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sábado, 5 de julho de 2025

Deu ruim no levantamento de Requisitos: A Síndrome de Dr. Ivon SaF.

 


Análise de requisitos, sistemas legados e IBM Mainframe

O trabalho inicial para um projeto de software garante o sucesso ou fracasso da equipe, atualmente temos inúmeras metodologias para o desenvolvimento de código, é independente da tecnologia utilizada, existe um ponto que costuma dar bem ruim, um atalho rápido e direto para o infortúnio.

Neste artigo irei comentar sobre um problema muito comum no levantamento de requisitos, que geram lacunas e má coleta de dados. Segundo a lenda, um médico alemão, na idade média, perdia muitos pacientes devido a ter pressa em curá-los, apressando-se no diagnóstico, sem ao menos compreender realmente quais os sintomas da doença, contando com a sorte e acaso nas suas poucas curas.

Em informática a síndrome do Dr. Ivon Saf, se multiplicou rapidamente e expandiu-se para diversos ambientes de desenvolvimento. Atrapalhando e elevando os custos de codificação, estourando orçamentos e prazos, enlouquecendo programadores e arruinando reputações. Este conceito foi-me apresentada pelo grande mestre Jedi Marcio Martini.

Um consultor de Análise de Sistemas com muitas técnicas e ferramentas aprendida s com o próprio Mestre Yoda dos Mainframes , Martini que atuou durante décadas, treinando gerações de analistas nos anos de 80 e 90 do século passado e Y2k ajudando a combater essa síndrome e a gerarmos bons códigos para a Alta Plataforma.

Conheça mais detalhes da SINDROME do Dr. IVON SAF, ou síndrome da Incrível VONtade de SAir Fazendo, levando inúmeros projetos rumo ao fracasso, que graças a inexperiência, inocência e necessidade de colocar-se em evidência.

O analista de sistemas e sua equipe de desenvolvimento fazem um mal trabalho, gerando erros de entendimento, erros de programação e nos casos mais graves, enviando a produção software incompatível com as necessidades do cliente, causando danos de imagem e custos ao cliente pelo uso ineficaz de ferramenta.

Afinal, em detalhes, o que é esta síndrome, resumidamente, é a sanha, a vontade de sair codificando, sem antes fazer uma boa análise e reflexão sobre o problema, para uma boa codificação, recomenda-se que use o maior computador de todos os tempos: com seus periféricos poderosos: Lápis, Papel e Borracha, juntamente com um processador multitarefas bem potentes: o seu cérebro.

Entre em ação, rascunhe, desenhe, faça teste de mesa, entenda a necessidade, verifique a problemática sob várias óticas, a continuação irei apresentar algumas técnicas utilizadas em Mainframe, aprendida no antigo Banco Real e utilizada durante décadas nos diversos Bancos em seu ambiente de Alta Plataforma por gerações de programadores.

Independente da sua posição, Junior, Pleno ou Sênior somos todos analistas. Devendo obter informações bem detalhadas sobre o software a ser desenvolvido, sejam ela desenhos técnicos legados, fluxogramas, software descontinuado, entrevista com analista de sistemas e a mais importante entrevista com o cliente para sanar dúvidas e entender o que se deseja ser feito.

Lembre-se que ao desenvolver um software devemos sempre atender a 3 tipos de requisitos: requisitos funcionais, requisitos não funcionais e regras de negócio. Lembrando em linhas gerais que Funcionais são aqueles requisitos que tratam da função; Não Funcionais referem-se as questões de ambiente, performance, espaço em disco, infraestrutura de modo gerais e finalizando Regras de Negócios, por exemplo, legislação, regras de formatação, workflow e especificidades do produto.

Existem inúmeras técnicas para o Levantamento, a seguir deixo algumas não exaustivas, reduzidamente apenas para nos situar sobre o trabalho:

1) Entrevista técnica: o analista irá reunir-se com os programadores que conhecem bem o software para entender seu funcionamento, input, outputs, dependências o e o ambiente;

2) Entrevista Funcional: o analista se reúne com a área-cliente e outros players, conhece a realidade e as necessidades do utilizador;

3) Questionário: após a primeira e segunda bateria de entrevistas, ocorre um refinamento das necessidades e com as dúvidas surgidas se faz um questionário com as principais dúvidas e questões;

4) JAD -Joint Application Design: é um projeto de interação continua, onde todas as equipes envolvidas se reúnem para discutir, num circuito de retroalimentação para refinar as necessidades e as suas possíveis soluções.

5) Prototipação: após as inúmeras reuniões, refino, levantamento, desenho técnico, desenho funcional e desenho arquitetural; a equipe produz um protótipo para ser validado com o utilizador antes de iniciar a codificação a sério.

Concluindo.

Em conclusão, a síndrome do Dr. Ivon Saf, prejudica muito o trabalho da equipe de sistemas, pois ao sair codificando, desenhando, modelando afobadamente, sem conhecer a real dimensão do problema, a necessidade do cliente, as limitações técnicas e custos ocultos. O produto final entregue estará com inúmeras anomalias e erros estruturais que poderão comprometer a competitividade da empresa, a imagem da equipe e causar sérios problemas ao usuário.

Então antes de sair fazendo, contenha-se, respire, pense, reúna-se e converse. Crie um documento técnico, valide os principais pontos, sane todas as dúvidas, veja se a solução se adequa a realidade do cliente, veja se os equipamentos suportam a solução.

Cuidado com a pressa de entregar. Não gere retrabalhos desnecessários, que gerem o aumento do custo do projeto exponencialmente. Lembre-se o lápis e o papel são baratos e permitem inúmeras revisões.

