sábado, 29 de dezembro de 2018

Brasil 2018: quando o sistema foi reiniciado à força e ninguém leu o README

 


Brasil 2018: quando o sistema foi reiniciado à força e ninguém leu o README

Meu quinto ano de volta ao Brasil foi 2018. Se 2017 tinha sido o ano do cansaço, 2018 foi o ano do susto. Aquele momento em que alguém, exausto de ver o sistema falhar, decide reiniciar tudo no grito — sem diagnóstico completo, sem plano de contingência, sem saber exatamente o que será perdido no processo.

Depois de doze anos na Europa, eu já reconhecia esse padrão. Vi versões parecidas em outros lugares: quando a política falha por tempo demais, o medo vira argumento, e o argumento vira arma.

Economia: estabilidade de papel, insegurança real

Economicamente, 2018 parecia estável apenas nos relatórios. O chão continuava irregular. Empregos mais frágeis, renda achatada, informalidade disfarçada de empreendedorismo. Era como rodar um sistema que não cai mais, mas também não entrega desempenho.

Para quem viveu fora, o contraste seguia brutal: na Europa, crise vem com proteção mínima. No Brasil, a lógica parecia outra — o sistema se preserva, o usuário se adapta. A economia seguia deixando rastros, não caminhos.

O brasileiro já não planejava. Administrava danos.

Sociedade: medo como política pública informal

Socialmente, 2018 foi dominado pelo medo. Medo do outro, medo do colapso, medo de perder o pouco que restava. As eleições amplificaram isso. A política deixou de ser espaço de projeto coletivo e virou campo de batalha emocional.

Bolsonaro emergiu não apenas como candidato, mas como sintoma. Para quem voltou da Europa, o padrão era reconhecível: discurso simples, soluções duras, nostalgia de ordem, promessa de força. O “terror da direita” não era só retórico — era a normalização do autoritarismo como resposta ao caos.

Quando o sistema falha demais, alguém sempre promete apertar o botão vermelho.

Cultura: o fim da nuance

Culturalmente, 2018 matou a nuance. Tudo virou rótulo. Ou você estava “dentro” ou “fora”. A complexidade foi tratada como defeito moral. O diálogo virou fraqueza. A dúvida virou crime.

Para quem passou anos em sociedades onde discordar não rompe laços automaticamente, foi doloroso assistir à dissolução do espaço comum. Arte, humor, conversa de bar — tudo contaminado por tensão política constante. O país parecia rodar em high availability, mas com latência emocional altíssima.

População: sobrevivendo em modo defensivo

O povo em 2018 já não reagia — se defendia. As pessoas se fecharam em bolhas, em narrativas próprias, em pequenos círculos de confiança. Vi gente boa se calar para evitar conflito. Vi outras gritarem para não desaparecer.

O brasileiro, resiliente como sempre, seguiu em frente. Mas agora com armadura. E armadura pesa.

Eleições: quando o sistema escolhe o risco

As novas eleições não foram um debate sobre futuro — foram um plebiscito sobre frustração. Bolsonaro venceu não porque apresentou um projeto consistente, mas porque encarnou a negação de tudo que estava aí. Foi um voto de ruptura, não de construção.

Como ex-imigrante, a sensação foi clara: o Brasil escolheu rodar uma versão experimental do sistema em produção. Sem testes suficientes. Sem rollback confiável.

Veteranos de mainframe sabem: isso nunca termina bem.

Vida pessoal: o colapso e o recomeço

E enquanto o país passava por sua própria ruptura, minha vida pessoal também atravessava um cutover. 2018 marcou o fim da Juliana e o início da Ana Paula. Não como metáfora política barata, mas como sincronia estranha entre o macro e o micro.

O fim de um ciclo longo, conhecido, já desgastado. O início de algo novo, incerto, mas necessário. Assim como o país, eu estava cansado de remendos. Precisava de verdade, não de estabilidade artificial.

Às vezes, o sistema pessoal também precisa cair para ser reconstruído com mais honestidade.

Quinto ano pós-retorno: sem ilusões

Em 2018, já não havia ilusão alguma. Nem sobre o Brasil, nem sobre mim mesmo. Eu já não esperava normalidade europeia nem redenção automática brasileira. Entendi que tinha voltado para um país em disputa profunda — de narrativa, de valores, de futuro.

O sistema seguia ligado, sim. Mas agora sob nova administração, com operadores dispostos a sacrificar segurança em nome de controle, e usuários divididos entre esperança desesperada e medo resignado.

