segunda-feira, 26 de abril de 2010

SMP/E for z/OS Workshop – Execution Requirements

 

Bellacosa Mainframe apresenta SMP/E Execition Requirements

SMP/E for z/OS Workshop – Execution Requirements

O dia em que o SMP/E acorda para trabalhar ☕🖥️

Quem já administrou SMP/E sabe: ele não roda sozinho. Antes de qualquer RECEIVE, APPLY ou ACCEPT, existe um ritual sagrado chamado Execution Requirements. É aqui que muita gente tropeça, cria JCL quilométrico ou passa a madrugada brigando com DD statement faltando.

Neste post, vamos destrinchar como o SMP/E é executado, quais datasets ele exige, e por que a alocação dinâmica é um divisor de águas, tudo no melhor estilo Bellacosa Mainframe: prático, direto e com dicas que salvam produção.


🧭 Formas de invocar o SMP/E

O SMP/E pode ser iniciado de duas formas clássicas:

1️⃣ Diálogos ISPF

  • Painéis interativos

  • Geram JCL automaticamente

  • Ideais para aprendizado e tarefas pontuais

2️⃣ Batch (JCL direto)

  • Total controle do ambiente

  • Essencial para automação e produção

  • Base para procedures catalogadas

💡 Dica Bellacosa: ISPF ensina, batch sustenta produção.


⚙️ O coração da execução: GIMSMP

Toda execução do SMP/E passa por ele:

//EXEC PGM=GIMSMP

Ou por uma procedure catalogada que, no fundo, também chama o GIMSMP.

Parâmetros importantes no EXEC

ParâmetroFunção
CSIDataset do Global Zone
DATETimestamp das entradas no CSI
LANGUAGEIdioma das mensagens (default EN)
PROCESSWAIT ou END quando recurso não está disponível

📌 Erro comum: esquecer o CSI e confiar que o SMP/E vai “adivinhar”. Ele não adivinha.


📦 Os datasets primários do SMP/E

O SMP/E trabalha com 10 datasets primários, variando conforme o comando:

DDNAMEFunção
SMPPTSTemporary storage de SYSMOD
SMPMTSTemporary storage de macros
SMPSTSTemporary storage de source
SMPLTSTemporary storage de load modules
SMPSCDSSave control datasets
SMPLOGLog do SMP/E
SMPCSIVSAM cluster do Global Zone
Target ZonesControle do target
DLIB ZonesControle de distribuição

🚨 SMPPTS: pequeno no físico, gigante no impacto

  • SMPPTS é PDS

  • PDS = um único volume físico

  • Limitação real em ambientes grandes

A solução moderna: SMPPTS Spill

SMPPTS
SMPPTS1
SMPPTS2
...
SMPPTS99

🔧 Pode ser definido via:

  • DD statements

  • DDDEFs em todas as zones (GZONE, TZONE, DZONE)

💡 Dica Bellacosa: Se esquecer de definir spill em uma zone, o erro aparece só quando dói.


🗂️ Zones e alocação automática

  • SMPCSI aponta para o Global Zone

  • Zone Index no GZONE permite alocação dinâmica de:

    • Target Zones

    • Distribution Zones

📌 Se não houver DD explícito, o SMP/E consulta o Zone Index.


📥 RECEIVE: datasets clássicos

DDNAMEConteúdo
SMPPTFINSYSMOD input (CBPDO, ESO, CUM)
SMPHOLD++HOLD / ++RELEASE

📼 Curiosidade raiz:

  • CBPDO: SMPPTFIN costuma ser o 5º file

  • HOLDDATA geralmente o 3º file


🔧 APPLY / ACCEPT: quem entra em cena

  • TXLIB / LKLIB → texto de modificação

  • SYSLIB → concatenação de macros, objetos e loads

  • SMPJCLIN → leitura estrutural de SYSGEN / GENERATE

📌 Sem SMPJCLIN bem definido, o SMP/E fica cego para a estrutura do sistema.


