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terça-feira, 15 de setembro de 2026

🕶️ DIABOLIK NO MAINFRAME — Risk Scoring Humano

 

Bellacosa Mainframe e o risk scoring humano

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🕶️ DIABOLIK NO MAINFRAME — Risk Scoring Humano

Quando o sistema deixa de perguntar “o que você fez?” e começa a perguntar “por que você deixou de se comportar como você mesmo?”

Há uma coisa que Diabolik entende melhor do que muitos sistemas antifraude.

A melhor maneira de atravessar uma porta protegida não é necessariamente arrombá-la.

É fazer com que a porta acredite que você deveria estar entrando por ela.

Máscara correta.

Documento correto.

Horário plausível.

Comportamento esperado.

Uma história suficientemente coerente.

Separadamente, cada detalhe parece normal.

E justamente aí começa nossa história.

Porque, em algum lugar dentro de uma enorme instituição financeira, existe um IBM Mainframe processando milhões de eventos e tentando responder a uma pergunta aparentemente simples:

este comportamento faz sentido para esta pessoa?

Bem-vindo ao Risk Scoring Humano.

E nosso guia será Diabolik.



🕶️ CAPÍTULO 1 — Diabolik não quer parecer Diabolik

Imagine um sistema antifraude bastante primitivo.

Sua lógica poderia ser parecida com:

IF TRANSACTION-AMOUNT > 10000
    MOVE 'HIGH-RISK' TO RISK-LEVEL
END-IF.

Funciona?

Às vezes.

Mas qualquer pessoa que conheça a regra aprende rapidamente que R$ 10.001 chama atenção e R$ 9.999 talvez não.

Esse é o problema das regras determinísticas isoladas.

Diabolik olha para isso e sorri.

Ele não precisa destruir a regra.

Precisa apenas parecer normal para ela.

Um sistema moderno precisa fazer outra pergunta:

R$ 9.999 é normal para quem está fazendo essa operação?

Para uma grande empresa, talvez seja banal.

Para uma conta que recebe R$ 1.800 por mês e nunca movimentou mais de R$ 3.000, pode ser extraordinário.

Portanto:

RISCO ≠ apenas EVENTO

Uma aproximação muito melhor seria:

RISCO =
    EVENTO
  + PESSOA
  + HISTÓRICO
  + CONTEXTO
  + RELACIONAMENTOS
  + TEMPO

É aqui que nasce o Risk Scoring Humano.



🎭 CAPÍTULO 2 — A melhor máscara é uma identidade verdadeira

Sistemas antigos frequentemente tentavam responder:

“Essa pessoa é criminosa?”

Sistemas modernos precisam responder algo mais sutil:

“Esse comportamento combina com essa identidade?”

Essa diferença é gigantesca.

João pode ser um cliente perfeitamente legítimo há quinze anos.

Recebe salário.

Paga supermercado.

Abastece o carro.

Paga escola.

Compra medicamentos.

Viaja uma vez por ano.

Seu comportamento produz uma espécie de impressão digital financeira.

Não precisamos conhecer João pessoalmente para perceber padrões.

JOÃO
│
├── salário mensal
├── supermercado
├── combustível
├── contas domésticas
├── escola
├── financiamento
└── viagens ocasionais

Nenhuma dessas informações isoladamente define João.

Mas juntas produzem seu baseline comportamental.

Agora imagine que alguma coisa muda.

Em uma semana:

JOÃO
│
├── recebe 8 transferências incomuns
├── acessa de novo dispositivo
├── muda telefone
├── realiza operação internacional
├── adiciona beneficiário
└── transfere praticamente todo o saldo

Talvez cada evento seja legítimo.

O problema é a combinação.

Diabolik conseguiu uma identidade verdadeira.

Mas ainda precisa aprender a ser João.



📸 CAPÍTULO 3 — O velho sistema guardava fotografias

Durante décadas, instituições trabalharam muito bem com fotografias cadastrais.

NOME
CPF
ENDEREÇO
RENDA
PROFISSÃO
IDADE
TELEFONE

É uma fotografia.

Ela responde:

Quem é Vagner?

Mas Risk Scoring moderno quer assistir ao filme.

08:03 login
08:04 consulta saldo
08:06 novo favorecido
08:07 alteração cadastral
08:11 transferência
08:13 segunda transferência
08:17 tentativa internacional

Agora temos comportamento.

E comportamento possui uma propriedade fascinante:

ele possui sequência.

Isso significa que:

A + B + C

pode ter significado completamente diferente de:

C + A + B

Exemplo:

troca telefone
→ cadastra dispositivo
→ transfere dinheiro

é diferente de:

transfere dinheiro
→ meses depois troca telefone

Os eventos são semelhantes.

A narrativa é diferente.



🎬 CAPÍTULO 4 — Risk Scoring transforma fotografia em filme

Vamos imaginar um cliente chamado Marco.

Durante 36 meses:

salário → conta
conta → despesas
conta → cartão
conta → investimento

Tudo relativamente previsível.

Então:

DIA 1
novo dispositivo

DIA 2
novo telefone

DIA 3
novo favorecido

DIA 3 + 4 minutos
transferência

DIA 3 + 7 minutos
segunda transferência

Um sistema baseado exclusivamente em valores pode não encontrar nada.

O Risk Engine comportamental observa:

DEVICE_RISK        +15
PROFILE_CHANGE     +10
NEW_BENEFICIARY    +20
VALUE_DEVIATION    +25
VELOCITY           +20
--------------------------------
RISK SCORE          90

Mas atenção.

Isso é apenas um exemplo didático.

Na vida real, scores podem ser produzidos por regras, modelos estatísticos, machine learning, modelos híbridos e sistemas especializados.

O conceito importante é:

sinais pequenos acumulam contexto.



🧮 CAPÍTULO 5 — O Risk Score entra em cena

Vamos criar nosso fictício:

BELLACOSA HUMAN RISK ENGINE — BHRE

Ele recebe eventos:

LOGIN
TRANSACTION
PROFILE_CHANGE
DEVICE_CHANGE
PASSWORD_RESET
BENEFICIARY_ADD
CARD_PURCHASE
PIX
TED
TRANSFER
ATM

Cada evento entra no motor.

No Mainframe poderíamos imaginar componentes como:

CICS
  ↓
COBOL
  ↓
Db2 / VSAM
  ↓
Risk Engine
  ↓
Decision

Para transações financeiras modernas, também poderíamos integrar APIs, mensageria e plataformas analíticas externas.

O mainframe não precisa fazer sozinho toda a ciência de dados.

Ele pode ser justamente o coração transacional que pergunta:

“Posso autorizar?”

