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sábado, 11 de julho de 2026

Capítulo 11 — O Cemitério dos Buzzwords

Bellacosa Mainframe e o cemiterio dos Buzzwords

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 11 — O Cemitério dos Buzzwords

Enquanto Enterravam o Mainframe, os Modismos É que Foram Desaparecendo

Uma viagem bem-humorada pelos grandes modismos da indústria de TI que, em diferentes épocas, prometeram substituir completamente o mainframe, mas acabaram tornando-se apenas mais um capítulo da história da computação.

Por


Cemitério dos buzzwords e a continuidade da evolução do IBM Mainframe
Client/Server, Downsizing, Rightsizing, Cloud, Blockchain, Metaverso e outros modismos passaram. O IBM Mainframe continuou evoluindo e integrando cada uma dessas tecnologias.

"Na Tecnologia da Informação existem duas certezas: sempre surgirá um novo buzzword e alguém dirá que ele acabará com tudo o que veio antes."

— Bellacosa Mainframe

O ciclo dos buzzwords

Ao longo das últimas décadas, diversos conceitos ganharam enorme popularidade: Client/Server, Downsizing, Rightsizing, SOA, BPM, Virtualização, Cloud Computing, Containers, Blockchain, Metaverso e, mais recentemente, Inteligência Artificial.

Todos trouxeram contribuições importantes para a indústria. O erro não foi sua existência, mas a crença recorrente de que cada novidade eliminaria completamente tudo o que existia antes.

A estratégia vencedora

Enquanto o mercado frequentemente falava em substituição, o ecossistema IBM Z seguiu outro caminho: integração. Linux, Java, APIs REST, containers, OpenShift, Git, DevOps, Ansible, watsonx e IA passaram a conviver naturalmente com COBOL, CICS, Db2 e z/OS.

A grande lição

A História mostra que tecnologias realmente bem-sucedidas raramente eliminam completamente as anteriores. Elas evoluem, coexistem e se integram para resolver problemas de negócio de forma cada vez mais eficiente.


Bellacosa Mainframe e o museu da computação

Bem-vindo ao Museu da Computação

Imagine que exista um enorme museu.

Não um museu de computadores.

Um museu de previsões.

Cada sala possui um cartaz.

Um slogan.

Uma promessa.

Uma tecnologia revolucionária.

Ao lado...

Uma frase.

"Agora o Mainframe acabou de verdade."

Você entra na primeira sala.

Depois na segunda.

Na terceira.

Na décima.

Na vigésima.

E começa a perceber um padrão curioso.

Os nomes mudam.

A promessa continua exatamente a mesma.


Sala 1 — Client/Server

Ano: 1990.

A promessa:

"Agora tudo ficará distribuído."

O que realmente aconteceu?

Sim.

Aplicações distribuídas conquistaram o mercado.

Mas os grandes sistemas transacionais continuaram centralizados.

Hoje praticamente toda grande empresa utiliza ambos.

Resultado:

✔ Client/Server venceu.

✔ Mainframe também.

Empate por integração.


Sala 2 — RISC vai acabar com CISC

Ano: 1992.

Naquela época parecia que a arquitetura RISC resolveria todos os problemas da computação.

PowerPC.

SPARC.

MIPS.

Alpha.

PA-RISC.

Cada fabricante prometia o mesmo.

Mais desempenho.

Mais simplicidade.

Mais futuro.

Enquanto isso...

Os engenheiros da IBM continuavam evoluindo a arquitetura do mainframe.

Resultado?

RISC tornou-se extremamente importante.

Mas o IBM Z continuou evoluindo em paralelo.

Mais uma previsão que confundiu inovação com substituição.


Sala 3 — Windows NT dominará os datacenters

Quem viveu os anos 90 certamente se lembra.

Windows NT era apresentado como o sucessor natural dos grandes sistemas.

O marketing era gigantesco.

As demonstrações impressionavam.

As revistas adoravam.

O problema apareceu alguns anos depois.