🧾 Controle, parâmetros e saída

Comando SMP/E

  • SMPCNTL → comandos

  • SMPPARM → customização

Saídas principais

DDNAMEConteúdo
SMPLISTLIST output
SMPRPTReports
SMPOUTMensagens SMP/E
SYSPRINTSaída de utilities
SMPSNAPDump em erro severo
SMPPUNCHUnload, BUILDMCS

🌐 SMP/E e HFS (Network Install)

  • SMPDIR define diretórios HFS

  • Necessário para RECEIVE FROMNETWORK

  • DDDEF não define arquivo, apenas diretório

📌 Use DD para arquivos, DDDEF para diretórios.


🎯 O problema: DD demais

Resultado clássico:

  • Procedures enormes

  • Duplicadas por zone

  • Difíceis de manter

A solução profissional: Alocação Dinâmica


🔄 Dynamic Allocation: o pulo do gato

O SMP/E busca informações nesta ordem:

1️⃣ DD statements no JCL
2️⃣ Parâmetros EXEC (CSI)
3️⃣ Zone Index do Global Zone
4️⃣ DDDEFs da zone atual
5️⃣ GIMDDALC (SMPPARM)
6️⃣ Defaults

Quando encontra, para a busca.


🏆 Vantagens reais da alocação dinâmica

1️⃣ Override fácil

  • Precisa mudar algo pontual?

  • Basta um DD no JCL

2️⃣ Mesmo DDNAME, datasets diferentes por zone

  • Teste ≠ Produção

  • Sem procedures duplicadas

3️⃣ Menos enqueue, mais controle

  • Dataset liberado a cada SET

  • Não fica preso ao JOB STEP inteiro

💡 Bellacosa Truth: Uma boa estratégia de DDDEF reduz 80% da dor operacional.


📊 File Allocation Report

  • Gerado para todo comando exceto SET

  • Gravado no SMPRPT

  • Lista DDNAME → dataset físico

  • Inclui HFS e links simbólicos

📌 Ferramenta essencial para auditoria e troubleshooting.


🧠 Conclusão Bellacosa

SMP/E não é difícil. Difícil é entender quem manda em quem.

Quando você domina:

  • execução via GIMSMP

  • papel de cada dataset

  • alocação dinâmica

…o SMP/E deixa de ser um monstro e vira um mordomo extremamente exigente.

No próximo capítulo do workshop, entramos no RECEIVE e REJECT, o primeiro passo real da cadeia de instalação.

🚀 Continue firme. Mainframe não perdoa, mas recompensa quem estuda.


domingo, 25 de abril de 2010

📦 Lei do Acúmulo

 

Bellacosa Mainframe e a lei do acumulo

📦 Lei do Acúmulo

Ou: nada surge do nada — tudo é soma, batch após batch

Tem uma coisa que a vida, o mainframe e a filosofia me ensinaram muito bem:

👉 ninguém acorda bom em algo do dia pra noite.

Tudo é acúmulo.
De erros.
De tentativas.
De pequenas vitórias.

E isso tem nome: Lei do Acúmulo.


🧱 O que é a Lei do Acúmulo?

A Lei do Acúmulo diz que:

grandes resultados são consequência de pequenas ações repetidas ao longo do tempo.

Nada explode do zero.
Nada floresce instantaneamente.

É o oposto do imediatismo moderno.


🏛️ Origem do conceito (não oficial, mas ancestral)

Essa lei não nasce num livro só.
Ela aparece em várias tradições:

  • Filosofia oriental (disciplina diária)

  • Budismo (prática constante)

  • Confucionismo (aperfeiçoamento contínuo)

  • Estoicismo (hábitos moldam o caráter)

E no Japão, isso se traduz em conceitos como:

  • Kaizen (melhoria contínua)

  • Shugyō (treino austero)

  • Gambaru (persistir até o fim)


🖥️ Lei do Acúmulo explicada para mainframeiro raiz

Mainframe é a própria encarnação do acúmulo:

  • sistemas construídos ao longo de décadas

  • código escrito, corrigido, remendado

  • conhecimento passado de boca em boca

  • comentários em COBOL mais velhos que o programador

Nada ali nasceu pronto.

Cada:

  • IF

  • PERFORM

  • JCL

  • PROC

é um tijolinho acumulado.


⏳ Vida real: ninguém vira mestre sem acúmulo

✔️ você não aprende COBOL em um fim de semana
✔️ você não cria memória afetiva em um dia
✔️ você não constrói confiança com um ato só

Tudo vem da soma.

E o problema?
Vivemos na era do “resultado imediato”.


