sábado, 14 de abril de 2012

📊🔥 Observabilidade explicada para quem já leu SMF em hexadecimal

 


📊🔥 Observabilidade explicada para quem já leu SMF em hexadecimal




00:00 — Introdução: quando o sistema falava em bytes, não em dashboards

Se você já decodificou SMF na unha, já fez observabilidade raiz.
Antes de gráficos coloridos, antes de “AI Ops”, antes de alertas barulhentos, existia o registro cru:
tempo de CPU, I/O, wait, EXCP, abend… tudo ali, em hexadecimal, esperando alguém que soubesse ler o sistema.

Observabilidade moderna só colocou UI bonita em cima de uma verdade antiga:

“Se você não mede, você chuta.”




1️⃣ O que é observabilidade (sem marketing, sem hype)

Observabilidade é a capacidade de entender o que está acontecendo dentro de um sistema apenas observando seus sinais externos.

Ela se baseia em três pilares:

  • Logs → o que aconteceu

  • Métricas → quanto, quando, quanto tempo

  • Traces → por onde passou

📌 Tradução mainframe:

  • Logs = SYSLOG / JES / dumps

  • Métricas = SMF / RMF

  • Traces = CICS trace / VTAM / DB2 accounting


2️⃣ A diferença entre monitorar e observar 🧠

Monitoramento

  • “CPU passou de 80%”

  • “Disco encheu”

  • “Job atrasou”

Observabilidade

  • Por que a CPU subiu?

  • Qual transação causou isso?

  • Qual dependência impactou o usuário?

👉 Mainframer já sabia:

“Alarme sem diagnóstico só acorda gente à toa.”


3️⃣ SMF: o avô da telemetria moderna 👴

SMF fazia:

  • Coleta automática

  • Granularidade absurda

  • Correlação entre subsistemas

  • Análise histórica

😈 Easter egg:
Prometheus se acha moderno, mas não chega aos pés do SMF 110.

O problema nunca foi o dado.
Foi a falta de quem soubesse interpretar.


4️⃣ Distributed Tracing: o novo nome do “follow the transaction”

No mundo distribuído:

  • Uma requisição passa por 10 serviços

  • Cada um em lugar diferente

  • Logs espalhados

  • Métricas fragmentadas

O trace distribuído faz:

  • Marca a transação com um ID

  • Acompanha do início ao fim

  • Mostra latência por etapa

📎 Mainframer traduz:

“É o CICS trace atravessando o mundo.”


5️⃣ Passo a passo para investigar um problema (modo Bellacosa)

1️⃣ Usuário reclama (sempre)
2️⃣ Identifique qual transação
3️⃣ Veja onde ela passa
4️⃣ Meça onde demora
5️⃣ Verifique dependências externas
6️⃣ Correlacione com evento (deploy, batch, falha)
7️⃣ Só então mexa

💣 Dica de ouro:
Quem pula direto para restart não entende observabilidade.


6️⃣ Alertas: de SMF exception a Smart Alerts 😵‍💫

No passado:

  • Threshold fixo

  • Regra dura

  • Muito falso positivo

Hoje:

  • Alertas inteligentes

  • Baseados em comportamento

  • Menos ruído

😈 Easter egg:
RMF já fazia baseline. Só faltava marketing.


7️⃣ Guia de estudo para mainframers modernos 📚

Conceitos essenciais

  • Observabilidade

  • Distributed tracing

  • Golden Signals (latência, tráfego, erros, saturação)

  • SLIs e SLOs

Ferramentas (com alma antiga)

  • Instana

  • Dynatrace

  • Prometheus + Grafana

  • Elastic Stack


8️⃣ Aplicações práticas no mundo híbrido

  • Diagnóstico rápido de incidentes

  • Correlação mainframe + cloud

  • Redução de MTTR

  • Planejamento de capacidade

  • Suporte a DevOps e SRE

🎯 Mainframer observável vira referência.


9️⃣ Curiosidades que só veterano percebe 👀

  • Dashboard não substitui raciocínio

  • Gráfico bonito não resolve gargalo

  • Logs demais cegam

  • Falta de dado é pior que excesso

📌 Verdade inconveniente:
Sem entendimento de arquitetura, observabilidade vira voyeurismo técnico.


🔟 Comentário final (04:12, sistema respirando)

Observabilidade não nasceu na cloud.
Ela foi sequestrada pela cloud.

Se você já:

  • Leu dump para entender sintoma

  • Cruzou SMF com RMF

  • Achou bug olhando tempo de CPU

Então você já praticava observabilidade.

🖤 El Jefe Midnight Lunch sentencia:
Quem lê o sistema, não precisa adivinhar.

 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

1979–1982: Crônica Bellacosa Mainframe — O Menino, a Vila e a Democracia que Voltava



🗳️ 1979–1982: Crônica Bellacosa Mainframe — “O Menino, a Vila e a Democracia que Voltava”

(Para o blog El Jefe Midnight Lunch)


Se tem anos que passam batidos, há outros que viram marcos.
E no meu spool de memória, dois deles tremeluzem como lâmpadas de poste em noite úmida: 1979 e 1982.