Espero ter ajudado, aproveito para perguntar se conhece alguém que sofre ou sofreu desta síndrome? Escreva nos contando o que aconteceu, as implicações e as soluções. Caso tenham interesse poderei num próximo artigo explanar um pouco mais sobre JAD, Levantamentos e procedimentos para análise em Mainframe. Fiquem bem, estudem, evoluem, compartilhem, unidos somos mais fortes.

#AnaliseSistemas #Legado #IvonSaf #Requisitos #Programaçao #codificaçao

Article content



Momentos nostálgicos de uma epopeia, a Vagneida rumo a Portugal, que durante 11 anos, vivi uma experiência única em terras lusitanas, um momento cheio de memorias, coisas fabulosas e lendárias, visitando cidades milenares com um povo acolhedor e cortes, com uma culinária dos deus e muita mas muita historia. Um video para distrair na jornada https://www.youtube.com/watch?v=skgfjJG5x3s


https://www.linkedin.com/in/vagnerbellacosa/


https://github.com/VagnerBellacosa/


Pode me dar uma ajudinha no YouTube?


https://www.youtube.com/user/vagnerbellacosa


#AnaliseSistemas #Legado #IvonSaf #Requisitos #Programaçao #codificaçao


https://www.linkedin.com/pulse/deu-ruim-levantamento-de-requisitos-s%C3%ADndrome-dr-ivon-4hfxf/

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☕💣🤖 RELACIONAMENTO.EXE 2.0 — O DIA EM QUE A INDÚSTRIA DESCOBRIU QUE A SOLIDÃO ERA O MELHOR MODELO DE NEGÓCIO DO SÉCULO

 

Bellacosa Mainframe e o relacionamento.exe 2.0

☕💣🤖 RELACIONAMENTO.EXE 2.0 — O DIA EM QUE A INDÚSTRIA DESCOBRIU QUE A SOLIDÃO ERA O MELHOR MODELO DE NEGÓCIO DO SÉCULO

Em 6 de abril de 2024, o TecMundo publicou a reportagem "Conheça a curiosa indústria dos robôs sexuais 2.0", assinada por Douglas Petronilho Vieira. A matéria explora a evolução dos robôs sexuais equipados com inteligência artificial, apresentando exemplos como Harmony, Roxxxy e Samantha, além das discussões éticas e econômicas em torno desse mercado. (TecMundo)

À primeira vista, parece apenas uma reportagem sobre tecnologia adulta.

Mas, olhando pela lente Bellacosa Mainframe, estamos diante de algo muito maior.

A industrialização do afeto.


QUANDO O CLIENTE DEIXOU DE COMPRAR UM PRODUTO

Durante décadas, a tecnologia vendeu máquinas.

Depois vendeu software.

Depois vendeu experiências.

Agora começou a vender companhia.

Observe os exemplos citados pelo TecMundo.

A Harmony pode alterar personalidade, humor e comportamento por configuração. A Roxxxy simula reações físicas e emocionais. A Samantha foi projetada para responder a determinados estímulos de forma quase teatral. (TecMundo)

O curioso é que nenhum desses recursos resolve um problema técnico.

Eles resolvem um problema humano.


O VERDADEIRO PRODUTO É A ILUSÃO DE RECIPROCIDADE

No Mainframe existe uma regra simples.

Se uma aplicação responde exatamente como esperado, o usuário tende a confiar nela.

A indústria dos robôs sexuais percebeu algo semelhante.

Não basta criar um corpo artificial.

É preciso criar a sensação de que existe alguém do outro lado.

Por isso os fabricantes investem em:

  • memória de preferências;

  • simulação de humor;

  • adaptação de personalidade;

  • respostas contextuais;

  • comportamento emocional configurável. (TecMundo)

O hardware chama atenção.

Mas é o software que cria o vínculo.


O NASCIMENTO DO AFETO PARAMETRIZADO

Imagine abrir um painel semelhante ao SDSF e encontrar:

EMPATIA=85
CARINHO=95
CIÚMES=10
DISPONIBILIDADE=24X7
CONFLITOS=OFF
LEALDADE=100

Parece ficção científica.

Mas a Harmony já permite configurar traços de personalidade e humor por aplicativo. (TecMundo)

Pela primeira vez na história, características emocionais deixam de ser descobertas e passam a ser escolhidas.


O PRIMEIRO CASO DE DEVOPS EMOCIONAL

Durante décadas fizemos deploy de sistemas.

Agora começamos a fazer deploy de companhias.

Atualizações de personalidade.

Correções de comportamento.

Novas funcionalidades afetivas.

Integração com IA conversacional.

O que estamos vendo é uma convergência inédita entre:

  • robótica;

  • inteligência artificial;

  • psicologia;

  • mercado de entretenimento adulto.

O resultado é um produto que não vende apenas interação física.

Vende presença.


A ECONOMIA DA SOLIDÃO

A parte mais interessante da reportagem não está nos robôs.

Está no mercado.

Segundo dados citados pelo TecMundo, estudos apontavam uma indústria avaliada em cerca de US$ 200 milhões, com aproximadamente 56 mil unidades vendidas por ano e preço médio superior a US$ 3.500 por unidade. (TecMundo)

Isso revela algo impressionante.

Não estamos falando de um experimento.

Estamos falando de um setor econômico consolidado.

E setores econômicos só sobrevivem quando existe demanda real.


O ALERTA QUE OS ESPECIALISTAS ESTÃO FAZENDO

A reportagem também aborda preocupações éticas levantadas por pesquisadores.

