☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta humor Monty Python. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta humor Monty Python. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Bitcoin : Quando um Programador COBOL Descobre que a Maior Criptomoeda do Mundo Não Quebrou... Apenas Parou de Ser Assunto na Mesa do Bar

 

Bellacosa Mainframe e o bitcoin sem misterios e com hds perdidos

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Bitcoin sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que a Maior Criptomoeda do Mundo Não Quebrou... Apenas Parou de Ser Assunto na Mesa do Bar

"Em 2017 o motorista do táxi queria explicar blockchain para você. Em 2026 ele só quer que o GPS encontre um caminho sem trânsito."


Introdução — O Som do Silêncio Digital

Existe um fenômeno curioso na tecnologia.

Quando uma tecnologia é nova, ela aparece em todo lugar.

Quando amadurece, ela desaparece.

Não porque morreu.

Porque deixou de ser novidade.

Foi exatamente isso que aconteceu com o Bitcoin.

Se você voltar mentalmente para os anos de 2017, 2018, 2020 e principalmente 2021, parecia que a humanidade havia encontrado o Santo Graal financeiro.

Todo mundo falava de Bitcoin.

Seu vizinho.

Seu primo.

Seu barbeiro.

O motorista do Uber.

O motorista do táxi.

O atendente da padaria.

A tia que ainda imprimia e-mails.

O cachorro do vizinho provavelmente possuía uma carteira digital.

Parecia impossível escapar.

Era um verdadeiro spam humano distribuído em blockchain.

Hoje?

Silêncio.

Não porque acabou.

Mas porque aconteceu algo muito mais interessante.

Bitcoin virou infraestrutura.

E infraestrutura nunca recebe aplausos.

Pergunte para qualquer pessoa qual servidor entrega o WhatsApp.

Ninguém sabe.

Pergunte quem fabrica o transformador da rua.

Ninguém sabe.

Pergunte qual sistema controla um banco.

Resposta clássica:

— "Acho que é SAP."

O programador COBOL, sentado discretamente no canto da sala, apenas toma café.


A Febre do Ouro Digital

A humanidade nunca resiste à palavra mágica:

"Dinheiro fácil."

Troque essa frase por qualquer embalagem tecnológica.

Tulipas.

Ouro.

Ações.

NFT.

IA.

Bitcoin.

A história muda de roupa.

Mas continua exatamente igual.

Monty Python provavelmente escreveria assim:


Cena.

Um castelo medieval.

Um cavaleiro anuncia:

— "Encontramos uma moeda mágica!"

Outro pergunta:

— "Ela faz o quê?"

Resposta:

— "Ainda não sabemos."

Todos:

— "COMPREM IMEDIATAMENTE!"


Nada mudou em oitocentos anos.

Apenas substituímos cavalos por GPUs.


O Bitcoin Não Mudou

As pessoas mudaram.

Esse talvez seja o maior mal-entendido da história recente.

O protocolo continua praticamente igual.

Os blocos continuam chegando.

Os mineradores continuam minerando.

A rede continua funcionando.

Sem diretor.

Sem presidente.

Sem gerente.

Sem RH.

Sem reunião no Teams.

Sem PowerPoint.

Sem Scrum Daily.

Imagine explicar isso para um gerente tradicional.

— Quem aprova?

Ninguém.

— Quem manda?

Ninguém.

— Quem é responsável?

Todos.

— Isso não faz sentido.

Exatamente.

Mesmo assim funciona há mais de quinze anos.


Quando Todo Mundo Virou Especialista

Existe uma lei universal.

Quando uma tecnologia chega ao Jornal Nacional...

...já existem especialistas suficientes para ensinar absolutamente tudo sobre ela.

Em poucos meses surgiram:

Especialista em Blockchain.

Especialista em Web3.

Especialista em Criptoativos.

Especialista em Tokenização.

Especialista em Metaverso Financeiro Quântico.

Especialista em Especialistas.

Era impossível abrir o LinkedIn.

Cada perfil dizia:

"Transformando negócios através da descentralização disruptiva da economia exponencial."

Traduzindo:

"Nunca rodei um nó Bitcoin."


A Era das GPUs Desaparecidas

Lembra quando placas de vídeo desapareceram das lojas?