E recebe:

APPROVE
REVIEW
CHALLENGE
DECLINE

💳 CAPÍTULO 6 — 200 OK não significa “é confiável”

Imagine:

CLIENTE
   ↓
APP
   ↓
API
   ↓
BANK
   ↓
MAINFRAME

A autenticação está correta.

Token correto.

Senha correta.

Dispositivo reconhecido.

Isso demonstra que determinadas credenciais foram aceitas.

Não demonstra necessariamente que a intenção seja legítima.

Essa distinção é fundamental:

AUTHENTICATION
      ≠
AUTHORIZATION
      ≠
TRUST

Diabolik adora quando confundimos essas três coisas.

Ele não precisa falsificar necessariamente tudo.

Talvez tenha acesso legítimo a uma credencial comprometida.

O sistema precisa analisar contexto.


🧠 CAPÍTULO 7 — Risk Scoring não deveria perguntar apenas “quem é você?”

Perguntas melhores:

Quem é você?

De onde costuma acessar?

Quando costuma acessar?

Quanto costuma movimentar?

Para quem costuma transferir?

Quais dispositivos utiliza?

Qual é sua velocidade normal de operações?

Que relacionamento possui com o destinatário?

Esse comportamento já aconteceu anteriormente?

Isso produz uma identidade dinâmica.

Chamaremos de:

Behavioral Identity.

Não é simplesmente CPF.

É uma combinação histórica de comportamentos.


🕸️ CAPÍTULO 8 — E então descobrimos o grafo

Diabolik consegue imitar Marco.

Excelente.

Mas existe um problema.

Ele precisa mandar o dinheiro para algum lugar.

Surge Maria.

MARCO → MARIA

Nada necessariamente estranho.

Mas Maria recebe também de:

JOÃO ──┐
PEDRO ─┤
ANA ───┼──→ MARIA
LUÍS ──┤
MARCO ─┘

Interessante.

Maria envia para Empresa X.

MARIA → EMPRESA X

Empresa X está relacionada a outras entidades.

Agora nossa análise deixa de olhar somente para transações.

Estamos construindo um:

GRAPH.


🕷️ CAPÍTULO 9 — O grafo destrói algumas máscaras

Uma pessoa pode alterar:

nome utilizado,

telefone,

conta,

empresa,

dispositivo,

endereço.

Mas relacionamentos podem revelar padrões.

Imagine:

PESSOA A
   │
   ├── telefone → PESSOA B
   │
   ├── endereço → EMPRESA C
   │
   ├── dispositivo → CONTA D
   │
   └── transferência → PESSOA E

Cada aresta adiciona contexto.

Agora descobrimos:

PESSOA E
   ↓
EMPRESA F
   ↓
CONTA G
   ↓
PESSOA B

Fechamos um ciclo.

É por isso que Graph Analytics é tão poderoso em fraude e AML.

Ele não pergunta apenas:

Quem recebeu dinheiro?

Pergunta:

Como essas entidades estão relacionadas?


🧩 CAPÍTULO 10 — Risk Scoring humano não significa julgar pessoas

Aqui existe uma distinção ética essencial.

Um sistema não deveria concluir:

“Essa pessoa é criminosa.”

Risk Scoring deve trabalhar com algo muito mais limitado:

“Esta operação apresenta características que justificam controles adicionais.”

Essa diferença protege clientes e instituição.

Score não deveria ser sentença.

Deveria ser sinal.

Por isso podemos ter:

LOW RISK
   ↓
PROCESS

MEDIUM RISK
   ↓
ADDITIONAL AUTHENTICATION

HIGH RISK
   ↓
MANUAL REVIEW

CRITICAL
   ↓
BLOCK / INVESTIGATION

Dependendo da política, legislação e natureza da operação.


🔎 CAPÍTULO 11 — O caso Gritzbach mostra outro tipo de Risk Scoring

Aqui podemos utilizar o caso apenas como analogia analítica, sem transformar acusações ainda controvertidas em fatos.

Segundo a reconstrução jornalística, Antônio Vinícius Lopes Gritzbach teria atravessado simultaneamente diferentes redes de relacionamento envolvendo integrantes do PCC, negócios, dinheiro, criptomoedas, autoridades e policiais. Ele posteriormente tornou-se colaborador do Ministério Público.

A questão interessante para nosso estudo não é tentar reproduzir qualquer “score do PCC”.

É observar algo universal:

pessoas também existem dentro de grafos de confiança.

Imagine abstratamente:

PESSOA
│
├── dinheiro
├── parceiros
├── clientes
├── fornecedores
├── instituições
├── autoridades
└── informações

Quando uma relação muda, outras podem ser afetadas.


⚖️ CAPÍTULO 12 — Trust Score é contextual

Essa é uma descoberta importantíssima.

Uma pessoa não possui universalmente:

TRUST = 72

Ela pode ser simultaneamente:

Banco A       → LOW RISK
Banco B       → UNKNOWN
Empresa C     → TRUSTED
Sistema D     → HIGH RISK

Porque risco depende de contexto.

O mesmo vale para comportamento.

Comprar R$ 8.000 em um restaurante pode ser extraordinário para mim.

Para uma empresa realizando jantar corporativo para 80 pessoas, talvez seja normal.

Portanto:

RISK = EVENT / CONTEXT

e não simplesmente:

RISK = EVENT

🧠 CAPÍTULO 13 — O programador COBOL precisa entender isso

Aqui chegamos ao ponto que frequentemente falta nas formações Mainframe.

O iniciante recebe:

01 WS-RISK-SCORE PIC 9(03).

E pensa:

É um campo numérico de três posições.

Não.

Talvez você esteja olhando para a conclusão de centenas de sinais.

Por trás daqueles três bytes conceituais podem existir:

histórico
perfil
device
geolocalização aproximada
velocity
valor
merchant
beneficiário
produto
canal
horário
relacionamentos
alertas anteriores

O programador Mainframe precisa compreender semântica de negócio, não somente PIC clauses.


💻 CAPÍTULO 14 — Vamos programar um pequeno exemplo

Imagine:

01 WS-RISK-SCORE       PIC 9(03) VALUE ZERO.
01 WS-NEW-DEVICE       PIC X.
01 WS-NEW-BENEFICIARY  PIC X.
01 WS-HIGH-AMOUNT      PIC X.
01 WS-PROFILE-CHANGE   PIC X.

Então:

IF WS-NEW-DEVICE = 'Y'
   ADD 15 TO WS-RISK-SCORE
END-IF

IF WS-NEW-BENEFICIARY = 'Y'
   ADD 20 TO WS-RISK-SCORE
END-IF

IF WS-HIGH-AMOUNT = 'Y'
   ADD 25 TO WS-RISK-SCORE
END-IF

IF WS-PROFILE-CHANGE = 'Y'
   ADD 10 TO WS-RISK-SCORE
END-IF.

