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COBOL em 2025: Muito Além do "Dinossauro"
O Renascimento da Linguagem que Nunca Parou de Evoluir
"Enquanto muita gente discute qual será a próxima linguagem da moda, bilhões de linhas de COBOL continuam movimentando bancos, bolsas de valores, seguradoras, companhias aéreas, hospitais e governos. A diferença é que, em 2025, esse COBOL está mais moderno do que muita gente imagina."
Introdução
Se você está começando sua jornada no IBM Mainframe, provavelmente já ouviu frases como:
"COBOL morreu."
ou
"COBOL é uma linguagem dos anos 60."
Curiosamente, quem costuma dizer isso quase nunca trabalhou em um grande banco.
A realidade é completamente diferente.
Em 2025 o COBOL vive um dos momentos mais interessantes de sua história.
Não porque a linguagem mudou completamente.
Mas porque todo o ecossistema ao redor dela evoluiu.
Hoje encontramos:
IA auxiliando programadores COBOL
VS Code integrado ao z/OS
GitHub conectado ao Mainframe
APIs REST escritas em COBOL
Containers
DevOps
Testes automatizados
Code Review
OpenTelemetry
Cloud híbrida
IBM watsonx auxiliando documentação
Análise automática de código
Ou seja...
O COBOL continua sendo COBOL.
Mas a forma de desenvolver mudou completamente.
Vamos conhecer esse novo mundo.
Antes de tudo...
Existe um enorme equívoco.
Muita gente imagina que aprender COBOL significa aprender uma linguagem antiga.
Na verdade, aprender COBOL significa aprender como funcionam os maiores sistemas do planeta.
COBOL é apenas a porta de entrada para entender:
processamento batch
processamento online
arquitetura empresarial
alta disponibilidade
consistência de dados
transações financeiras
sistemas distribuídos
integração entre plataformas
Quem aprende COBOL normalmente acaba aprendendo muito mais do que uma linguagem.
O que mudou no COBOL em 2025?
A linguagem continua extremamente estável.
E isso é uma vantagem.
Empresas gostam de estabilidade.
As novidades aparecem principalmente nas ferramentas.
As maiores mudanças são:
IBM Enterprise COBOL 6.x extremamente otimizado
As versões atuais do Enterprise COBOL geram código muito mais eficiente.
A IBM investiu pesado no compilador.
Hoje ele consegue:
otimizar loops
remover instruções desnecessárias
melhorar acesso à memória
aproveitar recursos do IBM z16 e z17
gerar código mais rápido automaticamente
Ou seja...
Mesmo programas escritos há décadas podem ganhar desempenho apenas recompilando.
Isso impressiona muita gente.
Exemplo
Antigamente:
PERFORM VARYING IDX FROM 1 BY 1
UNTIL IDX > 100000
Hoje o compilador consegue reorganizar diversas instruções internamente para gerar melhor desempenho.
O programador praticamente não percebe.
Mas o processador sim.
Novos processadores IBM Z
Outra novidade importante.
COBOL acompanha a evolução do hardware.
Os processadores IBM Z modernos possuem instruções específicas para:
operações decimais
criptografia
compressão
IA
vetorização
SIMD
O compilador sabe aproveitar tudo isso automaticamente.
Isso significa que o mesmo programa pode ficar muito mais rápido apenas executando em hardware novo.
JSON virou cidadão de primeira classe
Poucos iniciantes sabem disso.
Hoje é extremamente comum um programa COBOL conversar com aplicações web.
Por exemplo:
Sistema bancário
↓
COBOL
↓
JSON
↓
API REST
↓
Aplicativo Android
↓
Cliente.
Exemplo:
{
"cliente":"Maria",
"saldo":8500.75
}
Dentro do COBOL:
JSON GENERATE JSON-SAIDA
FROM DADOS-CLIENTE
E também:
JSON PARSE JSON-ENTRADA
INTO DADOS-CLIENTE
Não é necessário escrever um parser inteiro.
O compilador faz isso.
XML continua presente
Apesar do crescimento do JSON, muitas empresas ainda utilizam XML.
COBOL possui suporte nativo:
XML GENERATE
e
XML PARSE
Ou seja...
Integração continua sendo prioridade.
UTF-8 finalmente é rotina
Durante muitos anos, EBCDIC e ASCII eram um desafio.
Hoje o suporte a Unicode está muito melhor.
