| Bellacosa Mainframe e o grande bestiario da fantasia parte ii |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
📚 O Grande Bestiário da Fantasia
Das Revistas Pulp aos Animes Modernos
Volume II
Robert E. Howard
Como um Jovem do Interior do Texas Criou Conan e Mudou a Fantasia Para Sempre
"Enquanto o mundo sonhava com cavaleiros brilhando ao sol, um jovem texano imaginava homens cobertos de lama, sangue e suor. O nome dele era Robert Ervin Howard. E, sem saber, ele mudaria para sempre a literatura fantástica."
☕ Bellacosa Time Machine
Destino: Cross Plains, Texas
Ano: 1932
Esqueça Nova York.
Esqueça Londres.
Esqueça Paris.
Nossa máquina do tempo acaba de parar em uma pequena cidade perdida no interior do Texas.
Pouco mais de mil habitantes.
Estradas de terra.
Posto de gasolina.
Fazendas.
Poeira.
Silêncio.
É difícil acreditar que um dos maiores revolucionários da fantasia nasceu justamente aqui.
Mas talvez esse isolamento tenha sido exatamente o ingrediente que faltava.
Enquanto outros escritores observavam grandes cidades...
Howard imaginava reinos inteiros.
Quem foi Robert Ervin Howard?
Nasceu em:
22 de janeiro de 1906
Morreu muito jovem.
Apenas 30 anos.
Mesmo assim...
Escreveu centenas de contos.
Criou dezenas de personagens.
Influenciou praticamente toda a fantasia moderna.
É assustador pensar nisso.
Imagine um programador COBOL que trabalhou apenas dez anos...
...e deixou uma arquitetura utilizada oitenta anos depois.
Howard fez exatamente isso.
Um Filho do Texas
Seu pai era médico.
Isso significava constantes mudanças de cidade.
Howard nunca permaneceu muito tempo no mesmo lugar.
Conheceu pequenas comunidades.
Mineiros.
Caubóis.
Operários.
Pessoas duras.
Gente acostumada a sobreviver.
Sem perceber...
Ele estava coletando material para Conan.
O Menino que Lia Tudo
Howard era praticamente uma máquina de leitura.
Lia:
História.
Mitologia.
Arqueologia.
Poesia.
Roma.
Grécia.
Celtas.
Vikings.
Árabes.
Povos antigos.
Lendas africanas.
Boxe.
Piratas.
Ele nunca estudou História formalmente.
Mas lia compulsivamente.
Seu cérebro tornou-se uma gigantesca biblioteca.
Antes de Conan Existiram Outros Heróis
Muita gente acredita que Howard criou Conan logo de início.
Não.
Seu universo começou muito antes.
Solomon Kane
Um puritano inglês.
Vestido de preto.
Espadachim.
Pistoleiro.
Caçador do mal.
Viajava pela Europa e África enfrentando:
demônios
bruxas
cultos
piratas
feiticeiros
É praticamente um Van Helsing décadas antes.
Kull de Atlântida
Aqui aparece o primeiro protótipo de Conan.
Também bárbaro.
Também guerreiro.
Mas muito mais reflexivo.
Kull vive questionando:
Quem governa?
O que é poder?
Quem realmente controla um reino?
Howard estava amadurecendo suas ideias.
Bran Mak Morn
Talvez o personagem mais melancólico de Howard.
Último rei dos pictos.
Luta contra Roma.
Contra a civilização.
Contra o próprio destino.
Aqui aparece um tema recorrente.
A civilização não é necessariamente boa.
A Grande Ideia de Howard
Howard enxergava o mundo de maneira curiosa.
Para ele...
Civilizações crescem.
Ficam ricas.
Confortáveis.
Corruptas.
Fracas.
Então...
São destruídas por povos mais fortes.
Esse ciclo aparece em praticamente todas as suas histórias.
É quase uma teoria histórica.
O Nascimento de Conan
Então chega 1932.
Howard escreve um conto.
Não havia planejamento.
Não havia cronologia.
Não havia mapa.
