quarta-feira, 13 de setembro de 1995

Itapetininga e familia...

Itapetininga e as fotos

Realmente todo mundo tem problemas, recordo-me que fui conhecer Itapetininga por acidente. Tinha um vizinho o Edson Rambo, que um dia apareceu seu pai e começou a trazer problemas na vizinhança.

Como éramos bons colegas, ele me convidou para acompanha-lo ate esta cidade, para levar seu pai de volta para a casa do avós paternos. Aproveitei que estava de maquina fotográfica e resolvi ir testa-la fazendo novas fotos. Era uma maquina russa Zenith com lentes alemas.

Acabei fazendo algum dinheirinho fotografando retratos e fazendo posteres 20x25, inclusive tendo que retornar 2 vezes mais.



Conheci bastante gente, fui ate sítios da região, bailes na cidade, não posso negar que curti muito conhecer esta cidade, gente de bem, hospitaleira e grande pontos de interesse turístico e com varias fabricas em ruínas para arqueologia industrial.

sábado, 15 de abril de 1995

Salto as margens do Tiete.

Salto uma descoberta feliz

Minha tia Maria da vila Alpina, segundo minha mãe, era originaria desta cidade, cidade que teve grande imigração espanhola as margens do Rio Tiete, perto de Sorocaba e Itu.

Passeando por aqui fiz grandes descobertas, entre elas a existência de um santuário no alto do monte, chamado Nossa Senhora de Mont Serrat, que é a padroeira da cidade. Subindo o monte vê-se a estátua e subindo em espiral chega em um mirante.


Alem disso as margens do rio Tiete existem ruínas arqueológicas industriais, antigas tecelagens, uma bela ponte pencil, a ilha do namoro e sua lenda. Pena que o rio poluído deixa o local cheio de lixo e espuma com um cheiro horrível.

Fora da cidade existe o parque de rocha Mountanee, evidencias arqueológicas das grandes geleiras que cobriram o Brasil na época glacial.


Pirapora do Bom Jesus e o rio Tiete.

Visita ao santuário do Bom Jesus.


Na minha infância meu pai organizava excursões para Bom Jesus do Pirapora, para irem ate o santuário, naquela época o rio Tiete era menos poluído, lembro-me dos restaurantes a beira rio, o pedalinho em uma das margens.

Anos mais tarde, resolvi fazer uma caminhada leve, fui ate a Lapa, dela peguei o trem da linha de Barueri e com um pouco de esforço cheguei a Pirapora.




Este video contem as fotos que fiz nesse dia, andando por locais que conheci outrora e agora estava revendo, é emocionante rever lugares da infância, ver coisas que sua imaginação coloriu com o tempo.

Santuário do Bom Jesus de Pirapora

ao estilo Bellacosa Mainframe – fé, batch e processamento contínuo

No interior de São Paulo, às margens do rio Tietê — esse mesmo que na capital sofre com buffer overflow ambiental — existe um lugar onde o tempo roda em modo batch há séculos: o Santuário do Bom Jesus de Pirapora.

A história começa no século XVIII, quando a imagem do Bom Jesus teria sido encontrada boiando no rio. Tentaram removê-la. Não funcionou. Tentaram de novo. Falhou. Só quando aceitaram que aquele era o data center divino correto, a imagem “permitiu” ser levada. Se isso não é sistema legando escolhendo onde quer rodar, eu não sei o que é.

O santuário nasce assim: não por planejamento urbano, mas por evento inesperado, daqueles que mudam o fluxo do processamento humano. Fé, aqui, não é on-line. É processamento assíncrono, acumulado ao longo dos anos, com romarias, promessas, agradecimentos e silêncio.

Todo ano, milhares de romeiros caminham até Pirapora. Cada passo é um commit. Cada vela acesa é um log. Cada promessa paga é um JOB concluído com RC=0. Não há pressa. O Bom Jesus não trabalha com SLA agressivo. Ele opera em alta disponibilidade espiritual.

Curiosidade pouco comentada: o santuário influenciou profundamente a cultura afro-brasileira e popular paulista. Sambistas, congadas e manifestações tradicionais sempre orbitam Pirapora. É fé que dança. É religião com interface humana, não só ritualística.

Arquitetonicamente simples, o santuário segue o princípio máximo do mainframe e da fé antiga: robustez acima de estética. Não precisa brilhar. Precisa permanecer. E permanece.

O maior easter egg? O rio Tietê. Ele passa ali quase puro, quase silencioso, lembrando que até sistemas degradados podem ter pontos de redenção upstream.

Comentário Bellacosa final:

O Santuário do Bom Jesus de Pirapora é como aquele sistema crítico que ninguém ousa desligar. Pode não ser moderno, pode não ser bonito, mas sustenta vidas inteiras há gerações. E isso, meu amigo, é missão crítica.



domingo, 23 de outubro de 1994

Jaguariuna e a locomotiva da Ferrovia Mogiana.

Jaguariuna e seus tesouros ferroviários.

