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sábado, 9 de outubro de 2010

Júlio Verne: o Homem que Inventou o Futuro Antes de o Futuro Dar IPL

 

Bellacosa Mainframe apresente Julio Verne

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Júlio Verne: o Homem que Inventou o Futuro Antes de o Futuro Dar IPL

🎩🌍🚀 Do centro da Terra à Lua, das profundezas do oceano aos confins do mundo — o escritor que transformou ciência, engenharia e imaginação em documentação técnica para aventuras que ainda não existiam

Imagine um programador recebendo a seguinte especificação:

Precisamos construir um submarino elétrico capaz de atravessar oceanos, uma máquina para viajar às profundezas da Terra, um veículo capaz de chegar à Lua e uma estratégia logística para dar a volta ao planeta em oitenta dias.

Prazo?

Século XIX.

Hardware disponível?

Máquina a vapor.

Internet?

Não instalada.

Stack tecnológico?

Carvão, aço, telégrafo, bússola e uma quantidade industrial de coragem.

O arquiteto responsável?

Jules Gabriel Verne.

Ou, para nós, Júlio Verne.

E talvez essa seja uma das maneiras mais interessantes de compreender sua obra.

Verne não escrevia simplesmente histórias fantásticas.

Ele pegava tecnologias existentes, observava para onde elas poderiam evoluir, adicionava engenharia, geografia, ciência, política, capitalismo, imperialismo e uma dose cavalar de imaginação e perguntava:

“E se levarmos isso até o limite?”

Esse homem estava fazendo technology forecasting quando ninguém tinha inventado o PowerPoint para colocar isso num quadrante colorido.



🧔 QUEM FOI JÚLIO VERNE?

Jules Gabriel Verne nasceu em 8 de fevereiro de 1828, em Nantes, França.

Morreu em 24 de março de 1905, em Amiens.

Entre essas duas datas aconteceu uma coisa extraordinária.

O planeta mudou.

Verne nasceu em um mundo onde grandes viagens ainda dependiam essencialmente de cavalos, navios a vela e máquinas a vapor primitivas.

Quando morreu, existiam automóveis, submarinos modernos, eletricidade distribuída, telégrafos intercontinentais, fotografia, fonógrafos e experiências com aviação.

Ele viveu justamente durante uma das maiores migrações tecnológicas da História.

Algo equivalente a alguém ter começado a carreira programando cartões perfurados e terminado discutindo inteligência artificial generativa.

Não é difícil imaginar por que aquilo incendiou sua imaginação.



⚙️ A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ERA O MAINFRAME DE VERNE

Para entender Júlio Verne precisamos esquecer por alguns minutos que conhecemos aviões, satélites, computadores e submarinos nucleares.

Imagine olhar para uma locomotiva em 1860.

Aquilo era tecnologia de ponta.

Uma máquina gigantesca de ferro transformava água, carvão e pressão em movimento.

Ferrovias estavam comprimindo continentes.

Navios a vapor estavam comprimindo oceanos.

O telégrafo estava praticamente destruindo a relação histórica entre distância e comunicação.

O mundo estava ficando conectado.

Verne percebeu algo fundamental:

tecnologia muda geografia.

E quando muda a geografia, muda comércio.

Quando muda comércio, muda política.

Quando muda política, muda sociedade.

Quando muda sociedade...

entra alguém pedindo uma alteração emergencial sexta-feira às 17h43.

Algumas leis da humanidade são universais.


📚 LES VOYAGES EXTRAORDINAIRES

Grande parte da obra pela qual Verne se tornou conhecido pertence à coleção Voyages extraordinaires — Viagens Extraordinárias, publicada principalmente em associação com o editor Pierre-Jules Hetzel.

O projeto era gigantesco.

Era quase uma biblioteca destinada a explorar o mundo conhecido — e aquilo que talvez pudesse existir além dele.

Geografia.

Astronomia.

Geologia.

Oceanografia.

Engenharia.

Exploração.

História natural.

Tecnologia.

Tudo embrulhado dentro de aventuras.

Verne estava transformando conhecimento científico em entretenimento décadas antes de alguém inventar expressões como:

edutainment.


