Mais um Natal, chegou!!!
Espero que o bom velhinho seja bem generoso e atenda os seus sonhos.
Que tenha muita paz, alegria, uma mesa bem surtida e esteja rodeado de pessoas que ama.
✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
Mais um Natal, chegou!!!
Espero que o bom velhinho seja bem generoso e atenda os seus sonhos.
Que tenha muita paz, alegria, uma mesa bem surtida e esteja rodeado de pessoas que ama.
Um inventário Bellacosa Mainframe para garantir que o cache natalino seja preenchido sem erro
Antes de encher cada meia com bombons, brinquedos e promessas, Papai Noel faz algumas verificações — não muito diferente de um sysprog conferindo um job crítico. Eis os “pontos de checagem” oficiais do Noel, em ordem de prioridade:
Ele revisa o ledger ancestral: quem foi bonzinho, quem deu sopa no gato do vizinho, quem ajudou a avó. A lista é atualizada em tempo real — pense em algo como um z/OS audit log com carimbo de data e hora.
Ele ouve: risos, conversas, abraços. O barulho de afeto pulsa mais alto que qualquer campainha. Casas com riso genuíno recebem bônus de carinho nas meias.
Se a chaminé está entupida, ele recalcula a rota (e devolve na próxima passagem). Em apartamentos sem chaminé, ele procura um cantinho discreto — por exemplo, a janela da sala com luz de Natal.
Não é só enfiar a mão: Noel confere o estado da meia — limpa, pendurada, com um bilhetinho? Uma meia bem preparada aumenta o nível de presente (e diminui o risco de sock overflow).
Cookies, leite, cenourinha para a rena — se a oferta estiver presente, ele marca multicore appreciation e deixa um agrado extra. Há quem diga que Noel tem preferências regionais: leite quente no Norte, chá em alguns lares do Leste.
Ele checa as estrelas, o vento e a rota — porque tempestade pode atrasar o cronograma. As renas têm um GPS ancestral, mas céu limpo = operação fluida.
Não é só comportamento; Noel avalia intenções: tentativas de conserto, pedidos de desculpa, esforços feitos. A boa vontade vale tanto quanto uma lista impecável.
Sim, Papai Noel tem olhos sagazes para os desejos silenciosos dos pais — paz, renda, saúde. Às vezes essas meias recebem presentes em forma de surpresa — um gesto, um bilhete, um momento.
Ele garante que ninguém acorde no processo. Silent mode ativado: passos de rena em soft-landing, saco com noise-dampening e muita experiência noturna.
Antes de ir embora, ele dá uma verificada final: se a casa tem uma necessidade urgente (um bilhete escondido, um pedido secreto), ele faz um ajuste fino. E se sobrar um pedacinho de presente? Ele deixa para o café da manhã: surpresa adicional.
Pendure a meia com cuidado (não use prego horrível; um gancho é mais elegante).
Deixe um bilhete sincero — Noel lê a intenção.
Uma bebida quentinha ajuda (e evita quedas de energia por fome das renas).
Crianças: não trapaceiem no comportamento propositadamente só para ganhar; Noel tem detector de sinceridade (outra coisa que herdou do mainframe).
Para adultos: pedir coisas como “mais tempo com a família” funciona melhor do que “mais gadgets”.
Em algumas tradições europeias, as meias são vigiadas por um santo (São Nicolau) que chega de barco ou de casa.
Em países com clima quente, as meias às vezes são trocadas por chapéus ou sapatos deixados na porta.
Dizem que se você pendura uma meia extra para alguém que já se foi, Noel às vezes deixa uma luz — um presente simbólico de lembrança.
Papai Noel ajusta sua rota conforme feriados locais — ele é um otimista multicultural.
Papai Noel olha para além do material: ele lê lista, som, símbolos, intenções e, claro, aquela meia suspensa que diz: “aqui mora alguém que acredita”.
É um processo meio técnico, meio poético — um batch de magia com checksums de afeto.
(Com história, emoção, nostalgia, curiosidades e aquele perfume de São Paulo anos 70 que não volta mais — mas vive dentro da gente.)
Ah, novembro… hoje é só o mês da Black Friday, mas nos anos 1970 ele era o pré-carregamento do firmware natalino: o momento em que a mãe abria o “repositório sagrado” no alto do guarda-roupa para retirar os enfeites de Natal. E aquilo, meu amigo, era quase um processamento MVS STARTUP inicializando a alegria do ano inteiro.
As bolinhas de vidro? Quase sempre metade quebrada.