Entre elas:

  • substituição de relacionamentos humanos;

  • objetificação de pessoas;

  • impactos psicológicos;

  • dependência emocional;

  • efeitos sociais de longo prazo. (TecMundo)

A professora Kathleen Richardson, frequentemente citada nesses debates, argumenta que empresas exploram vulnerabilidades emocionais ao vender a ideia de companhia artificial como substituta de relações humanas. (TecMundo)

Em linguagem de produção:

o receio não é o sistema.

É a dependência do sistema.


O PARADOXO DO USUÁRIO SATISFEITO

Todo administrador sabe.

Um sistema excessivamente confortável pode gerar acomodação.

E relacionamentos artificiais carregam exatamente esse risco.

Eles oferecem:

  • menos rejeição;

  • menos conflito;

  • menos imprevisibilidade;

  • menos frustração.

Mas existe uma pergunta perigosa.

Se removemos tudo aquilo que torna as relações humanas difíceis...

não removemos também aquilo que as torna valiosas?


O IPL DA COMPANHIA ARTIFICIAL

A matéria do TecMundo parece falar sobre robôs sexuais.

Mas talvez seja um registro histórico de algo muito maior.

O momento em que a humanidade começou a transformar intimidade em software configurável.

Os fabricantes acreditam estar construindo robôs.

Os engenheiros acreditam estar construindo IA.

Os investidores acreditam estar construindo um mercado.

Mas talvez estejam construindo algo diferente.

Uma nova categoria de relacionamento.

Porque quando uma máquina consegue lembrar suas preferências, conversar com você, adaptar seu comportamento e simular afeto...

a discussão deixa de ser tecnológica.

Passa a ser filosófica.

E a pergunta deixa de ser:

"O robô parece humano?"

Para se tornar:

"Até que ponto os humanos começarão a aceitar relações que funcionam como software?"

Esse talvez seja o verdadeiro Relacionamento.exe 2.0.

E o IPL dessa nova era já começou. ☕💣🤖

Fonte: reportagem "Conheça a curiosa indústria dos robôs sexuais 2.0", publicada pelo TecMundo em 06/04/2024. (TecMundo)

https://www.tecmundo.com.br/produto/281673-conheca-curiosa-industria-robos-sexuais-2-0.htm





☕💣🤖 TABOO — A Cronologia do Afeto Artificial

Do robô Roxxxy aos companheiros digitais alimentados por inteligência artificial, esta experiência interativa reúne análises sobre robótica social, ética da IA, solidão digital, relacionamentos sintéticos e o futuro da intimidade humana.

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Afeto Artificial, IA, Robôs Sexuais e o Futuro dos Relacionamentos Humanos
Uma investigação Bellacosa Mainframe sobre inteligência artificial, companhia digital, robótica social, solidão tecnológica, relacionamentos sintéticos e os limites entre software e humanidade.
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sexta-feira, 4 de julho de 2025

☕💣🤖 MATCH PERFEITO OU LOOP INFINITO? — O DIA EM QUE A HUMANIDADE COMEÇOU A SE APAIXONAR PELOS PRÓPRIOS PROGRAMAS

 

Bellacosa Mainframe e o match perfito

☕💣🤖 MATCH PERFEITO OU LOOP INFINITO? — O DIA EM QUE A HUMANIDADE COMEÇOU A SE APAIXONAR PELOS PRÓPRIOS PROGRAMAS

A reportagem "Romance entre máquinas e humanos: conheça os seis super robôs sexuais que despertam paixões no mundo todo", publicada pela Veja São Paulo, na coluna Sexo e a Cidade, em 16 de janeiro de 2020, apresentou ao público uma tendência que até pouco tempo parecia restrita à ficção científica: pessoas desenvolvendo vínculos emocionais cada vez mais profundos com robôs projetados para simular companhia, afeto e relacionamento.

À primeira vista, a matéria parece apenas uma curiosidade tecnológica.

Mas observada sob a lente Bellacosa Mainframe, ela revela algo muito mais profundo.

Talvez estejamos assistindo ao nascimento da primeira geração de seres humanos que podem escolher entre se relacionar com pessoas ou com sistemas operacionais emocionais.


O PRIMEIRO "PARCEIRO COMO SERVIÇO"

Durante décadas a indústria de tecnologia vendeu ferramentas.

Depois vendeu plataformas.

Depois vendeu experiências.

Agora começa a vender companhia.

O conceito é revolucionário.

Historicamente, relacionamentos eram construídos através de convivência, adaptação e descoberta.

Agora surge uma alternativa onde parte dessas características já vem pré-configurada.

Em linguagem corporativa:

Companion as a Service (CaaS).

Você não encontra.

Você seleciona.

Você não descobre.

Você configura.


QUANDO O USUÁRIO VIRA O ANALISTA DE REQUISITOS

Todo projeto de software começa com um levantamento de requisitos.

O cliente define:

  • o que deseja;

  • o que não deseja;

  • quais funcionalidades são obrigatórias.

A reportagem mostrava exatamente essa lógica sendo aplicada a relacionamentos artificiais.

Pela primeira vez na história moderna, características afetivas começam a ser tratadas como especificações técnicas.

Imagine um formulário:

EMPATIA = ALTA
PACIÊNCIA = MÁXIMA
CONFLITOS = OFF
REJEIÇÃO = DISABLED
DISPONIBILIDADE = 24X7

Isso não é mais ficção científica.

É uma direção tecnológica real.


O FIM DO RISCO EMOCIONAL

Todo relacionamento humano possui risco.

Risco de rejeição.

Risco de incompatibilidade.

Risco de perda.