🧠 Como praticar a Lei do Acúmulo

🛠️ faça um pouco todo dia
📚 estude mesmo quando não dá vontade
📝 escreva, erre, corrija
👣 aceite progresso lento

Dica Bellacosa:

Melhor um passo diário do que uma corrida anual.


🎌 Curiosidades culturais japonesas

  • Mestres artesãos treinam 30, 40, 50 anos

  • Sushi-chefs passam anos só lavando arroz

  • Calígrafos repetem o mesmo kanji milhares de vezes

Nada disso é glamour.
É acúmulo silencioso.


🥚 Easter eggs do cotidiano

  • Amizades verdadeiras são acúmulo de convivência

  • Sabedoria vem de erros repetidos

  • Memória afetiva nasce de pequenas cenas

É por isso que lembramos:

  • de um cheiro

  • de uma frase

  • de um gesto simples


🤭 Fofoquices filosóficas

  • Quem busca atalho, geralmente se perde

  • Quem ignora o processo, não sustenta o resultado

  • Quem respeita o tempo, chega mais longe


🌱 Importância da Lei do Acúmulo

Ela nos ensina:

  • paciência

  • constância

  • humildade

A Lei do Acúmulo é o antídoto contra:

  • ansiedade

  • imediatismo

  • frustração moderna


📌 Conclusão (modo batch encerrado)

Nada do que importa vem rápido.

Tudo o que vale a pena:

  • se constrói

  • se soma

  • se acumula

No fim, a vida é isso:

um grande processamento em lote, onde cada passo conta.

E quem entende a Lei do Acúmulo…
aprende a respeitar o tempo —
e a si mesmo.

sábado, 24 de abril de 2010

Lisboa Show na Baia dos Golfinhos no zoologico

Um dia especial no Zoo


O Barbinha esta quase completando 2 anos, com um feriado as portas resolvemos tirar o dia em diversão. Levamos ele num lugar magico que desde pequenino ele gosta de ir.



O Zoológico de Lisboa acreditem ou não com meses de idade trazíamos ele para passear nos jardins, ver animais. Pegar ar fresco e tomar um solzinho gostoso.

E neste dia de festa no Zoo, fomos com ele na Baía dos Golfinhos um tanque imenso onde temos shows com leões marinhos e golfinhos.

Ele amou o show, batia palma, ficava encantado vendo os golfinhos, ganhou beijinho do leão marinho foi demais e essas carinha laroca, toda feliz não tem preço.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A ESCOLA MARECHAL – O PRIMÁRIO EM QUE NASCEU UM PEQUENO NINJA

 

E.M.P.G. Marechal Juarez Tavola na ponte rasa


A ESCOLA MARECHAL – O PRIMÁRIO EM QUE NASCEU UM PEQUENO NINJA

Um poste estilo Bellacosa Mainframe para o blog El Jefe Midnight Lunch

Existem lugares que a gente não apenas frequenta — a gente sobrevive a eles.
E quando cresce, descobre que ali se forjou todo um jeitão de ser, pensar, sorrir, aprontar e… pular muro.
Para mim, esse lugar atende por um nome pomposo, quase militar, quase burocrático, mas cheio de magia:

EMPG Marechal Juarez Távora.
Vila Rio Branco. Ponte Rasa. 1981–1983.

Se você me conhece hoje — Bellacosa, notívago, escritor de madrugada, professor de mainframe, contador de causos, parkurista aposentado e ninja de Taubaté — saiba que metade disso começou ali.


A rigida professora Cecilia


CAPÍTULO 1 — 1981: O MENINO, A PROFESSORA E O CADERNO DE CALIGRAFIA

Primeira série.
Primeiro ano.
Primeiro choque da vida escolar.

A escola era moderna, enorme, com ambulatório médico, sala odontológica, biblioteca, banda, quadra, refeitório… um luxo educacional para os anos 70/80.
Um verdadeiro data center pedagógico com latas de tinta guache no lugar dos mainframes.

Mas minha professora, dona Cecília, tinha outra visão:
para ela, eu era um menino inteligente demais para o próprio bem.

tarefas e mais tarefas no duro caderno de caligrafia


Eu terminava tudo rápido.
Como castigo?
Me jogava num inferno chamado caderno de caligrafia.

