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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

📚 O Grande Bestiário da Fantasia : Volume II Robert E. Howard

 

Bellacosa Mainframe e o grande bestiario da fantasia parte ii

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

📚 O Grande Bestiário da Fantasia

Das Revistas Pulp aos Animes Modernos

Volume II

Robert E. Howard

Como um Jovem do Interior do Texas Criou Conan e Mudou a Fantasia Para Sempre

"Enquanto o mundo sonhava com cavaleiros brilhando ao sol, um jovem texano imaginava homens cobertos de lama, sangue e suor. O nome dele era Robert Ervin Howard. E, sem saber, ele mudaria para sempre a literatura fantástica."


☕ Bellacosa Time Machine

Destino: Cross Plains, Texas

Ano: 1932

Esqueça Nova York.

Esqueça Londres.

Esqueça Paris.

Nossa máquina do tempo acaba de parar em uma pequena cidade perdida no interior do Texas.

Pouco mais de mil habitantes.

Estradas de terra.

Posto de gasolina.

Fazendas.

Poeira.

Silêncio.

É difícil acreditar que um dos maiores revolucionários da fantasia nasceu justamente aqui.

Mas talvez esse isolamento tenha sido exatamente o ingrediente que faltava.

Enquanto outros escritores observavam grandes cidades...

Howard imaginava reinos inteiros.


Quem foi Robert Ervin Howard?

Nasceu em:

22 de janeiro de 1906

Morreu muito jovem.

Apenas 30 anos.

Mesmo assim...

Escreveu centenas de contos.

Criou dezenas de personagens.

Influenciou praticamente toda a fantasia moderna.

É assustador pensar nisso.

Imagine um programador COBOL que trabalhou apenas dez anos...

...e deixou uma arquitetura utilizada oitenta anos depois.

Howard fez exatamente isso.


Um Filho do Texas

Seu pai era médico.

Isso significava constantes mudanças de cidade.

Howard nunca permaneceu muito tempo no mesmo lugar.

Conheceu pequenas comunidades.

Mineiros.

Caubóis.

Operários.

Pessoas duras.

Gente acostumada a sobreviver.

Sem perceber...

Ele estava coletando material para Conan.


O Menino que Lia Tudo

Howard era praticamente uma máquina de leitura.

Lia:

História.

Mitologia.

Arqueologia.

Poesia.

Roma.

Grécia.

Celtas.

Vikings.

Árabes.

Povos antigos.

Lendas africanas.

Boxe.

Piratas.

Ele nunca estudou História formalmente.

Mas lia compulsivamente.

Seu cérebro tornou-se uma gigantesca biblioteca.


Antes de Conan Existiram Outros Heróis

Muita gente acredita que Howard criou Conan logo de início.

Não.

Seu universo começou muito antes.


Solomon Kane

Um puritano inglês.

Vestido de preto.

Espadachim.

Pistoleiro.

Caçador do mal.

Viajava pela Europa e África enfrentando:

demônios

bruxas

cultos

piratas

feiticeiros

É praticamente um Van Helsing décadas antes.


Kull de Atlântida

Aqui aparece o primeiro protótipo de Conan.

Também bárbaro.

Também guerreiro.

Mas muito mais reflexivo.

Kull vive questionando:

Quem governa?

O que é poder?

Quem realmente controla um reino?

Howard estava amadurecendo suas ideias.


Bran Mak Morn

Talvez o personagem mais melancólico de Howard.

Último rei dos pictos.

Luta contra Roma.

Contra a civilização.

Contra o próprio destino.

Aqui aparece um tema recorrente.

A civilização não é necessariamente boa.


A Grande Ideia de Howard

Howard enxergava o mundo de maneira curiosa.

Para ele...

Civilizações crescem.

Ficam ricas.

Confortáveis.

Corruptas.

Fracas.

Então...

São destruídas por povos mais fortes.

Esse ciclo aparece em praticamente todas as suas histórias.

É quase uma teoria histórica.


O Nascimento de Conan

Então chega 1932.

Howard escreve um conto.

Não havia planejamento.

Não havia cronologia.

Não havia mapa.

Conan simplesmente...

...apareceu.

Howard dizia que era como se o personagem contasse a própria história.

Uma declaração curiosa.

Muitos escritores dizem sentir isso.


A Era Hiboriana

Howard percebeu um problema.

Como contar aventuras sem ficar preso à História real?

Criou então uma solução brilhante.

Inventou um continente inteiro.

A famosa:

Hyborian Age

Ela existiria...

Entre o desaparecimento da Atlântida...

E o surgimento das civilizações conhecidas.

Isso permitia misturar:

vikings

egípcios

persas

celtas

romanos

africanos

piratas

nômades

Tudo fazia sentido.

Foi uma das primeiras grandes "engenharias de mundo" da fantasia.


O Primeiro World Building Moderno

Hoje ouvimos muito essa palavra.

World Building.

Howard já fazia isso em 1932.

Criou:

mapas

reinos

povos

idiomas

história

geografia

religião

economia

rotas comerciais

guerras

Tudo sem computadores.

Sem internet.

Sem IA.

Apenas máquina de escrever.


Conan Não Era Burro

Este talvez seja o maior mito.

Graças ao cinema...

Muita gente imagina Conan apenas como um gigante musculoso.

Errado.

Nos contos originais ele:

fala vários idiomas

é excelente estrategista

observa pessoas

entende política

é ladrão

mercenário

general

pirata

rei

Cada fase da vida ensina algo novo.

