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sábado, 10 de abril de 2021

☕ OPERADOR, O QUE DIABOS ERAM AQUELAS BONECAS?

 

Bellacosa Mainframe e a mistteriosa loja de bonecas de another

☕ OPERADOR, O QUE DIABOS ERAM AQUELAS BONECAS?

A estranha loja de bonecas de Another

Durante vários momentos do anime aparecem:

  • bonecas

  • manequins

  • olhos artificiais

  • membros artificiais

  • vitrines estranhas

Tudo envolto em uma atmosfera quase sobrenatural.

A direção faz questão de mostrar:

BONECA
↓
MEI
↓
BONECA
↓
OLHO
↓
BONECA

Praticamente um bombardeio visual.


O QUE O ESPECTADOR VETERANO PENSA?

Quem assiste muito anime imediatamente ativa:

CHEKHOV.EXE

E começa a formular hipóteses.


Talvez:

  • as bonecas estejam vivas

  • exista um espírito preso nelas

  • sejam recipientes para almas

  • sejam ligadas à maldição

  • exista um portal dimensional

  • Mei seja uma boneca

  • a cidade inteira seja um experimento sobrenatural

😂


O PROBLEMA?

Nada disso acontece.


A LOJA NÃO É UM PORTAL

Muita gente lembra daquele lugar como algo quase lovecraftiano.

Mas tecnicamente não é.

Não é:

  • templo

  • portal

  • santuário

  • dimensão paralela


É basicamente um ateliê/galeria de bonecas artísticas administrado pela família de Mei.


POR QUE ELE PARECE TÃO IMPORTANTE?

Porque a direção do anime o filma como se fosse importante.

Esse é o truque.


Imagine em Evangelion.


Se uma câmera fica dez segundos mostrando uma porta.

Você pensa:

"Atrás daquela porta existe um segredo."


Em Another a câmera faz isso com as bonecas.


O SIMBOLISMO REAL

Aqui a coisa fica mais interessante.

As bonecas representam vários temas centrais da obra.


1. A Fronteira Entre Vivo e Morto

Uma boneca parece humana.

Mas não é.


Parece viva.

Mas não está viva.


Esse conceito conversa diretamente com:

  • memória

  • identidade

  • existência


Temas centrais de Another.


2. Pessoas Que Continuam Presentes

Pense na própria maldição.


Alguém deveria não estar ali.

Mas está.


Uma boneca cria exatamente essa sensação.


Algo humano.

Mas não humano.


Algo presente.

Mas ausente.


3. O Olho de Mei

Essa é provavelmente a ligação mais importante.


O olho artificial de Mei vem daquele ambiente.


O tema dos olhos aparece o tempo inteiro.


Olhos representam:

PERCEPÇÃO

E a história inteira gira em torno de:

O QUE PODE SER VISTO

e

O QUE NÃO PODE SER VISTO

A VERDADE SOBRE A LOJA

Vou ser sincero.


A loja funciona mais como:

Cenário simbólico

do que

Elemento de enredo


E é justamente isso que frustra alguns espectadores.


Porque a linguagem visual promete:

SEGREDO IMPORTANTE

Mas entrega:

ATMOSFERA

O FALSO CHEKHOV'S GUN

Lembra do texto que discutimos sobre Chekhov?


As bonecas são quase um:

Falso Chekhov


O anime faz você acreditar:

"Isso será essencial."


Mas não será.


Bellacosa Mainframe

Imagine um operador encontrando:

//MISTERIO DD DSN=PORTAL.DIMENSIONAL

Durante 12 episódios você espera:

OPEN DATASET

Mas nunca acontece.

😂


No último episódio descobre:

DSN UTILIZADO APENAS PARA DECORAÇÃO

O QUE EU ACHO?

Pessoalmente?

Concordo parcialmente com você.


As bonecas criam uma expectativa gigantesca.

Maior do que a recompensa entregue.


Não considero um erro.

Mas considero um dos maiores casos de:

"promessa visual superior ao retorno narrativo"

de todo o anime.


A TEORIA BELLACOSA MAINFRAME

Se eu pudesse reescrever Another mantendo a essência da obra, faria as bonecas terem um papel um pouco maior.

Não necessariamente explicando a maldição.

Mas conectando:

  • memória

  • identidade

  • morte

  • percepção

de forma mais explícita.


Porque hoje elas funcionam quase como um módulo órfão.

BONECAS.EXE

STATUS:
CARREGADO

IMPORTÂNCIA VISUAL:
ALTA

IMPORTÂNCIA NARRATIVA:
MODERADA

EXPECTATIVA GERADA:
MUITO ALTA

RETORNO ENTREGUE:
MENOR QUE O ESPERADO

☕💣👁️

E talvez isso explique exatamente sua sensação.

Você não estava esperando apenas a revelação da pessoa extra.

Você estava esperando que:

  • as bonecas,

  • a loja,

  • os olhos artificiais,

  • o ambiente gótico,

fossem a ponta de um iceberg muito maior.