Conan simplesmente...
...apareceu.
Howard dizia que era como se o personagem contasse a própria história.
Uma declaração curiosa.
Muitos escritores dizem sentir isso.
A Era Hiboriana
Howard percebeu um problema.
Como contar aventuras sem ficar preso à História real?
Criou então uma solução brilhante.
Inventou um continente inteiro.
A famosa:
Hyborian Age
Ela existiria...
Entre o desaparecimento da Atlântida...
E o surgimento das civilizações conhecidas.
Isso permitia misturar:
vikings
egípcios
persas
celtas
romanos
africanos
piratas
nômades
Tudo fazia sentido.
Foi uma das primeiras grandes "engenharias de mundo" da fantasia.
O Primeiro World Building Moderno
Hoje ouvimos muito essa palavra.
World Building.
Howard já fazia isso em 1932.
Criou:
mapas
reinos
povos
idiomas
história
geografia
religião
economia
rotas comerciais
guerras
Tudo sem computadores.
Sem internet.
Sem IA.
Apenas máquina de escrever.
Conan Não Era Burro
Este talvez seja o maior mito.
Graças ao cinema...
Muita gente imagina Conan apenas como um gigante musculoso.
Errado.
Nos contos originais ele:
fala vários idiomas
é excelente estrategista
observa pessoas
entende política
é ladrão
mercenário
general
pirata
rei
Cada fase da vida ensina algo novo.
Ele evolui.
A Espada Não Resolve Tudo
Howard entendia algo que muitos roteiristas modernos esqueceram.
Uma espada possui limitações.
Ela quebra.
Perde fio.
Fica presa.
É pesada.
Conan frequentemente foge.
Negocia.
Engana.
Escala muralhas.
Rouba.
Espera.
Planeja.
Isso lembra alguém?
Goblin Slayer.
Os Feiticeiros de Howard
Outra diferença gigantesca.
Magos não eram professores simpáticos.
Eram...
aterrorizantes.
Viviam isolados.
Manipulavam forças proibidas.
Invocavam criaturas.
Sacrificavam pessoas.
Conheciam conhecimentos esquecidos.
A magia sempre tinha um preço.
Michael Moorcock herdaria isso.
Berserk também.
Goblin Slayer também.
Monstros Eram Monstros
Poucos eram "maus".
Eles apenas existiam.
Criaturas ancestrais.
Serpentes gigantes.
Homens-macaco.
Demônios.
Híbridos.
Monstros lovecraftianos.
Howard evitava explicar tudo.
Quanto menos você entendia...
Mais medo sentia.
O Humor Esquecido
Existe outro detalhe pouco comentado.
Howard era engraçado.
Conan frequentemente ironiza adversários.
Faz comentários sarcásticos.
Tem um humor seco.
Muito texano.
Muito parecido com soldados veteranos.
Isso influenciou bastante os RPGs posteriores.
Howard e Lovecraft
Aqui acontece um encontro histórico.
Howard troca dezenas de cartas com:
Howard Phillips Lovecraft.
Eles discutem:
História.
Mitologia.
Civilizações.
Religião.
Literatura.
Os dois discordavam em muitas coisas.
Mas admiravam profundamente o trabalho um do outro.
Resultado?
Alguns monstros de Howard passam a ter um clima quase cósmico.
Enquanto Lovecraft começa a incorporar povos antigos e bárbaros em algumas histórias.
É uma troca intelectual fascinante.
A Tragédia
Infelizmente...
Howard sofria profundamente com a doença da mãe.
Quando ela entrou em estado terminal...
Ele entrou em desespero.
Em 11 de junho de 1936.
Robert E. Howard tirou a própria vida.
Tinha apenas trinta anos.
É impossível não imaginar o que teria produzido se tivesse vivido mais quarenta anos.
O Homem Que Nunca Viu Seu Próprio Legado
Quando morreu...
Conan ainda era apenas um personagem de revistas pulp.
Howard jamais conheceu:
Frank Frazetta.
Marvel Comics.
Arnold Schwarzenegger.