Ele evolui.


A Espada Não Resolve Tudo

Howard entendia algo que muitos roteiristas modernos esqueceram.

Uma espada possui limitações.

Ela quebra.

Perde fio.

Fica presa.

É pesada.

Conan frequentemente foge.

Negocia.

Engana.

Escala muralhas.

Rouba.

Espera.

Planeja.

Isso lembra alguém?

Goblin Slayer.


Os Feiticeiros de Howard

Outra diferença gigantesca.

Magos não eram professores simpáticos.

Eram...

aterrorizantes.

Viviam isolados.

Manipulavam forças proibidas.

Invocavam criaturas.

Sacrificavam pessoas.

Conheciam conhecimentos esquecidos.

A magia sempre tinha um preço.

Michael Moorcock herdaria isso.

Berserk também.

Goblin Slayer também.


Monstros Eram Monstros

Poucos eram "maus".

Eles apenas existiam.

Criaturas ancestrais.

Serpentes gigantes.

Homens-macaco.

Demônios.

Híbridos.

Monstros lovecraftianos.

Howard evitava explicar tudo.

Quanto menos você entendia...

Mais medo sentia.


O Humor Esquecido

Existe outro detalhe pouco comentado.

Howard era engraçado.

Conan frequentemente ironiza adversários.

Faz comentários sarcásticos.

Tem um humor seco.

Muito texano.

Muito parecido com soldados veteranos.

Isso influenciou bastante os RPGs posteriores.


Howard e Lovecraft

Aqui acontece um encontro histórico.

Howard troca dezenas de cartas com:

Howard Phillips Lovecraft.

Eles discutem:

História.

Mitologia.

Civilizações.

Religião.

Literatura.

Os dois discordavam em muitas coisas.

Mas admiravam profundamente o trabalho um do outro.

Resultado?

Alguns monstros de Howard passam a ter um clima quase cósmico.

Enquanto Lovecraft começa a incorporar povos antigos e bárbaros em algumas histórias.

É uma troca intelectual fascinante.


A Tragédia

Infelizmente...

Howard sofria profundamente com a doença da mãe.

Quando ela entrou em estado terminal...

Ele entrou em desespero.

Em 11 de junho de 1936.

Robert E. Howard tirou a própria vida.

Tinha apenas trinta anos.

É impossível não imaginar o que teria produzido se tivesse vivido mais quarenta anos.


O Homem Que Nunca Viu Seu Próprio Legado

Quando morreu...

Conan ainda era apenas um personagem de revistas pulp.

Howard jamais conheceu:

Frank Frazetta.

Marvel Comics.

Arnold Schwarzenegger.

Dark Horse.

Berserk.

Dark Souls.

Elden Ring.

Goblin Slayer.

Warhammer.

Diablo.

Dragon's Dogma.

Ele nunca imaginou que seu bárbaro atravessaria quase um século.


Easter Egg do Bellacosa Mainframe

Imagine Howard entrando em um anime isekai moderno.

A deusa pergunta:

— Antes de reencarnar, escolha uma habilidade.

Howard responde:

— Posso levar uma espada?

— Claro...

— Uma mochila?

— Sim...

— Água?

— Também.

— Então já tenho tudo.

O restante eu resolvo.

Conan sorri.

Goblin Slayer apenas faz um discreto movimento afirmativo com a cabeça.

Nenhum dos dois precisa de uma espada lendária.

Precisam apenas sobreviver até o próximo amanhecer.


Curiosidades que Pouca Gente Conhece

🗡 Conan nunca foi criado para seguir uma cronologia.

Os primeiros contos mostram fases diferentes da vida do personagem. Décadas depois, estudiosos reorganizaram as histórias em uma sequência mais lógica.


📖 Howard escrevia muito rápido.

Alguns contos eram concluídos em poucos dias para atender aos prazos das revistas pulp.


🥊 Ele era apaixonado por boxe.

As descrições dos combates em Conan têm ritmo, impacto e movimentação inspirados em lutas reais, e não em duelos romantizados.


🌍 A Era Hiboriana não é a Terra Média.

Enquanto Tolkien criou um passado mitológico detalhado e linguístico, Howard construiu um cenário flexível, onde diferentes culturas históricas podiam coexistir em uma única época imaginária.


📚 Conan quase desapareceu.

Após a morte de Howard, o personagem passou anos relativamente esquecido. Foi a partir das republicações, das capas de Frank Frazetta e, depois, dos quadrinhos da Marvel que ele se transformou em um fenômeno mundial.


A Primeira Pedra do Castelo

Robert E. Howard não inventou a fantasia.

Mas inventou uma maneira completamente nova de vivê-la.

Se antes o herói representava a ordem...

Conan representava a liberdade.

Se antes os cavaleiros lutavam por reis...

Conan lutava pela própria sobrevivência.

Se antes a magia era um espetáculo...

Howard a transformou em algo antigo, proibido e assustador.

Foi ele quem colocou lama nas botas do herói, ferrugem na espada e medo verdadeiro diante dos monstros. Sua maior contribuição não foi criar um bárbaro musculoso, mas devolver à fantasia um senso de perigo e imprevisibilidade que continua ecoando até hoje.

No próximo volume, viajaremos para as décadas de 1940, 1950 e 1960 para conhecer um homem que não escrevia histórias... ele as pintava. Suas capas fizeram milhões de leitores acreditarem que aqueles mundos realmente existiam.