Isso facilita integração com:
Java
Python
Node.js
APIs
Cloud
IA entrou oficialmente no desenvolvimento COBOL
Esta talvez seja a maior mudança.
Hoje muitos programadores utilizam:
GitHub Copilot
IBM watsonx Code Assistant
ChatGPT
ferramentas de documentação automática
A IA consegue:
explicar programas antigos
gerar documentação
criar fluxogramas
sugerir melhorias
converter lógica
encontrar bugs
criar testes
Isso mudou completamente a produtividade.
O VS Code virou amigo do Mainframe
Antigamente:
ISPF.
Tela verde.
PF3.
PF8.
END.
SAVE.
Hoje?
Também.
Mas agora existe outra opção.
VS Code.
Com Zowe Explorer é possível:
editar programas
acessar datasets
submeter JCL
visualizar JES
consultar USS
acessar Unix
integrar Git
Tudo dentro da mesma IDE.
Para muitos padawans, isso torna o aprendizado muito mais agradável.
Git finalmente faz parte da rotina
Antigamente:
PDS.
Hoje:
GitHub + GitLab + Azure DevOps.
É cada vez mais comum encontrar pipelines que fazem:
Commit
↓
Build
↓
Compile COBOL
↓
Executa testes
↓
Deploy
↓
Produção
DevOps chegou ao Mainframe.
E veio para ficar.
APIs em COBOL
Muitos imaginam que COBOL só conversa com arquivos VSAM.
Muito longe disso.
Hoje um programa COBOL pode expor APIs REST utilizando:
z/OS Connect
CICS
IMS
MQ
HTTP Services
Exemplo:
Aplicativo solicita:
GET /cliente/123
COBOL consulta DB2.
Retorna JSON.
Pronto.
SQL está cada vez mais presente
O Embedded SQL continua evoluindo.
Exemplo:
EXEC SQL
SELECT NOME
INTO :WS-NOME
FROM CLIENTE
WHERE ID = :WS-ID
END-EXEC
Hoje os compiladores trabalham melhor junto ao Db2.
Otimizações são cada vez maiores.
COBOL conversa com Java
Sim.
E faz isso muito bem.
Em muitos projetos modernos encontramos:
Java
↓
COBOL
↓
Db2
↓
MQ
↓
APIs
Tudo integrado.
Testes automatizados cresceram muito
No passado:
Executava o programa.
Conferia saída.
Hoje:
ZUnit
COBOL Check
Frameworks internos
Pipelines DevOps
Tudo automatizado.
Isso aproxima o Mainframe das práticas modernas de engenharia de software.
Debug ficou muito melhor
Ferramentas atuais permitem:
breakpoint
inspeção de variáveis
stepping
trace
profiling
Algo impensável há décadas.
Observabilidade
Hoje também existe:
OpenTelemetry
SMF
RMF
Grafana
Dashboards
Métricas
Tracing
O Mainframe entrou definitivamente na era da observabilidade.
Segurança
O COBOL moderno trabalha naturalmente com:
TLS
OAuth
JWT
Certificados digitais
RACF
Criptografia
Hash
Algo extremamente importante em bancos.
Curiosidades
Você sabia?
Um programa COBOL escrito em 1988 pode ser recompilado hoje e continuar funcionando.
Pouquíssimas linguagens conseguem isso.
Você sabia?
Mais de 90% das transações com cartão de crédito passam por sistemas que utilizam COBOL em algum ponto da cadeia.
Você sabia?
O PIX brasileiro conversa com diversos sistemas legados escritos em COBOL.
Moderno e legado convivem perfeitamente.
Você sabia?
Existem programas COBOL maiores do que muitos sistemas completos escritos em outras linguagens.
Alguns possuem milhões de linhas.
Easter Eggs para o Padawan
Easter Egg nº 1
A instrução
EVALUATE TRUE
funciona como um poderoso switch-case.
Muitos iniciantes nunca a utilizam.
Easter Egg nº 2
As funções intrínsecas escondem dezenas de recursos.
Exemplo:
FUNCTION CURRENT-DATE
FUNCTION UPPER-CASE
FUNCTION LOWER-CASE
FUNCTION RANDOM
FUNCTION LENGTH
Vale a pena explorá-las.
Easter Egg nº 3
Nem todo COBOL usa GO TO.
Na verdade...
Nos projetos modernos quase não aparece.
Easter Egg nº 4
PERFORM INLINE costuma gerar código extremamente eficiente.
Easter Egg nº 5
Nem todo programa COBOL é Batch.