Mas no final descobriu que eles eram principalmente metáforas visuais, não a chave do mistério.

E para um veterano de anime, acostumado com obras onde cada detalhe estranho esconde uma conspiração gigantesca (Lain, Higurashi, Evangelion, Steins;Gate), isso realmente pode deixar aquela sensação de:

"Operador... faltou abrir alguns datasets." ☕📂👁️💣

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

A TÉCNICA DO "CHEKHOV'S GUN" EXPLICADA PARA OPERADORES DE MAINFRAME E OTAKUS PROFISSIONAIS

 

Bellacosa Mainframe e a tecnica Chekhovs Gun

☕💣👁️ OPERADOR, SE O GUARDA-CHUVA APARECEU NO EPISÓDIO 1, ALGUÉM VAI SE ARREPENDER NO EPISÓDIO 10

A TÉCNICA DO "CHEKHOV'S GUN" EXPLICADA PARA OPERADORES DE MAINFRAME E OTAKUS PROFISSIONAIS

Existe uma frase famosa na literatura que influenciou praticamente todas as formas modernas de narrativa.

Livros.

Filmes.

Séries.

Mangás.

Visual Novels.

Animes.

Jogos.

Tudo.

A frase pertence ao dramaturgo russo Anton Chekhov.

Ela costuma ser resumida assim:

"Se há uma arma pendurada na parede no primeiro ato, ela deve disparar até o final da peça."

Parece simples.

Mas essa ideia mudou a história da narrativa.

E talvez explique por que você ficou desconfiado dos guarda-chuvas em Another.

Por que observava cada porta.

Cada janela.

Cada escada.

Cada objeto aparentemente inocente.

Porque seu cérebro aprendeu uma regra fundamental:

Nada aparece por acaso.

Na linguagem Bellacosa Mainframe:

SE O DATASET FOI CRIADO

ALGUÉM VAI USÁ-LO

O QUE CHEKHOV QUERIA DIZER?

Muita gente interpreta a frase literalmente.

Mas ela não é sobre armas.

É sobre relevância narrativa.

Chekhov defendia que uma história deveria ser eficiente.

Se um elemento aparece:

  • ele precisa ter função

  • ele precisa gerar consequência

  • ele precisa justificar sua existência


Imagine um romance onde o autor gasta três páginas descrevendo:

UMA CHAVE DOURADA

O leitor imediatamente pensa:

"Essa chave será importante."

Se ela nunca mais aparecer:

O leitor sente que foi enganado.


O CÉREBRO É UMA MÁQUINA DE PADRÕES

Aqui entra a psicologia.

Nosso cérebro foi construído para detectar relações.

Quando algo recebe destaque, automaticamente assumimos:

IMPORTÂNCIA = ALTA

Esse mecanismo é tão automático que não percebemos.


O CHEKHOV'S GUN EM LINGUAGEM MAINFRAME

Imagine um JCL.

Você encontra:

//ARQSECRE DD DSN=CLIENTE.ARQUIVO.CRITICO

Mas o dataset nunca é utilizado.

Nunca é lido.

Nunca é atualizado.

Nunca é referenciado.

O operador imediatamente pergunta:

"Então por que ele está aqui?"

Essa sensação é exatamente o problema que Chekhov queria evitar.


O LEITOR É UM DETETIVE

Toda narrativa transforma o público em investigador.

Mesmo quando não existe mistério.

O cérebro está constantemente analisando:

  • pistas

  • símbolos

  • objetos

  • falas

  • comportamentos

Tentando prever o futuro.


O NASCIMENTO DA PARANOIA OTAKU

Após assistir muitos animes, algo curioso acontece.

Você desenvolve instintos.


Um personagem diz:

"Prometo que voltarei."

Veteranos imediatamente:

ALERTA VERMELHO

Uma personagem mostra um presente especial.

Veteranos:

ISSO VOLTARÁ MAIS TARDE

Uma câmera foca um objeto por três segundos.

Veteranos:

CHEKHOV DETECTADO

ANOTHER É UMA FÁBRICA DE CHEKHOV'S GUN

Aqui chegamos ao motivo pelo qual você ficou tão atento aos vidros e guarda-chuvas.

O anime treina o espectador.


Primeiro apresenta objetos comuns.

Depois associa esses objetos ao perigo.


Resultado:

Cada objeto vira suspeito.


Escadas.

Janelas.

Portas.

Vidros.

Corrimões.

Guarda-chuvas.


O público entra em estado de vigilância permanente.


O GUARDA-CHUVA MAIS FAMOSO DOS ANIMES

Aquela cena virou um marco justamente porque utiliza Chekhov's Gun de forma brilhante.


O objeto existe.

Está presente.

Parece comum.


O cérebro registra:

OBJETO IRRELEVANTE

Posteriormente:

OBJETO EXTREMAMENTE RELEVANTE

Explosão emocional.


QUANDO O CHEKHOV É FALSO

Agora chegamos a algo ainda mais interessante.

Os grandes autores aprenderam a enganar o público.


Eles criaram:

Red Herrings

Ou pistas falsas.