Epílogo: lição dura de sistemas críticos

2018 ensinou uma das lições mais antigas de qualquer ambiente complexo:
quando a frustração substitui o projeto,
qualquer solução parece aceitável —
até que o custo aparece.

O Brasil de 2018 não escolheu um caminho claro.
Escolheu um risco.

E todo operador experiente sabe:
reiniciar um sistema sem entender por que ele falhou
é a forma mais rápida de repetir o erro —
só que com consequências maiores.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

🔥 CICS TS 5.5 — O CICS que Chegou para Misturar Linguagens, Node.js e APIs Modernas

 

Bellacosa Mainframe anuncia o CICS 5.5

🔥 CICS TS 5.5 — O CICS que Chegou para Misturar Linguagens, Node.js e APIs Modernas



☕ Midnight Lunch em dezembro de 2018 — a versão que virou referência

Se o CICS TS 5.4 trouxe suporte sólido a Java EE e APIs assíncronas, o CICS TS 5.5 fez algo maior: converteu o CICS em uma plataforma verdadeiramente mixed-language, oficialmente abrindo as portas não só para Java, mas também para Node.js, GraphQL, segurança forte, melhores ferramentas de gestão e integração com o mundo moderno.

📌 Em 2018, o CICS deixou de ser “servidor transacional legado” e virou hub de aplicações corporativas modernas.


📅 Datas de marca

📌 Data de Lançamento (GA): dezembro de 2018
📌 Fim de Vida (EOS): CICS TS 5.5 já passou por ciclos de suporte padrão e hoje muitos sites operam em versões posteriores (5.6, 6.x).

💬 Bellacosa comenta:

“5.5 é o release que diz ‘vem com tudo’ para linguagens que não sejam só COBOL e Java — e ele não disse isso timidamente.”


CICS 5.5

🆕 O que há de novo nas entranhas do CICS 5.5

🟡 Suporte oficial a Node.js

Agora o CICS pode hospedar aplicações Node.js diretamente — sem encanação, sem plugin extra — abrindo caminho para arquiteturas full stack modernas rodando no mainframe.
💬 Bellacosa:

“Antes era Java, depois era JSON… agora é asynchronous JavaScript you can call from TN3270 to Web.”


🟡 Enhancements no CICS Explorer

O CICS Explorer ficou ainda mais capaz e produtivo, com visualizações ampliadas, melhores gráficos de dependências e interfaces que facilitam desde a configuração até a análise de métricas.
📌 Uma IDE CICS amigável que reduz aquele medo clássico do terminal 3270.


🟡 GraphQL API integrado

Uma API moderna que permite consultar relações de recursos CICS — ícones, vínculos de workload, Estados de containers, topologia — com consultas expressivas e instantâneas.
🐣 Easteregg: GraphQL no mainframe? Parece coisa da nuvem… mas é real e é útil aqui!


🟡 Segurança reforçada

✔ Default mínimo TLS elevado para 1.2
✔ Keyrings compartilháveis entre regiões
✔ Novos parâmetros de senha e phrases
✔ Suporte SNI em conexões HTTP
💬 Bellacosa:

“Segurança hoje não é detalhe — é exigência regulatória e 5.5 entendeu isso.”


🟡 Desempenho e Performance

✔ Acesso threadsafe às tabelas de coupling facility
✔ Buffers 64-bit para clientes web
✔ CICS-MQ bridge e trigger monitor melhorados
📌 Performance não é só mais rápido — é mais estável, resiliente e observável.


🟡 Linguagens & Runtime Modernos

✔ Node.js
✔ Java EE 8 / Jakarta EE
✔ Spring Boot chamável via LINK
✔ Mapas e containers exploráveis por EXCI
💬 Bellacosa comenta:

“Aqui o mainframe diz: ‘Scripts também têm lugar na festa’.”


🧠 Melhoria contínua e APARs

O CICS TS 5.5 também coleta APARs de entrega contínua, incluindo melhorias em:

  • JWT e OpenID Connect (OIDC) no Liberty JVM server

  • XML e JSON mapping levels avançados

  • Enhanced policy rule types

  • Db2 thread management

  • GraphQL, enhanced inter-resource relationships

Esses ajustes mostram uma filosofia de evolução sem precisar esperar uma nova major release.


🧠 Curiosidades e Eastereggs Bellacosa

🍺 Compuware e suporte Day One — ferramentas como CAFC deram suporte já no dia do lançamento, o que é sinal claro de parceria e maturidade do ecossistema.
🍺 Node.js e CICS — você pode ter aplicações JS servindo dados corporativos direto do mainframe.
🍺 GraphQL — no universo tradicional, consultas eram pesadas e verbosas; aqui são expressivas e rápidas.


