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segunda-feira, 25 de março de 2019

Sempre um Isekai : O Isekai e o Contrato Social Quebrado – Parte II

Bellacosa Mainframe e a quebra do contrato social parte II

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Isekai e o Contrato Social Quebrado – Parte II

Quando um Programador COBOL Descobre que os Anos 1990 Talvez Tenham Sido o Grande IPL da Economia Mundial... e Nem Todos os JOBs Voltaram a Executar

No final da Parte I deixei uma pergunta no ar.

Por que justamente nas últimas décadas o isekai deixou de ser um gênero de nicho para se tornar praticamente uma indústria?

É claro que não existe uma resposta única.

Mas existe uma coincidência histórica impossível de ignorar.

O isekai moderno começou a explodir justamente quando milhões de pessoas passaram a acreditar que o futuro seria pior do que o presente.

Parece exagero?

Vamos fazer um pequeno dump da memória da História.


O Mundo Parecia Ter Encontrado o Caminho

Durante boa parte do século XX existia uma sensação relativamente otimista.

Você estudava.

Conseguia um emprego.

A empresa investia na sua carreira.

Com o passar dos anos...

O salário aumentava.

A experiência era valorizada.

A aposentadoria parecia um destino natural.

Havia crises?

Claro.

Mas existia uma expectativa de progresso.

Era como um JOB batch previsível.

Você sabia onde começava.

Sabia aproximadamente onde terminaria.


Então Chegaram os Anos 1990

A década de 1990 foi um verdadeiro IPL da economia mundial.

Empresas foram privatizadas.

Mercados foram globalizados.

A internet nasceu.

A competição deixou de ser apenas entre empresas da mesma cidade.

Agora ela era mundial.

Uma fábrica no Brasil competia com outra na China.

Um programador na Europa disputava projetos com alguém na Índia.

O mundo ficou menor.

Muito menor.


A Estabilidade Virou Custo

Ao mesmo tempo...

Começou uma mudança silenciosa.

Empregados deixaram de ser vistos como patrimônio da empresa.

Passaram a ser tratados como custo operacional.

Palavras bonitas começaram a aparecer.

Reestruturação.

Otimização.

Sinergia.

Eficiência.

Rightsizing.

Downsizing.

Na prática...

Muitas vezes significavam exatamente a mesma coisa.

Menos pessoas.

Mais trabalho.

Mesma cobrança.


A Tecnologia Prometeu um Paraíso

Quem viveu os anos 1980 e 1990 deve lembrar.

Os computadores iriam reduzir o trabalho.

A automação nos daria mais tempo.

A internet eliminaria burocracias.

A inteligência artificial faria as tarefas repetitivas.

Parecia maravilhoso.

Mas aconteceu algo curioso.

Cada ganho de produtividade gerou novas metas.

Se antes um funcionário fazia cem processos por dia...

Agora esperavam duzentos.

Depois trezentos.

Depois quinhentos.

A CPU ficou mais rápida.

Mas aumentaram a fila do JES.


A Geração do "Sempre Disponível"

Existe uma diferença enorme entre trabalhar...

...e nunca deixar de trabalhar.

Hoje carregamos o escritório no bolso.

Celular.

E-mail.

Teams.

Slack.

WhatsApp.

VPN.

Notebook.

O expediente termina.

Mas a disponibilidade continua.

O resultado?

O cérebro nunca recebe um END JOB.

Fica permanentemente em WAIT.


O Sonho da Casa Própria Mudou de Endereço

Converse com pessoas de diferentes gerações.

Muitos contam histórias parecidas.

"Meu pai comprou uma casa com um único salário."

"Minha mãe criou quatro filhos."

"Meu avô trabalhou na mesma empresa por quarenta anos."

Hoje...

Mesmo profissionais altamente qualificados fazem contas para financiar um apartamento durante décadas.

Isso não significa que o passado fosse perfeito.

Longe disso.

Mas a percepção de mobilidade social mudou bastante para muitas pessoas.


O Tempo Virou a Moeda Mais Cara do Mundo

Quando somos jovens...

Achamos que dinheiro compra tudo.

Depois descobrimos outra verdade.

O recurso mais raro não é dinheiro.

É tempo.

Tempo para almoçar sem olhar o celular.

Tempo para brincar com os filhos.

Tempo para viajar.

Tempo para ler.

Tempo para estudar algo porque gostamos.

Tempo para simplesmente...

...não fazer nada.

Curiosamente...

É exatamente isso que o aventureiro de um isekai parece possuir.


O Herói Trabalha Muito

Mas Existe Uma Diferença

Muita gente diz:

"Mas o aventureiro também trabalha."

Sim.

E trabalha muito.

Enfrenta monstros.

Caminha quilômetros.

Arrisca a vida.

Dorme ao relento.

Mas existe uma diferença gigantesca.

Ele escolheu aquela missão.

Pode recusá-la.

Pode mudar de cidade.

Pode abandonar uma guilda.

Pode abrir uma loja.

Pode virar alquimista.

Pode ser fazendeiro.

Pode simplesmente seguir viagem.

Autonomia.

Essa talvez seja a verdadeira habilidade lendária.


O Nível Subiu...

Mas o Salário Não

Outro fenômeno curioso.

Na maioria dos RPGs.

Quanto maior o nível...

Maior a recompensa.

Na vida moderna...

Nem sempre.

Você aprende novas tecnologias.

Novas linguagens.

Novos frameworks.

Novas certificações.

Novos processos.

Novas responsabilidades.

Mas muitas vezes a sensação é que a recompensa cresce muito menos do que o esforço necessário para continuar competitivo.

É como passar do nível 80 para o nível 99...

...e ganhar apenas mais cinco pontos de HP.


O Isekai Nunca Foi Sobre Espadas

Quanto mais observo esse gênero...

Mais tenho certeza.

A espada é um símbolo.

A magia é um símbolo.

O dragão é um símbolo.

O verdadeiro protagonista é outro.

A esperança.

Esperança de que exista algum lugar onde esforço e recompensa voltem a conversar.

Onde trabalhar produza significado.

Onde o reconhecimento exista.

Onde a vida não seja apenas uma sequência infinita de boletos, impostos, metas, reuniões e relógios.


Bellacosa Mainframe

Talvez seja por isso que tanta gente sonhe com um portal mágico.

Não porque queira abandonar computadores, cidades ou tecnologia.

Mas porque deseja abandonar uma sensação.

A sensação de correr cada vez mais rápido...

...para permanecer exatamente no mesmo lugar.

No fundo, o círculo mágico do isekai talvez seja apenas um enorme botão escrito:

RESTART SYSTEM

Porque milhões de trabalhadores não querem necessariamente um mundo medieval.

Querem apenas recuperar aquilo que o mundo moderno parece ter roubado aos poucos.

Tempo.

Esperança.

Autonomia.

E a certeza de que o esforço de hoje ainda pode construir um amanhã melhor.

Continua na Parte III — "A Guilda dos Aventureiros ou o RH? Por Que Trabalhar em um Mundo de Fantasia Parece Mais Justo do que no Mundo Real".