Depois:

EVALUATE TRUE
   WHEN WS-RISK-SCORE >= 70
        MOVE 'REVIEW' TO WS-DECISION

   WHEN WS-RISK-SCORE >= 40
        MOVE 'CHALLENGE' TO WS-DECISION

   WHEN OTHER
        MOVE 'APPROVE' TO WS-DECISION
END-EVALUATE.

Didaticamente funciona.

Mas Diabolik imediatamente descobriria um problema.


😈 CAPÍTULO 15 — Diabolik aprende nossas regras

Se:

70 = REVIEW

ele tentará permanecer em:

69

Esse fenômeno é fundamental em sistemas antifraude.

Quando atacantes compreendem controles, adaptam comportamento.

Por isso sistemas precisam evoluir.

Podemos combinar:

RULES
+
STATISTICS
+
BEHAVIOR
+
MACHINE LEARNING
+
GRAPH ANALYTICS
+
HUMAN REVIEW

Nenhum componente precisa ser mágico.

O poder está na combinação.


⏱️ CAPÍTULO 16 — Velocity: Diabolik tem pressa

Um conceito maravilhoso para ensinar ao programador COBOL iniciante é velocity.

Imagine:

09:00 R$ 800
09:03 R$ 900
09:05 R$ 700
09:07 R$ 950
09:09 R$ 850

Nenhuma transação ultrapassa R$ 1.000.

Uma regra:

IF AMOUNT > 10000

não detecta nada.

Mas:

5 TRANSFERS
IN 9 MINUTES

é outro sinal.

Risk Scoring precisa compreender também:

quanto aconteceu em quanto tempo.


🕰️ CAPÍTULO 17 — O tempo transforma o grafo

Agora acrescentamos timestamps:

09:00 A → B
09:02 B → C
09:04 C → D
09:07 D → E

Temos um fluxo.

O grafo agora não mostra apenas:

A — B — C — D — E

Mostra movimento.

Chamamos conceitualmente isso de:

Temporal Graph.

Ele pode revelar mudanças que um grafo estático esconderia.


🏦 CAPÍTULO 18 — E onde entra o IBM Mainframe?

No lugar mais interessante possível.

No coração das operações.

Imagine uma arquitetura:

                 MOBILE
                    │
                 INTERNET
                    │
                    ▼
                 API LAYER
                    │
              z/OS Connect
                    │
                    ▼
┌─────────────────────────────────┐
│            IBM Z                │
│                                 │
│   CICS                          │
│     │                           │
│     ▼                           │
│   COBOL ───────► Db2            │
│     │                           │
│     ▼                           │
│   RISK REQUEST                  │
│     │                           │
└─────┼───────────────────────────┘
      │
      ▼
 ANALYTICS / GRAPH / ML
      │
      ▼
 RISK SCORE
      │
      ▼
 IBM Z
      │
      ▼
DECISION

E isso é importante:

modernização não significa necessariamente retirar o COBOL.

Pode significar permitir que COBOL converse com tecnologias especializadas.


⚡ CAPÍTULO 19 — Porque autorização não pode tomar café

Imagine cartão.

Cliente encosta na máquina.

TAP
 ↓
ACQUIRER
 ↓
NETWORK
 ↓
ISSUER
 ↓
AUTHORIZATION

O cliente está olhando para o terminal.

Não podemos dizer:

“Aguarde vinte minutos enquanto nosso algoritmo termina.”

A decisão precisa ocorrer rapidamente.

É exatamente aí que sistemas transacionais de alta disponibilidade continuam extremamente relevantes.

Risk Scoring precisa entrar no fluxo sem destruir SLA.


🔐 CAPÍTULO 20 — False Positive: quando prendemos o mordomo

Existe outro perigo.

Se o sistema ficar paranoico:

QUALQUER COISA DIFERENTE
        ↓
      BLOCK

teremos milhares de clientes legítimos irritados.

Chamamos isso de:

false positive.

O cliente viajou para Roma.

Compra jantar.

Sistema:

FRAUDE!

Cliente:

Estou com fome!

😄

Risk Scoring precisa equilibrar:

FRAUD LOSS
     ↕
CUSTOMER FRICTION

Bloquear tudo é fácil.

Autorizar corretamente é difícil.


🎯 CAPÍTULO 21 — Risk Score não é prova

Isso merece ficar gravado no monitor do programador:

RISK SCORE ≠ GUILT

Score 92 não significa:

“92% criminoso.”

Pode significar apenas que um modelo específico identificou uma combinação de sinais considerada de alto risco segundo sua própria calibração.

A interpretação depende do modelo.

Esse cuidado torna-se ainda mais importante quando falamos em Risk Scoring Humano.

Algoritmos podem produzir vieses.

Dados podem estar errados.

Cadastros podem estar desatualizados.

Relacionamentos podem ser coincidências.

Por isso decisões de grande impacto precisam de governança adequada.


🧪 CAPÍTULO 22 — Explainability: por que deu 92?

Imagine o analista recebendo:

RISK SCORE = 92

Ele pergunta:

Por quê?

Sistema:

Porque sim.

Inaceitável.

Precisamos de reason codes.

R01 NEW DEVICE
R07 NEW BENEFICIARY
R13 UNUSUAL AMOUNT
R22 HIGH VELOCITY
R31 GRAPH RELATION

Então:

SCORE 92

REASONS:
HIGH VELOCITY
NEW DEVICE
NEW BENEFICIARY
BEHAVIOR DEVIATION

Agora existe explicabilidade operacional.

E o COBOL pode desempenhar papel importantíssimo na integração desses reason codes ao fluxo transacional.


🗃️ CAPÍTULO 23 — Não jogue fora os dados antigos!

Aqui existe uma vantagem maravilhosa dos ambientes Mainframe.

Histórico.

Décadas de histórico podem existir.

Isso é ouro para análise comportamental — desde que seja utilizado com governança, finalidade legítima, qualidade e respeito às regras de proteção de dados.

Porque comportamento exige comparação:

HOJE
versus
ONTEM
versus
30 DIAS
versus
1 ANO

Um sistema que conhece apenas hoje não conhece comportamento.

Conhece eventos.


🕵️ CAPÍTULO 24 — Diabolik finalmente comete seu erro

Nosso Diabolik conseguiu:

credencial,

identidade,

dispositivo,

horário plausível,

valor plausível.

Ele parece perfeito.

Mas precisa transferir recursos.

O sistema observa:

DIABOLIK-AS-MARCO
        ↓
     CONTA X
        ↓
     CONTA Y
        ↓
     EMPRESA Z

E o Graph Engine percebe:

EMPRESA Z
   ↑
CONTA Q
   ↑
CASO ANTERIOR

A transação não era necessariamente anormal.