Seu nome era Frank Frazetta.

E talvez nenhum artista tenha moldado a aparência da fantasia moderna tanto quanto ele.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

📚 O Grande Bestiário da Fantasia

Das Revistas Pulp aos Animes Modernos

Uma viagem pelas raízes da fantasia moderna: mitologia, revistas pulp, Robert E. Howard, Conan, Frank Frazetta, RPG, quadrinhos europeus, Dark Fantasy, MMORPGs e a chegada dos grandes animes de fantasia.

17 capítulos disponíveis.

I
As origens

Volume I — Antes de Conan

Uma viagem às raízes da fantasia: Gilgamesh, Beowulf, sagas nórdicas, mitologias antigas, Lord Dunsany, William Morris e Edgar Rice Burroughs.

Ler o Volume I ↗
II
O criador

Volume II — Robert E. Howard

A vida do escritor de Cross Plains que criou Conan, Kull, Solomon Kane, Bran Mak Morn e estabeleceu as fundações da Sword and Sorcery.

Ler o Volume II ↗
III
Era Hiboriana

Volume III — O Universo Conan

A engenharia da Era Hiboriana: reinos, povos, religiões, mapas, civilizações e o primeiro grande world building da fantasia moderna.

Ler o Volume III ↗
IV
Arte fantástica

Volume IV — Frank Frazetta

Como a força, o movimento, as sombras e os monstros de Frazetta definiram visualmente a fantasia que conhecemos.

Ler o Volume IV ↗
V
RPG de mesa

Volume V — Dungeons & Dragons

Quando a fantasia deixou de ser apenas lida e passou a ser vivida por jogadores, mestres, guerreiros, magos e ladrões ao redor de uma mesa.

Ler o Volume V ↗
VI
Quadrinhos europeus

Volume VI — Métal Hurlant

A revista francesa que rompeu fronteiras entre fantasia, ficção científica, surrealismo e narrativa visual.

Ler o Volume VI ↗
VII
Fantasia adulta

Volume VII — Heavy Metal

Quando a fantasia europeia cruzou o Atlântico, ganhou novas vozes e conquistou a cultura pop mundial.

Ler o Volume VII ↗
VIII
Grimdark

Volume VIII — Warhammer Fantasy

O Velho Mundo, os Deuses do Caos, os Skaven e a fantasia sombria onde a vitória do bem nunca é garantida.

Ler o Volume VIII ↗
IX
Dark Fantasy

Volume IX — Berserk

Kentaro Miura reuniu séculos de fantasia, arte europeia, horror, tragédia e guerra em uma das obras mais influentes do mangá.

Ler o Volume IX ↗
X
D&D no Japão

Volume X — Record of Lodoss War

A campanha de RPG que virou romance, mangá e anime, criando uma ponte definitiva entre Dungeons & Dragons e a fantasia japonesa.

Ler o Volume X ↗
XI
Fantasia e humor

Volume XI — Slayers

Lina Inverse demonstrou que a fantasia podia rir dos próprios clichês sem abandonar magia, aventura, perigo e construção de mundo.

Ler o Volume XI ↗
XII
Magia e responsabilidade

Volume XII — Sorcerous Stabber Orphen

Um protagonista cínico, magos imperfeitos e um universo onde magia possui teoria, limites, custos e consequências humanas.

Ler o Volume XII ↗
XIII
Mundos persistentes

Volume XIII — Ultima Online, EverQuest e Ragnarok Online

Os MMORPGs transformaram a fantasia em mundos habitados 24 horas por dia, com guildas, mercados, guerras, profissões e comunidades reais.

Ler o Volume XIII ↗
XIV
Sociedade virtual

Volume XIV — Log Horizon

Um MMORPG deixa de ser apenas um jogo e se transforma em uma civilização com economia, leis, diplomacia, educação e governança.

Ler o Volume XIV ↗
XV
Realidade virtual

Volume XV — Sword Art Online

Quando um MMORPG deixou de ser apenas um mundo virtual e se tornou uma prisão onde perder a partida significava perder a própria vida.

Ler o Volume XV ↗
Capítulo especial

As Revistas Pulp

Weird Tales, Amazing Stories, Argosy, Black Mask e outras revistas que publicaram heróis, monstros, detetives e mundos que mudariam a cultura popular para sempre.

Ler o capítulo especial ↗
Ω
Conclusão da série

O Guia Definitivo da Evolução da Fantasia Moderna

O índice final da série, conectando todos os capítulos e revelando como mitologia, pulp, Conan, RPG, quadrinhos, games e animes fazem parte da mesma árvore genealógica.

Ler o guia definitivo ↗
A linhagem

Das tábuas de argila aos mundos virtuais

Mitologias Revistas Pulp Conan Frazetta D&D Quadrinhos Europeus Warhammer Berserk Animes MMORPGs Isekais

O Grande Bestiário da Fantasia
Uma jornada do papel barato das revistas pulp aos pixels brilhantes dos mundos virtuais.

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Solomon Kane : Quando um Programador Descobre que o Maior Caçador de Sombras da Literatura Também Era um Mestre em Auditoria, Investigação e Segurança de Sistemas

 

Bellacosa Mainframe apresenta Solomon Kane

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Solomon Kane sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Programador Descobre que o Maior Caçador de Sombras da Literatura Também Era um Mestre em Auditoria, Investigação e Segurança de Sistemas

"Nem todo inimigo chega empunhando uma espada. Alguns chegam disfarçados de rotina, exceção não tratada ou privilégio concedido sem revisão."