Administrar milhares de servidores individuais revelou-se muito mais complexo do que muitos imaginavam.

Windows NT tornou-se uma plataforma importante.

Mas nunca substituiu o processamento crítico realizado pelos grandes sistemas corporativos.


Sala 4 — Java vai matar COBOL

Essa talvez seja uma das histórias mais divertidas.

Final da década de 1990.

Java dominava as conferências.

A frase mais comum era:

"Agora ninguém mais escreverá COBOL."

A IBM respondeu de maneira extremamente elegante.

Colocou Java dentro do mainframe.

Em vez de lutar contra Java...

Resolveu executá-lo.

Hoje Java e COBOL convivem naturalmente no IBM Z.

Mais uma vez...

Integração venceu.


Sala 5 — ERP elimina sistemas legados

Lembra dessa?

Bastaria instalar um grande ERP.

Pronto.

Todos os sistemas antigos desapareceriam.

Na prática...

Milhares de empresas descobriram que seus diferenciais competitivos estavam justamente naqueles sistemas chamados de "legado".

Resultado.

Os ERPs foram integrados aos sistemas existentes.

Não o contrário.


Sala 6 — SOA vai reescrever tudo

No início dos anos 2000 surgiu outro grande entusiasmo.

SOA.

Service-Oriented Architecture.

A promessa parecia familiar.

Tudo seria reescrito como serviços.

O que aconteceu?

Os serviços realmente apareceram.

Mas muitos deles passaram simplesmente a chamar programas COBOL já existentes.

CICS ganhou Web Services.

Depois REST.

Depois APIs modernas.

Mais uma vez...

O velho código apenas ganhou uma nova porta de entrada.


Sala 7 — Cloud vai acabar com os Datacenters

Essa previsão ainda aparece de tempos em tempos.

Segundo muitos especialistas...

Tudo iria para a nuvem.

Os datacenters desapareceriam.

Chegamos a 2026.

O que vemos?

Cloud.

Cloud híbrida.

Cloud privada.

Edge Computing.

IBM Z.

LinuxONE.

Todos convivendo.

A realidade novamente preferiu integração.


Sala 8 — Blockchain vai substituir bancos

Lembra de 2018?

Tudo seria Blockchain.

Contratos.

Documentos.

Identidade.

Cartórios.

Pagamentos.

Governos.

Algumas aplicações realmente prosperaram.

Outras desapareceram.

Os bancos?

Continuaram utilizando COBOL.

Db2.

CICS.

Mainframe.

E, curiosamente, várias soluções Blockchain passaram a integrar sistemas tradicionais.


Sala 9 — O Metaverso Corporativo

Talvez um dos buzzwords mais efêmeros.

Por algum tempo parecia que todas as reuniões aconteceriam em ambientes virtuais tridimensionais.

Empresas correram.

Investidores também.

Hoje...

As videoconferências continuam dominando.

O metaverso encontrou nichos específicos, mas não substituiu a forma como o mercado corporativo trabalha.

Mais uma previsão grandiosa que encontrou uma realidade bem mais pragmática.


Sala 10 — A Inteligência Artificial substituirá todos os programadores

Chegamos ao presente.

Agora o discurso mudou novamente.

A manchete da vez é:

"A IA escreverá todo o código."

Será?

A IA certamente mudou a forma como desenvolvemos software.

Produz documentação.

Sugere algoritmos.

Explica código.

Auxilia em testes.

Aumenta produtividade.

Mas alguém ainda precisa:

Entender o negócio.

Projetar arquitetura.

Validar regras.

Garantir segurança.

Tomar decisões.

Assim como aconteceu em 1990...

Existe uma enorme diferença entre automatizar tarefas e substituir conhecimento.


O padrão finalmente aparece

Observe todas essas previsões.

Client/Server.

RISC.

Windows NT.

Java.

ERP.

SOA.

Cloud.

Blockchain.

Metaverso.

IA.

Todas seguem praticamente o mesmo roteiro.