Os enfeites de papel? Amassados como spool sem compressão.
Mas era exatamente esse inventário prévio que anunciava o verdadeiro evento:
“Vamos ter que ir à CIDADE!”
E quando a mãe dizia “CIDADE” daquele jeito pausado… irmão, aquilo era token de autoridade. Não era Penha, não era Largo do São José, não era Patriarca. Era o centro de São Paulo.
O reino proibido. O cenário cyberpunk antes do cyberpunk existir.
Vila Rio Branco → CIDADE.
Uma viagem épica de 20 km que, para nós, equivalia hoje a pegar um voo internacional.
Era pegar ônibus lotado, dividir banco, sentir o cheiro de lona quente e diesel, e observar pela janela como as casas davam lugar aos prédios e os prédios aos gigantes de concreto que seguravam o céu da Praça da Sé.
A transição era tão impactante que parecia uma troca de dataset para fita magnética:
um novo mundo carregado na memória.
E lá íamos nós:
mãe com sua bolsa que parecia o TARDIS
pai firme como CICS rodando sem TRAP
minha irmã pequena encantada
eu? O pequeno explorador, já em modo debugging da vida.
Descer no Parque Dom Pedro e seguir rumo à Rua General Carneiro era atravessar um portal mágico. Aquele corredor comercial vivo, pulsante, barulhento — um verdadeiro mainframe humano processando milhares de vidas ao mesmo tempo.
Ali existia tudo:
lojas de brinquedos com aquelas vitrines que prometiam mundos
bolas de Natal brilhando como discos IBM 3330 recém-formatados
presépios de cerâmica
girlandas clássicas de papel alumínio
bonecas, carrinhos, trenzinhos
e o cheiro…
o cheiro de caldo de cana, pastel, churrasco grego e esperança.
E nós, claro, aproveitávamos tudo.
Churrasco grego com pão murcho, rodando há horas? Delícia.
Caldo de cana extraído na hora? Néctar dos deuses.
Churros com doce de leite escorrendo? BIOS atualizada com sucesso.
Era a vida como deve ser: simples, intensa e deliciosa.
Na General Carneiro, decidir o presente natalino era uma operação de alto risco.
Quase uma transação CICS que não podia dar rollback.
Se escolhesse errado, só no ano seguinte.
Daí o pequeno Vagner analisava:
cavalo de madeira?
carrinho de lata?
revólver de espoleta?
jogo de montar?
pião colorido?
Mas o meu verdadeiro tesouro era um "FORTE APACHE" , o brinquedo que marcou minha infância e ao longo dos anos foram mais ou menos uns 6 ou mais.... amava os soldadinhos na eterna luta contra os índios, os cavalos, a carroça e o trem a vapor.
Essa escolha definia o destino lúdico de todo o ano.
Era quase um IPL de personalidade.
A vida pulsava.
As pessoas cruzavam esquinas como processos paralelos.
Os camelôs gritavam como mensagens SYSLOG.
O vento entre os prédios era mais frio, mais alto, mais vivo.
E nós éramos quatro andarilhos, quatro protagonistas daquele RPG paulistano dos anos 70, caminhando pelas ruas cheias de histórias, memórias e possibilidades.
Quem viveu sabe:
A luz do sol batendo nos prédios da Rua Direita refletia nas janelas como se fossem ornamentos gigantes de Natal.
Aquilo era magia pura.
Natural, espontânea, urbana.
E agora, décadas depois, lá está você, Bellacosa, repetindo o ritual:
montar a árvore
separar enfeites
ajustar luzes
lembrar da mãe pegando a cadeira
lembrar da emoção de ir à CIDADE
lembrar do brilho das lojas
lembrar da alegria simples que morava na rua General Carneiro.
A árvore de hoje carrega chips, LEDs, enfeites modernos…
Mas o espírito que acende tudo é o mesmo daquele menino de 1970 que via o mundo brilhar com pouco — e por isso brilhava muito.
O Natal da infância é o MVS da nossa alma:
robusto
duradouro
cheio de jobs
repleto de mensagens
com logs que revisitamos sempre que precisamos de um reboot emocional.
É a tradição que não falha.
O upgrade que não substitui — apenas aprofunda.
O sistema que nos mantém humanos diante do tempo.
E este final de semana, ao montar sua árvore, lembre-se:
você não está só montando enfeites.
Você está recompilando memórias, reinstalando afetos, inicializando a magia de novo.
E a General Carneiro inteira está ali dentro.