🌋 VIAGEM AO CENTRO DA TERRA — 1864

Voyage au centre de la Terre

O professor Otto Lidenbrock encontra uma mensagem codificada atribuída ao alquimista islandês Arne Saknussemm.

A mensagem afirma existir uma passagem para o interior da Terra através do vulcão Snæfellsjökull, na Islândia.

Lidenbrock faz aquilo que qualquer responsável por mudanças em produção recomendaria imediatamente:

entra no vulcão.

Acompanhado pelo sobrinho Axel e pelo guia Hans, inicia uma descida para um mundo subterrâneo.

Cavernas gigantescas.

Oceanos subterrâneos.

Formações geológicas.

Criaturas pré-históricas.

Perigos constantes.

É quase uma exploração de sistema legado.

Quanto mais fundo você entra, mais antigas ficam as coisas.

Até encontrar algo que ninguém sabia que ainda estava rodando.

🦖 O princípio Bellacosa:

Nunca desligue aquilo que encontrou nas profundezas antes de descobrir quem depende daquilo.

Pode ser um dinossauro.

Pode ser um programa COBOL de 1978.


🌊 VINTE MIL LÉGUAS SUBMARINAS — 1870

Vingt mille lieues sous les mers

Aqui Verne apresenta uma das maiores figuras da literatura de aventura:

Capitão Nemo.

E sua máquina:

Nautilus.

O professor Pierre Aronnax, seu criado Conseil e o arpoador Ned Land acabam dentro daquele extraordinário submarino.

Mas o Nautilus não é simplesmente transporte.

Ele representa independência tecnológica.

Nemo construiu uma infraestrutura capaz de operar fora da sociedade.

Energia.

Alimentação.

Navegação.

Pesquisa científica.

Defesa.

Habitação.

Tudo integrado.

Nemo praticamente montou seu próprio datacenter soberano no fundo do oceano.

Sem AWS.

Sem Azure.

Sem mensalidade.

E definitivamente sem chamado para suporte.

O fascinante é que Verne procura fornecer explicações técnicas para aquilo.

O fantástico precisava parecer engenheirável.

Esse detalhe separa Verne de muita fantasia pura.


🚀 DA TERRA À LUA — 1865

De la Terre à la Lune

Um grupo americano decide enviar seres humanos à Lua utilizando um gigantesco canhão.

Hoje sabemos que transformar astronautas em projéteis de artilharia apresenta alguns pequenos inconvenientes biomecânicos.

Como transformar passageiros em purê.

Mas esse não é o ponto interessante.

Verne tenta calcular.

Distâncias.

Dimensões.

Materiais.

Trajetórias.

Custos.

Logística.

Local de lançamento.

Ele não diz simplesmente:

“Eles foram para a Lua.”

Ele pergunta:

“Como poderíamos construir uma infraestrutura capaz de fazer isso?”

Essa mentalidade é profundamente moderna.


🌍 A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS — 1872

Le Tour du monde en quatre-vingts jours

Aqui aparece outro personagem monumental:

Phileas Fogg.

Um cavalheiro inglês extremamente metódico aposta que consegue dar a volta ao mundo em apenas 80 dias.

Hoje alguém abriria um aplicativo, compraria algumas passagens e começaria a reclamar da conexão Wi-Fi do aeroporto.

Em 1872 aquilo era quase uma demonstração experimental da globalização.

Fogg utiliza:

🚂 trens
🚢 navios
🐘 elefante
⛵ embarcações improvisadas
🧭 rotas internacionais
⌚ horários cuidadosamente calculados

A aventura funciona porque uma infraestrutura global estava começando a existir.

Ferrovias.

Portos.

Linhas marítimas.

Telégrafos.

Horários.

Impérios.

Rotas comerciais.

Verne percebe que o planeta estava se transformando em uma gigantesca rede.

Phileas Fogg não vence simplesmente pela velocidade.

Ele vence utilizando integração de sistemas.

É praticamente uma arquitetura distribuída de 1872.


🏝️ A ILHA MISTERIOSA — 1874/1875

L'Île mystérieuse

Talvez seja uma das obras mais interessantes para engenheiros.