E mais: como sou canhoto, ela implicava com a letra “torta” e me obrigava a escrever como destro.
Imagina a cena: um Bellacosa mirim, lutando contra a própria natureza, escrevendo torto com a mão errada, caligrafia virando uma pista de autorama.

amizades e boas lembranças do primario


Mas nos intervalos, renascia o guerreirinho:
eu e meu amigo Fábio desenhávamos monstros, heróis tokusatsu, ciborgues e robôs no verso das folhas.

Aqui vai um adendo, além dos versos de folhas, usávamos envelopes de laboratórios fotográficos, onde meu pai e o avô do Fabio, traziam os frutos de seus trabalhos como fotógrafos, reaproveitando folhas e criando mundos imaginários.

Ninguém segurava a criatividade.

assistindo antigos seriados japoneses


Até que veio o primeiro ato falho da minha carreira criminosa infantil:
um belo dia, cansado da professora, eu disse à minha avó Anna:

Vó, amanhã não tem aula!

E miraculosamente ganhei uma manhã deliciosa, vendo TV, vadiando, feliz da vida.

Mas a verdade é como JCL:
se tiver erro, alguém vai achar.

Apareceu a dona Cida, amiga da minha avó, perguntando por que eu não estava indo com o neto dela.
Game over.
Castigo.
Sermão.
E um Bellacosa devolvido ao Marechal.


uma breve passagem pela banda escolar

CAPÍTULO 2 — 1982: A BANDA, A NÊMESIS DA BIBLIOTECA E O SURDO NO SOL DO MEIO-DIA

Segundo ano.
Agora a máquina estava “aquecida”.

Educação física na quadra.
Banda da escola, a famosa FANFARRA.
Amigos.
Aventuras.

A banda durou pouco — ninguém explica por que alguém achou boa ideia dar um surdo gigante para uma criança de 8 anos carregar meio-dia, no sol de rachar.
Foi meu breve período como aprendiz de músico e roadie mirim.

Mas a biblioteca…
Ah, a biblioteca foi o campo de batalha.

Memorias nao agradaveis da aula na biblioteca


A professora responsável encasquetou comigo.

No dia em que ela ordenou para contar sobre a leitura do livro preferido, falei — na maior inocência — A Roupa Nova do Rei, e ainda fiz o resumo do desaventurado rei.

Num Brasil ainda com cheiro de ditadura militar e paranóia ideológica, elogiar um livro sobre um governante, sendo enganado por larápios, e humilhado em sua soberba e que anda pelado, pode ter soado… digamos… “subversivo”.

A professora me fuzilou com os olhos.
Me expôs na frente da classe.
E eu, ferido no ego e no orgulho, comecei a fugir das aulas de leitura por semanas.

Claro que a fuga acabou em outra reunião de pais.
Outro sermão.
Outro castigo.

A vida escolar é um loop: INPUT → PROCESS → ERROR → MSG → REPROCESS.


Ninja fugitivo pulando o muro da escola


CAPÍTULO 3 — OS RUFÍAS, O MAIORIAL E O NINJA DE MURO

Também havia os rufias da escola — toda escola tem seus mini-vilões.

E eu abusado e expansivo, entrei em conflito com uns rufias.
A diferença é que eu tinha um trunfo, ou melhor meu pai:
Que comentou com um amigo o problema do pequeno Vagner. Claro que socorrido pelo filho deste amigo, um veterano do quinto ano, que resolveu o problema rapidinho.
Eu ganhei o status de intocável. e eu sendo eu mesmo: virei “maiorial”.

Mas nada — absolutamente nada — marcou tanto quanto o muro.

Houve um tempo em que eu morava colado ao Marechal.
Muro compartilhado, porta da fantasia sempre aberta.

brigas e desafenças na saida da escola


E eu…
ah, eu entrava e saía da escola pulando o muro como um ninja.
Parkour puro.
Desde pequenino gostei das alturas e já era expert em escaladas e andar por muros, os orixás que me perdoem...

Velocidade, impulso, aterrissagem limpa.

Em poucos minutos estava em casa assistindo desenho, como um passe de magica, magia de teletransporte,  ou somente um travesso escalando e pulando o grande muro da escola.