☕ UM CAFÉ NO BELLACOSA MAINFRAME

O Isekai e o Contrato Social Quebrado

Quando um Programador COBOL Descobre que Talvez Nunca Tenhamos Querido Fugir para Outro Mundo... Apenas Entender Este.

PRIMEIRA REGRA DO PORÃO NENHUM ARTIGO DEVE FICAR ESCONDIDO DOS LEITORES

Entre nesta série sobre trabalho, impostos, burnout, sociedade, salarymen, guildas, promessas quebradas e o verdadeiro significado da fuga para mundos paralelos. Escolha um capítulo, abra a prévia ou leia diretamente no Bellacosa Mainframe.

00
SYSTEM DIAGNOSIS

O Verdadeiro Rei Demônio Talvez Seja o Holerite

Quando um Programador COBOL Descobre que o Isekai Não Vende Magia... Vende um Mundo Onde o Esforço Ainda Vale Alguma Coisa.

Uma introdução à relação entre o sucesso do gênero isekai, a exaustão do trabalhador moderno, os descontos no salário, a perda de propósito e o desejo de recomeçar em outro mundo.

HOLERITE TRABALHO ISEKAI CONTRATO SOCIAL
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01
CONTRACT ABEND

O Isekai e o Contrato Social Quebrado — Parte I

Quando um Programador COBOL Descobre que Talvez o Verdadeiro Bug Nunca Tenha Estado no Código... Mas na Promessa Feita ao Trabalhador.

A promessa de trabalhar, contribuir, construir uma carreira e receber segurança no futuro começa a apresentar falhas de processamento.

CONTRATO SOCIAL APOSENTADORIA DIGNIDADE
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02
ECONOMY IPL

O Isekai e o Contrato Social Quebrado — Parte II

Quando um Programador COBOL Descobre que os Anos 1990 Talvez Tenham Sido o Grande IPL da Economia Mundial... e Nem Todos os JOBs Voltaram a Executar.

Globalização, tecnologia, automação, terceirização e produtividade reinicializaram a economia mundial, mas muitos trabalhadores ficaram aguardando uma resposta do sistema.

ANOS 1990 GLOBALIZAÇÃO AUTOMAÇÃO
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03
MISSION ACCEPTED

O Isekai e o Contrato Social Quebrado — Parte III

Quando um Programador COBOL Descobre que a Guilda dos Aventureiros Talvez Tenha um RH Muito Melhor que o Nosso.

Na guilda existem missões claras, riscos conhecidos, recompensas publicadas e liberdade para escolher o próximo trabalho. No escritório moderno, nem sempre.

GUILDA RH RECOMPENSA
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04
CANCEL JOB

O Isekai e o Contrato Social Quebrado — Parte IV

Quando um Programador COBOL Descobre que o Truck-kun Nunca Foi um Caminhão... Mas um Botão de CANCEL JOB para uma Geração Inteira.

Truck-kun representa a interrupção brutal de uma vida repetitiva, exausta e sem perspectiva. Um símbolo sombrio do desejo de cancelar a rotina e recomeçar.

TRUCK-KUN BURNOUT CANCEL JOB
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05
SALARYMAN MODE

O Isekai e o Contrato Social Quebrado — Parte V

Quando um Programador COBOL Descobre que Quase Todo Protagonista de Isekai é um Salaryman... e Isso Está Muito Longe de Ser Coincidência.

Programadores, funcionários de escritório e trabalhadores invisíveis protagonizam histórias de recomeço porque representam milhões de pessoas presas em rotinas semelhantes.

SALARYMAN ESCRITÓRIO PROPÓSITO
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06
TIME AVAILABLE

O Isekai e o Contrato Social Quebrado — Parte VI

Quando um Programador COBOL Descobre que Talvez o Verdadeiro Feitiço do Isekai Não Seja a Magia... Mas o Tempo para Viver.

O maior luxo de um mundo fantástico talvez não seja lançar feitiços, mas ter tempo para conversar, descansar, conviver, caminhar e participar de uma comunidade.

TEMPO COMUNIDADE QUALIDADE DE VIDA
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07
RETURN CODE 00

O Isekai e o Contrato Social Quebrado — Parte VII

Quando um Programador COBOL Descobre que Talvez Nunca Tenhamos Querido Fugir para Outro Mundo... Apenas Recuperar Este.

A conclusão da série propõe que talvez o verdadeiro sonho nunca tenha sido abandonar o mundo real, mas recuperar dignidade, propósito, tempo, comunidade e esperança.

ESPERANÇA RECONSTRUÇÃO FUTURO
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quarta-feira, 20 de março de 2019

O Colapso dos Isekais : Quando um Programador COBOL Descobre que a Indústria Começou a Executar o Mesmo Job em Loop

 

Bellacosa Mainframe e o colapso dos isekais atingindo a industria dos animes

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O Colapso dos Isekais

Quando um Programador COBOL Descobre que a Indústria Começou a Executar o Mesmo Job em Loop

"No começo havia criatividade. Depois vieram os templates. Em seguida os algoritmos descobriram que templates vendiam mais. E assim nasceu o maior COPYBOOK da história dos animes."


O Dilema do Primeiro Episódio

Existe um momento curioso na vida de qualquer veterano dos animes.

Depois de centenas...

Depois de milhares de episódios...

Você percebe que o primeiro capítulo deixou de contar uma história.

Ele passou a vender um produto.

Hoje o Episódio 1 funciona exatamente como a primeira tela de um sistema bancário.

Se ela travar...

O usuário fecha.

Se ela impressionar...

Ele continua.

Os estúdios sabem disso.

Por isso concentram praticamente toda sua energia no primeiro episódio.

É ali que entram:

  • explosões;

  • reencarnações;

  • deuses;

  • dragões;

  • poderes secretos;

  • garotas misteriosas;

  • revelações bombásticas.

Tudo em vinte minutos.

É o famoso "tudo ou nada".


A Regra dos Três Episódios

Durante muitos anos os fãs japoneses adotaram uma regra informal.

"Assista três episódios antes de desistir."

Isso influenciou profundamente o roteiro moderno.

O Episódio 1 vende o conceito.

O Episódio 2 apresenta o mundo.

O Episódio 3 promete uma aventura gigantesca.

Depois disso...

A série muitas vezes desacelera.

É como se o orçamento inteiro tivesse sido gasto na abertura.

O restante da temporada apenas cumprisse contrato.


O Mundo Perfeito Demais

Talvez esta seja a maior mudança dos últimos quinze anos.

Os mundos deixaram de parecer vivos.

Tudo ficou...

Bonito demais.

Limpo demais.

Colorido demais.

As tavernas parecem cafeterias.

As armaduras parecem recém-saídas da fábrica.

As ruas não têm lama.

Os cavalos nunca fazem sujeira.

As casas parecem hotéis cinco estrelas.

Até o ferreiro parece usar hidratante.

É uma fantasia medieval construída para vender figuras de coleção.

Não para convencer que pessoas realmente vivem ali.