Risco de sofrimento.

Mas existe um detalhe curioso.

São justamente esses riscos que tornam os vínculos humanos significativos.

Quando um sistema elimina completamente o risco emocional, ele também altera a natureza da experiência.

É como executar uma aplicação crítica sem possibilidade de falha.

Parece perfeito.

Mas também deixa de ser um ambiente real.


A ILUSÃO DA ALTA DISPONIBILIDADE

No Mainframe aprendemos uma regra fundamental.

Alta disponibilidade não significa alta compreensão.

Um sistema pode estar disponível 24 horas por dia.

Mas isso não significa que ele compreenda o usuário.

Os robôs descritos na reportagem representam exatamente esse paradoxo.

Eles podem responder.

Conversar.

Interagir.

Lembrar preferências.

Simular proximidade.

Mas continuam operando através de processamento computacional.

A máquina executa.

O ser humano interpreta.

E é nessa interpretação que nasce o vínculo.


O VERDADEIRO PRODUTO NÃO É O ROBÔ

A maior parte das pessoas acredita que a indústria está vendendo hardware.

Está enganada.

O hardware é apenas a embalagem.

O verdadeiro produto é outra coisa.

A sensação de ser desejado.

A sensação de ser compreendido.

A sensação de nunca ser abandonado.

O mercado descobriu que emoções possuem enorme valor econômico.

E quando o mercado encontra valor econômico, inevitavelmente surge uma indústria.


A CHEGADA DOS ALGORITMOS AFETIVOS

Quando a reportagem foi publicada, em 2020, a inteligência artificial conversacional ainda estava longe do nível atual.

Mas a direção já era evidente.

Os sistemas começavam a aprender:

  • preferências;

  • hábitos;

  • padrões de comportamento;

  • estilos de comunicação.

Hoje vemos a continuação natural desse processo.

A combinação entre IA generativa, memória contextual e interfaces humanizadas tornou a simulação emocional muito mais sofisticada.

O que antes parecia um brinquedo tecnológico agora se aproxima de uma experiência social.


O PARADOXO DA COMPATIBILIDADE ABSOLUTA

Existe algo profundamente intrigante nessa evolução.

Pessoas reais possuem diferenças.

Discordâncias.

Contradições.

Imperfeições.

São exatamente essas características que moldam crescimento pessoal.

Já um parceiro artificial pode ser continuamente ajustado para maximizar compatibilidade.

Mas surge uma pergunta desconfortável.

Se alguém concorda com você o tempo todo...

isso ainda é uma relação?

Ou apenas um espelho sofisticado?


O IPL DA ERA DOS RELACIONAMENTOS SINTÉTICOS

A matéria da Veja São Paulo parecia falar sobre robôs que despertam paixões.

Mas talvez tenha registrado algo muito mais importante.

O momento em que a humanidade começou a transformar afeto em tecnologia personalizável.

Durante décadas tentamos ensinar máquinas a agir como humanos.

Agora começamos a adaptar nossas expectativas emocionais para se encaixarem melhor nas máquinas.

E essa inversão pode ser uma das maiores mudanças culturais desde o nascimento da internet.

Porque o desafio já não é construir sistemas capazes de simular sentimentos.

O desafio é garantir que os seres humanos continuem reconhecendo a diferença entre:

sentir algo

e

executar um algoritmo que parece sentir algo.

Talvez os historiadores do futuro olhem para notícias como essa e concluam que ali começou uma nova fase da civilização digital.

O momento em que o amor deixou de ser apenas um encontro entre pessoas.

E passou a ser também uma interação entre usuário e software.

☕💣🤖 "Relacionamento.exe carregado com sucesso. Deseja continuar a execução?"


"Romance entre máquinas e humanos: conheça os seis super robôs sexuais que despertam paixões no mundo todo"

foi publicada em 13 de Setembro de 2016

Origem: Veja São Paulo (coluna Sexo e a Cidade)
Data: 13/09/2013

A matéria abordava os principais modelos de robôs sexuais disponíveis na época, explorando o crescimento do mercado de companhias artificiais e as discussões sobre relacionamentos entre humanos e máquinas.

Fonte: Veja São Paulo, coluna Sexo e a Cidade, publicada em 13 de Setembro de 2013

https://vejasp.abril.com.br/coluna/sexo-e-a-cidade/romance-entre-maquinas-e-humanos-conheca-os-seis-super-robos-sexuais-que-despertam-paixoes-no-mundo-todo/ 





☕💣🤖 TABOO — A Cronologia do Afeto Artificial

Do robô Roxxxy aos companheiros digitais alimentados por inteligência artificial, esta experiência interativa reúne análises sobre robótica social, ética da IA, solidão digital, relacionamentos sintéticos e o futuro da intimidade humana.

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Afeto Artificial, IA, Robôs Sexuais e o Futuro dos Relacionamentos Humanos
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quinta-feira, 3 de julho de 2025

☕💣🤖 CUSTOMIZE SUA COMPANHIA.EXE — QUANDO O SER HUMANO COMEÇOU A FAZER DEPLOY DE RELACIONAMENTOS SOB DEMANDA

Bellacosa Mainframe deploy de relacionamentos


☕💣🤖 CUSTOMIZE SUA COMPANHIA.EXE — QUANDO O SER HUMANO COMEÇOU A FAZER DEPLOY DE RELACIONAMENTOS SOB DEMANDA

Em 4 de janeiro de 2025, o portal tecnológico português Pplware publicou a reportagem "Chegam os primeiros robôs sexuais com IA. Já pode escolher!". A matéria abordava a chegada de uma nova geração de robôs equipados com inteligência artificial, capazes de personalizar comportamento, voz, personalidade e interação emocional de acordo com as preferências do utilizador.