O relacionamento era.

E finalmente encontramos aquilo que Diabolik não conseguiu falsificar perfeitamente:

o contexto.


🧠 CAPÍTULO 25 — A verdadeira evolução do antifraude

Primeira geração:

TRANSACTION RULES

Segunda:

TRANSACTION + PROFILE

Terceira:

TRANSACTION + PROFILE + BEHAVIOR

Quarta:

TRANSACTION
+
PROFILE
+
BEHAVIOR
+
DEVICE
+
NETWORK
+
GRAPH
+
TIME

E então entramos no território que chamo aqui de:

HUMAN RISK SCORING

Não porque estejamos julgando o ser humano.

Mas porque estamos tentando compreender o comportamento dentro de seu contexto humano e relacional.


🧑‍💻 CAPÍTULO 26 — O que o COBOLista iniciante deve aprender

Quando encontrar:

IF RISK-SCORE > 80

não continue lendo imediatamente.

Pergunte:

Quem calculou esse score?

Quais eventos participaram?

Qual janela temporal?

O score expira?

É transacional ou cadastral?

Quais reason codes existem?

O que acontece quando o serviço de risco está indisponível?

Essa última pergunta é especialmente Mainframe.

RISK ENGINE DOWN

E agora?

FAIL OPEN?

Autoriza?

FAIL CLOSED?

Recusa?

FALLBACK RULES?

Usa regras locais?

Essa decisão pode valer milhões.


🚨 CAPÍTULO 27 — 03:17

Nosso easter egg Bellacosa aparece.

03:17 da manhã.

O telefone toca.

War Room.

Fraud Decision Service latency: 4.8 seconds
Authorization queue increasing
Timeout rate: 17%

Alguém diz:

“Vamos bypassar o Risk Engine.”

Silêncio.

Porque isso resolveria performance.

Mas poderia abrir a porta.

Outro propõe:

“Vamos bloquear tudo.”

Também resolveria fraude.

E destruiria o negócio.

O verdadeiro engenheiro Mainframe pergunta:

Qual é o fallback aprovado?

Essa frase separa improvisação de engenharia.


☕ CAPÍTULO 28 — A lição de Diabolik

Durante toda a história procurávamos o homem de máscara preta.

Esse era nosso erro.

Diabolik nunca quis que víssemos a máscara.

Queria que víssemos:

CLIENTE NORMAL

Risk Scoring evoluiu justamente porque fraude sofisticada não precisa parecer fraude.

Pode parecer:

uma compra,

uma transferência,

um login,

uma empresa,

uma conta,

um cliente.

Tudo aparentemente legítimo.

Até observarmos:

QUEM
+
O QUÊ
+
QUANDO
+
ONDE
+
COMO
+
COM QUEM
+
QUANTAS VEZES
+
EM QUE SEQUÊNCIA

Então surge uma história.


🕶️ EPÍLOGO — O Mainframe não procura criminosos

Essa talvez seja a mensagem mais importante para o programador iniciante.

O IBM Mainframe não deveria funcionar como juiz.

O Risk Engine também não.

Eles processam sinais.

EVENT
   ↓
CONTEXT
   ↓
HISTORY
   ↓
RELATIONSHIP
   ↓
RISK
   ↓
DECISION
   ↓
EVIDENCE

E boas arquiteturas mantêm algo fundamental:

rastreabilidade.

Precisamos saber:

qual informação entrou,

qual regra executou,

qual modelo respondeu,

qual score retornou,

qual reason code apareceu,

qual decisão foi tomada,

quando aconteceu

e qual versão estava em produção.

Porque um dia alguém perguntará:

“Por que essa transação foi recusada?”

E PORQUE WS-RISK > 80 não será resposta suficiente.

Diabolik talvez consiga enganar uma regra.

Talvez consiga enganar uma câmera.

Talvez consiga uma identidade perfeita.

Talvez consiga inclusive parecer estatisticamente normal durante algum tempo.

Mas quanto mais dimensões independentes um sistema correlaciona — histórico, comportamento, dispositivo, velocidade, relacionamentos e tempo — mais difícil se torna sustentar uma identidade artificial coerente.

Essa é a batalha moderna.

Não é:

COBOL contra inteligência artificial.

É:

COBOL
+
CICS
+
Db2
+
APIs
+
EVENTS
+
RULES
+
ML
+
GRAPH ANALYTICS
+
HUMAN ANALYST

Cada tecnologia fazendo aquilo que sabe fazer melhor.

E no centro de tudo continua existindo aquela pergunta simples que começou nossa investigação:

“Isto é normal?”

Diabolik ajusta a gravata, olha para o terminal e sorri.

O terminal responde:

TRANSACTION........... VALID
IDENTITY.............. VALID
AUTHENTICATION........ VALID
AMOUNT................ NORMAL

BEHAVIOR.............. UNUSUAL
VELOCITY.............. UNUSUAL
GRAPH RELATION........ HIGH RISK

RISK SCORE............ 92
DECISION.............. REVIEW

Pela primeira vez, Diabolik para de sorrir.

O sistema não descobriu necessariamente quem ele é.

Descobriu algo muito mais interessante.

Ele não está se comportando como a pessoa que afirma ser.

Um Café no Bellacosa Mainframe

Onde até Diabolik descobre que enganar um IF é fácil. Difícil é enganar quarenta anos de histórico.



Para ir mais longe

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2024/10/diabolik-no-mainframe-o-roubo-perfeito.html

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

🕶️ DIABOLIK NO MAINFRAME — O Roubo Perfeito e o Risk Score que Percebeu Tudo

 

Bellacosa Mainframe e o Risk Score

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🕶️ DIABOLIK NO MAINFRAME — O Roubo Perfeito e o Risk Score que Percebeu Tudo

Fraude, AML, comportamento, dispositivos, transações, grafos e Risk Scoring em tempo real — porque o criminoso perfeito não precisa cometer um erro. Basta fazer algo que não combine com a vítima.

Há uma diferença fundamental entre um ladrão comum e Diabolik.

O ladrão comum tenta abrir a porta.

Diabolik já sabe onde está a chave.

O ladrão comum aparece diante da câmera.

Diabolik estudou o ângulo morto.

O ladrão comum rouba o cartão.

Diabolik prefere que o banco continue acreditando que o verdadeiro dono está usando o cartão.

E é justamente por isso que ele é um excelente personagem para entendermos o Risk Scoring moderno.

Imagine uma noite qualquer.

03:17.

Em algum lugar da cidade, um cliente chamado João dorme tranquilamente.

Seu cadastro no banco diz:

CUSTOMER: JOAO
KYC: OK
PEP: NO
SANCTIONS: NO
ACCOUNT AGE: 8 YEARS
RISK: LOW

Tudo parece normal.