Onde Foi Parar o Cheiro da Guerra?

Compare com algumas obras clássicas.

Em Goblin Slayer...

Você sente medo.

Em Grimgar...

Você sente fome.

Em Berserk...

Você sente desespero.

Em Claymore...

Você sente sofrimento.

Esses mundos possuem textura.

Possuem cheiro.

Possuem consequências.

Hoje muitos mundos parecem parques temáticos.

Tudo funciona.

Tudo é organizado.

Tudo espera educadamente o protagonista chegar.


O Protagonista Que Nunca Precisou Crescer

Outro sintoma curioso.

O herói moderno nasce praticamente aposentado.

Nível máximo.

Magia infinita.

Espada lendária.

Imunidade absoluta.

Sistema secreto.

Skill única.

Bênção da deusa.

Milhões de pontos de experiência.

O resultado é inevitável.

Nunca existe medo.

Nunca existe risco.

Nunca existe aprendizado.

O protagonista não evolui.

Ele apenas desbloqueia outra habilidade.


O Harém Industrial

Em algum momento alguém descobriu uma fórmula extremamente lucrativa.

Pegue:

uma elfa,

uma demônio,

uma sacerdotisa,

uma garota-gato,

uma princesa,

uma aventureira,

uma dragonesa.

Faça todas se apaixonarem pelo protagonista.

Repita.

Troque apenas a cor do cabelo.

Pronto.

Temos outra temporada.

É quase como recompilar o mesmo programa alterando apenas o nome do EXEC PGM.


O Mundo "Mela Cueca"

Outro fenômeno curioso.

Tudo precisa virar romance.

Tudo precisa virar dorama.

Tudo precisa gerar um mal-entendido amoroso.

Mesmo quando a história deveria tratar de guerra...

Acaba discutindo ciúmes.

Mesmo quando deveria existir sobrevivência...

Surge um festival escolar.

Mesmo quando um continente está sendo destruído...

Sempre existe tempo para um episódio na praia.

O problema não é existir romance.

O problema é quando o romance passa a substituir o conflito.


A Receita Industrial

Depois do sucesso de algumas obras, nasceu uma espécie de COPYBOOK narrativo.

Basta preencher os campos.

IDENTIFICATION DIVISION.

PROTAGONISTA.
    OVERPOWER.

MUNDO.
    RPG.

COMPANHEIRAS.
    HAREM.

OBJETIVO.
    REI DEMÔNIO.

HUMOR.
    FAN SERVICE.

FINAL.
    CONTINUA...

Compile.

Troque o cabelo da protagonista.

Publique.

Repita.


A Cópia da Cópia da Cópia

Existe um fenômeno conhecido na engenharia de software.

Copiar código.

Depois copiar quem copiou.

Depois copiar quem copiou a cópia.

Em algum momento...

Ninguém mais lembra por que aquele trecho existia.

A indústria dos isekais parece ter entrado exatamente nesse estágio.

O primeiro sucesso inspirou dezenas.

Esses inspiraram centenas.

Os seguintes passaram a copiar apenas a aparência.

Não a essência.


A Aversão ao Risco

Criatividade custa dinheiro.

Errar custa mais.

Então surgiu uma lógica perigosa.

"Se vendeu uma vez..."

"...vamos fazer novamente."

Isso reduz o risco financeiro.

Mas aumenta outro risco.

O risco da saturação.


A Perda da Identidade

Os grandes clássicos possuíam personalidade.

Você reconhecia Berserk.

Reconhecia Escaflowne.

Reconhecia Twelve Kingdoms.

Reconhecia Log Horizon.

Reconhecia Grimgar.

Hoje muitas temporadas poderiam trocar de protagonistas sem alterar praticamente nada.

Mudam apenas:

o cabelo.

a roupa.

a cor da magia.

O restante continua idêntico.

É o mesmo sistema operacional usando um novo papel de parede.


A Censura Invisível

Curiosamente, a censura moderna nem sempre é feita por governos.

Ela acontece pelo mercado.

Violência excessiva?

Reduz.

Temas adultos?

Evita.

Discussões políticas?

Simplifica.

Religião?

Cuidado.

Moral ambígua?

Melhor não.

Tudo vai sendo suavizado.

Não porque seja proibido.

Mas porque vende para um público maior.


O Colapso da Tensão

Quando ninguém importante morre...

Não existe tensão.

Quando ninguém passa fome...

Não existe sobrevivência.

Quando o protagonista nunca perde...

Não existe evolução.

Quando tudo dá certo...

Não existe aventura.

A fantasia deixa de parecer fantástica.

Ela passa a parecer confortável.


O Público Também Mudou

A indústria não mudou sozinha.

O público mudou junto.

Existe espaço para obras leves.

Existe espaço para romances.

Existe espaço para slice of life.

E isso é positivo.

O problema surge quando praticamente toda temporada começa a seguir a mesma receita.

A diversidade diminui.

O risco desaparece.

E a sensação de descoberta se perde.


O Paralelo com o Mainframe

Existe uma velha máxima entre programadores COBOL.

"Copiar um programa pode economizar uma semana...
Copiar cem programas pode criar vinte anos de dívida técnica."

Os isekais parecem viver exatamente esse momento.

A dívida técnica criativa.

Cada nova obra reutiliza pequenas partes da anterior.

Cada produtor evita experimentar.

Cada estúdio reduz o risco.

Até que um dia...

Tudo funciona.

Mas nada surpreende.


O Grande IPL Criativo

Talvez a indústria não precise de mais protagonistas nível 9999.

Nem de mais haréns.

Nem de mais sistemas RPG.

Ela talvez precise apenas de coragem.

Coragem para criar mundos imperfeitos.

Heróis falhos.

Vilões inteligentes.

Cidades sujas.

Guerras reais.

Consequências permanentes.

Porque, no fim das contas, aquilo que permanece na memória não é o protagonista invencível.

É aquele que sangrou.

Que perdeu.

Que fracassou.

Que precisou levantar novamente.

Da mesma forma que acontece na vida, na engenharia de software e nos velhos sistemas COBOL que continuam sustentando bancos, governos e empresas há décadas, as histórias que resistem ao tempo não são as que nunca apresentaram falhas.

São aquelas que sobreviveram aos seus próprios ABENDs.

E talvez seja exatamente isso que esteja faltando em muitos isekais modernos.

Menos perfeição.

Mais humanidade.

 

terça-feira, 19 de março de 2019

IBM Mainframe Discovery : Capítulo XV — O Tradutor Universal da Federação

 

Bellacosa Mainframe apresenta ibm mainframe parte xv

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Capítulo XV — O Tradutor Universal da Federação

WebSphere, Java e z/OS Connect: Quando o Legado Descobriu Como Conversar com Toda a Galáxia


DÉCIMA SEGUNDA REGRA DOS EXPLORADORES DO UNIVERSO

Se duas civilizações inteligentes não conseguem conversar...

...o problema raramente é falta de inteligência.

Normalmente...

é falta de um bom tradutor.

Imagine a seguinte situação.