🧪 Exemplo prático — “O Portal que Nasceu no Mainframe”

Uma empresa de seguros tinha:

  • Back-end em COBOL + DB2

  • APIs REST servindo clientes móveis

  • Uma camada Web pesada em Linux

Trasnformação com CICS TS 5.5:

  1. Subiram serviços Node.js rodando em CICS

  2. Configuraram GraphQL para consultar recursos e estados

  3. Integraram APIs modernas com JSON direto dos programas tradicionais

  4. Liberaram dashboards internos sem precisar de middlewares extras

💬 Bellacosa resume:

“De servidor transacional para hub de APIs e serviços mistos — tudo em uma só plataforma.”


🧠 Dicas Bellacosa para Explorar o 5.5

✔ Aproveite Node.js para novas aplicações sem descartar legado.
✔ Amarre GraphQL para inspeções profundas de recursos.
✔ Reforçe TLS, criptografia e keyrings compartilháveis para segurança corporativa.
✔ Use CICS Explorer e atualize para as versões mais novas para visualizar métricas completas.


🎯 Conclusão Bellacosa

CICS TS 5.5 não foi apenas um release.
Foi o ponto onde o mainframe se rebelou contra a estagnação e gritou: “Eu sou moderno, escalável, seguro e ágil!”

✔ Node.js prático
✔ GraphQL explorável
✔ JVM / Java EE atualizado
✔ Segurança reforçada
✔ APIs modernas

🔥 5.5 é o CICS que prova — transacional e moderno podem andar de mãos dadas.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

🥛 Yakult — o probiótico que conquistou o Brasil antes da internet

 


🥛 Yakult — o probiótico que conquistou o Brasil antes da internet

Por Vagner Bellacosa ☕ — El Jefe Midnight Lunch Edition




Se existe um líquido que atravessou gerações, refrigeradores e lancheiras, esse é o Yakult — o elixir branco-leitoso que promete saúde intestinal, disciplina japonesa e uma dose diária de nostalgia.
Mas por trás daquela garrafinha de 80 ml há uma história que mistura ciência, guerra, fé na biotecnologia e o mais eficiente sistema de distribuição já criado: as Yakult Lady.




🧫 Origem: o bacteriólogo que queria curar o mundo pelo intestino

Tudo começa no Japão dos anos 1930, quando o cientista Minoru Shirota, formado na Universidade Imperial de Kyoto, desenvolveu o Lactobacillus casei Shirota — uma cepa resistente de bactéria boa, capaz de sobreviver ao ácido estomacal e chegar viva ao intestino.
Shirota acreditava que a saúde começava pelo intestino, e que equilibrar a flora intestinal significava fortalecer o corpo todo.
Nascia ali o conceito de “Yakult”, do termo jah-keruto, uma adaptação de “jahurto”, que vem do turco yoğurt — iogurte.

Mas Shirota foi além do laboratório:

Ele não queria vender leite fermentado. Queria vender esperança líquida em tempos de escassez e guerra.




🚴‍♀️ A Yakult Lady — o marketing mais humano do Japão

Nos anos 1950, a Yakult criou algo revolucionário: um exército feminino de distribuição porta a porta.
As “Yakult Lady” — mulheres de uniforme, bicicleta e sorriso treinado — se tornaram ícones urbanos do Japão.
Levavam Yakult nas casas, nos escritórios, nos hospitais, criando vínculo direto com o consumidor.

Quando o modelo chegou ao Brasil em 1968, funcionou como um relógio suíço tropicalizado:
No calor paulistano, entre pães na chapa e sucos de laranja, lá vinha ela — a moça do Yakult — com sua caixa de isopor e o líquido milagroso da infância.
E o Brasil se apaixonou.


🇧🇷 O Yakult brasileiro — sabor de infância e disciplina japonesa

O Yakult chegou oficialmente ao Brasil em 1966, com a primeira fábrica em São Bernardo do Campo (SP).
Nos anos 1970 e 1980, a bebida virou sinônimo de saúde e “comida de criança bem cuidada”.
Comercial icônico, musiquinha chiclete e embalagem inconfundível — o Yakult era o firmware do café da manhã infantil.

E, curiosamente, o sabor brasileiro é diferente do japonês: mais doce, mais suave e um pouco menos ácido, adaptado ao paladar tropical.
Enquanto o japonês é mais “médico”, o nosso é mais “afetivo”.


⚙️ Curiosidades dignas de laboratório Bellacosa:

  • 🧬 O Lactobacillus casei Shirota é uma das cepas mais estudadas do mundo: sobrevive a 10⁹ células por dose!