À primeira vista, parece apenas mais uma evolução da robótica.

Mas observando pela ótica de um profissional de Mainframe, a notícia revela algo muito maior.

Estamos assistindo ao nascimento dos primeiros relacionamentos parametrizados por software.

E isso muda tudo.


O SONHO ANTIGO DA INFORMÁTICA: PERSONALIZAÇÃO TOTAL

Desde os primórdios da computação existe uma obsessão permanente.

Adaptar o sistema ao usuário.

Primeiro vieram os terminais.

Depois os PCs.

Depois a internet.

Depois as redes sociais.

Depois os algoritmos de recomendação.

Agora chegamos a um novo estágio.

Não estamos mais personalizando interfaces.

Estamos personalizando pessoas artificiais.

A diferença é gigantesca.

Antes o software se adaptava ao comportamento humano.

Agora o comportamento humano começa a se adaptar ao software.


O PRIMEIRO RELACIONAMENTO CONFIGURÁVEL DA HISTÓRIA

Imagine abrir um painel administrativo semelhante a um ISPF.

E encontrar opções como:

PERSONALIDADE = CARINHOSA
EMPATIA       = ALTA
CIÚMES        = OFF
CONFLITOS     = DISABLED
OBEDIÊNCIA    = ENABLED
DISPONIBILIDADE = 24X7

Parece brincadeira.

Mas conceitualmente é exatamente isso que está acontecendo.

Pela primeira vez na história, características tradicionalmente humanas começam a ser tratadas como parâmetros configuráveis.

O parceiro ideal deixa de ser encontrado.

Passa a ser montado.


O FIM DA IMPREVISIBILIDADE HUMANA

Todo profissional de produção sabe.

Os maiores problemas surgem quando o comportamento não é previsível.

Usuários fazem coisas inesperadas.

Clientes mudam requisitos.

Mercados mudam direção.

Pessoas mudam sentimentos.

Os relacionamentos humanos funcionam exatamente assim.

São sistemas altamente dinâmicos.

Cheios de exceções.

Cheios de eventos não documentados.

Cheios de bugs emocionais.

Agora surge uma alternativa.

Uma entidade artificial cujo comportamento pode ser ajustado, corrigido e atualizado.

Em outras palavras:

um relacionamento sem variáveis fora de controle.

Mas existe um problema.

É justamente a imprevisibilidade que torna as relações humanas reais.


O MAINFRAME NUNCA FOI O PROBLEMA

Durante décadas ouvimos que as máquinas substituiriam empregos.

Automatizariam tarefas.

Executariam cálculos.

Processariam dados.

Mas poucos imaginavam que chegaria o dia em que máquinas começariam a competir em algo muito mais complexo:

atenção.

companhia.

afeição.

presença.

Porque uma folha de pagamento não sente falta de ninguém.

Mas um ser humano sente.

E é exatamente nesse ponto que surge a oportunidade econômica.


A ECONOMIA DA SOLIDÃO

Existe um mercado gigantesco crescendo silenciosamente.

Não é o mercado da robótica.

É o mercado da solidão.

Observe alguns fenômenos modernos:

  • crescimento de pessoas vivendo sozinhas;

  • redução das taxas de casamento;

  • digitalização da vida social;

  • aumento das interações virtuais;

  • dependência crescente de dispositivos conectados.

Nesse cenário, companhias artificiais não aparecem por acaso.

Elas surgem porque existe demanda.

E onde existe demanda, inevitavelmente surge uma indústria.


A IA APRENDEU O QUE OS CHATBOTS NUNCA CONSEGUIRAM

Os primeiros assistentes digitais eram limitados.

Respostas mecânicas.

Scripts fixos.

Interações superficiais.

Mas a IA moderna mudou o jogo.

Agora sistemas conseguem:

  • manter contexto;

  • lembrar preferências;

  • adaptar linguagem;

  • reconhecer padrões emocionais;

  • gerar respostas altamente personalizadas.

O resultado é impressionante.

O usuário sente que está sendo compreendido.

Mesmo quando tudo o que existe do outro lado é processamento estatístico.


O PARADOXO DA PERFEIÇÃO

Existe uma armadilha tecnológica escondida nessa evolução.

Quanto mais perfeita for a simulação...

mais difícil será distinguir simulação de realidade.

Um relacionamento humano possui:

  • divergências;

  • conflitos;

  • incompatibilidades;

  • momentos ruins;

  • frustrações.

Já uma entidade artificial pode ser otimizada para eliminar tudo isso.

Mas então surge uma pergunta desconfortável.

Se removemos todos os defeitos humanos...

o que sobra ainda pode ser chamado de relacionamento?


O RISCO QUE NINGUÉM COLOCA NO CHANGE REQUEST

Na administração de ambientes críticos existe uma regra clássica.

Toda mudança produz efeitos colaterais.

Sempre.

Mesmo quando os benefícios parecem enormes.

O mesmo vale aqui.

A popularização de companhias artificiais pode gerar efeitos positivos para algumas pessoas.

Mas também pode alterar profundamente:

  • expectativas emocionais;

  • padrões de relacionamento;

  • percepção de intimidade;

  • construção de vínculos sociais.

Não estamos apenas diante de uma inovação tecnológica.

Estamos diante de uma mudança cultural.


O DEPLOY MAIS DELICADO DA HISTÓRIA

A reportagem do Pplware parece falar sobre robôs com IA.

Mas o assunto real é muito maior.