Um navegador espacial fabricado há cinquenta anos precisa conversar com:

  • um drone de reconhecimento;

  • um satélite meteorológico;

  • uma inteligência artificial;

  • um relógio inteligente;

  • um telefone celular;

  • um robô industrial.

Cada um fala um idioma diferente.

Um utiliza:

JSON.

Outro:

XML.

Outro:

REST.

Outro:

gRPC.

Outro:

MQ.

Outro:

SOAP.

Parece impossível.

Mas existe um lugar na Federação onde todas essas linguagens convivem pacificamente.

Hoje visitaremos esse lugar.


O Grande Mal-Entendido da Galáxia

Existe uma frase que atravessa gerações.

"O Mainframe não conversa com tecnologias modernas."

Ela é repetida há tanto tempo...

...que algumas pessoas passaram a acreditar.

Curiosamente...

quem realmente trabalha em bancos, seguradoras, bolsas de valores e governos costuma sorrir quando escuta isso.

Porque sabe que a realidade é exatamente o contrário.


A Torre dos Intérpretes

Imagine uma gigantesca estação espacial.

Centenas de espécies chegam todos os dias.

Cada uma fala um idioma.

Se cada piloto precisasse aprender todas as línguas existentes...

ninguém conseguiria pousar.

Então surgiu uma profissão extremamente importante.

Os tradutores.

No universo IBM Z existem vários deles.

Os mais famosos são:

WebSphere

e

z/OS Connect.


Antes da Grande Tradução

Voltemos alguns anos.

Imagine um programa COBOL.

Ele entende perfeitamente:

COMMAREA.

EBCDIC.

VSAM.

Db2.

CICS.

Mas um aplicativo para celular chega e pergunta:

"Você pode responder em JSON usando REST?"

O COBOL olha para o celular.

O celular olha para o COBOL.

Ambos permanecem em silêncio.

Nenhum dos dois fez nada errado.

Eles apenas nasceram em épocas diferentes.


O Tradutor Universal

Imagine agora um intérprete.

O cliente fala:

REST.

O intérprete escuta.

Traduz.

Entrega ao COBOL.

O COBOL responde.

O intérprete traduz novamente.

O celular acredita que conversou diretamente com o Mainframe.

Na realidade...

existia um grande tradutor trabalhando silenciosamente.


O Velho Engenheiro

Imagine um mestre construtor.

Durante quarenta anos ele construiu motores perfeitos.

Agora alguém pergunta:

"Você consegue controlar esse motor usando um aplicativo de celular?"

O engenheiro responde:

"Claro.

Só preciso de alguém que traduza os comandos."

Esse "alguém" tornou-se um dos maiores responsáveis pela modernização do IBM Z.


WebSphere — A Grande Estação Espacial

Imagine uma gigantesca estação orbital.

Ali chegam visitantes de todos os planetas.

Alguns utilizam Java.

Outros Web Services.

Outros aplicações corporativas.

A estação organiza tudo.

Essa estação chama-se:

IBM WebSphere Application Server.

Durante muitos anos ele tornou-se uma das principais plataformas Java do mundo corporativo, oferecendo ambiente robusto para aplicações críticas e integração com o ecossistema IBM Z.


Java Chega à Federação

Existe outra curiosidade.

Muitos imaginam que Java nunca pertenceu ao Mainframe.

Na realidade...

Java encontrou no IBM Z um dos ambientes mais seguros e confiáveis para executar aplicações corporativas.

Imagine um jovem cientista chegando a uma academia centenária.

Ele não substitui os antigos mestres.

Aprende com eles.

E também ensina novas técnicas.


O Grande Salão das APIs

Agora imagine um gigantesco salão diplomático.

Cada porta representa uma API.

Algumas abrem para:

clientes.

outras:

fornecedores.

outras:

bancos.

outras:

governos.

Cada visitante entra utilizando exatamente o idioma que conhece.

O sistema traduz automaticamente.


REST — A Linguagem dos Novos Exploradores

Nos últimos anos surgiu uma linguagem extremamente popular.

Ela é simples.

Elegante.

Leve.

Seu nome é:

REST.

Hoje praticamente qualquer dispositivo consegue conversar utilizando APIs REST.

Era inevitável que o IBM Z aprendesse esse idioma.


Conheça o z/OS Connect

Imagine um tradutor extremamente disciplinado.

Ele conhece profundamente dois idiomas.

O moderno.

E o clássico.

Ele recebe uma requisição REST.

Traduz.

Conversa com:

COBOL.

CICS.

IMS.

Db2.

MQ.

Depois devolve a resposta em JSON.

Esse tradutor chama-se:

z/OS Connect Enterprise Edition.

Ele permite expor ativos do z/OS como APIs REST padronizadas, aproximando aplicações tradicionais do universo das arquiteturas modernas.


JSON — A Mala de Viagem

Imagine um viajante.

Ele organiza seus pertences dentro de uma pequena mala.

Tudo fica bem identificado.

Nome.

Telefone.

Cidade.

Saldo.

Produtos.

Pedidos.

Essa mala chama-se:

JSON.

Pequena.

Leve.

Fácil de transportar.

Muito diferente das antigas caixas de madeira representadas pelos enormes documentos XML.


XML — Os Grandes Pergaminhos

Antes do JSON...

existia outro mensageiro.

O famoso:

XML.

Imagine enormes pergaminhos cuidadosamente escritos.

Muito organizados.

Muito detalhados.

Excelentes para muitas aplicações.

Mas relativamente pesados.

Hoje JSON tornou-se predominante em APIs REST.

Mesmo assim...

XML continua extremamente presente em diversos ambientes corporativos.


SOAP — O Diplomata Tradicional

Imagine uma cerimônia diplomática.

Tudo acontece seguindo rigorosos protocolos.

Vestimentas.

Documentação.

Assinaturas.

Essa é a filosofia do:

SOAP.

Mais formal.

Mais estruturado.

Ainda muito utilizado em ambientes corporativos.


O COBOL Continua Trabalhando

Talvez esta seja a parte mais bonita.

Imagine um artesão.

Durante décadas ele fabrica relógios perfeitos.

Agora alguém constrói uma loja virtual.

Os clientes compram pelo celular.

Mas quem continua fabricando o mecanismo do relógio?

O mesmo artesão.

O COBOL permanece executando a lógica de negócio.

As APIs apenas mudaram a forma de conversar com ele.


APIs Não Substituem Sistemas

Existe outro grande equívoco.

Muitos imaginam que criar APIs significa reescrever aplicações.

Na realidade...

na maioria das vezes...

não.

As APIs apenas oferecem uma nova porta de entrada.

A inteligência continua exatamente onde sempre esteve.


Microsserviços — Pequenas Oficinas

Imagine uma gigantesca cidade.

Em vez de uma única fábrica...

existem centenas de pequenas oficinas.

Cada uma produz apenas uma peça.

Os microsserviços seguem exatamente essa filosofia.

E o IBM Z conversa naturalmente com esse universo através de APIs, mensageria e integração.


OpenAPI — O Manual da Federação

Imagine comprar uma nave.