O problema é que João não está usando sua conta.

Diabolik está.

E nosso sistema tem poucos milissegundos para perceber isso.

Bem-vindo ao estranho mundo onde conhecer a identidade do cliente já não basta.



🕶️ CAPÍTULO 1 — Diabolik não quer parecer Diabolik

O Risk Scoring tradicional tinha uma visão relativamente confortável do mundo.

O cliente chegava, apresentava seus documentos, passava pelas verificações necessárias e recebia determinada classificação:

LOW
MEDIUM
HIGH

Era quase uma fotografia.

No momento em que João abriu sua conta, o banco verificou identidade, endereço, documentos, profissão, renda e outros elementos necessários ao processo.

Depois disso:

JOAO = LOW RISK

O problema está na palavra é.

João não é necessariamente LOW RISK.

João estava associado a determinado nível de risco naquele contexto e naquele momento.

Meses depois, muita coisa pode ter mudado.

O cliente pode trocar de telefone, viajar, mudar endereço, começar a movimentar valores diferentes, adicionar beneficiários, alterar senhas e utilizar novos dispositivos.

E existe ainda uma possibilidade mais inquietante:

João continua sendo João.

Mas alguém conseguiu assumir sua identidade digital.

Diabolik não precisa modificar o cadastro.

Pelo contrário.

Quanto menos alterar, melhor.



🎭 CAPÍTULO 2 — A melhor máscara é uma identidade verdadeira

Essa é uma das ideias mais interessantes da fraude digital.

Imagine que um criminoso tenha:

CPF correto
nome correto
endereço correto
data de nascimento correta
credenciais corretas

Uma verificação baseada exclusivamente em identidade pode encontrar:

IDENTITY = VALID

E isso pode ser perfeitamente verdadeiro.

A identidade realmente existe.

O problema é outro:

quem está controlando aquela identidade naquele instante?

É uma diferença monumental.

Podemos ter:

IDENTITY RISK = LOW

e simultaneamente:

BEHAVIOR RISK = HIGH
DEVICE RISK   = HIGH
SESSION RISK  = HIGH

Por isso o Risk Scoring moderno deixa de perguntar apenas:

Quem é você?

E começa a perguntar:

O que está acontecendo?



📸 CAPÍTULO 3 — O velho sistema guardava fotografias

Vamos imaginar um sistema fictício chamado BELLABANK.

No cadastro de João encontramos:

CUSTOMER-ID : 00091827364
NAME        : JOAO SILVA
KYC-STATUS  : APPROVED
PEP-FLAG    : N
AML-RISK    : LOW
COUNTRY     : BR

Excelente.

Só que o cadastro não consegue contar sozinho a história seguinte:

03:17 NEW DEVICE

03:19 PASSWORD RESET

03:21 NEW BENEFICIARY

03:22 TRANSFER R$ 9.800

Cada evento isoladamente pode ser legítimo.

Pessoas compram celulares.

Pessoas esquecem senhas.

Pessoas cadastram beneficiários.

Pessoas transferem R$9.800.

Mas a sequência inteira é muito mais interessante.

É aí que começamos a sair da fotografia e entrar no filme.


Bellacosa Mainframe e o risk scoring

🎬 CAPÍTULO 4 — Risk Scoring transforma fotografia em filme

No modelo contínuo, o cliente não recebe apenas uma etiqueta eterna.

Podemos imaginar:

09:00 RISK = 12

Compra café.

09:17 RISK = 11

Usa o mesmo celular.

12:30 RISK = 10

Compra almoço num estabelecimento habitual.

Tudo normal.

Então:

03:17 NEW DEVICE

Score:

10 -> 22

Logo depois:

PASSWORD RESET

Score:

22 -> 39

Novo beneficiário:

39 -> 58

Transferência incomum:

58 -> 84

Diabolik ainda possui usuário e senha corretos.

O cadastro continua correto.

Mas agora o sistema diz:

IDENTITY = OK

BEHAVIOR = NOT OK

Esse é o coração da mudança.



🧮 CAPÍTULO 5 — O Risk Score entra em cena

Para um programador COBOL iniciante, podemos começar pensando em algo simples:

RISK-SCORE = 0

Cada fator acrescenta ou reduz pontos:

IF NEW-DEVICE = 'Y'
   ADD 10 TO RISK-SCORE
END-IF

IF PASSWORD-RESET = 'Y'
   ADD 15 TO RISK-SCORE
END-IF

IF NEW-BENEFICIARY = 'Y'
   ADD 20 TO RISK-SCORE
END-IF

IF UNUSUAL-AMOUNT = 'Y'
   ADD 25 TO RISK-SCORE
END-IF.

Teríamos:

10 + 15 + 20 + 25 = 70

E poderíamos estabelecer:

00-20 LOW
21-40 MEDIUM
41-60 HIGH
61-100 CRITICAL

É apenas um exemplo didático. Um sistema real exigiria muito mais cuidado com pesos, regras, contexto, validação, calibração e governança.

Mas a essência está aqui:

SIGNALS
   ↓
WEIGHTS
   ↓
RULES
   ↓
SCORE
   ↓
DECISION

💎 CAPÍTULO 6 — Nem todo diamante vale os mesmos pontos

Aqui Diabolik começa a rir do nosso programa COBOL.

Porque ele percebeu uma fragilidade.

Se nosso modelo simplesmente somar:

NEW DEVICE        +10
PASSWORD RESET    +10
NEW BENEFICIARY   +10
TRANSFER          +10

teremos:

RISK = 40

Mas talvez essa combinação específica represente risco muito maior.

É a diferença entre observar quatro acontecimentos e observar uma história formada por quatro acontecimentos.

Considere:

A = NEW DEVICE
B = PASSWORD RESET
C = NEW BENEFICIARY
D = LARGE TRANSFER

Não podemos assumir sempre que:

RISK(A+B+C+D)
=
RISK(A)+RISK(B)+RISK(C)+RISK(D)

A sequência pode produzir um risco adicional.

Em segurança, contexto importa.

Em fraude, ordem também importa.


⏱️ CAPÍTULO 7 — Diabolik conhece o relógio

Imagine:

01/08 NEW DEVICE
15/08 PASSWORD RESET
02/09 NEW BENEFICIARY
15/09 TRANSFER

Pode ser perfeitamente normal.

Agora:

03:17 NEW DEVICE
03:18 PASSWORD RESET
03:20 NEW BENEFICIARY
03:22 TRANSFER

Os eventos são praticamente os mesmos.

Mas o significado mudou completamente.

Entrou uma nova dimensão:

velocity.

Não basta perguntar:

WHAT?

Precisamos perguntar:

WHAT?
WHEN?
HOW OFTEN?
IN WHICH ORDER?

