quinta-feira, 13 de novembro de 2014

🐈‍⬛ Saco de Gatos — Um Manifesto de Papelão, Bits e Memórias

 


🐈‍⬛ Saco de Gatos — Um Manifesto de Papelão, Bits e Memórias

Meu saco de gatos é um amontoado de coisas díspares, mas interligadas por um mesmo coração — o de um homem nascido em 1974, pisciano, boa praça, um tanto impaciente e, confesso, às vezes antissocial.


Prefiro o silêncio cúmplice de um bom livro a qualquer multidão barulhenta.

Desde moleque, tive fome de saber.
Desmontava brinquedos quebrados e rádios sem som só pra descobrir o que se escondia por dentro — aquele mistério mecânico das engrenagens, o segredo invisível da criação.

Nas bibliotecas de bairro, deixei minhas pegadas miúdas entre estantes e gibis.

Nos livro fã de história, amando navegar rumo ao passado, me deslumbrando em ficção científica, fantasia, mistério, biografias e tantos gêneros que ficaria maçante listar, mas sou do tipo que le tudo aquilo onde coloco as mãos. Carinho grande por Monteiro Lobato e a nostálgica Taubaté.




Fui devorador de Turma da Mônica, Tio Patinhas, Mickey, e tudo o que caísse nas minhas mãos.
Crescendo, minhas leituras evoluíram junto: mergulhei nas HQs adultas, apaixonado pelo traço elegante e pelo ritmo melancólico do estilo europeu.



Mas foi quando descobri os mangás que o coração explodiu num plot twist digno de roteiro japonês.
Do mangá para o anime foi um salto — ou talvez o contrário, porque a lembrança é enevoada, mas o encanto é eterno.



Minha iniciação nesse universo veio com Spectreman, o herói de papelão que salvava o planeta em cenários reciclados e com efeitos especiais dignos de um teatro de escola.
Pra nós, moleques dos anos 70, aquilo era o ápice da ficção científica.



No Japão, chamava-se Supekutoruman, parte do glorioso gênero tokusatsu, que depois nos traria Ultraman, Ultraseven, Robô Gigante e tantos outros titãs metálicos que habitaram nossas TVs de tubo e sonhos de criança.



Hoje, no século XXI, tudo é CGI, IA e estúdios milionários.
Mas, dentro de mim, ainda vive aquele menino que acreditava que o monstro de papelão podia destruir o mundo — e um improvavel heroi vindo de outra galaxia poderia salvar o dia — movido apenas pela força da imaginação.



Este saco de gatos é isso:
Um punhado de memórias, fios e bits, amarrados com fita adesiva e nostalgia.
Mensagens em garrafas lançadas ao mar digital, ao estilo náufrago de John Castaway, navegando entre tecnologia, saudade e curiosidade.



Entre um byte e outro, sigo compartilhando viagens — e alimentando este universo de lembranças e aprendizado, um post de cada vez.







quinta-feira, 6 de novembro de 2014

📜 Amores no Quiririm — Bellacosa Mainframe, El Jefe Midnight Lunch

 


📜 Amores no Quiririm — Bellacosa Mainframe, El Jefe Midnight Lunch
(Cheirando a naftalina, como quem abre um diário esquecido no fundo de um armário frio)


Amores no Quiririm…
só de escrever já sinto o cheiro da terra vermelha levantando com o vento da tarde, as ruas meio tortas, os muros descascados, e eu ali — remendado por dentro depois do inverno de 83. Aquele ano que rachou minha infância no meio. O bairro não foi apenas endereço… foi reconstrução. Foi reboot de sistema depois de pane geral.



No Quiririm eu aprendi na marra que crescer é aceitar patch no coração e seguir em frente. Com o primo Celo, a vida rodava overclockada. As bagunças eram release semanal, as brigas eram hotfix na rua, e as travessuras… ah, essas eram deployment constante. Tudo ganhou volume, força, coragem. Tava mais velho, mais malicioso e ao mesmo tempo — graças aos ferimentos — mais frio, mais calculista. Sobrevivência tem seu preço, e eu paguei em cicatrizes.

Mas você veio aqui pelos amores, não pelos tombos…

Então vem comigo.