  • 🍼 A garrafinha de 80 ml é padronizada desde 1955 — um design pensado para ser consumido em três goles exatos, e caber na mão de uma criança.

  • 🌎 O Yakult é vendido em mais de 40 países, mas só no Brasil existe uma versão de 100 ml, criada “porque o brasileiro gosta de repetir o gole final”.

  • 🚲 Há mais de 40 mil Yakult Ladies no mundo, 10 mil só no Brasil.

  • 🧊 Muitos brasileiros bebem Yakult geladíssimo — erro clássico. O ideal é temperatura ambiente, onde as bactérias estão mais ativas.


Bellacosa comenta:

O Yakult é o CICS da nutrição: roda invisível, estável e há décadas sustentando o sistema sem ninguém perceber.
Enquanto refrigerantes vieram e foram, o Yakult manteve uptime de 99,999%, com interface simples e performance constante.

O sabor?
Uma mistura de ciência japonesa, açúcar paulista e carinho de infância.
Beber Yakult é tipo rodar um job JCL de memória afetiva: três goles, e tudo volta ao normal.


💡 Dica do El Jefe Midnight Lunch:

Abra um Yakult gelado numa madrugada de trabalho, sente-se no escuro e ouça o som da tampa estalando.
É o som da infância te dizendo:

“Calma. Ainda dá tempo de consertar o mundo — comece pelo intestino.”

domingo, 9 de dezembro de 2018

Cortejo Elesbão Vive o crime o auto a fuga e a execução de um escravo na Campinas colonial. Parte Ii

O jovem sinhozinho foi morto com requintes de crueldade. Apos muita tortura dois escravos foram acusados pelo crime, julgados foram enviados a Sao Paulo de onde fogem, apos a captura um deles foi enforcado. 

ELESBÃO continua foragido por dois anos, uns dizem que escondido em Itatiba no Quilombo de Brotas outros que foi ao interior. Por fim foi capturado perto de seu antigo lar, enviado ao campo da forca no largo de Santa Cruz, acampamento de quarentena de escravos... foi enforcado e martirizado. 

Mas nossa historia nao termina assim, servindo para curar antigas feridas e incentivar a integracao entre os povos, valorizando a memoria, a cultura e a hamonia entre os povos.

#Campinas #teatroamador #elesbao #elesbantho #elesbaovive #historia #afro #escravo #julgamento


sábado, 8 de dezembro de 2018

Cortejo Elesbão Vive o crime o auto a fuga e a execução de um escravo na Campinas colonial

Primeira parte.

Temos os primordios da historia de Campinas com os bandeirantes invadindo o interior, seguindo os caminhos de peabiru chegam a Mato Grosso de Goias em aprasiveis campinas para capturar indios e procurarem riquezas naturais. 

Passamos pela fundação da vila, os primeiros habitantes, a elevacao, as primeiras eleicoes, a cana de acucar e o primeiros engenhos a chegada dos escravos africano, o ouro verde, ou seja o cafe e as senzalas. 

Por fim chegamos ao assassinato do Sinhozinho. Com a dor de uma mae que perdeu seu filho de maneira tão cruel... a perseguicao aos escravos... com diversas cenas cotidiano da Campinas colonial. Estamos na praca Bento Quirino o local onde surgiu e cresceu esta bela cidade.

#Campinas #teatroamador #elesbao #elesbantho #elesbaovive #historia #afro #escravo #julgamento


O auto de Elesbão... preparativos do Cortejo caminho pelo centro de Campinas.

Estamos no Centro de Campinas com o grupo Elesbantho partindo do antigo predio Museu da Cidade e caminhamos rumo a Praca Bento Quirino. Apregando ao povo a peça que sera exibida em breve.

E todos muitos animados cantam e batem palmas caminhando pelas ruas da cidade. Estamos no Centro de Campinas com o grupo Elesbantho partindo do antigo predio Museu da Cidade e caminhamos rumo a Praca Bento Quirino.

E todos muitos animados cantam e batem palmas caminhando pelas ruas da cidade. Estamos no Centro de Campinas com o grupo Elesbantho partindo do antigo predio Museu da Cidade e caminhamos rumo a Praca Bento Quirino.

E todos muitos animados cantam e batem palmas caminhando pelas ruas da cidade. Passamos pela Estaçao Ferroviaria, pelas diversas ruas, pela Catedral e rumamos para o antigo nucleo urbano da Vila de Sao Carlos.

