| Bellacosa Mainframe apresenta os principais softwares no z/OS |
Os Principais Aplicativos do z/OS: Um Guia para padawans.
Salve jovem padawan, inspirado em meu Quiz sobre Z/OS para iniciantes, resolvei dar uma ajudinha com mais material de apoio, este artigo tem como objetivo apresentar com um pouco mais de rigor tecnico. O famoso Z/OS o sistema operacional dos sistemas operacionais. O conjunto de softwares, que tornam realidade toda a velocidade da Alta Plataforma, cuidado da segurança, continuedade e potência no processamento de Dados para milhões de pessoas ao redor do Globo.
No coração do mainframe IBM, o z/OS é o sistema operacional que sustenta algumas das infraestruturas mais críticas do mundo — bancos, governos, seguradoras, grandes varejistas, entre outros. Mas o que faz do z/OS um sistema tão poderoso não é apenas sua robustez, mas também o conjunto de aplicativos e subsistemas que o compõem.
Neste artigo, caro padawan compartilho os principais aplicativos do z/OS, com breves resumos, exemplos de uso e curiosidades históricas. Existem outros softwares, porém não serão listados neste artigo.
1. JES2 – Job Entry Subsystem
Resumo: Gerencia o fluxo de jobs batch no sistema.
História: Desde os primórdios do MVS, os subsistemas JES foram criados para organizar a fila de trabalhos enviados por JCL.
Exemplo: Quando você submete um job (SUBMIT JOB01.JCL), o JES2 é quem o recepciona, enfileira, imprime, armazena no spool e direciona para execução.
📝 Curiosidade: O JES3, com controle centralizado, foi amplamente usado por grandes data centers até ser descontinuado no z/OS 2.5 (RIP).
2. ISPF – Interactive System Productivity Facility
Resumo: Interface interativa em tela 3270 para navegação, edição e gerenciamento de arquivos. Para o terror da geração icones, cores e musiquinhas o 3270, normalmente se apresenta em Tela Negra com Caracteres verdes ao melhor estilo Matrix.
História: Criado nos anos 60 para melhorar a produtividade dos programadores. É uma IDE em linha de comando, apesar de nos atuais Emuladores 3270 é possivel usar o Mouse para apontar e clicar, servindo de atalho as ferramentas.
Exemplo: Editar um programa COBOL, visualizar um dataset, compilar, submeter jobs – tudo via ISPF Panels.
🎨 Curiosidade: Muitos o consideram o “Windows” do mainframe – mas em modo texto! Em grande verdade o Windows foi inspirado no MVS, na epoca do MS-DOS e seus comandos de linha.
3. TSO/E – Time Sharing Option / Extensions
Resumo: Permite aos usuários interagir com o z/OS em sessões simultâneas.
História: Introduzido como uma maneira de utilizar o sistema em modo interativo, antes apenas possível por batch e cartões perfurados. Graças a criação do Disco Rigido pela IBM e dos arquivos VSAM, permitindo muito mais navegabilidade no Sistema.
Exemplo: Digitar comandos como LISTC, ALLOCATE, RENAME diretamente no prompt do TSO.
4. SDSF – System Display and Search Facility
Resumo: Interface para visualizar spool de jobs, status, saída, logs, mensagens do sistema. Trabalha em conjunto com o JES2, numa anologia simples, pense no avô do Gerenciador de Tarefas do Windows na versão linha de comando.
Exemplo: Acompanhar a execução de um job, ler mensagens do JES, verificar uso de CPU.
🔍 Curiosidade: SDSF é indispensável para qualquer operador ou programador acompanhar jobs em tempo real, uso de memoria, programas em execução na CPU e espaço nos discos.
5. RACF – Resource Access Control Facility
Resumo: Sistema de controle de segurança de usuários, recursos e permissões no z/OS. O grande Xeriff do Mainframe, graças a ele, nossos dados são protegidos contra ataques Hacker.
História: Criado nos anos 60 como resposta à necessidade de controle mais rígido de acesso e evitar visitantes não convidados.
Exemplo: Definir que o usuário SILVA pode acessar o dataset FINA.APRIL.REPORT apenas em leitura.