A Estrada de Ferro Mogiana teve um dia um ramal que seguia de Campinas ate Monte Alegre do Sul, passando por Jaguariuna, Pedreira e Amparo. Quando esta linha foi desactivada rapidamente desmantelaram os trilhos.

Porem por algum golpe de sorte do destino o trecho entre Jaguariuna e Campinas ficou abandonado, mas sem nenhuma destruição permanente.

Em meados da década de 70, espíritos conservacionistas vendo o tesouro que ali se encontrava, resolveram restaurar aos poucos aquele trecho, para poderem colocar em operação uma locomotiva.




Gradualmente esta reconstruçao/restauraçao evoluiu ao ponto em que estamos 1994, ocorrem periodicamente viagens turisticas ligando estas duas cidades. Um passeio impar, uma viagem no tempo de volta a epoca dos vapores e seu apito caracteristico.

_Todos a bordoooooooo (disse o revisor)
Logo em seguida ouve-se o apito Piuuuuuuu Piuuuuuu e lentamente essa maravilha da engenharia vai partindo...

sábado, 10 de setembro de 1994

Travessia de Balsa entre Aparecida do Taboado e Santa Fe do Su

Atravessando o rio Paraná de balsa.

Adoro andar sobre trilhos, ouvir o tatatataaaa, ver a paisagem pela janela de um trem e em 1994 tive a oportunidade de fazer mais uma grande aventura sobre trilhos. Nao me recordo bem como descobri ou ouvi falar.

Mas chegou ao meu conhecimento que havia a oeste, uma cidade em que terminava o ramal ferroviário: Santa Fe do Sul.  De posse desta informação preparei uma expedição, convidei mais amigos e partimos.




Mostro a travessia de Balsa que ligava os Estados de Sao Paulo e Mato Grosso do Sul, nas cidades de Santa Fe do Sul e Aparecida do Taboado. Aproveitei que estava na região e demos uma voltinha para conhecer este extremo do estado.

Incrível como se descobre e aprende viajando, esta balsa por exemplo estava com os dias contados, pois a alguns quilometros dali, estava sendo construído uma mega ponte rodo-ferroviária para escoar o gado e a soja. Encerrando a travessia de barco usada desde os tempos dos Bandeirantes.

Historias

Antes das pontes imponentes, dos viadutos largos e do asfalto quente, existiu um tempo em que atravessar o Rio Paraná era um ritual. Entre Aparecida do Taboado (MS) e Santa Fé do Sul (SP), esse ritual tinha nome, cheiro de óleo diesel e ritmo próprio: a antiga balsa.

Ela não era apenas um meio de transporte. Era um ponto de encontro, uma sala de espera flutuante, um lugar onde o tempo desacelerava. Caminhões carregados de gado, sacas de grãos, mudanças improvisadas, carros com famílias inteiras, bicicletas, curiosos e aventureiros — todos dependiam daquele deslocamento paciente sobre um dos maiores rios do Brasil.

A balsa operava respeitando o humor do Rio Paraná. Em época de cheia, a correnteza exigia mais técnica e atenção dos balseiros, homens experientes, conhecedores das águas, do vento e dos bancos de areia traiçoeiros. Na seca, o desafio era outro: manobrar entre galhadas, troncos e níveis irregulares. Não havia pressa. A travessia ensinava, sem palavras, que o rio mandava.

O embarque era quase um espetáculo. Caminhões alinhados, motoristas descendo para esticar as pernas, conversas cruzadas entre desconhecidos, crianças fascinadas com o tamanho da água, pescadores observando o movimento. O som metálico das correntes, o motor roncando grave, o balanço lento iniciando a travessia. Quem viveu, lembra.

Para Aparecida do Taboado e Santa Fé do Sul, a balsa era vital. Ela sustentava o comércio, o intercâmbio cultural e até afetivo entre as cidades. Festas, consultas médicas, compras maiores, visitas a parentes — tudo passava por aquele deslocamento fluvial. Era comum ver gente que já se conhecia “de balsa”, mesmo morando em estados diferentes.

Havia também a imprevisibilidade. Em dias de neblina, vento forte ou manutenção, a travessia atrasava ou simplesmente não acontecia. Isso moldava a mentalidade local: planejar, esperar, aceitar. Algo raro nos dias atuais.

Com o tempo, veio o progresso. As pontes chegaram trazendo rapidez, segurança, integração rodoviária e desenvolvimento econômico em escala maior. Indiscutivelmente necessárias. Mas, junto com elas, a balsa foi ficando na memória, empurrada para o canto das lembranças boas, porém silenciosas.

Hoje, quem cruza o Rio Paraná de carro talvez nem imagine que ali já existiu uma travessia lenta, humana e quase cerimonial. A antiga balsa virou história oral, contada em rodas de conversa, em fotos amareladas, em relatos nostálgicos de quem viveu aquele tempo em que atravessar o rio era parte da viagem — não apenas um detalhe.

A balsa entre Aparecida do Taboado e Santa Fé do Sul foi mais do que ferro e motor. Foi um símbolo de uma época em que o Brasil interiorano se conectava com paciência, coragem e respeito à natureza. E como toda boa história, continua viva — enquanto houver alguém para lembrar e contar.