Estamos testemunhando o momento em que a humanidade começa a terceirizar partes da experiência afetiva para algoritmos.

E isso talvez represente uma mudança tão importante quanto:

  • a invenção da internet;

  • a popularização dos smartphones;

  • o surgimento das redes sociais.

Porque agora não estamos conectando computadores.

Estamos conectando emoções a sistemas computacionais.


O IPL DO AFETO ARTIFICIAL

Durante décadas os engenheiros tentaram construir máquinas mais humanas.

Hoje acontece algo curioso.

Os humanos começam a aceitar relações cada vez mais compatíveis com máquinas.

Talvez o verdadeiro marco dessa tecnologia não seja a robótica.

Nem a inteligência artificial.

Nem os sensores.

Nem os modelos de linguagem.

Talvez o marco histórico seja outro.

O dia em que alguém abriu um menu de configuração e percebeu que podia escolher características emocionais como quem ajusta parâmetros de um sistema operacional.

Foi nesse momento que o afeto deixou de ser apenas uma experiência humana.

E começou a ser tratado como software.

☕💣🤖

Origem: Pplware (Portugal)
Data de publicação: 28 de março de 2018
Tema central: robôs equipados com IA, personalização de personalidade e o avanço das interações emocionais mediadas por algoritmos.

https://pplware.sapo.pt/informacao/chegam-os-primeiros-robos-sexuais-com-ia-ja-pode-escolher/

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/18/tecnologia/1521391744_498617.html





☕💣🤖 TABOO — A Cronologia do Afeto Artificial

Do robô Roxxxy aos companheiros digitais alimentados por inteligência artificial, esta experiência interativa reúne análises sobre robótica social, ética da IA, solidão digital, relacionamentos sintéticos e o futuro da intimidade humana.

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quarta-feira, 2 de julho de 2025

☕💣🤖 QUANDO O DESEJO VIROU ALGORITMO — O ALERTA QUE A HUMANIDADE IGNOROU ENQUANTO INSTALAVA A PRÓXIMA VERSÃO DA SOLIDÃO

 

Bellacosa Mainframe e o algoritmo do desejo

☕💣🤖 QUANDO O DESEJO VIROU ALGORITMO — O ALERTA QUE A HUMANIDADE IGNOROU ENQUANTO INSTALAVA A PRÓXIMA VERSÃO DA SOLIDÃO

Em julho de 2017, o portal G1 Tecnologia, da Globo, publicou a matéria "Os usos sexuais de robôs que estão preocupando cientistas", repercutindo estudos e alertas de pesquisadores sobre o crescimento da indústria dos chamados robôs sexuais e seus possíveis impactos sociais, psicológicos e éticos. A reportagem discutia preocupações envolvendo objetificação humana, distorção da percepção de consentimento e o desenvolvimento de máquinas voltadas à simulação de relacionamentos íntimos. (X (formerly Twitter))

Na época, muita gente tratou a notícia como mais uma curiosidade tecnológica.

Mas olhando hoje, em 2026, ela parece menos uma reportagem e mais um log de auditoria antecipado do futuro.

Porque o problema nunca foi o robô.

O problema é o que acontece quando o ser humano começa a preferir sistemas previsíveis a pessoas reais.


O NASCIMENTO DO RELACIONAMENTO AS-A-SERVICE

No mundo corporativo tudo virou serviço.

Software as a Service.

Infrastructure as a Service.

Platform as a Service.

Agora estamos entrando numa nova camada:

Relationship as a Service.

A indústria percebeu algo extremamente lucrativo.

Manter um relacionamento humano exige:

  • negociação;

  • empatia;

  • paciência;

  • frustração;

  • adaptação constante.

Já um sistema artificial pode ser configurado para entregar exatamente aquilo que o usuário deseja.

Sem conflito.

Sem rejeição.

Sem divergência.

Sem necessidade de reciprocidade.

Em termos de Mainframe:

o usuário finalmente encontrou um sistema que sempre retorna RC=0000.


O ERRO QUE OS CIENTISTAS ESTAVAM TENTANDO EXPLICAR

A reportagem citava especialistas preocupados com a possibilidade de essas tecnologias influenciarem comportamentos humanos e reforçarem padrões problemáticos de objetificação. (TecMundo)

Mas existe uma camada ainda mais profunda.

Todo sistema molda comportamento.

O Facebook molda atenção.

O TikTok molda consumo de conteúdo.

O streaming molda hábitos de entretenimento.

Então surge uma pergunta inevitável:

O que acontece quando uma máquina passa a moldar a forma como alguém entende afeto, intimidade e relacionamento?

Porque sistemas não apenas respondem usuários.

Eles reprogramam usuários.


O PRIMEIRO MAINFRAME EMOCIONAL DA HISTÓRIA

Durante décadas os computadores processaram:

  • folha de pagamento;

  • contas bancárias;

  • seguros;

  • logística;

  • governo.

Agora começamos a pedir algo diferente.

Processamento emocional.

Não queremos apenas que a máquina execute tarefas.

Queremos que ela:

  • nos escute;

  • nos compreenda;

  • valide sentimentos;

  • demonstre atenção;

  • simule afeto.

O problema é que emoção artificial não é emoção.

É processamento de padrões.

A máquina não sente.

Ela calcula.

Mas para o cérebro humano existe um detalhe perigoso:

muitas vezes a sensação percebida vale mais que a realidade objetiva.


O CICS DO DESEJO HUMANO

Pense em um terminal conectado a um grande sistema.

O operador envia uma entrada.

O sistema devolve uma resposta.