Dark Horse.
Berserk.
Dark Souls.
Elden Ring.
Goblin Slayer.
Warhammer.
Diablo.
Dragon's Dogma.
Ele nunca imaginou que seu bárbaro atravessaria quase um século.
Easter Egg do Bellacosa Mainframe
Imagine Howard entrando em um anime isekai moderno.
A deusa pergunta:
— Antes de reencarnar, escolha uma habilidade.
Howard responde:
— Posso levar uma espada?
— Claro...
— Uma mochila?
— Sim...
— Água?
— Também.
— Então já tenho tudo.
O restante eu resolvo.
Conan sorri.
Goblin Slayer apenas faz um discreto movimento afirmativo com a cabeça.
Nenhum dos dois precisa de uma espada lendária.
Precisam apenas sobreviver até o próximo amanhecer.
Curiosidades que Pouca Gente Conhece
🗡 Conan nunca foi criado para seguir uma cronologia.
Os primeiros contos mostram fases diferentes da vida do personagem. Décadas depois, estudiosos reorganizaram as histórias em uma sequência mais lógica.
📖 Howard escrevia muito rápido.
Alguns contos eram concluídos em poucos dias para atender aos prazos das revistas pulp.
🥊 Ele era apaixonado por boxe.
As descrições dos combates em Conan têm ritmo, impacto e movimentação inspirados em lutas reais, e não em duelos romantizados.
🌍 A Era Hiboriana não é a Terra Média.
Enquanto Tolkien criou um passado mitológico detalhado e linguístico, Howard construiu um cenário flexível, onde diferentes culturas históricas podiam coexistir em uma única época imaginária.
📚 Conan quase desapareceu.
Após a morte de Howard, o personagem passou anos relativamente esquecido. Foi a partir das republicações, das capas de Frank Frazetta e, depois, dos quadrinhos da Marvel que ele se transformou em um fenômeno mundial.
A Primeira Pedra do Castelo
Robert E. Howard não inventou a fantasia.
Mas inventou uma maneira completamente nova de vivê-la.
Se antes o herói representava a ordem...
Conan representava a liberdade.
Se antes os cavaleiros lutavam por reis...
Conan lutava pela própria sobrevivência.
Se antes a magia era um espetáculo...
Howard a transformou em algo antigo, proibido e assustador.
Foi ele quem colocou lama nas botas do herói, ferrugem na espada e medo verdadeiro diante dos monstros. Sua maior contribuição não foi criar um bárbaro musculoso, mas devolver à fantasia um senso de perigo e imprevisibilidade que continua ecoando até hoje.
No próximo volume, viajaremos para as décadas de 1940, 1950 e 1960 para conhecer um homem que não escrevia histórias... ele as pintava. Suas capas fizeram milhões de leitores acreditarem que aqueles mundos realmente existiam.
Seu nome era Frank Frazetta.
E talvez nenhum artista tenha moldado a aparência da fantasia moderna tanto quanto ele.
📚 O Grande Bestiário da Fantasia
Das Revistas Pulp aos Animes Modernos
Uma viagem pelas raízes da fantasia moderna: mitologia, revistas pulp, Robert E. Howard, Conan, Frank Frazetta, RPG, quadrinhos europeus, Dark Fantasy, MMORPGs e a chegada dos grandes animes de fantasia.
A árvore genealógica da fantasia moderna
A fantasia contemporânea não nasceu pronta. Ela foi compilada durante séculos: primeiro nas lendas antigas, depois nas revistas pulp, nas histórias de espada e feitiçaria, nos RPGs de mesa, nos quadrinhos europeus, nos videogames e finalmente nos animes e mundos virtuais.
Este índice reúne todos os capítulos de O Grande Bestiário da Fantasia, formando uma rota de leitura contínua entre Robert E. Howard, Conan, Dungeons & Dragons, Berserk, Record of Lodoss War, Slayers, Log Horizon e Sword Art Online.