No proximo video apresento alguns momentos da peca que seguiu rumo ao largo de Santa Cruz

#Campinas #teatroamador #elesbao #elesbantho #elesbaovive #historia #afro #escravo #julgamento


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A História da Censura: do Shogunato aos Streamings

 


A História da Censura: do Shogunato aos Streamings

A censura não nasceu com a internet nem com o anime. Ela é tão antiga quanto o próprio medo do pensamento livre. Mas o Japão e o Ocidente trilharam caminhos bem diferentes até chegar na mesma conclusão: o poder de uma ideia é o que mais assusta quem tem poder.


🏯 Japão Feudal – o início do controle simbólico

Durante o período Tokugawa (1603–1868), o Japão vivia sob um regime militar e profundamente hierarquizado.
A arte, o teatro kabuki e até os livros eram rigidamente supervisionados.

  • Obras que retratassem sensualidade, crítica social ou zombassem de samurais eram proibidas.

  • Havia censura até para certos penteados e roupas que indicavam rebeldia.

  • Curiosidade: o governo chegou a proibir ilustrações de beijos, pois eram “indecorosas” — algo que influenciou o modo como o romance é mostrado nos animes até hoje.

Essa forma de censura moldou uma estética japonesa discreta e simbólica: insinuar virou arte.
A sensualidade e a crítica passaram a se esconder em metáforas e gestos sutis.


📜 Era Meiji e Segunda Guerra – o nacionalismo molda o discurso

Com a modernização do Japão no fim do século XIX, veio a censura ideológica.
Durante o período imperial e a Segunda Guerra Mundial, tudo que não servia ao orgulho nacional era suprimido.

  • Filmes, livros e até canções tinham que reforçar o espírito japonês.

  • O anime Momotaro: Umi no Shinpei (1945) foi o primeiro longa de animação japonês — e também uma obra de propaganda militar.

Curiosidade Bellacosa:
Os animadores que fariam Astro Boy anos depois aprenderam sua arte… criando desenhos para o exército.


💥 Pós-Guerra – o renascimento sob censura americana

Após a derrota, o Japão foi ocupado pelos EUA (1945–1952).
Agora, a censura mudou de dono.
Os americanos proibiram referências militaristas, nacionalistas ou antiocidentais — mas, curiosamente, permitiram erotismo e comédia, contanto que não houvesse crítica política.

Foi o nascimento da cultura manga-anime moderna.
Os artistas aprenderam a usar humor, ficção científica e fantasia como escudo para falar de coisas sérias.
👉 Astro Boy, Akira e Evangelion são filhos diretos dessa herança: críticas sociais disfarçadas de ficção.


🌍 Ocidente – censura moral e midiática

Enquanto isso, na Europa e nos EUA, a censura seguiu outro caminho: o moralismo.

  • Nos anos 1930, o Código Hays de Hollywood impedia beijos longos, saias curtas e qualquer referência sexual.

  • Nos anos 1950, os Comics Code Authority proibiram sangue, terror e política nos quadrinhos.

  • E na TV dos anos 80–90, desenhos precisavam ser “educativos” e “seguros” para as crianças.

Quando o anime chegou ao Ocidente, ele bateu de frente com essa barreira moral.
O choque cultural foi inevitável.


🎥 Era dos Streamings – liberdade com vigilância

Hoje, a censura mudou de forma.
Ninguém mais queima livros ou corta fitas — agora, os algoritmos escolhem o que você vê.
Plataformas decidem o que é “adequado” para sua região, faixa etária ou “sensibilidade”.
E o curioso é que, muitas vezes, a censura vem disfarçada de preocupação social ou correção política.

Ou seja:

“Não estamos censurando — estamos te protegendo.”

Soa familiar, não?
A velha lógica paternalista, apenas com filtros digitais.


☕ Comentário Bellacosa

O Japão aprendeu a falar o indizível com poesia.
O Ocidente aprendeu a vender o proibido com moralidade.
E o público moderno vive entre esses dois extremos — o da expressão simbólica e o do controle invisível.

Censura, no fundo, é uma batalha entre quem confia na maturidade humana e quem acredita que somos frágeis demais para pensar sozinhos.


💡 Dica Bellacosa Final:
Assista seus animes na versão original, leia as notas de tradução e pesquise o contexto histórico.
Entender o que foi cortado — e por quê — é um ato de liberdade intelectual.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

🧠💾 MENTE LIMPA, CÓDIGO CLARO — O MANUAL BELLACOSA PARA REINICIALIZAR A CABEÇA

 


🧠💾 MENTE LIMPA, CÓDIGO CLARO — O MANUAL BELLACOSA PARA REINICIALIZAR A CABEÇA


por Bellacosa Mainframe – edição El Jefe Midnight


Tem dias em que o cérebro parece um mainframe sem JES2, tudo travado, fila cheia, job encavalado e o raciocínio rodando em low priority.
A mente vai ficando cheia de spools não impressos, datasets corrompidos e aquele zumbido interno que não deixa o silêncio acontecer.