Em sistemas transacionais, tempo também é dado.


🧬 CAPÍTULO 8 — O melhor suspeito de João é o próprio João

Agora chegamos ao comportamento.

Imagine que João normalmente faça:

R$ 70
R$ 150
R$ 380
R$ 600
R$ 1.200

Então aparece:

R$ 9.800

Interessante.

Mas Maria administra uma empresa e normalmente movimenta:

R$ 30.000
R$ 70.000
R$ 120.000

Hoje ela movimentou:

R$ 9.800

Se tivermos uma regra burra:

IF AMOUNT > 5000
   HIGH-RISK
END-IF

João e Maria recebem tratamento semelhante.

Mas os comportamentos são completamente diferentes.

O sistema moderno procura estabelecer um baseline.

Ou seja:

como este cliente normalmente se comporta?

Isso permite comparar:

CURRENT BEHAVIOR
       versus
EXPECTED BEHAVIOR

A pergunta deixa de ser:

R$9.800 é muito?

E passa a ser:

R$9.800 é estranho para João?

Isso é muito mais poderoso.


🌍 CAPÍTULO 9 — Diabolik viaja rápido demais

Imagine:

20:00 LOGIN SAO PAULO

Depois:

20:35 LOGIN TOKYO

Talvez João tenha descoberto teletransporte.

Talvez seja VPN.

Talvez seja problema na geolocalização.

Talvez sejam sessões diferentes.

Ou talvez tenhamos uma conta comprometida.

Um bom sistema não deveria automaticamente concluir:

FRAUD!

Ele deveria produzir algo semelhante a:

IMPOSSIBLE_TRAVEL +25
NEW_DEVICE        +15
UNKNOWN_IP        +10

E combinar isso com todo o restante.

Essa é outra diferença fundamental.

Sinal não é sentença.

Sinal é evidência.


🕸️ CAPÍTULO 10 — O Inspetor Ginko descobre o grafo

Diabolik conseguiu ser perfeito.

Nenhuma transferência parece absurda.

Nenhum login parece impossível.

Nenhuma senha foi redefinida.

Individualmente, cada conta parece normal.

Então entra o equivalente digital do Inspetor Ginko.

Ele deixa de olhar apenas indivíduos e começa a observar relações.

              DEVICE-X
             /    |    \
            /     |     \
         JOAO   MARIA   CARLOS
           |      |       |
        ACCOUNT ACCOUNT ACCOUNT

Interessante.

Três pessoas diferentes utilizam o mesmo dispositivo.

Isso é fraude?

Não necessariamente.

Pode ser uma família.

Pode ser uma empresa.

Pode ser um equipamento compartilhado.

Agora descobrimos:

DEVICE-X
   |
   +--- ACCOUNT-A
   |
   +--- ACCOUNT-B
   |
   +--- ACCOUNT-C
   |
   +--- ACCOUNT-D

E duas dessas contas tiveram fraude confirmada.

A relação ficou mais interessante.

Estamos entrando no mundo de graph analytics.

Clientes, contas, cartões, dispositivos, IPs, telefones, endereços, merchants e beneficiários podem ser representados como nós conectados.

O risco pode estar não apenas no indivíduo.

Pode estar na rede à qual ele pertence.


💳 CAPÍTULO 11 — Diabolik entra no BELLACARD

Vamos colocar nosso ladrão dentro de um sistema de cartões.

Diabolik conseguiu utilizar o cartão de João.

Uma autorização chega:

CARD
AMOUNT
MERCHANT
MCC
COUNTRY
TERMINAL
TIMESTAMP

O sistema tradicional verifica:

CARD VALID?
ACCOUNT ACTIVE?
LIMIT AVAILABLE?
CARD BLOCKED?
PIN/CVV VALID?

Mas agora adicionamos:

RISK ENGINE

Arquiteturalmente:

POS / ATM / MOBILE
        |
        v
 TRANSACTION
        |
        v
+----------------+
| AUTHORIZATION  |
+----------------+
        |
   +----+-----+
   |          |
   v          v
ACCOUNT    RISK ENGINE
   |          |
   +----+-----+
        |
        v
 DECISION ENGINE
        |
 +------+------+------+
 |      |      |      |
APPROVE MONITOR VERIFY DECLINE

Agora o Risk Score passa a participar da decisão.


🚦 CAPÍTULO 12 — Nem todo suspeito deve ser preso

Essa talvez seja a parte mais importante do conceito inteiro.

Imagine:

RISK 12

Resposta:

APPROVE

Score:

RISK 32

Talvez:

APPROVE + MONITOR

Score:

RISK 54

Talvez:

STEP-UP AUTHENTICATION

Peça biometria.

Confirmação adicional.

MFA.

Outro fator.

Score:

RISK 72

Talvez:

REVIEW

Score:

RISK 96

Talvez:

DECLINE
BLOCK
INVESTIGATE

Perceba a mudança.

Risk Scoring não serve exclusivamente para dizer:

NÃO.

Ele pode ajudar o sistema a decidir quanto de confiança adicional precisa antes de dizer SIM.


💰 CAPÍTULO 13 — Prender todo mundo também custa dinheiro

Imagine uma instituição aterrorizada com fraude.

Ela cria:

IF TRANSACTION-AMOUNT > 5000
   DECLINE
END-IF

Fraudes diminuem.

O diretor comemora.

Até aparecer outro relatório:

APPROVAL RATE ↓
CUSTOMER SATISFACTION ↓
REVENUE ↓
ABANDONMENT ↑
SUPPORT CALLS ↑

Descobrimos o false positive.

O cliente era legítimo.

Nosso sistema o tratou como criminoso.

Diabolik escapou enquanto prendíamos João.

É quase poeticamente apropriado.


⚖️ CAPÍTULO 14 — O Risk Engine vive entre dois erros

Todo sistema antifraude vive numa tensão.

Se for permissivo demais:

FRAUD ↑
LOSSES ↑

Se for rígido demais:

FALSE POSITIVES ↑
CUSTOMER FRICTION ↑
DECLINES ↑
REVENUE ↓

Então existe uma espécie de equação empresarial:

MAXIMIZE

LEGITIMATE APPROVALS
REVENUE
CUSTOMER EXPERIENCE

MINIMIZE

FRAUD
AML EXPOSURE
CHARGEBACKS
OPERATIONAL COST
REGULATORY RISK

Risk Scoring não elimina essa tensão.

Ele nos permite administrá-la com maior granularidade.


🏦 CAPÍTULO 15 — Fraud e AML moram no mesmo prédio, mas não são irmãos gêmeos

Fraude e AML podem utilizar muitos sinais semelhantes:

IDENTITY
TRANSACTIONS
DEVICES
LOCATION
BENEFICIARIES
BEHAVIOR
NETWORK

Mas não são exatamente o mesmo problema.