Gamers choravam.

Engenheiros choravam.

Pesquisadores choravam.

Porque alguém havia descoberto que uma RTX fazia dinheiro.

Ou pelo menos parecia fazer.

Casas inteiras viraram estufas.

Galpões.

Containers.

Garagens.

Até quartos.

Pareciam data centers clandestinos.

O consumo elétrico fazia o relógio da concessionária girar tão rápido que parecia ventilador.


Monty Python imaginaria um diálogo:

— Por que sua conta de energia é igual à de uma fábrica de alumínio?

— Estou minerando.

— O quê?

— Dinheiro.

— Com eletricidade?

— Sim.

— Então você transformou energia em dinheiro?

— Exatamente.

— E isso funciona?

— Depende do preço do Bitcoin.

— E quem decide?

— O mercado.

— Quem é o mercado?

Silêncio.

Um peixe entra na sala usando gravata.

Fim da cena.


Os Bancos Descobriram Que Não Era Brincadeira

No começo...

Boa parte do setor financeiro ria.

"Isso nunca substituirá bancos."

Depois começaram a estudar.

Depois abriram departamentos.

Depois contrataram especialistas.

Depois criaram ETFs.

Depois ofereceram custódia.

Depois passaram a vender exatamente aquilo que diziam ser impossível.

A ironia é maravilhosa.

É como um fabricante de máquinas de escrever vendendo notebooks.


O Maior Mito da Mineração

Muita gente acreditava que mineração era imprimir dinheiro.

Na realidade era mais parecido com administrar um data center.

Energia.

Refrigeração.

Hardware.

Troca de equipamentos.

Ruído.

Calor.

Custos.

Quem realmente ganhou dinheiro?

Em muitos casos...

Quem vendia placas de vídeo.

Quem vendia energia.

Quem vendia gabinetes.

Quem vendia ventiladores.

Quem vendia fontes.

Quem vendia cursos ensinando como ganhar dinheiro minerando.

Essa última categoria sempre prospera.


O Disco Rígido de Bilhões

Entramos agora em uma das histórias favoritas da internet.

Pessoas que perderam HDs contendo carteiras Bitcoin.

Algumas histórias ficaram famosas justamente porque envolviam milhares de bitcoins armazenados em discos rígidos descartados anos antes, quando a moeda praticamente não tinha valor.

O roteiro parece filme dos Monty Python.


Cena.

Esposa pergunta:

— Posso jogar esse computador velho fora?

Resposta:

— Claro.

Anos depois.

— Amor...

Lembra daquele HD?

— Sim.

— Acho que tinha alguns bilhões de reais nele.

— Ah.

Silêncio.

Fade out.


Existiram casos documentados de pessoas tentando negociar com cidades inteiras para escavar aterros sanitários em busca de um único disco rígido.

Imagine a reunião.

— Gostaria de cavar metade do lixão municipal.

— Por quê?

— Esqueci minha senha.


Isso parece piada.

Mas aconteceu.

A tecnologia era revolucionária.

Os hábitos humanos continuavam exatamente iguais.


Pendrive: O Cofre do Caos

O pendrive virou uma espécie de Santo Graal moderno.

Pequeno.

Leve.

Discreto.

Também incrivelmente fácil de perder.

Era comum ouvir histórias como:

"Está em algum lugar da casa."

Ou pior.

"Acho que emprestei."

Imagine explicar isso para um arqueólogo do futuro.

"No século XXI algumas pessoas armazenavam fortunas maiores que o orçamento de países em um objeto menor que um chiclete."


O Halving: O Evento que Quase Ninguém Explica Direito

A cada determinado número de blocos, a recompensa dos mineradores é reduzida pela metade.

É como se um programa COBOL executasse automaticamente um:

DIVIDE SALARIO BY 2

Sem perguntar.

Sem sindicato.

Sem reunião.

Sem protesto.

Mesmo assim os mineradores continuam.

Porque o sistema inteiro foi desenhado esperando exatamente isso.

Essa previsibilidade é uma das características mais marcantes do Bitcoin: as regras monetárias são conhecidas de antemão e não mudam ao sabor de decisões políticas de curto prazo.