Se o Naruto tivesse nascido na Ponte Rasa, o jutsu dele teria minha assinatura.


um anjo da guarda durão e bom de briga


CAPÍTULO 4 — O ANO DA TRANSMUTAÇÃO (1983)

1983 foi rajada de vento que virou a prancheta da minha vida de ponta-cabeça.

Mudamos para Pirassununga. 

Houve o caos.

Houve incêndio.

Voltamos para São Paulo.

doces e memoraveis lembranças da infancia


Houve a separação e a primeira deportação a Guaianazes.

Morei com meus bisavós Francisco e Isabel.
Voltei para o Marechal.
Fiquei um bimestre.
Fui para Taubaté.

Fim da linha.
O Marechal virou memória.
Mas que memória…

uma deliciosa merenda deliciosa


As merendas quentes.
Os amigos.
As aventuras.
A banda, a quadra, a biblioteca, o surdo gigante, o muro.
Três séries de caos, magia e infância.

sonhando em longas viagens pelo mundo

Ali eu aprendi:
• que caligrafia não define ninguém,
• que bibliotecas podem ser selvas,
• que amigos do quinto ano são firewall,
• que mentiras infantis têm monitoramento ativo,
• que o menino Bellacosa já treinava parkour sem saber,
• que crescer é sobreviver,
• e que toda escola é um pequeno mainframe:
roda programas, grava memórias, causa erros, corrige caminhos.

E, no meu core dump da vida,
a EMPG Marechal Juarez Távora ocupa uma das áreas mais quentinhas da storage.

Esta escola foi o pontapé inicial, me mostrou que o mundo não tinha limites, que bastava sonhar e correr atrás desses sonhos, se arriscar, levar nãos, quebrar a cara, mas mesmo assim, levantar-se e recompor-se.

Ser o ISEKAI que o pequeno Vagner Renato Bellacosa se tornaria o homem dos dois continentes, atravessador de oceanos, com altos e baixos, coração partido e partindo corações, vivendo, sorrindo e chorando, às vezes ambos ao mesmo tempo.

Mas sem medo de Viver, às vezes se expondo a risco, trocando o certo pelo duvidoso, sempre naquela ânsia de viver o dia de hoje, como se fosse o último, sem arrependimentos.

olhar para o passado cheio de nostalgia e satisfação




quarta-feira, 17 de março de 2010

SMP/E Workshop – CSI (Consolidated Software Inventory) sem Medo

 

Bellacosa Mainframe apresenta SMP/E CSI

SMP/E Workshop – CSI (Consolidated Software Inventory) sem Medo

"Se o z/OS é uma cidade, o CSI é o cartório, o mapa urbano, o histórico de obras e o código de posturas… tudo junto."
Estilo Bellacosa Mainframe ☕🖥️


📌 O que é o CSI (Consolidated Software Inventory)?

O CSI é o coração do SMP/E. Sem ele, o SMP/E não sabe:

  • onde instalar código

  • qual versão está ativa

  • quem substituiu quem

  • o que pode ou não ser aplicado

👉 Nada de código executável vive no CSI.
O CSI é metadados, não binários.

Ele descreve como o sistema foi construído e qual o nível de serviço de cada elemento.


🧠 Por que o CSI é essencial?

Imagine um z/OS com:

  • centenas de bibliotecas

  • milhares de módulos

  • décadas de PTFs, APARs e USERMODs

Sem um banco de controle confiável:

🚨 módulo no lugar errado = abend
🚨 load module mal linkado = IPL problem
🚨 manutenção fora de ordem = rollback impossível

👉 O CSI garante ordem no caos.


🧩 Estrutura do CSI – Zonas

O CSI é dividido em zonas, cada uma com uma função clara:

🌍 Global Zone

  • Índice mestre do SMP/E

  • Controla o que foi recebido

  • Aponta para todas as outras zonas

Funções-chave:

  • lista de FMIDs

  • controle de opções

  • vínculo entre Target ↔ Distribution

📌 O nome sempre é GLOBAL (não negocia!)


🎯 Target Zone (TZONE)

Descreve:

  • bibliotecas executáveis

  • módulos em uso

  • status de APPLY

Aqui o SMP/E sabe:

  • o que está rodando no sistema

  • nível de serviço ativo


📦 Distribution Zone (DZONE)

Descreve:

  • bibliotecas de distribuição (DLIB)

  • código mestre

  • status de ACCEPT

É a fonte da verdade para RESTORE.


