram em pânico.

Surge um especialista.

Examina cuidadosamente.

Depois anuncia:

— Confirmado.

É um caso clássico de Sunehara nível três.

Toca uma música épica.

Um narrador completa:

"Nenhum COBOL foi afetado durante esta ocorrência."


A visão Bellacosa Mainframe

O interessante é perceber como uma simples bermuda desencadeou discussões sobre:

  • cultura;

  • etiqueta;

  • sustentabilidade;

  • economia;

  • estética;

  • masculinidade;

  • igualdade de gênero.

Na engenharia de software isso acontece o tempo todo.

Você altera:

MOVE 'Y' TO FLAG-OPTIONAL.

Compila.

Executa.

Tudo funciona.

Uma semana depois...

Descobre que quarenta sistemas dependiam daquela variável.

Mudanças pequenas...

podem gerar consequências enormes.


O verão mudou tudo

O verdadeiro protagonista dessa história não é a bermuda.

É o calor.

As mudanças climáticas tornaram os verões japoneses cada vez mais severos.

Empresas precisaram escolher entre:

  • manter tradições;

  • proteger funcionários.

Pela primeira vez...

o conforto venceu parte da formalidade.


Easter Egg ☕

Existe uma curiosidade pouco conhecida.

No Japão, muitos escritórios mantinham o ar-condicionado em temperaturas muito baixas justamente porque todos estavam usando terno.

Quando o Cool Biz começou em 2005, uma das metas oficiais era permitir que os aparelhos fossem ajustados para cerca de 28 °C, reduzindo significativamente o consumo de energia. Em outras palavras, trocar uma gravata por uma camisa polo ajudava tanto o funcionário quanto a conta de luz da empresa.

No universo Bellacosa Mainframe, isso seria equivalente a descobrir que um pequeno ajuste em um parâmetro do WLM reduziu o consumo de CPU do data center inteiro. A mudança parece insignificante, mas seu impacto atravessa toda a infraestrutura.


Conclusão

À primeira vista, Sunehara parece apenas mais uma palavra curiosa criada pela internet japonesa. No entanto, ela revela muito sobre a sociedade do país: a preocupação com a harmonia coletiva, a força das normas sociais, a rapidez com que as redes transformam debates cotidianos em fenômenos culturais e a constante negociação entre tradição e modernidade.

Para um programador COBOL, a lição é familiar. Um sistema legado raramente muda apenas porque alguém deseja; ele muda quando o ambiente ao redor muda. Da mesma forma, não foi a bermuda que provocou a discussão. Foi o verão cada vez mais intenso que obrigou empresas e trabalhadores a reverem costumes centenários. No fim, o verdadeiro "ABEND" não estava nas pernas dos funcionários, mas na tentativa de fazer um sistema social projetado para outro clima continuar executando sem precisar de um grande IPL cultural.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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