Por Que Hoje Existe Silêncio?

Porque novidade acabou.

Os curiosos foram embora.

Os aventureiros perderam interesse.

Os especuladores migraram para IA.

Depois para agentes de IA.

Depois para robôs.

Depois para qualquer nova sigla.

Enquanto isso...

Bitcoin continua produzindo blocos.

Mais ou menos como um mainframe.

Quando ninguém fala dele...

É porque provavelmente está funcionando.


O Efeito Mainframe

Existe uma coincidência deliciosa.

Mainframes também desapareceram das conversas.

Mas nunca desapareceram da economia.

Bitcoin passou por algo parecido.

Antes era manchete.

Hoje é infraestrutura financeira para muitos participantes do mercado, com empresas, fundos e serviços especializados operando ao redor dele.

Infraestrutura raramente vira meme.

Ela apenas trabalha.


O COBOL Sorri Discretamente

Imagine um programador COBOL olhando toda essa história.

Ele já viu isso acontecer diversas vezes.

Cliente-servidor.

Java.

XML.

SOA.

Cloud.

Blockchain.

NFT.

IA.

Todo ciclo é parecido.

Primeiro:

"Isso mudará o mundo."

Depois:

"Isso morreu."

Na prática...

Nem uma coisa.

Nem outra.

As tecnologias úteis acabam encontrando um espaço mais estável, enquanto as promessas exageradas ficam pelo caminho.


As Lições Esquecidas

Bitcoin ensinou algumas coisas importantes.

Nem tudo precisa ter um chefe.

Nem todo sistema precisa de uma empresa central.

Nem toda inovação acontece dentro de grandes corporações.

E principalmente...

Guardar senhas continua sendo responsabilidade humana.

A criptografia pode ser praticamente inquebrável.

A memória do usuário...

Nem tanto.


O Ministério das Caminhadas Financeiras

Se Monty Python escrevesse o encerramento, provavelmente seria assim.

Um narrador anuncia solenemente:

"Hoje visitaremos um investidor em Bitcoin."

A câmera abre.

Existe apenas um homem sentado olhando um HD quebrado.

Um padre entra.

Um engenheiro entra.

Um especialista em recuperação de dados entra.

Um arqueólogo entra.

Um geólogo entra.

Um operador de escavadeira entra.

Todos olham para o disco.

Silêncio.

O narrador pergunta:

— Qual é a senha?

O investidor responde:

— Era alguma coisa com aniversário... ou talvez o nome do cachorro... ou a senha do Wi-Fi de 2012...

A câmera corta para um programador COBOL em um CPD.

Ele observa tudo sem alterar a expressão.

Abre um terminal verde.

Digita calmamente:

READY

O lote noturno começa.

Bilhões continuam sendo movimentados.

O sistema continua funcionando.

O Bitcoin continua gerando blocos.

E o HD perdido continua, muito provavelmente, descansando sob toneladas de lixo, observando em silêncio a mais britânica de todas as ironias: a humanidade conseguiu inventar uma moeda descentralizada, matemática e criptograficamente elegante... mas ainda é perfeitamente capaz de perder uma fortuna porque confundiu um disco rígido com sucata.

No fim das contas, talvez essa seja a verdadeira moral da história.

Não foi o Bitcoin que mudou.

Não foram os bancos.

Nem os mineradores.

Foi apenas o ciclo natural das grandes tecnologias. Primeiro elas viram espetáculo, depois viram ferramenta. Quando todos falam delas, normalmente ainda estão sendo descobertas. Quando quase ninguém comenta, é porque, silenciosamente, encontraram seu lugar no mundo.

E, se existe um lugar onde essa lição já era conhecida muito antes da palavra blockchain existir, esse lugar é um CPD de mainframe. Afinal, há décadas os computadores mais importantes do planeta trabalham sem fazer barulho, sem aparecer nas manchetes e sem precisar convencer ninguém de que existem. O Bitcoin, de certa forma, acabou entrando para o mesmo clube: menos conversa, mais funcionamento.


quarta-feira, 22 de julho de 2026

O Verão Japonês sem Mistérios

 

Bellacosa Mainframe e o verao japones 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Verão Japonês sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que o Verdadeiro ABEND do Japão Acontece Todo Mês de Agosto... e Não Existe IPL Capaz de Resolver

Se você cresceu assistindo animes, provavelmente acredita que o Japão é um lugar composto por:

  • cerejeiras floridas;

  • montanhas cobertas de neve;

  • templos silenciosos;

  • estudantes caminhando calmamente para a escola;

  • e uma brisa fresca digna de um comercial de chá verde.