Tinha eu uma queda épica por Angelica, loirinha de olhos verdes, carinha de princesinha de final de fase, após o Boss furioso. A professora Ligia sempre vigilante, uma colega de classe, sorriso tímido, curiosidade no olhar. A gente fazia lição junto, partilhava caderno e risadas. Ela olhava pra mim como quem descobre defeito novo em máquina antiga — com encanto e risco. Eu, vindo da capital, era novidade no sistema. Mas entre Quiririm e Cecap rolava firewall emocional, diferenças socioeconômicas, rixas bobas de juventude. E por mais que o coração pedisse commit, nada compilou.


Foi aí que entrou em cena Marcia, minha vizinha da Quadra B. Ah, Marcia…

Mais velha, mais divertida, com aquele charme que só quem já viveu uns patchs sentimentais sabe usar. Ela era bug desejável no meu código. O perigo fazia parte do pacote — principalmente porque o irmão Reinaldo, o auditor moral do bairro, monitorava cada tentativa minha de deploy romântico. E dava pau. Dava briga. Dava cascudo.

Reinaldo sempre vencendo? Não.
Apenas com vantagem apertada.
Porque além de pequeno Don Juan, eu era galinho de briga — não fugia do conflito, ajustava estratégia, tentava de novo. E mesmo tomando uns abend, garanti minhas pequenas vitórias no log da memória.

Mas essa ainda não é a história.
Essa é só a fase beta.



A melhor, deixo para outro post: Rosemeire, quadra G.
Outra área de domínio. Outras regras. E uma confusão que me fez entender que mulher cheia de energia pode virar tempestade em copo, rua e coração. Ela merece capítulo próprio — com direito a trilha sonora e risada fora de hora. Obviamente meu parça e companheiro de confusões estava junto, meu primo Marcelo.

Hoje, ao fechar essa memória, volto pra Marcia.
Da quadra B.
Do sorriso que desarmava firewall.
Dos 13 anos que carregavam o magnetismo de uma supernova adolescente.

Minha primeira musa na Quadra B.
Minha lembrança preferida do Quiririm.

Bellacosa Mainframe ☕🔥 – El Jefe Midnight Lunch
Onde memórias não morrem. Apenas fazem checkpoint.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

🔍 Tomboy no Japão: garotas masculinas rodando fora do script padrão

El Jefe Midnight Lunch apresenta



Tomboy no Japão: garotas masculinas rodando fora do script padrão

No Ocidente, tomboy costuma ser tratado como fase.
No Japão, é arquitetura de comportamento — discreta, funcional e socialmente compreendida. Ao melhor estilo Bellacosa Mainframe, vamos abrir esse sistema cultural, analisar o legado, os desafios em produção e os easter eggs que só quem lê o log percebe.



🧠 O que é “Tomboy” no Japão (modo definição)

Tomboy refere-se a garotas com comportamento, postura e interesses tradicionalmente associados ao masculino, sem necessariamente se vestir como homem (diferente do dansō).

Pense assim:

  • Core: personalidade prática, direta, assertiva

  • Interface: feminina, neutra ou mista

  • Identidade: intacta
    Nada de recompilar gênero — só trocar parâmetros.




🕰️ História (processamento em batch)

  • Período Edo: mulheres fortes em zonas rurais e famílias mercantes já quebravam o padrão silenciosamente.

  • Pós-guerra (Shōwa): mangás começam a retratar garotas ativas, esportivas, líderes.

  • Anos 80–90: arquétipo boyish girl se consolida no shōnen e shōjo.

  • Hoje: tomboy é parte do cotidiano — escola, esporte, trabalho criativo.

Legacy aceito. Poucas falhas críticas.




☕ Aceitação social (status: estável)

No Japão, a tomboy:

  • É vista como confiável

  • Tem liberdade de circulação maior

  • Sofre menos policiamento estético

  • Costuma ser respeitada em grupos mistos

Não é militância. É pragmática.




⚠️ Desafios (alertas no console)

  • Pressão para “feminilizar” na vida adulta

  • Expectativa social em ambientes corporativos tradicionais

  • Confusão externa com orientação sexual (erro comum)

  • Invisibilidade em debates mais barulhentos

Nada que derrube o sistema, mas gera warnings.