🗂️ CSI como VSAM KSDS

Cada zona pode residir em:

  • um KSDS próprio (recomendado)

  • ou um único CSI compartilhado (não recomendado)

Boas práticas Bellacosa:

✔ Um KSDS por zona
✔ Zona no mesmo volume das bibliotecas
✔ LLQ sempre CSI
✔ HLQ em user catalog, não no master


🌱 Priming do CSI – GIMZPOOL

Antes de usar uma zona, ela precisa ser semeada:

  • Macro: GIMZPOOL

  • Copiado via IDCAMS REPRO

  • Fonte: SYS1.MACLIB

Sem isso?

🚫 SMP/E nem conversa com a zona.


🧱 Entradas do CSI – a alma do inventário

O CSI é composto por entries, agrupadas em 4 categorias:

1️⃣ Control

Controlam como o SMP/E trabalha:

  • GLOBAL definition entry

  • OPTIONS

  • UTILITY

  • DDDEF

  • FMIDSET / ZONESET

👉 Criadas manualmente (UCLIN ou diálogos)


2️⃣ Status

Controlam estado dos SYSMODs:

  • SYSMOD entry

  • HOLDDATA

Criadas quando:

  • RECEIVE

  • APPLY

  • ACCEPT


3️⃣ Content

Descrevem o que existe nas bibliotecas:

  • MOD

  • MAC

  • SRC

  • DATA

  • HFS

  • JAR

Aqui vivem:

  • FMID

  • RMID

  • UMID


4️⃣ Structure

Descrevem como tudo se combina:

  • LMOD

  • ASSEM

  • DLIB

📌 LMOD só existe no Target Zone


🔎 FMID, RMID e UMID no CSI

Resumo raiz:

  • FMID → quem introduziu o elemento

  • RMID → quem substituiu por último

  • UMID → quem atualizou (pode ter vários)

📌 Regra de ouro:

  • 1 FMID

  • 1 RMID

  • N UMIDs


⚙️ DDDEF – o GPS do SMP/E

O SMP/E não depende de DD no JCL.

Ele usa DDDEF entries para:

  • alocação dinâmica

  • apontar datasets

  • evitar ambiguidades entre ambientes

🔥 Dica Bellacosa:

Nome do DDDEF = LLQ do dataset


🛠️ Gerenciamento de Zonas

Os famosos Zone Management Commands:

  • ZONEEXPORT / ZONEIMPORT

  • ZONERENAME

  • ZONEDELETE

  • ZONECOPY

  • ZONEMERGE

  • GZONEMERGE

  • ZONEEDIT

  • UNLOAD

  • UPGRADE

⚠️ Aviso sincero:

Alguns desses comandos não perdoam erro humano.

Use com:

  • backup

  • café

  • e juízo


📦 UCLIN – poder absoluto (e perigoso)

O UCLIN permite:

  • ADD

  • REP

  • DEL

Em quase qualquer entry do CSI.

📛 Comparação honesta:

UCLIN é o SUPERZAP do SMP/E.

Use só quando souber exatamente o que está fazendo.


🧠 Conclusão Bellacosa

O CSI não é só um inventário:

  • é auditoria

  • é rastreabilidade

  • é rollback

  • é governança

Quem domina o CSI:

✔ domina o SMP/E
✔ dorme tranquilo após APPLY
✔ não teme auditoria


📘 Próximo capítulo: Zone Management Commands na prática
📦 Casos reais, armadilhas e quando NÃO usar ZONEMERGE


✍️ Bellacosa Mainframe – porque z/OS não se administra no improviso.

terça-feira, 16 de março de 2010

🍃 Lei da Impermanência — Mujo (無常)

Bellacosa Mainframe e a lei da impermanencia - mujo

🍃 Lei da Impermanência — Mujo (無常)

Ou: nada é fixo, nem o sistema, nem a vida

Tem uma verdade que eu aprendi cedo, muito antes de ler filosofia japonesa ou de trabalhar com mainframe:

👉 nada permanece igual por muito tempo.

Nem pessoas.
Nem lugares.
Nem sistemas.
Nem eu.