Ela acompanha um manual extremamente detalhado.

Qual botão faz o quê.

Como utilizar.

Quais portas existem.

No mundo REST esse manual chama-se:

OpenAPI.

O z/OS Connect pode gerar descrições padronizadas das APIs, facilitando o trabalho de desenvolvedores e ferramentas de integração.


O Celular Nunca Descobre

Agora imagine um aplicativo bancário.

O usuário consulta saldo.

Tudo acontece em menos de um segundo.

Ele acredita conversar com um servidor moderno.

Na realidade...

o pedido atravessou:

Internet.

Gateway.

API.

z/OS Connect.

CICS.

COBOL.

Db2.

Voltou pelo mesmo caminho.

Tudo em poucos instantes.

O cliente jamais percebeu.

E isso é maravilhoso.


Inteligência Artificial Também Conversa

Chegamos ao presente.

Hoje agentes inteligentes podem consumir APIs do IBM Z para consultar dados, iniciar processos e integrar aplicações.

A IA não precisa entender COBOL.

Ela conversa com APIs.

O tradutor faz o restante.


O Que Diz Spruth?

Quando Wilhelm G. Spruth escreveu seu relatório em 2010, já destacava a crescente importância da integração do IBM Z com arquiteturas abertas e padrões amplamente utilizados pela indústria. A visão apresentada mostrava uma plataforma capaz de dialogar com diferentes tecnologias sem abandonar seus fundamentos de confiabilidade e desempenho.

Na época ainda não existia o ecossistema moderno de APIs da forma como conhecemos hoje.

Mesmo assim...

a direção já estava claramente definida.


O Que Mudou Desde 2010?

Se Spruth embarcasse hoje em um IBM z17...

encontraria um universo muito maior.

Além do WebSphere tradicional...

existem:

  • Open Liberty;

  • z/OS Connect EE;

  • OpenAPI 3;

  • GraphQL;

  • APIs REST;

  • OAuth2;

  • OpenID Connect;

  • JWT;

  • Kubernetes;

  • OpenShift;

  • Docker;

  • Java 21;

  • Spring Boot;

  • Quarkus;

  • Node.js;

  • Python;

  • Watsonx;

  • IA Generativa.

A nave aprendeu dezenas de novos idiomas.

Sem esquecer o antigo.


O Segredo Nunca Foi a Linguagem

Existe uma mensagem escondida neste capítulo.

As grandes civilizações não sobrevivem porque todos falam igual.

Elas prosperam porque aprendem a traduzir.

O IBM Z nunca exigiu que o mundo abandonasse suas tecnologias.

Ele apenas aprendeu a conversar com elas.

Talvez esse seja o maior segredo de sua longevidade.

Não resistência.

Adaptação.


Curiosidades do Diário de Bordo

🌐 O z/OS Connect EE permite expor aplicações COBOL, CICS e IMS como APIs REST sem reescrever toda a lógica de negócio.

🚀 APIs modernas utilizam amplamente JSON e OpenAPI, facilitando a integração com aplicações móveis, microsserviços e ambientes em nuvem.

☕ Muitas aplicações bancárias utilizadas diariamente em smartphones executam regras de negócio escritas décadas atrás em COBOL, acessadas por camadas modernas de integração.

🤖 Plataformas de Inteligência Artificial podem consumir APIs do IBM Z da mesma forma que consomem serviços de qualquer outro ambiente corporativo.


Diário de Bordo do Padawan COBOL

Antes de deixar a Torre dos Tradutores da Federação, registre estas coordenadas no seu Holocron Técnico:

✅ O legado não precisa ser substituído para participar da transformação digital; ele pode ser integrado.

✅ APIs REST e o z/OS Connect funcionam como tradutores entre aplicações clássicas e o ecossistema moderno.

✅ WebSphere, Open Liberty e Java ampliaram significativamente as possibilidades do IBM Z sem abandonar seus princípios de estabilidade.

✅ O futuro do Mainframe não está em competir com novas tecnologias, mas em conversar com elas de forma inteligente, segura e eficiente.


Missão Seguinte

No próximo capítulo chegaremos ao Grande Arsenal da Frota: DevOps, Git, CI/CD, Zowe, Ansible e automação inteligente.

Descobriremos por que o IBM Z deixou de ser apenas uma fortaleza tecnológica para se tornar uma fábrica automatizada de software, onde código COBOL, pipelines, testes automatizados, GitHub, VS Code e Inteligência Artificial trabalham lado a lado. Veremos que a verdadeira revolução não foi abandonar o passado — foi ensinar a nave mais experiente da galáxia a construir o futuro continuamente.

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O Guia Galáctico do IBM Z

Dezoito capítulos e uma conclusão reunidos em um painel interativo. Escolha uma missão, abra no visor e continue explorando diretamente no artigo original.

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01

Capítulo I — Não Entre em Pânico!

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02

Capítulo II — A Planta da Nave Mais Duradoura da Galáxia

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03

Capítulo III — A Nave Que Se Recusa a Explodir

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04

Capítulo IV — A Sala dos Cofres Cósmicos

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05

Capítulo V — A Frota Invisível do Transporte Interestelar

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06

Capítulo VI — O Grande Maestro Invisível

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07

Capítulo VII — O Grande Terminal de Embarque da Galáxia

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08

Capítulo VIII — A Metrópole das Transações Infinitas

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09

Capítulo IX — A Federação das Naves Invisíveis

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10

Capítulo X — A Consciência Coletiva da Galáxia

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11

Capítulo XI — O Almirante Invisível da Frota

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12

Capítulo XII — A Biblioteca Infinita da Galáxia

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13

Capítulo XIII — O Serviço Postal Mais Confiável da Galáxia

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14

Capítulo XIV — O Jardim Secreto da Nave

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15

Capítulo XV — O Tradutor Universal da Federação

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16

Capítulo XVI — A Fábrica Automática da Federação

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17

Capítulo XVII — A Última Fronteira Nunca Foi o Espaço

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18

Capítulo XVIII — O Guia Nunca Terminou

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19

Conclusão — Não Entre em Pânico... A Jornada Está Apenas Começando

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segunda-feira, 18 de março de 2019

Kynseed : Quando um Programador COBOL Descobre que um Sistema Legado Também Envelhece..

 

Bellacosa Mainframe apresenta kynseed

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Kynseed sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que um Sistema Legado Também Envelhece... Mas Pode Passar Seu Conhecimento para a Próxima Geração

Existe uma característica comum em quase todos os RPGs.

O herói nunca envelhece.

Ele derrota dragões durante cem horas de jogo.

Constrói reinos.

Salva o universo.

E continua exatamente com a mesma aparência.

Kynseed faz uma pergunta completamente diferente.

"E se o tempo realmente passasse?"

E mais...

"E se um dia você morresse?"

A princípio isso parece estranho.

Mas logo você percebe que Kynseed não é um jogo sobre um herói.

É um jogo sobre uma família.

Sobre legado.

Sobre gerações.

Sobre aquilo que deixamos para quem vem depois.