Há sistemas CICS respondendo milhares de transações por segundo.
Passo a passo para aprender COBOL em 2025
Etapa 1
Aprenda:
DIVISIONS
SECTIONS
PARAGRAPHS
Etapa 2
Domine:
IF
EVALUATE
PERFORM
SEARCH
STRING
UNSTRING
Etapa 3
Aprenda arquivos
Sequential
VSAM
Indexed
Etapa 4
Aprenda Db2
SQL Embedded.
Etapa 5
Aprenda CICS.
Etapa 6
Aprenda JCL.
Etapa 7
Aprenda TSO/ISPF.
Etapa 8
Aprenda Git.
Etapa 9
Aprenda VS Code + Zowe.
Etapa 10
Aprenda IA aplicada ao Mainframe.
Esse será um diferencial enorme nos próximos anos.
Por que aprender COBOL ainda vale a pena?
Porque existe um mercado gigantesco.
Porque faltam profissionais.
Porque os salários costumam ser competitivos.
Porque empresas investem bilhões em Mainframe.
Porque sistemas críticos não podem parar.
Porque ninguém troca facilmente um sistema financeiro consolidado.
Porque o Mainframe continua crescendo em capacidade.
Porque IA precisa de dados.
E muitos desses dados estão justamente em sistemas COBOL.
Onde aprender gratuitamente?
Existe muito material excelente.
IBM SkillsBuild
IBM Z Xplore
IBM Z Global Student Hub
Open Mainframe Project
IBM Redbooks
IBM Documentation
IBM Developer
GitHub (projetos de exemplo)
Hercules Emulator
TK4- / MVS 3.8J para estudos históricos
Zowe (ambiente moderno)
VS Code com extensões para COBOL
Cursos gratuitos e trilhas da comunidade Mainframe
Canais técnicos especializados, como o Bellacosa Mainframe, que traduzem temas avançados para quem está começando.
Uma dica valiosa é combinar teoria com prática. Leia um conceito e, logo em seguida, implemente um pequeno programa. Mesmo exemplos simples, como cálculo de média, leitura de arquivo ou atualização de registros, ajudam a fixar a sintaxe e a lógica.
Dicas de Ouro para o Padawan COBOL
Leia programas antigos: eles ensinam regras de negócio que nenhum livro explica.
Não tenha medo da tela verde. Ela ainda é uma ferramenta poderosa e muito eficiente.
Aprenda JCL desde o início. Um bom programa COBOL precisa ser executado, e o JCL faz parte dessa jornada.
Estude Db2 e CICS paralelamente. Eles aparecem na maioria dos ambientes corporativos.
Use IA como copiloto, não como piloto. Sempre valide o código gerado e procure entender a lógica.
Domine Git e DevOps. O desenvolvedor COBOL moderno trabalha em equipes multidisciplinares.
Invista em inglês técnico. Grande parte da documentação oficial da IBM está nesse idioma.
Participe de comunidades, eventos e hackathons. O networking abre portas e acelera o aprendizado.
O Futuro do COBOL
A grande surpresa de 2025 é que o futuro do COBOL não está apenas na manutenção de sistemas antigos.
Ele está na integração.
Hoje o COBOL conversa com APIs REST, microsserviços, filas de mensagens, aplicações em nuvem, inteligência artificial e plataformas de observabilidade. O desenvolvedor moderno deixa de ser apenas um mantenedor de código legado para se tornar um engenheiro capaz de conectar décadas de conhecimento de negócio às tecnologias mais recentes.
Em vez de substituir o Mainframe, as empresas estão ampliando suas capacidades. O IBM Z evolui a cada geração, incorporando recursos de aceleração para IA, criptografia, compressão e processamento massivo, enquanto o Enterprise COBOL acompanha essa evolução com compiladores cada vez mais inteligentes.
Para o programador COBOL Padawan, isso representa uma oportunidade rara: entrar em um mercado onde a demanda continua alta, os sistemas são essenciais para a economia mundial e há espaço para inovar sem abrir mão da confiabilidade.
Se existe uma lição para levar deste café no Bellacosa Mainframe, é esta:
Aprender COBOL em 2025 não significa olhar para o passado. Significa entender as fundações que sustentam o presente e participar da construção do futuro da computação corporativa. Enquanto novas tecnologias surgem todos os anos, o COBOL continua provando que uma boa engenharia nunca sai de moda — ela apenas encontra novas maneiras de evoluir.
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