1979 foi a abertura.
1982 foi o primeiro sopro de democracia respirado sem medo.
Eu, pequeno, sem entender nada de DOI-CODI, AI-5 ou Congresso fechado…
mas entendendo perfeitamente o brilho nos olhos dos meus pais.



📅 1979: O Garoto que Não Entendia, mas Sentia

Eu ainda era muito pequeno para compreender anistia, cassação, exílio.
Mas criança tem radar fino —
e eu percebia que algo grande estava acontecendo.

Meus pais, politizados até o osso, eram daqueles que não fugiam do debate.
Participaram da Marcha pela Anistia, vibraram com cada discurso, cada passeata, cada boletim lido em jornal alternativo.

Se filiaram ao MDB, aquele partido que, sozinho, segurava a tocha da oposição institucional na noite longa dos anos de chumbo.

Eu era só um menino observando.
Mas aprendendo — sem perceber — que política não era palavrão;
era compromisso.



🏭 1982 — Vila Rio Branco: O Bairro Operário Abre as Portas

A Vila Rio Branco era um bairro operário raiz:
casas simples, chão de terra em alguns trechos, cheiro de café coado invadindo a manhã e o rádio ligado sempre muito alto.

E foi ali que a democracia decidiu bater à porta.

O salão paroquial da Comunidade de Nossa Senhora das Graças foi aberto para receber os candidatos do PMDB, liderados por Franco Montoro — o homem que simbolizava esperança, dignidade e aquela força tranquila que só estadistas de verdade têm. Quercia senador, Ulisses deputado e tantos outros historicos do partido.

E então chegou o dia.
As portas se abriram.
O salão encheu.

E eu, um garoto, vivendo um momento histórico sem saber que aquilo seria contado nos livros no futuro.



🤝 Quando Conheci Covas e FHC

Ali, na simplicidade de um bairro operário, eu vi chegar Mário Covas — forte, direto, sem rodeios.
E Fernando Henrique Cardoso, com seu jeito professoral, explicando o país como quem traduz o manual do sistema operacional para um usuário avançado.

A velha guarda do MDB estava lá para organizar cabos eleitorais, explicar propostas, distribuir material…
e preparar a militância para o 15 de Novembro de 1982, data que respirava esperança.

Para mim, era um parque de diversões político:

  • camisetas;

  • bandeirolas;

  • santinhos voando como confete;

  • bottons que grudávamos no peito com orgulho;

  • chaveiros que viravam tesouro infantil.

E, claro, o treinamento para o futuro boca de urna.
Era quase um RPG da democracia.



❤️ E então apareceu o PT… pequenininho, mas cheio de fogo

Numa dessas reuniões e visitas de candidatos, surgiu também um grupo novo, pequeno, barulhento, cheio de vida: o PT.
E entre eles… Lula.

Não era mito, nem presidente, nem figura pop.
Era só o Lula sindicalista cheio de energia, barba negra, voz rasgada e um carisma que dava trabalho até para os adversários.

E o mais incrível:
mesmo meus pais sendo mdbistas convictos, ajudaram o pessoal do PT quando o padre autorizou uma barraquinha na quermesse para arrecadar fundos.

Era um tempo em que adversário não era inimigo.
Era só alguém que acreditava no mesmo país por caminhos diferentes.



🍢 Meu Primeiro Trabalho Voluntário pela Democracia

O padre liberou o espaço.
O PT montou a barraquinha.
Os militantes correram.
E eu, esse escriba que vos tecla…
fui parar no caixa.

Conferindo troco.
Vendendo refrigerante, pastel, vinho quente.
Ajudando gente grande a fazer política de forma doce — literalmente.

Foi ali que fiz meu primeiro trabalho voluntário.
E sem entender metade de nada, eu já estava do lado certo da história:
o lado de quem queria escolher.



🗳️ 1982: O Ano em que o Brasil Respirou Fundo

A censura havia perdido força.
Os espiões já não rondavam tanto.
O medo diminuía.
As conversas ficavam mais longas.
As pessoas sorriam mais.

Em 1982, a democracia voltou a ter cheiro, cor e som.
E no dia 15 de Novembro, eu estava lá — pequeno, mas afiado — distribuindo santinhos, fazendo boca de urna com orgulho, vestindo camiseta do MDB, acreditando que o Brasil estava finalmente acordando.

Seria preciso mais de uma década para votar para presidente, é verdade.
Mas naquela tarde, o futuro já tinha começado.



Easter Egg Bellacosa Mainframe

Se você procurar nos arquivos da época, muitas fotografias de campanha mostram crianças nas quermesses, com bandeiras e chaveiros.
Na Vila Rio Branco…
eu sou uma delas.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O PRIMEIRO ACIDENTE — CRÔNICA BELLACOSA MAINFRAME

 





O PRIMEIRO ACIDENTE — CRÔNICA BELLACOSA MAINFRAME
Para o El Jefe Midnight Lunch


Toda família tem aquela história que vira SMF permanente no diário da memória: não apaga, não sobrescreve, não tem delete, somente se replica em todas as festas, almoços, reencontros e churrascos da família.
E na Famiglia Bellacosa, uma dessas histórias é o Primeiro Acidente.