É aí que a gente percebe: não é falta de tempo, é falta de reboot.


💭 1. CLEAR MEMORY – Esvazie o buffer mental

Antes de tentar resolver o mundo, feche os olhos e desligue o terminal interno.
Respiração é o comando mais subestimado do ser humano.
Três respirações profundas, lentas, conscientes, e você literalmente reseta o processador límbico.
É o equivalente a limpar o cache do cérebro.

“Quem respira bem, compila melhor.”




☕ 2. PAUSE JOB – Permita-se não produzir

Há dias em que o sistema precisa rodar só o idle task: olhar o céu, escutar o vento, deixar o pensamento flutuar.
O ócio consciente não é preguiça, é defrag mental.
Ele realinha os blocos de ideias e abre espaço para o novo.

Bellacosa Tip:

Tome um café sem celular por perto. Observe o vapor subindo. Isso é meditação disfarçada de pausa.




💡 3. RUN ANALYSIS,MODE=HONEST

Às vezes, o travamento da mente vem de processos ocultos — angústias, mágoas, preocupações não resolvidas.
Rodar uma análise interna é encarar o job log emocional sem medo.
Não para julgar, mas para entender o que ainda está preso em memória.

Clareza mental nasce da coragem de olhar para dentro sem abrir exceções.


🔄 4. REFRESH SYSTEM – Mude o ambiente, mude o código

Se a cabeça travou, troque o cenário.
Saia para caminhar, mude o fundo de tela, reorganize a mesa, acenda um incenso, coloque uma trilha sonora nova.
O cérebro é sensível a contexto — às vezes, um simples shift ambiental libera novas sinapses.


🌙 5. SHUTDOWN GRACEFULLY

Descansar é parte do processamento.
Não dormir direito é como deixar jobs rodando em loop infinito: você acha que está ativo, mas só está gastando CPU.
Sono é a manutenção noturna da alma — onde o sistema limpa logs, consolida aprendizados e libera espaço no disco emocional.


🌅 6. ENJOY OUTPUT

A vida não é só input.
A gente passa tanto tempo processando dados, sentimentos e metas, que esquece de imprimir o resultado.
Ria. Ame. Compartilhe. Dance. Conte boas histórias.
São esses os outputs que fazem o sistema humano valer a pena.


🧘‍♂️ Epílogo Bellacosa

Cuidar da mente é mais do que terapia, meditação ou descanso.
É aprender a conversar com o próprio sistema operacional.
Saber quando pausar, quando executar, quando cancelar, e quando apenas observar o cursor piscando em paz.

“Quem aprende a dar um STOP e um START com consciência, vive em modo online, mas com alma em batch.”

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Por que proíbem ou censuram cultura?

 


Por que proíbem ou censuram cultura?

A censura quase nunca nasce de um único motivo. Ela é o resultado da soma entre medo, controle e moralidade social.
Quando um dirigente, governo, ou mesmo uma emissora decide proibir algo, geralmente há três justificativas principais (mesmo que disfarçadas):

  1. Proteção simbólica da sociedade

    • O argumento clássico é: “precisamos proteger as pessoas, especialmente crianças e jovens, de conteúdo inapropriado”.

    • A ideia é paternalista — assume que o público é frágil e incapaz de interpretar criticamente o que vê.

    • Curiosidade histórica: na Idade Média, a Igreja controlava o que podia ser lido. No século XX, governos controlavam o que podia ser dito. Hoje, plataformas controlam o que pode ser mostrado.

  2. Controle político e ideológico

    • Censurar cultura é uma forma de manter narrativas sob controle.

    • Um anime que fala de rebeldia, pensamento crítico ou sexualidade pode ser visto como “ameaça à ordem”.

    • Exemplos: temas de identidade, gênero, questionamento de autoridade — tudo isso costuma incomodar quem vive de manter o poder.

  3. Pressão econômica e moral do público

    • Às vezes, não é o governo, mas o mercado.

    • Grandes empresas, temendo boicotes ou polêmicas, preferem suavizar ou eliminar cenas que possam gerar reações negativas.

    • Ou seja: censuram não por ideologia, mas por medo de perder dinheiro.


Então... o público é frágil?