Para um programador COBOL isso soa extremamente familiar.

Poucos sistemas vivem apenas cinco anos.

Alguns permanecem quarenta.

Cinquenta.

Sessenta anos.

Os profissionais mudam.

As empresas mudam.

Os computadores mudam.

Mas o conhecimento continua sendo passado de geração em geração.

Kynseed transforma exatamente essa ideia em jogabilidade.

Pegue sua caneca.

Hoje vamos conhecer um dos RPGs mais originais já produzidos.


A origem

Kynseed foi desenvolvido pela PixelCount Studios, um estúdio independente fundado por ex-desenvolvedores da Lionhead Studios, responsáveis por séries consagradas como Fable. Após o fechamento da Lionhead pela Microsoft em 2016, parte da equipe decidiu criar um novo projeto que resgatasse o senso de fantasia, humor e liberdade característicos de seus trabalhos anteriores.

O jogo iniciou uma campanha de financiamento coletivo no Kickstarter em 2018, entrou em Acesso Antecipado (Early Access) na Steam em 8 de novembro de 2018 e foi lançado oficialmente na versão 1.0 em 6 de dezembro de 2022 para PC. (store.steampowered.com, )


O estúdio

A PixelCount Studios nasceu praticamente das cinzas da Lionhead.

Muitos jogadores perguntavam:

"E agora?"

"O espírito de Fable desapareceu?"

A resposta foi Kynseed.

Não como uma continuação.

Mas como uma nova filosofia.

Fantasia.

Humor.

Liberdade.

Consequências.


A história

Tudo começa com duas crianças.

Você e sua irmã.

Vivendo tranquilamente em uma pequena fazenda.

Até que acontecimentos misteriosos mudam completamente suas vidas.

O mundo de Quill guarda inúmeros segredos.

Lendas.

Criaturas mágicas.

Árvores ancestrais.

E um objeto extremamente importante.

A Kynseed.

Uma semente mágica ligada ao destino de toda a sua família.


O verdadeiro protagonista

Curiosamente...

Também não é você.

É sua linhagem.

O personagem envelhece.

Casa.

Tem filhos.

Morre.

A aventura continua.

Agora controlando um descendente.

É uma ideia brilhante.


O tempo

Este talvez seja o sistema mais revolucionário.

O tempo realmente passa.

As pessoas envelhecem.

Mudam.

Morrem.

Novas gerações aparecem.

Novas famílias surgem.

É quase um simulador histórico.


A jogabilidade

O ciclo lembra a administração de um enorme ambiente corporativo.

Explorar

↓

Aprender

↓

Trabalhar

↓

Construir Patrimônio

↓

Casar

↓

Ter Filhos

↓

Transmitir Conhecimento

↓

Continuar o Legado

É diferente de praticamente qualquer outro RPG.


O mundo

O continente é dividido em diversas regiões.

Cada uma possui:

  • cultura;

  • habitantes;

  • plantas;

  • animais;

  • profissões.

Tudo parece vivo.


Profissões

Você pode administrar:

  • fazendas;

  • padarias;

  • ferrarias;

  • farmácias;

  • tavernas;

  • lojas.

Cada negócio possui economia própria.

É quase um simulador empresarial.


Agricultura

Naturalmente.

Existe agricultura.

Você cultiva:

  • frutas;

  • vegetais;

  • ervas;

  • flores.

Mas isso representa apenas uma pequena parte da experiência.


Criação de animais

Você cria:

  • galinhas;

  • vacas;

  • porcos;

  • ovelhas.

Cada animal influencia sua economia.


Exploração

Existe um enorme mundo.

Você encontra:

  • cavernas;

  • florestas;

  • rios;

  • minas;

  • ruínas.

Cada local possui segredos.


Combate

O combate lembra antigos RPGs de ação.

Você utiliza:

  • espada;

  • arco;

  • magia;

  • escudos.

Não é o foco principal.

Mas funciona muito bem.


NPCs

Talvez o maior destaque.

Cada NPC:

  • envelhece;

  • trabalha;

  • possui personalidade;

  • cria relações.

É impressionante.


Economia

Quase tudo influencia.

Oferta.

Procura.

Qualidade.

Relacionamentos.

Você aprende rapidamente que administrar um negócio exige planejamento.


Craft

Existe fabricação de:

  • armas;

  • ferramentas;

  • comida;

  • medicamentos;

  • equipamentos.

Cada profissão possui sua própria evolução.


Curiosidades

  • O conceito de legado familiar diferencia Kynseed de praticamente todos os simuladores de fazenda modernos.

  • Muitos elementos remetem ao humor britânico característico da antiga Lionhead Studios.

  • A trilha sonora e o estilo artístico reforçam a atmosfera de conto de fadas com um toque melancólico.


Easter Eggs

Kynseed possui inúmeras referências.

Entre elas.

  • homenagens discretas a Fable;

  • livros escondidos;

  • diálogos secretos;

  • eventos raros;

  • personagens misteriosos.

Grande parte dos segredos aparece somente após dezenas de horas.


Os riscos

O maior risco.

Perder completamente a noção do tempo.

Você pensa.

"Vou administrar apenas um dia."

Cinco horas depois.

Seu personagem já casou.

Teve filhos.

Comprou uma padaria.

Expandiu uma fazenda.

Outro risco.

Esquecer que o tempo continua passando.


As vantagens

Poucos jogos oferecem.

✔ legado familiar

✔ envelhecimento

✔ profissões

✔ exploração

✔ economia

✔ RPG

✔ administração

✔ liberdade

Sem.

❌ gacha

❌ energia

❌ microtransações

❌ passes de batalha


A diversão

Cada jogador cria sua própria história.

Alguns tornam-se agricultores.

Outros.

Ferreiros.

Padeiros.

Mercadores.

Caçadores.

Nenhuma aventura é igual.


O Caminho do Padawan

Se está começando.

Faça assim.

✔ conheça todos os moradores;

✔ plante cedo;

✔ aprenda profissões;

✔ economize dinheiro;

✔ compre ferramentas melhores;

✔ não tenha pressa;

✔ pense nas próximas gerações.

No Bellacosa Mainframe existe uma regra semelhante.

"Escreva código pensando em quem fará a manutenção daqui a vinte anos."


Requisitos para PC

Mínimos:

  • Windows 10 (64 bits)

  • Intel Core i3 ou equivalente

  • 8 GB de RAM

  • GPU compatível com DirectX 11

  • Aproximadamente 2 GB de espaço livre

Recomendados:

  • Intel Core i5 ou AMD Ryzen equivalente

  • 8 GB ou mais de RAM

  • GPU dedicada moderna

Graças ao seu visual em pixel art detalhado, Kynseed roda confortavelmente em muitos computadores de configuração intermediária. (store.steampowered.com)


Tipo de instalação

É um jogo premium.

Compra única.

Instalação digital.

Disponível para Windows (desktop) através da Steam. Não há versão oficial para consoles até o momento. (store.steampowered.com)


Custo

O preço oficial gira em torno de US$ 24,99, podendo variar conforme promoções sazonais da Steam e a região do usuário.