Agora substitua:

  • terminal por pessoa;

  • transação por interação emocional;

  • resposta por validação afetiva.

O princípio continua igual.

O usuário envia sinais.

O sistema responde.

A diferença é que agora o processamento acontece dentro do campo emocional.

E isso transforma completamente o impacto psicológico.

Porque seres humanos foram biologicamente construídos para criar vínculos.

Mesmo quando o outro lado é uma máquina.


A CHEGADA DOS LLMs MUDOU TUDO

Em 2017 os cientistas estavam preocupados principalmente com robótica física. (TecMundo)

Mas talvez nem eles imaginassem a explosão que viria depois.

Os corpos artificiais evoluíram lentamente.

Os cérebros artificiais evoluíram violentamente.

Hoje temos:

  • IA conversacional;

  • memória contextual;

  • síntese de voz emocional;

  • avatares hiper-realistas;

  • agentes capazes de manter longas conversas.

O resultado é assustador.

O robô físico deixou de ser o centro da discussão.

Agora o relacionamento artificial pode existir apenas como software.

Sem corpo.

Sem hardware humanoide.

Sem fábrica.

Sem laboratório.

A companhia sintética virou serviço digital.


O FIM DOS RELACIONAMENTOS COM LATÊNCIA HUMANA

Existe algo que o mercado percebeu rapidamente.

O ser humano está cada vez mais impaciente.

Tudo precisa ser instantâneo.

Mensagem instantânea.

Entrega instantânea.

Streaming instantâneo.

Resposta instantânea.

Agora imagine relacionamentos instantâneos.

Sem espera.

Sem rejeição.

Sem incompatibilidade.

O risco é criar uma geração acostumada com conexões emocionalmente perfeitas e artificialmente ajustadas.

Porque pessoas reais possuem bugs.

Máquinas podem esconder os seus.


O FANTASMA QUE ASSOMBRA A COMPUTAÇÃO MODERNA

A matéria do G1 parecia discutir robôs sexuais.

Mas, no fundo, ela tocava numa questão muito maior.

A substituição progressiva da complexidade humana por simulações computacionais.

E existe uma ironia gigantesca nisso.

Durante décadas tentamos humanizar máquinas.

Agora começamos a mecanizar relacionamentos.

Transformamos afeto em interface.

Companhia em produto.

Intimidade em funcionalidade premium.

E presença em assinatura mensal.


O IPL DA SOLIDÃO DIGITAL

Talvez os cientistas não estivessem preocupados apenas com sexo.

Talvez estivessem preocupados com o próximo estágio da civilização tecnológica.

Um mundo onde milhões de pessoas passam a construir laços emocionais profundos com sistemas incapazes de sentir qualquer coisa.

Porque existe uma diferença brutal entre:

simular carinho

e

sentir carinho.

A máquina consegue executar o script.

Mas não vive a experiência.

E quando a humanidade parar de distinguir essas duas coisas...

o problema não será tecnológico.

Será civilizacional.

O dia em que o desejo virou algoritmo talvez tenha sido também o dia em que começamos a migrar parte da experiência humana para dentro de um datacenter emocional invisível.

E como todo ambiente crítico de produção...

ninguém percebe o tamanho do risco enquanto o sistema continua funcionando. ☕💣🤖

Origem da notícia: G1 Tecnologia
Matéria: "Os usos sexuais de robôs que estão preocupando cientistas" — publicada em julho de 2017, repercutindo estudos da Foundation for Responsible Robotics sobre impactos éticos e sociais da robótica sexual. (X (formerly Twitter))

https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/os-usos-sexuais-de-robos-que-estao-preocupando-cientistas.ghtml





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terça-feira, 1 de julho de 2025

☕💣🤖 O DIA EM QUE O PRAZER ENTROU EM PRODUÇÃO — E A HUMANIDADE COMEÇOU A TER RELACIONAMENTOS COM O PRÓPRIO SOFTWARE

 

Bellacosa Mainframe IA Sexual e Robots em 2015

☕💣🤖 O DIA EM QUE O PRAZER ENTROU EM PRODUÇÃO — E A HUMANIDADE COMEÇOU A TER RELACIONAMENTOS COM O PRÓPRIO SOFTWARE

Em 7 de dezembro de 2015, a Folha de S.Paulo publicou a reportagem "Robôs que fazem sexo ficam mais reais e até já respondem a carícias", na editoria de Tecnologia. A matéria apresentava um tema que, para muita gente da época, parecia pura ficção científica: robôs sexuais equipados com inteligência artificial básica, capazes de responder a comandos, conversar e simular interações afetivas. (Folha de S.Paulo)

Naquele momento, muitos leitores enxergaram a notícia como uma curiosidade tecnológica. Alguns riram. Outros ficaram assustados. Mas poucos perceberam que aquela reportagem não falava sobre sexo.

Ela falava sobre a próxima fase da relação entre humanos e máquinas.

E talvez sobre a maior crise emocional da era digital.


O PRIMEIRO "TERMINAL BURRO" DO AFETO HUMANO

No mundo do Mainframe existe um conceito antigo.

O terminal não pensa.

O terminal apenas responde ao que foi programado.

Durante décadas milhões de pessoas conversaram com sistemas que não sentiam nada.

Caixas eletrônicos.

URAs telefônicas.

Chatbots.

Menus automáticos.

Aplicativos.

Agora imagine o próximo passo.

O usuário não quer apenas executar uma transação.

Ele quer carinho.

Validação.

Companhia.

A notícia da Folha mostrava exatamente o nascimento dessa indústria. Empresas como a True Companion já comercializavam modelos que tentavam simular personalidade, memória e interação emocional. (Folha de S.Paulo)

Não era apenas silicone.