No Japão, esse conceito tem nome, peso e história: Mujo (無常), a Lei da Impermanência.


🌊 O que é Mujo, afinal?

Mujo significa, literalmente:

“Nada dura para sempre.”

Tudo nasce, cresce, muda, envelhece e desaparece.
Não como tragédia, mas como regra do sistema.

No budismo japonês, Mujo é um dos pilares centrais da existência:

  • tudo é transitório

  • tudo está em fluxo

  • apego gera sofrimento


🏯 Origem histórica (modo root)

O conceito vem do Budismo, especialmente das escolas:

  • Tendai

  • Zen

  • Terra Pura

Ele atravessou séculos, guerras, terremotos, incêndios e reconstruções no Japão.

📜 Curiosidade:
O famoso começo do Heike Monogatari diz:

“O som dos sinos do templo Gion ecoa a impermanência de todas as coisas.”

Ou seja: até os impérios caem.


🖥️ Mujo explicado para mainframeiro

Mujo é o aviso que ninguém gosta de ler:

  • Sistemas envelhecem

  • Tecnologias passam

  • Soluções viram legado

  • O que hoje é core, amanhã é migração

Mesmo o mainframe, essa fortaleza, vive Mujo:

  • hardware evolui

  • linguagens mudam

  • profissionais se aposentam

  • processos precisam se adaptar

Nada é eterno.
Nem o dataset mais bem catalogado.


🍂 Mujo no cotidiano japonês

Você vê Mujo em todo lugar:

🌸 Sakura – flores lindas que duram poucos dias
🏚️ Casas de madeira – feitas para serem reconstruídas
🍵 Cerimônia do chá – cada encontro é único
🪦 Rituais ancestrais – lembram que tudo passa

Easter egg cultural:
👉 o Japão valoriza o momento, não a posse.


🎌 Mujo nos animes (sim, está lá!)

Alguns exemplos clássicos:

  • Violet Evergarden – sentimentos mudam, pessoas partem

  • Clannad After Story – nada fica como antes

  • Ano Hana – infância não volta

  • Your Lie in April – beleza e perda caminham juntas

O Japão não esconde a impermanência.
Ele abraça.


🧠 Como praticar Mujo na vida real

✔️ Aceitar mudanças sem brigar com elas
✔️ Valorizar o agora
✔️ Não se definir por cargos, posses ou status
✔️ Entender que ciclos se fecham

Mujo não é pessimismo.
É lucidez.


🤫 Fofoquices existenciais

  • Quem tenta congelar tudo, sofre mais

  • Quem aceita a mudança, sofre melhor

  • Quem entende Mujo, envelhece com menos rancor

E isso vale pra:

  • carreira

  • relacionamentos

  • amizades

  • sistemas legados


🌿 Importância de Mujo

Mujo ensina:

  • desapego

  • gratidão

  • presença

Ele nos lembra que:

Se algo é bom, aproveite.
Se algo é ruim, vai passar.

No fim das contas, Mujo é aquele log silencioso do sistema da vida avisando:

📌 “Este estado é temporário.”

E aceitar isso…
é uma das maiores formas de sabedoria.

⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳

segunda-feira, 15 de março de 2010

🍰 Castella — O “Dataset Doce” Que Invadiu o Japão (e os Animes)

Bellacosa Mainframe apresenta o delicioso Castella

 

🍰 Castella — O “Dataset Doce” Que Invadiu o Japão (e os Animes)

Post Bellacosa Mainframe para Otakus do El Jefe Midnight Lunch


Você já viu aquele bolo amarelinho, fofinho, retangular, embalado com um charme vintage japonês, aparecendo em animes escolares, matsuris e lembrancinhas de viagem? Pois bem, jovem padawan otaku… aquilo é o Castella (Kasutera), um dos doces mais fascinantes da história culinária japonesa — e pasme: ele NÃO nasceu no Japão.

Sim, este é o plot twist culinário equivalente ao “o JOB rodou no sistema errado porque o PROC era de outra LPAR”. Prepare-se.


🏰 Origem do Castella — Um Doce “Estrangeiro” que Virou Raiz no Japão

O Castella chegou ao Japão no século XVI trazido pelos portugueses (sim, os mesmos que trouxeram a tempura e ensinaram “pão” aos japoneses).
Na época, o doce era chamado de:

👉 “Pão de Castela” (referência ao reino de Castela, na Espanha).