Classificação

  • Gênero: RPG, simulação de vida, fazenda, aventura, gerenciamento e fantasia.

  • Modo: Um jogador.

  • Classificação indicativa: geralmente E10+ / Livre para maiores de 10 anos, por conter violência leve, fantasia e temas relacionados ao ciclo da vida.


Site oficial

Para acompanhar novidades, atualizações e notícias:


Curiosidade para Programadores COBOL

Se Stardew Valley lembra um sistema administrativo elegante...

Outward representa a sobrevivência em produção...

Core Keeper simboliza a exploração das camadas profundas de um grande ambiente...

Dinkum mostra a evolução organizada de uma empresa...

Então Kynseed representa aquilo que todo bom profissional de tecnologia deveria desejar.

Legado.

O código passa.

Os computadores mudam.

As linguagens evoluem.

Mas o conhecimento continua.

Cada geração ensina a próxima.

Assim como um bom sistema IBM Z permanece útil durante décadas porque inúmeros profissionais contribuíram para sua evolução, Kynseed mostra que nenhuma grande obra pertence apenas ao seu criador.

Ela pertence a todos que vieram antes.

E a todos que ainda virão.


Conclusão

Kynseed é uma rara combinação de simulador de vida, RPG e conto de fadas que coloca o tempo no centro da experiência. Em vez de congelar o mundo para servir ao protagonista, ele permite que a vida siga seu curso, criando uma narrativa sobre família, escolhas e continuidade.

Sob a ótica do Bellacosa Mainframe, ele se parece com um sistema legado bem construído: não importa apenas o que você faz hoje, mas o que deixará documentado, organizado e preparado para quem assumirá amanhã.

Sua maior mensagem talvez seja a mais bonita de todas.

O verdadeiro sucesso não está em terminar uma aventura.

Está em construir algo tão sólido que as próximas gerações possam continuar escrevendo a história onde você parou.

Porque, no fim, tanto em Kynseed quanto no universo do mainframe, o maior patrimônio nunca foi apenas o código.

Sempre foi o legado.

quarta-feira, 13 de março de 2019

O Relógio Invisível do CICS : Quando você Descobriu que Milhões de Transações Dependiam de um Tempo que Ninguém Conseguia Enxergar

 

Bellacosa Mainframe e o relogio invisivel do cics

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Relógio Invisível do CICS

Quando um Jovem Programador COBOL Descobriu que Milhões de Transações Dependiam de um Tempo que Ninguém Conseguia Enxergar

"Toda investigação começa com uma pergunta. No mundo do CICS, ela quase sempre é a mesma: exatamente quando isso aconteceu?"

O velho relógio da parede marcava 02h17 da madrugada.

No CPD, apenas o zumbido constante dos refrigeradores quebrava o silêncio. As luzes fluorescentes lançavam sombras longas sobre os armários metálicos, enquanto dezenas de fitas magnéticas repousavam como livros esquecidos em uma biblioteca de segredos.

Era a primeira semana de trabalho de Eduardo, um jovem programador COBOL recém-chegado ao banco.

Seu primeiro incidente parecia simples.

Um cliente afirmava que uma transferência de R$ 28.750,00 havia desaparecido.

O dinheiro saiu da conta.

Nunca chegou ao destino.

Ou pelo menos era isso que todos acreditavam.

O analista mais experiente do departamento, um senhor de cabelos grisalhos chamado apenas de Alberto, aproximou-se calmamente.

Sem olhar para o código perguntou:

— Você já perguntou ao CICS que horas eram?

Eduardo estranhou.

— Mas eu sei a hora...

Alberto sorriu.

— Não...

— Você sabe a hora que o relógio mostra.

— Eu quero saber a hora que o CICS acredita que era.

Naquele instante começava uma das maiores lições da carreira daquele jovem programador.

E também a nossa.


O Mistério do Tempo Invisível

Todo iniciante acredita que obter a data é algo extremamente simples.

Em Java existe:

LocalDateTime.now()

No Python:

datetime.now()

No C#:

DateTime.Now

Então por que o CICS inventou dois comandos?

  • ASKTIME

  • FORMATTIME

Por que não retornar simplesmente:

29/07/2026

10:45:22

A resposta está escondida dentro da própria arquitetura do CICS.

E ela é muito mais elegante do que parece.


O Tempo Não Existe

Parece estranho.

Mas, para um computador, datas não existem.

Nem horas.

Nem calendários.

Nem domingos.

Nem julho.

Muito menos sexta-feira.

Tudo isso é invenção humana.

O computador entende apenas números.

É exatamente por isso que o CICS criou um idioma próprio.

Esse idioma chama-se:

ABSTIME


ABSTIME: O Relógio Secreto do Mainframe

ABSTIME significa:

Absolute Time

Não é uma data.

Não é uma hora.

Não é um calendário.

É simplesmente um número gigantesco que representa um instante exato da existência do sistema.

Imagine uma régua infinita.

--------------------------------------------------------------->

Cada ponto representa um momento.

O ABSTIME é exatamente um desses pontos.

Ele não diz:

Quinta-feira.

Ele diz:

O instante número XXXXXXX desde a referência temporal usada pelo CICS.

É uma forma extremamente eficiente de representar o tempo.


Por que isso é genial?

Imagine duas operações bancárias.

Primeira:

10:45:10

Segunda:

10:45:15

Quanto tempo passou?

Nós fazemos mentalmente.

Cinco segundos.

Mas o computador precisaria interpretar:

  • dia

  • mês

  • ano

  • hora

  • minuto

  • segundo

Depois calcular.

Com ABSTIME?

Basta fazer:

Fim

-

Início

Pronto.

É matemática pura.

Nenhum calendário envolvido.


ASKTIME — Perguntando ao Universo

ASKTIME é um dos comandos mais simples do CICS.

E justamente por isso muitos subestimam sua importância.

EXEC CICS
     ASKTIME
     ABSTIME(WS-ABS-TIME)
END-EXEC.

Parece pequeno.

Mas ele acabou de conversar diretamente com o relógio do z/OS.

Imagine um funcionário indo até a sala onde fica o relógio atômico do banco.

Ele pergunta:

— Qual é o instante atual?

O relógio responde.

Mas responde em um idioma interno.

Não em português.

Nem inglês.

Responde em ABSTIME.


FORMATTIME — O Tradutor

Agora entra o segundo personagem.

FORMATTIME.

Ele olha para aquele número enorme e diz:

— Ah...

Já entendi.

Isso corresponde a:

29/07/2026

10:45:22

Ou então:

FRIDAY

Ou:

JULY

Ou:

2026

Tudo depende do formato solicitado.

Ele não cria informação.

Apenas traduz.


Uma Analogia Bellacosa

Imagine uma antiga máquina Enigma da Segunda Guerra Mundial.

O operador recebe:

YTRXKMQ

Para qualquer pessoa aquilo parece lixo.

Mas basta colocar na máquina correta.

Resultado:

ATAQUE AO AMANHECER

ABSTIME é a mensagem criptografada.