📺 Animes e mangás (tabela de referência)

Algumas tomboys clássicas e/ou com interface dansō ocasional:

  • Tomo-chan Is a Girl! – Tomo Aizawa

  • Attack on Titan – Mikasa Ackerman

  • Jujutsu Kaisen – Maki Zenin

  • Fullmetal Alchemist – Winry Rockbell

  • Revolutionary Girl Utena – Utena Tenjou (tomboy + simbolismo dansō)

Easter egg: quase sempre, são elas que resolvem quando o protagonista trava.


🔍 Curiosidades (comentários no código)

  • Tomboys japonesas raramente são caricatas.

  • A linguagem corporal importa mais que a roupa.

  • Muitas transitam entre modos conforme o contexto.

  • O arquétipo é comum em esportes, clubes escolares e liderança informal.


🧪 Comentário Bellacosa Mainframe

A tomboy japonesa é como um batch job crítico:
não chama atenção, não faz barulho, mas se falhar, todo mundo sente.

Enquanto o debate cultural tenta rotular, o Japão executa.


🥚 Easter Egg final

Repare nos animes:
Quando a emoção sobe demais e o caos ameaça,
é a tomboy que assume o controle — sem discurso, sem pose, só uptime.


El Jefe Midnight Lunch
— cultura pop analisada como sistema legado que continua rodando em produção.


Saiba mais:

Otokonoko


https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2015/01/otokonoko-teki-garotas-masculinas.html


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ossobuco a Milanesa

Ossubuco é excelente para fortalecer os ossos


As vezes queremos justificar uma gulodice arrumando explicação de que faz bem para a saúde.

Agora falando do ossobuco, este não tem para ninguém, junta o útil ao agradável, uma delicia de prato e altamente nutritivo para o corpo.

Para aqueles que não conhecem, ossobuco e a canela do boi, uma carne extremamente dura com um ossinho no meio cheia de tutano. Para prepara-lo é super simples, basta paciência e uma boa panela de pressão.



Ingredientes

ossobuco
cebola
alho
salsa
pimenta do reino
oregano
batata
cenoura
sal a gosto
açafrão
arroz tipo risoto italiano

Preparo

Cozinhe na panela de pressão o ossobuco e as especiarias todas com 2 litros de agua
Desligue a panela quando a carne estiver bem macia, soltando-se do osso e separe a carne do caldo.
Refogue o arroz com tempero a seu gosto, acrescente o açafrão e utilize o caldo do ossobuco para fazer o arroz.

Bom apetite

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mary Hawes: a mulher que chamou a reunião que mudou a informática - Codasyl

 


💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
“Mary Hawes: a mulher que chamou a reunião que mudou a informática”


Existem pessoas que escrevem código.
Existem pessoas que escrevem especificações.
E existem pessoas raríssimas que criam o contexto onde o futuro acontece.

Mary Hawes não ficou famosa como “a programadora do algoritmo X”.
Ela ficou eterna porque fez algo muito mais difícil:
👉 percebeu o problema antes de todo mundo
👉 juntou as pessoas certas
👉 e forçou a indústria a conversar

Se hoje existe COBOL, mainframe corporativo, sistemas que duram 40 anos, é porque Mary Hawes levantou a mão e disse: “isso não está funcionando”.

Vamos contar essa história como ela merece — com café forte, bastidor, fofoquice técnica e respeito histórico.



👩‍💼 Quem foi Mary Hawes (biografia rápida)

  • Nome completo: Mary Kenneth Hawes

  • Formação: Matemática

  • Atuação: Analista de sistemas, líder técnica, articuladora

  • Empresas-chave: Burroughs Corporation

  • Período crítico: final dos anos 1950 e início dos anos 1960

Mary Hawes não era “apenas” programadora.
Ela era o que hoje chamaríamos de arquiteta de sistemas, product owner e líder técnica — tudo ao mesmo tempo, décadas antes desses termos existirem.


🕰️ O problema que ela enxergou (e quase ninguém queria ver)

Final dos anos 50.
Cada fabricante tinha:

  • Seu próprio hardware

  • Sua própria linguagem

  • Seu próprio compilador

  • Seu próprio inferno de manutenção

Trocar de máquina significava:

  • Reescrever tudo

  • Treinar pessoas do zero

  • Jogar investimentos no lixo

🧠 Comentário Bellacosa:
Mary Hawes enxergou algo simples e assustador: isso não escala.