🔐 Curiosidade: O RACF virou sinônimo de segurança em Mainframe, mesmo havendo outros como ACF2 e Top Secret.
6. DB2 for z/OS
Resumo: Banco de dados relacional robusto e altamente escalável.
História: Lançado em 1983, foi um dos primeiros RDBMS comerciais baseados no modelo relacional de Codd.
Exemplo: Aplicações bancárias acessam dados de contas via SQL: SELECT * FROM CLIENTES WHERE ID=123.
💡 Curiosidade: DB2 é um dos pilares da modernização no z/OS, integrando com APIs REST, Java e analytics. Existem versões para todas as outras plataformas, considerado o REI dos Bancos de Dados Relacionais.
7. CICS – Customer Information Control System
Resumo: Gerenciador de transações online de altíssima performance (OLTP).
História: Criado em 1969 para atender bancos e seguradoras, usa arquivos VSAM como apoio fundamental.
Exemplo: Sistema bancário de agência que consulta saldo ou realiza transferências em tempo real.
⚡ Curiosidade: É possível expor uma transação COBOL/CICS como um Web Service REST hoje com CICS TS.
8. VTAM – Virtual Telecommunications Access Method
Resumo: Controla a comunicação entre terminais 3270 e aplicações Mainframe.
História: Introduzido com o advento da computação distribuída e redes SNA.
Exemplo: Gerencia a sessão entre uma tela TN3270 no PC e o CICS no z/OS.
9. OMVS / USS – Unix System Services
Resumo: Permite ao z/OS executar comandos, scripts e programas no estilo Unix (POSIX).
História: Introduzido nos anos 90 com o objetivo de integrar melhor o mundo z/OS ao Unix/Linux.
Exemplo: Executar um shell script ou instalar um Java SDK no Mainframe.
🐧 Curiosidade: Muitos sistemas modernos (Node.js, Python, Git, z/OSMF) funcionam dentro do OMVS!
10. z/OSMF – z/OS Management Facility
Resumo: Interface web para administração, provisionamento e automação do z/OS.
História: Criado pela IBM para facilitar a administração gráfica e moderna do z/OS.
Exemplo: Criar workflows, administrar usuários RACF, provisionar ambientes CICS via navegador.
🌐 Curiosidade: Você pode administrar z/OS pelo navegador, inclusive integrando com Jenkins!
11. JCL – Job Control Language
Resumo: Linguagem que comanda a execução de programas no z/OS.
Exemplo: Um job típico chama um programa COBOL, redireciona entrada/saída, especifica parâmetros. Este exemplo é bem simples, sendo apenas ilustrativo, em breve apresentarei um Quiz sobre JCL e mais detalhes da sua escrita e funcionamento.
Explicando por cima, ele é um cartão job com apenas um Step, chamando um arquivo de entrada para leitura e gerando SYSOUT no Spool do SDSF.
//JOB1 JOB 1,'EXEMPLO',
// CLASS=A,MSGCLASS=X
//STEP1 EXEC PGM=PROGCALC
//INFILE DD DSN=ENTRADA.DADOS,DISP=SHR
//OUTFILE DD SYSOUT=*
//SYSOUT DD *📜 Curiosidade: Embora antigo, o JCL é insubstituível no controle fino do ambiente, uma linguagem de programação interpreta, em formato de script, presente nos Mainframe desde a sua liberação no seculo passado.
Conclusão
Por ora, caro padawan chegamos ao final de nossa jornada para conhecer o z/OS, guarde isso na memoria, o ZOS não é apenas um "sistema operacional", mas um ecossistema robusto, onde cada aplicativo tem um papel essencial no processamento de dados em larga escala, com segurança, performance e confiabilidade.
Para o analista mainframe, conhecer esses aplicativos é como conhecer o seu campo de batalha. E quanto mais você entende como esses componentes se relacionam, mais se destaca como profissional.
Espero ter ajudado e caso surjam duvidas, não tenha receio, pergunte nos comentarios, que vamos enriquecendo este artigo. Ele é um trabalho em curso, vez por outro, revisarei e acrescentarei emendas e mais detalhes.