Introdução – Antes dos Analistas de Segurança Existia Solomon Kane

Existe uma pergunta curiosa.

Se Conan representa o programador que enfrenta desafios de frente...

E Kull representa o arquiteto que governa sistemas complexos...

Quem representaria o profissional que vive investigando incidentes, procurando vulnerabilidades e eliminando ameaças antes que elas destruam o ambiente?

A resposta foi escrita quase um século atrás por Robert E. Howard.

Seu nome era Solomon Kane.

Curiosamente, Kane nunca foi o mais forte.

Nunca foi o mais rico.

Nunca foi rei.

Nunca liderou exércitos.

Seu verdadeiro poder era outro.

Ele nunca desistia enquanto existisse uma injustiça sem explicação.

Se Conan lembra um excelente desenvolvedor COBOL...

Solomon Kane lembra imediatamente:

  • o analista de produção;

  • o especialista em RACF;

  • o auditor;

  • o profissional de segurança;

  • o investigador de ABENDs;

  • o caçador de bugs impossíveis.

Ele não luta por glória.

Luta porque alguém precisa impedir que o mal continue funcionando.

No mundo do mainframe...

isso soa incrivelmente familiar.


Quem foi Solomon Kane?

Robert E. Howard criou Solomon Kane em 1928.

Ou seja...

antes de Conan.

Antes de Kull alcançar fama.

Antes mesmo da fantasia heroica tornar-se um gênero consolidado.

Kane vive no século XVI.

É inglês.

Puritano.

Viaja sozinho pelo mundo.

Cruza:

  • Inglaterra

  • França

  • Alemanha

  • África

  • Espanha

  • florestas

  • desertos

  • castelos

  • ruínas

Não procura aventuras.

As aventuras o encontram.


Kane Nunca Procura Problemas

Existe algo muito interessante.

Conan normalmente procura tesouros.

Kull procura estabilidade para seu reino.

Kane...

procura respostas.

Ele vê uma aldeia destruída.

Investiga.

Encontra rastros.

Analisa testemunhas.

Reconstrói acontecimentos.

Somente depois enfrenta o inimigo.

Isso lembra alguma rotina?

Claro.

É exatamente um processo de investigação de incidente.


Imagine um ambiente CICS.

Usuários reclamam.

O sistema trava.

Nenhum erro evidente.

Nenhum dump.

Nenhum ABEND.

Apenas lentidão.

O profissional comum tenta reiniciar tudo.

Solomon Kane faria diferente.

Primeiro perguntaria:

Quem foi o primeiro afetado?

Quando começou?

O que mudou?

Qual região foi impactada?

Existe padrão?

Há quanto tempo?

Essa forma de pensar diferencia um verdadeiro especialista.


A Espada e a Bíblia

Kane carrega duas coisas.

Uma espada.

Uma Bíblia.

Parece contraditório.

Mas não é.

A espada representa ação.

A Bíblia representa princípios.

Um bom profissional de tecnologia também vive esse equilíbrio.

Ferramentas sem ética são perigosas.

Conhecimento sem responsabilidade também.


O Diário do Investigador

Em praticamente todas as aventuras Kane observa detalhes.

Pegadas.

Objetos.

Expressões.

Mentiras.

Silêncios.

O profissional COBOL faz exatamente isso.

Lê:

SYSOUT.

JESMSGLG.

JESJCL.

SQLCA.

SMF.

RMF.

LOGREC.

SYSLOG.

Cada arquivo conta uma parte da história.

Nenhum sozinho revela toda a verdade.


Easter Egg nº 1

Muito antes de CSI existir na televisão...

Howard já escrevia histórias baseadas em investigação lógica.

A diferença é que o laboratório forense era uma floresta medieval.


O Primeiro Analista de Segurança?

Pense em Kane durante alguns minutos.

Ele atravessa fronteiras.

Investiga crimes.

Descobre conspirações.

Enfrenta cultos secretos.

Impede organizações ocultas.

Isso lembra muito um profissional moderno de Cyber Security.

Não por acaso muitos fãs o consideram um precursor desse arquétipo.


Os Monstros São Vulnerabilidades

Howard nunca escreveu monstros apenas para assustar.

Cada criatura simboliza algo.

Ganância.

Medo.

Fanatismo.

Corrupção.

Mentira.

No ambiente corporativo também existem monstros.

Nem sempre possuem dentes.

Às vezes aparecem como:

  • senha compartilhada;

  • privilégio excessivo;

  • backup inexistente;

  • documentação perdida;

  • acesso genérico;

  • ambiente sem segregação.

Parecem pequenos.

Até produzirem um desastre.


Easter Egg nº 2

Howard era fascinado por História.

Grande parte dos lugares visitados por Kane realmente existe.

Ele misturava geografia real com horror sobrenatural.

Da mesma forma que um ambiente z/OS mistura tecnologia moderna com decisões tomadas quarenta anos atrás.


RACF Também Tem Caçadores

Existe um momento na carreira em que o profissional deixa de criar funcionalidades.

Passa a proteger aquilo que já existe.

É exatamente a missão de Kane.

No mundo IBM Z isso lembra especialistas em:

RACF.

SAF.

ACF2.

Top Secret.

Auditoria.