Primeiro aparece uma inovação verdadeira.

Depois surgem expectativas enormes.

Em seguida alguém anuncia:

"Agora acabou para o Mainframe."

Alguns anos passam.

A inovação permanece.

O Mainframe também.


A maior ironia de todas

Enquanto dezenas de tecnologias tentavam substituir o IBM Mainframe...

O IBM Mainframe fazia exatamente o contrário.

Incorporava cada uma delas.

Linux?

Venha.

Java?

Pode entrar.

REST?

Sem problema.

Containers?

Ótimo.

OpenShift?

Também.

Git?

Claro.

Python?

Bem-vindo.

Ansible?

Excelente.

Inteligência Artificial?

Vamos integrar.

Essa talvez seja a característica mais impressionante da plataforma IBM Z.

Ela raramente rejeita uma inovação.

Ela procura descobrir como utilizá-la.


O Padawan visita o cemitério

Nosso Padawan encontra um enorme portão.

Na entrada está escrito:

Cemitério dos Buzzwords

Ele começa a caminhar.

Primeira lápide.

"Client/Server substituirá tudo."

Segunda.

"COBOL acabou."

Terceira.

"O último mainframe será desligado."

Quarta.

"Cloud elimina os datacenters."

Quinta.

"IA elimina os programadores."

Ele continua andando.

Chega ao final do cemitério.

Olha para trás.

Percebe algo curioso.

Nenhuma lápide pertence ao IBM Mainframe.

Então escuta uma voz.

É o velho mestre.

— Está vendo?

— O quê?

— Buzzwords normalmente têm prazo de validade.

Arquiteturas bem projetadas costumam durar muito mais.


O segredo nunca foi resistir

Existe uma ideia equivocada.

Algumas pessoas imaginam que o IBM Mainframe sobreviveu porque resistiu às mudanças.

Não.

Ele sobreviveu justamente porque mudou.

Muito.

O System/360 de 1964 é completamente diferente do IBM z17 de 2026.

Mudaram:

Processadores.

Memória.

Compiladores.

Linguagens.

Virtualização.

Ferramentas.

Integração.

Observabilidade.

Automação.

DevOps.

Cloud.

IA.

O que permaneceu foi a filosofia.

Compatibilidade.

Disponibilidade.

Confiabilidade.

Escalabilidade.


O verdadeiro "dinossauro"

No primeiro capítulo vimos o mainframe ser chamado de dinossauro.

Chegamos agora ao final desta jornada.

E talvez possamos fazer uma pergunta provocativa.

Quem realmente envelheceu mal?

O IBM Mainframe?

Ou a ideia de que toda tecnologia nova precisa destruir completamente a anterior?

Porque o z17 continua evoluindo.

O COBOL continua recebendo novos recursos.

O Db2 continua inovando.

O CICS continua processando bilhões de transações.

O z/OS continua sendo atualizado.

Muitos dos buzzwords que prometeram acabar com eles...

Hoje aparecem apenas em livros de História da Computação.


A última aula para o Padawan

Sempre que surgir um novo modismo...

Não pergunte:

"Isso vai matar o Mainframe?"

Pergunte:

"Como o Mainframe vai incorporar isso?"

Essa pergunta possui muito mais chances de acertar o futuro.

Foi assim com:

Internet.

Java.

Linux.

Web Services.

Open Source.

Containers.

Cloud.

OpenShift.

DevOps.

E agora...

Inteligência Artificial.

Talvez a maior habilidade do IBM Mainframe nunca tenha sido processar bilhões de transações.

Sua maior habilidade foi outra.

Aprender continuamente sem abandonar aquilo que já funcionava.

Essa é uma lição que vale não apenas para computadores.

Vale também para arquitetos.

Para desenvolvedores.

Para empresas.

E, principalmente, para cada novo Padawan COBOL que inicia sua jornada.

Porque buzzwords vêm e vão.

Mas engenharia bem construída continua escrevendo a História.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu



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