Fraude normalmente está preocupada com apropriação indevida, engano, abuso de contas, pagamentos ou recursos.

AML olha para riscos associados à movimentação e possível lavagem de recursos, entre outras tipologias de crime financeiro.

Podemos ter:

FRAUD SCORE
     |
     +------+
            |
            v
      COMPOSITE RISK
            ^
            |
     +------+
     |
AML SCORE

A vantagem está em compartilhar sinais sem destruir as particularidades de cada disciplina.


🤖 CAPÍTULO 16 — Então chega a Inteligência Artificial

Até aqui podemos fazer muita coisa com regras.

Mas temos milhões de eventos.

Centenas de variáveis.

Relações complexas.

Padrões temporais.

Machine Learning pode ajudar a encontrar combinações que seriam extremamente difíceis de escrever manualmente.

O problema aparece quando recebemos:

MODEL OUTPUT = 97

Perguntamos:

WHY?

E o computador responde metaforicamente:

¯\_(ツ)_/¯

Não.

Ginko não aceitaria.

O auditor muito menos.

Um sistema robusto precisa oferecer reason codes, evidências, rastreabilidade e governança.

Por exemplo:

RISK SCORE = 91

REASONS:

R017 NEW DEVICE
R042 IMPOSSIBLE TRAVEL
R071 UNUSUAL AMOUNT
R103 NEW BENEFICIARY
R121 HIGH VELOCITY

Agora o número possui uma história.


🗄️ CAPÍTULO 17 — Ginko entra no Db2

Vamos finalmente entrar no IBM Z.

Podemos imaginar:

CHANNELS
 |
 +-- MOBILE
 +-- WEB
 +-- ATM
 +-- POS
 |
 v
API / MESSAGE LAYER
 |
 v
CICS
 |
 +----------+
 |          |
 v          v
Db2       IBM MQ
 |          |
 |          v
 |       EVENTS
 |          |
 +-----> RISK ENGINE
            |
      +-----+-----+
      |     |     |
    RULES  ML   GRAPH
      |     |     |
      +-----+-----+
            |
            v
        RISK SCORE
            |
            v
      DECISION ENGINE

O detalhe crucial:

o cliente está esperando.

No supermercado, João não quer assistir a uma arquitetura de 47 microsserviços discutindo se deve aprovar seu café.

Ele quer:

BIP!
APROVADO

Portanto latência importa.

Muito.


⚡ CAPÍTULO 18 — O roubo perfeito dura milissegundos

Uma transação online pode precisar executar diversas verificações:

CARD VALIDATION
ACCOUNT LOOKUP
LIMIT CHECK
STATUS CHECK
FRAUD RULES
RISK SCORE
AUTHORIZATION
LOGGING

Tudo dentro de um orçamento de latência.

Essa é uma das razões pelas quais a arquitetura de sistemas críticos é tão fascinante.

Não basta calcular corretamente.

Precisamos calcular corretamente a tempo.

O Risk Engine que responde depois que a transação terminou é como Ginko chegando ao cofre na manhã seguinte.

Interessante para investigação.

Inútil para impedir aquele evento.


🧯 CAPÍTULO 19 — O sistema também precisa investigar a si mesmo

Imagine uma nova regra.

Ela bloqueia 40% das transações de determinado segmento.

Fraude cai 2%.

Parece bom?

Talvez não.

Precisamos observar:

APPROVAL RATE
DECLINE RATE
FRAUD RATE
FALSE POSITIVE RATE
CHARGEBACK RATE
CHALLENGE RATE
MANUAL REVIEW RATE

Também:

RULE HIT RATE
SCORE DISTRIBUTION
REASON CODES

E algo que considero particularmente interessante:

SCORE MIGRATION

Quem passou:

LOW -> MEDIUM

Quem passou:

MEDIUM -> HIGH

E principalmente:

LOW -> CRITICAL

O valor não está somente em descobrir quem está perigoso.

Está em descobrir quem está mudando rapidamente.


⌛ CAPÍTULO 20 — Até suspeitas envelhecem

João viajou.

Usou um novo dispositivo.

Fez uma transação diferente.

Seu score subiu:

RISK = 68

Depois voltou para casa.

Utilizou normalmente sua conta por semanas.

Nada estranho aconteceu.

Deveria continuar em 68 para sempre?

Provavelmente não.

Podemos introduzir o conceito de risk decay.

Conforme o tempo passa sem novos sinais relevantes:

68
 |
 v
55
 |
 v
41
 |
 v
28

Isso impede que eventos antigos se transformem em condenações eternas.

Tempo não serve apenas para aumentar risco.

Também pode ajudar a contextualizá-lo.


🎯 CAPÍTULO 21 — O Risk Score também pode ser atacado

Aqui Diabolik percebe outra coisa.

Se conseguir descobrir as regras, poderá tentar permanecer abaixo dos thresholds.

Suponha:

R$10.000 = HIGH RISK

Então ele tenta:

R$4.800
R$4.700
R$4.900

Uma regra olha para cada evento:

OK
OK
OK

Um sistema contextual observa:

3 TRANSACTIONS
SHORT WINDOW
TOTAL R$14.400
UNUSUAL VELOCITY

E responde:

RISK ↑

Isso nos ensina outra coisa importante:

fraudadores também observam sistemas antifraude.

O Risk Engine não enfrenta um fenômeno estático.

Existe um adversário adaptativo do outro lado.


🧪 CAPÍTULO 22 — Champion contra Challenger

Se alterarmos um modelo de risco diretamente em produção, podemos criar nosso próprio desastre.

Então imagine:

CHAMPION MODEL

É o modelo atualmente utilizado.

Ao lado:

CHALLENGER MODEL

O challenger pode receber os mesmos eventos sem necessariamente controlar a decisão final.

Depois comparamos:

FRAUD DETECTION
FALSE POSITIVES
APPROVAL RATE
LATENCY
STABILITY

Se realmente for melhor, pode tornar-se o novo champion.

Isso transforma Risk Scoring em processo de engenharia, e não numa coleção de palpites.


🧾 CAPÍTULO 23 — Diabolik odeia auditoria

Imagine que seis meses depois alguém pergunte:

Por que a transação 918273 foi recusada?

Não podemos responder:

Porque o score estava alto.

Precisamos conseguir reconstruir:

TRANSACTION
MODEL VERSION
RULE VERSION
INPUT DATA
SCORE
REASON CODES
DECISION
TIMESTAMP

Idealmente:

03:17:01 EVENT RECEIVED
03:17:01 DEVICE RULE HIT
03:17:01 VELOCITY RULE HIT
03:17:01 SCORE 82
03:17:01 STEP-UP REQUESTED
03:17:04 MFA FAILED
03:17:04 DECLINED

Isso é auditabilidade.