FORMATTIME é a máquina que decifra.


O Fluxo Completo

O caminho do tempo dentro do CICS é extremamente elegante.

Relógio do Hardware

↓

z/OS

↓

CICS

↓

ASKTIME

↓

ABSTIME

↓

FORMATTIME

↓

29/07/2026

10:45:22

Observe que o relógio nunca entrega diretamente uma data legível.

Existe uma camada de abstração.

Isso torna todo o sistema mais eficiente.


O Erro dos Programadores Iniciantes

É muito comum encontrar algo assim:

ASKTIME

FORMATTIME

...

ASKTIME

FORMATTIME

...

ASKTIME

FORMATTIME

Tudo dentro da mesma transação.

Isso é desperdício.

O relógio praticamente não mudou.

O correto geralmente é:

ASKTIME

↓

Guardar ABSTIME

↓

Reutilizar

É uma pequena otimização.

Mas imagine milhões de transações por dia.

Cada microssegundo economizado vira horas de processamento ao longo do ano.

É exatamente assim que os grandes sistemas sobrevivem durante décadas.


Um Caso Real de Auditoria

Imagine um PIX.

Às 14h15m22s.

O cliente afirma:

Nunca fiz essa transferência.

O banco consulta o log.

Encontra:

Data

Hora

Terminal

IP

Operador

Transação

Programa

Usuário RACF

Tudo isso nasceu de um único comando.

ASKTIME

Sem ele...

Toda a investigação estaria comprometida.


A Ciência do Tempo

Existe outro detalhe interessante.

Datas são péssimas para cálculos.

Imagine descobrir quanto tempo um programa levou para executar.

Com datas formatadas:

10:45:22

↓

10:45:24

É preciso interpretar texto.

Com ABSTIME:

Final

-

Inicial

=

2 segundos

Muito mais simples.

Muito mais rápido.


Curiosidade Histórica

Nos primeiros sistemas comerciais, muitos programas armazenavam datas apenas com dois dígitos para o ano.

Foi daí que nasceu o famoso Bug do Milênio (Y2K).

Quando chegou o ano 2000, vários sistemas interpretaram "00" como 1900.

O CICS, com sua abordagem baseada em ABSTIME e formatação controlada, ajudou a reduzir vários desses problemas em aplicações bem projetadas.

Essa história é um lembrete de que o tratamento correto do tempo nunca foi um detalhe trivial.


O Poder do DATESEP

Pouca gente presta atenção nisso.

DATESEP('/')

Resultado:

29/07/2026

DATESEP('-')

Resultado:

29-07-2026

DATESEP('.')

Resultado:

29.07.2026

Sem separador:

29072026

Extremamente útil para integrações.

Principalmente arquivos batch.


O Dia da Semana

FORMATTIME também sabe dizer:

MONDAY

TUESDAY

FRIDAY

Imagine um relatório.

Você quer saber:

Quantas transações aconteceram aos domingos?

Não precisa calcular.

FORMATTIME entrega.


O Nome do Mês

Também pode retornar:

JANUARY

FEBRUARY

MARCH

Parece detalhe.

Mas relatórios gerenciais adoram isso.

Imagine entregar ao diretor:

07

Agora compare com:

JULY

Muito mais amigável.


A Grande Diferença Entre Registrar e Medir

Um erro conceitual comum é acreditar que ASKTIME existe apenas para colocar data em relatórios.

Na verdade existem dois grandes usos.

Primeiro:

Registrar eventos.

Segundo:

Medir tempo.

Imagine:

ASKTIME

↓

Processamento

↓

ASKTIME

Agora basta comparar os dois ABSTIMEs.

Você descobre quanto tempo a rotina levou.

É exatamente assim que muitas medições de desempenho são realizadas em aplicações CICS.


Performance e Escalabilidade

Grandes bancos executam dezenas de milhares de transações por segundo.

Pequenas decisões fazem enorme diferença.

Capturar um único ABSTIME no início da Unidade de Trabalho e reutilizá-lo evita chamadas repetidas ao relógio do sistema, reduz overhead e mantém todos os registros daquela transação com a mesma referência temporal.

Esse cuidado também facilita auditorias, pois cada etapa compartilha o mesmo instante de origem quando isso faz sentido para o negócio.


Curiosidade

Muitos programadores COBOL passam anos utilizando ASKTIME sem nunca descobrir que o verdadeiro protagonista é o ABSTIME.

O comando parece apenas pegar a hora.

Na realidade ele captura um timestamp extremamente preciso utilizado internamente pelo CICS para cálculos temporais.

FORMATTIME é apenas o intérprete.


Dica de Ouro

Quando estiver projetando uma aplicação CICS, faça sempre estas perguntas:

  • Vou precisar apenas exibir a data?

  • Vou calcular intervalos entre eventos?

  • O mesmo horário deve representar toda a transação?

  • Existe um padrão corporativo para datas?

  • Os logs precisam ser comparados com Db2, VSAM, MQ ou outros sistemas?

Essas respostas influenciam diretamente a forma como você utilizará ASKTIME e FORMATTIME.


O Easter Egg do Bellacosa Mainframe 🕵️

Existe um velho comentário entre programadores veteranos:

"Quando um problema parece impossível de reproduzir, pergunte primeiro ao relógio."

Não é superstição.

Muitos incidentes em produção acabam sendo explicados apenas quando alguém reconstrói a sequência exata dos acontecimentos usando os timestamps registrados pela aplicação.

Em inúmeros casos, o "culpado" não era o programa COBOL, mas uma condição de corrida, um bloqueio temporário, uma transação concorrente ou uma diferença de poucos milissegundos entre operações críticas.

O relógio não mente.

Ele apenas registra.

Quem interpreta a história são os engenheiros.


Arquivo Confidencial nº 32 — O Caso do Relógio Invisível

Quando Eduardo finalmente terminou sua investigação, descobriu algo inesperado.

A transferência nunca desaparecera.

Dois programas distintos registraram o mesmo evento utilizando horários capturados em momentos diferentes. Um deles consultou o relógio logo no início da transação; o outro, segundos depois, após uma espera por bloqueio de recurso. Os logs pareciam contraditórios, mas o dinheiro havia seguido exatamente o fluxo esperado.

Na manhã seguinte, Alberto fechou o relatório, tomou um gole de café e disse:

— Está vendo por que nunca perguntamos apenas "que horas são"?

— Perguntamos "qual foi o instante registrado pelo CICS".

Eduardo sorriu.

Naquela madrugada ele deixou de ser apenas um programador COBOL.

Começava a pensar como um investigador de sistemas.

E desde então, sempre que escrevia um novo programa, lembrava-se de uma regra silenciosa que parecia ecoar pelos corredores do CPD:

"Os usuários enxergam datas. Os programadores enxergam horas. Mas o CICS enxerga apenas instantes."

Talvez seja por isso que, em todo grande mainframe, o relógio mais importante nunca aparece na parede. Ele vive escondido, contando silenciosamente a história de bilhões de transações — um ABSTIME de cada vez.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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