Isso dura aproximadamente...

duas semanas por ano.

Depois chega o verão.

E o Japão decide executar o comando:

//SUMMER EXEC PGM=HELL

O Japão possui um dos verões mais desconfortáveis do planeta

Muita gente imagina que o calor japonês seja parecido com o brasileiro.

Não é.

O problema não é apenas temperatura.

É temperatura + umidade absurda.

Imagine executar um programa COBOL dentro de um banheiro após um banho quente.

Esse é um bom começo.

Em julho e agosto é comum encontrar dias com:

  • 34°C

  • 36°C

  • sensação térmica acima de 42°C

  • umidade superior a 80%

Seu corpo simplesmente perde a capacidade de evaporar o suor.

Você transpira...

...e continua molhado.

É como um VSAM que recebeu milhares de registros mas nunca executou um COMMIT.

Vai acumulando.


O famoso 蒸し暑い (Mushi Atsui)

Existe até uma palavra específica.

蒸し暑い (Mushi Atsui)

Literalmente:

"quente como algo cozinhando no vapor."

Não é apenas "está quente".

É:

"Estou sendo cozinhado lentamente como um bolinho de arroz."

Os japoneses possuem dezenas de expressões para esse calor.

Porque precisam.


E onde entra o "Sunahara"?

Provavelmente você está se referindo ao termo 砂原 (Sunahara), que significa literalmente "campo de areia" ou está evocando o clima árido e escaldante usado em piadas, animes ou metáforas. No entanto, "Sunahara" não é o nome de um fenômeno climático oficial do verão japonês.

Se a intenção era falar daquele calor sufocante mostrado em animes — cigarras ensurdecedoras, uniformes encharcados, ventiladores inúteis e personagens derretendo — esse conjunto faz parte do imaginário do verão japonês, e não de um fenômeno chamado "Sunahara".

Já um termo climático muito conhecido é:

  • 猛暑 (Mōsho) — calor extremo.

  • 酷暑 (Kokusho) — calor severo.

  • 熱中症 (Necchūshō) — insolação/intermação.

Ou seja...

O Japão levou o calor tão a sério que criou um vocabulário inteiro para diferentes níveis de sofrimento.


As cigarras são o log do sistema

Todo anime possui aquele som:

MIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Não é efeito sonoro.

São as cigarras (Semi).

Elas cantam praticamente o dia inteiro.

Depois de alguns dias...

Seu cérebro começa a aceitar.

Depois de algumas semanas...

Você nem percebe mais.

É parecido com o barulho constante do ar-condicionado do data center.

Quando ele para...

Você entra em pânico.


O ventilador japonês

No Brasil pensamos:

"Liga o ventilador."

No Japão:

"Liga o secador de cabelo gigante."

O ar continua quente.

Você apenas redistribui o sofrimento.


O ar-condicionado virou infraestrutura crítica

Existe uma razão pela qual quase todo apartamento moderno japonês possui ar-condicionado.

Sem ele...

Dormir pode se tornar extremamente difícil.

Imagine um notebook executando um LOOP infinito sem cooler.

Agora substitua o notebook por você.


O humor Monty Python explicaria assim...

Imagine um esquete.

Um meteorologista entra na televisão.

— Hoje teremos 36 graus.

Todos aplaudem.

Outro pergunta:

— Isso significa que refrescou?

— Sim.

Ontem fazia 38.

Todos comemoram.

Um terceiro cidadão pergunta:

— Existe alguma previsão de vento?

O meteorologista responde:

— Sim.

Será um vento quente.

Todos continuam aplaudindo.

Entra um cavaleiro medieval montado num cavalo invisível.

— Estou procurando o verão inglês.

Silêncio.

O apresentador responde:

— Pegou conexão errada.

Aqui é o servidor japonês.


O uniforme escolar

Nos animes ninguém parece sofrer.