O objeto parece importante.

Mas não é.


O espectador passa episódios inteiros desconfiando.

E nada acontece.


ANOTHER E OS FALSOS ALARMES

Você comentou exatamente isso sobre os vidros.


O anime mostra:

  • vidro

  • escada

  • janela

  • corredor


Seu cérebro grita:

ABEND IMINENTE

Mas nada acontece.


Esse é o chamado:

Anti-Chekhov


O autor utiliza a expectativa contra você.


ATTACK ON TITAN

Hajime Isayama transformou isso em arte.


Pequenos detalhes aparecem anos antes de ganharem significado.


Ao reassistir:

Você percebe que tudo estava lá.


STEINS;GATE

Outro exemplo perfeito.


Objetos aparentemente banais.

Conversas aparentemente inúteis.

Pequenos detalhes.


Anos depois:

IMPORTÂNCIA REVELADA

DEATH NOTE

O anime inteiro funciona como uma metralhadora de Chekhov's Guns.


Uma regra do Death Note.

Uma câmera.

Um relógio.

Uma gaveta.

Uma televisão.


Nada é gratuito.


FULLMETAL ALCHEMIST

Uma das obras mais eficientes já produzidas.


Quase todo elemento importante aparece muito antes de gerar resultado.


O espectador nem percebe.


Mas o autor está preparando o terreno.


EVANGELION E O CHEKHOV QUE NÃO DISPARA

Agora chegamos a um caso curioso.


Evangelion frequentemente quebra a regra.


Apresenta elementos.


Não explica.


Não conclui.


Não resolve.


Isso gera uma sensação estranha.


Mas também ajuda a criar o fascínio duradouro da obra.


SERIAL EXPERIMENTS LAIN

Outro exemplo.


Muitas perguntas.

Poucas respostas.


O Chekhov existe.

Mas às vezes dispara fora da tela.


O CHEKHOV EM SCHOOL DAYS

Aqui encontramos um uso psicológico.


Não são objetos.

São comportamentos.


Pequenas escolhas.

Pequenos sinais.

Pequenas atitudes.


Tudo parece insignificante.


Até que deixa de ser.


O CHEKHOV EM MONSTER

Na obra-prima de Naoki Urasawa:


Uma conversa.

Um livro.

Um desenho.

Uma lembrança.


Décadas depois dentro da narrativa:

BANG

O tiro finalmente acontece.


O MAIOR CHEKHOV DOS ANIMES

Curiosamente não é um objeto.


É uma pergunta.


Os maiores animes apresentam uma questão inicial.


Attack on Titan:

O que existe além das muralhas?


Evangelion:

O que realmente está acontecendo?


Another:

Quem é a anomalia?


Steins;Gate:

É possível mudar o destino?


Essa pergunta inicial é a arma pendurada na parede.


A VERSÃO BELLACOSA MAINFRAME

Imagine um ambiente z/OS.

Você abre um procedimento.

Encontra:

//ERROCRIT DD DSN=ARQUIVO.SECRETO

Ninguém explica.


Ninguém comenta.


Mas ele está lá.


Você sabe.

O autor sabe.

O sistema sabe.


Em algum momento aquilo voltará.


Essa é a essência do Chekhov's Gun.


POR QUE AMAMOS ESSA TÉCNICA?

Porque ela cria uma ilusão maravilhosa.


A sensação de que o universo da história é organizado.


Nada está ali por acaso.


Tudo possui propósito.


Tudo possui consequência.


Tudo está conectado.


O CÉREBRO DO OTAKU VETERANO

Após centenas de animes, algo muda.


Você para de assistir apenas a história.


Começa a observar:

  • enquadramentos

  • símbolos

  • diálogos

  • objetos

  • expressões


Seu cérebro vira um analisador de logs narrativos.


Você não vê uma arma.


Você vê:

EVENTO FUTURO DETECTADO

VEREDITO FINAL DO OPERADOR

Chekhov's Gun não é uma técnica sobre armas.

Não é uma técnica sobre objetos.

Não é uma técnica sobre pistas.

É uma técnica sobre confiança.

O autor está dizendo ao público:

"Preste atenção."

Porque aquilo que parece pequeno hoje pode se transformar no elemento mais importante amanhã.

Por isso você desconfiou dos vidros em Another.

Por isso o guarda-chuva ficou na memória.

Por isso alguns animes permanecem brilhantes mesmo após várias revisões.

Ao reassistir, você percebe que o tiro já estava carregado desde o início.

Na linguagem Bellacosa Mainframe:

OBJETO DETECTADO

STATUS:
PARECE IRRELEVANTE

PROCESSAMENTO:
AGUARDANDO

RESULTADO FUTURO:
IMPACTO EMOCIONAL MASSIVO

☕💣👁️

LOG FINAL

O espectador iniciante vê uma arma na parede.

O espectador veterano vê um spoiler escondido.

O operador de mainframe vê um dataset misterioso que certamente causará problemas mais tarde.

E o autor sorri, porque o tiro já foi disparado há muito tempo.