Não necessariamente.
A censura parte do pressuposto de que as pessoas não têm maturidade para lidar com certas ideias — o que é uma forma disfarçada de subestimar o público.

Mas, ironicamente, isso gera o efeito oposto:
🔹 O público não amadurece, porque nunca é exposto ao contraditório.
🔹 A cultura perde profundidade, porque só o “seguro e vendável” é permitido.
🔹 E o artista perde a liberdade de provocar, questionar e inspirar.


A visão Bellacosa da coisa

A cultura — seja um anime, um livro ou uma música — não é feita para confortar, mas para despertar.
Quando alguém te impede de ver algo “para o seu bem”, o que estão dizendo é:

“Não confiamos que você saiba pensar sozinho.”

Censura é sempre um sinal de desconfiança na inteligência coletiva.
E o antídoto contra ela é simples (mas poderoso): educação crítica e curiosidade.
Quem pensa por si mesmo não precisa de censores — só de contexto, debate e informação.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

In memoriun Vereador - LIA DE ARAÚJO OLIVEIRA MARCHI

Vereador - LIA DE ARAÚJO OLIVEIRA MARCHI - PPB - PPB

Eleita Vereadora pela legenda do PMDB, nas eleições 15/11/1982, com 545 votos, para um mandato de 6 anos. Tomou posse no dia 01/02/1983.

Eleita Vereadora pela legenda do PDS, nas eleições 15/11/1988, com 398 votos, para um mandato de 4 anos. Tomou posse no dia 01/01/1989, tendo sido escolhida para 1ª Vice-Presidente da Mesa Diretora, para os exercícios de 1989/1990.

Eleita Presidente da Mesa Diretora para o exercício de 1991.

Eleita 3ª Suplente de Vereadora pela legenda do PPB, nas eleições 03/10/1996, com 476 votos, tendo assumido a vereança em 29/09/1999, por um período de 08 dias, em substituição ao Vereador Sebastião Mantovani.

Legislaturas

DescriçãoData InícioData TérminoPartidoVotosCargo
9ª Legislatura02/02/198331/12/1988PMDBTitular
10ª Legislatura01/02/198931/12/1992PDSTitular

Proposituras

Tipo19911992Total
Projetos de Lei213
Total


Projetos de Lei (3)

Nº 88/1992 - 09/12/1992 - DISPÕE SOBRE DENOMINAÇÃO DE VIA PÚBLICA - ANTINESCHA PRAVATO TRAUZOLA, NO LOTEAMENTO RESIDENCIAL FLAMBOYANT
Nº 89/1991 - 14/10/1991 - DISPÕE SOBRE DENOMINAÇÃO DE VIA PÚBLICA. OVÍDIO NUNES DA COSTA, NA VILA BRASILEIRA

Nº 70/1991 - 27/08/1991 - DISPÕE SOBRE DENOMINAÇÃO DE VIAS PÚBLICAS - RUA ANTONIO BENEDETTI, LUIZ ANTONIO VICENTINI, NO NÚCLEO RES. PORTO SEGURO

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Lia Araújo


Poesias



Eu ainda existo, sabia?

Ainda sou alegre, até moleca,

sei rir, contar piadas, continuo sapeca,

me iludo e vivo uma fantasia.



Como vê, não mudei.

Continuo a mesma mulher

que quando quer, sabe o que quer

as vezes... impossivel... bem sei.



Se me abalo com uma adversidade

lembro-me do pacto de fidelidade

que uma verdadeira amizade supõe.



O espaço , o tempo são ultrapassados

e meus dias continuam despreocupados...

como Deus quizer... como a vida me 

impõe.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

🕊️ Origami Tsuru — A Lenda do Milagre de Papel: Quando um Dobrar Significa Esperança 🕊️

 


🕊️ Origami Tsuru — A Lenda do Milagre de Papel: Quando um Dobrar Significa Esperança 🕊️
Por El Jefe, direto do Bellacosa Mainframe Universe


Se tem uma coisa que o Japão faz como ninguém, é transformar o simples em sagrado.
E nenhum símbolo expressa isso tão bem quanto o origami tsuru (折り鶴) — o famoso grou de papel, dobrado com devoção, esperança e uma pontinha de mágica ancestral.

Não é só um enfeite, nem apenas uma dobradura.
O tsuru é praticamente um Hello World espiritual do Japão: simples, elegante e cheio de significado oculto.


🏮 A Origem: O Voo do Grou Eterno

A palavra origami vem de 折る (oru, dobrar) e 紙 (kami, papel).
Mas o tsuru tem história muito mais antiga.