E os japoneses ouviram “Castela” → Kasutera.

Só que o Japão da era Edo era cheio de restrições e censuras alimentares (shogunato sendo shogunato).
Resultado?

Os japoneses recriaram o doce com a tecnologia local, sem lactose, sem manteiga, sem fermento… só o básico:

  • ovos

  • açúcar

  • farinha

  • xarope (mizuame)

E assim nasceu o Castella japonês, o primo geek e disciplinado do bolo português original.


🖨️ Por que o Castella é o “COBOL da Confeitaria”?

Porque:

✔ É antigo, mas perfeito.
✔ Simples na superfície, mas exige técnica absurda.
✔ Todo mundo respeita.
✔ Foi adotado pelo Japão e virou patrimônio.
✔ E continua sendo usado até hoje — legacy robusto e imortal.

É o bolo que nunca dá ABEND — desde que você bata MUITO bem as claras e não faça bobagem.


Bolo Castella


🍰 Castella nos Animes — Onde Ele Brilha

Se você já assistiu anime school, slice of life ou matsuri-themed, ele COM CERTEZA apareceu. Alguns exemplos:

🎎 Nagasaki Castella — o clássico

  • Em Kimi ni Todoke, aparece como presente de agradecimento.

  • Em Tamako Market, surge como item tradicional de loja do distrito.

🧧 Souvenir “classe S”

Em vários animes, personagens que viajam a Nagasaki trazem castella como omiyage (presente).
É o equivalente japonês de:
👉 “Voltei de viagem, toma esse dataset de carinho embalado.”

🍰 Castella de Festival

  • Em Dagashi Kashi

  • Em Shirokuma Café

  • Em Anpanman (sim, existe um vilão que é literalmente uma fatia de castella — o Kasutera-daiō).

Esses japas conseguem transformar QUALQUER coisa em personagem. Não subestime.


🤫 Easter Eggs e Fofocas Históricas

🥚 1. Sobremesa da Elite

Durante séculos, castella era doce de gente rica, porque açúcar no Japão era mais caro que memória expandida nos anos 70.

🧾 2. Foi alvo de censura

Sim.
No Período Edo, o shogunato controlava produtos estrangeiros.
Castella quase foi banido — mas era tão bom que alguém no alto escalão claramente gostava.
Chamamos isso de “despachante bonito no SDSF que segura seu JOB”.

🔥 3. Castella não tem fermento

O crescimento é todo baseado em ar incorporado nos ovos.
É basicamente um ASSEMBLER de confeitaria — tudo manual, tudo no braço.

💛 4. A casquinha escura é proposital

Chama-se “kuro-mi” e é caramelizada de propósito.
Otaku raiz sabe: o topo do castella é mais disputado que vaga no TSO às 8h da manhã.


Momentos doces com pessoa especial deliciando-se com um delicioso castella


🏯 Significado Cultural do Castella no Japão

Doce de acolhimento – presente típico para visitas.
Doce de viagem – virou símbolo de Nagasaki.
Doce escolar – aparece em lanches de clubes e festivais.
Doce nostálgico – muita gente associa à infância (igual pão com manteiga no Brasil).

O castella é o “SYS1.PARMLIB” das memórias doces japonesas.


🔧 Dicas Bellacosa para Otaku: Como Reconhecer um Castella em Anime

  • Retangular, amarelo vibrante, com topo marrom → Castella clássico.

  • Pequeno, em forma de bichinhos, vendido em matsuri → Baby Castella.

  • Vendido como souvenir chique → Castella de Nagasaki.

  • Sem alga, sem triângulo, sem frescura → não é oniguiri, jovem. É bolo!


🧠 Bellacosa TL;DR (Dump Final)

  • Castella veio dos portugueses.

  • Japão adaptou e transformou em patrimônio.

  • Aparece em 80% dos animes slice of life.

  • Era doce caro e quase proibido.

  • É fofo, é histórico, é símbolo de carinho.

  • É o “legacy que deu certo” do mundo dos doces.

E sinceramente?
Se me dessem um castella agora, eu alinhava ele no JES2, rodava no turno da tarde e ainda pedia rerun.

🍰✨