Um grupo fica isolado numa ilha.

E começa a construir.

Abrigo.

Ferramentas.

Agricultura.

Metalurgia.

Produtos químicos.

Comunicações.

Infraestrutura.

Eles utilizam conhecimento para transformar ambiente hostil em sistema operacional.

É quase:

Infrastructure as Code

Só que o código é conhecimento científico.

E o provisionamento envolve literalmente fabricar ferramentas.

A obra também se conecta ao universo do Capitão Nemo, criando algo que hoje chamaríamos imediatamente de:

universo compartilhado.

Marvel chegou um pouquinho atrasada.


🎈 CINCO SEMANAS EM UM BALÃO — 1863

Cinq semaines en ballon

Uma viagem de exploração pela África utilizando um balão.

Aqui aparecem elementos que se tornariam assinatura de Verne:

ciência + geografia + tecnologia + aventura.

A máquina permite enxergar o mundo de uma perspectiva impossível para o cidadão comum.

Essa ideia voltará repetidamente.

Para Verne, tecnologia é frequentemente aquilo que permite ao homem atravessar uma fronteira anteriormente inacessível.


🧊 AS AVENTURAS DO CAPITÃO HATTERAS

Voyages et aventures du capitaine Hatteras

Agora seguimos para o extremo norte.

Exploração polar.

Frio.

Isolamento.

Sobrevivência.

Obstinação.

Hatteras representa outro arquétipo recorrente em Verne:

o homem que não sabe parar.

Pode ser coragem.

Pode ser obsessão.

Frequentemente é impossível distinguir uma coisa da outra.

Qualquer gerente que já acompanhou um projeto seis meses atrasado reconhecerá imediatamente o personagem.


🏴‍☠️ OS FILHOS DO CAPITÃO GRANT — 1867/1868

Les Enfants du capitaine Grant

Uma mensagem parcialmente destruída encontrada dentro de uma garrafa inicia uma expedição internacional para localizar o desaparecido Capitão Grant.

O resultado é uma viagem através de diferentes continentes.

Geografia vira mecanismo narrativo.

Cada território apresenta novos ambientes, povos, riscos e desafios.

É quase uma aula de geografia mundial disfarçada de aventura.


🏯 MIGUEL STROGOFF — 1876

Michel Strogoff

Um correio do czar precisa atravessar a Rússia para entregar uma mensagem vital.

Não existem APIs.

Não existe MQ.

Não existe replicação.

O middleware é um homem.

E se o homem não chegar...

a mensagem não chega.

Strogoff é praticamente um pacote TCP com bigode, cavalo e determinação.


🛰️ VERNE PREVIU O FUTURO?

Aqui nasce uma pequena armadilha.

Frequentemente encontramos listas dizendo:

“Júlio Verne previu submarinos!”

“Previu viagens espaciais!”

“Previu videoconferência!”

“Previu helicópteros!”

A realidade é mais interessante.

Muitas tecnologias relacionadas já estavam sendo discutidas ou experimentadas.

Submarinos, por exemplo, não surgiram magicamente da cabeça de Verne.

Balões já existiam.

Experimentos elétricos já existiam.

A astronomia já conhecia bastante sobre a Lua.

Verne fazia algo intelectualmente mais sofisticado:

extrapolação tecnológica.

Ele observava:

Estado atual → tendência → possibilidade → consequência humana.

Isso é exatamente aquilo que fazemos quando perguntamos hoje:

  • O que acontece quando IA encontra robótica?

  • O que acontece quando computação quântica amadurecer?

  • O que acontece quando agentes autônomos administrarem sistemas?

  • O que acontece quando modelos rodarem diretamente dentro de infraestrutura crítica?

Verne fazia perguntas semelhantes usando as tecnologias disponíveis no século XIX.


🔬 HARD SCIENCE FICTION ANTES DA SCIENCE FICTION

O termo science fiction nem sequer estava consolidado quando Verne produziu suas grandes aventuras.

Mas muitos dos elementos estavam ali.

A máquina precisava possuir alguma lógica.

A viagem precisava possuir geografia.

A exploração precisava possuir ciência.