Na realidade...

Os estudantes chegam completamente suados.

Mesmo caminhando poucos minutos.

Por isso muitas escolas adotam:

  • tecidos mais leves;

  • uniformes de verão;

  • campanhas de hidratação;

  • alteração de horários em dias extremos.


O café gelado faz mais sucesso que o quente

Outro choque cultural.

No inverno...

café quente.

No verão...

máquinas de venda vendem:

  • café gelado;

  • chá gelado;

  • isotônicos;

  • água mineral;

  • bebidas eletrolíticas.

As famosas vending machines aparecem em praticamente toda esquina.

É quase um checkpoint de videogame.

Você anda alguns metros...

Reabastece HP.

Continua.


O guarda-chuva contra o Sol

No Brasil isso ainda parece estranho.

No Japão é comum.

Principalmente mulheres.

Cada vez mais homens também.

Não é moda.

É sobrevivência.


O verão nos animes

Curiosamente...

Quase todo anime possui um episódio de verão.

Porque culturalmente ele é enorme.

Tem:

  • festival (Matsuri);

  • yukata;

  • fogos de artifício;

  • praia;

  • melancia;

  • kakigōri;

  • cigarras;

  • férias escolares.

Mas existe um pequeno detalhe.

O anime mostra:

cinco minutos do festival.

Não mostra:

três horas suando para chegar até ele.


O verdadeiro inimigo

Não é Godzilla.

Não é Goku.

Não é um Kaiju.

É:

Umidade Relativa do Ar

Ela derrota todo mundo.

Até quem mora lá.


A analogia Bellacosa Mainframe

O verão japonês lembra muito um mainframe rodando em horário de pico.

CPU: 98%

Disco: ocupado.

Filas MQ: crescendo.

Batch noturno atrasado.

Operador tomando café.

Todo mundo pergunta:

"Vai cair?"

O operador responde:

"Não."

"Vai melhorar?"

"Também não."

"Então por que continua funcionando?"

Porque foi projetado para isso.

O Japão também.

Mesmo com temperaturas extremas, trens continuam operando, lojas funcionam, escritórios seguem abertos e a vida continua — com muito mais garrafas de água, toalhinhas geladas e ar-condicionado do que o turista imagina.


Easter Egg Bellacosa ☕

Se Dante Alighieri tivesse escrito A Divina Comédia depois de visitar Tóquio em agosto, talvez acrescentasse um círculo extra do Inferno:

"Aqui repousam os programadores COBOL que decidiram passear ao meio-dia para comprar um onigiri, acreditando que 35°C com 85% de umidade era apenas um detalhe de configuração."

No fim, o verão japonês ensina uma lição curiosa: em engenharia, como na vida, o problema raramente é apenas o número exibido no monitor. Um servidor não sofre apenas pela temperatura da CPU, mas pela incapacidade de dissipar calor. 

Da mesma forma, o corpo humano não teme somente os 35 °C — teme os 35 °C acompanhados de uma umidade que transforma o ar em uma espécie de sopa invisível. É por isso que, quando um veterano japonês diz 「今日は蒸し暑いですね」 ("Hoje está quente e abafado, não é?"), ele não está fazendo conversa fiada. Está emitindo um alerta operacional. Afinal, alguns sistemas sobrevivem décadas sem um IPL... mas até um mainframe pediria um bom ar-condicionado para enfrentar um agosto em Tóquio.

O que é Sunehara (すねハラ)?

Sunehara (すねハラ) é uma gíria japonesa criada a partir da junção de sune (すね, canela/perna abaixo do joelho) e hara, abreviação de harassment (assédio). O termo surgiu em 2026 após a campanha Tokyo Cool Biz, que passou a incentivar o uso de bermudas no ambiente de trabalho durante o intenso verão japonês. 

Nas redes sociais, algumas pessoas passaram a brincar que ver pernas masculinas muito peludas no escritório seria uma forma de "assédio visual". Embora tenha origem humorística, o debate acabou levantando questões sobre etiqueta profissional, padrões de aparência, pressão estética e até desigualdade entre homens e mulheres no ambiente corporativo.

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/06/sunehara-quando-um-programador-cobol.html

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...