Volume I — Antes de Conan
Uma viagem às raízes da fantasia: Gilgamesh, Beowulf, sagas nórdicas, mitologias antigas, Lord Dunsany, William Morris e Edgar Rice Burroughs.
Volume II — Robert E. Howard
A vida do escritor de Cross Plains que criou Conan, Kull, Solomon Kane, Bran Mak Morn e estabeleceu as fundações da Sword and Sorcery.
Volume III — O Universo Conan
A engenharia da Era Hiboriana: reinos, povos, religiões, mapas, civilizações e o primeiro grande world building da fantasia moderna.
Volume IV — Frank Frazetta
Como a força, o movimento, as sombras e os monstros de Frazetta definiram visualmente a fantasia que conhecemos.
Volume V — Dungeons & Dragons
Quando a fantasia deixou de ser apenas lida e passou a ser vivida por jogadores, mestres, guerreiros, magos e ladrões ao redor de uma mesa.
Volume VI — Métal Hurlant
A revista francesa que rompeu fronteiras entre fantasia, ficção científica, surrealismo e narrativa visual.
Volume VII — Heavy Metal
Quando a fantasia europeia cruzou o Atlântico, ganhou novas vozes e conquistou a cultura pop mundial.
Volume VIII — Warhammer Fantasy
O Velho Mundo, os Deuses do Caos, os Skaven e a fantasia sombria onde a vitória do bem nunca é garantida.
Volume IX — Berserk
Kentaro Miura reuniu séculos de fantasia, arte europeia, horror, tragédia e guerra em uma das obras mais influentes do mangá.
Volume X — Record of Lodoss War
A campanha de RPG que virou romance, mangá e anime, criando uma ponte definitiva entre Dungeons & Dragons e a fantasia japonesa.
Volume XI — Slayers
Lina Inverse demonstrou que a fantasia podia rir dos próprios clichês sem abandonar magia, aventura, perigo e construção de mundo.
Volume XII — Sorcerous Stabber Orphen
Um protagonista cínico, magos imperfeitos e um universo onde magia possui teoria, limites, custos e consequências humanas.
Volume XIII — Ultima Online, EverQuest e Ragnarok Online
Os MMORPGs transformaram a fantasia em mundos habitados 24 horas por dia, com guildas, mercados, guerras, profissões e comunidades reais.
Volume XIV — Log Horizon
Um MMORPG deixa de ser apenas um jogo e se transforma em uma civilização com economia, leis, diplomacia, educação e governança.
Volume XV — Sword Art Online
Quando um MMORPG deixou de ser apenas um mundo virtual e se tornou uma prisão onde perder a partida significava perder a própria vida.
As Revistas Pulp
Weird Tales, Amazing Stories, Argosy, Black Mask e outras revistas que publicaram heróis, monstros, detetives e mundos que mudariam a cultura popular para sempre.
O Guia Definitivo da Evolução da Fantasia Moderna
O índice final da série, conectando todos os capítulos e revelando como mitologia, pulp, Conan, RPG, quadrinhos, games e animes fazem parte da mesma árvore genealógica.
Das tábuas de argila aos mundos virtuais
Todos os artigos da coleção
Os links abaixo permanecem visíveis em HTML convencional para facilitar a navegação, a acessibilidade e a descoberta das páginas por mecanismos de busca.
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume I: Antes de Conan
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume II: Robert E. Howard
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume III: O Universo Conan
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume IV: Frank Frazetta
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume V: Dungeons & Dragons
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume VI: Métal Hurlant
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume VII: Heavy Metal
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume VIII: Warhammer Fantasy
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume IX: Berserk
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume X: Record of Lodoss War
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume XI: Slayers
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume XII: Sorcerous Stabber Orphen
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume XIII: Ultima Online, EverQuest e Ragnarok Online
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume XIV: Log Horizon
- O Grande Bestiário da Fantasia — Volume XV: Sword Art Online
- O Grande Bestiário da Fantasia — Capítulo Especial: As Revistas Pulp
- O Grande Bestiário da Fantasia — O Guia Definitivo da Evolução da Fantasia Moderna
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