A aventura precisava respeitar — pelo menos aproximadamente — determinadas regras.

Verne adorava explicar.

Às vezes muito.

Um personagem podia simplesmente atravessar uma montanha.

Verne queria contar:

qual montanha,

qual formação geológica,

qual altitude,

qual mineral,

qual latitude,

quem explorou anteriormente,

qual temperatura,

e provavelmente quantos quilômetros faltavam.

É o equivalente literário daquele analista mainframe que responde uma pergunta simples sobre um dataset explicando primeiro a arquitetura do System/360.

Eu respeito profundamente esse homem.


🧠 O VERDADEIRO PERSONAGEM DE VERNE

Existe um personagem escondido atravessando grande parte de sua obra.

Não é Nemo.

Não é Fogg.

Não é Lidenbrock.

Não é Passepartout.

É:

CONHECIMENTO.

Conhecimento resolve problemas.

Conhecimento permite navegar.

Conhecimento permite construir.

Conhecimento permite sobreviver.

Mas Verne também percebe algo mais sombrio.

Conhecimento combinado com obsessão pode produzir monstros.

Nemo possui tecnologia extraordinária.

Mas também possui traumas.

Lidenbrock possui conhecimento extraordinário.

Mas sua obsessão coloca todos em perigo.

Hatteras possui determinação extraordinária.

Mas determinação sem limites pode destruir o próprio homem.

Tecnologia nunca aparece completamente separada de quem controla a tecnologia.

E essa discussão permanece assustadoramente atual.


⚡ CAPITÃO NEMO: O SYSADMIN QUE DEU RACF REVOKE NA HUMANIDADE

Talvez nenhum personagem represente isso melhor que Nemo.

Ele domina ciência e engenharia.

Constrói uma das máquinas mais avançadas imaginadas em sua época.

E decide:

não quero mais participar desse sistema.

Nemo literalmente desconecta sua infraestrutura do mundo.

SETROPTS HUMANITY(REVOKE)

O Nautilus torna-se simultaneamente:

laboratório,

casa,

navio,

arma,

refúgio,

prisão.

Essa ambiguidade torna Nemo fascinante.

Ele não é simplesmente herói.

Nem simplesmente vilão.

É um homem que conseguiu independência tecnológica absoluta...

e descobriu que independência não significa necessariamente liberdade.


🎩 PHILEAS FOGG: O GERENTE DE PROJETO

Fogg é o oposto.

Ele acredita em planejamento.

Cronograma.

Recursos.

Rotas.

Contingência.

Horários.

O homem provavelmente dormiria abraçado a um gráfico de Gantt.

Sua viagem inteira é um projeto.

Objetivo: circunavegar o planeta.

Prazo: 80 dias.

Budget: disponível.

Stakeholders: Reform Club.

Project Manager: Phileas Fogg.

Equipe: Passepartout.

Risco: basicamente o planeta inteiro.

Mas existe algo maravilhoso.

O planejamento constantemente falha.

Trens atrasam.

Rotas desaparecem.

Problemas surgem.

Fogg precisa adaptar.

Ou seja:

Júlio Verne descobriu o Agile em 1872 e teve a elegância de não chamar ninguém para uma Daily.


🦖 E O QUE JÚLIO VERNE TEM A VER COM MAINFRAME?

Muito mais do que parece.

Porque existe uma filosofia comum:

Grandes sistemas são construídos em camadas.

Você olha para um IBM z17 e vê uma máquina moderna.

Mas lá dentro existe uma genealogia tecnológica atravessando décadas.

COBOL.

JCL.

VSAM.

Db2.

CICS.

IMS.

RACF.

z/OS.

Linux.

Java.

Python.

APIs.

Containers.

IA.

O novo não necessariamente destrói o antigo.

Frequentemente ele se conecta ao antigo.

O mundo de Verne funciona da mesma maneira.

Navios convivem com ferrovias.

Elefantes convivem com máquinas a vapor.

Telégrafos convivem com mensageiros.

Tecnologia nova aparece sobre infraestrutura anterior.