Compliance.

Governança.

São pessoas que raramente aparecem.

Mas quando falham...

toda organização sofre.


O Castelo Assombrado é Produção

Quase toda história de Kane possui um castelo.

Escuro.

Silencioso.

Cheio de passagens ocultas.

Segredos.

Portas escondidas.

Parece um ambiente legado.

Documentação incompleta.

COPYBOOK desaparecido.

JCL criado em 1987.

Parâmetros desconhecidos.

Ninguém sabe por que funciona.

Mas funciona.

Até deixar de funcionar.


Kane Nunca Assume

Essa talvez seja sua maior qualidade.

Ele nunca conclui antes de investigar.

No mundo moderno chamamos isso de:

evidência.

observabilidade.

telemetria.

diagnóstico.

Um excelente programador COBOL também trabalha assim.

Nunca altera código baseado em suposição.

Primeiro encontra fatos.

Depois toma decisões.


Easter Egg nº 3

Howard criou Kane numa época em que Sherlock Holmes já era famoso.

Mesmo assim Kane investiga de forma completamente diferente.

Holmes usa ciência.

Kane usa experiência.

No mainframe precisamos das duas.


Os Demônios Invisíveis

Os inimigos de Kane raramente aparecem imediatamente.

Primeiro existem sintomas.

Depois pistas.

Depois desaparecimentos.

Somente muito depois surge o verdadeiro responsável.

Não lembra um bug intermitente?

Você recebe apenas relatos.

Nunca consegue reproduzir.

O erro acontece uma vez por mês.

Sempre em produção.

Jamais em homologação.

Esse é o verdadeiro demônio.


A África de Kane

Diversas histórias acontecem na África.

Howard não a descreve apenas como cenário.

Ela representa território desconhecido.

Exploração.

Adaptação.

Aprendizado.

Todo profissional passa por isso.

Primeiro cliente.

Primeiro banco.

Primeira seguradora.

Primeiro governo.

Primeiro ambiente CICS.

Primeiro Db2.

Primeiro MQ.

Cada projeto é um continente novo.


A Lanterna do Investigador

Existe um símbolo recorrente.

Kane frequentemente utiliza luz para revelar o escondido.

No desenvolvimento essa lanterna possui vários nomes.

TRACE.

DISPLAY.

LOG.

MONITOR.

SMF.

RMF.

DEBUG.

Todos servem para iluminar aquilo que antes era invisível.


Curiosidades Pouco Conhecidas

Solomon Kane influenciou personagens modernos

Diversos estudiosos enxergam ecos de Kane em:

  • Van Helsing;

  • The Witcher (Geralt);

  • Hellboy;

  • Blade;

  • diversos caçadores sobrenaturais dos quadrinhos.


Howard escreveu poucas histórias

Apesar da fama crescente, Kane possui relativamente poucos contos comparado a Conan.

Mesmo assim seu impacto foi enorme.


Kane envelhece emocionalmente

Cada aventura deixa marcas.

Howard descreve um personagem cada vez mais experiente.

Muito parecido com profissionais veteranos.


Não existe humor gratuito

As histórias de Kane são sérias.

Atmosfera pesada.

Investigação constante.

Silêncio.

Suspense.

É praticamente um thriller sobrenatural.


Kane e o Dump

Receber um dump lembra encontrar um cadáver.

Ele não responde perguntas.

Mas guarda todas as respostas.

O investigador precisa saber interpretar.

Um iniciante vê milhares de bytes.

Um veterano vê uma narrativa completa.

Foi exatamente assim que Kane trabalhava.


O Maior Vilão

É curioso observar que Kane raramente luta apenas contra criaturas sobrenaturais.

Seu verdadeiro inimigo quase sempre é o ser humano.

Ganância.

Traição.

Ambição.

Fanatismo.

Mentira.

No desenvolvimento de software acontece exatamente igual.

Pouquíssimos incidentes acontecem porque COBOL falhou.

Grande parte nasce de:

especificação errada.

mudança sem teste.

deploy incompleto.

documentação ausente.

configuração incorreta.

permissão excessiva.

A tecnologia normalmente apenas revela erros humanos.


O Chapéu Preto

Visualmente Kane possui um dos desenhos mais marcantes da literatura.

Chapéu largo.

Roupas negras.

Espada.

Pistolas.

Olhar cansado.

É impossível não imaginar um administrador de produção entrando às duas da manhã para resolver um incidente crítico.

Não existe glamour.

Existe responsabilidade.


O Mainframe Também Possui Caçadores

Todo grande ambiente IBM Z possui alguém conhecido por uma característica curiosa.

Quando ninguém consegue descobrir a origem de um problema...

essa pessoa é chamada.

Ela olha cinco minutos.

Faz três perguntas.

Abre dois logs.

Consulta um SMF.

Lê um dump.

E encontra o problema.

Não porque tenha poderes.

Mas porque aprendeu a investigar.

Solomon Kane faria exatamente igual.


A Filosofia de Solomon Kane para um Programador COBOL

Existe uma frase implícita em praticamente todas as aventuras de Kane:

"A verdade sempre deixa rastros."

Essa talvez seja a maior lição para quem trabalha com sistemas críticos.

Incidentes deixam evidências.

Fraudes deixam evidências.

ABENDs deixam evidências.

Deadlocks deixam evidências.

SQLCODEs deixam evidências.

Mesmo quando parecem desaparecer.

O verdadeiro especialista não adivinha.