Enquanto a indústria brigava por market share, ela pensava em interoperabilidade — uma palavra que nem existia ainda.


📣 O ato revolucionário: convocar a reunião

Aqui entra o momento histórico.

Mary Hawes, trabalhando na Burroughs, escreve, liga, insiste e articula uma reunião entre:

  • Governo dos EUA

  • Forças Armadas

  • Grandes fabricantes (IBM, RCA, Univac, Burroughs, Honeywell…)

Ela basicamente disse:

“Precisamos de uma linguagem comum para sistemas de negócio.
Agora.
Juntos.”

Essa reunião virou o Short-Range Committee (1959).
E dessa mesa nasceu o COBOL.

🧠 Tradução livre:
Mary Hawes não “programou” o COBOL.
Ela tornou o COBOL inevitável.


💻 Contributo direto ao COBOL

Mary Hawes foi fundamental em vários aspectos:

🔹 Visão de linguagem de negócios

  • Linguagem legível

  • Próxima do inglês

  • Voltada a dados e processos empresariais

🔹 Defesa da independência de fornecedor

  • COBOL não seria da IBM

  • Nem da Burroughs

  • Nem da Univac

🥚 Easter egg histórico:
Convencer a IBM a aceitar isso foi quase um milagre diplomático.


🔹 Organização e liderança

Mary não era apenas “a ideia”.
Ela coordenava discussões, mediava egos gigantes e mantinha o foco no objetivo.

🧠 Fofoquice técnica:
Dizem que sem ela as reuniões viravam disputas acadêmicas intermináveis.
Com ela, viravam decisões.


🖥️ Mary Hawes e o nascimento do Mainframe corporativo

O mainframe como conhecemos hoje — plataforma estável, durável, corporativa — nasce da filosofia COBOL:

  • Separação entre dados e lógica

  • Programas legíveis e auditáveis

  • Longevidade acima de modismo

Tudo isso está diretamente ligado à visão de Mary Hawes.

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
O mainframe não foi feito para ser bonito.
Foi feito para durar.
Mary Hawes pensava exatamente assim.


🧬 Principais trabalhos e contribuições

  • Idealizadora e articuladora do movimento que levou ao COBOL

  • Representante da Burroughs no comitê COBOL

  • Influência direta na definição de linguagens orientadas a negócio

  • Defensora precoce de padrões abertos

  • Uma das primeiras líderes femininas reais da computação corporativa

Ela não escreveu milhares de linhas de código.
Ela escreveu o manual invisível do software corporativo.


🧩 Curiosidades pouco faladas

  • Mary Hawes raramente aparece nos livros populares de história da computação

  • Seu papel foi por muito tempo “diluído” em comitês

  • Hoje, historiadores concordam: sem ela, COBOL provavelmente não existiria

  • Ela era conhecida por ser direta, objetiva e impaciente com vaidade técnica

🥚 Easter egg:
Ela defendia que código deveria ser lido por pessoas de negócio.
Décadas depois, isso ainda é um diferencial do COBOL.


👶 Conteúdo para Padawans do Mainframe

Se você está começando agora, aprenda isso com Mary Hawes:

  • Tecnologia sem visão vira sucata

  • Linguagem sem propósito vira brinquedo

  • Sistema que não dura não é sistema — é experimento

COBOL e mainframe sobreviveram porque foram pensados para o mundo real.


☕ O legado de Mary Hawes

Mary Hawes deixou algo raro:

  • Não um produto

  • Não uma patente

  • Não uma startup

Ela deixou um ecossistema inteiro funcionando por mais de 60 anos.

Cada batch que fecha banco.
Cada transação CICS que autoriza pagamento.
Cada salário que cai certo no fim do mês.

Tudo isso carrega um pouco da decisão que ela tomou em 1959.


🧠 Reflexão final do El Jefe

“Algumas pessoas escrevem código.
Outras escrevem o futuro.
Mary Hawes fez os dois — sem pedir crédito.”

Se hoje o COBOL ainda vive,
se o mainframe ainda reina silencioso,
é porque alguém, lá atrás, teve coragem de parar a indústria e dizer:

“Precisamos fazer isso direito.”