A humanidade raramente executa:

DELETE OLD-WORLD

Ela normalmente executa:

CALL 'LEGACY' USING NEW-TECHNOLOGY


📚 POR ONDE COMEÇAR?

Se alguém nunca leu Verne, eu montaria nosso pequeno JCL literário assim:

JOB01 — Viagem ao Centro da Terra
Para conhecer aventura, ciência e exploração.

JOB02 — Vinte Mil Léguas Submarinas
Para conhecer Nemo e o Nautilus.

JOB03 — A Volta ao Mundo em 80 Dias
Para descobrir como infraestrutura mudou o planeta.

JOB04 — A Ilha Misteriosa
Para encontrar ciência aplicada à sobrevivência.

JOB05 — Da Terra à Lua
Para observar engenharia transformada em imaginação.

Depois disso...

COND=(0,NE)

Pode continuar executando.


📜 OUTRAS OBRAS IMPORTANTES

A produção de Verne foi enorme e não cabe apenas nos cinco títulos que dominaram o imaginário popular.

Entre suas obras mais conhecidas também encontramos:

  • Cinco Semanas em um Balão

  • As Aventuras do Capitão Hatteras

  • Os Filhos do Capitão Grant

  • Ao Redor da Lua

  • Miguel Strogoff

  • Heitor Servadac

  • Um Capitão de Quinze Anos

  • As Tribulações de um Chinês na China

  • A Casa a Vapor

  • A Jangada

  • Robur, o Conquistador

  • Dois Anos de Férias

  • O Castelo dos Cárpatos

  • O Senhor do Mundo

É uma espécie de enorme catálogo de possibilidades humanas diante de um planeta que estava sendo tecnologicamente reinventado.


🌍 O MUNDO ERA O DATACENTER DE JÚLIO VERNE

Talvez essa seja minha imagem favorita.

Para Verne, o planeta inteiro era uma máquina esperando para ser explorada.

Os oceanos eram datasets gigantescos ainda não processados.

Os continentes eram partições.

As ferrovias eram barramentos.

Os portos eram interfaces.

O telégrafo era middleware.

Os exploradores eram processos.

E as fronteiras desconhecidas eram aquelas regiões perigosíssimas da documentação onde alguém escreveu:

DO NOT TOUCH — ORIGINAL PROGRAMMER RETIRED.

Naturalmente...

Verne tocava.


🚀 O LEGADO

Júlio Verne não precisava acertar exatamente como seria o futuro.

Esse nunca foi seu maior talento.

Seu verdadeiro talento foi ensinar gerações inteiras a imaginar que o impossível poderia talvez ser transformado em um problema de engenharia.

Primeiro você imagina.

Depois pergunta:

“Como funcionaria?”

Depois alguém calcula.

Outro desenha.

Outro constrói.

Outro testa.

Outro coloca em produção.

E algumas décadas depois aparece um adolescente olhando aquilo e dizendo:

“Sempre existiu.”

Não.

Nada sempre existiu.

Antes da máquina existe o projeto.

Antes do projeto existe a ideia.

E antes da ideia frequentemente existe alguém suficientemente maluco para olhar para os limites conhecidos e perguntar:

“E se continuarmos?”

Talvez seja essa a verdadeira herança de Júlio Verne.

Ele não foi apenas o homem que escreveu sobre submarinos, balões, vulcões, ilhas, ferrovias e viagens espaciais.

Ele foi um dos grandes cartógrafos do território entre aquilo que existe e aquilo que ainda pode existir.

E nesse território vivem cientistas, engenheiros, programadores, exploradores e todos aqueles sujeitos perigosos que, diante de uma placa dizendo:

NÃO ENTRE

imediatamente querem saber o que existe atrás dela.

No Bellacosa Mainframe conhecemos muito bem essa espécie.

São os mesmos que encontram um programa COBOL de 1974 sem documentação, respiram fundo, colocam uma caneca de café ao lado do teclado e digitam:

C

na frente da linha.

Porque algumas pessoas observam sistemas antigos.

Outras...

viajam ao centro deles.

☕🦖🌋

CHANGE COMPLETED.

MAXCC=0000.

JÚLIO VERNE CONTINUA EM PRODUÇÃO.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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