Ele reconstrói os fatos.

Pergunta.

Confirma.

Valida.

Somente depois modifica o sistema.

Essa mentalidade transforma um simples programador em um profissional capaz de proteger operações que movimentam bilhões de reais diariamente.


Conclusão – O Guardião Invisível do Mainframe

Conan ensina coragem.

Kull ensina liderança.

Solomon Kane ensina investigação.

Ele nos mostra que o conhecimento mais valioso não é escrever rapidamente uma solução, mas compreender profundamente a origem de um problema antes de agir. Em um ambiente COBOL, onde sistemas processam contas bancárias, aposentadorias, seguros, impostos e milhões de transações todos os dias, essa postura faz toda a diferença.

Howard criou Solomon Kane quase cem anos atrás, mas sua filosofia continua surpreendentemente atual. O profissional que mais agrega valor em um ambiente crítico não é necessariamente quem produz mais linhas de código, e sim quem consegue manter a confiabilidade do sistema, descobrir a causa raiz de um incidente, proteger os dados e impedir que o mesmo erro volte a acontecer.

Todo programador COBOL começa sua jornada como Conan, enfrentando desafios com coragem. Alguns evoluem para Kull, assumindo responsabilidades de arquitetura e governança. Mas os verdadeiros guardiões da produção acabam adquirindo algo de Solomon Kane: a disciplina de investigar antes de concluir, a paciência de seguir cada pista e a convicção de que toda falha possui uma história esperando para ser decifrada.

Porque, no universo do mainframe, os maiores monstros raramente aparecem empunhando espadas.

Eles preferem esconder-se em um JCL esquecido, em um privilégio RACF concedido anos atrás, em uma rotina que ninguém revisa desde a década de 1990 ou em um dump que todos ignoraram.

E é justamente nesse momento que surge o verdadeiro caçador de sombras do IBM Z: o profissional que acende a lanterna da investigação, segue os rastros até a origem do problema e devolve a estabilidade ao reino digital.

Como Solomon Kane faria.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Robert E. Howard : Quando um Programador Descobre que o Homem que Criou Conan Também Escreveu a Arquitetura da Fantasia Moderna

 

Bellacosa Mainframe apresenta o lendario Robert E. Howard criador do Conan o Barbaro

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Robert E. Howard sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Programador Descobre que o Homem que Criou Conan Também Escreveu a Arquitetura da Fantasia Moderna Como Quem Projetava um Sistema Crítico de Mainframe

"Alguns programadores escrevem software que sobrevive décadas. Robert E. Howard escreveu personagens que sobreviveram quase um século."


Introdução – O Programador Invisível da Fantasia

Existe uma pergunta curiosa.

Quem inventou o COBOL?

Grace Hopper participou da sua criação.

Quem inventou C?

Dennis Ritchie.

Quem inventou Java?

James Gosling.

Quem inventou Linux?

Linus Torvalds.

Agora faça outra pergunta.

Quem inventou praticamente toda a fantasia heroica moderna?

Pouquíssima gente conhece a resposta.

Robert Ervin Howard.

Seu nome talvez não seja imediatamente reconhecido.

Mas seus personagens...

Esses você conhece.

Conan.

Kull.

Solomon Kane.

Bran Mak Morn.

Red Sonja (que mais tarde seria expandida por Roy Thomas a partir de uma personagem de Howard).

Centenas de conceitos utilizados hoje em RPGs, videogames, mangás, filmes e séries nasceram de sua imaginação.

Curiosamente...

Ele fez tudo isso antes dos trinta anos de idade.

Para um programador COBOL existe uma analogia perfeita.

Howard foi para a literatura o que um arquiteto de sistemas foi para o mainframe.

Ele não criou apenas programas.

Criou uma plataforma inteira.


O Menino do Texas

Robert Ervin Howard nasceu em 22 de janeiro de 1906, em Peaster, Texas.

Seu pai era médico.

Na infância a família mudou diversas vezes acompanhando cidades ligadas ao petróleo.

Isso parece um detalhe.

Mas mudou completamente sua forma de escrever.

Howard cresceu observando cidades nascerem praticamente da noite para o dia.

Homens enriquecendo.

Empresas desaparecendo.

Violência.

Ganância.

Corridas pelo ouro negro.

Tudo isso moldou sua visão de mundo.

Ele percebeu algo muito cedo.

Civilizações não são eternas.

Empresas também não.

Tecnologias muito menos.

Esse pensamento aparece em praticamente todos os seus contos.


Howard Era um Arquiteto de Mundos

Muita gente acredita que Howard simplesmente escrevia aventuras.

Não.

Ele fazia algo muito mais sofisticado.

Primeiro criava:

  • geografia;

  • história;

  • economia;

  • religião;

  • política;

  • povos;

  • idiomas;

  • cultura;

  • conflitos.

Só depois escrevia as histórias.

Isso lembra muito um arquiteto de software.

Antes do primeiro programa existir, define-se:

  • arquitetura;

  • camadas;

  • banco de dados;

  • comunicação;

  • segurança;

  • desempenho;

  • disponibilidade.

Howard fazia exatamente isso.


A Era Hiboriana: um Grande Projeto de Software

Quando criou Conan, Howard percebeu um problema.

Se utilizasse História real...

ficaria preso aos fatos.

Então criou uma linha do tempo completamente nova.

A famosa Era Hiboriana.

Era praticamente um framework.