Relatada em segunda pessoa, porque o protagonista ali —eu, o Vaguinho um pequeno oni de fraldas — não tinha ainda memória RAM suficiente pra registrar o evento, mas deixou log suficiente no coração dos adultos ao redor.




Vaguinho — versão 0.1.3, build “Bebê Careca”

Rua Ultrecht, Vila Rio Branco.
Cenário simples, cotidiano, mas para quem lê o histórico depois, parece quase um ambiente de teste improvisado.

Eu, bebê de colo, ainda carequinha, ainda descobrindo o mundo, rodando no modo Debug:

  • zero coordenação;

  • zero noção de altura;

  • zero estabilidade;

  • mas já 100% Bellacosa no quesito “aprontar”.

Minha mãe recebe visita da prima Noemi — 14 anos, adolescente, moça boa, mas completamente sem treinamento técnico para segurar um Bellacosa em sua versão mais instável.

Era como dar um servidor crítico pra alguém que ainda estava no curso introdutório de informática: a intenção era ótima, mas o risco era altíssimo.


Procedimento incompatível detectado

Noemi me pega no colo.
Imagino a cena, EU desgostoso de ser manipulado, claro, ativo meu módulo de mini-oni.

Mexe pra cá, desequilibra pra lá, balança como se estivesse testando gravidade.
E a gravidade, paciente e implacável, respondeu:

PUMBA.

O bebê caiu de cabeça no chão.

Se fosse um desenho animado, teria ecoado TOING com estrelinhas ao redor.
Mas não era desenho. Era vida real.

E o resto é fácil de imaginar, abri o maior berreiro, ao estilo oficial do Bellacosa-Módulo-Bebê, aquele que faz eco no bairro inteiro.



Pânico, berreiro e o início da lenda

Noemi congela.
O mundo dela dá tela azul.
A alma sai do corpo, roda dois loops e volta.
A menina moça vive ali seu primeiro trauma de adolescência.

Minha mãe corre, me recolhe, faz carinho, cura e backup emocional.
Meu pai, com cara de poucos amigos, chega logo depois, bravo, esbravejando, como só pai que ama faz quando vê o filho machucado.

E Noemi…
Coitada.
Mesmo hoje, adulto, eu ainda brinco com ela:

“Olha aí, Noemi, se sou maluco, metade da culpa é sua!”

Ela ri — ri muito — porque trauma vira afeto quando a família é boa, quando a história deixa de doer e passa a fazer parte da identidade coletiva.


O legado do primeiro tombo

Dizem que aquele foi o marco zero.
Como se o universo tivesse hackeado meu código-fonte naquele impacto.
Ou como se ali tivesse sido instalada a DLL do diabinho Bellacosa, que acompanharia todas as aventuras seguintes:
galos, cicatrizes, acrobacias, escaladas ninja, pulos de muro, fugas cinematográficas e tudo mais que já apareceu no meu changelog de infância, muitos compartilhados aqui, outros escondidos em baús enterrados na mais profunda Dungeon com boss modo full-difícil.

Ali foi o primeiro commit da minha carreira como arteiro profissional.

Um pequeno acidente que virou grande história.
Um trauma que virou carinho.
Uma lembrança que virou tradição de risada.

Na Famiglia Bellacosa, até os tombos vêm com afeto, lore e easter eggs.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Trem a diesel manobrando composição de passageiro eletrica

Locomotora diesel em manobra na estação de Novara


Desde a mais tenra infância sou um aficionado por trens e ao morar na Europa, este prazer aumentou exponencialmente, o parque ferroviário é vasto com composições dos mais diversos feitios e modelos.

Então sempre que descubro uma nova locomotiva, la estou eu de maquina em punho registrando para a posteridade.


Esta maquina a diesel esta estacionada na estação Tronco de Novara, esta estação tem sua malha distribuída em ramais e subramais que interligam diversas pequenas cidades da região. Devido a esta distribuição de interligamentos, o tráfego ferroviário é grande, partindo diversas trens varias vezes ao dia, 

Deste pequenos trens de uma única carruagem ate composições velozes interligando Novara a Europa. Por isso esta pequena diesel desempenha um papel fundamental posicionando composição para la e para cá.


domingo, 1 de abril de 2012

Uma viagem de trem pelo Piemonte.

Passeando de Trenitalia 


A melhor coisa que existe na Itália são os meios de transporte. Voce consegue viajar para onde quiser, sem muita dificuldade ou constrangimento.



Aqui estou viajando em uma composição de passageiros tracionada a locomotiva eléctrica, olhando pela janela vemos a planície do Piemonte. Vários casario, algumas pequenas propriedades agrícola, campos e pastos, gado e ovelha passeando e aproveitando o dia.

Meu destino é retornar para a cidade de Novara, após um delicioso passeio em Alessandria. Onde provei um delicioso sorvete e aproveitei para conhecer a cidade.