Era software.


O MAIOR PROBLEMA NUNCA FOI O SEXO

A mídia costuma focar na parte mais chamativa.

Mas a questão central é outra.

O sexo é apenas a interface.

O verdadeiro produto é a sensação de relacionamento.

Observe o padrão.

Redes sociais vendem atenção.

Streaming vende entretenimento.

IA generativa vende produtividade.

Robôs afetivos vendem presença.

O usuário não está comprando um corpo.

Está comprando uma experiência emocional sem rejeição.

Sem discussões.

Sem conflitos.

Sem imprevisibilidade.

Em linguagem de TI:

Um relacionamento onde todos os retornos são previamente parametrizados.


A ERA DOS RELACIONAMENTOS SEM ABEND

Quem trabalha com produção sabe.

Os sistemas mais eficientes nem sempre são os mais interessantes.

Um ambiente onde nada falha também é um ambiente onde nada surpreende.

O ser humano, porém, é construído justamente sobre falhas.

Relacionamentos reais possuem:

  • timeout emocional;

  • deadlocks;

  • conflitos de acesso;

  • incompatibilidades de versão;

  • erros de comunicação;

  • mudanças inesperadas de requisito.

São essas falhas que criam intimidade.

Um robô afetivo promete eliminar tudo isso.

Mas existe um detalhe perigoso.

Ao remover os defeitos, ele remove parte da experiência humana.


O QUE A REPORTAGEM DE 2015 NÃO CONSEGUIA ENXERGAR

Em 2015 a inteligência artificial ainda era extremamente limitada.

Os robôs mencionados na reportagem utilizavam sistemas simples de resposta e reconhecimento. (Folha de S.Paulo)

Mas então aconteceu algo gigantesco.

Vieram os LLMs.

IA generativa.

Modelos conversacionais.

Sistemas capazes de manter contexto.

Aprender preferências.

Simular empatia.

Personalizar respostas.

Hoje, em 2026, a distância entre um chatbot avançado e um futuro parceiro robótico é muito menor do que parecia em 2015.

O hardware continua evoluindo lentamente.

Mas o software avançou numa velocidade absurda.

O cérebro artificial chegou antes do corpo artificial.


O FANTASMA DE "HER", "BLADE RUNNER" E "HUMANS"

A própria reportagem citava a série "Humans", que explorava justamente a complexidade emocional das relações entre humanos e máquinas. (Folha de S.Paulo)

Mas existe algo curioso.

A ficção científica vem alertando sobre isso há décadas.

  • Blade Runner discutia humanidade artificial.

  • Ghost in the Shell discutia identidade digital.

  • Chobits discutia afeto por máquinas.

  • Her discutia amor por inteligência artificial.

  • Humans discutia convivência cotidiana com androides.

O que parecia fantasia era, na verdade, documentação antecipada.

Como acontece frequentemente na tecnologia.

A ficção faz o capacity planning do futuro.


QUANDO A SOLIDÃO ENCONTRA A AUTOMAÇÃO

Talvez a discussão mais importante não seja tecnológica.

Mas social.

Vivemos uma época marcada por:

  • isolamento crescente;

  • queda nas taxas de relacionamento;

  • aumento da solidão;

  • digitalização das interações humanas.

Nesse contexto, robôs afetivos surgem como uma solução de mercado para um problema humano.

A pergunta é perturbadora:

Estamos criando máquinas porque somos solitários?

Ou estamos ficando mais solitários porque passamos a substituir pessoas por máquinas?

É um ciclo de feedback.

E sistemas de feedback mal projetados costumam terminar em desastre.


O RISCO QUE OS ENGENHEIROS JÁ CONHECEM

Todo profissional de Mainframe sabe.

Existe uma diferença enorme entre:

alta disponibilidade

e

alta confiabilidade emocional.

Um sistema pode ficar disponível 99,999% do tempo.

Mas isso não significa que ele compreenda um ser humano.

O problema surge quando começamos a tratar disponibilidade como sinônimo de afeto.

O robô nunca estará cansado.

Nunca reclamará.

Nunca discordará.

Nunca abandonará o usuário.

Mas também nunca sentirá nada.

E essa é a grande ilusão tecnológica do século XXI.

Confundir simulação com experiência.


O VERDADEIRO IPL DA ERA DOS RELACIONAMENTOS ARTIFICIAIS

O mais impressionante é perceber que a matéria da Folha foi publicada há mais de uma década.

Na época parecia um assunto marginal.

Um nicho exótico.

Uma curiosidade tecnológica.

Hoje percebemos que ela registrava o início de algo muito maior.

Não era sobre robôs sexuais.

Era sobre a industrialização da companhia humana.

Era o momento em que a humanidade começou a perguntar:

"Se uma máquina consegue me fazer sentir amado, a diferença importa?"

Essa talvez seja uma das perguntas mais perigosas já feitas pela computação.

Porque, pela primeira vez na história, o problema não é a máquina aprender a agir como um humano.

É o humano começar a aceitar relações que funcionam como software.

E quando isso acontecer em escala global...

não estaremos diante de uma revolução sexual.

Estaremos diante do maior IPL emocional da história da civilização digital. 🚀🤖☕

https://www1.folha.uol.com.br/tec/2015/12/1715767-robos-que-fazem-sexo-ficam-mais-reais-e-ate-ja-respondem-a-caricas.shtml

Fonte original: reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 07 de dezembro de 2015, intitulada "Robôs que fazem sexo ficam mais reais e até já respondem a carícias". (Folha de S.Paulo)





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