Depois disso bastava adicionar novas histórias.

É semelhante ao que fazemos hoje criando uma plataforma corporativa.

Primeiro vem a arquitetura.

Depois surgem centenas de aplicações.


Weird Tales: O GitHub da Década de 1930

Howard publicou grande parte de sua obra na lendária revista Weird Tales.

Imagine uma mistura de:

GitHub.

Medium.

Dev.to.

LinkedIn.

Revista científica.

Tudo ao mesmo tempo.

Era ali que escritores publicavam seus trabalhos.

Ali também estavam:

  • H. P. Lovecraft;

  • Clark Ashton Smith;

  • Seabury Quinn.

Esses autores trocavam cartas constantemente.

Não existia Internet.

Não existia e-mail.

Mesmo assim construíram uma comunidade criativa extremamente ativa.

Era praticamente um Open Source da literatura.


Easter Egg nº 1

Howard e Lovecraft escreveram dezenas de cartas discutindo filosofia, história, religião e literatura.

Essas conversas influenciaram diretamente a criação dos universos de ambos.

É como acompanhar hoje uma longa discussão técnica entre os criadores do Linux e do Kubernetes.


Conan Não Foi Seu Primeiro Personagem

Essa talvez seja uma das maiores surpresas.

Antes de Conan vieram vários personagens.

Entre eles:

  • Solomon Kane;

  • Kull;

  • Bran Mak Morn;

  • Sailor Steve Costigan;

  • El Borak.

Cada personagem explorava um aspecto diferente da natureza humana.

Conan acabou ficando famoso.

Mas Howard jamais escreveu apenas fantasia.


O Método Howard

Existe um depoimento famoso.

Howard dizia que não inventava Conan.

Ele apenas observava.

Segundo ele:

Conan "sentava-se ao seu lado" e contava suas aventuras.

Parece superstição.

Na verdade descreve algo conhecido por escritores.

Quando o personagem está suficientemente desenvolvido...

ele praticamente ganha vida.

Curiosamente acontece o mesmo com sistemas muito grandes.

Depois de décadas de evolução...

eles parecem possuir personalidade própria.

Todo veterano COBOL sabe disso.


O Código Invisível

Imagine um sistema legado.

Você abre um programa.

Não conhece quem escreveu.

Mas consegue perceber:

esse programador gostava de tabelas.

esse preferia PERFORM.

aquele utilizava GO TO.

outro fazia tudo modular.

Autores deixam assinaturas invisíveis.

Howard também.

Depois de alguns contos conseguimos identificar imediatamente seu estilo.


A Filosofia das Civilizações

Existe um tema recorrente.

Howard acreditava que:

civilizações crescem;

ficam ricas;

tornam-se burocráticas;

enfraquecem;

desaparecem.

Enquanto povos considerados "bárbaros" continuam evoluindo.

Essa ideia aparece em:

Conan.

Kull.

Bran Mak Morn.

É praticamente uma teoria sobre inovação.


Easter Egg nº 2

Décadas depois diversos historiadores observaram semelhanças entre a visão de Howard e teorias sobre ascensão e queda de impérios discutidas por autores como Oswald Spengler e Arnold Toynbee.


Howard e o Mainframe

Existe uma curiosidade interessante.

Mainframes também envelhecem.

Não porque fiquem ruins.

Mas porque acumulam conhecimento.

Um sistema bancário com cinquenta anos possui milhares de decisões incorporadas.

Howard descrevia reinos exatamente assim.

Castelos construídos sobre castelos.

Templos sobre templos.

Civilizações sobre civilizações.

É impossível não lembrar de aplicações COBOL que carregam decisões tomadas ainda na década de 1970.


Seus Personagens São Arquétipos

Conan representa sobrevivência.

Kull representa liderança.

Solomon Kane representa justiça.

Bran Mak Morn representa resistência.

El Borak representa adaptação cultural.

Cada personagem resolve um tipo diferente de problema.

Isso lembra orientação a objetos.

Cada classe possui responsabilidades específicas.


Howard Era Historiador?

Não oficialmente.

Mas estudava História compulsivamente.

Colecionava livros.

Pesquisava povos antigos.

Mitologias.

Armas.

Guerras.

Civilizações.

Grande parte do realismo presente em suas obras vem desse hábito.


Easter Egg nº 3

Howard frequentemente escrevia mapas completos dos reinos antes de produzir qualquer conto.

Décadas depois Tolkien faria algo semelhante.

Hoje chamamos isso de worldbuilding.


A Tragédia

Infelizmente sua vida terminou cedo.

Em 1936 sua mãe entrou em coma irreversível.

Howard possuía enorme ligação emocional com ela.

Ao saber que dificilmente despertaria, entrou em profunda crise.

No dia 11 de junho de 1936, aos 30 anos, disparou contra si mesmo. Morreu no dia seguinte, 12 de junho de 1936.

Sua mãe faleceu pouco depois.

Foi um desfecho trágico para um autor que produziu uma obra gigantesca em tão pouco tempo.

É importante tratar esse episódio com respeito. Ele não define sua contribuição literária, mas faz parte de sua história.


Quanto Howard Produziu?

Mesmo vivendo apenas trinta anos...

escreveu centenas de obras.

Entre elas:

  • contos;

  • poemas;

  • cartas;

  • ensaios;

  • histórias de faroeste;

  • boxe;

  • horror;

  • aventura;

  • fantasia;

  • ficção histórica.