Na cultura japonesa, o tsuru (grou) é uma ave sagrada, símbolo de longevidade, fidelidade e boa sorte.
Diz a lenda que o grou vive mil anos, e por isso, quem dobrar mil tsurus terá seu desejo realizado pelos deuses.

Essa crença ficou famosa no pós-guerra, com uma menina chamada Sadako Sasaki, vítima da bomba de Hiroshima.
Mesmo doente de leucemia, ela começou a dobrar mil tsurus para pedir a cura — e, mesmo não sobrevivendo, seu gesto virou símbolo mundial da paz e da esperança.
Hoje, há uma estátua de Sadako segurando um tsuru dourado no Parque da Paz de Hiroshima.

📜 “Este é o meu desejo: que todos os povos do mundo vivam em paz.” — Sadako Sasaki




🪶 O Significado: Mais que Papel

O tsuru não é apenas um amuleto de sorte.
Dobrá-lo é um ato meditativo, quase zen: cada vinco representa um pensamento, um pedido, uma oração.
É por isso que no Japão, origamis são usados em casamentos, nascimentos e até no Ano Novo — como votos de prosperidade.

E, sim, dobrar um tsuru “de coração” é bem diferente de seguir um tutorial do YouTube.
(O segredo está no respeito ao processo, não na perfeição da dobra.)


🎐 Curiosidades e Fofoquices Nipônicas

💡 1. Mil tsurus, um desejo:
O conjunto com 1000 dobraduras chama-se Senbazuru (千羽鶴) — e é tradicional pendurá-lo em templos ou enviar a pessoas enfermas como bênção.

💡 2. O desafio dos samurais:
Diz-se que os samurais dobravam tsurus para exercitar paciência e precisão antes de batalhas.

💡 3. Origami hacker:
No Japão moderno, engenheiros usam o conceito do tsuru para desenvolver satélites dobráveis e airbags inteligentes — engenharia inspirada na tradição.

💡 4. Casamento em papel:
Em cerimônias tradicionais, noivos trocam tsurus dourados e prateados — simbolizando fidelidade eterna (já que grous, na natureza, têm apenas um parceiro para toda a vida).

💡 5. Easter Egg Bellacosa:
Nos antigos mainframes da Fujitsu, havia um easter egg escondido num código de teste que imprimia um tsuru em ASCII art. (Sim, os devs japoneses são poetas também.)


📺 Animes que Citaram o Tsuru

🎬 Grave of the Fireflies (Hotaru no Haka) – o tsuru aparece como símbolo da inocência perdida na guerra.
🎬 Naruto – Itachi e Sasuke aparecem dobrando papéis, referência indireta ao tsuru e à tradição de desejos.
🎬 Bleach – em momentos de luto, personagens dobram pássaros de papel como oferendas.
🎬 Your Name (Kimi no Na wa) – a ideia de “destinos conectados por fios invisíveis” é inspirada na filosofia do tsuru.
🎬 One Piece – há uma personagem chamada Tsuru, símbolo da sabedoria e da calma em meio ao caos (nada é coincidência).

E claro, “Sadako and the Thousand Paper Cranes” virou filme e anime educativo — obrigatório nas escolas japonesas.


🪞 Dica Bellacosa: Dobre Seu Tsuru Digital

Quer sentir o espírito do festival?
Pegue uma folha de papel (ou um pedaço de punch card aposentado 🖨️), respire fundo, e siga as dobras.
Enquanto dobra, pense num desejo — de paz, de saúde, de amor, ou daquele abend que você quer resolver sem stress.

Se quiser ir além, há sites e apps que simulam a dobra em 3D — e até tsurus NFT (sim, o Japão também mergulhou nessa).


💭 Bellacosa Reflexão

O tsuru é um lembrete de que a delicadeza é também uma forma de força.

Dobrar mil vezes o mesmo papel é, no fundo, uma aula sobre paciência, fé e repetição com propósito — algo que todo mainframe coder entende muito bem.

Lembranças que guardo com carinho, a imagem da minha amiga Lilian Yumi, que entre uma compilação e outra de programas PLI, ou enquanto esperávamos a fila de compilação no SDSF. Ela costumava fazer origamis e teve uma época que ela começou a missão Tsuru, sua mesa começou a lotar com dezenas destes pequeninos grous.

Porque, convenhamos: compilar um COBOL sem erro também é uma forma de meditação zen. 😌


📜 Easter Egg Final:
No Japão, dizem que se você sonhar com um tsuru voando, um novo ciclo está começando.
Então, se na próxima madrugada de deploy você ver algo voando pelo data center...
Talvez não seja um bug. Pode ser sorte batendo asas. 🕊️