E em sistemas financeiros ela não é decoração arquitetural.

É parte do produto.


🕵️ CAPÍTULO 24 — A máquina encontra a pista; Ginko monta o caso

Automação não significa necessariamente remover o investigador.

Significa evitar que ele desperdice seu tempo procurando palha.

Imagine um analista recebendo:

CASE 827364

CUSTOMER: JOAO
RISK: 93

TRIGGERS:
NEW DEVICE
PASSWORD RESET
NEW BENEFICIARY
UNUSUAL TRANSFER
SHARED DEVICE

RELATED:
7 ACCOUNTS

CONFIRMED FRAUD:
2 ACCOUNTS

Agora existe um caso investigável.

A máquina percorreu milhões de eventos.

O humano recebeu uma exceção relevante.

MACHINE
   |
   v
DETECT
   |
   v
CORRELATE
   |
   v
PRIORITIZE
   |
   v
HUMAN INVESTIGATION

Essa parceria é muito mais interessante do que a fantasia de simplesmente substituir todo investigador por IA.


💎 CAPÍTULO 25 — Finalmente Diabolik chega ao cofre

Às 03:17, Diabolik inicia sua operação.

Primeiro:

LOGIN

Nada acontece.

Depois:

NEW DEVICE

Pequena alteração.

Depois:

PASSWORD RESET

Outra alteração.

Depois:

NEW BENEFICIARY

O sistema começa a ficar desconfiado.

Finalmente:

TRANSFER R$ 48.000

O antigo sistema talvez enxergasse:

JOAO
KYC OK
ACCOUNT ACTIVE
BALANCE AVAILABLE

O novo sistema enxerga:

JOAO
+
NEW DEVICE
+
PASSWORD RESET
+
NEW BENEFICIARY
+
UNUSUAL AMOUNT
+
HIGH VELOCITY
+
BEHAVIORAL DEVIATION

Resultado:

RISK SCORE = 94

Decision Engine:

STEP-UP AUTHENTICATION

Diabolik possui usuário.

Possui senha.

Possui dados pessoais.

Mas falta alguma coisa que João possui.

A operação falha.

Não porque o sistema descobriu:

Este homem é Diabolik.

Isso seria impossível.

Ele descobriu algo muito mais útil:

Quem quer que esteja realizando esta operação não está se comportando como João.

Esse é o verdadeiro poder da análise comportamental.


🐣 EASTER EGG — 03:17

Quem já visitou algumas vezes o Bellacosa Mainframe percebeu.

Algo sempre acontece às:

03:17

É o horário em que ninguém deveria estar olhando.

O batch está trabalhando.

O operador tomou café.

O desenvolvedor jurou que não mexeu em produção.

E algum JOB misterioso aparece:

JOBNAME  DIABOLIK
OWNER    UNKNOWN
STATUS   EXECUTING

Ginko abre o SDSF.

Procura o JOB.

Nada.

Só encontra no SYSOUT:

ICH408I
USER(DIABOLIK) ACCESS DENIED

Desta vez, RACF ganhou.


🧠 CAPÍTULO 26 — O que o programador COBOL iniciante precisa guardar

Depois de toda essa perseguição, podemos reduzir o Risk Scoring a uma cadeia bastante compreensível:

RECEIVE EVENT
     |
     v
IDENTIFY CUSTOMER
     |
     v
LOAD CONTEXT
     |
     v
READ HISTORY
     |
     v
CALCULATE SIGNALS
     |
     v
APPLY RULES
     |
     v
CALCULATE SCORE
     |
     v
MAKE DECISION
     |
     v
LOG EVERYTHING

Veja que curioso.

Quando retiramos os nomes modernos, aparecem conceitos conhecidos:

INPUT
VALIDATION
LOOKUP
BUSINESS RULE
CALCULATION
DECISION
AUDIT
COMMIT

O programador COBOL de 1985 reconheceria boa parte da lógica.

O que mudou foi a quantidade de contexto disponível e a velocidade necessária para correlacioná-lo.

Hoje podemos acrescentar:

DEVICE
IP
LOCATION
BEHAVIOR
VELOCITY
GRAPH
ML
REAL-TIME EVENTS

Mas o problema fundamental continua lindamente familiar:

DADOS
  +
REGRAS
  +
CONTEXTO
  =
DECISÃO

☕ EPÍLOGO — Ginko nunca precisou saber quem estava atrás da máscara

Essa talvez seja a grande lição de Risk Scoring.

O modelo antigo queria classificar pessoas:

LOW
MEDIUM
HIGH

O modelo moderno procura compreender situações:

CUSTOMER
+
TRANSACTION
+
DEVICE
+
LOCATION
+
TIME
+
BEHAVIOR
+
HISTORY
+
RELATIONSHIPS

E calcula novamente quando o contexto muda.

Isso muda também a relação entre segurança e negócio.

Um bom cliente realizando uma operação compatível com seu comportamento pode receber menos atrito.

Uma pequena anomalia pode receber monitoramento.

Uma situação intermediária pode receber autenticação adicional.

Uma sequência altamente suspeita pode ser bloqueada ou enviada para investigação.

Portanto:

RISK ≠ BLOCK

Risk é informação para decidir qual controle é proporcional à situação.

É isso que torna o Risk Scoring moderno tão interessante para fintechs, bancos, adquirentes, sistemas de cartões e arquiteturas de pagamentos.

A missão não é bloquear o maior número possível de transações.

É algo muito mais difícil:

bloquear Diabolik sem impedir João de comprar o jantar.

E existe uma ironia maravilhosa nisso.

Diabolik passou décadas aperfeiçoando máscaras, identidades falsas, disfarces e planos perfeitos.

No mundo digital, porém, talvez ele encontre um adversário diferente.

Não uma câmera procurando seu rosto.

Não um policial procurando seu nome.

Não um cadastro perguntando quem ele diz ser.

Mas um Risk Engine silencioso perguntando:

Você possui as credenciais de João.

Você conhece os dados de João.

Você entrou na conta de João.

Mas...

por que não está se comportando como João?

No outro lado da tela, Ginko sorri.

O RISK-SCORE muda:

17
29
46
68
94

Diabolik aperta ENTER.

O mainframe responde:

TRANSACTION DECLINED

REASON:
BEHAVIORAL RISK

RETURN-CODE: 08

E em algum lugar do data center, provavelmente ao lado de um programa COBOL que ninguém ousa recompilar desde 1997, o JOB continua EXECUTING.

Porque no Risk Scoring moderno, o crime perfeito não precisa deixar uma impressão digital.

Basta deixar uma anomalia. ☕🕶️💻



Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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