Seu ritmo impressiona.

Era praticamente uma fábrica de criatividade.


Curiosidade Técnica

Howard escrevia em máquina de escrever.

Sem:

CTRL+Z.

Git.

Backup automático.

Cloud.

Auto Save.

Versionamento.

Se errasse uma página inteira...

precisava recomeçar.

Hoje reclamamos quando o IDE demora cinco segundos para abrir.


Easter Egg nº 4

Howard escreveu muitos contos por necessidade financeira.

Era um escritor profissional em uma época em que viver exclusivamente da escrita era extremamente difícil.

Cada conto vendido ajudava a sustentar sua vida cotidiana.


Howard Influenciou Quase Tudo

É difícil listar todos.

Mas encontramos sua influência em:

Dungeons & Dragons.

Warhammer.

Magic The Gathering.

Diablo.

The Witcher.

Elden Ring.

Dark Souls.

Berserk.

Record of Lodoss War.

Goblin Slayer.

Dragon's Dogma.

Skyrim.

Conan Exiles.

Pathfinder.

Praticamente toda fantasia de espada e feitiçaria moderna carrega algum traço de Howard.

Até mesmo muitos mangás e animes inspirados em fantasia medieval herdaram elementos que ele ajudou a consolidar: heróis errantes, reinos decadentes, ruínas de civilizações antigas e a mistura de aventura com horror cósmico.


Howard e Lovecraft

Os dois são frequentemente comparados.

Mas escreviam coisas completamente diferentes.

Lovecraft dizia:

O homem é insignificante diante do universo.

Howard dizia:

Mesmo diante de um universo hostil...

o homem ainda pode lutar.

Essa diferença explica Conan.

Explica Kane.

Explica Kull.

Howard acreditava na capacidade humana de reagir.


A Maior Lição para um Programador COBOL

Existe um motivo pelo qual Howard continua relevante quase cem anos depois.

Ele nunca escreveu pensando apenas na moda do momento.

Escreveu sobre:

coragem;

medo;

civilização;

mudança;

liderança;

ambição;

queda;

renascimento.

Esses temas nunca envelhecem.

O mesmo acontece com COBOL.

Linguagens mudam.

Frameworks aparecem e desaparecem.

Ferramentas recebem novos nomes.

Mas sistemas críticos continuam precisando de:

clareza;

confiabilidade;

resiliência;

manutenibilidade.

São princípios permanentes.


Curiosidades que Pouca Gente Conhece

Conan nunca encontrou Kull

Apesar de viverem no mesmo universo fictício, suas épocas são separadas por milhares de anos.


Howard praticava boxe

Seu interesse pelo esporte influenciou profundamente a maneira como descrevia combates: diretos, físicos e convincentes.


A correspondência de Howard é gigantesca

Suas cartas são consideradas uma fonte preciosa para entender seu processo criativo e sua visão sobre história e literatura.


A Era Hiboriana possui cronologia própria

Howard escreveu uma cronologia relativamente detalhada para manter consistência entre suas histórias, algo muito semelhante ao cuidado de manter uma arquitetura coerente em um sistema de grande porte.


O Verdadeiro Legado

Quando pensamos em Robert E. Howard, é fácil imaginar apenas um escritor de aventuras.

Isso seria uma enorme injustiça.

Ele foi um engenheiro de imaginação.

Construiu universos completos.

Projetou arquiteturas narrativas.

Definiu regras.

Criou padrões.

Produziu documentação.

Depois implementou centenas de histórias sobre essa base.

É exatamente o trabalho de um grande arquiteto de software.


Conclusão – O Arquiteto Invisível da Fantasia

Existe uma curiosa semelhança entre Robert E. Howard e os grandes profissionais de mainframe.

Ambos raramente recebem o reconhecimento proporcional ao impacto de seu trabalho.

Milhões de pessoas utilizam diariamente sistemas escritos em COBOL sem jamais saber quem desenvolveu aquelas aplicações. Da mesma forma, milhões assistem a filmes, jogam RPGs, leem mangás ou exploram videogames inspirados na fantasia heroica sem perceber que muitas das ideias fundamentais nasceram na mente de um jovem escritor texano.

Howard não apenas criou personagens inesquecíveis. Ele estabeleceu uma forma de construir mundos. Sua metodologia de planejamento, coerência histórica, geografia, política e cultura lembra a criação de uma arquitetura corporativa robusta, na qual cada componente possui uma função clara e faz sentido dentro do conjunto.

Conan ensinou coragem.

Kull ensinou liderança.

Solomon Kane ensinou investigação.

Mas o próprio Robert E. Howard ensinou algo ainda maior: antes de existir uma grande aplicação, precisa existir uma grande arquitetura.

No desenvolvimento de software, isso significa projetar antes de codificar.

Na literatura, significou construir um universo antes de escrever a primeira aventura.

Talvez seja por isso que, quase noventa anos após sua morte, suas histórias continuem vivas. Porque elas foram erguidas sobre fundamentos sólidos, assim como os melhores sistemas COBOL que ainda sustentam bancos, governos, seguradoras e empresas ao redor do mundo.

No fim das contas, Robert E. Howard nunca foi apenas um escritor.

Foi o arquiteto-chefe de uma plataforma criativa que continua sendo executada em produção pela imaginação da humanidade, release após release, geração após geração — um verdadeiro sistema legado de excelência, sem previsão de descontinuação.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988